#109 ANTÓNIO PEDRO MENDES & PEDRO CARVALHO - Nutrição, Proteína, Colesterol, Jejum, Testes genéticos
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O ovo numa quantidade moderada é um
alimento bastante neutro e do lateral o
ovo como um alimento extraordinário
mostra-me ciência porque eu não não
encontro.
>> Colesterol é uma farsa? Não, não é uma
farça. Claro que ele é importante para a
produção hormonal e para muitas outras
coisas. Portanto, é fundamental que nós
o produzimos.
>> A pessoa traz o que eu viu no TikTok. Eu
dou-lhe uma resposta validada pela
ciência. Tento efetivamente trazer uma
mensagem assertiva sobre o tema, mas eu
não tenho a certeza que a pessoa vai
embora convencida de que eu é que tenho
razão e não o fulano que tem 2 milhões
de seguidores no Instagram está a
contribuir com ruído para aquilo que é o
mundo da nutrição.
>> Não há assim tantas bebidas vestais que
sejam mesmo light nesta verdadeira
exceção da palavra e que sejam pelo
menos equivalentes ou próximas daquilo
que é o leite magro. Não podemos tratar
uma refeição pré-treino de um treino de
pilates com uma corrida de uma hora à
grande intensidade. Não temos hipótese,
não faz sentido.
>> Muito boa noite, se Deus quiser. O meu
nome é Tomás Magalhães. Sejam bem-vindos
a mais um episódio de Despolariza. Antes
de arrancarmos, quero agradecer aos
novos mencenas Pedro Teixeira, Safe
Journey, João Lourenço, Filipe Melo,
Lindo Saúde, Margarida Costa, Sandra
Miguel, Maria Henriques, Joana Ramos e
André Castro. Muito obrigado a estas
pessoas que apoiam o despolariza. Em
troca ganham acesso a conteúdo
exclusivo, poder sugerir perguntas, um
grupo de WhatsApp, jantares, fins de
semana, uma data de coisas. Se tiverem
interessados, há um link à minha volta e
outro na descrição. E hoje vamos falar
sobre nutrição, quer queiram emagrecer,
engordar, ganhar massa muscular ou só
aprender um bocadinho mais sobre
nutrição. Eu acho que de certeza
absoluta que vão aprender aqui qualquer
coisa hoje. E estou muito entusiasmado
por conversar com Pedro Carvalho,
nutricionista clínico. já foi
nutricionista do Futebol Clube do Porto
e é professor de nutrição na
Universidade Católica, autor de vários
livros na área da nutrição e António
Pedro Mendes, nutricionista clínico e
desportivo, atualmente nutricionista de
Sporting e também autor de vários livros
sobre nutrição. Bem-vindo, pessoal.
Obrigado.
>> Muito obrigado.
>> Vocês e são sendo do Porto, deu para
gravar aqui o primeiro episódio noturno
do Despolariza, como estavas a dizer no
início, deu para mandar o primeiro boa
noite, se Deus quiser.
Então, temos muito para falar,
provavelmente não vamos ter tempo para
falar de tudo, mas vamos tentar. E eu
pensei que se calhar a melhor maneira de
fazer este episódio era
havia muitas maneiras de fazer isto, mas
começar assim do mais geral, ou seja,
dicas mais de saúde e falar sobre
alimentos específicos e depois tivermos
tempo mais para o fim, tentar
especificar sobre objetivos de
emagrecimento, objetivos de massa
muscular e por aí fora. Portanto, dentro
dos alimentos mais consumidos assim
pelas famílias portuguesas, quais é que
vocês acreditam que são os mais nocivos?
Ou seja, aquele alimento ou aqueles
alimentos que mais gente consome e se
calhar não deveria consumir?
>> Bem, a lista é longa, eh, mas se tivesse
assim, há queima roupa que tirar alguns,
possivelmente é assim aquele aquela
grande palavra, não é? ultra processados
de uma forma global. HH portanto
produtos de pastelaria, hh bolachas com
bastante açúcar e gordura adicionada, eh
produtos com frituras também a
temperaturas muito altas e aqui as
batatas fritas são um bom exemplo e
processados à base de hfrigerantes
açucarados e portanto eu acho que formam
aqui uma uma boa tríade de alimentos a a
evitar numa base diária.
Alguma coisa?
Hum, completamente de acordo. Acho que
tudo aquilo que acumule uma grande
quantidade de gordura, uma grande
quantidade de sal, h, e esses produtos
processados, eh, e os sapatos
salgadinhos e coisas que os lanches,
alguns folhados, eh, com também grandes
quantidades de carne vermelhas e carnes
processadas, eventualmente estão aí no
no topo. Pois, a seu tempo se calhar
iríamos falar do álcool também e da
forma de o enquadrar num num consumo
equilibrado, mas dentro daqueles que se
calhar fazem parte de de de um consumo
que não se espera diário, esses podem
ser que aglomeram
quase esses três ingredientes de carnes
processadas, de sal e dessas gorduras
mais saturadas e trans que estão assim
no no topo daqueles constituintes que
são um bocadinho mais nocivos para para
a nossa saúde. Eh, portanto, enchidos e
chouriços e fiambre eh, incluem nessa
categoria.
>> Claramente, claramente. Claro que dentro
dos ultraprocessados nós eh de à base de
carne podemos depois fazer aqui quase um
ranking, dependendo, por exemplo, da
quantidade de sal que tem. H, não vou
entrar na questão do número de
ingredientes, porque o susto só pelo
número de ingredientes também me parece
ocasionalmente falacioso na análise de
alguns alimentos, mas o facto de terem,
por exemplo, um processo de fumagem, eh,
também tem ali alguns compostos e
procarcinogénicos e que poderão ser de
evitar e e a quantidade de sal também.
Portanto, estes três fatores, não é? A
quantidade de ingredientes e ainda que
isso possa levar a algumas falácias, o
sal e a questão da da parte da fumagem
podem ser relevantes. Sim. Uhum. Vocês
comem fiambre?
>> Não é um alimento que eu consumo
diariamente. É uma coisa muito ocasional
quando às vezes e pode estar presente.
Eu eu por acaso nem até não adoro comer,
mas nem sou muito franinhas, nem nem
tostas mistas, mas é uma coisa que às
vezes pode acontecer fora de casa. em
casa é raro e quando o faço até porque
também voltem meio recomendo, quando as
pessoas já estão normalmente habituadas,
a uma fonte de proteína e com uma boa
uma baixa quantidade de gordura, não
sendo um alimento fantástico, hoje em
dia também já temos opções com menos
sal, com percentagens de carne, que
também já vem na lista de ingredientes e
que já anda ali acima de 70 80% de
carne. Não são muitas, mas ainda assim
não diria para um consumo diário, mas um
consumo ocasional também não acho que
seja uma coisa que faça assim um grande
problema.
>> OK. Pois, se calhar eu que cismei um
bocado com o Fiambre porque eh sei lá na
na nossa cultura eu sinto que Fiambre tá
lá sempre, não é? desde pequenino, nas
tostas mistas e em todo o lado e só
relativamente tarde, já pá, há 10 anos é
que me apercebi que espera aí isto é uma
isto é uma fatia de misturada de várias
carnes com não é com edulcorantes e
outras coisas para dar sabor. É no fundo
uma salsicha gigante, não é? Um um
fiambre.
>> Sim,
>> a maior parte dos fiembros. a maior
parte, ainda que, pronto, como o Pedro
disse, haja versões bastante mais eh
posso-lhe chamar inócoas, talvez, eh,
mas lá está, mas não faz do fiambre de
nenhum tipo um grande alimento. Eh, a
questão é que e acredito que falaremos
disto, não temos só de escolher grandes
alimentos, não é? Aquela ideia de se
tivermos que dar de um uma nota de z0 a
10 a todos os alimentos, nós não podemos
só incluiros de oito para cima. Acho que
faz sentido aqui também pela questão do
prazer e de alguns objetivos
nutricionais que possamos ter a
incluí-los. A, estava-me aqui a lembrar
dos iogurtes proteicos, h, que muitos
deles, ou até os pudins proteicos,
mussos proteicas, podem ser bastante
processadas, mas podem ter um interesse
nutricional específico se o objetivo com
alguém for aumentar a ingestão proteica
e aquele for caminho que vai funcionar
no dia- a dia dessa pessoa, não é?
Então, avaliar o alimento versus como
enquadrá-lo e com frequência, depois
também tem aqui um um caminho sinuoso
que até para nós nutricionistas, não é,
eh, pode não ser tão fácil assim dar uma
resposta muito direta. Claro, mas o
chouriço, por exemplo, que é, eu adoro
chouriço, h, e é das coisas que dá mais
sabor às nossas, não é, à jardineira e a
muitas comidas portuguesas, h, é um dos
piores alimentos, ou seja, é, é uma das
piores carnes que podemos comer.
>> Mas eu acho que aqui o pior tem tudo a
ver com a dose com que se consome. Se tu
colocares uma rodela de chouriço no
refogado para dar sabor a uma refeição
inteira, uma grandes quantidades, é algo
que não que não vai. Se comeres uma
rodelazinha de chouriço no arroz de
pato, é uma coisa que ocasionalmente não
vai ter aí nenhum nenhum problema. h, se
eh comeres presunto diariamente, se
inserires esse esses enchidos com uma
grande frequência na tua alimentação,
como é lógico, acaba por ser eh muito
complicado, tu conseguires ter daí algum
o benefício sensorial, tu acabas por ter
sempre, como é lógico. Agora, hã, há
quase uma tradição que existe muito no
Porto ou no Norte, que é nos
restaurantes à quarta-feira, é o dia de
cozido, normalmente no prato do dia.
>> Hã, claro que se tu comeres cozido todas
as semanas, todas as quartas-feiras, hh,
porque ainda por cima é uma quarta, se
for às vezes um domingo uma refeição em
família, uma vez pode ser cozida, outra
vez pode ser cabidela, outra vez pode
ser vitela assada ou cabrito, vais
variando aí um bocadinho. E estes
venenos bons gostos. Esta lista vê-se
mesmo aqui do norte.
>> Agora sim, claro.
Por isso, hum, eu acho que tem tudo a
ver com as quantidades com que se com
que se ingere. HH porque sim, todo toda
essa gama de alimentos já mais fumados,
mais processados, com mais gorduras
saturadas, também com mais sal para
serem serí uma base diária. É algo que
não faz sentido se for numa base
semanal. Eh, e depois também depende a
margem que eu tenho para inserir estes
estes alimentos na minha vida, que é
tenho excesso de peso, não tenho, eu
treino, não treino, eh, como uma boa
quantidade de fruta e legumes, não como,
faço exercício, não faço exercício. Ou
seja, há pessoas que têm mais crédito,
mais margem para comer um bocadinho
mais. Há outras que se calhar também por
causa disso é que têm esses valores um
bocadinho mais mais altos, seja do peso,
da cintura, gordura visceral, como
é lógico que nesses casos também foi por
talvez terem comido esse e outros
alimentos que que que chegaram a esse
valor, a margem acaba por ser um
bocadinho mais reduzida. Agora, não o
conceito de maus alimentos ou péssimos
alimentos ou alimentos proibidos, que é
uma coisa que às vezes o mundo da
nutrição e cresceu a ouvir, de listas de
alimentos proibidos, entregues em
consulta, que são coisas que não fazem e
sentido rigorosamente nenhum. Hum, só é
uma coisa que que por um lado não faz
sentido do ponto de vista, porque todo
acaba por ser
incluído ou incluível eh em em alguns
momentos. Hum. E e é pior forma até de
criar empatia com alguém que está do
outro lado é é no final de uma consulta
antes de uma consulta dizer e e este
alimento, seja ele qual for, a pessoa
vai ter que o cortar eh de alto a baixo.
Ou seja, nem sequer há uma margem para
colocar, seja ao fim de semana, seja
noutro momento qualquer. Agora, lá está,
tal como eu disse anteriormente,
os enchidos a acabam por estar nesse
nesse grupo dos piores alimentos eh
pelos constituídos que têm, agora que
têm que ser incluídos de uma de uma
quantidade muito pequena e que podem
continuar a serem ingeridos, como é
lógico.
>> Claro. Então, se calhar para o resto da
conversa vamos assumir que nada em
demasia nada em pouca quantidade é mau.
Eh, e que depende desses fatores todos,
mas para não termos estar sempre a dizer
isso e falamos mais à vontade, eh,
dizemos isso uma vez e foi feito o
disclaimer. Exatamente.
>> Não é fácil. Mas então vais-me deixar
complementar um porque o Pedro disse uma
coisa interessante que foi a questão de
>> qual é a tua alimentação no restante
dia, não é? Quantas peças de de
hortícolas e de fruta tu estás a a
consumir, quantas porções para enquadrar
esse bocadinho de chouriça. E ele falou
na questão do cozido. Imagina alguém que
me pega assim num, sei lá, em 40 ou 50 g
de choriço e pergunta: "Isto é
interessante?" Não. E a pessoa depois
começa, pega na, mantém a chouriça e
começa a acrescentar meio prato de
repolho, duas cenouras cozidas, um
bocadinho de frango e um bocado de arroz
branco e diz: "Isto é interessante, não
está mal. Esse prato já não está mal".
Portanto, é o enquadramento global da
refeição e do dia e já agora, dos meses
e dos dias que se seguem. Portanto, hh
está feito. Prometo não voltar a
dizê-lo, mas mas é importante isto. É
importante. Sim,
>> sim. E é e é super interessante porque,
pá, é difícil te demonizares a rodela de
chouriz que está no caldo verde, não é?
Aquela rodela, mas é mais fácil
dominizar alguém que chega a casa todos
os dias e fica a ver televisão a comer
um chouriço.
>> Não há dúvida,
>> uma bucha de chouriço, não é? Sim,
>> eu demonizo mais o vegan que não como
chouro do cal ver.
>> Eu eu um dia quero fazer uma lista dos
restaurantes portugueses que ponho duas
rodelas de choriço e no caldo verde. É
um sinal de uma boa casa, não é? Não
estão a não estou a poupar no chorizo.
Eh, falaste um bocado dos refrigerantes,
por isso vamos responder à questão que
toda a gente em casa quer que eu faça,
que é Coca-Cola Zero, Coca-Cola normal.
H já toda a gente já ouviu dizer que ah
não, Coca-Cola ainda faz pior do que o
normal porque tem as partes em vez de
açúcar. H, como é que é? Qual é a
evidência mais recente sobre isto?
>> Bem, hh, começo por, por dizer que não
estamos a, no fundo aqui nesta
comparação, não estamos a dizer que
algum deles vai ser interessante.
Podemos, se calhar, dizer qual será o
menos impactante do ponto de vista
negativo, não é? Eh, e aqui eu não tenho
grandes dúvidas, eh, que a cola zero ou
o refrigerante zero vá ser mais inóco do
que aquilo que é um um refrigerante
açucarado. Eh, acho que eu não tenho
dúvidas, o Pedro não terá e e muitas
vezes até se ouve. Eh, em algumas
situações a cola zero será melhor que
uma cola normal. Depois eu tenho a
dificuldade em ver quando é que a cola
normal é melhor que a zero, a não ser,
por exemplo, num ciclista que vá fazer 4
horas de bicicleta e queira aumentar
hidratos de carbono para conseguir ter
rendimento. E aí a cola normal é melhor
que a zero. Agora, por questões de
saúde, acho que não há margem na
literatura científica para dizer o
oposto daquilo que eu disse. Não, não me
parece que eh as alegações que às vezes
vamos ouvindo tenham eh uma sustentação
mínima neste momento, com base na
ciência publicada, para sequer duvidar
de que um refrigerante zero é muito
melhor do que um refrigerante normal.
>> Quais são os riscos que as pessoas que
costumam apontar aos ao Spartam ou essas
substitutes de açúcar?
O os riscos que por norma costumam
apontar é terem visto uma notícia no
Instagram ou nos míia a dizer que a OMS
declarou que subiu um nível de risco e
uma classificação de risco sobre alguns
alimentos ou ingredientes. H e e o risco
de cancro que que existe. Existem quatro
níveis pelo menos e o aspartam subiu um.
Hum.
Depois é sempre um bocadinho difícil ler
as letras pequenas ou ler o relatório
completo, ver, mas isto é exatamente o
quê? E foi em evidência animal, foi em
evidência em humanos? Eh, e que tipo de
cancro é quais são as quantidades que
nós estamos aqui a falar? Qual é que é a
dose diária recomendada? Não é dose
diária recomendada, mas o AD, ou seja, o
acceptable da intake, a dose aceitável
de área de inestão para eh onde se
percebe que não há risco nenhum hh
relativamente ao ao aspartam, porque
depois está em miligram por kg, como é
que se faz a desconstrução?
E tendo em conta que cada lata até pode
ter aí, sei lá, 200, 300 mg de de de de
aspartame. Nós tínhamos que ver o
equivalente, depois de pendeos
refrigerantes. Há uns que até nem têm,
têm outros idolcorantes, nós tínhamos
que ver o equivalente a 9 a 14 latas por
dia de um refrigerante e para chegar a
esse valor. Isso numa base diária. Por
isso, quando nós a partir daí vemos que,
OK, se eu beber uma lata por dia e que
nem sequer pode ser em todos os dias, h,
o risco que vai acontecer é é
praticamente nulo.
Eu, como tenho uma visão até bastante
hum
não quero chamar benévola, mas uma visão
até mais clínica e de um certo de uma
certa forma mais humana em relação a
estes a estes e eh não a todos os
alimentos processados, mas sobretudo em
relação àqueles que levam que levam os
idolorantes. a nós acharmos que alguém,
sobretudo alguém com a obesidade que já
tem uma predisposição nor maior, h, mais
ou menos genética para o sabor doce,
achar que alguém com essas
características vai ficar bem ingerindo
alimentos sem sabor nenhum,
sem açúcar, mas também sem adantos. Ou
seja, eu não posso beber uma cola, uma
Coca-Cola porque tem açúcar, mas não
posso beber uma cola zero porque tenho
adantes. Então eu vou beber água. hh e
não posso ingerir alguns iogurtes magros
e que não têm açúcar e também não posso
ingerir os magros aromatizados por causa
dos adçantes. E isso é uma coisa que na
realidade não existe. Essas pessoas não
existem. Nós nunca vamos conseguir mudar
o comportamento dessas pessoas tentando
colocar eh a beber água às refeições ou
única exclusivamente água. Iogurtes
naturais, eh cereais sempre integrais,
sem sabor rigorosamente nenhum. Eh, quer
dizer, isso é uma coisa que não existe,
porque se fosse fácil fazer isso, as
pessoas já o tinham feito.
