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#109 ANTÓNIO PEDRO MENDES & PEDRO CARVALHO - Nutrição, Proteína, Colesterol, Jejum, Testes genéticos

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#109 ANTÓNIO PEDRO MENDES & PEDRO CARVALHO - Nutrição, Proteína, Colesterol, Jejum, Testes genéticos

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3814 segments

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O ovo numa quantidade moderada é um

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alimento bastante neutro e do lateral o

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ovo como um alimento extraordinário

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mostra-me ciência porque eu não não

0:08

encontro.

0:09

>> Colesterol é uma farsa? Não, não é uma

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farça. Claro que ele é importante para a

0:11

produção hormonal e para muitas outras

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coisas. Portanto, é fundamental que nós

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o produzimos.

0:15

>> A pessoa traz o que eu viu no TikTok. Eu

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dou-lhe uma resposta validada pela

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ciência. Tento efetivamente trazer uma

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mensagem assertiva sobre o tema, mas eu

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não tenho a certeza que a pessoa vai

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embora convencida de que eu é que tenho

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razão e não o fulano que tem 2 milhões

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de seguidores no Instagram está a

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contribuir com ruído para aquilo que é o

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mundo da nutrição.

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>> Não há assim tantas bebidas vestais que

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sejam mesmo light nesta verdadeira

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exceção da palavra e que sejam pelo

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menos equivalentes ou próximas daquilo

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que é o leite magro. Não podemos tratar

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uma refeição pré-treino de um treino de

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pilates com uma corrida de uma hora à

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grande intensidade. Não temos hipótese,

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não faz sentido.

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>> Muito boa noite, se Deus quiser. O meu

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nome é Tomás Magalhães. Sejam bem-vindos

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a mais um episódio de Despolariza. Antes

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de arrancarmos, quero agradecer aos

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novos mencenas Pedro Teixeira, Safe

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Journey, João Lourenço, Filipe Melo,

1:09

Lindo Saúde, Margarida Costa, Sandra

1:11

Miguel, Maria Henriques, Joana Ramos e

1:14

André Castro. Muito obrigado a estas

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pessoas que apoiam o despolariza. Em

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troca ganham acesso a conteúdo

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exclusivo, poder sugerir perguntas, um

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grupo de WhatsApp, jantares, fins de

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semana, uma data de coisas. Se tiverem

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interessados, há um link à minha volta e

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outro na descrição. E hoje vamos falar

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sobre nutrição, quer queiram emagrecer,

1:34

engordar, ganhar massa muscular ou só

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aprender um bocadinho mais sobre

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nutrição. Eu acho que de certeza

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absoluta que vão aprender aqui qualquer

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coisa hoje. E estou muito entusiasmado

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por conversar com Pedro Carvalho,

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nutricionista clínico. já foi

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nutricionista do Futebol Clube do Porto

1:51

e é professor de nutrição na

1:53

Universidade Católica, autor de vários

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livros na área da nutrição e António

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Pedro Mendes, nutricionista clínico e

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desportivo, atualmente nutricionista de

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Sporting e também autor de vários livros

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sobre nutrição. Bem-vindo, pessoal.

2:06

Obrigado.

2:06

>> Muito obrigado.

2:08

>> Vocês e são sendo do Porto, deu para

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gravar aqui o primeiro episódio noturno

2:13

do Despolariza, como estavas a dizer no

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início, deu para mandar o primeiro boa

2:17

noite, se Deus quiser.

2:20

Então, temos muito para falar,

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provavelmente não vamos ter tempo para

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falar de tudo, mas vamos tentar. E eu

2:27

pensei que se calhar a melhor maneira de

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fazer este episódio era

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havia muitas maneiras de fazer isto, mas

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começar assim do mais geral, ou seja,

2:35

dicas mais de saúde e falar sobre

2:37

alimentos específicos e depois tivermos

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tempo mais para o fim, tentar

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especificar sobre objetivos de

2:43

emagrecimento, objetivos de massa

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muscular e por aí fora. Portanto, dentro

2:49

dos alimentos mais consumidos assim

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pelas famílias portuguesas, quais é que

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vocês acreditam que são os mais nocivos?

2:57

Ou seja, aquele alimento ou aqueles

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alimentos que mais gente consome e se

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calhar não deveria consumir?

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>> Bem, a lista é longa, eh, mas se tivesse

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assim, há queima roupa que tirar alguns,

3:11

possivelmente é assim aquele aquela

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grande palavra, não é? ultra processados

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de uma forma global. HH portanto

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produtos de pastelaria, hh bolachas com

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bastante açúcar e gordura adicionada, eh

3:22

produtos com frituras também a

3:24

temperaturas muito altas e aqui as

3:26

batatas fritas são um bom exemplo e

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processados à base de hfrigerantes

3:31

açucarados e portanto eu acho que formam

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aqui uma uma boa tríade de alimentos a a

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evitar numa base diária.

3:39

Alguma coisa?

3:40

Hum, completamente de acordo. Acho que

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tudo aquilo que acumule uma grande

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quantidade de gordura, uma grande

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quantidade de sal, h, e esses produtos

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processados, eh, e os sapatos

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salgadinhos e coisas que os lanches,

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alguns folhados, eh, com também grandes

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quantidades de carne vermelhas e carnes

4:01

processadas, eventualmente estão aí no

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no topo. Pois, a seu tempo se calhar

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iríamos falar do álcool também e da

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forma de o enquadrar num num consumo

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equilibrado, mas dentro daqueles que se

4:12

calhar fazem parte de de de um consumo

4:15

que não se espera diário, esses podem

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ser que aglomeram

4:20

quase esses três ingredientes de carnes

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processadas, de sal e dessas gorduras

4:24

mais saturadas e trans que estão assim

4:26

no no topo daqueles constituintes que

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são um bocadinho mais nocivos para para

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a nossa saúde. Eh, portanto, enchidos e

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chouriços e fiambre eh, incluem nessa

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categoria.

4:37

>> Claramente, claramente. Claro que dentro

4:38

dos ultraprocessados nós eh de à base de

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carne podemos depois fazer aqui quase um

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ranking, dependendo, por exemplo, da

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quantidade de sal que tem. H, não vou

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entrar na questão do número de

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ingredientes, porque o susto só pelo

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número de ingredientes também me parece

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ocasionalmente falacioso na análise de

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alguns alimentos, mas o facto de terem,

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por exemplo, um processo de fumagem, eh,

5:00

também tem ali alguns compostos e

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procarcinogénicos e que poderão ser de

5:04

evitar e e a quantidade de sal também.

5:06

Portanto, estes três fatores, não é? A

5:08

quantidade de ingredientes e ainda que

5:10

isso possa levar a algumas falácias, o

5:12

sal e a questão da da parte da fumagem

5:15

podem ser relevantes. Sim. Uhum. Vocês

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comem fiambre?

5:19

>> Não é um alimento que eu consumo

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diariamente. É uma coisa muito ocasional

5:25

quando às vezes e pode estar presente.

5:28

Eu eu por acaso nem até não adoro comer,

5:31

mas nem sou muito franinhas, nem nem

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tostas mistas, mas é uma coisa que às

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vezes pode acontecer fora de casa. em

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casa é raro e quando o faço até porque

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também voltem meio recomendo, quando as

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pessoas já estão normalmente habituadas,

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a uma fonte de proteína e com uma boa

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uma baixa quantidade de gordura, não

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sendo um alimento fantástico, hoje em

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dia também já temos opções com menos

5:53

sal, com percentagens de carne, que

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também já vem na lista de ingredientes e

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que já anda ali acima de 70 80% de

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carne. Não são muitas, mas ainda assim

6:01

não diria para um consumo diário, mas um

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consumo ocasional também não acho que

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seja uma coisa que faça assim um grande

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problema.

6:08

>> OK. Pois, se calhar eu que cismei um

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bocado com o Fiambre porque eh sei lá na

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na nossa cultura eu sinto que Fiambre tá

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lá sempre, não é? desde pequenino, nas

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tostas mistas e em todo o lado e só

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relativamente tarde, já pá, há 10 anos é

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que me apercebi que espera aí isto é uma

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isto é uma fatia de misturada de várias

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carnes com não é com edulcorantes e

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outras coisas para dar sabor. É no fundo

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uma salsicha gigante, não é? Um um

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fiambre.

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>> Sim,

6:40

>> a maior parte dos fiembros. a maior

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parte, ainda que, pronto, como o Pedro

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disse, haja versões bastante mais eh

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posso-lhe chamar inócoas, talvez, eh,

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mas lá está, mas não faz do fiambre de

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nenhum tipo um grande alimento. Eh, a

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questão é que e acredito que falaremos

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disto, não temos só de escolher grandes

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alimentos, não é? Aquela ideia de se

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tivermos que dar de um uma nota de z0 a

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10 a todos os alimentos, nós não podemos

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só incluiros de oito para cima. Acho que

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faz sentido aqui também pela questão do

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prazer e de alguns objetivos

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nutricionais que possamos ter a

7:10

incluí-los. A, estava-me aqui a lembrar

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dos iogurtes proteicos, h, que muitos

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deles, ou até os pudins proteicos,

7:16

mussos proteicas, podem ser bastante

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processadas, mas podem ter um interesse

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nutricional específico se o objetivo com

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alguém for aumentar a ingestão proteica

7:24

e aquele for caminho que vai funcionar

7:26

no dia- a dia dessa pessoa, não é?

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Então, avaliar o alimento versus como

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enquadrá-lo e com frequência, depois

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também tem aqui um um caminho sinuoso

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que até para nós nutricionistas, não é,

7:36

eh, pode não ser tão fácil assim dar uma

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resposta muito direta. Claro, mas o

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chouriço, por exemplo, que é, eu adoro

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chouriço, h, e é das coisas que dá mais

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sabor às nossas, não é, à jardineira e a

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muitas comidas portuguesas, h, é um dos

7:53

piores alimentos, ou seja, é, é uma das

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piores carnes que podemos comer.

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>> Mas eu acho que aqui o pior tem tudo a

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ver com a dose com que se consome. Se tu

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colocares uma rodela de chouriço no

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refogado para dar sabor a uma refeição

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inteira, uma grandes quantidades, é algo

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que não que não vai. Se comeres uma

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rodelazinha de chouriço no arroz de

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pato, é uma coisa que ocasionalmente não

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vai ter aí nenhum nenhum problema. h, se

8:16

eh comeres presunto diariamente, se

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inserires esse esses enchidos com uma

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grande frequência na tua alimentação,

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como é lógico, acaba por ser eh muito

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complicado, tu conseguires ter daí algum

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o benefício sensorial, tu acabas por ter

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sempre, como é lógico. Agora, hã, há

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quase uma tradição que existe muito no

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Porto ou no Norte, que é nos

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restaurantes à quarta-feira, é o dia de

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cozido, normalmente no prato do dia.

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>> Hã, claro que se tu comeres cozido todas

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as semanas, todas as quartas-feiras, hh,

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porque ainda por cima é uma quarta, se

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for às vezes um domingo uma refeição em

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família, uma vez pode ser cozida, outra

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vez pode ser cabidela, outra vez pode

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ser vitela assada ou cabrito, vais

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variando aí um bocadinho. E estes

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venenos bons gostos. Esta lista vê-se

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mesmo aqui do norte.

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>> Agora sim, claro.

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Por isso, hum, eu acho que tem tudo a

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ver com as quantidades com que se com

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que se ingere. HH porque sim, todo toda

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essa gama de alimentos já mais fumados,

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mais processados, com mais gorduras

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saturadas, também com mais sal para

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serem serí uma base diária. É algo que

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não faz sentido se for numa base

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semanal. Eh, e depois também depende a

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margem que eu tenho para inserir estes

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estes alimentos na minha vida, que é

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tenho excesso de peso, não tenho, eu

9:31

treino, não treino, eh, como uma boa

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quantidade de fruta e legumes, não como,

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faço exercício, não faço exercício. Ou

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seja, há pessoas que têm mais crédito,

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mais margem para comer um bocadinho

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mais. Há outras que se calhar também por

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causa disso é que têm esses valores um

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bocadinho mais mais altos, seja do peso,

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da cintura, gordura visceral, como

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é lógico que nesses casos também foi por

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talvez terem comido esse e outros

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alimentos que que que chegaram a esse

9:55

valor, a margem acaba por ser um

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bocadinho mais reduzida. Agora, não o

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conceito de maus alimentos ou péssimos

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alimentos ou alimentos proibidos, que é

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uma coisa que às vezes o mundo da

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nutrição e cresceu a ouvir, de listas de

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alimentos proibidos, entregues em

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consulta, que são coisas que não fazem e

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sentido rigorosamente nenhum. Hum, só é

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uma coisa que que por um lado não faz

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sentido do ponto de vista, porque todo

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acaba por ser

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incluído ou incluível eh em em alguns

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momentos. Hum. E e é pior forma até de

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criar empatia com alguém que está do

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outro lado é é no final de uma consulta

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antes de uma consulta dizer e e este

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alimento, seja ele qual for, a pessoa

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vai ter que o cortar eh de alto a baixo.

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Ou seja, nem sequer há uma margem para

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colocar, seja ao fim de semana, seja

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noutro momento qualquer. Agora, lá está,

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tal como eu disse anteriormente,

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os enchidos a acabam por estar nesse

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nesse grupo dos piores alimentos eh

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pelos constituídos que têm, agora que

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têm que ser incluídos de uma de uma

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quantidade muito pequena e que podem

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continuar a serem ingeridos, como é

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lógico.

11:02

>> Claro. Então, se calhar para o resto da

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conversa vamos assumir que nada em

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demasia nada em pouca quantidade é mau.

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Eh, e que depende desses fatores todos,

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mas para não termos estar sempre a dizer

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isso e falamos mais à vontade, eh,

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dizemos isso uma vez e foi feito o

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disclaimer. Exatamente.

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>> Não é fácil. Mas então vais-me deixar

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complementar um porque o Pedro disse uma

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coisa interessante que foi a questão de

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>> qual é a tua alimentação no restante

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dia, não é? Quantas peças de de

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hortícolas e de fruta tu estás a a

11:32

consumir, quantas porções para enquadrar

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esse bocadinho de chouriça. E ele falou

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na questão do cozido. Imagina alguém que

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me pega assim num, sei lá, em 40 ou 50 g

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de choriço e pergunta: "Isto é

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interessante?" Não. E a pessoa depois

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começa, pega na, mantém a chouriça e

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começa a acrescentar meio prato de

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repolho, duas cenouras cozidas, um

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bocadinho de frango e um bocado de arroz

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branco e diz: "Isto é interessante, não

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está mal. Esse prato já não está mal".

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Portanto, é o enquadramento global da

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refeição e do dia e já agora, dos meses

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e dos dias que se seguem. Portanto, hh

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está feito. Prometo não voltar a

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dizê-lo, mas mas é importante isto. É

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importante. Sim,

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>> sim. E é e é super interessante porque,

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pá, é difícil te demonizares a rodela de

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chouriz que está no caldo verde, não é?

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Aquela rodela, mas é mais fácil

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dominizar alguém que chega a casa todos

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os dias e fica a ver televisão a comer

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um chouriço.

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>> Não há dúvida,

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>> uma bucha de chouriço, não é? Sim,

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>> eu demonizo mais o vegan que não como

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chouro do cal ver.

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>> Eu eu um dia quero fazer uma lista dos

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restaurantes portugueses que ponho duas

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rodelas de choriço e no caldo verde. É

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um sinal de uma boa casa, não é? Não

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estão a não estou a poupar no chorizo.

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Eh, falaste um bocado dos refrigerantes,

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por isso vamos responder à questão que

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toda a gente em casa quer que eu faça,

12:44

que é Coca-Cola Zero, Coca-Cola normal.

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H já toda a gente já ouviu dizer que ah

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não, Coca-Cola ainda faz pior do que o

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normal porque tem as partes em vez de

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açúcar. H, como é que é? Qual é a

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evidência mais recente sobre isto?

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>> Bem, hh, começo por, por dizer que não

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estamos a, no fundo aqui nesta

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comparação, não estamos a dizer que

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algum deles vai ser interessante.

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Podemos, se calhar, dizer qual será o

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menos impactante do ponto de vista

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negativo, não é? Eh, e aqui eu não tenho

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grandes dúvidas, eh, que a cola zero ou

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o refrigerante zero vá ser mais inóco do

13:20

que aquilo que é um um refrigerante

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açucarado. Eh, acho que eu não tenho

13:23

dúvidas, o Pedro não terá e e muitas

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vezes até se ouve. Eh, em algumas

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situações a cola zero será melhor que

13:30

uma cola normal. Depois eu tenho a

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dificuldade em ver quando é que a cola

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normal é melhor que a zero, a não ser,

13:34

por exemplo, num ciclista que vá fazer 4

13:36

horas de bicicleta e queira aumentar

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hidratos de carbono para conseguir ter

13:40

rendimento. E aí a cola normal é melhor

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que a zero. Agora, por questões de

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saúde, acho que não há margem na

13:45

literatura científica para dizer o

13:48

oposto daquilo que eu disse. Não, não me

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parece que eh as alegações que às vezes

13:52

vamos ouvindo tenham eh uma sustentação

13:54

mínima neste momento, com base na

13:57

ciência publicada, para sequer duvidar

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de que um refrigerante zero é muito

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melhor do que um refrigerante normal.

14:04

>> Quais são os riscos que as pessoas que

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costumam apontar aos ao Spartam ou essas

14:08

substitutes de açúcar?

14:11

O os riscos que por norma costumam

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apontar é terem visto uma notícia no

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Instagram ou nos míia a dizer que a OMS

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declarou que subiu um nível de risco e

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uma classificação de risco sobre alguns

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alimentos ou ingredientes. H e e o risco

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de cancro que que existe. Existem quatro

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níveis pelo menos e o aspartam subiu um.

14:33

Hum.

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Depois é sempre um bocadinho difícil ler

14:37

as letras pequenas ou ler o relatório

14:39

completo, ver, mas isto é exatamente o

14:40

quê? E foi em evidência animal, foi em

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evidência em humanos? Eh, e que tipo de

14:45

cancro é quais são as quantidades que

14:47

nós estamos aqui a falar? Qual é que é a

14:49

dose diária recomendada? Não é dose

14:51

diária recomendada, mas o AD, ou seja, o

14:53

acceptable da intake, a dose aceitável

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de área de inestão para eh onde se

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percebe que não há risco nenhum hh

15:01

relativamente ao ao aspartam, porque

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depois está em miligram por kg, como é

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que se faz a desconstrução?

15:07

E tendo em conta que cada lata até pode

15:09

ter aí, sei lá, 200, 300 mg de de de de

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aspartame. Nós tínhamos que ver o

15:15

equivalente, depois de pendeos

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refrigerantes. Há uns que até nem têm,

15:17

têm outros idolcorantes, nós tínhamos

15:19

que ver o equivalente a 9 a 14 latas por

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dia de um refrigerante e para chegar a

15:25

esse valor. Isso numa base diária. Por

15:28

isso, quando nós a partir daí vemos que,

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OK, se eu beber uma lata por dia e que

15:32

nem sequer pode ser em todos os dias, h,

15:35

o risco que vai acontecer é é

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praticamente nulo.

15:40

Eu, como tenho uma visão até bastante

15:44

hum

15:46

não quero chamar benévola, mas uma visão

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até mais clínica e de um certo de uma

15:50

certa forma mais humana em relação a

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estes a estes e eh não a todos os

15:56

alimentos processados, mas sobretudo em

15:58

relação àqueles que levam que levam os

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idolorantes. a nós acharmos que alguém,

16:03

sobretudo alguém com a obesidade que já

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tem uma predisposição nor maior, h, mais

16:10

ou menos genética para o sabor doce,

16:13

achar que alguém com essas

16:15

características vai ficar bem ingerindo

16:19

alimentos sem sabor nenhum,

16:22

sem açúcar, mas também sem adantos. Ou

16:24

seja, eu não posso beber uma cola, uma

16:25

Coca-Cola porque tem açúcar, mas não

16:27

posso beber uma cola zero porque tenho

16:28

adantes. Então eu vou beber água. hh e

16:30

não posso ingerir alguns iogurtes magros

16:34

e que não têm açúcar e também não posso

16:37

ingerir os magros aromatizados por causa

16:40

dos adçantes. E isso é uma coisa que na

16:42

realidade não existe. Essas pessoas não

16:45

existem. Nós nunca vamos conseguir mudar

16:46

o comportamento dessas pessoas tentando

16:48

colocar eh a beber água às refeições ou

16:51

única exclusivamente água. Iogurtes

16:53

naturais, eh cereais sempre integrais,

16:56

sem sabor rigorosamente nenhum. Eh, quer

16:59

dizer, isso é uma coisa que não existe,

17:00

porque se fosse fácil fazer isso, as

17:02

pessoas já o tinham feito.

17:03

E por isso, neste momento, estes h

17:07

produtos com poucas calorias, no meu

17:10

entender, são até bastante benéficos e

17:13

em manter algum sabor em planos,

17:15

sobretudo para quem está a tentar perder

17:17

peso e mesmo para quem não está a tentar

17:18

perder peso, porque é melhor se eu ao

17:20

beber um refrigerante ou se fizer um

17:23

iogurte a a comid corantes, em vez de

17:26

normal isso diminuir a minha necessidade

17:29

de comer outros doces com mais calorias.

17:33

com mais gordura, eu hoje já estou a ter

17:35

um ganho eh visível e real no total da

17:38

alimentação da pessoa. Por isso, acho

17:40

que quem tem uma postura demasiado

17:43

paternalista, fundamentalista em relação

17:46

a estes alimentos,

17:48

h e e a falar, nós vamos ter tempo de

17:51

falar disso também, do impacto que pode

17:53

ter na microbiota quando não ainda não é

17:56

assim uma coisa tão real e que existe

17:57

mais em modelos animais e em humanos

17:59

também ainda não existe tanto. é alguém

18:01

que está muito ligado a a modelos

18:03

mecanicistas, a a artigos, a essa

18:06

ciência dura e que depois se calhar vê

18:08

poucas pessoas, tem pouca experiência

18:09

clínica, eh, e não percebe o quão útil

18:12

esses alimentos podem ser eh para

18:14

algumas pessoas e em perda de peso e, e

18:17

mesmo para quem não está. Até uma visão,

18:19

no meu entender, pouco humana e pouco

18:20

empática.

18:23

proliferar essa informação e e

18:26

contaminar até o ambiente com essa

18:28

questão sobre sobre os adosantes, até em

18:30

relação ao açúcar, mas nós, pelo menos

18:32

no caso dos adosantes, temos uma uma

18:34

opção sem açúcar e por isso já não temos

18:36

que ingerir o açúcar. Depois em relação

18:38

ao sugar, também existem outras outros

18:40

alimentos que também não faz muito

18:41

sentido eh nós termos uma postura assim

18:44

tão tão fundamentalista contra eles,

18:45

porque eles em determinadas quantidades

18:47

até podem ser úteis, eh sobretudo até no

18:50

caso dos cereais, mas mas para não me

18:52

alongar muito nesta nesta parte, acho

18:54

que a questão dos idolcorantes em si, h,

18:59

uma postura demasiado fundamentalista

19:01

não é uma coisa que faça muito sentido

19:02

hoje em dia.

