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#84 SAM THE KID - Rap, Hip Hop, Chelas, Poesia, Sucesso, Arte, Música, Dança

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#84 SAM THE KID - Rap, Hip Hop, Chelas, Poesia, Sucesso, Arte, Música, Dança

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2604 segments

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[Música]

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Muito boa tarde, se Deus quiser. O meu

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nome é Tomás Magalhães. Bem-vindos ao

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Despolariza. Quero começar por agradecer

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aos novos mecenas Maria Paisana, André

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Santos, Ricardo Vieira, João Pereira,

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Ana Maria Silva, Maria Couto, Sara

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McConel, Adriana Macedo, Madalena

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Fonseca e Margarida Sobral. Bem-vindos à

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comunidade. Eh, estas pessoas ao

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torneio-se micenas ajudam osarias a a

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manter-se ativo e a crescer. Tenham

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também acesso ao grupo de WhatsApp, aos

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jantares, aos trilhos e uma data de

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outras coisas fixes. Se estiverem

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interessados, há um link à minha volta e

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outro na

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descrição. Este episódio conta com o

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apoio da Highwell. A Highwell é uma

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plataforma de psicoterapia 100% online.

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Todos os psicólogos estão inscritos na

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ordem dos psicólogos. Vocês podem

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descarregar a aplicação, depois passam

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por um questionário francamente

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interessante. Eu eu achei interessante,

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pelo menos, em que podem pronto,

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descrever daquilo que estão à procura, o

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que é que procuram num psicólogo. A

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partir desse momento podem experimentar

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15 minutos grátis com vários psicólogos

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até escolherem aquilo que vocês gostam.

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E aí podem usar o código de desconto 15

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despolariza e ter 15% de desconto quando

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tiverem encontrado a pessoa certa. E há

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também um link na descrição. Finalmente,

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apresento-vos ao convidado do dia, o

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grandioso Sam da Kir. Bem-vindo, Sam.

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Prazer, prazer estar aqui. Tava, pá,

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antes de gravarmos, estava-me, estava-te

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aqui a perguntar se tens ido a podcasts

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e disseste que não tens ido. Então, pá,

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ainda é uma honra maior teres feito,

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parado, acabada a pausa aqui no

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Despolariza. Senti aí um um podcaster

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profissional com com a tua entrada.

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Tens os teus os teus apoiantes, tens os

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teus patrocínios. És um podcast

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profissional,

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pá. O que é que é profissional? Eh,

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fazer conseguir viver só de podcasts.

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Sim, já, já conseguia viver. Conseguiria

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viver se não fizesse outra coisa. Sim,

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sim, mas é recente. É, é desde dos

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patrocínios. Ya, ya. Não, espetacular.

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Espetacular. Só um podcaster

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profissional. Pod, poderia ser. Não, mas

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é uma coisa, eu não estou a dizer, eu

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estou a dizer mesmo até com com

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prestígio, não é? Não estou a dizer tipo

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um podcast profissional, estou a dizer

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mesmo. É uma coisa até de de das pessoas

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poderem também aprender como é que como

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é que isso como é que podes

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profissionalizar com com uma coisa que

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às vezes começa por uma brincadeira, não

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é, e muitas vezes independente, né? E

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que que é o teu caso, né? Tens tens o

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teu canal. Sim. Começou como um blog,

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meu. Era, era isto não era de toda a

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intenção. Eu comecei um blogum sobre em

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que escrevi uns textos sobre polarização

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e depois lembras-te da moda dos lives

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durante o covid? Comecei a fazer lives e

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depois Ya, foi por acaso eu sinto que

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muitos podcasts de houve e houve um

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grande pretexto para o pessoal começar a

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fazer podcasts com a cena dos lives.

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Sinto isso. É por causa do COVID.

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Exatamente. Exatamente. Tu fizeste feste

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cenas no Houve músicos a fazer lives

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também a tocar e a cantar. Sim, fazia,

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fazia, fazia alguns lives e também fui

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convidado de lives. Sim, exatamente. Na

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altura eu era muito pequenino, então pá,

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não tive coragem de te convidar. Não, à

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vontade. Isso isso para mim nunca foi

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uma questão. Não tem a ver com o Pois é

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verdade. Tu até és conhecido por ires

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assim a coisas pequenas, não é? Sim,

3:21

sim. Para mim não, não é por aí. Essa

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pessoa interessante se é se é uma pessoa

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que, pá, que vamos falar de coisas eh

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que vale a pena, coisas. O o aquilo que

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me afugenta mais é a coisa, o

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sensacionalismo, ts a ver? o clickbait.

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Aham. Estás a ver que ou coisas que

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atraem poluição. Hum. O que é que achas

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do aborto? Hum. Obrigado. Não é mais o

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Sim, sim, sim, sim. Não é por aí. Ou ou

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plataformas, aliás,

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plataformas

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mainstream neste momento é o que atrai

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mais poluição. Estás a ver? Tu vais, se

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vais ao Facebook e vês coisas do que tem

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a ver com o com a empresa do Expresso e

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do Blitz e etc. Pá, por mais que

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apareça, Rui Veloso ganhou o Prémio

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Nobel, tu tens medo de carregar para ver

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os comentários, pá, porque sabe, vão

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dizer: "Este gajo, este gajo tem, pá, é

4:14

uma cena". E eu penso assim, pá, e por

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exemplo, o Blitz já me convidou imens

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imensas vezes para podcasts que eles têm

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ou Expresso, etc. Nunca na vida eu irei

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esses podcasts. Nunca. Porque aquilo que

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que tu irás dizer, estás a ver? Irá eh

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vai sempre atrair imenso ódio na

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balança. A balança vai ser 90% ódio e

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10%. E depois o L até tem medo de

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aparecer porque eles já estão lá todos.