E por isso, neste momento, estes h
produtos com poucas calorias, no meu
entender, são até bastante benéficos e
em manter algum sabor em planos,
sobretudo para quem está a tentar perder
peso e mesmo para quem não está a tentar
perder peso, porque é melhor se eu ao
beber um refrigerante ou se fizer um
iogurte a a comid corantes, em vez de
normal isso diminuir a minha necessidade
de comer outros doces com mais calorias.
com mais gordura, eu hoje já estou a ter
um ganho eh visível e real no total da
alimentação da pessoa. Por isso, acho
que quem tem uma postura demasiado
paternalista, fundamentalista em relação
a estes alimentos,
h e e a falar, nós vamos ter tempo de
falar disso também, do impacto que pode
ter na microbiota quando não ainda não é
assim uma coisa tão real e que existe
mais em modelos animais e em humanos
também ainda não existe tanto. é alguém
que está muito ligado a a modelos
mecanicistas, a a artigos, a essa
ciência dura e que depois se calhar vê
poucas pessoas, tem pouca experiência
clínica, eh, e não percebe o quão útil
esses alimentos podem ser eh para
algumas pessoas e em perda de peso e, e
mesmo para quem não está. Até uma visão,
no meu entender, pouco humana e pouco
empática.
proliferar essa informação e e
contaminar até o ambiente com essa
questão sobre sobre os adosantes, até em
relação ao açúcar, mas nós, pelo menos
no caso dos adosantes, temos uma uma
opção sem açúcar e por isso já não temos
que ingerir o açúcar. Depois em relação
ao sugar, também existem outras outros
alimentos que também não faz muito
sentido eh nós termos uma postura assim
tão tão fundamentalista contra eles,
porque eles em determinadas quantidades
até podem ser úteis, eh sobretudo até no
caso dos cereais, mas mas para não me
alongar muito nesta nesta parte, acho
que a questão dos idolcorantes em si, h,
uma postura demasiado fundamentalista
não é uma coisa que faça muito sentido
hoje em dia.
>> Uhum. Totalmente. E só para complementar
aquela questão da do aspartame e do
cancro, não é, dessa classificação em
quatro níveis. Eh, é curioso que se nós
formos ver todos os fatores que aumentam
o risco de cancro, h, trabalhar como
cabeleireira aumenta mais o risco de
cancro do que os edulcorantes. Trabalhar
na construção civil também. Outra para
profissionais de saúde, trabalhar por
turnos, nem que seja só uma noite por
semana, aumenta mais o risco de cancro.
Naturalmente que isto são coisas mais
difíceis de mudar do que deixar de beber
uma cola zero, não há dúvida. Mas ainda
assim h está-se a hiperbolizar esta
questão e do poder ter subido ali um
nível eh na, enfim, na escala de
classificação de potencialmente ou não
carcinogénico. Eh, e não se fala de
muitas outras coisas que também lá
estão. E, portanto, claramente há aqui
uma hiperbolização do tema. Sim,
>> sim. Há uma falácia de falta de
literacia científica, no fundo, que que
muita gente comete e que os jornais
cometem e os títulos dos jornais ainda
pior, que é hum pá, imagina que sai um
novo estudo que diz que e atenção, estou
a inventar, não citem, que diz que h
açúcar e cinco vezes mais carcinogénico
do que as partam.
>> Uhum.
>> Só que se calhar tu vais a ver e é uma
diferença de ser 0.001 001 ou 0.005,
ou seja, qualquer um dos dois tem uma
probabilidade muito muito inferior
>> a 200 outros comportamentos que nós
estamos a a ter no nosso dia- a dia, mas
o que aparece na no título da notícia é
só é cinco vezes mais carcinogénico,
certo?
>> E é isso que as pessoas levam para casa
e para as conversas, não é?
>> Sim. E e só para dar um exemplo que eu
também costumo dar algumas vezes, ou
seja, naquele primeiro grupo está
tabaco. Ah. álcool, radiação
ultravioleta. E por isso nós às vezes
podemos ver assim um caso que já estou
assim a a a parodiar um bocadinho.
Alguém que faz solário ou que apanha sol
sem protetor, que fuma, que bebe álcool
quando sai à noite. Está muito
preocupado com a cola zero por causa dos
adosantos, quando é o que ele quase que
faz o bingo ou linha em todos os e
canceris major. H, e depois acabo por
estar preocupado com com com coisas
muito mais pequenas. Por isso, acho que
é é mesmo daquelas coisas que que é
importante colocar no devido lugar.
Claro que ninguém pode dizer que beber
um refrigerante com eh qualquer
idlocorante é melhor do que beber água.
Há espaço para tudo com lógico.
>> Claro. E já que estamos aqui nas
bebidas, hh, eu ouvi-te
a falar sobre isto no 45º, acho eu. Hum,
a diferença entre comer umas peças de
fruta ou beber sumos de fruta, porque
também já ouvi, não foi nesse episódio,
mas acho que também vocês falaram disso.
Já ouvi dizer que beber fruta, eh, mesmo
que seja 100% eh de poupa, não é? que
não é assim tão bom ou que deve que
devemos ter cuidado com isso, não pensar
que ah não, isto é 100% de fruta, é o
que eu vou ver o dia todo, certo? Eh, e
isso parece estar relacionado com alguns
fatores, nomeadamente o facto de se
perder e alguma da fibra e em sumos
100%, até porque nem todos os sumos 100%
são triturados. Por exemplo, a laranja é
espremida e ao ser espremida, estamos a
perder componentes que se comêsemos a
laranja inteira, estaríamos a ter
benefício desses mesmos componentes. Por
outro lado, eh algumas substâncias que
poderiam ser antioxidantes, nomeadamente
algumas vitaminas como a vitamina C, com
exposição à luz prolongada, também se
vão perder parcialmente. Eh, isso também
vai reduzir o o seu próprio interesse
nutricional. E por último, mas não em
último, claramente a questão da
saciedade, eh, que é o facto de nós, ao
estarmos a comer uma porção de fruta,
temos claramente aqui, eh, enfim, uma
uma capacidade de saciação, que é esta
questão da saciedade no momento, ou
seja, quando é que conseguimos parar de
comer naquele momento, maior do que
bebendo essas mesmas calorias eh sob a
forma líquida, no caso, eh, o próprio
índice glicémico poderá ser diferente ou
o imp, vamos falar em impacto glicêmico,
o impacto glicémico e de comer uma uma
laranja ou de beber um sumo de laranja
acaba por ser eh distinto. Eh, não só
porque o índice é diferente, mas a carga
também é diferente, porque ninguém bebe
o sumo de uma laranja. Normalmente bebem
o sumo de duas ou três, que é o copinho
eh típico de sumo de laranja. Aliás,
quando se estuda o açúcar e o impacto
negativo do açúcar, hh, os sumos
naturais, mesmo os sumos 100% à base de
concentrado ou não, hh são incluídos no
grupo dos açúcares livres, que são
aqueles que normalmente se associam h a
piores outcomes ou ou a maior aumento de
risco de certas patologias. a fruta em
peça por toda a matriz fibrosa eh que se
compõe já não entra nesse grupo
claramente. E por isso é que o impacto
de fruta, comida versus bebida, pode ser
pode ser diferente.
>> Fazemos aqui uma brevíssima pausa para
falar sobre saúde mental. Felizmente, ao
longo dos últimos anos, o estigma à
volta da saúde mental tem reduzido em
Portugal, mas continuava a ser um
privilégio económico até há pouco tempo.
E a Highwell é uma das empresas que veio
resolver isso. Nós juntamos-nos a
Highwell, que é uma plataforma 100%
online de psicologia, psicoterapia,
neste caso, eh, todos os psicólogos
estão inscritos na ordem e se vocês
utilizarem o link está na parte de cima
da descrição deste episódio e depois o
código exploriza 27, não só tenho 10
consultas de 15 minutos para explorarem
vários psicólogos e escolherem aquele
que parece melhor para vocês, como no
momento da primeira consulta conseguem
fazê-la pel por apenas 16 €. Por isso,
aproveitem esta oportunidade. Eh, é 100%
privado, já não há estigma, já não há
uma grande barreira económica, nem que
seja para explorarem um bocadinho a
vossa psique. Compensa muito. Por isso,
mais uma vez, link no topo da descrição
e desplorariza 27 e como cupão.
Obrigado, Highwell, pelo apoio e vamos
voltar para o episódio.
Eu houve uma altura, pá, também já foi
há muitos anos, mas em que pá, estava a
fazer tudo mal, acho eu. vocês já me vão
dizer, mas me meti na cabeça que, pá,
queria ser mais saudável. H, tinha 20 e
poucos anos e e lembro-me de a certa
altura pensar, pá, agora só como fruto
ao pequeno almoço
e hoje em dia sei mais e percebo porque
é que nessa altura eu ficava sem energia
mais rapidamente. E queremme explicar e
ou validar aquilo que que eu acho que
acontecia? É, é assim o não sei, não,
>> por exemplo, vou dar continuidade aqui
ao tema. H, o facto de só comeres fruta
de manhã significa que possivelmente não
estavas a comer só uma porção de fruta
e, portanto, a quantidade de hidratos de
carbono ingeridos logo pela manhã eh
estaria a ser substancial. Eh, e por
outro lado, não tinha uma matriz
alimentar, uma matriz de refeição eh
variada no sentido de ter ali alguma
fonte de gordura ou alguma fonte de
proteína que pudesse moderar eh essa
absorção de hidratos de carbono. Ainda
que a fruta, de uma forma global
consumida em peça não tenha um índice
glicémico alto, a maior parte dos frutos
não o têm. e uma porção de fruta, se
contarmos com uma porção que contenha
15, 20 g de hidratos de carbono, também
não vai ter uma carga glicémica, um
impacto glicémico assim tão marcado.
Agora, um pequeno almoço só de fruta,
claramente que vai ser a multiplicar h
por dois ou três, pelo menos, eh, nestas
porções. E aí, naturalmente que esse
pico de glicemia pode ser a depois a
seguido a de uma descida um bocadinho
mais abrupta. E nessa descida, eh, há
alguns relatos, ainda que a ciência não
seja clara sobre o tema, dessa sensação
mais de falta de energia, de fadiga,
ainda que isto não seja propriamente eh
supervalidado pela ciência, mas há há há
vários relatos e e faz algum sentido. H
até até em desportistas faz, mas aí é um
caso é um caso diferente porque o
músculo precisa de glicose muito
rapidamente e portanto a hipoglicemia
pode efetivamente dar-se. em pessoas que
não estão a precisar ou exercitar
muscularmente, poderá eventualmente não
ser assim tão marcado. Ha, mas sim, mas
se se em vez de três porções de fruta
passaste a uma e lhe juntaste mais
alguma coisa nutricionalmente
interessante, então acho que fizeste
bem.
>> Hum. Pequeno almoço assim,
pequeno almoço ideal para uma pessoa
normal. Então, seriam, sei lá, um ou
dois ovos e uma fonte de hidratos de
carbono complexa, como uma porrada de
pão integral e depois uma peça de fruta,
mais ou menos assim. Eu acho que aí
podes fazer sempre várias combinações,
ou seja, partindo o pressuposto que é
alguém que também não está a tentar
perder peso e que nós não temos que ter
aqui um controle muito grande ou com a
quantidade de de de hidratos de carbono
ou com a quantidade de gordura, h, que é
um pequeno almoço para alguém saudável
que está a tentar só e a manter o peso e
que até acaba por ser fisicamente ativo,
h, eu acho que o ideal é nós
conseguirmos ter aqui sempre uma mistura
das três coisas, ter sempre uma boa
fonte de proteína, isso pode ser com os
ovos, de facto, mas também Pode ser com
queijo magro, idealmente também pode ser
com algum iogurte e sobretudo esses
iogurtes proteicos que existem agora
também podem dar aí uma uma boa ajuda.
H, como fontes de gordura, nós tivermos
os ovos, já vamos ter gordura e proteína
porque é uma relação quase quase um para
um. Caso não exista, podemos colocar aí
alguns fruttos gordos, a questão de
nozes, amêndo, ovelá, pestaço, caju, eh,
castanha de pará e com uma fonte de
hidratos de carbono, eh, porque dá para
fazer sempre várias combinações entre os
três grupos. podemos ser a fruta, que é
a melhor de todas. E depois entre os
cereais integrais ou com pão integral ou
mesmo eh cereais integrais, não tem que
ser sempre a veia, podem ser outros
outros outros cereais. Hum, e nós aí
tanto podemos colocar o ovo com a o pão
integral, como podemos colocar o pão com
queijo, como podemos colocar o iogurte
com a fruta ou o iogurte com os cereais
e os frutos secos ou manteiga dos frutos
secos, não necessariamente manteiga de
amendoim.
Eh, temos aí uma série de de combinações
possíveis que depois vai depender do
peso da pessoa, do objetivo, h, e a
parte mais importante que é o gosto
pessoal, porque essa é é mais
determinante, é, é ser algo que encaixe
com aquilo que a pessoa mais gosta ou
várias opções dentro daquilo que mais
gosta de fazer. Agora, se nós fizermos
papas de aveia com banana, com mel, com
manteiga de amendoim, com bebidas
vegetais que não têm proteína nenhuma,
aí vamos ter um comboio gigantesco de
calorias sem proteína nenhuma e com
muitos hidratos e com muitos açúcares.
H, se fizermos só ovos e abacate ou ovos
e bacon já vamos ter proteína e gordura
a mais, mas também sem hidratos de
carbono. E há sempre aí, por mais que os
alimentos e o bacon não neste caso, mas
por mais que os alimentos até possam ser
equilibrados em si e saudáveis
genericamente, eh pode ser uma coisa
muito desequilibrada por nós só estarmos
a dar e um particular incidência num
nutriente. Ou pode ter só hidratos, ou
pode ter, em alguns casos, até só
proteína, ou pode ter uma coisa com
demasiada gordura. Fazer aí essas
combinações entre os três acaba por ser
sempre o ideal.
E se for treinar passado meia hora,
António, ou seja, um pequeno almoço para
alguém que que acorda e vai treinar para
sabe para meia hora tomar pequeno
almoço. Se o objetivo for fazer um
joging de 30 minutos, possivelmente não
há especificidades, ou seja, a pessoa
que coma, tendo comer saudável dentro
daquilo que são as suas preferências
também. Eh, e não é preciso aqui uma
programação de hidratos de carbono muito
específica. Já se for fazer uma volta de
4 horas de bicicleta com o objetivo, por
exemplo, de testar uma estratégia para
fazer uma prova de ciclismo, então aí já
temos que fazer um um aporte de hidratos
de carbono bastante elevado, alinhado
com o peso corporal, com a experiência
de treino, com o seu objetivo
competitivo, tolerância
gastrointestinal. Então, o número de
fatores que me vai fazer decidir se
aquele pré-treino, seja ele um pequeno
almoço ou um lanche da tarde, tem que
ser mais ou menos específico, eh, é
enorme, é, é absolutamente brutal. Pois,
tu tás, tou a perguntar uma pessoa que
tá na Liga dos Campeões disto, por isso
o grau de resolução é eh no Futebol
Clube do Porto, se tivesses no Futebol
Clube do Porto, provavelmente serias
ainda melhor, mas Sporting também aí tá
fixe.
>> Hã, mas é isso, pá. Mas para para a
maior parte das pessoas, se vai treinar
a seguir, deve comer um bocadinho menos
ou não? Não, não necessariamente.
>> Ah, do ponto de vista teórico, pelo
contrário, ou seja, até poderia ter
vantagem em consumir mais hidratos de
carbono do numa situação em que não
fosse e efetivamente fazer exercício. O
que acontece muitas vezes com pessoas
que treinam de manhã é que o pequeno
almoço é muito perto do início do treino
e não têm normalmente uma grande
tolerância gastrointestinal para um
grande pequeno almoço. E, e nesse
sentido, aquilo que tentamos é dar os
mínimos que possam potenciar a
performance, h, e que possam não
resultar numa hipoglicemia no caso de
treinos mais prolongados ou mais
intensos. Eh, e depois o resto dos
nutrientes que definimos como alvo para
o dia, podemos dividi-lo pelas outras
refeições e não tem que ser propriamente
no momento pré-treino. A, eu até costumo
dizer que o momento pré-treino é um
momento claramente sobrevalorizado para
atletas recreativos ou ou mesmo não
atletas, praticantes de exercício que
não atletas e e que acham que têm que se
quitar muito bem antes de fazer a sua
corridinha de 30 minutos e não têm h
porque a verdade e que pode doer é não
são atletas, não treinam como atletas e
não precisam de um pequeno almoço de
atleta porque efetivamente e
fisiologicamente isso não vai trazer um
benefício assim tão marcado. Mas se para
essas pessoas o esforço que ela precisa
para correr 20 minutos for tão extremo
como para um grande atleta correr 20 km,
não poderá também fazer diferença?
>> Aí já tem a ver mais com a capacidade
cardiovascular, por exemplo, mas o a
quantidade de glicogénio, portanto, as
reservas de glicose que vai gastar para
fazer esses 20 minutos de corrida, e não
vai ser eh de alguma forma aqui um fator
de fadiga precoce, porque ela não vai
gastar à partida o glicogénio todo que
tem. Daí o não ser necessário não está
tão relacionado com quanto é que me
custa este treino, mas com a fisiologia
do treino. Aliás, às vezes eu tenho
pessoas que na consulta me dizem que
fazem um treino de pilates e eu
começo-me logo a rir porque já sei que
vou ter que fazer uma brincadeira
qualquer com o tema pilates. Não porque
não seja extremamente válido sobre
diferentes pontos de vista, mas a
verdade é que não podemos tratar uma
refeição pré-treino de um treino de
pilates com uma corrida de uma hora à
grande intensidade. Não temos hipótese,
não faz sentido. E portanto é preciso
perceber a fisiologia do treino, o que é
que se pretende com esse treino e então
ajustar a refeição. E se quiseres ir
ainda mais complexo,
mesmo que o atleta seja um atleta de
élite e que queira fazer um treino
prolongado, ele não tem necessariamente
que ser monido com todos os nutrientes
necessários àquilo que vai fazer, porque
o objetivo daquele treino pode ser criar
algumas adaptações neuromusculares que
lhe permitam lidar melhor com o intemper
e a intempéri pode ser ter pouca
disponibilidade de hidratos de carbono.
>> Ah, sim. Anti fragilidade,
>> levar os sistemas a a novos limites para
ganhar training low, não é? treinar
baixo em hidratos de carbono para que o
corpo adapte melhor àquela àquele senão.