19:03

>> Uhum. Totalmente. E só para complementar

19:05

aquela questão da do aspartame e do

19:07

cancro, não é, dessa classificação em

19:08

quatro níveis. Eh, é curioso que se nós

19:10

formos ver todos os fatores que aumentam

19:13

o risco de cancro, h, trabalhar como

19:15

cabeleireira aumenta mais o risco de

19:18

cancro do que os edulcorantes. Trabalhar

19:20

na construção civil também. Outra para

19:22

profissionais de saúde, trabalhar por

19:24

turnos, nem que seja só uma noite por

19:26

semana, aumenta mais o risco de cancro.

19:28

Naturalmente que isto são coisas mais

19:30

difíceis de mudar do que deixar de beber

19:31

uma cola zero, não há dúvida. Mas ainda

19:33

assim h está-se a hiperbolizar esta

19:37

questão e do poder ter subido ali um

19:39

nível eh na, enfim, na escala de

19:42

classificação de potencialmente ou não

19:44

carcinogénico. Eh, e não se fala de

19:46

muitas outras coisas que também lá

19:47

estão. E, portanto, claramente há aqui

19:49

uma hiperbolização do tema. Sim,

19:51

>> sim. Há uma falácia de falta de

19:53

literacia científica, no fundo, que que

19:56

muita gente comete e que os jornais

19:58

cometem e os títulos dos jornais ainda

20:00

pior, que é hum pá, imagina que sai um

20:03

novo estudo que diz que e atenção, estou

20:06

a inventar, não citem, que diz que h

20:10

açúcar e cinco vezes mais carcinogénico

20:13

do que as partam.

20:14

>> Uhum.

20:15

>> Só que se calhar tu vais a ver e é uma

20:17

diferença de ser 0.001 001 ou 0.005,

20:23

ou seja, qualquer um dos dois tem uma

20:24

probabilidade muito muito inferior

20:27

>> a 200 outros comportamentos que nós

20:29

estamos a a ter no nosso dia- a dia, mas

20:31

o que aparece na no título da notícia é

20:33

só é cinco vezes mais carcinogénico,

20:36

certo?

20:36

>> E é isso que as pessoas levam para casa

20:37

e para as conversas, não é?

20:39

>> Sim. E e só para dar um exemplo que eu

20:41

também costumo dar algumas vezes, ou

20:43

seja, naquele primeiro grupo está

20:47

tabaco. Ah. álcool, radiação

20:50

ultravioleta. E por isso nós às vezes

20:52

podemos ver assim um caso que já estou

20:54

assim a a a parodiar um bocadinho.

20:57

Alguém que faz solário ou que apanha sol

20:59

sem protetor, que fuma, que bebe álcool

21:01

quando sai à noite. Está muito

21:02

preocupado com a cola zero por causa dos

21:04

adosantos, quando é o que ele quase que

21:05

faz o bingo ou linha em todos os e

21:09

canceris major. H, e depois acabo por

21:12

estar preocupado com com com coisas

21:14

muito mais pequenas. Por isso, acho que

21:16

é é mesmo daquelas coisas que que é

21:19

importante colocar no devido lugar.

21:21

Claro que ninguém pode dizer que beber

21:23

um refrigerante com eh qualquer

21:26

idlocorante é melhor do que beber água.

21:28

Há espaço para tudo com lógico.

21:30

>> Claro. E já que estamos aqui nas

21:32

bebidas, hh, eu ouvi-te

21:35

a falar sobre isto no 45º, acho eu. Hum,

21:40

a diferença entre comer umas peças de

21:43

fruta ou beber sumos de fruta, porque

21:46

também já ouvi, não foi nesse episódio,

21:49

mas acho que também vocês falaram disso.

21:51

Já ouvi dizer que beber fruta, eh, mesmo

21:54

que seja 100% eh de poupa, não é? que

21:58

não é assim tão bom ou que deve que

22:00

devemos ter cuidado com isso, não pensar

22:01

que ah não, isto é 100% de fruta, é o

22:03

que eu vou ver o dia todo, certo? Eh, e

22:05

isso parece estar relacionado com alguns

22:07

fatores, nomeadamente o facto de se

22:09

perder e alguma da fibra e em sumos

22:12

100%, até porque nem todos os sumos 100%

22:15

são triturados. Por exemplo, a laranja é

22:16

espremida e ao ser espremida, estamos a

22:18

perder componentes que se comêsemos a

22:20

laranja inteira, estaríamos a ter

22:22

benefício desses mesmos componentes. Por

22:24

outro lado, eh algumas substâncias que

22:26

poderiam ser antioxidantes, nomeadamente

22:28

algumas vitaminas como a vitamina C, com

22:30

exposição à luz prolongada, também se

22:33

vão perder parcialmente. Eh, isso também

22:35

vai reduzir o o seu próprio interesse

22:37

nutricional. E por último, mas não em

22:39

último, claramente a questão da

22:40

saciedade, eh, que é o facto de nós, ao

22:43

estarmos a comer uma porção de fruta,

22:45

temos claramente aqui, eh, enfim, uma

22:48

uma capacidade de saciação, que é esta

22:50

questão da saciedade no momento, ou

22:52

seja, quando é que conseguimos parar de

22:54

comer naquele momento, maior do que

22:55

bebendo essas mesmas calorias eh sob a

22:58

forma líquida, no caso, eh, o próprio

23:01

índice glicémico poderá ser diferente ou

23:03

o imp, vamos falar em impacto glicêmico,

23:04

o impacto glicémico e de comer uma uma

23:08

laranja ou de beber um sumo de laranja

23:09

acaba por ser eh distinto. Eh, não só

23:12

porque o índice é diferente, mas a carga

23:14

também é diferente, porque ninguém bebe

23:16

o sumo de uma laranja. Normalmente bebem

23:17

o sumo de duas ou três, que é o copinho

23:19

eh típico de sumo de laranja. Aliás,

23:22

quando se estuda o açúcar e o impacto

23:23

negativo do açúcar, hh, os sumos

23:28

naturais, mesmo os sumos 100% à base de

23:30

concentrado ou não, hh são incluídos no

23:33

grupo dos açúcares livres, que são

23:35

aqueles que normalmente se associam h a

23:38

piores outcomes ou ou a maior aumento de

23:40

risco de certas patologias. a fruta em

23:42

peça por toda a matriz fibrosa eh que se

23:45

compõe já não entra nesse grupo

23:47

claramente. E por isso é que o impacto

23:49

de fruta, comida versus bebida, pode ser

23:51

pode ser diferente.

23:53

>> Fazemos aqui uma brevíssima pausa para

23:55

falar sobre saúde mental. Felizmente, ao

23:58

longo dos últimos anos, o estigma à

24:00

volta da saúde mental tem reduzido em

24:01

Portugal, mas continuava a ser um

24:04

privilégio económico até há pouco tempo.

24:08

E a Highwell é uma das empresas que veio

24:09

resolver isso. Nós juntamos-nos a

24:12

Highwell, que é uma plataforma 100%

24:14

online de psicologia, psicoterapia,

24:17

neste caso, eh, todos os psicólogos

24:19

estão inscritos na ordem e se vocês

24:21

utilizarem o link está na parte de cima

24:24

da descrição deste episódio e depois o

24:26

código exploriza 27, não só tenho 10

24:30

consultas de 15 minutos para explorarem

24:32

vários psicólogos e escolherem aquele

24:34

que parece melhor para vocês, como no

24:37

momento da primeira consulta conseguem

24:39

fazê-la pel por apenas 16 €. Por isso,

24:42

aproveitem esta oportunidade. Eh, é 100%

24:46

privado, já não há estigma, já não há

24:48

uma grande barreira económica, nem que

24:50

seja para explorarem um bocadinho a

24:51

vossa psique. Compensa muito. Por isso,

24:54

mais uma vez, link no topo da descrição

24:56

e desplorariza 27 e como cupão.

24:59

Obrigado, Highwell, pelo apoio e vamos

25:01

voltar para o episódio.

25:03

Eu houve uma altura, pá, também já foi

25:06

há muitos anos, mas em que pá, estava a

25:09

fazer tudo mal, acho eu. vocês já me vão

25:10

dizer, mas me meti na cabeça que, pá,

25:13

queria ser mais saudável. H, tinha 20 e

25:16

poucos anos e e lembro-me de a certa

25:19

altura pensar, pá, agora só como fruto

25:21

ao pequeno almoço

25:23

e hoje em dia sei mais e percebo porque

25:26

é que nessa altura eu ficava sem energia

25:29

mais rapidamente. E queremme explicar e

25:32

ou validar aquilo que que eu acho que

25:35

acontecia? É, é assim o não sei, não,

25:39

>> por exemplo, vou dar continuidade aqui

25:40

ao tema. H, o facto de só comeres fruta

25:44

de manhã significa que possivelmente não

25:45

estavas a comer só uma porção de fruta

25:47

e, portanto, a quantidade de hidratos de

25:48

carbono ingeridos logo pela manhã eh

25:51

estaria a ser substancial. Eh, e por

25:54

outro lado, não tinha uma matriz

25:57

alimentar, uma matriz de refeição eh

26:00

variada no sentido de ter ali alguma

26:01

fonte de gordura ou alguma fonte de

26:02

proteína que pudesse moderar eh essa

26:05

absorção de hidratos de carbono. Ainda

26:07

que a fruta, de uma forma global

26:09

consumida em peça não tenha um índice

26:11

glicémico alto, a maior parte dos frutos

26:13

não o têm. e uma porção de fruta, se

26:15

contarmos com uma porção que contenha

26:17

15, 20 g de hidratos de carbono, também

26:20

não vai ter uma carga glicémica, um

26:22

impacto glicémico assim tão marcado.

26:23

Agora, um pequeno almoço só de fruta,

26:25

claramente que vai ser a multiplicar h

26:28

por dois ou três, pelo menos, eh, nestas

26:30

porções. E aí, naturalmente que esse

26:32

pico de glicemia pode ser a depois a

26:36

seguido a de uma descida um bocadinho

26:38

mais abrupta. E nessa descida, eh, há

26:41

alguns relatos, ainda que a ciência não

26:42

seja clara sobre o tema, dessa sensação

26:45

mais de falta de energia, de fadiga,

26:48

ainda que isto não seja propriamente eh

26:50

supervalidado pela ciência, mas há há há

26:52

vários relatos e e faz algum sentido. H

26:55

até até em desportistas faz, mas aí é um

26:57

caso é um caso diferente porque o

26:59

músculo precisa de glicose muito

27:01

rapidamente e portanto a hipoglicemia

27:02

pode efetivamente dar-se. em pessoas que

27:04

não estão a precisar ou exercitar

27:06

muscularmente, poderá eventualmente não

27:08

ser assim tão marcado. Ha, mas sim, mas

27:11

se se em vez de três porções de fruta

27:13

passaste a uma e lhe juntaste mais

27:14

alguma coisa nutricionalmente

27:16

interessante, então acho que fizeste

27:18

bem.

27:18

>> Hum. Pequeno almoço assim,

27:23

pequeno almoço ideal para uma pessoa

27:24

normal. Então, seriam, sei lá, um ou

27:27

dois ovos e uma fonte de hidratos de

27:32

carbono complexa, como uma porrada de

27:35

pão integral e depois uma peça de fruta,

27:37

mais ou menos assim. Eu acho que aí

27:39

podes fazer sempre várias combinações,

27:41

ou seja, partindo o pressuposto que é

27:43

alguém que também não está a tentar

27:44

perder peso e que nós não temos que ter

27:46

aqui um controle muito grande ou com a

27:47

quantidade de de de hidratos de carbono

27:49

ou com a quantidade de gordura, h, que é

27:52

um pequeno almoço para alguém saudável

27:54

que está a tentar só e a manter o peso e

27:57

que até acaba por ser fisicamente ativo,

27:59

h, eu acho que o ideal é nós

28:00

conseguirmos ter aqui sempre uma mistura

28:02

das três coisas, ter sempre uma boa

28:03

fonte de proteína, isso pode ser com os

28:06

ovos, de facto, mas também Pode ser com

28:08

queijo magro, idealmente também pode ser

28:10

com algum iogurte e sobretudo esses

28:12

iogurtes proteicos que existem agora

28:14

também podem dar aí uma uma boa ajuda.

28:16

H, como fontes de gordura, nós tivermos

28:19

os ovos, já vamos ter gordura e proteína

28:20

porque é uma relação quase quase um para

28:22

um. Caso não exista, podemos colocar aí

28:24

alguns fruttos gordos, a questão de

28:26

nozes, amêndo, ovelá, pestaço, caju, eh,

28:29

castanha de pará e com uma fonte de

28:32

hidratos de carbono, eh, porque dá para

28:34

fazer sempre várias combinações entre os

28:36

três grupos. podemos ser a fruta, que é

28:38

a melhor de todas. E depois entre os

28:40

cereais integrais ou com pão integral ou

28:41

mesmo eh cereais integrais, não tem que

28:43

ser sempre a veia, podem ser outros

28:45

outros outros cereais. Hum, e nós aí

28:48

tanto podemos colocar o ovo com a o pão

28:52

integral, como podemos colocar o pão com

28:54

queijo, como podemos colocar o iogurte

28:57

com a fruta ou o iogurte com os cereais

28:59

e os frutos secos ou manteiga dos frutos

29:01

secos, não necessariamente manteiga de

29:02

amendoim.

29:04

Eh, temos aí uma série de de combinações

29:08

possíveis que depois vai depender do

29:10

peso da pessoa, do objetivo, h, e a

29:13

parte mais importante que é o gosto

29:14

pessoal, porque essa é é mais

29:16

determinante, é, é ser algo que encaixe

29:19

com aquilo que a pessoa mais gosta ou

29:20

várias opções dentro daquilo que mais

29:22

gosta de fazer. Agora, se nós fizermos

29:25

papas de aveia com banana, com mel, com

29:27

manteiga de amendoim, com bebidas

29:29

vegetais que não têm proteína nenhuma,

29:30

aí vamos ter um comboio gigantesco de

29:32

calorias sem proteína nenhuma e com

29:34

muitos hidratos e com muitos açúcares.

29:36

H, se fizermos só ovos e abacate ou ovos

29:39

e bacon já vamos ter proteína e gordura

29:41

a mais, mas também sem hidratos de

29:43

carbono. E há sempre aí, por mais que os

29:45

alimentos e o bacon não neste caso, mas

29:48

por mais que os alimentos até possam ser

29:49

equilibrados em si e saudáveis

29:51

genericamente, eh pode ser uma coisa

29:54

muito desequilibrada por nós só estarmos

29:56

a dar e um particular incidência num

30:00

nutriente. Ou pode ter só hidratos, ou

30:02

pode ter, em alguns casos, até só

30:03

proteína, ou pode ter uma coisa com

30:04

demasiada gordura. Fazer aí essas

30:06

combinações entre os três acaba por ser

30:08

sempre o ideal.

30:09

E se for treinar passado meia hora,

30:12

António, ou seja, um pequeno almoço para

30:14

alguém que que acorda e vai treinar para

30:16

sabe para meia hora tomar pequeno

30:17

almoço. Se o objetivo for fazer um

30:20

joging de 30 minutos, possivelmente não

30:22

há especificidades, ou seja, a pessoa

30:24

que coma, tendo comer saudável dentro

30:26

daquilo que são as suas preferências

30:27

também. Eh, e não é preciso aqui uma

30:29

programação de hidratos de carbono muito

30:31

específica. Já se for fazer uma volta de

30:34

4 horas de bicicleta com o objetivo, por

30:36

exemplo, de testar uma estratégia para

30:39

fazer uma prova de ciclismo, então aí já

30:41

temos que fazer um um aporte de hidratos

30:43

de carbono bastante elevado, alinhado

30:45

com o peso corporal, com a experiência

30:46

de treino, com o seu objetivo

30:47

competitivo, tolerância

30:49

gastrointestinal. Então, o número de

30:51

fatores que me vai fazer decidir se

30:53

aquele pré-treino, seja ele um pequeno

30:55

almoço ou um lanche da tarde, tem que

30:57

ser mais ou menos específico, eh, é

30:59

enorme, é, é absolutamente brutal. Pois,

31:01

tu tás, tou a perguntar uma pessoa que

31:03

tá na Liga dos Campeões disto, por isso

31:05

o grau de resolução é eh no Futebol

31:09

Clube do Porto, se tivesses no Futebol

31:10

Clube do Porto, provavelmente serias

31:11

ainda melhor, mas Sporting também aí tá

31:13

fixe.

31:14

>> Hã, mas é isso, pá. Mas para para a

31:16

maior parte das pessoas, se vai treinar

31:18

a seguir, deve comer um bocadinho menos

31:20

ou não? Não, não necessariamente.

31:22

>> Ah, do ponto de vista teórico, pelo

31:25

contrário, ou seja, até poderia ter

31:27

vantagem em consumir mais hidratos de

31:29

carbono do numa situação em que não

31:31

fosse e efetivamente fazer exercício. O

31:34

que acontece muitas vezes com pessoas

31:35

que treinam de manhã é que o pequeno

31:36

almoço é muito perto do início do treino

31:39

e não têm normalmente uma grande

31:40

tolerância gastrointestinal para um

31:42

grande pequeno almoço. E, e nesse

31:44

sentido, aquilo que tentamos é dar os

31:46

mínimos que possam potenciar a

31:47

performance, h, e que possam não

31:49

resultar numa hipoglicemia no caso de

31:52

treinos mais prolongados ou mais

31:53

intensos. Eh, e depois o resto dos

31:56

nutrientes que definimos como alvo para

31:58

o dia, podemos dividi-lo pelas outras

31:59

refeições e não tem que ser propriamente

32:01

no momento pré-treino. A, eu até costumo

32:03

dizer que o momento pré-treino é um

32:04

momento claramente sobrevalorizado para

32:07

atletas recreativos ou ou mesmo não

32:09

atletas, praticantes de exercício que

32:11

não atletas e e que acham que têm que se

32:13

quitar muito bem antes de fazer a sua

32:15

corridinha de 30 minutos e não têm h

32:18

porque a verdade e que pode doer é não

32:21

são atletas, não treinam como atletas e

32:23

não precisam de um pequeno almoço de

32:24

atleta porque efetivamente e

32:26

fisiologicamente isso não vai trazer um

32:28

benefício assim tão marcado. Mas se para

32:31

essas pessoas o esforço que ela precisa

32:33

para correr 20 minutos for tão extremo

32:36

como para um grande atleta correr 20 km,

32:39

não poderá também fazer diferença?

32:41

>> Aí já tem a ver mais com a capacidade

32:43

cardiovascular, por exemplo, mas o a

32:45

quantidade de glicogénio, portanto, as

32:47

reservas de glicose que vai gastar para

32:50

fazer esses 20 minutos de corrida, e não

32:52

vai ser eh de alguma forma aqui um fator

32:55

de fadiga precoce, porque ela não vai

32:57

gastar à partida o glicogénio todo que

32:58

tem. Daí o não ser necessário não está

33:01

tão relacionado com quanto é que me

33:02

custa este treino, mas com a fisiologia

33:05

do treino. Aliás, às vezes eu tenho

33:06

pessoas que na consulta me dizem que

33:08

fazem um treino de pilates e eu

33:11

começo-me logo a rir porque já sei que

33:12

vou ter que fazer uma brincadeira

33:13

qualquer com o tema pilates. Não porque

33:16

não seja extremamente válido sobre

33:18

diferentes pontos de vista, mas a

33:20

verdade é que não podemos tratar uma

33:21

refeição pré-treino de um treino de

33:23

pilates com uma corrida de uma hora à

33:25

grande intensidade. Não temos hipótese,

33:26

não faz sentido. E portanto é preciso

33:29

perceber a fisiologia do treino, o que é

33:31

que se pretende com esse treino e então

33:33

ajustar a refeição. E se quiseres ir

33:35

ainda mais complexo,

33:37

mesmo que o atleta seja um atleta de

33:39

élite e que queira fazer um treino

33:41

prolongado, ele não tem necessariamente

33:43

que ser monido com todos os nutrientes

33:46

necessários àquilo que vai fazer, porque

33:47

o objetivo daquele treino pode ser criar

33:50

algumas adaptações neuromusculares que

33:52

lhe permitam lidar melhor com o intemper

33:54

e a intempéri pode ser ter pouca

33:56

disponibilidade de hidratos de carbono.

33:57

>> Ah, sim. Anti fragilidade,

34:00

>> levar os sistemas a a novos limites para

34:02

ganhar training low, não é? treinar

34:04

baixo em hidratos de carbono para que o

34:06

corpo adapte melhor àquela àquele senão.