4:41

Estás a ver? O ódio já tá ali. Eu penso

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assim: "Não tens vergonha de ter uma

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plataforma dessas? Tás a ver? Podes ir

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por uma onda de democracia." Não é

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liberdade? Não, eu tenho a minha

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plataforma TV celas ou as minhas páginas

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de Instagram e se portas mal chama

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segurança. B, va-te embora, mano.

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Bloqueias. Ya, mano, não quero poluição.

5:04

Tu, tu tens esse poder e tu tens uma

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grande marca. E e porque é que porque é

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que não fazes isso? Porque é que tu

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estás a a contribuir para que esse tipo

5:14

de de de normalizar esse tipo de ódio,

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não é? Eu eu eu não concordo. Eu eu para

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mim é rua, pá. Eu vi é tua é a tua casa,

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mano. É a tua casa. Pensa lá, se tu se a

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tua se se a tua

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plataforma fosse só comentários de ódio

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em todos os convidados tu lá levasses, o

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que é que tu não irias fazer nada em

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relação a isso? Não, eu já faço. Eu

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vou-te explicar o que é que eu faço. Mas

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espera, antes de explicar o que é que eu

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faço, uma vez ouvi o Tim Urban a falar

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com o Lakes Friedman sobre isto.

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Exatamente. E e ele ele tinha uma

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posição que era, pá, eu sou contra

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bloquear pessoas porque acho que devemos

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sempre dar esperança, não sei qu

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democracia e é tudo bonito. Não, não

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era, pá. No caso dele era era pá

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esperança que o gajo sear saltado era um

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dia mau e caraças, mas depois

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apercebeu-se exatamente o que estás a

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dizer que é e o ódio quando aparece em

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grande quantidade as pessoas que estão

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estão à procura de ter uma um debate de

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ideias discordando saudavelmente

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já não escrevem os comentários e então

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estão a estragar a festa a toda a gente.

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Então é como teres uma pessoa num lá

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está em tua casa, não faz um jantar em

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tua casa e o gajo está a ser à onda, tu

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podes expulsar, mas há um perigo que é

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tu começas a ler um gajo que faz bons

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bons argumentos contra as tuas posições

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e então começas a não gostar dele e

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acabas por bloquear só porque ele tá-te

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a fazer frente e mas ele não tá a ser má

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onda, percebes? Ele só tem ideias

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diferentes das tuas. Sim. disse: "Não,

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nesse aspecto, nesse aspecto eu aceito.

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Não, se for uma coisa civilizada e eu eu

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tenho a humildade para aceitar uma uma

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crítica construtiva ou ou uma coisa, uma

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discordância, meu nesse aspecto, sim, eu

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estou a dizer é mais mesmo a ignorância,

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quem chega só meso a coisa gratuita, não

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é? É mais por aí. Não, a a discordância.

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Eu, por acaso, não pode dar aquele

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gatilhozinho, mas tipo assim, não não e

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pá, não tá a pessoa, porque a pessoa às

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vezes até pode ir e dizer, pá, mas

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continua a gostar de ti, não sei quê,

7:12

mas aqui falhaste ou pá, mesmo que seja,

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por exemplo, num caso de uma música e

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minha que eu que eu meto no meu canal e

7:21

pá, se as pessoas se houver pessoas que

7:23

não gostam, olha, esperava mais, ah,

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isso eu não vou, isso eu não vou pagar.

7:27

Estás a perceber que é a opinião sobre

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esta obra, né? Isso aí tá tudo bem. Eu

7:33

não quero que também isso aí também não

7:34

não desde não seja mesmo um ódio, um

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ódio e e protege muito mais os meus

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convidados, que eu tenho vários podcasts

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no no meu canal e e a mínima coisa ou ou

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algo que me tente

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engrandecer em fun, imagina, faço uma

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música com uma pessoa, com um amigo meu,

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tu estás-me a dar amor, mas estás a

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dizer que a pessoa que tá comigo não é

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fixe, é, ya, eu apago porque não é

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porque eu estar eu a receber ver amor,

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mas não, tu estás a criticar a pessoa

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que tá aqui de uma forma gratuita, não?

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Desculpa lá, mas também vais ter que ir

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lá para fora. Pois, a palavra chave acho

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que é construtivo, não é? Porque tu

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podes podes dizer, imagina se alguém

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escrever, olha, tu tens muito talento,

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mas ele não tem tanto. Uhum. Estás a

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ver? Há ali, há ali uma zona cinzenta,

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só que se dizerem, pá, tu tens muito

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talento, mas ele é uma merda. Pois já

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apagas. Exatamente, exatamente. É por

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aí, mano. OK, então vou tentar apagar os

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comentários maus nos teus

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reels. Olha, não sei se sabes, mas a o

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Despolariza começa sempre com uma

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rubrica que é lotaria, genética e

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social, que acho que a ti também a ti

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faz-te faz bastante sentido fazer esta

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pergunta porque h, eu acredito que

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ninguém escolheu os gênos que lhe saiu,

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nem a família, nem o bairro, por aí fora

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e gostava de saber o que é que tu achas

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que te saiu a ti na lotaria genética e

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social e que ideias é que existiam em

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tua casa que achas que passaram para ti.