Pronto, isso não está muito validado que
possa aumentar a performance de forma
relevante, mas não deixa de ser uma
estratégia e parece-me a mim válida e,
portanto, não, os atletas não têm que
estar nutricionalmente e adequados como
numa situação de prova, de evento
competitivo, porque aquilo é só um
treino. E Pedro, não há pessoas que para
elas especificamente é melhor eh não
tomar pequeno almoço e ir treinar de
jejum? Eu sou uma pessoa que treina
todos os dias às 8 da manhã em jejum, só
com os cafés, por exemplo, hum, pelo
simples facto de que eh
acordo meia hora antes de começar o
treino e por isso qualquer coisa que
comece àquela hora iria correr mal e
porque depois como são treinos ainda com
uma intensidade elevada, mesmo que até
pudesse fazer 1 hora, 1 hora e meia
antes. A refeição pré-competitiva é uma
coisa que tem que ser confortável. Claro
que quando nós estamos a falar em
esforços, se e já estivemos a falar
acima de 1 hora e meia e pessoas que já
vão fazer provas de meias maratonas ou
maratonas, provas de trio relativamente
mais longas, coisas que agora estão um
bocadinho mais na moda do Iox ou ou o
hybrid provas desse género, logicamente
que aí já se faz um pequeno almoço com
uma antecedência um bocadinho maior e lá
está, e esse é o dia de prova, não é o
dia de treino. para pessoas que têm o
seu treino normal, mesmo que até o possa
ser ao final da tarde, claro que é ao
final da tarde, se calhar já não convém
abusar muito na quantidade de café, mas
convém que pelo menos essa refeição
pré-treino tenha poois cada há pessoas
que até podem acordar de comem ovos
mexidos e passado meia hora estão a a
fazer crossfit, a fazer flexões em pino
e pullups e que estão ali de cabeça para
cima e para baixo e está tudo bem. Por
isso, claro que há aqui uma sempre uma
tolerância individual grande. HH Mas o
bom senso diz que se calhar naquela hora
anterior nós nem vamos ter um grande
benefício naquilo que vamos comer,
sobretudo se forem coisas com uma grande
quantidade de proteína e gordura. Por
isso, a comer que fosse uma coisa mais
simples e só mais rica em hidratos de
carbono, pode ser uma banana ou outra
peça de fruta ou uma barra de cereais,
uma coisa assim muito muito muito
simples. Depois a cafeína pode sempre
ajudar um bocadinho. Hum. Mas para quem
se sentir melhor a treinar em jejum,
acho que que faz todo sentido, mas
também sem esperar que vai emagrecer
mais por causa disso, porque não é
>> depois conta o total do dia. E claro que
se nós formos minuciosos do ponto de
vista técnico, até podemos ver que
treinar em jum pode aumentar um
bocadinho a oxidação de gordura, mas
isso já são mais discõ discussões
académicas. o treino em Jum não vai
potenciar muito essa essa essa perda de
de de massa gorda. H, e mesmo que até
potenci bocadinho o queimar gordura no
próprio treino, não é isso que vai fazer
emagrecer ao final do ao final do do
dia, da semana e do mês. pode ser uma
estratégia válida quase por exclusão de
outras que é eu faço isto porque não tem
outra forma de se eu como qualquer coisa
e me sinto mal durante o treino, do
ponto de vista gástrico, eh, com
vómitos, com cólicas, o que seja. Então
aí o treinar em jun é uma coisa que faz
todo sentido, sobretudo para quem treina
de manhã, mas mesmo que seja na outra
altura do dia, h, e garantir pelo menos
essa janela de uma 2 horas antes de
fazer uma grande refeição é uma coisa
que faz todo sentido. E nem o pré-treino
é tão importante quanto as pessoas
pensam para pessoas normais. Lá está,
não estamos a falar da Liga dos
Campeões,
>> estamos a falar aqui de outro de outro
contexto para pessoas normais que não
que não competem e mesmo os amadores que
competem, o pequeno almoço, vamos
imaginar no dia da prova, e esse sim é
muito importante, mas mais até do que
esse é o que ele come nas 24 horas
anteriores e até nas 48 horas
anteriores, tendo em conta a duração da
prova que que que quer fazer, o tempo
que vai estar que vai estar em em prova.
E aí faz sentido até, é muito mais
importante se calhar a ceia do dia
anterior, todas as refeições que ele faz
no dia anterior do que o próprio pequeno
almoço no próprio dia. Até porque depois
nós também temos pessoas que já são
naturalmente mais ansiosas, que que em
dia de prova mais nervosas não conseguem
comer assim tanto, é só líquidos e nesse
dia, desde que o dia da véspera tenha
sido bem bem feito e bem gerido a nível
nutricional, não comer assim tanto no
próprio dia, não há problema nenhum.
>> Uhum. Isto é uma das coisas que eu que
eu queria mesmo conversar convosco, que
é h
será que a variabilidade genética que
existe entre seres humanos, não é, no
que toca às tolerâncias, no que toca
aquilo que é o alimento ideal para elas
e todas essas variáveis que existem,
será que não é demasiado larga essa essa
variabilidade genética? Será que não é
demasiado larga para nós podermos estar
a dar assim conselhos eh gerais às
pessoas? Porque eu às vezes sinto que
daqui a 200 anos hã sei lá, as pessoas
vão chegar, se calhar não é 200 anos, se
calhar é 20, mas as pessoas, sei lá, vão
nascer e ou vão logo sequenciar o o
genoma, não é? e e que e que se vai
perceber muito mais cedo qual é qual é o
caminho evolutivo daquela pessoa, mais
ou menos, não é? Em que contextos é que
os aqueles genes evoluíram, porque nós
somos uma misturada de pessoas que
tiveram que se adaptar a só comer
javali, com pessoas que seam adaptar a
só comer cogumelos e coelho.
E alguns de nós vão ter mais genes do
javali e outros mais dos cogomelos.
E e por isso eu sinto que isto é só um
palpite, não é? Mas não é um palpite
assim tão desinformado, sendo eu
cientista e também uma pessoa em cima da
tecnologia, que nós vamos olhar para
hoje em dia e pensar o quê? As pessoas
passavam uma vida inteira a comer
brócolis e aquilo era um alimento que
que lhes tirava mais energia do que dava
e as pessoas não sabiam a vocês
acreditam que vamos neste sentido? Ou
seja, e existe esta variabilidade
genética tão grande?
É sim, a variabilidade genética existe.
Ponto. Eh, e não há dúvida nenhuma de
que determinado grupo de pessoas pode
responder melhor a uma estratégia, seja
ela qual for, do ponto de vista
nutricional, do que outras que façam
exatamente a mesma, mas tenham uma
resposta, não vou dizer oposta, porque
na maior parte dos casos não é, mas uma
resposta menos marcada. Eh, sei lá,
redução de colesterol à custa
determinada estratégia nutricional. com
algumas pessoas pode funcionar numa
redução de LDL de 10% e com outras pode
resultar numa de três. Aí há uma questão
genética também que pode ter aqui algum
impacto, sem dúvida. Mas e
>> desculpa, há pessoas e eh cuja
alimentação
impacta mais o LDL e o HDL, o colesterol
do que outras,
>> ou seja, faz a mesma alteração em duasum
>> numa os valores mudam mais do que
noutras. Claramente, claramente. Eh, e
mesmo quem diz D LDL diz com qualquer
outra estratégia e objetivo. Ou seja, há
diferenças marcadas entre pessoas eh
mesmo que estejam presas num
laboratório, portanto, numa câmara
metabólica para tudo ser controlado, há
efetivamente diferenças fisiológicas que
levam respostas distintas. O o que é
importante esclarecer é que às vezes
esta ideia de cada alimento tem um
impacto diferente em cada pessoa leva a
que se valide tudo e cada um defenda a
sua verdade. Muitas vezes é aquela ideia
de se eu gosto de comer chouriço, eu vou
dizer às pessoas de que esta ideia do
chouriço é imédia e que eu até posso
tolerar bem o chouriço. E isto até me
pode reduzir o risco de cancro a mim.
Eh, e em boa verdade, quando nós fazemos
análises estatísticas em estudos
epidemiológicos, não há dúvida
absolutamente nenhuma de que o consumo
de ortofrutículas numa quantidade
suficiente reduz o risco de doenças
cardiovasculares, diabetes, doenças
neurológicas. Ou seja, não há dúvida
absolutamente nenhuma. Agora, se entre
10 milhões de pessoas possa haver ali,
sei lá, umas 1000 ou umas 10.000
que não respondam tanto à ingestão de
brócolis como outras tantas. Isso é
possível claramente, mas isso não
permite dizer que acho eu, ou não
acredito que isto vá levar a que se
perceba que os hortícolas fazem mal eh a
uma determinada quantidade de pessoas.
Acho acho muito difícil. H, mas e esse
esse tema, a nutrição de precisão,
chamam-lhe assim, hh, é, é um tema que
vende muito e temos que ter muito
cuidado com a questão do negócio à à
base e da saúde e da nutrição e da
longevidade e da personalização, não é?
Isto são normalmente eh promessas eh
bastante caras, bastante dispendiosas,
eh mas que a ciência valida ainda muito
pouco. Nós temos muito poucos
biomarcadores fidignos que nos garantam
uma capacidade de personalizar
determinada estratégia. Quem nos quiser
convencer do contrário em 2026, ou está
enganado ou está a tentar enganar.
Honestamente, não tem problema nenhum em
dizê-lo. Portanto, esta ideia de
>> nós temos génes diferentes, nós
metabolizamos a cafeína de forma
diferente porque temos gênes diferentes,
certo? nós temos um risco de obesidade
diferente entre nós, eh, devido aos
nossos genes, sem dúvida, mas daí a
dizer que cada um tem que ter uma
estratégia muito específica, talvez
daqui a muitos anos, eu digo muitos,
porque há 10 anos já se falava de
nutrição eh de precisão e dizia-se
assim: "Se calhar daqui a 10 anos vamos
ter muitas respostas". e os 10 anos
passaram e não temos muitas respostas,
portanto, ainda estamos no lodo naquilo
que é o conhecimento sobre a nutrição de
precisão. Agora, o negócio e o dinheiro
à volta disto já faz com que se prometam
muitas coisas e que os TikToks e
Instagrams estejam carregados e depois
os algoritmos fazem o favor de levar
constantemente esse tipo de conteúdo às
pessoas que mais procuram e sobre o
tema. Portanto, é um tema perigoso nesse
sentido.
>> Claro, para um vendedor de banha da
cobra é uma grande proposta de valor,
não é? Tipo, apanhas um um brow de
ginásio qualquer
ali no scroll e a dizer: "Olha, andas a
comer tudo mal e se fizeres o meu o meu
teste, eu vou dizer exatamente a comida
perfeita para maximizares a tua
performance." Isto é que é básico
vender,
>> é a microbiota. Eh, quer dizer, estamos
aqui cada vez mais a entrar em níveis de
detalhe não validados pela ciência. por
exemplo, a microbiota é um tema
importante, eh, mas é um tema importante
pela parte mecanicista, ou seja, é
importante para debatermos entre nós
nutricionistas. Se calhar estar a passar
ao público geral muita informação sobre
microbiota acrescenta zero, zero, porque
aquilo que é preciso do ponto de vista
nutricional para potenciar uma
microbiota saudável, se calhar vai ser
muito semelhante àquilo que é necessário
para reduzir risco de cancro, de
diabetes, de 30 por uma linha. Portanto,
hh mais um tema de que se fala muito e e
que efetivamente tem aí eh pouco
conteúdo prático, digamos assim.
>> OK.
>> O que é que tens a dizer sobre
variabilidade genética, Cedro? O que
tenho a dizer é é é corroborar tudo
aquilo que o que que o António disse e
que
há um grande aproveitamento comercial e
disse que ainda por cima
pela especificidade, por esta nutrição
de precisão, pelo preço dos próprios
testes. A, é algo que já não é feito do
tipo de ginásio, não, já é mesmo feito
em clínicas,
ah, de forma propositada, com testos
muito caros para atingir um determinado
público alvo de classes mais altas.
A única vantagem que isso acaba por ter
é
muitas das vezes, como isso é é comum a
todas aquelas abordagens que são
bastante caras, eh, é como isto foi um
teste e uma consulta muito cara, eu se
calhar vou seguir mesmo este plano
alimentar, vou seguir mesmo estas
recomendações e a não ser que aquilo
seja mesmo muito mal feito, eu vou
melhorar alguma coisa na minha saúde.
Posso perder peso, posso aumentar mais a
gestão de frutícolas, posso, portanto,
hinda não temos, até porque nós podemos
fazer dois testes genéticos em empresas
diferentes e ninguém me garante que os
resultados vão ser iguais. Posso fazer
dois testes às fezes para ver a minha
microbiota em duas empresas diferentes e
ninguém me garante que os resultados vão
ser iguais e que se calhar aquele
suplemento de probióticos que me vão
estar a recomendar me vai fazer algum
efeito, porque senão eu tinha que estar
a fazê-lo durante não sei quantos meses
e depois voltar a fazer o teste e ver se
alguma coisa melhorou. E por isso, neste
momento, é mesmo trovar e um bocadinho
as águas para para pescar melhor, fazer
toda essa misa. H, e sobretudo do ponto
de vista, eh, nós podemos dizer que, OK,
da parte da metabolização de cafeína ou
de algumas vitaminas que eu posso
metabilizar mais rápida ou menos a
cafeína e podemos ir a esse detalhe, às
vezes há coisas que podem aparecer
naquele texto genético que depois em
análises clínicas não corrobora sobre
níveis de vitamina C, de ácido fólico,
de muitas outras vitaminas e minerais.
Hum, e por isso, h, até existem alguns
trabalhos em que fazem teste genético
prévio e que as pessoas até poderiam
responder melhor a uma dieta mais rica
em gordura e pobre em hidratos ou
vice-versa e que depois eh estudando
isso, não houve grandes diferenças entre
grupos nessa perda de peso, ou seja, o
grupo, a dieta mais ajustada ao perfil
genético não teve melhor resultado do
que a outra. H, eu também já fiz um um
um teste genético, hã, porque me foi
oferecido, eu já sabia o que é que
aquilo era.
E depois acabei por olhei para aqueles
valores e disse e e e para aquilo que lá
estava e pensei: "OK, mas h a e eu posso
ter um perfil entre aspas mais endurance
do que força do ponto de vista do
treino, mas precisamente por causa disso
é que eu preciso treinar mais força para
ficar mais equilibrado e não vou mudar
muito da minha alimentação daquilo que
está aqui, porque as minhas análises
estão boas e eu não vou mudar, não vou
passar a comer mais ou menos proteína,
mais ou menos hidratos. H porque eu sou
nutricionista, tenho o conhecimento, sei
aquilo que preciso e acima de tudo, as
minhas preferências alimentares são
estas. E essa personalização, no meu
entender, é sobretudo nessa parte que é
tão simples, mas que às vezes parece tão
complexa, que é eh claro que se eu
gostar de comer sempre alimentos pouco
saudáveis, não posso fazer um plano
também que de pão com manteiga a todas
as refeições e de chocolate a todas as
refeições.
Mas é importante que essa personalização
seja feita muito com base nisso e nós
ainda estamos muito longe de poder fazer
planos alimentares e de suplementação e
de acordo com a aquilo que um teste
genético nos no nos dá. Pode ser
importante numa ou noutra situação, mas
eu vejo mais isto como
uma espécie de curiosidade e não da
parte comercial. Eh, e nós não vemos
ninguém eh com bons conhecimentos
sólidos de genética, com eh ligação a
faculdades eh eh ligação universitária,
que esteja assim tão confiante em testes
genéticos não tiver um interesse
comercial por trás. É tão simples quanto
isso.
>> Então se calhar para já ainda é um
bocado futurista, não é? Se calhar
>> claramente, claramente. Sim.
>> Mas então vamos fazer uma espécie de
pessoas a atacar e desde que normalmente
defendem. Quais é que são, o que é que
esses testes podem ter de bons? Estes,
estes testes da microbioma, os testes
genéticos. Aliás, antes disso, antes de
fazermos o a rubrica, h, que textos é
que faz sentido as pessoas fazerem? Os
das intolerâncias, por exemplo.
>> Bem, se for aqueles testes de
intolerâncias a 300 alimentos ou 500 ou
a 1000, eh, não faz. Aliás, a Sociedade
Portuguesa de de Alergologia tem um não
é um position paper, mas é é um
documento a tomar posição sobre eles e a
não recomendar a sua realização por
falta de evidência sobre. Porquê? Porque
eles avaliam a reação à custa de
imunoglobulinas G, que são
imunoglobulinas que naturalmente eh
estão em circulação para aqueles
alimentos que a pessoa consome mais, não
com uma reação problemática, mas uma
reação normal à ingestão desses
alimentos. O que quer dizer que a maior
parte das pessoas vai ser intolerante
aos que consome mais, que é uma chate. E
depois a pessoa fica muito eh indignada,
que é andei uma vida toda a comer estes
sete ou oito alimentos que agora me
estão a indicar. Eh, aqui e depois tem
quem analisa destes desses consegue logo
perceber os problemas. Por exemplo, e é
muito intolerante à atum azeite, mas se
for a tum em lata já não a tum ao
natural já não é intolerante. E depois
tu pensas: "OK, mas então é do azeite?"
Não, porque ao azeite também não é
intolerante, portanto são incongruentes.
Parece mesmo que é atirar para o chão e
ver no que é que aquilo dá de forma
completamente aleatória, ainda que não o
seja, porque tem tem essa versão das
imunoglobulinas G por trás.
>> Fogo, mas então se calhar há milhares de
pessoas a mudarem a sua vida por causa
desses testos sem saberem que não é que
não tem assim uma uma robustez
científica. Se que é o problema, é que
se disséssemos assim e isto é inóco ou
seja, não é válido, mas também não está
a prejudicar ninguém, mas está e está
prejudicado de várias formas. Esse é um
exemplo. E outro exemplo assim mais
generalista é está a contribuir com
ruído para aquilo que é o mundo da
nutrição. E as pessoas não têm uma
capacidade ilimitada de reter ideias. E
quanto mais ruído estamos a acrescentar,
menos conseguimos falar daquilo que
verdadeiramente importa. Eu, se tiver um
utente em consulta que vem com 20
dúvidas que viu no TikTok, eu vou-lhe
responder porque faz parte e ele decidiu
que queria utilizar o seu tempo de
consulta a colocar as questões, mas se
calhar ele está preocupado eh sobre o
melhor tipo de infusão eh para a
digestão eh mas não come sopa sequer à
refeição e não come hortículas no prato.
Portanto, há há aqui uma claramente uma
inversão das prioridades por causa deste
barulho eh que certos temas da nutrição
trazem.
E acontece-te muito para as pessoas
virem com dúvidas que viram no TikTok.