34:09

Pronto, isso não está muito validado que

34:11

possa aumentar a performance de forma

34:13

relevante, mas não deixa de ser uma

34:15

estratégia e parece-me a mim válida e,

34:17

portanto, não, os atletas não têm que

34:19

estar nutricionalmente e adequados como

34:22

numa situação de prova, de evento

34:24

competitivo, porque aquilo é só um

34:25

treino. E Pedro, não há pessoas que para

34:30

elas especificamente é melhor eh não

34:32

tomar pequeno almoço e ir treinar de

34:34

jejum? Eu sou uma pessoa que treina

34:36

todos os dias às 8 da manhã em jejum, só

34:39

com os cafés, por exemplo, hum, pelo

34:42

simples facto de que eh

34:46

acordo meia hora antes de começar o

34:48

treino e por isso qualquer coisa que

34:49

comece àquela hora iria correr mal e

34:52

porque depois como são treinos ainda com

34:53

uma intensidade elevada, mesmo que até

34:55

pudesse fazer 1 hora, 1 hora e meia

34:57

antes. A refeição pré-competitiva é uma

35:00

coisa que tem que ser confortável. Claro

35:02

que quando nós estamos a falar em

35:03

esforços, se e já estivemos a falar

35:05

acima de 1 hora e meia e pessoas que já

35:08

vão fazer provas de meias maratonas ou

35:11

maratonas, provas de trio relativamente

35:14

mais longas, coisas que agora estão um

35:16

bocadinho mais na moda do Iox ou ou o

35:19

hybrid provas desse género, logicamente

35:21

que aí já se faz um pequeno almoço com

35:23

uma antecedência um bocadinho maior e lá

35:25

está, e esse é o dia de prova, não é o

35:27

dia de treino. para pessoas que têm o

35:29

seu treino normal, mesmo que até o possa

35:31

ser ao final da tarde, claro que é ao

35:32

final da tarde, se calhar já não convém

35:33

abusar muito na quantidade de café, mas

35:35

convém que pelo menos essa refeição

35:38

pré-treino tenha poois cada há pessoas

35:41

que até podem acordar de comem ovos

35:43

mexidos e passado meia hora estão a a

35:45

fazer crossfit, a fazer flexões em pino

35:48

e pullups e que estão ali de cabeça para

35:49

cima e para baixo e está tudo bem. Por

35:51

isso, claro que há aqui uma sempre uma

35:53

tolerância individual grande. HH Mas o

35:56

bom senso diz que se calhar naquela hora

35:59

anterior nós nem vamos ter um grande

36:01

benefício naquilo que vamos comer,

36:02

sobretudo se forem coisas com uma grande

36:04

quantidade de proteína e gordura. Por

36:05

isso, a comer que fosse uma coisa mais

36:06

simples e só mais rica em hidratos de

36:08

carbono, pode ser uma banana ou outra

36:10

peça de fruta ou uma barra de cereais,

36:11

uma coisa assim muito muito muito

36:13

simples. Depois a cafeína pode sempre

36:14

ajudar um bocadinho. Hum. Mas para quem

36:17

se sentir melhor a treinar em jejum,

36:19

acho que que faz todo sentido, mas

36:21

também sem esperar que vai emagrecer

36:23

mais por causa disso, porque não é

36:25

>> depois conta o total do dia. E claro que

36:27

se nós formos minuciosos do ponto de

36:29

vista técnico, até podemos ver que

36:30

treinar em jum pode aumentar um

36:32

bocadinho a oxidação de gordura, mas

36:33

isso já são mais discõ discussões

36:35

académicas. o treino em Jum não vai

36:38

potenciar muito essa essa essa perda de

36:41

de de massa gorda. H, e mesmo que até

36:44

potenci bocadinho o queimar gordura no

36:47

próprio treino, não é isso que vai fazer

36:48

emagrecer ao final do ao final do do

36:51

dia, da semana e do mês. pode ser uma

36:53

estratégia válida quase por exclusão de

36:56

outras que é eu faço isto porque não tem

36:58

outra forma de se eu como qualquer coisa

37:01

e me sinto mal durante o treino, do

37:02

ponto de vista gástrico, eh, com

37:04

vómitos, com cólicas, o que seja. Então

37:06

aí o treinar em jun é uma coisa que faz

37:08

todo sentido, sobretudo para quem treina

37:09

de manhã, mas mesmo que seja na outra

37:10

altura do dia, h, e garantir pelo menos

37:13

essa janela de uma 2 horas antes de

37:15

fazer uma grande refeição é uma coisa

37:16

que faz todo sentido. E nem o pré-treino

37:19

é tão importante quanto as pessoas

37:21

pensam para pessoas normais. Lá está,

37:24

não estamos a falar da Liga dos

37:25

Campeões,

37:26

>> estamos a falar aqui de outro de outro

37:27

contexto para pessoas normais que não

37:29

que não competem e mesmo os amadores que

37:31

competem, o pequeno almoço, vamos

37:33

imaginar no dia da prova, e esse sim é

37:35

muito importante, mas mais até do que

37:37

esse é o que ele come nas 24 horas

37:39

anteriores e até nas 48 horas

37:41

anteriores, tendo em conta a duração da

37:43

prova que que que quer fazer, o tempo

37:45

que vai estar que vai estar em em prova.

37:48

E aí faz sentido até, é muito mais

37:51

importante se calhar a ceia do dia

37:52

anterior, todas as refeições que ele faz

37:54

no dia anterior do que o próprio pequeno

37:56

almoço no próprio dia. Até porque depois

37:58

nós também temos pessoas que já são

37:59

naturalmente mais ansiosas, que que em

38:01

dia de prova mais nervosas não conseguem

38:03

comer assim tanto, é só líquidos e nesse

38:05

dia, desde que o dia da véspera tenha

38:07

sido bem bem feito e bem gerido a nível

38:09

nutricional, não comer assim tanto no

38:11

próprio dia, não há problema nenhum.

38:12

>> Uhum. Isto é uma das coisas que eu que

38:15

eu queria mesmo conversar convosco, que

38:17

é h

38:20

será que a variabilidade genética que

38:23

existe entre seres humanos, não é, no

38:27

que toca às tolerâncias, no que toca

38:30

aquilo que é o alimento ideal para elas

38:32

e todas essas variáveis que existem,

38:35

será que não é demasiado larga essa essa

38:39

variabilidade genética? Será que não é

38:40

demasiado larga para nós podermos estar

38:44

a dar assim conselhos eh gerais às

38:47

pessoas? Porque eu às vezes sinto que

38:49

daqui a 200 anos hã sei lá, as pessoas

38:53

vão chegar, se calhar não é 200 anos, se

38:55

calhar é 20, mas as pessoas, sei lá, vão

38:57

nascer e ou vão logo sequenciar o o

39:00

genoma, não é? e e que e que se vai

39:04

perceber muito mais cedo qual é qual é o

39:08

caminho evolutivo daquela pessoa, mais

39:10

ou menos, não é? Em que contextos é que

39:13

os aqueles genes evoluíram, porque nós

39:16

somos uma misturada de pessoas que

39:18

tiveram que se adaptar a só comer

39:20

javali, com pessoas que seam adaptar a

39:22

só comer cogumelos e coelho.

39:26

E alguns de nós vão ter mais genes do

39:28

javali e outros mais dos cogomelos.

39:31

E e por isso eu sinto que isto é só um

39:35

palpite, não é? Mas não é um palpite

39:36

assim tão desinformado, sendo eu

39:38

cientista e também uma pessoa em cima da

39:40

tecnologia, que nós vamos olhar para

39:42

hoje em dia e pensar o quê? As pessoas

39:43

passavam uma vida inteira a comer

39:46

brócolis e aquilo era um alimento que

39:48

que lhes tirava mais energia do que dava

39:51

e as pessoas não sabiam a vocês

39:53

acreditam que vamos neste sentido? Ou

39:55

seja, e existe esta variabilidade

39:57

genética tão grande?

39:59

É sim, a variabilidade genética existe.

40:01

Ponto. Eh, e não há dúvida nenhuma de

40:03

que determinado grupo de pessoas pode

40:05

responder melhor a uma estratégia, seja

40:07

ela qual for, do ponto de vista

40:08

nutricional, do que outras que façam

40:10

exatamente a mesma, mas tenham uma

40:12

resposta, não vou dizer oposta, porque

40:14

na maior parte dos casos não é, mas uma

40:16

resposta menos marcada. Eh, sei lá,

40:19

redução de colesterol à custa

40:21

determinada estratégia nutricional. com

40:23

algumas pessoas pode funcionar numa

40:25

redução de LDL de 10% e com outras pode

40:27

resultar numa de três. Aí há uma questão

40:30

genética também que pode ter aqui algum

40:32

impacto, sem dúvida. Mas e

40:35

>> desculpa, há pessoas e eh cuja

40:38

alimentação

40:40

impacta mais o LDL e o HDL, o colesterol

40:43

do que outras,

40:44

>> ou seja, faz a mesma alteração em duasum

40:46

>> numa os valores mudam mais do que

40:48

noutras. Claramente, claramente. Eh, e

40:50

mesmo quem diz D LDL diz com qualquer

40:53

outra estratégia e objetivo. Ou seja, há

40:55

diferenças marcadas entre pessoas eh

40:58

mesmo que estejam presas num

40:59

laboratório, portanto, numa câmara

41:01

metabólica para tudo ser controlado, há

41:03

efetivamente diferenças fisiológicas que

41:05

levam respostas distintas. O o que é

41:07

importante esclarecer é que às vezes

41:10

esta ideia de cada alimento tem um

41:12

impacto diferente em cada pessoa leva a

41:15

que se valide tudo e cada um defenda a

41:17

sua verdade. Muitas vezes é aquela ideia

41:18

de se eu gosto de comer chouriço, eu vou

41:20

dizer às pessoas de que esta ideia do

41:22

chouriço é imédia e que eu até posso

41:24

tolerar bem o chouriço. E isto até me

41:26

pode reduzir o risco de cancro a mim.

41:28

Eh, e em boa verdade, quando nós fazemos

41:30

análises estatísticas em estudos

41:31

epidemiológicos, não há dúvida

41:33

absolutamente nenhuma de que o consumo

41:35

de ortofrutículas numa quantidade

41:37

suficiente reduz o risco de doenças

41:39

cardiovasculares, diabetes, doenças

41:41

neurológicas. Ou seja, não há dúvida

41:43

absolutamente nenhuma. Agora, se entre

41:45

10 milhões de pessoas possa haver ali,

41:47

sei lá, umas 1000 ou umas 10.000

41:50

que não respondam tanto à ingestão de

41:52

brócolis como outras tantas. Isso é

41:54

possível claramente, mas isso não

41:56

permite dizer que acho eu, ou não

41:58

acredito que isto vá levar a que se

42:00

perceba que os hortícolas fazem mal eh a

42:02

uma determinada quantidade de pessoas.

42:04

Acho acho muito difícil. H, mas e esse

42:07

esse tema, a nutrição de precisão,

42:09

chamam-lhe assim, hh, é, é um tema que

42:12

vende muito e temos que ter muito

42:14

cuidado com a questão do negócio à à

42:16

base e da saúde e da nutrição e da

42:18

longevidade e da personalização, não é?

42:21

Isto são normalmente eh promessas eh

42:24

bastante caras, bastante dispendiosas,

42:26

eh mas que a ciência valida ainda muito

42:29

pouco. Nós temos muito poucos

42:30

biomarcadores fidignos que nos garantam

42:32

uma capacidade de personalizar

42:34

determinada estratégia. Quem nos quiser

42:36

convencer do contrário em 2026, ou está

42:38

enganado ou está a tentar enganar.

42:40

Honestamente, não tem problema nenhum em

42:42

dizê-lo. Portanto, esta ideia de

42:44

>> nós temos génes diferentes, nós

42:46

metabolizamos a cafeína de forma

42:47

diferente porque temos gênes diferentes,

42:49

certo? nós temos um risco de obesidade

42:51

diferente entre nós, eh, devido aos

42:54

nossos genes, sem dúvida, mas daí a

42:56

dizer que cada um tem que ter uma

42:58

estratégia muito específica, talvez

43:01

daqui a muitos anos, eu digo muitos,

43:03

porque há 10 anos já se falava de

43:04

nutrição eh de precisão e dizia-se

43:07

assim: "Se calhar daqui a 10 anos vamos

43:08

ter muitas respostas". e os 10 anos

43:10

passaram e não temos muitas respostas,

43:12

portanto, ainda estamos no lodo naquilo

43:13

que é o conhecimento sobre a nutrição de

43:15

precisão. Agora, o negócio e o dinheiro

43:18

à volta disto já faz com que se prometam

43:20

muitas coisas e que os TikToks e

43:21

Instagrams estejam carregados e depois

43:24

os algoritmos fazem o favor de levar

43:26

constantemente esse tipo de conteúdo às

43:28

pessoas que mais procuram e sobre o

43:30

tema. Portanto, é um tema perigoso nesse

43:31

sentido.

43:32

>> Claro, para um vendedor de banha da

43:34

cobra é uma grande proposta de valor,

43:36

não é? Tipo, apanhas um um brow de

43:39

ginásio qualquer

43:41

ali no scroll e a dizer: "Olha, andas a

43:44

comer tudo mal e se fizeres o meu o meu

43:47

teste, eu vou dizer exatamente a comida

43:49

perfeita para maximizares a tua

43:51

performance." Isto é que é básico

43:53

vender,

43:54

>> é a microbiota. Eh, quer dizer, estamos

43:56

aqui cada vez mais a entrar em níveis de

43:58

detalhe não validados pela ciência. por

44:00

exemplo, a microbiota é um tema

44:04

importante, eh, mas é um tema importante

44:06

pela parte mecanicista, ou seja, é

44:08

importante para debatermos entre nós

44:09

nutricionistas. Se calhar estar a passar

44:11

ao público geral muita informação sobre

44:13

microbiota acrescenta zero, zero, porque

44:15

aquilo que é preciso do ponto de vista

44:17

nutricional para potenciar uma

44:18

microbiota saudável, se calhar vai ser

44:21

muito semelhante àquilo que é necessário

44:22

para reduzir risco de cancro, de

44:23

diabetes, de 30 por uma linha. Portanto,

44:26

hh mais um tema de que se fala muito e e

44:28

que efetivamente tem aí eh pouco

44:30

conteúdo prático, digamos assim.

44:32

>> OK.

44:33

>> O que é que tens a dizer sobre

44:34

variabilidade genética, Cedro? O que

44:37

tenho a dizer é é é corroborar tudo

44:39

aquilo que o que que o António disse e

44:41

que

44:44

há um grande aproveitamento comercial e

44:46

disse que ainda por cima

44:49

pela especificidade, por esta nutrição

44:51

de precisão, pelo preço dos próprios

44:54

testes. A, é algo que já não é feito do

44:59

tipo de ginásio, não, já é mesmo feito

45:01

em clínicas,

45:03

ah, de forma propositada, com testos

45:05

muito caros para atingir um determinado

45:09

público alvo de classes mais altas.

45:12

A única vantagem que isso acaba por ter

45:15

é

45:16

muitas das vezes, como isso é é comum a

45:20

todas aquelas abordagens que são

45:22

bastante caras, eh, é como isto foi um

45:27

teste e uma consulta muito cara, eu se

45:31

calhar vou seguir mesmo este plano

45:32

alimentar, vou seguir mesmo estas

45:34

recomendações e a não ser que aquilo

45:36

seja mesmo muito mal feito, eu vou

45:37

melhorar alguma coisa na minha saúde.

45:39

Posso perder peso, posso aumentar mais a

45:41

gestão de frutícolas, posso, portanto,

45:44

hinda não temos, até porque nós podemos

45:47

fazer dois testes genéticos em empresas

45:49

diferentes e ninguém me garante que os

45:50

resultados vão ser iguais. Posso fazer

45:52

dois testes às fezes para ver a minha

45:55

microbiota em duas empresas diferentes e

45:57

ninguém me garante que os resultados vão

45:59

ser iguais e que se calhar aquele

46:00

suplemento de probióticos que me vão

46:02

estar a recomendar me vai fazer algum

46:05

efeito, porque senão eu tinha que estar

46:06

a fazê-lo durante não sei quantos meses

46:08

e depois voltar a fazer o teste e ver se

46:10

alguma coisa melhorou. E por isso, neste

46:12

momento, é mesmo trovar e um bocadinho

46:14

as águas para para pescar melhor, fazer

46:17

toda essa misa. H, e sobretudo do ponto

46:20

de vista, eh, nós podemos dizer que, OK,

46:23

da parte da metabolização de cafeína ou

46:26

de algumas vitaminas que eu posso

46:27

metabilizar mais rápida ou menos a

46:29

cafeína e podemos ir a esse detalhe, às

46:32

vezes há coisas que podem aparecer

46:33

naquele texto genético que depois em

46:36

análises clínicas não corrobora sobre

46:38

níveis de vitamina C, de ácido fólico,

46:40

de muitas outras vitaminas e minerais.

46:42

Hum, e por isso, h, até existem alguns

46:46

trabalhos em que fazem teste genético

46:47

prévio e que as pessoas até poderiam

46:50

responder melhor a uma dieta mais rica

46:52

em gordura e pobre em hidratos ou

46:53

vice-versa e que depois eh estudando

46:57

isso, não houve grandes diferenças entre

46:59

grupos nessa perda de peso, ou seja, o

47:01

grupo, a dieta mais ajustada ao perfil

47:04

genético não teve melhor resultado do

47:07

que a outra. H, eu também já fiz um um

47:09

um teste genético, hã, porque me foi

47:13

oferecido, eu já sabia o que é que

47:15

aquilo era.

47:16

E depois acabei por olhei para aqueles

47:18

valores e disse e e e para aquilo que lá

47:20

estava e pensei: "OK, mas h a e eu posso

47:24

ter um perfil entre aspas mais endurance

47:27

do que força do ponto de vista do

47:29

treino, mas precisamente por causa disso

47:31

é que eu preciso treinar mais força para

47:33

ficar mais equilibrado e não vou mudar

47:37

muito da minha alimentação daquilo que

47:39

está aqui, porque as minhas análises

47:41

estão boas e eu não vou mudar, não vou

47:43

passar a comer mais ou menos proteína,

47:45

mais ou menos hidratos. H porque eu sou

47:48

nutricionista, tenho o conhecimento, sei

47:50

aquilo que preciso e acima de tudo, as

47:52

minhas preferências alimentares são

47:53

estas. E essa personalização, no meu

47:56

entender, é sobretudo nessa parte que é

47:59

tão simples, mas que às vezes parece tão

48:00

complexa, que é eh claro que se eu

48:02

gostar de comer sempre alimentos pouco

48:04

saudáveis, não posso fazer um plano

48:05

também que de pão com manteiga a todas

48:08

as refeições e de chocolate a todas as

48:09

refeições.

48:11

Mas é importante que essa personalização

48:13

seja feita muito com base nisso e nós

48:15

ainda estamos muito longe de poder fazer

48:18

planos alimentares e de suplementação e

48:21

de acordo com a aquilo que um teste

48:24

genético nos no nos dá. Pode ser

48:27

importante numa ou noutra situação, mas

48:29

eu vejo mais isto como

48:31

uma espécie de curiosidade e não da

48:34

parte comercial. Eh, e nós não vemos

48:37

ninguém eh com bons conhecimentos

48:40

sólidos de genética, com eh ligação a

48:44

faculdades eh eh ligação universitária,

48:47

que esteja assim tão confiante em testes

48:49

genéticos não tiver um interesse

48:50

comercial por trás. É tão simples quanto

48:53

isso.

48:53

>> Então se calhar para já ainda é um

48:54

bocado futurista, não é? Se calhar

48:56

>> claramente, claramente. Sim.

48:58

>> Mas então vamos fazer uma espécie de

48:59

pessoas a atacar e desde que normalmente

49:01

defendem. Quais é que são, o que é que

49:04

esses testes podem ter de bons? Estes,

49:05

estes testes da microbioma, os testes

49:08

genéticos. Aliás, antes disso, antes de

49:10

fazermos o a rubrica, h, que textos é

49:13

que faz sentido as pessoas fazerem? Os

49:15

das intolerâncias, por exemplo.

49:17

>> Bem, se for aqueles testes de

49:19

intolerâncias a 300 alimentos ou 500 ou

49:22

a 1000, eh, não faz. Aliás, a Sociedade

49:25

Portuguesa de de Alergologia tem um não

49:28

é um position paper, mas é é um

49:30

documento a tomar posição sobre eles e a

49:33

não recomendar a sua realização por

49:35

falta de evidência sobre. Porquê? Porque

49:37

eles avaliam a reação à custa de

49:39

imunoglobulinas G, que são

49:41

imunoglobulinas que naturalmente eh

49:44

estão em circulação para aqueles

49:46

alimentos que a pessoa consome mais, não

49:48

com uma reação problemática, mas uma

49:50

reação normal à ingestão desses

49:52

alimentos. O que quer dizer que a maior

49:53

parte das pessoas vai ser intolerante

49:55

aos que consome mais, que é uma chate. E

49:58

depois a pessoa fica muito eh indignada,

50:01

que é andei uma vida toda a comer estes

50:03

sete ou oito alimentos que agora me

50:04

estão a indicar. Eh, aqui e depois tem

50:07

quem analisa destes desses consegue logo

50:09

perceber os problemas. Por exemplo, e é

50:11

muito intolerante à atum azeite, mas se

50:13

for a tum em lata já não a tum ao

50:16

natural já não é intolerante. E depois

50:17

tu pensas: "OK, mas então é do azeite?"

50:19

Não, porque ao azeite também não é

50:20

intolerante, portanto são incongruentes.

50:22

Parece mesmo que é atirar para o chão e

50:24

ver no que é que aquilo dá de forma

50:26

completamente aleatória, ainda que não o

50:28

seja, porque tem tem essa versão das

50:30

imunoglobulinas G por trás.

50:32

>> Fogo, mas então se calhar há milhares de

50:34

pessoas a mudarem a sua vida por causa

50:35

desses testos sem saberem que não é que

50:37

não tem assim uma uma robustez

50:39

científica. Se que é o problema, é que

50:41

se disséssemos assim e isto é inóco ou

50:43

seja, não é válido, mas também não está

50:45

a prejudicar ninguém, mas está e está

50:47

prejudicado de várias formas. Esse é um

50:49

exemplo. E outro exemplo assim mais

50:51

generalista é está a contribuir com

50:53

ruído para aquilo que é o mundo da

50:55

nutrição. E as pessoas não têm uma

50:57

capacidade ilimitada de reter ideias. E

50:59

quanto mais ruído estamos a acrescentar,

51:01

menos conseguimos falar daquilo que

51:02

verdadeiramente importa. Eu, se tiver um

51:04

utente em consulta que vem com 20

51:06

dúvidas que viu no TikTok, eu vou-lhe

51:08

responder porque faz parte e ele decidiu

51:10

que queria utilizar o seu tempo de

51:12

consulta a colocar as questões, mas se

51:14

calhar ele está preocupado eh sobre o

51:16

melhor tipo de infusão eh para a

51:19

digestão eh mas não come sopa sequer à

51:21

refeição e não come hortículas no prato.

51:23

Portanto, há há aqui uma claramente uma

51:25

inversão das prioridades por causa deste

51:27

barulho eh que certos temas da nutrição

51:30

trazem.

51:31

E acontece-te muito para as pessoas

51:33

virem com dúvidas que viram no TikTok.

51:36

>> É muitíssimo, cada vez mais. Eh, e

51:38

estamos a entrar numa numa era gira, que

51:40

é a era da inteligência artificial. Eh,

51:42

e como comentávamos antes de começarmos

51:43

a gravar, a sorte é que a inteligência

51:45

artificial neste momento, os os motores

51:48

mais conhecidos estão bastante

51:50

interessantes naquilo que são respostas

51:52

mesmo do ponto de vista científico. Se

51:53

alguém escrever bem o prompte de, do

51:56

ponto de vista científico, o que é que

51:58

tu achas sobre o fiambre? vamos trazer

51:59

aqui o tema que tu trouxeste. Ele

52:02

provavelmente eh, e como não fiz a

52:04

pergunta, não posso garantir, mas

52:05

provavelmente ele vai dar uma resposta

52:07

eh muito interessante, muito ponderada e

52:10

vai enquadrar com todos aqueles fatores

52:12

que nós provavelmente abordamos quando

52:14

nos fizeste essa questão. Portanto, a

52:16

inteligência artificial contribui muito

52:18

mais para a literacia de alguém do que

52:20

aquilo que se vê nas redes sociais. Não

52:21

há dúvida absolutamente nenhuma. Mas é

52:23

curioso porque este tipo de ruído e

52:26

desinformação

52:28

a mim vai-me desanimando com o passar do

52:30

tempo. Ou seja, eu até me custa dizer

52:33

isto em público, mas eu já gostei mais

52:34

de ser nutricionista porque neste

52:36

momento sinto-me inundado, com

52:39

desinformação até ao pescoço, muito

52:41

difícil de eh tentar explicar a quem não

52:44

é da área, porque alguém que não é da

52:46

área, e por exemplo, eu já estou aqui a

52:48

fazer muitos parênteses, mas o o teu

52:51

episódio, o teu podcast chama-se

52:52

Despolariza, que é extremamente

52:54

interessante porque tens pessoas de

52:55

várias fações a a tentar ouvir a sua

52:57

posição, mas se tu trouxeres cá alguém

53:00

de uma posição

53:01

e que adote terapias alternativas, pouco

53:05

validadas pela ciência, que diga 30 por

53:07

uma linha sobre nutrição, é possível que

53:09

tu indireto tenhas dificuldade

53:11

>> Sim. Sim.