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Não sei eh se sou um plano ou um

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acidente de

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contesão originado com paixão ou com

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sexo pós

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discussão. Minha raiz é urbanizada na

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calçada e no alcatrão. Não te esqueças

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de onde vens ou é esquecido. Então eu só

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ponho uma questão. Qual é a razão da

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minha

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origem? Não te fiz na Virgem porque elas

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fingem e não dizem o que fazem. E caso

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casem, ainda te acusam do que trazem. O

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ladrão da paz e harmonia, fácil empatia

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com a máxima ironia. Como omitindo

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medos, paredes têm ouvidos construídos

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para segredos. Quando é que tu

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desabafas? Depois três garrafas de

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vinho, ouvindo palavras que eu não

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adivinho enquanto a dor é

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coa habituada aquela doa. Por quem

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amamos mais é quem nos mais

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magoa. Há amar e amar. Há ir e nunca

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mais voltar ao lar do lar até que a

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morte ou uma traição

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separa. Mentiras omitidas estranha

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quando ocultam cenas. A paz é singular

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no lar. Discussões às

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dezenas, sem qualquer motivo. Final

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nunca é conclusivo. Apenas um alívio

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assinado num livro de onde eu derivo.

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Agora mais vivo. Tornei-me no que eu

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sou. Dou e recebo. E se eu bebo é porque

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eu saio o meu avô. É hereditário. Flux

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sanguinário que se transmite. Ele sai a

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quem? Foi bonito, podes dar um palpite

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que eu não me irrito. Espaços da casa

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não ocupados trazem saudades e pensar

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nisso é que eu evito. E eu divido o

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tempo na TV ou noutro evento para não

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pensar em ti, fazer passar a dor como um

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dente. E toda a gente pergunta: "A quem

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é que ele

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sai?" Seu Nightwella, porque eu saio ao

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meu pai. Toda a gente pergunta, ele sai

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a quem?

11:09

Se acordo tarde é porque eu saio a minha

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mãe. Mas está-se bem, tá-se

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bem. Fogo, meu. Obrigado por

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isto. Escreveste isso? Isso faz parte de

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alguma música? Faz. Qual?

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Hereditário. Uma música que se chama

11:26

Hereditário. Pronto, pá, tá feita a

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resposta. Incrível. É mais longa, mas

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não vale a pena.

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Fogo. Espeit, pá. Não, nunca ninguém

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tinha respondido esta pergunta com

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poema. 20.

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E Chelas, meu rua, Rua Manuel Teixeira

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Gomes, certo? Uhum. Como é que foi

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crescer aí? Tu tu ano nasceste em que

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ano? 79. 79. Como é que era as celas

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ali? Entre Tu nasceste em que ano? 87.

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Ok. Ok. Ok. Tá, tá, tá tudo bem. Ya, tá

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tudo bem. Mas como é que era ali? Como é

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que eras chelas ali nos anos 80 na tua

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infância?

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Pá, grandes memórias.

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Eh,

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pá, como é que dizer? Eu eu não eu não

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gosto de de nunca

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engrandecer eh o meu espaço, a minha

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identidade em função de outros sítios,

12:20

porque eu não sei o que é que é passar a

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infância noutros sítios. Estás a

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perceber? Eu gosto de pensar que

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eh era normal nos anos 80 em Chelas,

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como era normal nos Olivais, eh uma

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convivência que era mais natural do

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tempo, mais comum do que do que

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propriamente

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específica na área. A única a única

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diferença é que Chelas é diria um pouco

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mais multicultural. TS a ver, é a única

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diferença. Tu tu convives com com etnias

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diferentes, eh senteas um um bairro

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muito grande. a minha zona específica,

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zona I diria, pronto, que é mais mais

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branca, por assim dizer, mas os outros

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bairros vizinhos que também são chelas,

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como a zona J, a zona M, zona N1, zona

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N2, h, pronto, já existe esta

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multiculturalidade e também a comunidade

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cigana também, obviamente. A, e agora

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mais recentemente ainda ainda out mais

13:34

comunidades, né, seja

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da Índia ou asiáticas. Pronto, mas eh

13:43

pá, eu não gosto de de diferenciar muito

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a minha vivência, a ver, no no no

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aspecto da do local.

13:55

Sinto que foi normal, como qualquer

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pessoa vivência, acho que não irá

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acontecer assim grandes grandes grandes

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diferenças. Estás a perceber? Mas era um

14:07

sítio perigoso. Tu tu vias na zona dos

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Bet que já percebi a zona eras tu és um

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bichelas no fundo. Não, não, não, não,

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não. Tu aí já tá já estás a suportar com

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os brancos

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são exatamente. Não estás a respeitar os

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brancos gangsters. Estás a Nem estou a

14:23

respeitar os bets ou ou os blacks que

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são bets, estás a ver? Ya, ya. Não, não

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é só uma brincadeira, mas era mas era

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era perigoso ou não? Não, não, não, nada

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disso. Zero perigoso. OK. zero zero zero

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em qualquer em qualquer parte de Chelas.