>> É muitíssimo, cada vez mais. Eh, e
estamos a entrar numa numa era gira, que
é a era da inteligência artificial. Eh,
e como comentávamos antes de começarmos
a gravar, a sorte é que a inteligência
artificial neste momento, os os motores
mais conhecidos estão bastante
interessantes naquilo que são respostas
mesmo do ponto de vista científico. Se
alguém escrever bem o prompte de, do
ponto de vista científico, o que é que
tu achas sobre o fiambre? vamos trazer
aqui o tema que tu trouxeste. Ele
provavelmente eh, e como não fiz a
pergunta, não posso garantir, mas
provavelmente ele vai dar uma resposta
eh muito interessante, muito ponderada e
vai enquadrar com todos aqueles fatores
que nós provavelmente abordamos quando
nos fizeste essa questão. Portanto, a
inteligência artificial contribui muito
mais para a literacia de alguém do que
aquilo que se vê nas redes sociais. Não
há dúvida absolutamente nenhuma. Mas é
curioso porque este tipo de ruído e
desinformação
a mim vai-me desanimando com o passar do
tempo. Ou seja, eu até me custa dizer
isto em público, mas eu já gostei mais
de ser nutricionista porque neste
momento sinto-me inundado, com
desinformação até ao pescoço, muito
difícil de eh tentar explicar a quem não
é da área, porque alguém que não é da
área, e por exemplo, eu já estou aqui a
fazer muitos parênteses, mas o o teu
episódio, o teu podcast chama-se
Despolariza, que é extremamente
interessante porque tens pessoas de
várias fações a a tentar ouvir a sua
posição, mas se tu trouxeres cá alguém
de uma posição
e que adote terapias alternativas, pouco
validadas pela ciência, que diga 30 por
uma linha sobre nutrição, é possível que
tu indireto tenhas dificuldade
>> Sim. Sim.
>> Em contrapor e fazer com que quem oiça
entenda que a razão não está daquele
lado da pessoa que está a falar.
problemas de fazer o podcast assim,
>> mas não era uma crítica, era só para
trazer este exemplo que é
>> já aconteceu, já aconteceu.
>> E a pessoa traz o que eu vi no TikTok,
eu dou-lhe uma resposta validada pela
ciência, tento efetivamente trazer uma
mensagem assertiva sobre o tema, mas eu
não tenho a certeza que a pessoa vai
embora convencida de que eu é que tenho
razão e não o fulano que tem 2 milhões
de seguidores no Instagram. E é isso que
me desanima a ser nutricionista.
Não, mas nós temos uma dificuldade
grande que é eh
nós nunca conseguimos ser tão concretos,
nem tão assertivos, nem eh todas as
pessoas que acabem por ter eh um
espírito um bocadinho mais científico
utilizam muito a palavra depende. E isso
do ponto de vista de marketing e de
comunicação é péssimo, porque nós não
estamos a dar uma resposta objetiva, né?
depende, depende disto, depende daquilo.
E qualquer promotor de pseudociência tem
sempre aquela lenga lenga que nós
podemos estar a falar de colesterol e
podemos só falar das estatinas e podemos
estar a falar de muitos outros alimentos
a h e dos laticínios e que são péssimos
e que o glutano é péssimo e que a
frutosa é péssima, ou seja, eh e aquilo
sai ali com uma fluidez que para quem
não é da área, olha para aquilo e diz:
"Pá, isto na minha cabeça faz tudo faz
tudo sentido porque e porque não é uma
coisa portuguesa, ou seja, da mesma
forma que do ponto de vista político,
isso acontece. Isso é assim nos Estados
Unidos, é assim no Brasil, é assim em
Portugal. Ou seja, todo esse discurso
alternativo que pode ser da nutrição,
pode ser e eh eh eh também político, hoo
construído de uma forma e com essa
narrativa que é altamente convincente e
quem não é da área acaba por acreditar
que todos aqueles mecanismos existem.
Eh, nunca existe um grande contraditório
eh eh em relação a essas essas
situações. Claro que nós estamos aqui
também não não estamos a ter nenhum
nenhum contraditório, mas objetivamente
eu acho que qualquer pessoa que tenha eh
um um espírito um bocadinho mais mais
científico,
nem sequer h consegue arriscar ser
totalmente concreto em relação a um
tema, porque sabe que eu estou a dizer
isto agora e se calhar daqui a algum
tempo eu posso as coisas podem mudar e o
que eu estou a dizer é válido para
agora. Hum. Eh, mas não posso e arriscar
em demasia em ser demasiado e concreto
em relação em relação a um tema. Hã, e
por isso nós neste caso eh a forma de
comunicar às vezes também vai um
bocadinho contra nós por querermos se
calhar eh
>> protegern-nos também, não é? Sim, também
proteger, mas agradar um bocado. Eh, eh,
e hoje em dia nós temos pessoas que até
eh defendendo a ciência acabam por
comunicar até de outra forma e até a ser
mais a ter um sucesso um bocadinho maior
porque perdem um bocadinho estas amarras
científicas do discurso e não estão tão
preocupadas em dizer tudo certo ou fazer
as situações certas. E e essa parte até
acaba por estar bem, porque do ponto de
vista da comunicação, nós não temos
grandes, ou se calhar lá fora até
conseguimos ter cá, não temos muito h e
sobretudo sobretudo no Brasil existe
muito isso do marketing pessoal e da da
comunicação que já sai naturalmente, são
quase parece que nasceram até para para
ser quase atores, mas nós em Portugal
temos muito um bocadinho esta vergonha
>> e nós não temos grandes sumidades
científicas nem das faculdades a
comunicar nas redes sociais por muito
tempo, ou comunicar com grande eh
comunicam e podem fazer, mas não não
fazem res a tor direito, não fazem
reacts a isto ou aquilo e
>> também não tem tempo, não é? Exatamente.
E essa e essa é exatamente isso é é por
um lado não têm tempo, por outro lado
não se querem estar a expor e eh essas
situações porque a pessoa vai a um
congresso falar ou na faculdade com os
alunos não tem eh 30, 40, 50, 100
comentários de pessoas que não conhecem
lado nenhum a dizer que o que ele tá a
dizer não faz sentido nenhum. Ou seja,
uma coisa que por mais que a pessoa
ganha ali algum calo, acaba por ser
sempre um bocadinho um bocadinho
desagradável. HH mas nós até temos
exemplos e eu falo muito aí aí da
questão lá fora, UK, Estados Unidos e e
Brasil, até de pessoas com grande
background científico, até já acabam por
fazer esse trabalho, porque as redes
sociais têm uma parte má, mas ao mesmo
tempo também tem uma parte boa, porque
basta seguir também as pessoas certas.
HH para nós até estarmos a par de
artigos que saem, de de
nos mantemos a par do ponto de vista
científico, de coisas boas que estão e
positivas que estão a sair, eh, desde
que consigamos fazer esse filtro. Agora
nós que somos da área, se calhar
conseguimos fazer esse filtro com mais
alguma facilidade, outras pessoas não e
e então aí é que isso fica sempre um
bocadinho mais conflituoso.
>> Sim. Olha, é por isso que eu faço, eu
faço poucas vezes conteúdo sozinho, sem
ser aqui com pessoas, porque quando
penso, quando tenho uma ideia, olha, vou
fazer um real sobre este assunto, hum,
começo a perceber que começo a perceber,
ok, isto para caber num minuto e meio e
para ser minimamente, não é, funcional
para o algoritmo,
>> h, o que é que eu vou ter que cortar a
nível da partes sobre, pá, isto não é
bem assim, algumas circunstâncias,
outras não é, e fico meio que paralisado
e percebo, e ó pá, isto só para escolher
o que é que vou pôr, o que é que não,
porque sinto essa responsabilidade e
então fico congelado e quase nunca faço.
>> Pois,
>> porque é realmente difícil
>> tu escolheres o que é que onde é que
vais ser um bocadinho nada omissor de
coisas que não são exatamente assim
>> e alguns trucos como usar a palavra
tendencialmente ou a maior parte dos
estudos indica que não
>> Sim, sim, sim. Mas ainda assim não é
fácil.
>> Aliás, é curioso estares a dizer isso
porque quando escrevi o primeiro livro e
mando um abraço ao meu editor Orlando
Almeida do primeiro livro que quando viu
a primeira prova pensou: "E pá, António,
não, isto isto não é para colegas. Este
livro não pode ser para colegas e não
tens que te justificar
>> para os colegas, porque eu punha eh há
partes em cima de há partes, em cima de
há partes para me proteger, que é
atenção que eu estou a dizer esta frase,
mas eu sei que na situação A, não sei
quê, na B, mas isso ao consumidor final,
ao público em geral, não interessa. E
portanto, h a única coisa inegociável
foi quando eu fazia alguma alegação, eh,
efetivamente vamos pensar que
determinado alimento reduz o risco de
determinada patologia. Eu tinha que pôr
a referência científica, tinha que pôr
lá o número pequenino para poderem
consultar. Essa foi a parte inegociável.
Mas o ter que explicar o estudo e as as
limitações metodológicas, isso foi algo
que tive que largar porque não tinha
outra hipótese. Eh, e acho que é isso
que o Pedro dizia, que é h o livrarm-nos
desta amarra da ciência na parte da
comunicação, porque não nos devemos e
largar dela na parte do pensamento
crítico. Eh, é absolutamente
fundamental. Sim.
>> Uhum. Então, voltando às intolerâncias,
alguém que tenha uma dúvida sobre ter ou
não uma intolerância? Qual é maneira
cientificamente mais robusta, mas que
também tem em conta a carteira que que a
pessoa pode possa fazer para descobrir
se tem uma intolerência ou não?
>> Consultar um imunoalergologista. os
testes,
>> os testes é assim, objetivamente,
objetivamente os testes das
intolerâncias que existem é a frutose e
à lactose, que são testes respiratórios
e que não são particularmente caros e
depois podem existir e intolerâncias são
uma coisa, as alergias são outra e
depois os testes às alergias podem ser
testes cotâneos e e de outra forma e
sanguíneos também. E são testes que não
são, daquilo que é o meu conhecimento,
eh, se calhar até tão caros como esses
testes a 200 e 300 e 300 alimentos. E
assim, e depois há outras h e nós às
vezes lidamos com isso com com alguma
frequência que é eh alguém que tem um
síndrome no intestino irritável, que tem
alguns alimentos que não se sente bem do
ponto de vista disto com eles ou com
mais cólicas, flatulência, com mais
alguma distensão abdominal, h, não há
nenhum teste que ela possa fazer que
comprove isso. Por isso uma dificuldade
digestiva não dá para testar.
>> Exatamente. Ou seja, quando é uma
alergia, a pessoa tem alguns testes e
que que pode fazer e análise que pode
fazer. essa própria questão da da da
frutose e da lactose também pode também
pode fazer a e saber até que ponto é que
é que existe essa essa intolerância e
depois gerir o o grau de exposição, qual
é a quantidade que ainda pode que ele é
que ainda pode ingerir e depois nós
temos, claro que temos alguma forma de
fazer isso, as dieta mais pobre nos
foods que são compostos que têm uma
fermentação um bocadinho diferente, mas
que nem toda a gente reage da mesma
forma a a a todos eles. Hum. E a própria
pessoa aí pode tentar fazer quase esse
diário alimentar retrospectivo quando
sente essas dificuldades distivas. Eh, o
que é que ingeriu nas refeições
anteriores? Tentar encontrar ali um ou
dois ou três alimentos. E muitas das
vezes isso já acontece porque pode ser
com os cogomelos, sintoma-me assim, com
os brócolis sinto-me assim, com a maçã,
sinto-me assim. E não há problema nenhum
em ingerir esses alimentos, porque
aquilo não é objetivamente uma alergia,
nem sequer se pode classificar uma uma
intolerância. é um malestar que acaba
por existir, pode ser mais ou menos
confortável ou desconfortável neste
caso, sobretudo porque nesse caso nós
até estamos a falar em alimentos com uma
grande quantidade de fibra que podem,
muitos deles, outros nem tanto, mas que
podem ser, se nós olharmos para essa
lista quase desses desses alimentos, e
nós temos lá alimentos ótimos, porque
temos a maçã e a pera, porque temos e os
brócolis, porque temos covo de bruxelas,
couve flor, porque temos o feijão, o
grão e por isso estar a retirar todos
esses alimentos é uma coisa que não faz
que não faz sentido. Agora, isso é
daquelas coisas que nós fazemos já
depois de poder estar despistado tudo o
resto. H, e por isso nem sempre tudo é
eh viria quantificável. Nós não nem
sempre temos resposta para essas
dificuldades digestivas que podem que
podem acontecer. E muitas vezes também
não temos que retirar isso. Não é uma
alergia a um alimento. Eu não tenho que
o eliminar. Não é uma doença celíaca
como acontece no glúen. Eu não tenho de
eliminar este este alimento. Sinto algum
desconforto. Já sei que se calhar quando
comer um prato ou uma sopa mais rica
neste alimento, posso ter aqui algum
desconforto, tentar não juntar
demasiados na mesma refeição, h, e
depois tentar viver viver com isso,
porque nomeadamente esses alimentos
acabam por ser bastante equilibrados e
bastante ricos nutricionalmente e em
alguns casos não faz sentido iluminar.
Pois, há aqui uma componente grande que
eu acho que
estamos todos um bocadinho desligados
dela porque porque estamos todos calar
muito cientistas e muito racionais, que
é algo tão simples como escutarmos o
nosso próprio corpo, não é? Às vezes
dizes aos jogadores de futebol, pá, vê
como é que te sentes, como isto e e
tenta observar e tem mesmo consciência
de de como é que te sentes.
>> Eh, isto tem dois lados, que é h, por
exemplo, quando eu posso testar um gel
energético, eu tenho que o testar várias
vezes em treino para perceber se aquilo
lhe causa algum desconforto durante o
exercício. E aí temos que testar e não
há outra forma que não seja o de dar
duas ou três ou quatro vezes naquela
situação específica e entender qual é a
sensação. Outra coisa perigosa, eh, e aí
já, já no polo oposto, é nós termos esta
percepção de que se nos sentimos bem com
determinado alimento, ele nos está a
fazer bem. Isto acontece muito com
proponentes da dieta carnívora. Porquê?
Porque ingerem muito pouca fibra, muito
poucos alimentos com capacidade de
fermentar propriamente muito a nível
intestinal e os sintomas
gastrointestinais que tinham antes podem
efetivamente melhorar. Mas dizer que
aquilo lhes está a trazer saúde a longo
prazo, aí vai um caminho muito grande
que a ciência não só não valida como
contradiz. E por isso pode ser perigoso
esta ideia do testei, senti-me melhor,
portanto, OK. Aliás, há um exemplo muito
curioso até que é é o da lactose.
>> Eh, há um trabalho relativamente recente
a mostrar que talvez quem mais tem
benefício de laticínios a nível da saúde
intestinal, portanto da redução do risco
de cancro do colon, pode ser quem tem
mais intolerância à lactose, porque é a
fermentação da lactose que via
microbiota pode trazer eh ali
benefícios. Portanto, é extraordinário
como nós podíamos achar que alguma coisa
à qual somos intolerantes afinal nos
pode trazer algum benefício. Com isto
não estou a dizer para as pessoas
consumirem lactose se forem
intolerantes, até porque isso lhes vai
causar desconforto. Mas e mas para
>> comem só comem só na segunda metade do
dia quando depois já estiverem em casa.
>> Exatamente. Já quando disseste essa
frase já tinham feito pausa e já foram a
correr. Pá, já foste.
>> E depois vais fazer um clipe em que eu
não digo o resto, não é?
>> Ex.
Então vamos falar um bocadinho de leite
porque o leite era muito popular e e
agora ninguém gosta do leite.
Muita gente que substituiu por leite de
arroz e leite, estou a fazer aspas para
quem tá quem só no está a ouvir e leite
de amêndoa, leite a veia. H, isso
nutritivo, nutricionalmente não é tão
interessante como o leite, pois não? Eh,
lá está, primeiro podíamos responder à
questão de se o leite tem essa máfama e
se lhe é devida essa má fama. E depois
há a questão das bebidas vegetais, as
alternativas vegetais, e se são ou não
parecidas com o leite. A maior parte
delas não tem muitas semelhanças, não só
no teor proteico, como vitamínico não é
propriamente semelhante ao leite. E,
portanto, chamar-lhe leite só se pelo
aspecto de líquido branco. H, no
entanto, há algumas bebidas que já se
tentam assemelhar ao leite através da
fortificação com certas vitaminas e
minerais, nomeadamente o cálcio. Se
tentarmos fazer um alimento que tenha
mais ou menos o mesmo teor proteico,
possivelmente terá que ser uma bebida à
base de soja, portanto uma bebida de
soja ou típico leite de soja. E aqui
faço novamente as aspas, h, um leite de
soja, uma bebida de soja fortificada em
cálcio, aproxima-se do leite, no sabor,
eventualmente, eh, no aspeto, no teor
cálcio e na quantidade de proteína. OK?
já estamos com algo mais parecido.
Agora, dizer que estas bebidas vegetais
são melhor que são melhores que o leite
do ponto de vista da saúde, não há
ciência que o valide mais uma vez, muito
pelo contrário, porque às bebidas
vegetais, eu nunca vi ciência a mostrar
eh que fossem protetoras relativamente a
diferentes patologias. E quanto ao leite
e laticínios, não falta evidência de que
são protetores. E se milhares de pessoas
que nos estão a ouvir disserem: "Pois,
mas eu não gosto e eu sinto-me muito
melhor desde que deixei o leite". Certo?
Possivelmente tinha alguma intolerância
à lactose e nunca mais voltou a sentir
desconforto desde que deixou o leite. E
se quer continuar sem leite também não
me vou intrometer e acho que faz muito
bem. Agora pegar nesta sensação
individual para dizer o leite realmente
estava-me a dar cabo da vida de uma
forma global e o leite é péssimo. Então
aí já não é uma alegação válida.
Claramente.
>> Pois a intolerância a lactose isto é
isto não é baseado em nada a não ser a
minha observação pessoal das pessoas à
minha volta. Hum. Eu sinto que houve
pessoas sem intolerância à lactose que
passaram a a comer como se fossem
intolerantes, meio por contágio e por
ouvir dizer que as pessoas se sentem
muito melhor e por aí fora.
e como tem menos posição à lactose,
deixam de produzir a enzima e mesmo que
não fossem intolerantes, vão-se tornar
intolerantes mais cedo do que aquilo que
seriam numa situação normal,
porque deixam de produzir a lactase com
tanta com tanta quantidade e por isso
tornam-se
tornam-se intolerantes. Mas eu acho que
aqui em relação em relação ao ao leite,
nós tivemos aí uma fase, se calhar ali
2010, 2015, ali uma coisa muito forte da
dieta de paleolítico, então a coisa
estava ali um bocadinho mais pesada do
leite, mas ao mesmo tempo entraram os
laticínios proteicos e nós passamos a
ter o leite que era um veneno e para
pessoas a esvaziar o as prateleiras dos
supermercados quando começaram a existir
ali os primeiros laticínios proteicos,
os primeiros skir, aqueles iogurtes
islandeses, E agora já temos pudins,
mousse em formato de leite, em formato
de iogurte, com várias quantidades de
proteína.