53:12

>> Em contrapor e fazer com que quem oiça

53:14

entenda que a razão não está daquele

53:16

lado da pessoa que está a falar.

53:17

problemas de fazer o podcast assim,

53:19

>> mas não era uma crítica, era só para

53:21

trazer este exemplo que é

53:22

>> já aconteceu, já aconteceu.

53:23

>> E a pessoa traz o que eu vi no TikTok,

53:25

eu dou-lhe uma resposta validada pela

53:27

ciência, tento efetivamente trazer uma

53:30

mensagem assertiva sobre o tema, mas eu

53:32

não tenho a certeza que a pessoa vai

53:34

embora convencida de que eu é que tenho

53:35

razão e não o fulano que tem 2 milhões

53:38

de seguidores no Instagram. E é isso que

53:39

me desanima a ser nutricionista.

53:42

Não, mas nós temos uma dificuldade

53:44

grande que é eh

53:47

nós nunca conseguimos ser tão concretos,

53:50

nem tão assertivos, nem eh todas as

53:53

pessoas que acabem por ter eh um

53:55

espírito um bocadinho mais científico

53:58

utilizam muito a palavra depende. E isso

54:00

do ponto de vista de marketing e de

54:02

comunicação é péssimo, porque nós não

54:03

estamos a dar uma resposta objetiva, né?

54:06

depende, depende disto, depende daquilo.

54:07

E qualquer promotor de pseudociência tem

54:09

sempre aquela lenga lenga que nós

54:11

podemos estar a falar de colesterol e

54:12

podemos só falar das estatinas e podemos

54:14

estar a falar de muitos outros alimentos

54:17

a h e dos laticínios e que são péssimos

54:20

e que o glutano é péssimo e que a

54:22

frutosa é péssima, ou seja, eh e aquilo

54:24

sai ali com uma fluidez que para quem

54:26

não é da área, olha para aquilo e diz:

54:28

"Pá, isto na minha cabeça faz tudo faz

54:31

tudo sentido porque e porque não é uma

54:33

coisa portuguesa, ou seja, da mesma

54:36

forma que do ponto de vista político,

54:38

isso acontece. Isso é assim nos Estados

54:39

Unidos, é assim no Brasil, é assim em

54:41

Portugal. Ou seja, todo esse discurso

54:43

alternativo que pode ser da nutrição,

54:45

pode ser e eh eh eh também político, hoo

54:52

construído de uma forma e com essa

54:53

narrativa que é altamente convincente e

54:56

quem não é da área acaba por acreditar

54:58

que todos aqueles mecanismos existem.

55:00

Eh, nunca existe um grande contraditório

55:02

eh eh em relação a essas essas

55:05

situações. Claro que nós estamos aqui

55:06

também não não estamos a ter nenhum

55:08

nenhum contraditório, mas objetivamente

55:10

eu acho que qualquer pessoa que tenha eh

55:14

um um espírito um bocadinho mais mais

55:16

científico,

55:17

nem sequer h consegue arriscar ser

55:22

totalmente concreto em relação a um

55:24

tema, porque sabe que eu estou a dizer

55:26

isto agora e se calhar daqui a algum

55:28

tempo eu posso as coisas podem mudar e o

55:32

que eu estou a dizer é válido para

55:33

agora. Hum. Eh, mas não posso e arriscar

55:37

em demasia em ser demasiado e concreto

55:40

em relação em relação a um tema. Hã, e

55:43

por isso nós neste caso eh a forma de

55:46

comunicar às vezes também vai um

55:47

bocadinho contra nós por querermos se

55:51

calhar eh

55:52

>> protegern-nos também, não é? Sim, também

55:53

proteger, mas agradar um bocado. Eh, eh,

55:57

e hoje em dia nós temos pessoas que até

55:59

eh defendendo a ciência acabam por

56:01

comunicar até de outra forma e até a ser

56:03

mais a ter um sucesso um bocadinho maior

56:06

porque perdem um bocadinho estas amarras

56:08

científicas do discurso e não estão tão

56:10

preocupadas em dizer tudo certo ou fazer

56:12

as situações certas. E e essa parte até

56:15

acaba por estar bem, porque do ponto de

56:18

vista da comunicação, nós não temos

56:19

grandes, ou se calhar lá fora até

56:21

conseguimos ter cá, não temos muito h e

56:24

sobretudo sobretudo no Brasil existe

56:26

muito isso do marketing pessoal e da da

56:28

comunicação que já sai naturalmente, são

56:29

quase parece que nasceram até para para

56:31

ser quase atores, mas nós em Portugal

56:33

temos muito um bocadinho esta vergonha

56:35

>> e nós não temos grandes sumidades

56:37

científicas nem das faculdades a

56:39

comunicar nas redes sociais por muito

56:41

tempo, ou comunicar com grande eh

56:44

comunicam e podem fazer, mas não não

56:46

fazem res a tor direito, não fazem

56:49

reacts a isto ou aquilo e

56:51

>> também não tem tempo, não é? Exatamente.

56:53

E essa e essa é exatamente isso é é por

56:55

um lado não têm tempo, por outro lado

56:57

não se querem estar a expor e eh essas

57:00

situações porque a pessoa vai a um

57:01

congresso falar ou na faculdade com os

57:04

alunos não tem eh 30, 40, 50, 100

57:08

comentários de pessoas que não conhecem

57:10

lado nenhum a dizer que o que ele tá a

57:12

dizer não faz sentido nenhum. Ou seja,

57:13

uma coisa que por mais que a pessoa

57:15

ganha ali algum calo, acaba por ser

57:17

sempre um bocadinho um bocadinho

57:18

desagradável. HH mas nós até temos

57:20

exemplos e eu falo muito aí aí da

57:22

questão lá fora, UK, Estados Unidos e e

57:24

Brasil, até de pessoas com grande

57:25

background científico, até já acabam por

57:27

fazer esse trabalho, porque as redes

57:28

sociais têm uma parte má, mas ao mesmo

57:30

tempo também tem uma parte boa, porque

57:31

basta seguir também as pessoas certas.

57:34

HH para nós até estarmos a par de

57:37

artigos que saem, de de

57:41

nos mantemos a par do ponto de vista

57:42

científico, de coisas boas que estão e

57:45

positivas que estão a sair, eh, desde

57:47

que consigamos fazer esse filtro. Agora

57:48

nós que somos da área, se calhar

57:50

conseguimos fazer esse filtro com mais

57:51

alguma facilidade, outras pessoas não e

57:54

e então aí é que isso fica sempre um

57:55

bocadinho mais conflituoso.

57:57

>> Sim. Olha, é por isso que eu faço, eu

58:00

faço poucas vezes conteúdo sozinho, sem

58:03

ser aqui com pessoas, porque quando

58:07

penso, quando tenho uma ideia, olha, vou

58:08

fazer um real sobre este assunto, hum,

58:13

começo a perceber que começo a perceber,

58:16

ok, isto para caber num minuto e meio e

58:19

para ser minimamente, não é, funcional

58:21

para o algoritmo,

58:22

>> h, o que é que eu vou ter que cortar a

58:25

nível da partes sobre, pá, isto não é

58:27

bem assim, algumas circunstâncias,

58:28

outras não é, e fico meio que paralisado

58:31

e percebo, e ó pá, isto só para escolher

58:34

o que é que vou pôr, o que é que não,

58:35

porque sinto essa responsabilidade e

58:37

então fico congelado e quase nunca faço.

58:39

>> Pois,

58:40

>> porque é realmente difícil

58:42

>> tu escolheres o que é que onde é que

58:44

vais ser um bocadinho nada omissor de

58:48

coisas que não são exatamente assim

58:50

>> e alguns trucos como usar a palavra

58:52

tendencialmente ou a maior parte dos

58:55

estudos indica que não

58:56

>> Sim, sim, sim. Mas ainda assim não é

58:58

fácil.

58:59

>> Aliás, é curioso estares a dizer isso

59:01

porque quando escrevi o primeiro livro e

59:03

mando um abraço ao meu editor Orlando

59:05

Almeida do primeiro livro que quando viu

59:07

a primeira prova pensou: "E pá, António,

59:09

não, isto isto não é para colegas. Este

59:11

livro não pode ser para colegas e não

59:12

tens que te justificar

59:14

>> para os colegas, porque eu punha eh há

59:17

partes em cima de há partes, em cima de

59:18

há partes para me proteger, que é

59:20

atenção que eu estou a dizer esta frase,

59:21

mas eu sei que na situação A, não sei

59:24

quê, na B, mas isso ao consumidor final,

59:26

ao público em geral, não interessa. E

59:28

portanto, h a única coisa inegociável

59:30

foi quando eu fazia alguma alegação, eh,

59:33

efetivamente vamos pensar que

59:36

determinado alimento reduz o risco de

59:37

determinada patologia. Eu tinha que pôr

59:39

a referência científica, tinha que pôr

59:40

lá o número pequenino para poderem

59:42

consultar. Essa foi a parte inegociável.

59:44

Mas o ter que explicar o estudo e as as

59:48

limitações metodológicas, isso foi algo

59:49

que tive que largar porque não tinha

59:51

outra hipótese. Eh, e acho que é isso

59:53

que o Pedro dizia, que é h o livrarm-nos

59:56

desta amarra da ciência na parte da

59:58

comunicação, porque não nos devemos e

60:00

largar dela na parte do pensamento

60:02

crítico. Eh, é absolutamente

60:04

fundamental. Sim.

60:05

>> Uhum. Então, voltando às intolerâncias,

60:08

alguém que tenha uma dúvida sobre ter ou

60:11

não uma intolerância? Qual é maneira

60:15

cientificamente mais robusta, mas que

60:17

também tem em conta a carteira que que a

60:20

pessoa pode possa fazer para descobrir

60:22

se tem uma intolerência ou não?

60:24

>> Consultar um imunoalergologista. os

60:26

testes,

60:27

>> os testes é assim, objetivamente,

60:29

objetivamente os testes das

60:30

intolerâncias que existem é a frutose e

60:33

à lactose, que são testes respiratórios

60:35

e que não são particularmente caros e

60:37

depois podem existir e intolerâncias são

60:40

uma coisa, as alergias são outra e

60:41

depois os testes às alergias podem ser

60:43

testes cotâneos e e de outra forma e

60:45

sanguíneos também. E são testes que não

60:47

são, daquilo que é o meu conhecimento,

60:49

eh, se calhar até tão caros como esses

60:51

testes a 200 e 300 e 300 alimentos. E

60:54

assim, e depois há outras h e nós às

60:57

vezes lidamos com isso com com alguma

60:59

frequência que é eh alguém que tem um

61:02

síndrome no intestino irritável, que tem

61:04

alguns alimentos que não se sente bem do

61:07

ponto de vista disto com eles ou com

61:09

mais cólicas, flatulência, com mais

61:11

alguma distensão abdominal, h, não há

61:15

nenhum teste que ela possa fazer que

61:17

comprove isso. Por isso uma dificuldade

61:21

digestiva não dá para testar.

61:22

>> Exatamente. Ou seja, quando é uma

61:23

alergia, a pessoa tem alguns testes e

61:26

que que pode fazer e análise que pode

61:27

fazer. essa própria questão da da da

61:30

frutose e da lactose também pode também

61:32

pode fazer a e saber até que ponto é que

61:35

é que existe essa essa intolerância e

61:37

depois gerir o o grau de exposição, qual

61:39

é a quantidade que ainda pode que ele é

61:41

que ainda pode ingerir e depois nós

61:43

temos, claro que temos alguma forma de

61:45

fazer isso, as dieta mais pobre nos

61:47

foods que são compostos que têm uma

61:48

fermentação um bocadinho diferente, mas

61:50

que nem toda a gente reage da mesma

61:51

forma a a a todos eles. Hum. E a própria

61:55

pessoa aí pode tentar fazer quase esse

61:58

diário alimentar retrospectivo quando

62:00

sente essas dificuldades distivas. Eh, o

62:03

que é que ingeriu nas refeições

62:05

anteriores? Tentar encontrar ali um ou

62:07

dois ou três alimentos. E muitas das

62:09

vezes isso já acontece porque pode ser

62:11

com os cogomelos, sintoma-me assim, com

62:12

os brócolis sinto-me assim, com a maçã,

62:14

sinto-me assim. E não há problema nenhum

62:16

em ingerir esses alimentos, porque

62:17

aquilo não é objetivamente uma alergia,

62:20

nem sequer se pode classificar uma uma

62:22

intolerância. é um malestar que acaba

62:24

por existir, pode ser mais ou menos

62:26

confortável ou desconfortável neste

62:28

caso, sobretudo porque nesse caso nós

62:30

até estamos a falar em alimentos com uma

62:32

grande quantidade de fibra que podem,

62:35

muitos deles, outros nem tanto, mas que

62:37

podem ser, se nós olharmos para essa

62:38

lista quase desses desses alimentos, e

62:41

nós temos lá alimentos ótimos, porque

62:44

temos a maçã e a pera, porque temos e os

62:47

brócolis, porque temos covo de bruxelas,

62:49

couve flor, porque temos o feijão, o

62:51

grão e por isso estar a retirar todos

62:53

esses alimentos é uma coisa que não faz

62:55

que não faz sentido. Agora, isso é

62:56

daquelas coisas que nós fazemos já

62:58

depois de poder estar despistado tudo o

63:01

resto. H, e por isso nem sempre tudo é

63:07

eh viria quantificável. Nós não nem

63:10

sempre temos resposta para essas

63:12

dificuldades digestivas que podem que

63:14

podem acontecer. E muitas vezes também

63:16

não temos que retirar isso. Não é uma

63:18

alergia a um alimento. Eu não tenho que

63:19

o eliminar. Não é uma doença celíaca

63:22

como acontece no glúen. Eu não tenho de

63:23

eliminar este este alimento. Sinto algum

63:26

desconforto. Já sei que se calhar quando

63:29

comer um prato ou uma sopa mais rica

63:32

neste alimento, posso ter aqui algum

63:33

desconforto, tentar não juntar

63:35

demasiados na mesma refeição, h, e

63:37

depois tentar viver viver com isso,

63:39

porque nomeadamente esses alimentos

63:40

acabam por ser bastante equilibrados e

63:42

bastante ricos nutricionalmente e em

63:44

alguns casos não faz sentido iluminar.

63:46

Pois, há aqui uma componente grande que

63:49

eu acho que

63:52

estamos todos um bocadinho desligados

63:54

dela porque porque estamos todos calar

63:56

muito cientistas e muito racionais, que

63:59

é algo tão simples como escutarmos o

64:01

nosso próprio corpo, não é? Às vezes

64:04

dizes aos jogadores de futebol, pá, vê

64:07

como é que te sentes, como isto e e

64:09

tenta observar e tem mesmo consciência

64:11

de de como é que te sentes.

64:13

>> Eh, isto tem dois lados, que é h, por

64:16

exemplo, quando eu posso testar um gel

64:18

energético, eu tenho que o testar várias

64:19

vezes em treino para perceber se aquilo

64:21

lhe causa algum desconforto durante o

64:23

exercício. E aí temos que testar e não

64:25

há outra forma que não seja o de dar

64:27

duas ou três ou quatro vezes naquela

64:29

situação específica e entender qual é a

64:31

sensação. Outra coisa perigosa, eh, e aí

64:34

já, já no polo oposto, é nós termos esta

64:37

percepção de que se nos sentimos bem com

64:39

determinado alimento, ele nos está a

64:41

fazer bem. Isto acontece muito com

64:42

proponentes da dieta carnívora. Porquê?

64:45

Porque ingerem muito pouca fibra, muito

64:47

poucos alimentos com capacidade de

64:49

fermentar propriamente muito a nível

64:50

intestinal e os sintomas

64:52

gastrointestinais que tinham antes podem

64:54

efetivamente melhorar. Mas dizer que

64:56

aquilo lhes está a trazer saúde a longo

64:58

prazo, aí vai um caminho muito grande

65:01

que a ciência não só não valida como

65:02

contradiz. E por isso pode ser perigoso

65:05

esta ideia do testei, senti-me melhor,

65:07

portanto, OK. Aliás, há um exemplo muito

65:09

curioso até que é é o da lactose.

65:12

>> Eh, há um trabalho relativamente recente

65:14

a mostrar que talvez quem mais tem

65:17

benefício de laticínios a nível da saúde

65:20

intestinal, portanto da redução do risco

65:21

de cancro do colon, pode ser quem tem

65:23

mais intolerância à lactose, porque é a

65:25

fermentação da lactose que via

65:27

microbiota pode trazer eh ali

65:30

benefícios. Portanto, é extraordinário

65:32

como nós podíamos achar que alguma coisa

65:34

à qual somos intolerantes afinal nos

65:36

pode trazer algum benefício. Com isto

65:38

não estou a dizer para as pessoas

65:40

consumirem lactose se forem

65:42

intolerantes, até porque isso lhes vai

65:43

causar desconforto. Mas e mas para

65:46

>> comem só comem só na segunda metade do

65:47

dia quando depois já estiverem em casa.

65:49

>> Exatamente. Já quando disseste essa

65:51

frase já tinham feito pausa e já foram a

65:53

correr. Pá, já foste.

65:55

>> E depois vais fazer um clipe em que eu

65:56

não digo o resto, não é?

65:57

>> Ex.

65:59

Então vamos falar um bocadinho de leite

66:00

porque o leite era muito popular e e

66:04

agora ninguém gosta do leite.

66:07

Muita gente que substituiu por leite de

66:10

arroz e leite, estou a fazer aspas para

66:12

quem tá quem só no está a ouvir e leite

66:15

de amêndoa, leite a veia. H, isso

66:18

nutritivo, nutricionalmente não é tão

66:20

interessante como o leite, pois não? Eh,

66:23

lá está, primeiro podíamos responder à

66:26

questão de se o leite tem essa máfama e

66:28

se lhe é devida essa má fama. E depois

66:30

há a questão das bebidas vegetais, as

66:31

alternativas vegetais, e se são ou não

66:34

parecidas com o leite. A maior parte

66:35

delas não tem muitas semelhanças, não só

66:38

no teor proteico, como vitamínico não é

66:40

propriamente semelhante ao leite. E,

66:41

portanto, chamar-lhe leite só se pelo

66:43

aspecto de líquido branco. H, no

66:45

entanto, há algumas bebidas que já se

66:48

tentam assemelhar ao leite através da

66:50

fortificação com certas vitaminas e

66:52

minerais, nomeadamente o cálcio. Se

66:54

tentarmos fazer um alimento que tenha

66:56

mais ou menos o mesmo teor proteico,

66:57

possivelmente terá que ser uma bebida à

66:59

base de soja, portanto uma bebida de

67:00

soja ou típico leite de soja. E aqui

67:02

faço novamente as aspas, h, um leite de

67:04

soja, uma bebida de soja fortificada em

67:06

cálcio, aproxima-se do leite, no sabor,

67:09

eventualmente, eh, no aspeto, no teor

67:12

cálcio e na quantidade de proteína. OK?

67:14

já estamos com algo mais parecido.

67:17

Agora, dizer que estas bebidas vegetais

67:19

são melhor que são melhores que o leite

67:21

do ponto de vista da saúde, não há

67:23

ciência que o valide mais uma vez, muito

67:25

pelo contrário, porque às bebidas

67:27

vegetais, eu nunca vi ciência a mostrar

67:29

eh que fossem protetoras relativamente a

67:31

diferentes patologias. E quanto ao leite

67:33

e laticínios, não falta evidência de que

67:36

são protetores. E se milhares de pessoas

67:39

que nos estão a ouvir disserem: "Pois,

67:40

mas eu não gosto e eu sinto-me muito

67:42

melhor desde que deixei o leite". Certo?

67:43

Possivelmente tinha alguma intolerância

67:45

à lactose e nunca mais voltou a sentir

67:47

desconforto desde que deixou o leite. E

67:48

se quer continuar sem leite também não

67:50

me vou intrometer e acho que faz muito

67:51

bem. Agora pegar nesta sensação

67:54

individual para dizer o leite realmente

67:56

estava-me a dar cabo da vida de uma

67:58

forma global e o leite é péssimo. Então

67:59

aí já não é uma alegação válida.

68:01

Claramente.

68:02

>> Pois a intolerância a lactose isto é

68:05

isto não é baseado em nada a não ser a

68:07

minha observação pessoal das pessoas à

68:09

minha volta. Hum. Eu sinto que houve

68:12

pessoas sem intolerância à lactose que

68:15

passaram a a comer como se fossem

68:18

intolerantes, meio por contágio e por

68:21

ouvir dizer que as pessoas se sentem

68:22

muito melhor e por aí fora.

68:24

e como tem menos posição à lactose,

68:27

deixam de produzir a enzima e mesmo que

68:29

não fossem intolerantes, vão-se tornar

68:31

intolerantes mais cedo do que aquilo que

68:32

seriam numa situação normal,

68:35

porque deixam de produzir a lactase com

68:37

tanta com tanta quantidade e por isso

68:39

tornam-se

68:41

tornam-se intolerantes. Mas eu acho que

68:43

aqui em relação em relação ao ao leite,

68:46

nós tivemos aí uma fase, se calhar ali

68:49

2010, 2015, ali uma coisa muito forte da

68:52

dieta de paleolítico, então a coisa

68:54

estava ali um bocadinho mais pesada do

68:56

leite, mas ao mesmo tempo entraram os

68:58

laticínios proteicos e nós passamos a

69:01

ter o leite que era um veneno e para

69:03

pessoas a esvaziar o as prateleiras dos

69:05

supermercados quando começaram a existir

69:07

ali os primeiros laticínios proteicos,

69:09

os primeiros skir, aqueles iogurtes

69:11

islandeses, E agora já temos pudins,

69:13

mousse em formato de leite, em formato

69:15

de iogurte, com várias quantidades de

69:17

proteína.

69:18

>> E já agora também há tudo isso com sabor

69:20

a chocolate do Dubai. Ah,

69:22

>> proteína e o sabor a chocolate do Dubai

69:24

>> já existe. Já existe, sim, já existem

69:27

muitas coisas que a peste. Sim.