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Nunca foi nunca senti isso. Ah, isso

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sempre foi mais um preconceito eh que

14:46

era mais visto de fora do que realmente

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quem quem quem quem vivesse lá. E

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pá, claro que há há crimes, mas há

14:55

crimes em todo o lado, pá. Estás a

14:57

perceber? Ya, mas não não vejo nunca

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senti eh a minha zona e falo mesmo

15:03

quando digo a minha zona mesmo

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celo, como um bairro perigoso. Muito

15:08

pelo contrário. Muito pelo contrário.

15:11

Claro que durante um o os anos de de

15:15

quando estamos a falar de destes bairros

15:18

específicos com de de celas, zona I,

15:22

zona J, zona L, que são ali um fruto

15:25

mais ou menos de do 25 de abril, é um

15:28

projeto que nasce nos anos 60 de de

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enquanto bairro

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social, hh, em que é normal de, pronto,

15:37

as pessoas estão a vir de vários sítios

15:39

e estão-se a conhecer. É normal haver

15:41

ali uns confrontos e umas rivalidades,

15:44

não é? Isso é faz parte até se

15:46

conhecerem e passarem ficar amigos e

15:48

passarem ficar família, não é? É muito

15:50

interessante até se eu sou mesmo

15:53

fascinado pela pela história do meu

15:55

bairro e gostava muito, ainda tenho

15:58

esperança de de conseguir ter uma

16:00

conversa com o urbanista que criou o meu

16:03

bairro, que ainda é vivo, já tá tá na

16:05

casa dos 90 anos. H, mas tenho muita

16:09

esperança de falar com ele e de lhe

16:10

agradecer pelo trabalho que fez. Ah,

16:13

imagina se car vais descobrir coisas

16:15

ali, uma esquina qualquer que te

16:16

conheces desde puto e ele vai-te

16:17

explicar, olha, eu fiz essa esquina

16:18

assim porque pensei na orientação solar,

16:21

porque os putem para a escola.

16:23

Exatamente. É porque eu já vi, já vi

16:26

grandes entrevistas dele e vi pá e vejo,

16:29

estou sempre a pesquisar o tudo o que há

16:32

na net sobre isso, sobre a planta

16:34

realmente original, porque esta pessoa

16:37

que eu estou a falar, que por acaso

16:38

estou estou-me esquecer ou nome, peço

16:39

desculpa, h é ela e eu não sou uma

16:43

pessoa que perceba dessa área,

16:45

obviamente, mas eh é eu eu aquilo que eu

16:49

entendo é que ela uma espécie quase de

16:51

curador eh depois que chama vários

16:53

arquit

16:54

para dizer, olha, tu agora fazes esta

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zona, faz, mas ele tem uma ideia base da

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da área. Deve ser este Rodrigo Lino

17:01

Gaspar. Ah, se não for depois pomos na

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descrição. Sim, sim, sim, sim.

17:08

Ah, mas sim, desculpa. Não, mas pronto,

17:10

é algo que é mais do que mais do que o

17:14

sítio onde eu vivo. É uma é uma

17:17

identidade. Eh, e eu acho que as pessoas

17:20

da minha geração, que realmente

17:24

somos os filhos daquele bairro, não é?

17:29

Porque muitos dos nossos pais vieram de

17:33

outros sítios, estás a ver? E nós somos

17:36

aqueles que

17:38

realmente saíram da barriga da mãe e

17:41

estavam ali. Estás a ver? Então isso

17:44

para nós é é muito importante. É mais do

17:46

que um sítio onde moramos. Eh, nós é uma

17:51

as pessoas têm isto no na o meu grande

17:55

amigo falecido

17:57

Snake Shel City assim na ts a ver uma

18:02

coisa muito muito importante para nós. É

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bonito ouvir-te a falar de Chelas. Eh,

18:08

quais é que são as primeiras memórias

18:10

musicais que tens? Tens assim alguma

18:11

memória muito pequeno do teu pai ouvir

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alguma coisa ou alguém na rua?

18:18

H, é muito difícil, né, de uma primeira

18:20

memória

18:22

musical, mas lembro-me que certas

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músicas deixavam eufórico, não é?

18:31

Hum, é assim, o contacto televisivo, não

18:36

é, a televisão para uma criança, né,

18:38

para uma criança e para um adulto, né,

18:40

quando ainda só existiam dois canais.

18:42

Claro que qualquer coisa que acontecesse

18:45

era era um momento importante, fosse um

18:49

filme, fosse um um

18:53

videoclipe, um teledisco, como se como

18:56

se chamava antes. Uhum. Eh, então canal

18:59

2, por exemplo, tinha tinha um programa

19:02

que era o

19:03

countdown,

19:05

hã, com

19:07

o, estou-me a esquecer agora do nome,

19:09

Adam, o apresentador chamava-se Adam.

19:12

Então, aí foi o conhecimento de de

19:15

muitos videoclipes da altura dos anos 80

19:18

e da música. Era uma maneira ainda ainda

19:22

antes deu, por iniciativa minha estar eh

19:25

mais virado a ouvir rádio, a televisão

19:28

era esse veículo. E o canal 2 tinha

19:30

alguns programas muito interessantes em

19:32

que passavam essas músicas dos anos 80.