>> E já agora também há tudo isso com sabor
a chocolate do Dubai. Ah,
>> proteína e o sabor a chocolate do Dubai
>> já existe. Já existe, sim, já existem
muitas coisas que a peste. Sim.
>> Hum. e e ao mesmo tempo também tivemos
isso e por isso, claro que hoje em dia a
pessoa iam ir para mercado há 10 anos e
vai agora e o segmento dos laticídios é
uma coisa que está muito maior h com
todas as as formas de de de leites
proteicos, de iogurt proteicos,
iogurtes, pudins, multos, diferentes
tamanhos, diferentes porções de
proteína. E ao dia de hoje já não se
pode dizer que existe tanto essa
aversão, até porque existe sobretudo e
nós lidamos mais com esse público, o
público mais fitness e mais ligado mais
ligado ao treino, h,
com a questão dos produtos proteicos,
tal como a questão da da da creatina.
Eh, são produtos que estão muito em voga
e também já temos em relação aos
produtos de origem vegetal, também já
temos produtos proteicos de origem
vegetal. Ainda bem, h, porque há pessoas
que não não tem a ver com a questão da
lactose, tem ver com a proteína do
leite, que também acabam por não tolerar
não tolerar também do ponto de vista
digestivo. Já não para falar, já para
não falar daquelas que são mesmo que são
mesmo alérgicas e que também precisam
ter essa essas essas alternativas. A
questão das das bebidas vegetais,
normalmente só de só é que tem proteína,
as outras e nunca têm. E o principal
problema é que é, eu acho que é
fundamental a consulta dos rótulos em
qualquer alimento, mas sobretudo nas
vidas vegetais, porque aquilo que
acontece na vida de arroz, na vida da
aveia, depois vai depender sempre um
bocadinho das marcas.
>> Exato. O que é que é beida?
>> É que dizem, é que dizem é arroz cozido,
basicamente e pronto, com mais cálcio,
com mais com mais
>> tipo um chá de arroz cozido.
>> Acredito que sim.
>> Depois usam água onde cozer um chá e e
acrescentam umas coisas.
Sinceramente, também nunca nunca
eh aquilo tem lá água com primeiro
ingrediente e depois tem lá uma
percentagem de arroz ou de aveia numa
quantidade ou de soja também numa
quantidade um bocadinho mais mais curta.
HH normalmente aquilo que acontece é que
por essa quantidade de arroz ou de aveia
ficam lá sempre alguns hidratos de
carbono desses alimentos
e depois dizem: "Não ten açúcar
adicionado".
E de facto é verdade, não tem açúcar
adicionado, mas a quantidade de hidratos
de carbono que lá está muitas das vezes
é 6 7 8 9 10%.
A do leite é cinco. Do leite leite é
cinco. E ou seja, é menor e em alguns
gos até metade. E nós hoje em dia, até
com a questão do imposto do sobre o
açúcar nos refrigerantes, é muito
difícil. Acho que a Coca-Cola é mesmo o
único única exceção, nós encontrarmos um
refrigerante com 10% de açúcar.
E neste caso, sendo açúcar ou hidratos
de carbono, vai dar um bocadinho ao
mesmo, porque do ponto de vista de
calorias h vai acabar por ser por ser um
bocado irrelevante. Ou seja, tendo ou
não açúcar adicionado e se vão ser
bebidas com uma quantidade de calorias e
de hidratos de carbono muito alta, não
vão ter proteína.
Algumas delas, de facto, são mesmo
magras porque não têm quase gordura
nenhumas, mas outras têm ali 2, 3% de
gordura. E nós podemos ter uma bebida
vegetal que, OK, não tem lactose, mas
não tem proteína, tem a mesma quantidade
de gordura que o leite gordo e tem uma
quantidade de hidratos de carbono que
mesmo não sendo açúcar é equivalentado
de um sumo, ou seja, quase aí o pior dos
dois mundos. E por isso é que na questão
das vidas festais já há melhorias em
relação a a outros anos, mas ainda não
há assim tantas bebidas festais que
sejam mesmo light nesta verdadeira
exceção da palavra e que sejam pelo
menos equivalentes ou próximas daquilo
que é o leite magro, seja na quantidade
de hidratos, seja na quantidade de
proteína e na quantidade de gordura.
Ainda as exceções são são muito poucas.
Quanto-se pelo dos dedos das mãos, das
várias marcas, dos vários hipermercados,
as bebidas vegetais que são
verdadeiramente parecidas com o leite,
nem que seja só nessa questão dos
macros. No cálcio é fácil, é fácil
porque como é fortificado é fácil
colocar a mesma quantidade. De outras
vitaminas é fácil colocar a mesma
quantidade. Eh, na relação proteína,
hidratos, gordura não é assim tão fácil.
>> Pois. E depois e no final desse processo
todo, em vez de custar 1 € custa três ou
quatro, não é? E se calhar não mais
valia leite.
>> Sim, em alguns casos. Sim. E ou ou ou
até ou até sim e e como lá há tantas
opções agora do do próprio leite sem
lactose, eh se a questão for essa,
também há leite sem lactose também. E
todos os leites proteicos que são
lançados no mercado já são sem lactose.
Ou seja, nós hoje até se quisermos um
leite proteico com lactose, não há.
>> Qualquer dia aparece no rótulo e por
isso e por isso mesmo para quem está
habituado a ver os iogurtes que já tem
pouca e e quem só bebe leite sendo
proteico para manter aqui se calhar
alguma capacidade de ingerir a lactó e
depois come queijo que já não tem
também.
Eh, o queixo Flamengo pelo menos h que
às vezes beba leite normal sem ser prote
manter aí alguma exposição à à lactose
para fazer atrapalhar ali um bocadinho
aquele intestino e não perder a
capacidade a digerir
>> mas a brincar a brincar ficam
intolerantes à lactose sem querer vamos
falar sobre jejum intermitente h que é
uma coisa que que tem aparecido bastante
também h
corrijam-me se eu estiver errado, mas
dizem que um um dos benefícios
principais é a autofagia, não é? Ou a
limpeza eh celular. H, como é que está a
evidência científica neste neste momento
sobre isso? E a partir de que de quantas
horas é que realmente começa a ter
benefícios? Ou seja, compensa fazer 24,
48, por aí fora.
>> Boa. H, o Jum intermitente é um termo
que abarca eh diferentes estratégias
muito diferentes entre si. Se calhar
aquela pela qual nós conhecemos como
jejum intermitente é que a ciência diz
que é o estreitamento da janela
alimentar, que é no fundo nas 24 horas
do dia, comer em menos horas do que
seria normal ou tradicional e fazer um
jejum que se prolonga mais algumas
dessas horas. H, e a verdade é que, eh,
se alega muitas vezes que o prémio
Nobel, eh, um, um dos prémios Nobel até
descobriu essa questão da autofagia, eh,
com o jejum em modelos animais, em, eh,
processos mecanísticos e não em humanos
com consequências reais e mensuráveis.
Portanto, isto é um ponto eh que é
interessante para começar a nossa
conversa, porque muitas vezes essa
aligação vem precisamente do que o
prémio Nobel estudou e o que ele estudou
não tem nada a ver com aquilo que
acontece na prática. Outra coisa
diferente é eh pensar neste
estreitamento da janela alimentar, neste
jejum intermitente, como uma forma de
comer menos, ou seja, como a pessoa tem
um uma faixa de horários mais apertada,
poderá, sem ter que fazer controle de
porções, ingerir menos calorias por dia,
porque simplesmente as oportunidades são
menores. E esse défico, esse esse
déficórico trará benefícios de forma
direta se a pessoa tiver excesso de peso
ou obesidade. Portanto, muitos dos
benefícios do jejum intermitente podem
vir do défic e não do jejum per si. E,
portanto, vamos entrar na parte que
compara um déficético mais tradicional
>> com aquilo que é o jejum intermitente
propriamente dito. E aí, do ponto de
vista metabólico temos estudos até um
ano, ensaios clínicos até 1 ano, que não
notam qualquer diferença do ponto de
vista do metabolismo, nem na
insulinorresistência, nem no próprio
perfil lipídico, de estreitamentos da
janela alimentar versus simplesmente
comer bem e menos numa forma mais
tradicional.
>> OK? Desculpa, quando falas de
estreitamento, estás a falar então de,
por exemplo, não tomar pequeno almoço ou
não tomar ou não almoçar
>> ou não jantar
>> ou não jantar,
>> que esse é outro ponto importante, é que
a ciência mais recente, e se pensarmos
nos últimos 2 tr anos, começa a trazer
um ponto importante que é nem todos os
jejuns são iguais e há o jejum que é
mais tardio e o jejum que é mais cedo,
ou seja, h, o mais feito na prática é
aquele em que tu não tomas pequeno
almoço e nem meio da manhã e só almoças.
E, portanto, da 1 da tarde às 8 da noite
ou às 9, faz ali um período de 8 horas
de ingestão com 16 de jejum. A questão é
que este 168 também pode ser feito ao
contrário, que é tu tomas pequeno
almoço, almoças, lanchas e fechaste o
teu dia alimentar. E isto está mais
alinhado com aquilo que é o conceito de
cronutrição, ou seja, de que o corpo
responde àquilo que é exposição solar e
que estará mais pronto para processar eh
os alimentos de forma facilitada, ou
seja, com menos insulinor resistência.
de acordo com a luz solar. E estes
trabalhos têm vindo a mostrar que talvez
possa haver algum benefício independente
do défic alinhar a nossa ingestão com a
luz solar. E, portanto, fazer a última
refeição do dia mais cedo poderá ser
interessante. No entanto, temos que
pensar que há muita gente que, por
questões familiares, vai ter sempre
muita dificuldade em fazer a última
refeição a meio da tarde, porque vai
eliminar um momento que se calhar era o
momento do dia de estar com a família à
mesa, que é um momento importante,
>> e outras pessoas que vão treinar ao
final do dia. E aí qualquer benefício
que possa existir desaparece, porque o
treino traz claramente aqui uma
recetividade muito grande do corpo em
digerir o que quer que seja. E,
portanto, serão muito poucas as
situações em que dizer faz este jejum
intermitente, porque isto vai trazer eh
um benefício muito relevante. Neste
momento tenho dificuldade em em
afirmá-lo. Agora, como estratégia para
perda de peso, que também é muito
utilizado, pode ser uma estratégia
válida. Não é melhor em média, e agora
muito bom para fazer aponto com aquela
questão das médias. Não é melhor em
média do que uma restrição tradicional,
aquela restrição de comer de três em 3
horas, mas para algumas pessoas é mais
fácil de cumprir um déficjum
intermitente e para outras é mais fácil
de cumprir um défic de três em 3 horas
quatro ou cinco refeições por dia. E aí
o segredo, lá está, e do nutricionista
enquanto clínico é entender a pessoa em
consulta e escolher o caminho em
conversa. há uma negociação de qual vai
ser a estratégia com base nesta perceção
do que é que eu vou aguentar melhor
enquanto estratégia.
>> Espetacular. Tanta coisa para para
acrescentar aí, mas queria só então pois
é que é engraçado como e lá está por
causa de dos dos meus pensamentos e da
maneira como eu vejo a nutrição, eu
nunca pensei no jum intermitente com uma
maneira de perder peso, porque esse não
é o meu problema. O meu interesse foi
muito mais este da da autofagia e da
limpeza a nível celular. Hum, se eu
fizer 48 horas sem comer, isso pode ter
algum benefício de saúde?
>> É, é muito difícil responder essa, essa
questão, até porque nem sequer há assim
tantos trabalhos que, que tenham feito
uma uma duração assim tão tão tão longa.
H, aquilo que o António estava estava a
dizer, existem também, mas são muito
poucos trabalhos e é uma coisa que se
calhar daqui a uns tempos nós ainda
vamos ouvir falar mais do chavemado fast
mimic and diet, ou seja, que até a
própria tradução quase uma dieta a
imitar a imitar o jum e que mesmo nessa
h até a própria quantidade de proteína é
um bocadinho mais baixa h para depois do
ponto de vista celular nós baixarmos um
bocadinho os níveis de IGF1 e tentar
fazer aí um bocadinho essa autofagia.
Eh, e são coisas que se faz às vezes em
ciclos de 5 dias e durante 3 meses.
Pronto, não há, mais uma vez também
alguns autores também têm ali alguns
interesses comerciais por trás, porque a
empresa que fornecesseições também já
tem assim um bocadinho esses kits.
Pronto, é uma coisa que deixar e maturar
maturar mais um pouco e daqui a uns
meses e anos, vá, ver se de facto isso
pode ter aí algum algum benefício,
sempre sabendo que nós estamos aqui
neste binómio que é eh se bem que aí
também estamos a falar em períodos mais
curtos, que é h e esses mecanismos
solares que podem promover o o o
antia-aging, vá, eh podem ser
equilibrados, não fazer um período de
jejum tão grande que Apesar daí, depois
já tem a ver com o total de proteína que
é ingerida ao longo ao longo do dia. H,
para que esse período de jejum seja
catabólico, porque o facto de eu perder
massa muscular a médio e longo prazo
também não é algo. E e nem estamos a
falar só da parte estética. Claro que
toda a gente gosta de estar, se calhar
mais musculado e menos flácido, mas
nesse caso não, mas nesse caso
>> tem a ver com a parte de saúde, que mais
massa muscular é mais força, mais massa
muscular é maior sensibilidade à
insulina, é uma diminuição muito grande,
é quase como se fosse um seguro de vida
manter níveis de força em massa muscular
altos e sobretudo no caso das mulheres a
partir da menopausa e no caso dos homens
também a partir ali dos 40, 50, 60 anos
>> para a longevidade.
>> Para a longevidade, como é lógico. E e
depois nós temos quear aqui uma coisa
que é longevidade, mas também qualidade
de vida. E por isso
e eu quero ser longevo, mas também quero
ter mais força, quero conseguir ser
autónomo, subir e descer escadas e por
isso aí h eu vejo muito isso, h quase
como se fosse nutrição 2.0 ou nutrição
3.0, que é primeiro nós temos que
conseguir cumprir o básico. Eh, será que
eu já estou a treinar o suficiente? Será
que a minha dieta já é equilibrada o
suficiente? Então, se calhar, se eu já
tiver tudo de forma muito harmoniosa, da
mesma forma como alguns suplementos, eu
eventualmente colocar aí alguns períodos
de de de jejum ou dessas ou dessas
experiências vou desses ciclos de de
jejum, pode ter algum benefício extra,
hh, desde que o resto esteja tudo muito
muito enquadrado. E neste momento não
parece uma estratégia quase, entre
aspas, populacional ou para ser
sugerido. Pois, a dificuldade que que
que eu tenho sempre e e por isso é que
gosto de estar aqui dos dois dos dois
lados, OK? Às vezes dou umas aulas, dou
umas formações, mas depois também o meu
tempo maior é dar consultas, que é eu
vejo isto e está nos estudos, etc. Mas a
operacionalização disso é uma coisa
extremamente difícil, porque eu depois
estou na clínica, tenho a pessoa à
frente e vou sugerir alguém que está com
excesso de peso, obesidade, que nem
sequer o básico consegue cumprir. Eu vou
estar a sugerir que ela agora deixe de
jantar. Pois estamos a falar
>> no limite, no limite, exatamente, no
limite aquilo que até acaba por existir
em muitos casos e e eu aí também tenho
uma postura que não é nada de de de
incentivadora, de a pessoa não acorda
sem fome, não gosta de tomar o pequeno
almoço, gosta de estar em jum até a hora
de almoço. Se for uma estratégia com a
qual sinta bem, não há problema
rigorosamente nenhum, garantindo que
depois não há uma compensação dessas
calorias por se comer muito ao almoço. e
um padrão típico, se calhar, mais
masculino do que do que feminino. Hum, é
o homem que por questões profissionais
tem que almoçar fora de casa todos os
dias e aquilo que acontece é acorda sem
fome porque comeu muito na noite
anterior, faz um grande almoço, como faz
um grande almoço também não lancha. E
como não lancha, chega com muita fome ao
jantar, também faz um grande jantar. Tem
ali duas montanhas de alimentos, uma ao
almoço, outra ao jantar e depois acorda
sem fome no dia seguinte. E por isso o
sedentário e isso claro que não é um
junio intermitente porque não não se
cumprem assim tantas horas de junho
entre essas refeições, mas isso é é algo
que é não eh um dia alimentar uma rotina
nutricional que tá completamente
eh mal estruturada e por isso nós temos
que tentar mudar isto numa primeira
fase. as pessoas que já chegam
com eh essa vontade, que já são mais
curiosas, que já têm mais essa vontade
de experimentar o Jum ou desse tipo de
estratégias, por norma, se calhar, são
aquelas que menos precisam, porque são
aquelas que já são mais ativas, são
aquelas que já têm que não fumam, que
que têm níveis de massa gorda às vezes
até demasiado baixos. H, e por isso,
normalmente é aquele tipo de pessoas que
eu até fico mais preocupado, sobretudo
quando são mulheres, em garantir que
mesmo que façam esse período de jum
comem os mínimos de proteína e comem os
mínimos de cálcio para que isso não
prejudique massa muscular e massa óssea,
porque nada me serve eu viver mais três,
quou 5 anos se depois tiver uma fratura,
se tiver níveis de massação muscular
muito mais muito mais baixo e tentar
estabelecer esse equilíbrio entre tudo.
E em alguns casos não é fácil. E, e é
interessante aquilo que o Pedro estava a
dizer, que é eh esta ideia de dar alguma
prioridade a determinadas estratégias,
porque nós não conseguimos considerá-las
todas, nem devemos eventualmente
considerá-las todas. Eh, e depois tu
disseste esta questão de eventualmente
ser para a high performance, não é? De
de ser já quando alguém tem tudo o resto
estruturado. Mas eu até isso questiono,
que é os estudos avaliam estratégias
nutricionais isoladas.