69:29

>> Hum. e e ao mesmo tempo também tivemos

69:33

isso e por isso, claro que hoje em dia a

69:36

pessoa iam ir para mercado há 10 anos e

69:39

vai agora e o segmento dos laticídios é

69:41

uma coisa que está muito maior h com

69:45

todas as as formas de de de leites

69:49

proteicos, de iogurt proteicos,

69:50

iogurtes, pudins, multos, diferentes

69:51

tamanhos, diferentes porções de

69:53

proteína. E ao dia de hoje já não se

69:55

pode dizer que existe tanto essa

69:56

aversão, até porque existe sobretudo e

69:58

nós lidamos mais com esse público, o

70:00

público mais fitness e mais ligado mais

70:03

ligado ao treino, h,

70:06

com a questão dos produtos proteicos,

70:08

tal como a questão da da da creatina.

70:11

Eh, são produtos que estão muito em voga

70:13

e também já temos em relação aos

70:15

produtos de origem vegetal, também já

70:16

temos produtos proteicos de origem

70:18

vegetal. Ainda bem, h, porque há pessoas

70:22

que não não tem a ver com a questão da

70:23

lactose, tem ver com a proteína do

70:24

leite, que também acabam por não tolerar

70:26

não tolerar também do ponto de vista

70:28

digestivo. Já não para falar, já para

70:30

não falar daquelas que são mesmo que são

70:31

mesmo alérgicas e que também precisam

70:33

ter essa essas essas alternativas. A

70:36

questão das das bebidas vegetais,

70:40

normalmente só de só é que tem proteína,

70:42

as outras e nunca têm. E o principal

70:45

problema é que é, eu acho que é

70:48

fundamental a consulta dos rótulos em

70:50

qualquer alimento, mas sobretudo nas

70:51

vidas vegetais, porque aquilo que

70:52

acontece na vida de arroz, na vida da

70:54

aveia, depois vai depender sempre um

70:55

bocadinho das marcas.

70:56

>> Exato. O que é que é beida?

70:57

>> É que dizem, é que dizem é arroz cozido,

71:00

basicamente e pronto, com mais cálcio,

71:02

com mais com mais

71:03

>> tipo um chá de arroz cozido.

71:05

>> Acredito que sim.

71:05

>> Depois usam água onde cozer um chá e e

71:08

acrescentam umas coisas.

71:10

Sinceramente, também nunca nunca

71:13

eh aquilo tem lá água com primeiro

71:15

ingrediente e depois tem lá uma

71:16

percentagem de arroz ou de aveia numa

71:18

quantidade ou de soja também numa

71:19

quantidade um bocadinho mais mais curta.

71:22

HH normalmente aquilo que acontece é que

71:26

por essa quantidade de arroz ou de aveia

71:27

ficam lá sempre alguns hidratos de

71:29

carbono desses alimentos

71:32

e depois dizem: "Não ten açúcar

71:34

adicionado".

71:35

E de facto é verdade, não tem açúcar

71:37

adicionado, mas a quantidade de hidratos

71:38

de carbono que lá está muitas das vezes

71:41

é 6 7 8 9 10%.

71:46

A do leite é cinco. Do leite leite é

71:48

cinco. E ou seja, é menor e em alguns

71:51

gos até metade. E nós hoje em dia, até

71:53

com a questão do imposto do sobre o

71:54

açúcar nos refrigerantes, é muito

71:56

difícil. Acho que a Coca-Cola é mesmo o

71:58

único única exceção, nós encontrarmos um

72:01

refrigerante com 10% de açúcar.

72:05

E neste caso, sendo açúcar ou hidratos

72:06

de carbono, vai dar um bocadinho ao

72:07

mesmo, porque do ponto de vista de

72:09

calorias h vai acabar por ser por ser um

72:12

bocado irrelevante. Ou seja, tendo ou

72:14

não açúcar adicionado e se vão ser

72:16

bebidas com uma quantidade de calorias e

72:17

de hidratos de carbono muito alta, não

72:19

vão ter proteína.

72:20

Algumas delas, de facto, são mesmo

72:22

magras porque não têm quase gordura

72:24

nenhumas, mas outras têm ali 2, 3% de

72:27

gordura. E nós podemos ter uma bebida

72:28

vegetal que, OK, não tem lactose, mas

72:30

não tem proteína, tem a mesma quantidade

72:33

de gordura que o leite gordo e tem uma

72:35

quantidade de hidratos de carbono que

72:36

mesmo não sendo açúcar é equivalentado

72:38

de um sumo, ou seja, quase aí o pior dos

72:40

dois mundos. E por isso é que na questão

72:42

das vidas festais já há melhorias em

72:44

relação a a outros anos, mas ainda não

72:46

há assim tantas bebidas festais que

72:49

sejam mesmo light nesta verdadeira

72:51

exceção da palavra e que sejam pelo

72:53

menos equivalentes ou próximas daquilo

72:54

que é o leite magro, seja na quantidade

72:56

de hidratos, seja na quantidade de

72:57

proteína e na quantidade de gordura.

72:59

Ainda as exceções são são muito poucas.

73:02

Quanto-se pelo dos dedos das mãos, das

73:04

várias marcas, dos vários hipermercados,

73:06

as bebidas vegetais que são

73:07

verdadeiramente parecidas com o leite,

73:09

nem que seja só nessa questão dos

73:10

macros. No cálcio é fácil, é fácil

73:12

porque como é fortificado é fácil

73:14

colocar a mesma quantidade. De outras

73:15

vitaminas é fácil colocar a mesma

73:17

quantidade. Eh, na relação proteína,

73:19

hidratos, gordura não é assim tão fácil.

73:21

>> Pois. E depois e no final desse processo

73:23

todo, em vez de custar 1 € custa três ou

73:26

quatro, não é? E se calhar não mais

73:28

valia leite.

73:29

>> Sim, em alguns casos. Sim. E ou ou ou

73:31

até ou até sim e e como lá há tantas

73:34

opções agora do do próprio leite sem

73:35

lactose, eh se a questão for essa,

73:38

também há leite sem lactose também. E

73:39

todos os leites proteicos que são

73:41

lançados no mercado já são sem lactose.

73:43

Ou seja, nós hoje até se quisermos um

73:44

leite proteico com lactose, não há.

73:46

>> Qualquer dia aparece no rótulo e por

73:48

isso e por isso mesmo para quem está

73:50

habituado a ver os iogurtes que já tem

73:52

pouca e e quem só bebe leite sendo

73:54

proteico para manter aqui se calhar

73:56

alguma capacidade de ingerir a lactó e

73:58

depois come queijo que já não tem

73:59

também.

74:00

Eh, o queixo Flamengo pelo menos h que

74:03

às vezes beba leite normal sem ser prote

74:07

manter aí alguma exposição à à lactose

74:10

para fazer atrapalhar ali um bocadinho

74:12

aquele intestino e não perder a

74:14

capacidade a digerir

74:16

>> mas a brincar a brincar ficam

74:17

intolerantes à lactose sem querer vamos

74:20

falar sobre jejum intermitente h que é

74:23

uma coisa que que tem aparecido bastante

74:25

também h

74:28

corrijam-me se eu estiver errado, mas

74:29

dizem que um um dos benefícios

74:32

principais é a autofagia, não é? Ou a

74:34

limpeza eh celular. H, como é que está a

74:38

evidência científica neste neste momento

74:41

sobre isso? E a partir de que de quantas

74:44

horas é que realmente começa a ter

74:46

benefícios? Ou seja, compensa fazer 24,

74:49

48, por aí fora.

74:50

>> Boa. H, o Jum intermitente é um termo

74:54

que abarca eh diferentes estratégias

74:57

muito diferentes entre si. Se calhar

74:59

aquela pela qual nós conhecemos como

75:01

jejum intermitente é que a ciência diz

75:03

que é o estreitamento da janela

75:04

alimentar, que é no fundo nas 24 horas

75:07

do dia, comer em menos horas do que

75:10

seria normal ou tradicional e fazer um

75:13

jejum que se prolonga mais algumas

75:15

dessas horas. H, e a verdade é que, eh,

75:18

se alega muitas vezes que o prémio

75:20

Nobel, eh, um, um dos prémios Nobel até

75:22

descobriu essa questão da autofagia, eh,

75:24

com o jejum em modelos animais, em, eh,

75:28

processos mecanísticos e não em humanos

75:31

com consequências reais e mensuráveis.

75:33

Portanto, isto é um ponto eh que é

75:35

interessante para começar a nossa

75:36

conversa, porque muitas vezes essa

75:38

aligação vem precisamente do que o

75:40

prémio Nobel estudou e o que ele estudou

75:42

não tem nada a ver com aquilo que

75:43

acontece na prática. Outra coisa

75:45

diferente é eh pensar neste

75:48

estreitamento da janela alimentar, neste

75:50

jejum intermitente, como uma forma de

75:53

comer menos, ou seja, como a pessoa tem

75:55

um uma faixa de horários mais apertada,

75:58

poderá, sem ter que fazer controle de

76:00

porções, ingerir menos calorias por dia,

76:02

porque simplesmente as oportunidades são

76:04

menores. E esse défico, esse esse

76:07

déficórico trará benefícios de forma

76:10

direta se a pessoa tiver excesso de peso

76:12

ou obesidade. Portanto, muitos dos

76:14

benefícios do jejum intermitente podem

76:16

vir do défic e não do jejum per si. E,

76:18

portanto, vamos entrar na parte que

76:20

compara um déficético mais tradicional

76:23

>> com aquilo que é o jejum intermitente

76:26

propriamente dito. E aí, do ponto de

76:28

vista metabólico temos estudos até um

76:29

ano, ensaios clínicos até 1 ano, que não

76:32

notam qualquer diferença do ponto de

76:33

vista do metabolismo, nem na

76:35

insulinorresistência, nem no próprio

76:36

perfil lipídico, de estreitamentos da

76:38

janela alimentar versus simplesmente

76:40

comer bem e menos numa forma mais

76:43

tradicional.

76:44

>> OK? Desculpa, quando falas de

76:45

estreitamento, estás a falar então de,

76:47

por exemplo, não tomar pequeno almoço ou

76:49

não tomar ou não almoçar

76:50

>> ou não jantar

76:51

>> ou não jantar,

76:52

>> que esse é outro ponto importante, é que

76:53

a ciência mais recente, e se pensarmos

76:55

nos últimos 2 tr anos, começa a trazer

76:57

um ponto importante que é nem todos os

76:59

jejuns são iguais e há o jejum que é

77:03

mais tardio e o jejum que é mais cedo,

77:05

ou seja, h, o mais feito na prática é

77:08

aquele em que tu não tomas pequeno

77:09

almoço e nem meio da manhã e só almoças.

77:11

E, portanto, da 1 da tarde às 8 da noite

77:14

ou às 9, faz ali um período de 8 horas

77:16

de ingestão com 16 de jejum. A questão é

77:19

que este 168 também pode ser feito ao

77:21

contrário, que é tu tomas pequeno

77:23

almoço, almoças, lanchas e fechaste o

77:26

teu dia alimentar. E isto está mais

77:28

alinhado com aquilo que é o conceito de

77:30

cronutrição, ou seja, de que o corpo

77:32

responde àquilo que é exposição solar e

77:35

que estará mais pronto para processar eh

77:37

os alimentos de forma facilitada, ou

77:39

seja, com menos insulinor resistência.

77:41

de acordo com a luz solar. E estes

77:43

trabalhos têm vindo a mostrar que talvez

77:46

possa haver algum benefício independente

77:48

do défic alinhar a nossa ingestão com a

77:51

luz solar. E, portanto, fazer a última

77:53

refeição do dia mais cedo poderá ser

77:56

interessante. No entanto, temos que

77:57

pensar que há muita gente que, por

77:59

questões familiares, vai ter sempre

78:01

muita dificuldade em fazer a última

78:02

refeição a meio da tarde, porque vai

78:04

eliminar um momento que se calhar era o

78:06

momento do dia de estar com a família à

78:08

mesa, que é um momento importante,

78:10

>> e outras pessoas que vão treinar ao

78:12

final do dia. E aí qualquer benefício

78:14

que possa existir desaparece, porque o

78:16

treino traz claramente aqui uma

78:17

recetividade muito grande do corpo em

78:20

digerir o que quer que seja. E,

78:21

portanto, serão muito poucas as

78:24

situações em que dizer faz este jejum

78:26

intermitente, porque isto vai trazer eh

78:28

um benefício muito relevante. Neste

78:30

momento tenho dificuldade em em

78:32

afirmá-lo. Agora, como estratégia para

78:34

perda de peso, que também é muito

78:35

utilizado, pode ser uma estratégia

78:37

válida. Não é melhor em média, e agora

78:40

muito bom para fazer aponto com aquela

78:41

questão das médias. Não é melhor em

78:43

média do que uma restrição tradicional,

78:45

aquela restrição de comer de três em 3

78:46

horas, mas para algumas pessoas é mais

78:48

fácil de cumprir um déficjum

78:51

intermitente e para outras é mais fácil

78:53

de cumprir um défic de três em 3 horas

78:56

quatro ou cinco refeições por dia. E aí

78:58

o segredo, lá está, e do nutricionista

79:00

enquanto clínico é entender a pessoa em

79:02

consulta e escolher o caminho em

79:05

conversa. há uma negociação de qual vai

79:06

ser a estratégia com base nesta perceção

79:09

do que é que eu vou aguentar melhor

79:11

enquanto estratégia.

79:14

>> Espetacular. Tanta coisa para para

79:17

acrescentar aí, mas queria só então pois

79:20

é que é engraçado como e lá está por

79:23

causa de dos dos meus pensamentos e da

79:26

maneira como eu vejo a nutrição, eu

79:28

nunca pensei no jum intermitente com uma

79:30

maneira de perder peso, porque esse não

79:31

é o meu problema. O meu interesse foi

79:34

muito mais este da da autofagia e da

79:37

limpeza a nível celular. Hum, se eu

79:41

fizer 48 horas sem comer, isso pode ter

79:43

algum benefício de saúde?

79:47

>> É, é muito difícil responder essa, essa

79:49

questão, até porque nem sequer há assim

79:52

tantos trabalhos que, que tenham feito

79:54

uma uma duração assim tão tão tão longa.

79:57

H, aquilo que o António estava estava a

80:00

dizer, existem também, mas são muito

80:02

poucos trabalhos e é uma coisa que se

80:04

calhar daqui a uns tempos nós ainda

80:06

vamos ouvir falar mais do chavemado fast

80:09

mimic and diet, ou seja, que até a

80:12

própria tradução quase uma dieta a

80:13

imitar a imitar o jum e que mesmo nessa

80:16

h até a própria quantidade de proteína é

80:19

um bocadinho mais baixa h para depois do

80:22

ponto de vista celular nós baixarmos um

80:23

bocadinho os níveis de IGF1 e tentar

80:26

fazer aí um bocadinho essa autofagia.

80:28

Eh, e são coisas que se faz às vezes em

80:30

ciclos de 5 dias e durante 3 meses.

80:33

Pronto, não há, mais uma vez também

80:35

alguns autores também têm ali alguns

80:37

interesses comerciais por trás, porque a

80:38

empresa que fornecesseições também já

80:40

tem assim um bocadinho esses kits.

80:42

Pronto, é uma coisa que deixar e maturar

80:45

maturar mais um pouco e daqui a uns

80:47

meses e anos, vá, ver se de facto isso

80:50

pode ter aí algum algum benefício,

80:53

sempre sabendo que nós estamos aqui

80:55

neste binómio que é eh se bem que aí

80:57

também estamos a falar em períodos mais

80:59

curtos, que é h e esses mecanismos

81:01

solares que podem promover o o o

81:04

antia-aging, vá, eh podem ser

81:06

equilibrados, não fazer um período de

81:10

jejum tão grande que Apesar daí, depois

81:12

já tem a ver com o total de proteína que

81:13

é ingerida ao longo ao longo do dia. H,

81:16

para que esse período de jejum seja

81:19

catabólico, porque o facto de eu perder

81:21

massa muscular a médio e longo prazo

81:23

também não é algo. E e nem estamos a

81:25

falar só da parte estética. Claro que

81:28

toda a gente gosta de estar, se calhar

81:29

mais musculado e menos flácido, mas

81:32

nesse caso não, mas nesse caso

81:34

>> tem a ver com a parte de saúde, que mais

81:37

massa muscular é mais força, mais massa

81:39

muscular é maior sensibilidade à

81:41

insulina, é uma diminuição muito grande,

81:43

é quase como se fosse um seguro de vida

81:44

manter níveis de força em massa muscular

81:46

altos e sobretudo no caso das mulheres a

81:48

partir da menopausa e no caso dos homens

81:50

também a partir ali dos 40, 50, 60 anos

81:52

>> para a longevidade.

81:53

>> Para a longevidade, como é lógico. E e

81:55

depois nós temos quear aqui uma coisa

81:56

que é longevidade, mas também qualidade

81:58

de vida. E por isso

82:00

e eu quero ser longevo, mas também quero

82:02

ter mais força, quero conseguir ser

82:05

autónomo, subir e descer escadas e por

82:07

isso aí h eu vejo muito isso, h quase

82:11

como se fosse nutrição 2.0 ou nutrição

82:14

3.0, que é primeiro nós temos que

82:15

conseguir cumprir o básico. Eh, será que

82:18

eu já estou a treinar o suficiente? Será

82:20

que a minha dieta já é equilibrada o

82:22

suficiente? Então, se calhar, se eu já

82:24

tiver tudo de forma muito harmoniosa, da

82:26

mesma forma como alguns suplementos, eu

82:28

eventualmente colocar aí alguns períodos

82:30

de de de jejum ou dessas ou dessas

82:34

experiências vou desses ciclos de de

82:37

jejum, pode ter algum benefício extra,

82:41

hh, desde que o resto esteja tudo muito

82:43

muito enquadrado. E neste momento não

82:45

parece uma estratégia quase, entre

82:47

aspas, populacional ou para ser

82:49

sugerido. Pois, a dificuldade que que

82:52

que eu tenho sempre e e por isso é que

82:55

gosto de estar aqui dos dois dos dois

82:56

lados, OK? Às vezes dou umas aulas, dou

82:58

umas formações, mas depois também o meu

83:00

tempo maior é dar consultas, que é eu

83:02

vejo isto e está nos estudos, etc. Mas a

83:04

operacionalização disso é uma coisa

83:06

extremamente difícil, porque eu depois

83:07

estou na clínica, tenho a pessoa à

83:09

frente e vou sugerir alguém que está com

83:11

excesso de peso, obesidade, que nem

83:13

sequer o básico consegue cumprir. Eu vou

83:15

estar a sugerir que ela agora deixe de

83:17

jantar. Pois estamos a falar

83:20

>> no limite, no limite, exatamente, no

83:22

limite aquilo que até acaba por existir

83:23

em muitos casos e e eu aí também tenho

83:26

uma postura que não é nada de de de

83:28

incentivadora, de a pessoa não acorda

83:31

sem fome, não gosta de tomar o pequeno

83:32

almoço, gosta de estar em jum até a hora

83:34

de almoço. Se for uma estratégia com a

83:36

qual sinta bem, não há problema

83:37

rigorosamente nenhum, garantindo que

83:39

depois não há uma compensação dessas

83:41

calorias por se comer muito ao almoço. e

83:44

um padrão típico, se calhar, mais

83:46

masculino do que do que feminino. Hum, é

83:50

o homem que por questões profissionais

83:51

tem que almoçar fora de casa todos os

83:53

dias e aquilo que acontece é acorda sem

83:56

fome porque comeu muito na noite

83:58

anterior, faz um grande almoço, como faz

83:59

um grande almoço também não lancha. E

84:01

como não lancha, chega com muita fome ao

84:03

jantar, também faz um grande jantar. Tem

84:05

ali duas montanhas de alimentos, uma ao

84:06

almoço, outra ao jantar e depois acorda

84:08

sem fome no dia seguinte. E por isso o

84:10

sedentário e isso claro que não é um

84:13

junio intermitente porque não não se

84:14

cumprem assim tantas horas de junho

84:16

entre essas refeições, mas isso é é algo

84:19

que é não eh um dia alimentar uma rotina

84:23

nutricional que tá completamente

84:26

eh mal estruturada e por isso nós temos

84:28

que tentar mudar isto numa primeira

84:29

fase. as pessoas que já chegam

84:33

com eh essa vontade, que já são mais

84:36

curiosas, que já têm mais essa vontade

84:38

de experimentar o Jum ou desse tipo de

84:40

estratégias, por norma, se calhar, são

84:42

aquelas que menos precisam, porque são

84:43

aquelas que já são mais ativas, são

84:44

aquelas que já têm que não fumam, que

84:47

que têm níveis de massa gorda às vezes

84:49

até demasiado baixos. H, e por isso,

84:52

normalmente é aquele tipo de pessoas que

84:54

eu até fico mais preocupado, sobretudo

84:56

quando são mulheres, em garantir que

84:58

mesmo que façam esse período de jum

84:59

comem os mínimos de proteína e comem os

85:01

mínimos de cálcio para que isso não

85:03

prejudique massa muscular e massa óssea,

85:05

porque nada me serve eu viver mais três,

85:09

quou 5 anos se depois tiver uma fratura,

85:11

se tiver níveis de massação muscular

85:13

muito mais muito mais baixo e tentar

85:15

estabelecer esse equilíbrio entre tudo.

85:17

E em alguns casos não é fácil. E, e é

85:19

interessante aquilo que o Pedro estava a

85:20

dizer, que é eh esta ideia de dar alguma

85:23

prioridade a determinadas estratégias,

85:25

porque nós não conseguimos considerá-las

85:26

todas, nem devemos eventualmente

85:28

considerá-las todas. Eh, e depois tu

85:29

disseste esta questão de eventualmente

85:31

ser para a high performance, não é? De

85:32

de ser já quando alguém tem tudo o resto

85:35

estruturado. Mas eu até isso questiono,

85:36

que é os estudos avaliam estratégias

85:39

nutricionais isoladas.

85:41

Eles não avaliam se nós já tivermos uma

85:45

os ortofrutículas em dia, já tivermos

85:47

uma ingestão de antioxidantes de uma

85:48

forma global bastante interessante, já

85:51

fizermos aquele h pozinho mágico que é

85:55

curcuma com pimenta preta que já nos dá

85:56

mais capacidade antioxidante. Se em cima

85:59

disso achamos que um jejum prolongado

86:01

nos vai trazer ainda mais capacidade

86:03

antioxidante ou o que quer que seja, nós

86:05

não temos ciência que nos valide se isto

86:07

tudo é cumulativo, porque ninguém vive

86:09

até, se calhar daqui a pouco só

86:10

parávamos nos 200, aliás nos 200 anos.

86:13

H, é engraçado ver o a ingestão de

86:16

diferentes grupos alimentares reduzem o

86:18

risco de diferentes patologias em X.

86:21

Então, se nós começarmos a somar essas

86:23

reduções, daqui a pouco nós vamos a ter

86:24

as patologias inversamente, porque é

86:26

impossível aquilo baixa de zero o risco

86:29

de ter essa patologia. E na prática

86:30

nisto não é assim. E, portanto, eu ponho

86:32

muitas vezes esta questão que é até que

86:34

ponto em que é que determinada

86:36

estratégia vai funcionar para aquela

86:37

pessoa se já faz tudo o resto que lhe

86:40

vai trazer benefício nesse fator

86:41

metabólico. Portanto, é outra questão.