19:35

Lembro-me de um som do Bruce Springstin

19:37

que era war, que é uma uma cover do

19:40

Edwin Star e essa música mexia

19:43

comigo. Ah, também coincido mais ou

19:45

menos com a altura do som dos Europe da

19:47

Final Countown, por exemplo. Também

19:49

lembro-me

19:51

de Billy Ocean, um som que ele tinha,

19:54

Lover Boy, em que o videoclipe também

19:56

era assim muito

19:57

fantástico. Lembro-me de Jackson 5, que

20:01

vi já ali uma uma reunião pós thriller

20:06

ah com som que é se chamava Torture,

20:09

também era um grande

20:10

som. E por acaso meu pai

20:15

h meu pai eu quase não tenho referências

20:18

do meu pai viver viver comigo, né? Ele

20:23

separou-se da minha mãe. Ah, muito, eu

20:26

ainda era muito

20:27

pequenino. E mas, mas pronto, mas tem

20:30

ali umas memórias ainda dele visitar e

20:34

aparecer. E eu, por acaso, ele ele

20:36

depois ali houve uma altura que ele foi

20:38

para o para o Algarve, teve ele teve

20:40

muito viajado, mas houve uma altura que

20:42

pousou ali no Algarve. E lembro-me que

20:44

ele era era um ganda privilégio trazer

20:48

cassetes de certas discotecas do próprio

20:52

DJ. Estás a perceber? Ya. Ya. E eu

20:55

lembro-me das músicas que lá passavam e

20:58

por acaso algumas eram estas que eu

20:59

mencionei, estás a

21:01

ver? Jackson 5, ya, de dos anos 80 e o

21:04

Billy Ocean. me lembrar também do um som

21:08

de dos Jacksons com Mick Jagger que se

21:11

chama State of Shock também lembro-me

21:14

quase e pá tenho muito é uma, é talvez

21:17

sejam essas as primeiras memórias ali

21:19

princípio dos anos 80 ya e ele

21:22

dava-essas cacetes ficavam lá ficavam lá

21:25

é por aí ya

21:27

e aí devia ser mesmo muito pequeno

21:29

quando é que começaste a sentir que

21:31

tinhas em ti um ímpeto de de criar criar

21:34

música ou criar poesia. O que é que veio

21:36

primeiro?

21:40

Primeiro veio a dança.

21:44

Break dance. Sim, sim. Ou balé. Não,

21:48

não. Break assim dançar dance music, por

21:52

assim dizer. Ok. Uhum. Eu era muito novo

21:55

para ter apanhado a verdadeira febre do

21:58

break dance. Estás a perceber que a

22:00

verdadeira febre do break dance? Eu eu

22:03

seria mesmo mesmo uma criança, oxe.

22:05

Embora eu eh estaria atento e vi de

22:10

certeza videoclipe na televisão da

22:13

Shakaan I feel for you

22:16

eh, que era uma música algo associada ao

22:20

break dance também, hh, entre outras.

22:25

E ali a minha a minha, eh, como é que

22:28

quer dizer? Eh, o meu contributo, não é

22:31

contributo, mas pronto, a vontade de

22:33

querer dançar já aparece ali nos 9 10

22:36

anos, ou seja, ali 89 90, em que o ano

22:41

de 1990 para a cena de dance music foi

22:44

mesmo incrível, incrível incrível. Foi

22:47

mesmo uma revolução, estás a ver? em que

22:51

é é que acaba por ser uma uma

22:54

junção

22:56

da da popularidade da cultura hip hop

23:00

americana com a dança que da febre do do

23:04

break dance e também com a a cena da

23:09

própria dance music de quando digo dance

23:11

music é house techno acid

23:16

house e então aí houve um uma grande

23:19

mistura de que que que deu deu o

23:24

nascimento a vários projetos até

23:27

europeus que mais tarde foram apelidados

23:29

de Eurodance de uma forma meio

23:30

pejorativa. E eu não nunca gostei nada

23:32

desse termo. Eu nunca disse. Mas há um

23:34

pior Eurotrash, eu já ouvi falar ainda

23:36

desse tipo de de Alemanha e da da

23:39

Holanda como Eurotras. Ya, pá, mas eu

23:41

não isso o que as pessoas não sabem é

23:45

que tudo, não vou dizer tudo, mas quase

23:48

tudo o que é nomes de subgéneros são

23:52

inventados por jornalistas e nunca pelos

23:54

intervenientes. E muitas vezes os os

23:57

jornalistas ficam super orgulhosos, não

23:59

é? Se fores perguntar ao Tricky, ah,

24:02

então como é que tá o Tripop? Como é que

24:03

tá ao Sported? Como é que tá o Tripop?

24:05

Eles o que é que é isso? Foi um

24:07

jornalista, estás a ver? Tudo o que é

24:10

subgéneros é sempre um jornalista. Eu

24:12

não sabia isso. É sempre um jornalista.

24:15

Um dia já vais perceber e o próprio o

24:18

próprio Disco o próprio Disco foi um

24:22

jornalista. Mas se calhar há jornalistas

24:25

que percebem muito de música e que

24:28

reconhecem que tá ali uma coisa nova a

24:30

aparecer.

24:31

Mas que mas quem és tu para batizar uma

24:33

cena se tu não és um interveniente? Sim.

24:35

Eu percebo o teu argumento. Mas não é

24:37

quem és tu?

24:40

És um és um intelectual da cena não és

24:42

um gajo da teoria. Ya, mas que também

24:44

são, pá, para não falar bons para Não,

24:47

eu não estou eu não estou a querer falar

24:49

mal dos jornalistas, mas eu estou a

24:50

dizer um facto que que que às vezes

24:53

algumas pessoas não sabem e pensam que é

24:55

uma celebração desta subcultura que nós

24:58

vivemos. Não, tu nem sabes a origem. E

25:01

muitas vezes até um

25:03

negócio. Atualmente é tipo um negócio.