Eles não avaliam se nós já tivermos uma
os ortofrutículas em dia, já tivermos
uma ingestão de antioxidantes de uma
forma global bastante interessante, já
fizermos aquele h pozinho mágico que é
curcuma com pimenta preta que já nos dá
mais capacidade antioxidante. Se em cima
disso achamos que um jejum prolongado
nos vai trazer ainda mais capacidade
antioxidante ou o que quer que seja, nós
não temos ciência que nos valide se isto
tudo é cumulativo, porque ninguém vive
até, se calhar daqui a pouco só
parávamos nos 200, aliás nos 200 anos.
H, é engraçado ver o a ingestão de
diferentes grupos alimentares reduzem o
risco de diferentes patologias em X.
Então, se nós começarmos a somar essas
reduções, daqui a pouco nós vamos a ter
as patologias inversamente, porque é
impossível aquilo baixa de zero o risco
de ter essa patologia. E na prática
nisto não é assim. E, portanto, eu ponho
muitas vezes esta questão que é até que
ponto em que é que determinada
estratégia vai funcionar para aquela
pessoa se já faz tudo o resto que lhe
vai trazer benefício nesse fator
metabólico. Portanto, é outra questão.
>> Então, no fundo, precisamos de mais
ciência sobre jejum, parece-me, não é?
Ou ou já achas que
>> para a longevidade, sim, eh para a perda
de peso, parece-me já muito muito bem
estruturado, que é não é propriamente
vantajoso em média e relativamente a um
método mais tradicional, mas não deixa
de ser uma opção válida para
determinadas pessoas.
>> Eu a passada fiz um estudo científico n
igual a um, fui eu. Hum, e fiz 24 horas
de jejum e foi muito mais fácil do que
eu pensava que ia ser. Isso achei
interessante também. Eh, fui bebendo chá
verde ao longo do dia e fui fazendo
assim umas coisas que recomendam para
custar menos e fiz jantar ao jantar
porque no contexto em que estava tinha
que ser assim.
E lá está, eu se calhar estava mais
atento à comida porque estava a fazer
esta experiência, mas a comida soube
muito bem, mas incrível. Parecia que
tava, não sei, parecia que tava drogado
e depois hh parecia que tava com também
maior sensibilidade para
aquilo que o meu corpo me estava a
pedir. Vocês acreditam que o nosso corpo
tem esse tipo de inteligência de saber,
olha, ele tá a precisar mais deste tipo
de comida, por isso
vou fazer, vou vou criar aqui o
mecanismo. Claro que não é desta forma
consciente, não é? são milhões de anos
de genética, mas que o corpo tem a
capacidade meio de nos dar mais vontade
de comer coisas que nutritivamente
estamos a precisar naquele momento.
>> Sim, já existem esses mecanismos quase
de regulação. Se estás com défico,
absorves mais cálcio. Se estás com
déficolesto,
produzes mais colesterol endógeno. Eu
acho que nesse caso h a preferência por
por esses alimentos, lá está, quando e
estamos 24 horas em jum, se calhar
aquilo que apetece naquela primeira
fase, OK, tenho de comer qualquer coisa.
Hum, depois aí não sei até que ponto é
que pode existir uma uma até porque
também 24 horas de jejum, objetivamente,
ainda por cima hidratando, não é?
>> 24 horas de jejum também não deixa em
défice no momento de rigorosamente nada.
OK? Claro que é um dia com menos
proteína, mas isso depois é uma coisa
que se compensa nos nos no nos outros
dias.
>> Mas por acaso no jantar pré 24 horas
comi muita proteína.
>> E bem e bem porque assim pelo menos já
se conseguiu garantir que não havia se
calhar aí um catabolismo muito grande,
mesmo que seja um período aí só de só de
24 horas.
Eh, eh, agora acho que aí é é
ainda por cima vendo se calhar uma coisa
é estou 24 horas em jun, se não tem
grande alternativa, claro que vou comer
aquilo que me ponho à frente. Agora se
eu depois consigo escolher, vou quebrar
o jejum, com que refeição?
>> Era um buffé, eu admito terado. Um buffé
do hotel
>> e então havia mil coisas e
>> mas és prioridade a quê?
>> Imagina, eu achei que me apeteceria que
almoço ou era de almoço? Não percebi.
Era canal. Era de jantar. Ah, jantar.
Exatamente. Eu achei que me ia apecer
pizza e massa e assim.
>> E aquilo que me apeteceu mais e começou
pela vida foi assim uma mistura de
legumes salteados e assim com
especiarias. Chamava-se para aí legumes
maroquinos ou assim uma coisa. E pá, p
sou soube mesmo bem. Mas é isso. Foi um
n igual a um. E mas fiquei com
curiosidade para ver será que consigo
cor.
>> Eu eu teria começado pelos hidratos.
Sim, mas eu tenho alguma dificuldade em
aceitar essa essa teoria do corpo, de
ouvir o corpo. Ou seja, quando tu dizes:
"Eu comi o alimento a e fiquei inchado".
Aí é claríssimo isso. Não não não não
acho discutível, mas a ideia de o corpo
pediu-me determinado alimento e,
portanto, isso foi o que lhe fez bem na
hora, aí tenho tenho mesmo muitas
dúvidas de que seja de que seja uma
questão, até porque dessa forma a maior
parte das pessoas comerias chocolate
atrás de chocolate, porque é isso que o
corpo está a pedir, não é? O meu também,
o meu também me pede muito chocolate.
Portanto, tenho mais dificuldade em
aceitar essa questão do impacto positivo
na saúde ouvindo o corpo.
>> Sim, mas o teu corpo pede escolate
porque evolutivamente,
não é? Nós ainda ainda geneticamente
estamos feitos para viver numa savana há
50.000 anos. E o que havia, o que havia
de doce, a única coisa que havia doce
era saudável, era do mais saudável que
havia, era fruta. Por isso, não é isso?
É o problema de o o houve um hacking do
sabor doce pelo capitalismo, se
quiseres, ou pelas outras comidas.
>> Sim. E e pelo seu impacto a nível a
nível emocional, não é? aquela redução
automática da ansiedade a é certo que
não é por muito tempo, mas naqueles
minutos ou ou horas que se seguem a
ingestão, isso isso está bem descrito,
eh longe de ser como as drogas, como
algumas pessoas alegam, eh os mecanismos
são bem diferentes, mas efetivamente e a
única coisa em comum é a área cerebral
que fica mais ativa pelo prazer de eh
mas efetivamente há há esse há esse
impacto. Sim,
>> já falamos do leite que que meio que
saiu de moda. Os ovos tem tem sido uma
viagem espetacular, porque eu já apanhei
de tudo, já apanhei de ovos faz bem,
depois ovos faz mal, depois só clara de
ovo é que faz bem, o resto tem
colesterol. Hoje em dia já podes comer
os ovos que quiseres. Eh, porque é que
aconteceu esta história toda? Qual foi o
caminho científico que que levou a isto?
Eu acho, eu começo por, por trazer aqui
uma frase de um amigo que temos em
comum, o Vítor Hugo Teixeira, que disse:
"O que os outros alimentos precisavam
era de um marketer igual ao de ao
marketer dos ovos". Ou seja, os ovos têm
mesmo muito boa imagem eh pela
comunidade. Eh, e se formos avaliar
estudos epidemiológicos de consumo de
ovos e marcadores de saúde, o ovo numa
quantidade moderada é um alimento
bastante neutro, ou seja, numa
quantidade moderada e depois definir
quantidade moderada também não é não é
muito fácil, mas a verdade é que não. O
consumo de ovos em particular não parece
estar associado a uma redução de risco
de grandes patologias eh que sejam
prevalentes. Mas por outro lado, um
consumo moderado também não parece
prejudicar. E portanto ovo é uma boa
fonte de proteína. A tem alguma gordura
à partida não de grande interesse à
beira de outras fontes de gordura. Não
estou a dizer que é péssima, estou a
dizer que a beira de azeite ou de frutos
oleaginosos ou de abacate é incomparável
naquilo que é o interesse da gordura do
ovo. H pode ser inserido num dia
alimentar típico porque dá prazer a
muita gente. Agora, e idolaterrar o ovo
como um alimento extraordinário
mostra-me ciência porque eu não não
encontro, honestamente.
>> Não tem vitaminas, minerais e
>> claramente o não significa é que todo o
resto do teu dia alimentar não te traga
aquilo que o ovo também poderá trazer.
Ou seja, não é um alimento essencial,
assim como eu também não vejo alimentos
essenciais h de forma individual. Acho
que não há um único alimento que nós
precisamos dizer isto tem que fazer
parte obrigatoriamente. Eh, e e nesse
sentido, lá está, ovo sendo rico em
proteína pode ser extremamente útil em
quem tem que aumentar a ingestão de
proteína. Eh, útil e perfeitamente
aceitável e enquadrável, mas dizer vou
comer ovo porque isto efetivamente reduz
o risco de aí a evidência não não o
mostra de todo.
>> OK. não reduz risco, mas não é não dizem
que é um super alimento por por ter
essas vitaminas, minerais, ter proteína,
não é muito caro também.
>> Eu certo desse ponto de vista e não há
dúvida, ou seja, é uma fonte de proteína
com um preço por grama bastante
interessante, ainda que desde há 2 tr
anos os ovos tenham subido bastante
preço e à beira de alguns laticínios
hiperproteicos, o preço por grama já não
é assim e tão tão compensatório de
alguma forma.
>> Depende do quão mal queres tratar a
galinha. Ex, precisamente, precisamente.
Precisamente. Mas e se há alguém que o
classifica como super alimento, eu tenho
eu tenho algumas reticências em em
corroborar.
>> Existem superalimentos ou é só uma é um
termo que os nutricionistas não usem? Só
o Instagram é que usa.
>> Não, é um termo que os nutricionistas
não não usam. Eu, curiosamente, o meu
primeiro livro chama-se 50 Super
Alimentos portugueses. Portanto, na
altura fizemos esse twist porque porque
a editora também queria meter ali uma
coisa de dos super dos super alimentos,
mas não era
cúrcuma, não era assim esses maca, seja
esses pozinhos todos, não era covo
galega, espinafros, tomate, cenoura,
seja feijão, grão, era era esse tipo de
alimentos. Ainda por cima fizemos só
aqueles que acabam por ser produzidos
cá. E os superalimentos são são todos
estes. Nós fizemos aí um ranking de tudo
aquilo que tem maior potencial
antioxidante, maior quantidade de
fitoquímicos, vitaminas, minerais. E
claro que aí nós podemos ter, lá está, a
couve galega, os brócolis, o tomate, a
laranja, o kivi, os frutos vermelhos,
estamos a falar de de uma grande
quantidade de alimentos e grande parte
deles assim de de de ortoffortículas e
mais alimentos até da de da de origem
vegetal, como a questão dos fortes
gordos também, das sementes. Hum. e onde
depois há espaço para tudo. Ah, onde os
laticínios também cabem, onde o peixe
sobretudo cabe e cabe o peixe mais do
que a carne, cabem as carnes brancas
mais que as carnes vermelhas. E onde os
ovos também acabam por também acabam por
caber. os ovos ti se calhar sofreram um
bocadinho com uma uma associação que do
ponto de vista empírico faria todo
sentido, que é se o colesterol é um
problema do ponto de vista
cardiovascular, o ovo tem uma quantidade
de colesterol na gema muito grande,
tendo em conta aquilo que seriam as as
recomendações. A, e por isso a aquela
questão de a três ovos por semana, três,
quatro ovos por semana, foi uma
recomendação que que ainda prevaleceu
durante algum tempo. Até que depois se
percebeu que a grande parte das pessoas
que têm colesterol elevado eh claro que
se calhar 20 30% pode ter uma origem
alimentar, mas o resto é de é de é de
síntese endóna. E aquilo que nós temos
que fazer para baixar esse colesterol,
claro que controlar a quantidade de
colesterol da alimentação faz sentido,
mas faz sentido quando essa quantidade
está associada a outros alimentos que
também aumenta o colesterol,
nomeadamente gorduras saturadas e trans.
E aí estamos a falar da manteiga,
estamos a falar de folhados, produtos
processados. Antes também se utilizavam
muito umas chamadas margarinas e eh
trans que tinham uma grande quantidade,
agora ultimamente já não é tanto assim.
>> Marisco também tens.
>> E o marisco também.
O marisco também, mas lá está, os ovos e
o marisco fazem parte daquele grupo de
alimentos. Se calhar os ovos até acabar
por ter uma quantidade de gordura maior
por causa da por causa da gema, que é
certo que também têm alguma gordura
saturada, mas nós temos que olhar para o
alimento como um todo. E quer o marisco,
quer os ovos,
têm uma boa quantidade de colesterol.
Isso aí é é é innegável. Mas depois
também tem o outro lado e tem proteína
de ótima qualidade e depois tem mais
zinco, tem mais selênio, tem mais
biotina, tem uma série de de nutrientes
que também que também fazem falta. Mas
essa síntesendó de colesterol, aquilo
que nós produzimos dentro do corpo, que
em grande parte, então em quem tem e
hipercolestamento familiar, é mesmo uma
questão genética que depois só se
resolve a partir de certa idade com com
com a medicação, porque a pessoa pode
treinar, pode ter níveis de massa gorda
muito muito muito muito baixo, é sinal
que não está em grande excedidente
calórico, se aquele valor está
sistematicamente alto, só mesmo o
medicando.
noutras pessoas, noutras pessoas aquilo
que nós temos que tentar fazer é
fazer um plano com restrição calórica em
primeiro lugar, porque tudo aquilo que
dá origem essa síntese colesterol
endosógeno é o produto final de tudo o
que nós comemos, seja proteína, gordura,
hidratos, carbono e depois um um
o estímulo também de uma das hormonas
que promove eh essa essa das hormonas,
não, das enzimas que promove essa síntes
Endógena de colesterol também é
estimulada pela insulina. E se nós
tivermos uma dieta muito rica em
hidratos de carbono, mesmo que não seja
só açúcar, pode ser, posso comer muito
pão, posso comer muito arroz, massa,
batata, não é açúcar, são hidratos de
carbono, depois estarem absorvidos vai
dar, vai dar tudo ao mesmo. H, e se eu
comer uma dieta muito rica em hidratos
de carbónio, eu também vou estar
aumentar muito essa síntese endógena de
de de colesterol. E por isso o facto de
eu controlar
>> qualquer alimento em excesso, mas
nomeadamente aí os hidratos de carbono
também, podem aumentar essa síntese
endosóna de de de colesterol. E por isso
eu até posso baixar o meu colesterol a
comer um ovo por dia, desde que depois o
resto da alimentação, do ponto de vista
das calorias e da própria relação entre
proteína e hidratos, carbono e sobretudo
essa quantidade de gordura hh seja seja
controlada. Não vou certamente baixar o
meu colesterol a comer dois ovos ou três
mexidos eh em manteiga e acompanhados
com bacon pequeno almoço. Isso não vai
acontecer porque lá está, pela grande
quantidade de colesterol de todos os
alimentos que estão presentes nessa
nessa formulação, por exemplo. Hum. E e
é quase um pequeno almoço entrepas
americana assim uma coisa mesmo eh com
grandes quantidades de gordura saturada.
Certamente que isso também pela
quantidade de sal, mas o sal nem entra
nesta equação, pela grande quantidade do
próprio colesterol que lá está. E aí até
nem temos hidratos, podemos ter ou não,
depende do que acompanha, mas pela
grande quantidade de gordura saturada,
hum, e também de algumas gorduras trans
que a própria manteiga também acaba por
ter um bocadinho, hh, aí vai ser sempre
muito mais difícil manter os níveis de
colesterol controlado. Por isso é tudo
um jogo que nós temos que fazer entre a
própria quantidade de fibra, porque lá
está, aqueles esteroides vegetais que
existem nos iogurtes que ou nas cremes
vegetais que diminuem a absorção de
colesterol são esterois vegetais, são
moléculas semelhantes ao colesterol que
são absorvidas em vez de colesterol e
por isso se eu comer legumes e que
também são fontes desses estóis vestais,
eu também acabo por diminuir um
bocadinho essa essa absorção do
colesterol que já está presente na
refeição.
>> OK? Então o colesterol é mesmo
bioquimicamente bastante complexo, tem
várias origens possíveis e e várias e
várias coisas que podem evitar
importante. Às vezes existe esta coisa,
o colesterol é uma farsa. Não, não é uma
farsa. Claro que ele é importante para a
produção hormonal e para muitas outras
coisas. Portanto, é fundamental que nós
o produzimos,
>> mas é certo, é um marcador de risco
cardiovascular de níveis de colesterol
total e sobretudo LDL, que tem que estar
o mais baixo possível em algumas pessoas
que já acumulem outros fatores de risco.
E baixar mesmo com recurso as estatinas
e esse quase bicho papão que existe, é
uma medida que salva eh vidas e garante
a qualidade de vida de de de muitas
pessoas. Por isso, é importante em 2026
manter manter isto eh vivo.
>> Ó António, isto é uma pergunta se carar
um bocado técnica e muito específica,
por isso se não souberes é perfeitamente
normal. Mas tu sabes qual é que é a
variabilidade que existe dentro do
do impacto que tem no colesterol mau a
alimentação? Ou seja, existem pessoas
para quem a alimentação tem zero impacto
e outras para quem tem 50% de impacto.
>> Eu diria que zero impacto e é
praticamente impossível de encontrar e
mas o maior impacto ou menor, claramente
que há essa variação. O difícil vai ser
dizer quem é que tenha ou não um grande
impacto, porque o que vemos muitas vezes
são pessoas que têm um colesterol
elevado QB por motivos genéticos, ou
seja, a genética é o maior o o fator
preditor com mais impacto naquilo que é
o colesterol de alguém, nomeadamente o
total, mas também a sua fração LDL. Isto
não invalida o impacto que a nutrição
possa ter. Agora, o que acontece é que a
nutrição não consegue baixar o
colesterol, muitas vezes até níveis que
podíamos achar benéficos naquilo que é
redução de risco, se a genética forte o
suficiente para manter os níveis mais
elevados. No entanto, mesmo em quem tem
tendência a ter colesterol alto, comer
mal vai eh de alguma forma aumentar o
risco dele próprio subir ainda mais. Ou
seja, uma coisa é ter o LDL a 140, outra
coisa é ter o LDL a 200 ou a 300. E
nesse desse ponto de vista, eu ouço
muitas vezes pessoas a dizer que têm o
colesterol elevado por fatores
genéticos, não é errado, mas às vezes
parece que desresponsabiliza o impacto
que a nutrição pode ter, que é grande,
que é grande.
>> E é uma maravilha essa
desresponsabilização porque permite
comer tudo o que é maravilhoso.