86:44

>> Então, no fundo, precisamos de mais

86:46

ciência sobre jejum, parece-me, não é?

86:48

Ou ou já achas que

86:50

>> para a longevidade, sim, eh para a perda

86:52

de peso, parece-me já muito muito bem

86:53

estruturado, que é não é propriamente

86:56

vantajoso em média e relativamente a um

86:58

método mais tradicional, mas não deixa

86:59

de ser uma opção válida para

87:01

determinadas pessoas.

87:03

>> Eu a passada fiz um estudo científico n

87:06

igual a um, fui eu. Hum, e fiz 24 horas

87:10

de jejum e foi muito mais fácil do que

87:14

eu pensava que ia ser. Isso achei

87:15

interessante também. Eh, fui bebendo chá

87:18

verde ao longo do dia e fui fazendo

87:20

assim umas coisas que recomendam para

87:22

custar menos e fiz jantar ao jantar

87:25

porque no contexto em que estava tinha

87:26

que ser assim.

87:28

E lá está, eu se calhar estava mais

87:30

atento à comida porque estava a fazer

87:32

esta experiência, mas a comida soube

87:35

muito bem, mas incrível. Parecia que

87:38

tava, não sei, parecia que tava drogado

87:41

e depois hh parecia que tava com também

87:45

maior sensibilidade para

87:48

aquilo que o meu corpo me estava a

87:49

pedir. Vocês acreditam que o nosso corpo

87:52

tem esse tipo de inteligência de saber,

87:56

olha, ele tá a precisar mais deste tipo

87:58

de comida, por isso

88:00

vou fazer, vou vou criar aqui o

88:02

mecanismo. Claro que não é desta forma

88:04

consciente, não é? são milhões de anos

88:06

de genética, mas que o corpo tem a

88:08

capacidade meio de nos dar mais vontade

88:11

de comer coisas que nutritivamente

88:13

estamos a precisar naquele momento.

88:17

>> Sim, já existem esses mecanismos quase

88:18

de regulação. Se estás com défico,

88:20

absorves mais cálcio. Se estás com

88:22

déficolesto,

88:24

produzes mais colesterol endógeno. Eu

88:26

acho que nesse caso h a preferência por

88:30

por esses alimentos, lá está, quando e

88:33

estamos 24 horas em jum, se calhar

88:36

aquilo que apetece naquela primeira

88:37

fase, OK, tenho de comer qualquer coisa.

88:40

Hum, depois aí não sei até que ponto é

88:42

que pode existir uma uma até porque

88:45

também 24 horas de jejum, objetivamente,

88:47

ainda por cima hidratando, não é?

88:49

>> 24 horas de jejum também não deixa em

88:52

défice no momento de rigorosamente nada.

88:54

OK? Claro que é um dia com menos

88:56

proteína, mas isso depois é uma coisa

88:57

que se compensa nos nos no nos outros

89:00

dias.

89:00

>> Mas por acaso no jantar pré 24 horas

89:03

comi muita proteína.

89:04

>> E bem e bem porque assim pelo menos já

89:06

se conseguiu garantir que não havia se

89:09

calhar aí um catabolismo muito grande,

89:10

mesmo que seja um período aí só de só de

89:12

24 horas.

89:13

Eh, eh, agora acho que aí é é

89:19

ainda por cima vendo se calhar uma coisa

89:21

é estou 24 horas em jun, se não tem

89:23

grande alternativa, claro que vou comer

89:25

aquilo que me ponho à frente. Agora se

89:26

eu depois consigo escolher, vou quebrar

89:28

o jejum, com que refeição?

89:30

>> Era um buffé, eu admito terado. Um buffé

89:32

do hotel

89:34

>> e então havia mil coisas e

89:36

>> mas és prioridade a quê?

89:38

>> Imagina, eu achei que me apeteceria que

89:39

almoço ou era de almoço? Não percebi.

89:42

Era canal. Era de jantar. Ah, jantar.

89:44

Exatamente. Eu achei que me ia apecer

89:45

pizza e massa e assim.

89:47

>> E aquilo que me apeteceu mais e começou

89:49

pela vida foi assim uma mistura de

89:51

legumes salteados e assim com

89:54

especiarias. Chamava-se para aí legumes

89:56

maroquinos ou assim uma coisa. E pá, p

89:59

sou soube mesmo bem. Mas é isso. Foi um

90:01

n igual a um. E mas fiquei com

90:03

curiosidade para ver será que consigo

90:05

cor.

90:05

>> Eu eu teria começado pelos hidratos.

90:09

Sim, mas eu tenho alguma dificuldade em

90:11

aceitar essa essa teoria do corpo, de

90:14

ouvir o corpo. Ou seja, quando tu dizes:

90:17

"Eu comi o alimento a e fiquei inchado".

90:20

Aí é claríssimo isso. Não não não não

90:22

acho discutível, mas a ideia de o corpo

90:25

pediu-me determinado alimento e,

90:26

portanto, isso foi o que lhe fez bem na

90:28

hora, aí tenho tenho mesmo muitas

90:30

dúvidas de que seja de que seja uma

90:32

questão, até porque dessa forma a maior

90:34

parte das pessoas comerias chocolate

90:36

atrás de chocolate, porque é isso que o

90:37

corpo está a pedir, não é? O meu também,

90:39

o meu também me pede muito chocolate.

90:41

Portanto, tenho mais dificuldade em

90:43

aceitar essa questão do impacto positivo

90:45

na saúde ouvindo o corpo.

90:48

>> Sim, mas o teu corpo pede escolate

90:50

porque evolutivamente,

90:52

não é? Nós ainda ainda geneticamente

90:56

estamos feitos para viver numa savana há

90:59

50.000 anos. E o que havia, o que havia

91:01

de doce, a única coisa que havia doce

91:03

era saudável, era do mais saudável que

91:05

havia, era fruta. Por isso, não é isso?

91:08

É o problema de o o houve um hacking do

91:12

sabor doce pelo capitalismo, se

91:14

quiseres, ou pelas outras comidas.

91:16

>> Sim. E e pelo seu impacto a nível a

91:18

nível emocional, não é? aquela redução

91:21

automática da ansiedade a é certo que

91:23

não é por muito tempo, mas naqueles

91:25

minutos ou ou horas que se seguem a

91:27

ingestão, isso isso está bem descrito,

91:30

eh longe de ser como as drogas, como

91:31

algumas pessoas alegam, eh os mecanismos

91:33

são bem diferentes, mas efetivamente e a

91:36

única coisa em comum é a área cerebral

91:38

que fica mais ativa pelo prazer de eh

91:41

mas efetivamente há há esse há esse

91:43

impacto. Sim,

91:44

>> já falamos do leite que que meio que

91:48

saiu de moda. Os ovos tem tem sido uma

91:52

viagem espetacular, porque eu já apanhei

91:54

de tudo, já apanhei de ovos faz bem,

91:56

depois ovos faz mal, depois só clara de

91:59

ovo é que faz bem, o resto tem

92:00

colesterol. Hoje em dia já podes comer

92:02

os ovos que quiseres. Eh, porque é que

92:04

aconteceu esta história toda? Qual foi o

92:06

caminho científico que que levou a isto?

92:09

Eu acho, eu começo por, por trazer aqui

92:12

uma frase de um amigo que temos em

92:14

comum, o Vítor Hugo Teixeira, que disse:

92:16

"O que os outros alimentos precisavam

92:17

era de um marketer igual ao de ao

92:19

marketer dos ovos". Ou seja, os ovos têm

92:22

mesmo muito boa imagem eh pela

92:24

comunidade. Eh, e se formos avaliar

92:26

estudos epidemiológicos de consumo de

92:28

ovos e marcadores de saúde, o ovo numa

92:32

quantidade moderada é um alimento

92:33

bastante neutro, ou seja, numa

92:36

quantidade moderada e depois definir

92:37

quantidade moderada também não é não é

92:39

muito fácil, mas a verdade é que não. O

92:41

consumo de ovos em particular não parece

92:43

estar associado a uma redução de risco

92:45

de grandes patologias eh que sejam

92:48

prevalentes. Mas por outro lado, um

92:50

consumo moderado também não parece

92:52

prejudicar. E portanto ovo é uma boa

92:54

fonte de proteína. A tem alguma gordura

92:57

à partida não de grande interesse à

93:00

beira de outras fontes de gordura. Não

93:02

estou a dizer que é péssima, estou a

93:03

dizer que a beira de azeite ou de frutos

93:05

oleaginosos ou de abacate é incomparável

93:07

naquilo que é o interesse da gordura do

93:09

ovo. H pode ser inserido num dia

93:12

alimentar típico porque dá prazer a

93:14

muita gente. Agora, e idolaterrar o ovo

93:17

como um alimento extraordinário

93:19

mostra-me ciência porque eu não não

93:21

encontro, honestamente.

93:22

>> Não tem vitaminas, minerais e

93:24

>> claramente o não significa é que todo o

93:27

resto do teu dia alimentar não te traga

93:29

aquilo que o ovo também poderá trazer.

93:31

Ou seja, não é um alimento essencial,

93:34

assim como eu também não vejo alimentos

93:36

essenciais h de forma individual. Acho

93:38

que não há um único alimento que nós

93:40

precisamos dizer isto tem que fazer

93:42

parte obrigatoriamente. Eh, e e nesse

93:44

sentido, lá está, ovo sendo rico em

93:46

proteína pode ser extremamente útil em

93:48

quem tem que aumentar a ingestão de

93:49

proteína. Eh, útil e perfeitamente

93:51

aceitável e enquadrável, mas dizer vou

93:53

comer ovo porque isto efetivamente reduz

93:55

o risco de aí a evidência não não o

93:58

mostra de todo.

93:59

>> OK. não reduz risco, mas não é não dizem

94:02

que é um super alimento por por ter

94:05

essas vitaminas, minerais, ter proteína,

94:08

não é muito caro também.

94:09

>> Eu certo desse ponto de vista e não há

94:12

dúvida, ou seja, é uma fonte de proteína

94:14

com um preço por grama bastante

94:16

interessante, ainda que desde há 2 tr

94:18

anos os ovos tenham subido bastante

94:20

preço e à beira de alguns laticínios

94:21

hiperproteicos, o preço por grama já não

94:24

é assim e tão tão compensatório de

94:26

alguma forma.

94:27

>> Depende do quão mal queres tratar a

94:29

galinha. Ex, precisamente, precisamente.

94:32

Precisamente. Mas e se há alguém que o

94:34

classifica como super alimento, eu tenho

94:37

eu tenho algumas reticências em em

94:40

corroborar.

94:41

>> Existem superalimentos ou é só uma é um

94:43

termo que os nutricionistas não usem? Só

94:45

o Instagram é que usa.

94:47

>> Não, é um termo que os nutricionistas

94:49

não não usam. Eu, curiosamente, o meu

94:51

primeiro livro chama-se 50 Super

94:53

Alimentos portugueses. Portanto, na

94:55

altura fizemos esse twist porque porque

94:57

a editora também queria meter ali uma

94:58

coisa de dos super dos super alimentos,

95:01

mas não era

95:03

cúrcuma, não era assim esses maca, seja

95:06

esses pozinhos todos, não era covo

95:08

galega, espinafros, tomate, cenoura,

95:10

seja feijão, grão, era era esse tipo de

95:12

alimentos. Ainda por cima fizemos só

95:14

aqueles que acabam por ser produzidos

95:15

cá. E os superalimentos são são todos

95:18

estes. Nós fizemos aí um ranking de tudo

95:19

aquilo que tem maior potencial

95:21

antioxidante, maior quantidade de

95:23

fitoquímicos, vitaminas, minerais. E

95:25

claro que aí nós podemos ter, lá está, a

95:27

couve galega, os brócolis, o tomate, a

95:29

laranja, o kivi, os frutos vermelhos,

95:31

estamos a falar de de uma grande

95:33

quantidade de alimentos e grande parte

95:36

deles assim de de de ortoffortículas e

95:39

mais alimentos até da de da de origem

95:41

vegetal, como a questão dos fortes

95:42

gordos também, das sementes. Hum. e onde

95:45

depois há espaço para tudo. Ah, onde os

95:49

laticínios também cabem, onde o peixe

95:51

sobretudo cabe e cabe o peixe mais do

95:53

que a carne, cabem as carnes brancas

95:55

mais que as carnes vermelhas. E onde os

95:56

ovos também acabam por também acabam por

95:58

caber. os ovos ti se calhar sofreram um

96:01

bocadinho com uma uma associação que do

96:06

ponto de vista empírico faria todo

96:08

sentido, que é se o colesterol é um

96:11

problema do ponto de vista

96:12

cardiovascular, o ovo tem uma quantidade

96:13

de colesterol na gema muito grande,

96:16

tendo em conta aquilo que seriam as as

96:17

recomendações. A, e por isso a aquela

96:21

questão de a três ovos por semana, três,

96:25

quatro ovos por semana, foi uma

96:26

recomendação que que ainda prevaleceu

96:28

durante algum tempo. Até que depois se

96:30

percebeu que a grande parte das pessoas

96:34

que têm colesterol elevado eh claro que

96:37

se calhar 20 30% pode ter uma origem

96:39

alimentar, mas o resto é de é de é de

96:42

síntese endóna. E aquilo que nós temos

96:44

que fazer para baixar esse colesterol,

96:46

claro que controlar a quantidade de

96:47

colesterol da alimentação faz sentido,

96:49

mas faz sentido quando essa quantidade

96:52

está associada a outros alimentos que

96:54

também aumenta o colesterol,

96:55

nomeadamente gorduras saturadas e trans.

96:57

E aí estamos a falar da manteiga,

96:58

estamos a falar de folhados, produtos

97:00

processados. Antes também se utilizavam

97:02

muito umas chamadas margarinas e eh

97:05

trans que tinham uma grande quantidade,

97:07

agora ultimamente já não é tanto assim.

97:09

>> Marisco também tens.

97:10

>> E o marisco também.

97:12

O marisco também, mas lá está, os ovos e

97:14

o marisco fazem parte daquele grupo de

97:15

alimentos. Se calhar os ovos até acabar

97:16

por ter uma quantidade de gordura maior

97:18

por causa da por causa da gema, que é

97:21

certo que também têm alguma gordura

97:22

saturada, mas nós temos que olhar para o

97:23

alimento como um todo. E quer o marisco,

97:26

quer os ovos,

97:28

têm uma boa quantidade de colesterol.

97:31

Isso aí é é é innegável. Mas depois

97:33

também tem o outro lado e tem proteína

97:35

de ótima qualidade e depois tem mais

97:36

zinco, tem mais selênio, tem mais

97:38

biotina, tem uma série de de nutrientes

97:40

que também que também fazem falta. Mas

97:43

essa síntesendó de colesterol, aquilo

97:44

que nós produzimos dentro do corpo, que

97:46

em grande parte, então em quem tem e

97:49

hipercolestamento familiar, é mesmo uma

97:51

questão genética que depois só se

97:53

resolve a partir de certa idade com com

97:54

com a medicação, porque a pessoa pode

97:56

treinar, pode ter níveis de massa gorda

97:58

muito muito muito muito baixo, é sinal

98:01

que não está em grande excedidente

98:03

calórico, se aquele valor está

98:05

sistematicamente alto, só mesmo o

98:06

medicando.

98:08

noutras pessoas, noutras pessoas aquilo

98:10

que nós temos que tentar fazer é

98:13

fazer um plano com restrição calórica em

98:16

primeiro lugar, porque tudo aquilo que

98:18

dá origem essa síntese colesterol

98:20

endosógeno é o produto final de tudo o

98:21

que nós comemos, seja proteína, gordura,

98:23

hidratos, carbono e depois um um

98:28

o estímulo também de uma das hormonas

98:31

que promove eh essa essa das hormonas,

98:35

não, das enzimas que promove essa síntes

98:37

Endógena de colesterol também é

98:38

estimulada pela insulina. E se nós

98:40

tivermos uma dieta muito rica em

98:41

hidratos de carbono, mesmo que não seja

98:42

só açúcar, pode ser, posso comer muito

98:44

pão, posso comer muito arroz, massa,

98:46

batata, não é açúcar, são hidratos de

98:48

carbono, depois estarem absorvidos vai

98:50

dar, vai dar tudo ao mesmo. H, e se eu

98:52

comer uma dieta muito rica em hidratos

98:53

de carbónio, eu também vou estar

98:54

aumentar muito essa síntese endógena de

98:56

de de colesterol. E por isso o facto de

98:58

eu controlar

99:00

>> qualquer alimento em excesso, mas

99:02

nomeadamente aí os hidratos de carbono

99:03

também, podem aumentar essa síntese

99:05

endosóna de de de colesterol. E por isso

99:07

eu até posso baixar o meu colesterol a

99:09

comer um ovo por dia, desde que depois o

99:11

resto da alimentação, do ponto de vista

99:13

das calorias e da própria relação entre

99:15

proteína e hidratos, carbono e sobretudo

99:17

essa quantidade de gordura hh seja seja

99:20

controlada. Não vou certamente baixar o

99:22

meu colesterol a comer dois ovos ou três

99:25

mexidos eh em manteiga e acompanhados

99:28

com bacon pequeno almoço. Isso não vai

99:30

acontecer porque lá está, pela grande

99:31

quantidade de colesterol de todos os

99:33

alimentos que estão presentes nessa

99:34

nessa formulação, por exemplo. Hum. E e

99:38

é quase um pequeno almoço entrepas

99:40

americana assim uma coisa mesmo eh com

99:43

grandes quantidades de gordura saturada.

99:44

Certamente que isso também pela

99:46

quantidade de sal, mas o sal nem entra

99:48

nesta equação, pela grande quantidade do

99:50

próprio colesterol que lá está. E aí até

99:52

nem temos hidratos, podemos ter ou não,

99:54

depende do que acompanha, mas pela

99:56

grande quantidade de gordura saturada,

99:58

hum, e também de algumas gorduras trans

100:01

que a própria manteiga também acaba por

100:02

ter um bocadinho, hh, aí vai ser sempre

100:05

muito mais difícil manter os níveis de

100:07

colesterol controlado. Por isso é tudo

100:09

um jogo que nós temos que fazer entre a

100:11

própria quantidade de fibra, porque lá

100:13

está, aqueles esteroides vegetais que

100:14

existem nos iogurtes que ou nas cremes

100:17

vegetais que diminuem a absorção de

100:18

colesterol são esterois vegetais, são

100:20

moléculas semelhantes ao colesterol que

100:22

são absorvidas em vez de colesterol e

100:24

por isso se eu comer legumes e que

100:27

também são fontes desses estóis vestais,

100:28

eu também acabo por diminuir um

100:30

bocadinho essa essa absorção do

100:31

colesterol que já está presente na

100:33

refeição.

100:34

>> OK? Então o colesterol é mesmo

100:36

bioquimicamente bastante complexo, tem

100:38

várias origens possíveis e e várias e

100:42

várias coisas que podem evitar

100:44

importante. Às vezes existe esta coisa,

100:45

o colesterol é uma farsa. Não, não é uma

100:47

farsa. Claro que ele é importante para a

100:48

produção hormonal e para muitas outras

100:49

coisas. Portanto, é fundamental que nós

100:51

o produzimos,

100:52

>> mas é certo, é um marcador de risco

100:55

cardiovascular de níveis de colesterol

100:57

total e sobretudo LDL, que tem que estar

101:00

o mais baixo possível em algumas pessoas

101:02

que já acumulem outros fatores de risco.

101:04

E baixar mesmo com recurso as estatinas

101:06

e esse quase bicho papão que existe, é

101:09

uma medida que salva eh vidas e garante

101:12

a qualidade de vida de de de muitas

101:14

pessoas. Por isso, é importante em 2026

101:18

manter manter isto eh vivo.

101:22

>> Ó António, isto é uma pergunta se carar

101:23

um bocado técnica e muito específica,

101:25

por isso se não souberes é perfeitamente

101:27

normal. Mas tu sabes qual é que é a

101:31

variabilidade que existe dentro do

101:36

do impacto que tem no colesterol mau a

101:40

alimentação? Ou seja, existem pessoas

101:42

para quem a alimentação tem zero impacto

101:44

e outras para quem tem 50% de impacto.

101:48

>> Eu diria que zero impacto e é

101:50

praticamente impossível de encontrar e

101:52

mas o maior impacto ou menor, claramente

101:54

que há essa variação. O difícil vai ser

101:57

dizer quem é que tenha ou não um grande

101:59

impacto, porque o que vemos muitas vezes

102:01

são pessoas que têm um colesterol

102:03

elevado QB por motivos genéticos, ou

102:06

seja, a genética é o maior o o fator

102:09

preditor com mais impacto naquilo que é

102:12

o colesterol de alguém, nomeadamente o

102:13

total, mas também a sua fração LDL. Isto

102:17

não invalida o impacto que a nutrição

102:19

possa ter. Agora, o que acontece é que a

102:21

nutrição não consegue baixar o

102:23

colesterol, muitas vezes até níveis que

102:25

podíamos achar benéficos naquilo que é

102:27

redução de risco, se a genética forte o

102:30

suficiente para manter os níveis mais

102:32

elevados. No entanto, mesmo em quem tem

102:34

tendência a ter colesterol alto, comer

102:36

mal vai eh de alguma forma aumentar o

102:40

risco dele próprio subir ainda mais. Ou

102:42

seja, uma coisa é ter o LDL a 140, outra

102:45

coisa é ter o LDL a 200 ou a 300. E

102:47

nesse desse ponto de vista, eu ouço

102:49

muitas vezes pessoas a dizer que têm o

102:51

colesterol elevado por fatores

102:52

genéticos, não é errado, mas às vezes

102:55

parece que desresponsabiliza o impacto

102:57

que a nutrição pode ter, que é grande,

102:59

que é grande.

102:59

>> E é uma maravilha essa

103:01

desresponsabilização porque permite

103:02

comer tudo o que é maravilhoso.

103:04

>> Pois, claro que é, sem dúvida, sem

103:05

dúvida. Mas eu consigo descobrir sobre

103:07

mim, ou seja, pá, eu adoro o presunto e

103:09

e gosto de quase tudo que faz que faz

103:11

mal ao colesterol e tenho o colesterol

103:14

tendencialmente alto e nunca fui gordo e

103:16

faço e faço desporto e meu pai também

103:17

tem colesterol tendencialmente alto. H,

103:21

eu se por acaso fizesse, conseguisse

103:24

fazer uma experiência comigo próprio em

103:26

que, pá, faço uma, faço análise ao

103:28

sangue e depois fico um mês sem comer

103:31

absolutamente nada com o colestrol e

103:32

depois faço outras, se aquilo não baixar

103:34

muito, luz verde para comer presunto ao

103:37

resto da minha vida até à cova.