25:06

Por exemplo, recentemente, há sei lá, 5

25:09

anos, 10 anos, não sei, há uma espécie

25:11

de um subgénero que do do no rap que é o

25:14

lowfy, que até o símbolo é uma uma

25:18

miudinha meio parece um desenho animado

25:20

que tá a estudar a estudar. É música,

25:22

uns bitzinhos para estares tranquilo

25:25

estudar, né? Tenho sempre live streams

25:28

no YouTube com milhões de pessoas a ver.

25:30

Low lowfy. Lowfy. Lowfy. O quê? Lowfy. O

25:34

quê? Bacano. Esses sons já existiam.

25:37

Esses sons, esses tipo de bits já

25:39

existiam. Não tem uma

25:42

característica suficientemente

25:45

diferenciada para ser considerado um

25:48

subgénero. Estás a perceber? É tipo, ya,

25:50

samples jazy, um bit de de rap num

25:56

bpm meio chill, né? Antigamente havia a

25:59

cena chillout, né? Chillout. Olha, agora

26:02

agora chama-se WF, estás a ver? E olha,

26:05

estou a ver um lounge. T ouvir um

26:06

lounge, estás a ver? Ah, já vi isso. Já

26:09

já não tá a vender. Vamos ver, vamos pôr

26:11

low fy. Os miúdos estão a gostar disto.

26:14

E sabes o que é que vamos fazer no

26:15

Entretanto, vamos vender drum kits lowf,

26:19

estás a ver? Para eles poderem fazer os

26:20

próprios bits. E eles vão pensar, hum,

26:22

estou a fazer a nova cena. Estás a ver?

26:25

E o que é que é lentão? Achas que isso é

26:26

inventado por pessoal à procura de,

26:29

olha, vamos dar um nome a isto para

26:30

poder vender, criar uma nova cultura à

26:33

volta. Não estou a dizer que é um plano

26:34

mesmo. Ya, ya, eu estou a dizer que é

26:36

uma acaba depois por ser uma

26:38

consequência de dessa situação. Também

26:40

não vou assim tão longe em teorias da

26:42

conspiração, tipo de ser mesmo, ya,

26:43

vamos nos reunir e preparar isto. Não,

26:45

mas pá, imagino perfeitamente alguém com

26:47

olho para o negócio a perceber, olha, tá

26:49

a aparecer uma cena nova. Eh, siga, siga

26:52

dar um nome. Eu sei que já tinha o nome,

26:55

mas siga a criar uma nova marca. É como

26:57

se tives a criar uma marca dentro da

26:58

música que já existe. Sim. Pronto, mas

27:00

eu não me esqueci da pergunta. E esses

27:03

esses projetos 1990 tás como Snap I got

27:07

a power. Oh man, esse Snap e pá era

27:11

incrível mesmo. O MCM vanila Ice esses

27:14

são

27:15

americanos. Snap projeto alemão.

27:18

Technotronic pop the jam crazy 1990. Is

27:23

é tu no projeto de belga. Tás a ver? Com

27:27

a cena a cena da Alemanha. tinha uma

27:28

cena bué bué bué interessante porque

27:31

porque é que esse pro esses projetos que

27:33

normalmente é tem o rapper e depois tem

27:35

a cantora e não sei quê. Pronto, que

27:37

erais isso é que determinava o que é que

27:39

era esse tipo de projeto. Mas maior

27:43

parte das vezes o rapper era americano

27:46

num projeto alemão. E e eu como estudo

27:49

muito isso e adoro a história disso e

27:52

sou Nem é um guilty pleasure, é algo que

27:55

eu O que é que foi? O que é que foi?

27:57

Vais falar mal? Não é um Kil Pleaser. Eu

27:59

adoro isto. Qual é o teu problema? Estás

28:01

a ver? Eh, e a cena

28:04

é, eh, nessa altura havia muita base

28:07

militar americana lá. E então esses

28:10

essas pessoas que são mais tarde ficaram

28:12

meio rappers desses projetos, a maior

28:15

parte deles são militares. A ver o

28:18

rapper do Snap, o Turbo militar. Tens o

28:22

outro outra pessoa que tinha um projeto

28:23

que era o Captain Hollywood Project. é

28:26

um até um pioneiro de break dance também

28:27

na Alemanha, era um militar entre entre

28:31

outros entre outros. Muitos eram eh eram

28:34

pessoas pronto que era da da cena

28:36

militar da base militar alemã que depois

28:39

eram chamados Precisamos de um negro

28:42

americano que saiba rap não mandarem vir

28:45

eh de mesmo dos Estados Unidos e

28:48

encontravam na lá na base americana. Mas

28:51

pronto, isto foi só, então os rappers

28:52

alemães ficavam, pá, ficavam a arder

28:55

porque também não havia assim tanto,

28:56

tantos negros, estás a perceber? E e ah,

28:58

eles queriam que fosse um negro. É, é a

29:00

cena tem que ser eh tem que ser mais

29:03

sol, não? E não, e e em termos de imagem

29:08

vende vende mais nesse sentido, estás a

29:11

ver? E ser oficial, pelo menos na altura

29:13

na altura. Ya, eu percebo, a estética da

29:16

cena é diferente. Ya, ya, da mesma

29:18

forma, pronto, até o os próprios Milly

29:21

Vanily, eh, foi um caso muito polémico,

29:24

mas pronto, os as pessoas que cantavam,

29:27

os Milly Vanily, não eram, eles não

29:28

cantavam mesmo, não sei se sabes a

29:30

história. Não sei. Ah, não sabes dos

29:32

Milly Vanil não fogo. E pá, afinal então

29:34

a nossa diferença de idades não dá para

29:36

estar, não dá para ter certas conversas

29:37

contigo, pá. Pois não há há há saltos

29:40

mesmo. Em anos de diferença, há saltos,

29:42

meu. Ya, mano. Então, vou vou vou vou-te

29:45

explicar educa muito rápido. Milly e

29:48

Vanil foram foi um grupo que teve um

29:53

sucesso muito

29:55

repentino e que ganharam e sucesso

29:58

europeu e também vingaram na América.