>> Pois, claro que é, sem dúvida, sem
dúvida. Mas eu consigo descobrir sobre
mim, ou seja, pá, eu adoro o presunto e
e gosto de quase tudo que faz que faz
mal ao colesterol e tenho o colesterol
tendencialmente alto e nunca fui gordo e
faço e faço desporto e meu pai também
tem colesterol tendencialmente alto. H,
eu se por acaso fizesse, conseguisse
fazer uma experiência comigo próprio em
que, pá, faço uma, faço análise ao
sangue e depois fico um mês sem comer
absolutamente nada com o colestrol e
depois faço outras, se aquilo não baixar
muito, luz verde para comer presunto ao
resto da minha vida até à cova.
>> Ah, quase certo. Mas atenção, disseste
uma coisa que é não comer as coisas que
podem prejudicar o colesterol, mas eu
diria uma coisa que tem tanto ou mais
impacto, que é comer as coisas que podem
beneficiar o valor de colesterol, porque
também temos isto não é apenas uma lista
de proibidos, é muitas vezes as
substituições. H, e por exemplo, às
vezes podemos pensar e o consumo de dois
ovos ao pequeno almoço aumenta o
colesterol em quem já tenha um valor
elevado. H, difícil dizer se são os ovos
que estão a aumentar esse valor de
colesterol. Agora, por aquelas 180
calorias, se eu pegar num skir natural e
lhe juntar umas nozes e umas sementes de
chia, talvez o impacto possa ser
interessante. Claro que não vai ser só
por aquela troca que vamos passar de um
140 para 110,
>> que a chia as chia as sementes chia
reduzem colestr
>> as sementes oleaginosas e os frutos
oleiaaginosos pelo seu conteúdo e em
gordura nos ácidos gordos específicos e
também em esteroides e estanois vegetais
tem um impacto redutor naquilo que é o
colesterol, por exemplo. Agora é um dia
com 24 horas, um dia alimentar muito
elevado e não podemos dizer só que pela
troca de ovos, por seguir com com nós
vamos ter aqui um um fator extremamente
relevante. Mas e podemos olhar sempre
para esta ideia de quando perguntamos se
algum alimento é adequado a determinada
situação, podemos pensar eh pelo que é
que ele poderia ser substituído, porque
nem nem sempre é o deixar de comer, é o
que é que passamos a comer em vez de
>> Sim. E aqui entramos no numa outra parte
que eu queria conversar com vós, que é
muito difícil fazer investigação em
nutrição, porque pá, pegas em, não é,
tem para ter um um número de pessoas
interessante, hh, não consegues
controlar muito bem, não é? Nem vais
conseguir. Se disseres para eles
deixarem de comer qualquer coisa, cada
um vai substituir por uma coisa
diferente e isso vai, não é? É, não é
muito difícil ter no fundo um control
group
>> e mesmo tendo um bom, mesmo que
conseguisse ter um bom control group, o
outro grupo eh se deixa de comer alguma
coisa ou passa a comer outra, isso vai
estar sempre a substituir outra, não é?
É muito difícil fazer esta investigação.
Eh,
>> sim. E e aí estamos a falar, se calhar,
nesse contexto dos ensaios clínicos. Nós
tivemos a falar até em estudos
epidemiológicos, até vamos estar
dependentes daquilo que as pessoas dizem
que comeram ou se lembram que comeram.
às vezes pode ser sempre um bocadinho
>> ah pois
>> mais saudável do que aquilo que seria
que que é a realidade, porque mas sim
claro que fazer fazer eh eh eh a
investigação nessa área e e tentar
isolar bem essas essas essas variáveis é
uma coisa que não é
nada fácil.
H, e essa também é uma é uma das razões
para que
todas essas informações que nós vemos ou
aumenta o risco, diminui o risco e
sobretudo quando nós estamos aqui a
falar de coisas mínimas de 5%, 10%, 15%,
é uma coisa que é importante perceber h
qual foi o contexto e como é que foi
estudado. E depois se a e sobretudo
nesta parte científica utiliza sempre o
jargão que é o significado estatístico.
E é verdade, pronto, tem que exir
significado estatístico, mas outra coisa
também importante perceber é qual é o
significado clínico que aquilo tem,
porque eu posso ter algo que tenha um
significado estatístico de aumentar 1,
2, 3, 4, 5% ou mesmo esta questão do jum
durante tanto tempo em comparação com a
restrição calórica contínua, h, há
significado estatístico. A diferença é 1
cm na cintura ou 0.59 59 kg ou eh 5 mm
eh e 5 mg por de de dos de dos desbolos
de colesterol. Quer dizer, OK, pode
haver de facto essa direção e esse esse
benefício h na parte dos suplementos,
exatamente a mesma a mesma coisa.
aumentou o gasto calório com suplemento
para emagrecer, com ação termogénica,
aumentou o significado estatístico, qual
é que foi mais 10, 14 kilcalorias por
dia. É tentar perceber eh de facto se e
nos suplementos para melhoria da
performance, exatamente exatamente a
mesma situação. É ver até que ponto é
que se justifica eu estar a ter este
investimento, seja num suplemento, seja
noutra substância qualquer, ou a mudar
muito a minha alimentação.
tendo em conta que, de facto, e mesmo
com todos esses vieses que vão sempre
acontecer do ponto de vista da
investigação, o resultado final pode ser
algo que não é assim tão relevante h e
que existem muitas outras mudanças que
se podem fazer na na na nossa
alimentação com aí sim um significado
clínico muito mais relevante,
>> muito mais. é que se calhar os
nutricionistas e quem está na área,
esses trabalhos que às vezes acontecem
que vai por cima das coisas que que no
meu entender, se calhar já existiu mais,
já existiu mais e agora não existe tanto
que são mesmo pessoas,
não lhes chamaria revisões, mas quase
jornalistas especializados em ciência
nos jornais eh em que fazem um trabalho
bom em prol desta divulgação científica
e não é, entre aspas, o estagiário que
viu um trabalho ou porque já viu noutro
jornal internacional e tenta replicar
>> esses trabalhos de aumenta isto, diminui
aquilo, salvo raríssimas exceções. Quem
é da área nem sequer abre notícia, nem
sequer eu até faço propositadamente para
não abrir que para não dar ali mais um
view porque porque não é assim, isso é
uma coisa que só contamina e que depois
a pessoa vai às caixas dos comentários e
que ah, eu sabia, eu tinha razão e
depois o outro quer dizer e andamos
nisto.
>> Sim. Uma vez vi uma um um vídeo ou um
post de alguém a mostrar que se
googlares e café causa cegueira
encontras e artigos sobre isso ou que
piora à vista e se se pesquisares café
melhor à vista também encontras. Ou
seja, em nutrição encontra-se quase tudo
e o seu oposto, não é? Sim,
>> não estou a falar de dos e das revisões
sistêmicas nem nada disso, mas assim
artigozinhos dizer tudo.
>> Mas às vezes até nessas metaanálises e
revisões sistemões sistemáticas do que
metaanálises, tu vês e algum viés por
parte dos autores e a chegarem a
conclusões muito opostas a outros. Eu
lembro-me de dois artigos publicados em
2017 sobre glucosamina e condroitina,
que são suplementos muito utilizados
para a questão da rigidez articular e e
alguns problemas articulares no global.
Hum. E os dois têm publicados em bom em
boas revistas e um deles diz: "Não há
evidência que convença para a
utilização, ainda que o custo seja
baixo, não há evidência relevante que
que seja relevante." E o outro diz:
"Tendo em conta o custo e a falta de
efeitos secundários relevantes,
claramente é uma boa aposta. Portanto,
são duas revistas boas com autores que à
partida têm algum reconhecimento a
chegar a conclusões diferentes com base
na mesma ciência, porque o ano foi o
mesmo. E, portanto, nós temos mesmo
ciência para todos os gostos. Tu tens
estudos, há estudos que mostram
diminuição de risco de cancro com
edulcurantes,
muitos a mostrar que não há impacto e
alguns a mostrar que há aumento.
Portanto, escolhe e defendes a tua tese.
Portanto, é é um perigo. É um perigo,
porque antigamente havia os da ciência e
os não da ciência. Hoje em dia são
todos. Toda a gente lê o artigo, toda a
gente tem o artigo para mostrar. O
problema é que para quem consome a
informação é absolutamente impossível
saber se aquele artigo representa o
corpo de evidência total.
>> Sim. Sim. Ó pá, isso isso seria um
episódio inteiro só sobre a pirâmide
evidência científica, não é? Mas mesmo
as as revisões sistemáticas, os
critérios para se filtrar os papers que
se incluem na revisão, podem fazer toda
a diferença. E
>> e e ambos só usarem revistas de alto
impacto, mas um outro critério qualquer
fazer toda a diferença. Sim.
>> Multivitamínicos. hh para quem tem uma
uma alimentação já saudável e variada,
hh, vai quase tudo parar a urina ou tem
benefícios?
>> À partida não terá benefícios hh por uma
razão muito simples, é que dificilmente
alguém que tenha uma alimentação
adequada e equilibrada terá déficitos e
minerais globais, ou seja, variados.
Pode haver défice num ou noutro
nutriente por causas muito específicas.
por exemplo, hh atletas adolescentes que
à custa da menstruação e e de outros
fatores têm déficritina
e muitas vezes anemia. Hã, isso
claramente que é algo que tem que ser eh
à custa da suplementação na maior parte
dos casos tem que ser tratado no hora.
Não há dúvida absolutamente nenhuma.
Acho que ninguém se nega eh ninguém
consegue negar a pertinência de compor
eh aquele valor, aquele valor analítico.
Agora, eh temos que ver também que os
polivitamínicos e poliminerais são eh eh
compostos por dezenas eh de de vitaminas
e minerais distintos, mas todos eles à
partida numa dose relativamente baixa
que para quem tiver um défico,
dificilmente vai tratar o défic. Ou
seja, eles nem atuam em alguém que tenha
falta de porque têm pouca quantidade e à
partida também não seriam necessários só
para manter níveis bons em alguém que
come bem de uma forma global. Portanto,
eu vejo muito pouca relevância na
utilização de multivitamínicos.
>> Então, nem sequer funciona com uma
espécie de seguro contra todos os
riscos, porque a dose não é suficiente.
É isso? para combater um eventual
défice, por exemplo, à custa de uma
patologia ou de uma condição, como é,
por exemplo, ter eh grandes fluxos na
menstruação, dificilmente um
polivitamínico, multivitamínico vai eh
dar ferro suficiente para combater ou
para prevenir eh essa esse défic.
>> Mas causa dano ou não causa dano?
>> Difícil dizer se algum, eu diria que
todos, nenhum suplemento tem risco zero.
Podemos começar logo por esta premissa.
Se nós formos ver eh nos Estados Unidos
dados publicados de suplementos que
causam dano hepático, portanto danos no
fígado, eh eles até incluem os
esteroides anabolizantes na nas contas,
eh que não são propriamente suplementos
alimentares e claro que estão lá em
primeiro lugar, mas logo a seguir vêm
extratos de plantas, tipo extratos de
chá verde e há alguns relatos de
multivitamínicos ou vitaminas e minerais
isolados a causar danos eh no fígado.
Portanto, nada tem risco zero. Para além
disto, há sempre um custo associado. E
eu gosto também de falar nesta questão
do custo económico, que é vai tomar
multivitamínico só porque mal não faz,
não é? Primeiro, não o podemos garantir
e segundo, dificilmente e valia a pena
aquele aquele investimento mesmo
económico.
>> Uhum. Mas os multivitamínicos mais e
assim mais conhecidos hum
100% de dose diária recomendada de todos
os vitaminos e minerais. Alguns às vezes
até parece 200%, 300%,
>> que é insuficiente para tratar um défic
marcado.
>> Ah, mesmo assim é insuficiente.
>> Claramente se tiveres um défic de
vitamina D marcado com os 15 microg dose
diária recomendada, nunca mais vais
conseguir compor esse déficit de
vitamina D. Tens que dar muito mais do
que esses 15 microg. Portanto, e com a
maior parte das vitaminas e minerais
acontece o mesmo. Muitas vezes, se a
pessoa tiver receio de ter déficit e
minerais, temos é que perceber a causa,
porquê? não come hortícolas, não come h
determinado grupo de alimentos que é tão
importante para esta vitamina ou para
aquele mineral. E aí tentar compor do
ponto de vista alimentar parece-me muito
mais interessante do que estar a dar o
multivitamínico, até porque isso pode
levar alguma desresponsabilização na
parte alimentar. Sabes aquela ideia de
isto está garantido, portanto a sopa se
calhar não é assim tão importante se eu
estiver a tomar este multivitamínico.
Portanto, tenho assim uma uma visão
sobre o tema um bocadinho particular.
Pedro, estamos a ficar
mal habituados por porque em geral no
ocidente, não é? Que lá que estamos a
estamos a falar aqui de um privilégio h
nos alimentarmos tão bem. Ou seja, eu
imagino lá está a maneira como nós
vivemos durante milhões de anos como
caçadores, coletores e não só, em que
comíamos um ou dois tipos de coisa, não
é? E às vezes havia sazonalidade quando
era carne, quando era uma dieta quase só
à base de carne. Nem isso, nem a
sazonalidade havia. Hum, será que hoje
em dia somos menos resilientes a
momentos da nossa vida em que tínhamos
que ter uma dieta menos variada? Ou
seja, que vamos ficar mais doentes agora
formos acampar e só comermos sardinhas e
tostinhas durante uma semana?
H, não diria, porque eu acho que nós
também temos que ter aí carências também
nutricionais graves e também até
proteicas para que isso se calhar até
acaba por ter algum impacto h na nossa
saúde e no nosso sistema imunitário,
sobretudo isso. Eh, agora é lógico que é
gostamos sempre de se calhar tomar a
vitamina C para evitar um resfriado ou
tomar ali grandes doses de de de
vitamina D. Então isso na COVID a pessoa
eh se calhar achou-se que seriam
suplementos vitamínicos. Isso até chegou
a ir ao ao parlamento h eh de de um
líder político na altura de pedir, se
calhar, acho que foi uma baixa do IVA
para alguns suplementos vitamínicos na
altura do COVID. Pronto, também h com
uma certa influência, mas eh eu não
considero que nós estamos hh menos
resilientes desse desse ponto de vista.
Eh, estamos menos resilientes a nível
comportamental, certamente. E a nível
mental, isso sim, porque estando
habituados a a a outro tipo de conforto
e uma alimentação mais mais equilibrada,
h, e essa sensação de bem-estar pode,
basta às vezes isso pode-se encontrar em
algumas férias que que a pessoa pode
passar em alguns momentos, em alguns
retiros que pode fazer, a
disponibilidade alimentar não é tão
grande. sente-se falta, sente-se, se
calhar mais obstipação, sente-se ali uma
energia um bocadinho diferente por não
se estar a comer a mesma quantidade de
sopa, de fruta, de legumes, a se ter uma
alimentação assim tão tão tão
diversificada. H, até chegar ao ponto
disso desenvolver uma carência
nutricional marcada de alguns
micronutrientes, eh se calhar temos que
não é só em uma, duas semanas que isso
vai que isso vai acontecer. Eh, e
adicionando adicionando eh ali só uma
situação dos dos multivitamínicos que o
António estava a dizer, hh os
multivitamínicos eh ou ou a decisão de
incluir ou não, hh, pode depender também
de duas outras situações, que é a pessoa
está em défice calórico ou não, porque
se tiver em déficórico, logicamente que
a probabilidade de poder ter algum défic
nutricional é maior. Depois também se
está a treinar ou não. E se estando a
treinar
existe aí algum nível de fadiga que que
possa condicionar essa essa situação?
Hum. E às vezes quando se suspeita, se
nós fizermos mais ou menos elencarmos
aquilo que a pessoa mesmo num plano
alimentar restritivo está a comer,
eh, e o que em algumas vitaminas ou
minerais que possam estar mais em
déficit, eu se calhar posso não
suplementar de forma geral no
multivitamínico, especificamente, mas se
calhar em um, dois ou três mais
específicos. hh que se eu, por exemplo,
tiver eh eh dar um plano com alguma
restrição calórica e que eu não posso
abusar tanto na quantidade de frutos
gordos, na quantidade de cereais, na
quantidade de pão, logicamente que eu se
calhar não vou ingerir aquela quantidade
de magnésio que poderia ser ideal para
eh chegar à chamada dose de recomendada.
E e e como ele estava a dizer, do ponto
de vista de correção de défic, eu não
vou dar os 15 mg de ferro que faz parte
da dose era recomendada, tem que dar uma
quantidade ali a partir de 50, 80 ou
100. E no caso da vitamina D, exatamente
a mesma a mesma situação. No caso da
B12, exatamente a mesma situação.
>> Hã, e por isso a existir essa parte
multivitamínico que pode ser, tirando se
calhar às vezes até o o efeito placebo
que pode ter em alguns em alguns casos,
hum, é mais para corrigir algum eh não
tanto para corrigir o défic, mas para eh
não o défic que a pessoa tenha, mas o
défic que aquela intervenção nutricional
está a ter. Eh, claro que depois quando
estamos a falar em cas cirurgia
bariátrica em que houve diminuição da
capacidade de absorção de alguns
nutrientes, a isso tem que sempre que
acontecer em alguns em alguns casos. Hã,
e mesmo que se calhar ainda ainda iremos
falar aí de agora destes novos fármacos
que OK, se de facto a pessoa tem uma
grande redução do apetite e que isso faz
com que coma objetivamente menos, também
inserir essa questão do multivitamínico,
aí sim pode ser uma segurança, uma
segurança adicional. Já lá vamos esses
suplementos. Queria só fazer aqui a
pergunta de mecenas do dia que é da
Cláudia Azul que pergunta se existem
mesmo alturas do dia certas para certos
alimentos. Eu lembrei-me, por exemplo,
daquela frase, eu não sei dizer bem, mas
fruta. De manhã é uma bênção, à tarde é
não sei quê. Tu deves saber como é que
é.
>> De manhã é ouro. E à tarde prata e a
noite mata. Exatamente. Mas é sobre a
laranja. Exatamente. Era só laranja ou
não era frut? Em geral, isso tem alguma
alguma base científica? Não,
>> não tem, não tem. Eh, aliás, eh, é um
bom exemplo de como as coisas que se
dizia antigamente não são propriamente
adequadas, porque às vezes há aquela
ideia de quanto mais velho for um ditado
ou um conhecimento específico sobre
nutrição, mais valioso é, não. Menos
conhecimento tinham tinham na altura.