103:39

>> Ah, quase certo. Mas atenção, disseste

103:42

uma coisa que é não comer as coisas que

103:45

podem prejudicar o colesterol, mas eu

103:47

diria uma coisa que tem tanto ou mais

103:48

impacto, que é comer as coisas que podem

103:50

beneficiar o valor de colesterol, porque

103:51

também temos isto não é apenas uma lista

103:53

de proibidos, é muitas vezes as

103:55

substituições. H, e por exemplo, às

103:57

vezes podemos pensar e o consumo de dois

103:59

ovos ao pequeno almoço aumenta o

104:00

colesterol em quem já tenha um valor

104:02

elevado. H, difícil dizer se são os ovos

104:05

que estão a aumentar esse valor de

104:06

colesterol. Agora, por aquelas 180

104:08

calorias, se eu pegar num skir natural e

104:11

lhe juntar umas nozes e umas sementes de

104:12

chia, talvez o impacto possa ser

104:15

interessante. Claro que não vai ser só

104:17

por aquela troca que vamos passar de um

104:18

140 para 110,

104:20

>> que a chia as chia as sementes chia

104:21

reduzem colestr

104:23

>> as sementes oleaginosas e os frutos

104:24

oleiaaginosos pelo seu conteúdo e em

104:27

gordura nos ácidos gordos específicos e

104:29

também em esteroides e estanois vegetais

104:31

tem um impacto redutor naquilo que é o

104:33

colesterol, por exemplo. Agora é um dia

104:35

com 24 horas, um dia alimentar muito

104:38

elevado e não podemos dizer só que pela

104:39

troca de ovos, por seguir com com nós

104:42

vamos ter aqui um um fator extremamente

104:44

relevante. Mas e podemos olhar sempre

104:47

para esta ideia de quando perguntamos se

104:49

algum alimento é adequado a determinada

104:51

situação, podemos pensar eh pelo que é

104:53

que ele poderia ser substituído, porque

104:55

nem nem sempre é o deixar de comer, é o

104:57

que é que passamos a comer em vez de

105:00

>> Sim. E aqui entramos no numa outra parte

105:02

que eu queria conversar com vós, que é

105:04

muito difícil fazer investigação em

105:06

nutrição, porque pá, pegas em, não é,

105:10

tem para ter um um número de pessoas

105:13

interessante, hh, não consegues

105:16

controlar muito bem, não é? Nem vais

105:17

conseguir. Se disseres para eles

105:19

deixarem de comer qualquer coisa, cada

105:21

um vai substituir por uma coisa

105:22

diferente e isso vai, não é? É, não é

105:25

muito difícil ter no fundo um control

105:27

group

105:27

>> e mesmo tendo um bom, mesmo que

105:29

conseguisse ter um bom control group, o

105:31

outro grupo eh se deixa de comer alguma

105:35

coisa ou passa a comer outra, isso vai

105:37

estar sempre a substituir outra, não é?

105:39

É muito difícil fazer esta investigação.

105:41

Eh,

105:42

>> sim. E e aí estamos a falar, se calhar,

105:43

nesse contexto dos ensaios clínicos. Nós

105:45

tivemos a falar até em estudos

105:46

epidemiológicos, até vamos estar

105:48

dependentes daquilo que as pessoas dizem

105:51

que comeram ou se lembram que comeram.

105:53

às vezes pode ser sempre um bocadinho

105:55

>> ah pois

105:56

>> mais saudável do que aquilo que seria

105:59

que que é a realidade, porque mas sim

106:02

claro que fazer fazer eh eh eh a

106:05

investigação nessa área e e tentar

106:07

isolar bem essas essas essas variáveis é

106:11

uma coisa que não é

106:13

nada fácil.

106:16

H, e essa também é uma é uma das razões

106:19

para que

106:21

todas essas informações que nós vemos ou

106:24

aumenta o risco, diminui o risco e

106:25

sobretudo quando nós estamos aqui a

106:27

falar de coisas mínimas de 5%, 10%, 15%,

106:32

é uma coisa que é importante perceber h

106:38

qual foi o contexto e como é que foi

106:39

estudado. E depois se a e sobretudo

106:42

nesta parte científica utiliza sempre o

106:44

jargão que é o significado estatístico.

106:46

E é verdade, pronto, tem que exir

106:48

significado estatístico, mas outra coisa

106:50

também importante perceber é qual é o

106:51

significado clínico que aquilo tem,

106:54

porque eu posso ter algo que tenha um

106:55

significado estatístico de aumentar 1,

106:57

2, 3, 4, 5% ou mesmo esta questão do jum

107:00

durante tanto tempo em comparação com a

107:02

restrição calórica contínua, h, há

107:05

significado estatístico. A diferença é 1

107:07

cm na cintura ou 0.59 59 kg ou eh 5 mm

107:15

eh e 5 mg por de de dos de dos desbolos

107:18

de colesterol. Quer dizer, OK, pode

107:20

haver de facto essa direção e esse esse

107:22

benefício h na parte dos suplementos,

107:25

exatamente a mesma a mesma coisa.

107:27

aumentou o gasto calório com suplemento

107:28

para emagrecer, com ação termogénica,

107:30

aumentou o significado estatístico, qual

107:33

é que foi mais 10, 14 kilcalorias por

107:35

dia. É tentar perceber eh de facto se e

107:38

nos suplementos para melhoria da

107:40

performance, exatamente exatamente a

107:41

mesma situação. É ver até que ponto é

107:44

que se justifica eu estar a ter este

107:46

investimento, seja num suplemento, seja

107:49

noutra substância qualquer, ou a mudar

107:51

muito a minha alimentação.

107:53

tendo em conta que, de facto, e mesmo

107:56

com todos esses vieses que vão sempre

107:58

acontecer do ponto de vista da

107:59

investigação, o resultado final pode ser

108:02

algo que não é assim tão relevante h e

108:05

que existem muitas outras mudanças que

108:07

se podem fazer na na na nossa

108:09

alimentação com aí sim um significado

108:11

clínico muito mais relevante,

108:13

>> muito mais. é que se calhar os

108:14

nutricionistas e quem está na área,

108:18

esses trabalhos que às vezes acontecem

108:19

que vai por cima das coisas que que no

108:23

meu entender, se calhar já existiu mais,

108:24

já existiu mais e agora não existe tanto

108:26

que são mesmo pessoas,

108:29

não lhes chamaria revisões, mas quase

108:31

jornalistas especializados em ciência

108:33

nos jornais eh em que fazem um trabalho

108:37

bom em prol desta divulgação científica

108:39

e não é, entre aspas, o estagiário que

108:42

viu um trabalho ou porque já viu noutro

108:45

jornal internacional e tenta replicar

108:47

>> esses trabalhos de aumenta isto, diminui

108:50

aquilo, salvo raríssimas exceções. Quem

108:52

é da área nem sequer abre notícia, nem

108:54

sequer eu até faço propositadamente para

108:57

não abrir que para não dar ali mais um

108:59

view porque porque não é assim, isso é

109:02

uma coisa que só contamina e que depois

109:04

a pessoa vai às caixas dos comentários e

109:05

que ah, eu sabia, eu tinha razão e

109:07

depois o outro quer dizer e andamos

109:08

nisto.

109:09

>> Sim. Uma vez vi uma um um vídeo ou um

109:12

post de alguém a mostrar que se

109:13

googlares e café causa cegueira

109:16

encontras e artigos sobre isso ou que

109:20

piora à vista e se se pesquisares café

109:22

melhor à vista também encontras. Ou

109:24

seja, em nutrição encontra-se quase tudo

109:26

e o seu oposto, não é? Sim,

109:28

>> não estou a falar de dos e das revisões

109:33

sistêmicas nem nada disso, mas assim

109:34

artigozinhos dizer tudo.

109:36

>> Mas às vezes até nessas metaanálises e

109:38

revisões sistemões sistemáticas do que

109:40

metaanálises, tu vês e algum viés por

109:43

parte dos autores e a chegarem a

109:44

conclusões muito opostas a outros. Eu

109:46

lembro-me de dois artigos publicados em

109:49

2017 sobre glucosamina e condroitina,

109:51

que são suplementos muito utilizados

109:53

para a questão da rigidez articular e e

109:55

alguns problemas articulares no global.

109:57

Hum. E os dois têm publicados em bom em

110:01

boas revistas e um deles diz: "Não há

110:03

evidência que convença para a

110:05

utilização, ainda que o custo seja

110:07

baixo, não há evidência relevante que

110:09

que seja relevante." E o outro diz:

110:10

"Tendo em conta o custo e a falta de

110:13

efeitos secundários relevantes,

110:14

claramente é uma boa aposta. Portanto,

110:16

são duas revistas boas com autores que à

110:19

partida têm algum reconhecimento a

110:21

chegar a conclusões diferentes com base

110:23

na mesma ciência, porque o ano foi o

110:24

mesmo. E, portanto, nós temos mesmo

110:26

ciência para todos os gostos. Tu tens

110:27

estudos, há estudos que mostram

110:30

diminuição de risco de cancro com

110:32

edulcurantes,

110:34

muitos a mostrar que não há impacto e

110:36

alguns a mostrar que há aumento.

110:37

Portanto, escolhe e defendes a tua tese.

110:39

Portanto, é é um perigo. É um perigo,

110:42

porque antigamente havia os da ciência e

110:44

os não da ciência. Hoje em dia são

110:46

todos. Toda a gente lê o artigo, toda a

110:47

gente tem o artigo para mostrar. O

110:49

problema é que para quem consome a

110:51

informação é absolutamente impossível

110:52

saber se aquele artigo representa o

110:55

corpo de evidência total.

110:56

>> Sim. Sim. Ó pá, isso isso seria um

110:58

episódio inteiro só sobre a pirâmide

111:00

evidência científica, não é? Mas mesmo

111:02

as as revisões sistemáticas, os

111:04

critérios para se filtrar os papers que

111:06

se incluem na revisão, podem fazer toda

111:09

a diferença. E

111:10

>> e e ambos só usarem revistas de alto

111:13

impacto, mas um outro critério qualquer

111:15

fazer toda a diferença. Sim.

111:17

>> Multivitamínicos. hh para quem tem uma

111:20

uma alimentação já saudável e variada,

111:23

hh, vai quase tudo parar a urina ou tem

111:26

benefícios?

111:28

>> À partida não terá benefícios hh por uma

111:30

razão muito simples, é que dificilmente

111:32

alguém que tenha uma alimentação

111:33

adequada e equilibrada terá déficitos e

111:36

minerais globais, ou seja, variados.

111:40

Pode haver défice num ou noutro

111:41

nutriente por causas muito específicas.

111:43

por exemplo, hh atletas adolescentes que

111:46

à custa da menstruação e e de outros

111:48

fatores têm déficritina

111:51

e muitas vezes anemia. Hã, isso

111:53

claramente que é algo que tem que ser eh

111:55

à custa da suplementação na maior parte

111:57

dos casos tem que ser tratado no hora.

112:00

Não há dúvida absolutamente nenhuma.

112:01

Acho que ninguém se nega eh ninguém

112:03

consegue negar a pertinência de compor

112:05

eh aquele valor, aquele valor analítico.

112:08

Agora, eh temos que ver também que os

112:10

polivitamínicos e poliminerais são eh eh

112:14

compostos por dezenas eh de de vitaminas

112:17

e minerais distintos, mas todos eles à

112:19

partida numa dose relativamente baixa

112:22

que para quem tiver um défico,

112:24

dificilmente vai tratar o défic. Ou

112:26

seja, eles nem atuam em alguém que tenha

112:29

falta de porque têm pouca quantidade e à

112:32

partida também não seriam necessários só

112:35

para manter níveis bons em alguém que

112:37

come bem de uma forma global. Portanto,

112:39

eu vejo muito pouca relevância na

112:40

utilização de multivitamínicos.

112:42

>> Então, nem sequer funciona com uma

112:44

espécie de seguro contra todos os

112:46

riscos, porque a dose não é suficiente.

112:48

É isso? para combater um eventual

112:49

défice, por exemplo, à custa de uma

112:51

patologia ou de uma condição, como é,

112:53

por exemplo, ter eh grandes fluxos na

112:55

menstruação, dificilmente um

112:57

polivitamínico, multivitamínico vai eh

112:59

dar ferro suficiente para combater ou

113:01

para prevenir eh essa esse défic.

113:04

>> Mas causa dano ou não causa dano?

113:07

>> Difícil dizer se algum, eu diria que

113:09

todos, nenhum suplemento tem risco zero.

113:11

Podemos começar logo por esta premissa.

113:13

Se nós formos ver eh nos Estados Unidos

113:15

dados publicados de suplementos que

113:17

causam dano hepático, portanto danos no

113:19

fígado, eh eles até incluem os

113:21

esteroides anabolizantes na nas contas,

113:23

eh que não são propriamente suplementos

113:25

alimentares e claro que estão lá em

113:26

primeiro lugar, mas logo a seguir vêm

113:28

extratos de plantas, tipo extratos de

113:30

chá verde e há alguns relatos de

113:33

multivitamínicos ou vitaminas e minerais

113:35

isolados a causar danos eh no fígado.

113:38

Portanto, nada tem risco zero. Para além

113:41

disto, há sempre um custo associado. E

113:43

eu gosto também de falar nesta questão

113:44

do custo económico, que é vai tomar

113:46

multivitamínico só porque mal não faz,

113:49

não é? Primeiro, não o podemos garantir

113:51

e segundo, dificilmente e valia a pena

113:54

aquele aquele investimento mesmo

113:55

económico.

113:56

>> Uhum. Mas os multivitamínicos mais e

113:59

assim mais conhecidos hum

114:03

100% de dose diária recomendada de todos

114:06

os vitaminos e minerais. Alguns às vezes

114:08

até parece 200%, 300%,

114:10

>> que é insuficiente para tratar um défic

114:12

marcado.

114:12

>> Ah, mesmo assim é insuficiente.

114:13

>> Claramente se tiveres um défic de

114:14

vitamina D marcado com os 15 microg dose

114:17

diária recomendada, nunca mais vais

114:19

conseguir compor esse déficit de

114:20

vitamina D. Tens que dar muito mais do

114:23

que esses 15 microg. Portanto, e com a

114:25

maior parte das vitaminas e minerais

114:26

acontece o mesmo. Muitas vezes, se a

114:28

pessoa tiver receio de ter déficit e

114:31

minerais, temos é que perceber a causa,

114:32

porquê? não come hortícolas, não come h

114:35

determinado grupo de alimentos que é tão

114:36

importante para esta vitamina ou para

114:38

aquele mineral. E aí tentar compor do

114:40

ponto de vista alimentar parece-me muito

114:42

mais interessante do que estar a dar o

114:44

multivitamínico, até porque isso pode

114:45

levar alguma desresponsabilização na

114:48

parte alimentar. Sabes aquela ideia de

114:50

isto está garantido, portanto a sopa se

114:51

calhar não é assim tão importante se eu

114:53

estiver a tomar este multivitamínico.

114:55

Portanto, tenho assim uma uma visão

114:58

sobre o tema um bocadinho particular.

115:01

Pedro, estamos a ficar

115:03

mal habituados por porque em geral no

115:07

ocidente, não é? Que lá que estamos a

115:08

estamos a falar aqui de um privilégio h

115:11

nos alimentarmos tão bem. Ou seja, eu

115:14

imagino lá está a maneira como nós

115:17

vivemos durante milhões de anos como

115:19

caçadores, coletores e não só, em que

115:21

comíamos um ou dois tipos de coisa, não

115:24

é? E às vezes havia sazonalidade quando

115:27

era carne, quando era uma dieta quase só

115:29

à base de carne. Nem isso, nem a

115:31

sazonalidade havia. Hum, será que hoje

115:34

em dia somos menos resilientes a

115:38

momentos da nossa vida em que tínhamos

115:40

que ter uma dieta menos variada? Ou

115:43

seja, que vamos ficar mais doentes agora

115:44

formos acampar e só comermos sardinhas e

115:47

tostinhas durante uma semana?

115:50

H, não diria, porque eu acho que nós

115:52

também temos que ter aí carências também

115:55

nutricionais graves e também até

115:58

proteicas para que isso se calhar até

116:00

acaba por ter algum impacto h na nossa

116:03

saúde e no nosso sistema imunitário,

116:05

sobretudo isso. Eh, agora é lógico que é

116:10

gostamos sempre de se calhar tomar a

116:12

vitamina C para evitar um resfriado ou

116:14

tomar ali grandes doses de de de

116:17

vitamina D. Então isso na COVID a pessoa

116:20

eh se calhar achou-se que seriam

116:23

suplementos vitamínicos. Isso até chegou

116:25

a ir ao ao parlamento h eh de de um

116:29

líder político na altura de pedir, se

116:30

calhar, acho que foi uma baixa do IVA

116:32

para alguns suplementos vitamínicos na

116:33

altura do COVID. Pronto, também h com

116:36

uma certa influência, mas eh eu não

116:40

considero que nós estamos hh menos

116:44

resilientes desse desse ponto de vista.

116:47

Eh, estamos menos resilientes a nível

116:51

comportamental, certamente. E a nível

116:53

mental, isso sim, porque estando

116:54

habituados a a a outro tipo de conforto

116:58

e uma alimentação mais mais equilibrada,

117:01

h, e essa sensação de bem-estar pode,

117:05

basta às vezes isso pode-se encontrar em

117:07

algumas férias que que a pessoa pode

117:09

passar em alguns momentos, em alguns

117:11

retiros que pode fazer, a

117:12

disponibilidade alimentar não é tão

117:13

grande. sente-se falta, sente-se, se

117:15

calhar mais obstipação, sente-se ali uma

117:18

energia um bocadinho diferente por não

117:20

se estar a comer a mesma quantidade de

117:22

sopa, de fruta, de legumes, a se ter uma

117:24

alimentação assim tão tão tão

117:25

diversificada. H, até chegar ao ponto

117:28

disso desenvolver uma carência

117:30

nutricional marcada de alguns

117:32

micronutrientes, eh se calhar temos que

117:35

não é só em uma, duas semanas que isso

117:37

vai que isso vai acontecer. Eh, e

117:40

adicionando adicionando eh ali só uma

117:43

situação dos dos multivitamínicos que o

117:45

António estava a dizer, hh os

117:48

multivitamínicos eh ou ou a decisão de

117:52

incluir ou não, hh, pode depender também

117:55

de duas outras situações, que é a pessoa

117:58

está em défice calórico ou não, porque

118:00

se tiver em déficórico, logicamente que

118:03

a probabilidade de poder ter algum défic

118:04

nutricional é maior. Depois também se

118:06

está a treinar ou não. E se estando a

118:08

treinar

118:09

existe aí algum nível de fadiga que que

118:13

possa condicionar essa essa situação?

118:15

Hum. E às vezes quando se suspeita, se

118:18

nós fizermos mais ou menos elencarmos

118:22

aquilo que a pessoa mesmo num plano

118:23

alimentar restritivo está a comer,

118:26

eh, e o que em algumas vitaminas ou

118:30

minerais que possam estar mais em

118:32

déficit, eu se calhar posso não

118:33

suplementar de forma geral no

118:35

multivitamínico, especificamente, mas se

118:37

calhar em um, dois ou três mais

118:40

específicos. hh que se eu, por exemplo,

118:44

tiver eh eh dar um plano com alguma

118:48

restrição calórica e que eu não posso

118:50

abusar tanto na quantidade de frutos

118:53

gordos, na quantidade de cereais, na

118:54

quantidade de pão, logicamente que eu se

118:56

calhar não vou ingerir aquela quantidade

118:58

de magnésio que poderia ser ideal para

119:02

eh chegar à chamada dose de recomendada.

119:06

E e e como ele estava a dizer, do ponto

119:08

de vista de correção de défic, eu não

119:09

vou dar os 15 mg de ferro que faz parte

119:12

da dose era recomendada, tem que dar uma

119:14

quantidade ali a partir de 50, 80 ou

119:17

100. E no caso da vitamina D, exatamente

119:18

a mesma a mesma situação. No caso da

119:20

B12, exatamente a mesma situação.

119:22

>> Hã, e por isso a existir essa parte

119:25

multivitamínico que pode ser, tirando se

119:27

calhar às vezes até o o efeito placebo

119:29

que pode ter em alguns em alguns casos,

119:31

hum, é mais para corrigir algum eh não

119:36

tanto para corrigir o défic, mas para eh

119:40

não o défic que a pessoa tenha, mas o

119:41

défic que aquela intervenção nutricional

119:44

está a ter. Eh, claro que depois quando

119:47

estamos a falar em cas cirurgia

119:48

bariátrica em que houve diminuição da

119:49

capacidade de absorção de alguns

119:51

nutrientes, a isso tem que sempre que

119:52

acontecer em alguns em alguns casos. Hã,

119:56

e mesmo que se calhar ainda ainda iremos

119:58

falar aí de agora destes novos fármacos

120:00

que OK, se de facto a pessoa tem uma

120:03

grande redução do apetite e que isso faz

120:06

com que coma objetivamente menos, também

120:08

inserir essa questão do multivitamínico,

120:10

aí sim pode ser uma segurança, uma

120:12

segurança adicional. Já lá vamos esses

120:14

suplementos. Queria só fazer aqui a

120:16

pergunta de mecenas do dia que é da

120:18

Cláudia Azul que pergunta se existem

120:21

mesmo alturas do dia certas para certos

120:24

alimentos. Eu lembrei-me, por exemplo,

120:26

daquela frase, eu não sei dizer bem, mas

120:29

fruta. De manhã é uma bênção, à tarde é

120:33

não sei quê. Tu deves saber como é que

120:34

é.

120:35

>> De manhã é ouro. E à tarde prata e a

120:38

noite mata. Exatamente. Mas é sobre a

120:41

laranja. Exatamente. Era só laranja ou

120:42

não era frut? Em geral, isso tem alguma

120:44

alguma base científica? Não,

120:46

>> não tem, não tem. Eh, aliás, eh, é um

120:49

bom exemplo de como as coisas que se

120:51

dizia antigamente não são propriamente

120:52

adequadas, porque às vezes há aquela

120:54

ideia de quanto mais velho for um ditado

120:57

ou um conhecimento específico sobre

120:58

nutrição, mais valioso é, não. Menos

121:01

conhecimento tinham tinham na altura.

121:03

Eh,

121:04

>> mas muitas vezes bate certo, mas sim, ex

121:06

bate certo. HH E, e portanto é essa

121:09

questão que me estavas a perguntar sobre

121:11

o timing dos alimentos. Mais do que o

121:13

timing dos alimentos, pode fazer algum

121:15

sentido o timing dos nutrientes,

121:17

portanto, hidratos de carbono, gorduras,

121:18

proteína. Eh, em casos específicos, por

121:21

exemplo, no contexto desportivo, não há

121:23

dúvida absolutamente nenhuma de que o

121:25

timing de alguns nutrientes pode fazer

121:26

sentido. Por exemplo, no dia anterior a

121:28

uma prova, o jantar e ou a ceia vão ser

121:32

momentos importantes para encher o

121:33

fígado com com glicogénio, que vai ser

121:35

absolutamente fundamental na

121:37

performance. Agora, em alguém que é

121:39

saudável, que não é atleta, se calhar

121:42

não tem que se preocupar muito com o

121:43

timing, mas mais com a qualidade global

121:45

daquilo que que come.