30:02

E ao furar na América, aquilo

30:05

começa a fazer mais e mais barulho. Até

30:08

ganharam gremis. Ganharam gremis, Milly

30:12

e Vanil, mas só que eles não cantavam as

30:15

músicas, era uma

30:17

fraude. E muitos destes projetos que eu,

30:21

e pá, não lhe quer chamar Eurodance, mas

30:22

pronto, só para para as pessoas

30:24

perceberem o que é que eu estou a falar.

30:26

sempre foi muito à base disso, de

30:29

fraudes. Eh, daí eu dizer, eu não tenho,

30:32

eh, eu gosto disto de forma genuína, mas

30:35

tenho a noção, ya, que era, gosto do

30:37

produto, mas era feito com muita, muita

30:42

intrig, muita intrigice. Então, quem é

30:45

que cantava? Fazer um outsourcing do

30:47

Vamos, vamos ver o Isto normalmente eram

30:49

projetos de produtores, produtores que

30:52

são aqueles indivíduos que estão ali na

30:54

mesa de mistura.

30:56

que não são muito bonitos, cabelo, olha,

30:58

tipo, tipo, eu tenho rapido de cavalo,

31:00

tão ali cabelo comprido, pepé, homem do

31:02

som, mas têm talento para fazer músicas,

31:05

mas não têm imagem, estás a ver? E eles

31:08

sabem, e eu vout-e falar deste produtor

31:10

que é o o Frank Fabian ou Farian, agora

31:14

estou-me a esquecer do nome, que ele já

31:17

era um cantor a solo, mas só que ele

31:20

nunca vingou tanto por ser não ser uma

31:25

beldade. Estás a perceber? O Frank Fire

31:29

é milivania. Pois, OK. Isto é super

31:31

vendável, são bonitos. Não, mas a cena

31:34

isto é é crazy. O Frank Farian, que é,

31:36

acho que é Farian. Escreve lá, é Frank

31:38

Farian ou Frank

31:40

Fabian? Ah, ele já tinha sido a Frank

31:44

Fabian. OK, pronto, ele já tinha sido,

31:47

ele tinha sido artista a sol. Depois ele

31:50

fez também um grande fenómeno dos anos

31:53

70 no na onda disco e que era os Bonnie

31:57

M. Já ouviste falar Bonnie M? Vagamente

32:00

e pá, Dery. Cool.

32:05

Estás a ver? Estás a ver esta voz na no

32:08

vídeo? Parece um senhor negro.

32:13

E a voz era desta pessoa. Essa voz sou a

32:17

super negra é dele. Ah, não digo sou a

32:19

super neiga, sou super super é grave.

32:22

Berry white, né? assim um pouco. Eh, e

32:25

já era ele. Ou seja, ele sabia o que

32:28

funcionava, mas mas isso nunca foi isso

32:30

só foi exposto um pouco mais tarde

32:33

depois de ter dado barraca com Milly

32:36

Vanil. Ou seja, ele já tinha tido

32:38

sucesso com o Bonnie M, mas Bonnie M não

32:42

tiveram este mega

32:45

sucesso gigantesco que Mil Vanil tiveram

32:48

por momentos número um mesmo na América.

32:51

Estás a ver?

32:52

Então eles próprios, como estavam a

32:55

desatinar com o

32:57

produtor, o próprio produtor disse:

33:00

"Olha, antes que vocês me venham expor a

33:03

mim, eu vouvos pôr a vocês e eu vou

33:05

dizer que não eram vocês que cantavam as

33:07

músicas". Então eles tiveram que fazer

33:10

uma conferência de imprensa a devolver o

33:14

Gremy. Estás a ver? Ei, não sabia isso.

33:17

E e os três fizeram os três a

33:18

conferência? Não, não. Os dois eles

33:20

ficaram com stresses mesmo, com

33:22

animosidade, com o com o produtor para

33:25

sempre. Aliás, um dos milivanili, este

33:27

jovem aqui, já suicidou-se, estás a

33:30

perceber? Da direita, dos olhos claros.

33:31

Sim, sim. Suicidou-se. Ya, ele, o, o

33:35

outro ainda continua ativo. Ah, mas é

33:37

para ver já o que a fama também pode

33:40

trazer, né?

33:42

H, e pronto, isto aqui é isto aqui para

33:46

para dizer projetos que me faziam

33:50

dançar. Eu adorava os produtos, a música

33:55

e era uma coisa mais sobre a dança, não

33:59

é? Mesmo os americanos, MCAR e Vanilice,

34:03

nunca iríamos meter na mesa quem era o

34:07

melhor rapper. Era quem, quem é que

34:09

dança mais, é o MCER ou o Vaniliz. E

34:12

eles eram rappers, mas também dançavam.