Eh,
>> mas muitas vezes bate certo, mas sim, ex
bate certo. HH E, e portanto é essa
questão que me estavas a perguntar sobre
o timing dos alimentos. Mais do que o
timing dos alimentos, pode fazer algum
sentido o timing dos nutrientes,
portanto, hidratos de carbono, gorduras,
proteína. Eh, em casos específicos, por
exemplo, no contexto desportivo, não há
dúvida absolutamente nenhuma de que o
timing de alguns nutrientes pode fazer
sentido. Por exemplo, no dia anterior a
uma prova, o jantar e ou a ceia vão ser
momentos importantes para encher o
fígado com com glicogénio, que vai ser
absolutamente fundamental na
performance. Agora, em alguém que é
saudável, que não é atleta, se calhar
não tem que se preocupar muito com o
timing, mas mais com a qualidade global
daquilo que que come.
>> Mas, por exemplo, não comer muito antes
de dormir, até porque dificulta o sono,
é essas coisas, mas aí já tem mais a ver
com o sono do que com a nutrição. Saúde.
Sim. Eh, e do que saúde no sentido
global de prevenção de doença e
longevidade e bem-estar. Eh, já é com
fator específico que é nutrição e sono.
Aí também podemos entrar, por exemplo,
no tema nutrição e sono e na questão da
cafeína. por exemplo, hh que pode ser
muito interessante sobre diferentes
prismas, mas a partir de certa hora para
muita gente vai impedir uma qualidade de
sono ótima e e portanto o timing aqui é
absolutamente fundamental. por exemplo,
>> mas por exemp por exemplo não se deve
comer 3 horas antes de dormir ou 4 horas
antes de dormir assim alguma guideline
ou
>> não há nada que eu diga a não ser esta
tendência e para a evidência à
cronutrição mostrar que uma grande
quantidade de alimentos, nomeadamente
ricos em hidratos de carbono, mais ao
final do dia, pode não fazer muito
sentido, a não ser que a pessoa treine
nesse horário. Portanto, tentar que os
hidratos de carbono não estejam
maioritariamente alocados na parte final
do dia. principalmente em quem for mais
sedentar e poder tirar daí e algum algum
partido.
>> Uhum. Então vamos lá falar do Ozenique.
E os Ozenique é o nome comercial, não é?
>> Qual é o qual a substância, o princípio
ativo? O
>> Pic é semaglutido, né?
>> Sim. E o Monjar tira-se batida.
>> Tira-se de patida.
>> H. Houve uma explosão de de vendas
destas substâncias, não é? São são
substâncias recentes ou houve só uma
explosão de mesmo de vendas? longar o
salv deve ser 2023 ou 2024 o é capaz ser
um bocadinho se calhar tem cinco ou se
anos o pique
>> e e dois o monjar do
>> exem muito recente mesmo. e funciona,
>> funciona.
>> Como é que funciona?
metabolicamente, bioquimicamente.
Ah, e o o Monjauro depois até tem ali já
duas
duas hormonas. Neste caso, não é só o
GLP1, também é o Jeep, o o Osampic é só
o GLP1, que no fundo são hormonas
produzidas pelo nosso estômago, que que
quase que simula o efeito do final de
uma refeição. São hormonas que nos dão
essa sensação de saciedade, que diminuem
a velocidade do esvaziamento gástrico e
por isso com essa administração, quer
não, quer noutro caso, é injetável e é e
é semanal, hh
o o nível dessas hormonas está alto o
suficiente para provocar essa diminuição
do apetite constante.
e até com alguns efeitos secundários,
como é normal, também são é por causa
deles que acabam por por resultar, que é
essa náusea, essa náusea constante. Ha,
e como tal
o o efeito que eles estão a ter é quase
um paradigma novo na, na, na questão do
emagrecimento que
que nunca nada anteriormente conseguiu
ter efeitos quer
semelhantes a a este. mesmo outros
fármacos que que se utilizavam
anteriormente nunca conseguiram ter um
efeito tão tão grande do ponto de vista
da da do emagrecimento. e eventualmente
no futuro ainda virão outros, menos um a
retratida que que se calhar ainda nestes
ensaios e iniciais que ainda não foi
aprovada, mas que se calhar e o futuro
ainda nos vai dar h fármacos ainda mais
potentes nessa diminuição do apetite,
ainda ali com mais um outro composto que
até pode ajudar na manutenção da própria
da própria massa muscular. H, e sim, eh,
vamos ter aí um um armas que não
tínhamos a ao nosso dispor, porque a
questão da intervenção comportamental e
nutricional é importante e vai ser
sempre importante, mas se não houver
nada, se calhar ali que que mais a médio
longo prazo, porque às vezes a curto
prazo uma
uma dieta ou reeducação alimentar pode
ter mais ou menos efeito, mais ou menos
hh eh um efeito mais ou menos marcado do
ponto de vista do emagrecimento, só que
depois
a partir dos 3, 6 meses, 9 meses, 1 ano,
eh é sempre normal que se existe aí
algum reganho de peso. Eh, mas também
está tudo um bocadinho h numa fase
inicial a perceber também até que ponto
é que esses fármacos, qual é a duração
ideal para para para a sua utilização.
HH is depois até já é uma conversa mais
para endocrinologista do que do que
nutricionista. Agora, para nós, enquanto
nutricionistas, também está a ser uma
aprendizagem, a forma não só
nutricional, mas também comportamental
de de de utilizar aí essa essa questão
dos dos fármacos para tentar
que em ambos os casos se calhar não seja
uma forma quase uma espécie de uma bomba
atómica para por resolver uma discussão
de trânsito ou de condomínio, porque há
muitas pessoas que objetivamente acabam
por utilizar nesse nesse sentido que lei
menor esforço e e para perder uma
quantidade pequena de de de quilos, ou
seja, para o verão, para outra situação.
E por outro lado, porque também existe
ainda sempre algumas
eh
alguma vergonha de outras deoutras
pessoas, se calhar até aquelas que mais
que mais que mais precisam. Eh, e algum
preconceito com a utilização e e alguma
teimosia também de não eu, mas eu tenho
de conseguir por mim e não quero ajudas
e não quero utilizar a medicação. HH
pronto. E e também para nós acaba por
ser um bocadinho uma eh uma experiência
nova, um conhecimento, tentar gerir
gerir isso da melhor forma.
Mas não será também eh uma boa ideia
tentar motivar as pessoas a perderem o
peso sem ter que recorrer essas
substâncias, António,
>> em teoria, claramente. Aliás, é o que
nós temos feito nas últimas décadas, nós
nutricionistas. A, o problema são os
dados e aliás eu acho que isto é pouco
dito
porque vende pouco nas redes sociais,
mas as nossas taxas de sucesso, e quando
digo nossas não são as minhas e as do
Pedro, são as dos nutricionistas no
geral, quando tentam mudar determinado
estilo de vida e estilo alimentar, as
nossas estatísticas são muito
deprimentes naquilo que é o sucesso a
médio longo prazo, porque de uma
primeira para uma segunda consulta,
admito que a taxa de sucesso é bastante
elevada, mas eventualmente numa quarta
ou quinta consulta, alguma coisa vai
acontecer na vida daquela pessoa, seja
um problema familiar, profissional, umas
férias, umas festividades, hh que
levaram a um descontrole daquilo que era
a rotina e de repente aquele peso que
tinha sido perdido com tanto esforço, em
pouco tempo voltou àquilo que era. Eh, e
portanto isto é uma luta quase em glória
da nossa parte, porque sabemos que
claramente esse seria o melhor caminho.
Primeiro, porque a mudança no estilo de
vida, para além daquilo que é o
emagrecimento per si, traz benefícios
extra. Portanto, não é só o
déficerético. E, portanto, e com a
utilização destes agonistas de GLP1,
temos que ter também cuidado, que não é
só o comer menos, mas também aquilo que
comem quando comem para garantir máximo
benefício. Mas realmente é é triste a
taxa de sucesso que conseguimos ver.
Aliás, a a maior parte dos estudos que
tenta chegar a um valor diz-nos que
pessoas que perdem uma quantidade de
peso relevante, ou seja, superior a 10%,
e a mantém nos 5 anos seguintes é
inferior a 20%. Portanto, é muito baixo,
muito baixo. Ainda que sim,
naturalmente, esse seria o caminho que
todos nós gostaríamos de recomendar e e
de conseguir.
>> E quais é quais é que são os perigos do
do Ozenique e e destas substâncias que
fazem a o atalho?
>> Eh, ainda são fármacos relativamente
recentes e, portanto, pode ser difícil
ter uma posição muito sólida sobre
aquilo que são eventuais efeitos
secundários. Eh, de longo prazo, pelo
menos. eh à partida parecem seguros
nesse aspecto. Eh, no curto prazo os,
neste caso aqui os efeitos secundários
são mais de foro digestivo. Portanto,
esta ideia da náusea, do enjoo, eh de
uma falta de apetite muito grande, eh
alguns vómitos, alguns distúrbios
intestinais também eh em algumas pessoas
mais sensíveis. Portanto, isto não
ocorre em toda a gente, até porque são
fármacos que permitem ir doziando. Eh, e
este dozeamento não é só feito com base
no resultado do peso, mas também com os
efeitos secundários que se vão que se
vão sentindo. HH e e portanto desse
ponto de vista, eles estão bem
relatados. A longo prazo é um bocadinho
mais difícil. É mais difícil. No
entanto, temos que pensar também de
outro prisma que é quais seriam os
malefícios de manter um peso
extremamente elevado em alguém com uma
obesidade marcada, por exemplo, uma
obesidade mórbida. E nesses casos nós
temos três soluções, parece-me a mim. H,
manter-se como está, fazer uma
bariátrica ou optar por fármacos deste
tipo. E depois há a quarta
>> bariátrica é o o
>> a bariátrica há diferentes tipos, mas
tem a ver com a redução do tamanho do
estômago de uma forma muito global. Eh,
e é sim, isso sim, são procedimentos com
impactos a vários níveis, nomeadamente
na saúde mental, brutais, que a partida
não estarão, pelo menos nessa magnitude,
neste tipo de fármacos. E, portanto, é
menos invasivo eh a utilização deste
tipo de fármacos do que a cirurgia
bariátrica. Claro que o quarto caminho
que eu nem sequer aqui pus era mudar o
estilo de vida, ir por aqui fora, mas e
da teoria à prática vai um caminho muito
longo.
>> Obesidade mórbida. Claro que que faz
todo sentido e fazer essas coisas, mas
para alguém que quer perder uns quilos
para o verão, não sei, a mim,
>> claro, mas isso é outro tema estranho,
sabes? Eu sinto como um bocado um uma se
fosse um diabinho que nos vem vender um
uma estás a perceber, uma coisa
brilhante que é uma batota e que não é o
ideal para nós, é um atalho.
>> Sim, mas isso aí e agora já há muitos
memes nas redes sociais sobre isso, que
é quando era a vacina de COVID, a pessoa
dizia: "Mas isto é seguro, mas não sei
quê". E agora se calhar com a com a com
estes injetáveis, seja com Monjauro,
aquilo até pode vir de um laboratório
quase de vão desescada, é para
emagrecer, então vamos embora porque
parte estética,
>> a parte estética, sim, e existem até
alguns casos depois aí também das
pancreatidos, pronto, que é uma coisa
que também ainda está ainda está eh que
que são precisos mais mais
>> mais anos para se perceber um bocadinho
essa essa essa essa influência e esse e
e esse efeito secundário que até poderia
ser eventualmente o mais o mais grave de
todos. hh mas sim, eu acho que neste
neste momento nós temos que que nos
colocar eh aqui num numa certa dose de
de ajuda, de compreensão, de empatia,
que é hh claro que alguém ainda por cima
quando antes existia ali aquela questão
do Ozon Pique, seja pela questão da
comparticipação, seja pela questão da
pouca disponibilidade do fármaco, aí se
calhar até existiram questões mais
éticas um bocadinho mais fortes.
Neste momento é tão simples como tenho a
prescrição, tenho o dinheiro, porque não
são propriamente coisas tão baratas e
faço. H, e logicamente que as pessoas
que o fazem quase como uma espécie de
atalho ou desse dopping, porque não o
precisariam de fazer e conseguiriam
escalar por outro por outro caminho, eh,
não são aquelas que me preocupam. as que
me preocupa são aquelas, como já disse
anteriormente, que
eu nunca recomendei nada, aliás, e e
perguntavam-me
n de vezes alguma coisa para emagrecer,
alguma coisa, algum suplemento, algum
termogénico, alguma coisa. E eu sempre
fui contra isso porque sabia que também
não havia nada que resultasse, nem se
fosse cafeína, chá verde, isto ou
aquilo. E neste caso, em algumas
pessoas, inclusivamente até algumas
delas até da própria área da saúde que
tem sempre esta reticência e este
preconceito, não, mas eu vou lá chegar
por mim. E e são várias consultas que
parte até da minha parte, podemos dar
uma oportunidade a isto.
Porque eu já sei de outros casos que é
assim um game changer, pessoas que
estavam ali e conseguimos estava ali uma
consulta, segunda consulta corria bem,
depois na segunda anos perdia tanto a
terceira aquilo estabilizava e depois lá
como estava a dizer vinha umas férias,
um Natal, uma situação qualquer e depois
já aumentava e depois se calhar passado
um ano, 2 anos, 3 anos, os valores iam
sempre baixando um bocadinho, é verdade,
mas depois com tantos retrocessos que
iam existir no caminho, do ponto de
vista mental mesmo, era uma coisa
massacrante. voltar a abordar a pessoa,
voltar agora voltei a aumentar peso.
Estávamos ali em duas, três consultas,
estavam a correr bem e agora só numa eu
em dois meses consegui deitar por terra
algo, uma quantidade de peso e de volume
de gordura que tinha demorado meio ano a
um ano a perder. Ou seja, voltar a
começar isso tudo do zero
>> é uma coisa que e depois muitas vezes
que abandonavam as consultas, que
existiam mesmo do processo, porque eh
não é fácil de de de gerir. E nesse caso
hh é algo que tem que que que veio mudar
por completo o paradigma e que que é uma
situação que tem que ser bem usada a
todos os níveis, por parte de quem
prescreve, por parte das pessoas que
também o procuram. Hã,
porque lá está, quem quem utiliza isso
como um atalho, se calhar
eventualmente, como antes se podiam
fazer as dietas cetogénicas, as dietas
de líquidas, as aqueles processos antes
do verão, faço esta dieta para perder 3
ou 4 kg antes do verão, chamadas, que
não são bem as dietas que são io eram
mais as pessoas que que eram yoyô,
porque procuravam sempre isso em vez de
ser uma coisa que sedimentava mais esses
hábitos alimentares, mudavam estilo de
vida, treinavam com mais alguma
regularidade e E para isso isto vem a
tornar o percurso eh muito mais rápido e
muito mais muito mais direto.
>> Bem, estamos aqui a bater todos os
recordes, são 11 da noite. H, vocês
trouxeram podem falar brevemente do
vosso livro mais recente e e mostrar
mostra para aquela câmara, fala um
bocadinho.
>> Eh, bom, eh, tu na introdução disseste
que eu tinha escrito vários livros. Dois
são vários, não sorte.
erado.
>> Este foi o primeiro que que lancei há
dois anos, chama-se Muito Mais do que
proteína e é é um livro sobre nutrição e
desporto, portanto nutrição para quem
pratica exercício. A, e mais
recentemente, e aqui utilizamos esta
ideia do título alinhado com o anterior,
o Muito mais do que calorias, que é um
livro científico sobre emagrecimento e
saúde e que eu tentei que viesse trazer
algo de novo àquilo que era um universo
já muito povoado do ponto de vista da
literatura para o emagrecimento, com a
parte da ciência que muitas vezes
faltava e acredito eu e espero eu de
alguma sensibilidade clínica que os
últimos anos me trouxeram. Eu não posso
dizer que tenho quatro décadas de
experiência, mas mas quase 1:30 já acabo
por somar. Portanto, e este é acabadinho
de lançar, aliás, ao dia em que gravamos
ainda não foi lançado, mas quando o
virem já já estará já estará nas bancas.
>> Boa, obrigado. E tu, Pedro, tens aí
algum recente também?
>> O meu, este é muito recente, tem 10
anos,
já é 2016. Ambos chamam os mitos que
comemos. Este, os mitos que comemos.
Eh, e tal como a capa indica na altura,
foi na altura do dos laticínios do
gluten e por isso foi muito focado sobre
esses dois, mas com muitas outras
coisas.
>> Aquela
>> é minha. Pronto. OK. Então esta aqui o
primeiro e depois este os novos mitos
que comemos comigo com mais assim uns 10
kg na capa também porque isto foi
fotografado mesmo no pico do covid e por
isso não só do que em relação a este,
mas quase em relação ao que eu tenho
agora também. Hum. e que já foi lançado
em em 2021 e por isso também já já faz
assim 5 anos. E a lá está, a nutrição
vai vai evoluindo, vai desenvolvendo. H,
mas a minha opinião em relação a estes
mitos,
sendo já ou há 10 ou há 5 anos,
mantém-se praticamente a mesma, se
calhar com algumas referências mais
desatualizadas, mas a mensagem do livro
mantém-se intacta. E permite-me só que
que diga uma coisa curiosa, que no outro
dia fhei o teu primeiro livro e achei
curioso que me envelheceu bem. Ou seja,
eh, passaram 10 anos, mas de facto a
ciência não muda, eh, não inverte, não
é, esta ideia de se tivermos uma
abordagem, eh, enfim, que tenha aqui
algum bom senso em espírito crítico eh e
e que não não sejamos convencidos pelo
primeiro artigo que nos ven a dizer o
contrário, as coisas têm tendência a
envelhecer bem e é curioso como foi o
que aconteceu, ainda que pudesse num ou
noutro tema não ter não ter acontecido.
Sim, com certeza que hoje foram ditas
aqui coisas que daqui a 5, 10 anos já
não estão atualizadas.
Sim, não sabemos. Bem, pessoal, isto foi
mesmo um privilégio. Hum, eu eu tenho
mesmo muita sorte de de ser anfitrião
deste podcast, porque, pá, vocês são os
dois mesmo grandes craques no que fazem
e ter este privilégio de de tirar estas
dúvidas convosco é é mesmo uma sorte,
principalmente a esta hora.
Eh, por isso queria vos agradecer,
agradecer mais uma vez terem vindo e
pronto, daqui a se calhar uns anos ou um
ano podemos voltar a falar. Obrigado.
>> Obrigado.
>> E vocês aí em casa, por favor, não fujam
já. Se tiverem aprendido alguma coisa
aqui hoje ou noutro episódio e quiserem
apoiar este projeto, que é um podcast
totalmente independente, contemplem
tornar-se cenas e permitam que eu possa
continuar a ter este privilégio de
aprender em direito e levar-vos comigo
nestas aventuras de aprendizagem. Senão,
comentário, subscrição, like, isso
também ajuda tudo. E se não, amigos na
mesma. E obrigado. Até a próxima.
Obrigado, pessoal. Muito obrigado.
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