121:47

>> Mas, por exemplo, não comer muito antes

121:50

de dormir, até porque dificulta o sono,

121:52

é essas coisas, mas aí já tem mais a ver

121:54

com o sono do que com a nutrição. Saúde.

121:56

Sim. Eh, e do que saúde no sentido

121:58

global de prevenção de doença e

121:59

longevidade e bem-estar. Eh, já é com

122:01

fator específico que é nutrição e sono.

122:03

Aí também podemos entrar, por exemplo,

122:04

no tema nutrição e sono e na questão da

122:07

cafeína. por exemplo, hh que pode ser

122:09

muito interessante sobre diferentes

122:11

prismas, mas a partir de certa hora para

122:12

muita gente vai impedir uma qualidade de

122:14

sono ótima e e portanto o timing aqui é

122:17

absolutamente fundamental. por exemplo,

122:19

>> mas por exemp por exemplo não se deve

122:22

comer 3 horas antes de dormir ou 4 horas

122:25

antes de dormir assim alguma guideline

122:26

ou

122:27

>> não há nada que eu diga a não ser esta

122:29

tendência e para a evidência à

122:31

cronutrição mostrar que uma grande

122:34

quantidade de alimentos, nomeadamente

122:35

ricos em hidratos de carbono, mais ao

122:37

final do dia, pode não fazer muito

122:39

sentido, a não ser que a pessoa treine

122:41

nesse horário. Portanto, tentar que os

122:42

hidratos de carbono não estejam

122:44

maioritariamente alocados na parte final

122:46

do dia. principalmente em quem for mais

122:49

sedentar e poder tirar daí e algum algum

122:53

partido.

122:53

>> Uhum. Então vamos lá falar do Ozenique.

122:57

E os Ozenique é o nome comercial, não é?

122:59

>> Qual é o qual a substância, o princípio

123:02

ativo? O

123:02

>> Pic é semaglutido, né?

123:03

>> Sim. E o Monjar tira-se batida.

123:06

>> Tira-se de patida.

123:07

>> H. Houve uma explosão de de vendas

123:10

destas substâncias, não é? São são

123:12

substâncias recentes ou houve só uma

123:13

explosão de mesmo de vendas? longar o

123:16

salv deve ser 2023 ou 2024 o é capaz ser

123:21

um bocadinho se calhar tem cinco ou se

123:23

anos o pique

123:24

>> e e dois o monjar do

123:26

>> exem muito recente mesmo. e funciona,

123:29

>> funciona.

123:30

>> Como é que funciona?

123:32

metabolicamente, bioquimicamente.

123:34

Ah, e o o Monjauro depois até tem ali já

123:39

duas

123:41

duas hormonas. Neste caso, não é só o

123:43

GLP1, também é o Jeep, o o Osampic é só

123:46

o GLP1, que no fundo são hormonas

123:47

produzidas pelo nosso estômago, que que

123:50

quase que simula o efeito do final de

123:52

uma refeição. São hormonas que nos dão

123:54

essa sensação de saciedade, que diminuem

123:57

a velocidade do esvaziamento gástrico e

123:59

por isso com essa administração, quer

124:01

não, quer noutro caso, é injetável e é e

124:04

é semanal, hh

124:07

o o nível dessas hormonas está alto o

124:10

suficiente para provocar essa diminuição

124:12

do apetite constante.

124:15

e até com alguns efeitos secundários,

124:17

como é normal, também são é por causa

124:19

deles que acabam por por resultar, que é

124:21

essa náusea, essa náusea constante. Ha,

124:25

e como tal

124:27

o o efeito que eles estão a ter é quase

124:29

um paradigma novo na, na, na questão do

124:32

emagrecimento que

124:35

que nunca nada anteriormente conseguiu

124:37

ter efeitos quer

124:39

semelhantes a a este. mesmo outros

124:41

fármacos que que se utilizavam

124:43

anteriormente nunca conseguiram ter um

124:45

efeito tão tão grande do ponto de vista

124:46

da da do emagrecimento. e eventualmente

124:50

no futuro ainda virão outros, menos um a

124:52

retratida que que se calhar ainda nestes

124:56

ensaios e iniciais que ainda não foi

124:58

aprovada, mas que se calhar e o futuro

125:00

ainda nos vai dar h fármacos ainda mais

125:04

potentes nessa diminuição do apetite,

125:06

ainda ali com mais um outro composto que

125:08

até pode ajudar na manutenção da própria

125:10

da própria massa muscular. H, e sim, eh,

125:14

vamos ter aí um um armas que não

125:18

tínhamos a ao nosso dispor, porque a

125:20

questão da intervenção comportamental e

125:21

nutricional é importante e vai ser

125:23

sempre importante, mas se não houver

125:26

nada, se calhar ali que que mais a médio

125:29

longo prazo, porque às vezes a curto

125:30

prazo uma

125:33

uma dieta ou reeducação alimentar pode

125:35

ter mais ou menos efeito, mais ou menos

125:37

hh eh um efeito mais ou menos marcado do

125:41

ponto de vista do emagrecimento, só que

125:42

depois

125:44

a partir dos 3, 6 meses, 9 meses, 1 ano,

125:46

eh é sempre normal que se existe aí

125:49

algum reganho de peso. Eh, mas também

125:52

está tudo um bocadinho h numa fase

125:54

inicial a perceber também até que ponto

125:56

é que esses fármacos, qual é a duração

125:58

ideal para para para a sua utilização.

126:02

HH is depois até já é uma conversa mais

126:04

para endocrinologista do que do que

126:06

nutricionista. Agora, para nós, enquanto

126:09

nutricionistas, também está a ser uma

126:11

aprendizagem, a forma não só

126:14

nutricional, mas também comportamental

126:16

de de de utilizar aí essa essa questão

126:20

dos dos fármacos para tentar

126:23

que em ambos os casos se calhar não seja

126:28

uma forma quase uma espécie de uma bomba

126:30

atómica para por resolver uma discussão

126:33

de trânsito ou de condomínio, porque há

126:34

muitas pessoas que objetivamente acabam

126:36

por utilizar nesse nesse sentido que lei

126:38

menor esforço e e para perder uma

126:41

quantidade pequena de de de quilos, ou

126:44

seja, para o verão, para outra situação.

126:46

E por outro lado, porque também existe

126:48

ainda sempre algumas

126:50

eh

126:52

alguma vergonha de outras deoutras

126:54

pessoas, se calhar até aquelas que mais

126:56

que mais que mais precisam. Eh, e algum

126:59

preconceito com a utilização e e alguma

127:01

teimosia também de não eu, mas eu tenho

127:03

de conseguir por mim e não quero ajudas

127:06

e não quero utilizar a medicação. HH

127:09

pronto. E e também para nós acaba por

127:11

ser um bocadinho uma eh uma experiência

127:14

nova, um conhecimento, tentar gerir

127:16

gerir isso da melhor forma.

127:18

Mas não será também eh uma boa ideia

127:24

tentar motivar as pessoas a perderem o

127:26

peso sem ter que recorrer essas

127:28

substâncias, António,

127:30

>> em teoria, claramente. Aliás, é o que

127:33

nós temos feito nas últimas décadas, nós

127:34

nutricionistas. A, o problema são os

127:36

dados e aliás eu acho que isto é pouco

127:38

dito

127:39

porque vende pouco nas redes sociais,

127:42

mas as nossas taxas de sucesso, e quando

127:45

digo nossas não são as minhas e as do

127:46

Pedro, são as dos nutricionistas no

127:49

geral, quando tentam mudar determinado

127:51

estilo de vida e estilo alimentar, as

127:53

nossas estatísticas são muito

127:54

deprimentes naquilo que é o sucesso a

127:57

médio longo prazo, porque de uma

127:58

primeira para uma segunda consulta,

128:01

admito que a taxa de sucesso é bastante

128:02

elevada, mas eventualmente numa quarta

128:05

ou quinta consulta, alguma coisa vai

128:06

acontecer na vida daquela pessoa, seja

128:09

um problema familiar, profissional, umas

128:11

férias, umas festividades, hh que

128:14

levaram a um descontrole daquilo que era

128:15

a rotina e de repente aquele peso que

128:17

tinha sido perdido com tanto esforço, em

128:20

pouco tempo voltou àquilo que era. Eh, e

128:22

portanto isto é uma luta quase em glória

128:25

da nossa parte, porque sabemos que

128:26

claramente esse seria o melhor caminho.

128:28

Primeiro, porque a mudança no estilo de

128:30

vida, para além daquilo que é o

128:32

emagrecimento per si, traz benefícios

128:35

extra. Portanto, não é só o

128:36

déficerético. E, portanto, e com a

128:39

utilização destes agonistas de GLP1,

128:42

temos que ter também cuidado, que não é

128:43

só o comer menos, mas também aquilo que

128:45

comem quando comem para garantir máximo

128:47

benefício. Mas realmente é é triste a

128:50

taxa de sucesso que conseguimos ver.

128:52

Aliás, a a maior parte dos estudos que

128:54

tenta chegar a um valor diz-nos que

128:57

pessoas que perdem uma quantidade de

128:58

peso relevante, ou seja, superior a 10%,

129:01

e a mantém nos 5 anos seguintes é

129:04

inferior a 20%. Portanto, é muito baixo,

129:07

muito baixo. Ainda que sim,

129:09

naturalmente, esse seria o caminho que

129:10

todos nós gostaríamos de recomendar e e

129:14

de conseguir.

129:15

>> E quais é quais é que são os perigos do

129:16

do Ozenique e e destas substâncias que

129:19

fazem a o atalho?

129:22

>> Eh, ainda são fármacos relativamente

129:24

recentes e, portanto, pode ser difícil

129:27

ter uma posição muito sólida sobre

129:29

aquilo que são eventuais efeitos

129:30

secundários. Eh, de longo prazo, pelo

129:32

menos. eh à partida parecem seguros

129:35

nesse aspecto. Eh, no curto prazo os,

129:38

neste caso aqui os efeitos secundários

129:40

são mais de foro digestivo. Portanto,

129:41

esta ideia da náusea, do enjoo, eh de

129:44

uma falta de apetite muito grande, eh

129:45

alguns vómitos, alguns distúrbios

129:47

intestinais também eh em algumas pessoas

129:49

mais sensíveis. Portanto, isto não

129:51

ocorre em toda a gente, até porque são

129:54

fármacos que permitem ir doziando. Eh, e

129:57

este dozeamento não é só feito com base

129:59

no resultado do peso, mas também com os

130:01

efeitos secundários que se vão que se

130:02

vão sentindo. HH e e portanto desse

130:05

ponto de vista, eles estão bem

130:07

relatados. A longo prazo é um bocadinho

130:09

mais difícil. É mais difícil. No

130:11

entanto, temos que pensar também de

130:12

outro prisma que é quais seriam os

130:15

malefícios de manter um peso

130:16

extremamente elevado em alguém com uma

130:18

obesidade marcada, por exemplo, uma

130:20

obesidade mórbida. E nesses casos nós

130:22

temos três soluções, parece-me a mim. H,

130:25

manter-se como está, fazer uma

130:28

bariátrica ou optar por fármacos deste

130:31

tipo. E depois há a quarta

130:32

>> bariátrica é o o

130:33

>> a bariátrica há diferentes tipos, mas

130:36

tem a ver com a redução do tamanho do

130:37

estômago de uma forma muito global. Eh,

130:39

e é sim, isso sim, são procedimentos com

130:41

impactos a vários níveis, nomeadamente

130:44

na saúde mental, brutais, que a partida

130:47

não estarão, pelo menos nessa magnitude,

130:48

neste tipo de fármacos. E, portanto, é

130:50

menos invasivo eh a utilização deste

130:52

tipo de fármacos do que a cirurgia

130:54

bariátrica. Claro que o quarto caminho

130:56

que eu nem sequer aqui pus era mudar o

130:58

estilo de vida, ir por aqui fora, mas e

131:00

da teoria à prática vai um caminho muito

131:02

longo.

131:03

>> Obesidade mórbida. Claro que que faz

131:06

todo sentido e fazer essas coisas, mas

131:09

para alguém que quer perder uns quilos

131:11

para o verão, não sei, a mim,

131:12

>> claro, mas isso é outro tema estranho,

131:14

sabes? Eu sinto como um bocado um uma se

131:18

fosse um diabinho que nos vem vender um

131:21

uma estás a perceber, uma coisa

131:22

brilhante que é uma batota e que não é o

131:25

ideal para nós, é um atalho.

131:27

>> Sim, mas isso aí e agora já há muitos

131:29

memes nas redes sociais sobre isso, que

131:31

é quando era a vacina de COVID, a pessoa

131:32

dizia: "Mas isto é seguro, mas não sei

131:34

quê". E agora se calhar com a com a com

131:38

estes injetáveis, seja com Monjauro,

131:40

aquilo até pode vir de um laboratório

131:42

quase de vão desescada, é para

131:43

emagrecer, então vamos embora porque

131:45

parte estética,

131:46

>> a parte estética, sim, e existem até

131:49

alguns casos depois aí também das

131:50

pancreatidos, pronto, que é uma coisa

131:51

que também ainda está ainda está eh que

131:54

que são precisos mais mais

131:56

>> mais anos para se perceber um bocadinho

131:58

essa essa essa essa influência e esse e

132:02

e esse efeito secundário que até poderia

132:03

ser eventualmente o mais o mais grave de

132:05

todos. hh mas sim, eu acho que neste

132:08

neste momento nós temos que que nos

132:11

colocar eh aqui num numa certa dose de

132:18

de ajuda, de compreensão, de empatia,

132:20

que é hh claro que alguém ainda por cima

132:24

quando antes existia ali aquela questão

132:26

do Ozon Pique, seja pela questão da

132:28

comparticipação, seja pela questão da

132:30

pouca disponibilidade do fármaco, aí se

132:32

calhar até existiram questões mais

132:34

éticas um bocadinho mais fortes.

132:36

Neste momento é tão simples como tenho a

132:38

prescrição, tenho o dinheiro, porque não

132:40

são propriamente coisas tão baratas e

132:42

faço. H, e logicamente que as pessoas

132:45

que o fazem quase como uma espécie de

132:48

atalho ou desse dopping, porque não o

132:50

precisariam de fazer e conseguiriam

132:51

escalar por outro por outro caminho, eh,

132:54

não são aquelas que me preocupam. as que

132:55

me preocupa são aquelas, como já disse

132:57

anteriormente, que

133:00

eu nunca recomendei nada, aliás, e e

133:04

perguntavam-me

133:05

n de vezes alguma coisa para emagrecer,

133:08

alguma coisa, algum suplemento, algum

133:09

termogénico, alguma coisa. E eu sempre

133:11

fui contra isso porque sabia que também

133:13

não havia nada que resultasse, nem se

133:14

fosse cafeína, chá verde, isto ou

133:16

aquilo. E neste caso, em algumas

133:19

pessoas, inclusivamente até algumas

133:20

delas até da própria área da saúde que

133:23

tem sempre esta reticência e este

133:25

preconceito, não, mas eu vou lá chegar

133:26

por mim. E e são várias consultas que

133:31

parte até da minha parte, podemos dar

133:33

uma oportunidade a isto.

133:35

Porque eu já sei de outros casos que é

133:38

assim um game changer, pessoas que

133:40

estavam ali e conseguimos estava ali uma

133:42

consulta, segunda consulta corria bem,

133:43

depois na segunda anos perdia tanto a

133:45

terceira aquilo estabilizava e depois lá

133:47

como estava a dizer vinha umas férias,

133:49

um Natal, uma situação qualquer e depois

133:50

já aumentava e depois se calhar passado

133:53

um ano, 2 anos, 3 anos, os valores iam

133:55

sempre baixando um bocadinho, é verdade,

133:57

mas depois com tantos retrocessos que

133:59

iam existir no caminho, do ponto de

134:00

vista mental mesmo, era uma coisa

134:03

massacrante. voltar a abordar a pessoa,

134:06

voltar agora voltei a aumentar peso.

134:08

Estávamos ali em duas, três consultas,

134:09

estavam a correr bem e agora só numa eu

134:12

em dois meses consegui deitar por terra

134:15

algo, uma quantidade de peso e de volume

134:16

de gordura que tinha demorado meio ano a

134:19

um ano a perder. Ou seja, voltar a

134:21

começar isso tudo do zero

134:23

>> é uma coisa que e depois muitas vezes

134:25

que abandonavam as consultas, que

134:27

existiam mesmo do processo, porque eh

134:29

não é fácil de de de gerir. E nesse caso

134:32

hh é algo que tem que que que veio mudar

134:36

por completo o paradigma e que que é uma

134:38

situação que tem que ser bem usada a

134:40

todos os níveis, por parte de quem

134:41

prescreve, por parte das pessoas que

134:42

também o procuram. Hã,

134:45

porque lá está, quem quem utiliza isso

134:47

como um atalho, se calhar

134:49

eventualmente, como antes se podiam

134:51

fazer as dietas cetogénicas, as dietas

134:54

de líquidas, as aqueles processos antes

134:56

do verão, faço esta dieta para perder 3

134:59

ou 4 kg antes do verão, chamadas, que

135:01

não são bem as dietas que são io eram

135:03

mais as pessoas que que eram yoyô,

135:05

porque procuravam sempre isso em vez de

135:07

ser uma coisa que sedimentava mais esses

135:09

hábitos alimentares, mudavam estilo de

135:11

vida, treinavam com mais alguma

135:12

regularidade e E para isso isto vem a

135:15

tornar o percurso eh muito mais rápido e

135:17

muito mais muito mais direto.

135:20

>> Bem, estamos aqui a bater todos os

135:22

recordes, são 11 da noite. H, vocês

135:25

trouxeram podem falar brevemente do

135:28

vosso livro mais recente e e mostrar

135:31

mostra para aquela câmara, fala um

135:32

bocadinho.

135:33

>> Eh, bom, eh, tu na introdução disseste

135:36

que eu tinha escrito vários livros. Dois

135:38

são vários, não sorte.

135:41

erado.

135:41

>> Este foi o primeiro que que lancei há

135:43

dois anos, chama-se Muito Mais do que

135:45

proteína e é é um livro sobre nutrição e

135:47

desporto, portanto nutrição para quem

135:49

pratica exercício. A, e mais

135:51

recentemente, e aqui utilizamos esta

135:53

ideia do título alinhado com o anterior,

135:56

o Muito mais do que calorias, que é um

135:58

livro científico sobre emagrecimento e

136:00

saúde e que eu tentei que viesse trazer

136:03

algo de novo àquilo que era um universo

136:05

já muito povoado do ponto de vista da

136:08

literatura para o emagrecimento, com a

136:10

parte da ciência que muitas vezes

136:11

faltava e acredito eu e espero eu de

136:14

alguma sensibilidade clínica que os

136:16

últimos anos me trouxeram. Eu não posso

136:18

dizer que tenho quatro décadas de

136:20

experiência, mas mas quase 1:30 já acabo

136:24

por somar. Portanto, e este é acabadinho

136:27

de lançar, aliás, ao dia em que gravamos

136:29

ainda não foi lançado, mas quando o

136:30

virem já já estará já estará nas bancas.

136:33

>> Boa, obrigado. E tu, Pedro, tens aí

136:35

algum recente também?

136:36

>> O meu, este é muito recente, tem 10

136:38

anos,

136:40

já é 2016. Ambos chamam os mitos que

136:43

comemos. Este, os mitos que comemos.

136:46

Eh, e tal como a capa indica na altura,

136:48

foi na altura do dos laticínios do

136:49

gluten e por isso foi muito focado sobre

136:52

esses dois, mas com muitas outras

136:54

coisas.

136:54

>> Aquela

136:55

>> é minha. Pronto. OK. Então esta aqui o

136:58

primeiro e depois este os novos mitos

137:00

que comemos comigo com mais assim uns 10

137:03

kg na capa também porque isto foi

137:05

fotografado mesmo no pico do covid e por

137:07

isso não só do que em relação a este,

137:09

mas quase em relação ao que eu tenho

137:11

agora também. Hum. e que já foi lançado

137:14

em em 2021 e por isso também já já faz

137:17

assim 5 anos. E a lá está, a nutrição

137:20

vai vai evoluindo, vai desenvolvendo. H,

137:23

mas a minha opinião em relação a estes

137:25

mitos,

137:27

sendo já ou há 10 ou há 5 anos,

137:29

mantém-se praticamente a mesma, se

137:31

calhar com algumas referências mais

137:33

desatualizadas, mas a mensagem do livro

137:35

mantém-se intacta. E permite-me só que

137:39

que diga uma coisa curiosa, que no outro

137:40

dia fhei o teu primeiro livro e achei

137:43

curioso que me envelheceu bem. Ou seja,

137:45

eh, passaram 10 anos, mas de facto a

137:47

ciência não muda, eh, não inverte, não

137:49

é, esta ideia de se tivermos uma

137:51

abordagem, eh, enfim, que tenha aqui

137:54

algum bom senso em espírito crítico eh e

137:57

e que não não sejamos convencidos pelo

137:59

primeiro artigo que nos ven a dizer o

138:00

contrário, as coisas têm tendência a

138:02

envelhecer bem e é curioso como foi o

138:04

que aconteceu, ainda que pudesse num ou

138:06

noutro tema não ter não ter acontecido.

138:08

Sim, com certeza que hoje foram ditas

138:11

aqui coisas que daqui a 5, 10 anos já

138:14

não estão atualizadas.

138:16

Sim, não sabemos. Bem, pessoal, isto foi

138:18

mesmo um privilégio. Hum, eu eu tenho

138:22

mesmo muita sorte de de ser anfitrião

138:24

deste podcast, porque, pá, vocês são os

138:28

dois mesmo grandes craques no que fazem

138:30

e ter este privilégio de de tirar estas

138:34

dúvidas convosco é é mesmo uma sorte,

138:37

principalmente a esta hora.

138:39

Eh, por isso queria vos agradecer,

138:41

agradecer mais uma vez terem vindo e

138:43

pronto, daqui a se calhar uns anos ou um

138:46

ano podemos voltar a falar. Obrigado.

138:49

>> Obrigado.

138:49

>> E vocês aí em casa, por favor, não fujam

138:51

já. Se tiverem aprendido alguma coisa

138:54

aqui hoje ou noutro episódio e quiserem

138:56

apoiar este projeto, que é um podcast

138:58

totalmente independente, contemplem

139:00

tornar-se cenas e permitam que eu possa

139:03

continuar a ter este privilégio de

139:04

aprender em direito e levar-vos comigo

139:07

nestas aventuras de aprendizagem. Senão,

139:10

comentário, subscrição, like, isso

139:11

também ajuda tudo. E se não, amigos na

139:14

mesma. E obrigado. Até a próxima.

139:16

Obrigado, pessoal. Muito obrigado.

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