34:14

E a cena era essa, quem é que dança

34:16

mais? Então, eu já não apanhei nada

34:18

disso. Eu eu eu agora não é conheço

34:20

esses videoclipes, conheço aquela cena

34:22

do carangueijo que o Hammer faz no H.

34:26

Touchou. Ya, mas nunca tinha pensado,

34:28

pá, os os o rapper dançar, quando eu

34:31

apanhei o hip hop, já era tipo meio Não,

34:33

os rappers não têm sentimentos, meu. Os

34:35

rappers estão ali, estás a ver? Não

34:37

dançam. Eu já só apanhei isso. Não era,

34:39

eles eram pá, e mesmo mesmo mesmo certos

34:42

americanos menos pop. Por exemplo, há um

34:46

há um rapper que é o Big Derry Kane,

34:49

pronto, que é lendário a

34:51

nível da América. Ou seja, o MCM e o

34:54

Vanilice como

34:56

furaram ah, como é que quer dizer,

34:58

furaram tanto, pá, que foi era uma coisa

35:01

um bocado mais pop, ou seja, eles nunca

35:03

tiveram respeito enquanto rappers, eram

35:06

coisas com pouca

35:08

substância. Claro que passado uns anos o

35:11

pessoal mesmo acaba vais, vais sempre

35:12

respeitar, não mcamera incrível porque

35:15

fica um clássico mais tarde. Fica, mas

35:16

nunca vais estar na lista dos melhores

35:18

rappers de sempre. Estás a perceber esta

35:20

pessoa que eu estou a dizer, Big Dad

35:21

Kane, se fizerem, se os americanos com

35:24

alguma

35:25

idade fizerem uma lista dos melhores

35:28

rappers de sempre, o Big Derry Kane vai

35:30

lá estar no top 20, com certeza. Então,

35:33

e ele dançava, dançava e tinha

35:35

dançarinos. Eh, era, foi uma era em que

35:39

era comum, era comum o pessoal dançar e

35:41

era, como é que quer dizer, o alimentava

35:45

também um show, alimentava um show.

35:47

Estava a pensar agora nisso. Hoje em

35:48

dia, não, por acaso, há uns gajos que se

35:51

mexem muito no palco, mas é de uma

35:53

maneira diferente. É mais fazem assim e

35:55

um buildup para para o drop, para o que

35:58

eles chamam drop e depois muitas luzes e

36:00

o pessoal, mas não é não é não. E é

36:02

assim, houve depois uma espécie de

36:05

ressurreição da situação com Black H

36:07

Peace, por exemplo, porque eles eram B

36:09

Boys. Estás a ver? Os Black Peace quando

36:12

aparecem e aparecem com os primeiros

36:14

álbums de hip hop que a comunidade hip

36:15

hop abraça. Sim. Não, a Ferg eu conheço

36:19

essa história, conheço. Sim. E eles e

36:23

dançavam dançavam muito e acho que

36:25

depois ainda continuar a dançar mesmo

36:26

mesmo na fase da da da Fergy. Então,

36:29

pronto, isso foi o primeiro convite,

36:32

dançar, não é? Adorava. Ah, ainda

36:36

danças? Não, já não, já há muito tempo

36:38

que não não puxou. Quer dizer, às vezes

36:40

ainda estás aí um toquezinho ou outro,

36:42

né? Mas só na minha privacidade, né?

36:44

Anticamente, ya, entrava nas rodas e o

36:46

caraças e show off e não sei que mais,

36:49

mas agora pá, também já tenho tenho dado

36:51

para ter juízo, então só assim na minha

36:53

privacidade, sais banho e dás uma dás um

36:57

hammerzito. É por aí, é por aí. Mas

36:59

antigamente eu ficava horas, meu, horas

37:01

a dançar mesmo. Tá, tá, tá no meu quarto

37:03

ou na rua, vava ao rádio para a rua e

37:06

dançar, íamos dançar com o dançar com os

37:08

meus amigos, pá. E eu era, e eu logo aí

37:12

eu sou a pessoa que ainda sou hoje, que

37:14

é a

37:15

pessoa que tá a par, a pessoa que vai

37:19

informar os meus amigos do que é que

37:22

olha aqui isto, olha aqui isto, olha

37:24

aqui, estás a ver? e através da rádio

37:27

gravar as cenas e para esa aí consegui

37:29

gravar esta cena, consegui gravar isto,

37:31

consegui gravar aquilo. Era a pessoa que

37:33

estava muito dedicada a querer ter tudo,

37:37

a querer ter aquilo tudo que me que me

37:39

interessa, né, dentro desta área que me

37:42

cativava e cativa. Mas então foi aí que

37:45

começaste a colecionar samples sem saber

37:47

que estavas a fazer, não é? Não, não há

37:49

samples, músicas, não diria que são

37:51

samples, porque que mais tarde deveriam

37:53

a ser Não, não, não, não, não, porque

37:55

elas ela já são músicas com samples.

37:57

Isso aí para mim já me faz um bocado de

37:59

confusão. Já é muito já. Sim, todas

38:02

estas músicas são

38:03

samples, desde os drum breaks. Eh, não

38:07

é? Eh, então isso para mim já não faz

38:10

muito sentido, né? Não vais sampar o

38:12

sample, né? ou ou vais samplar algo que

38:15

ainda não que é uma música ou não vou

38:18

sampar algo que já inclui um sample.

38:20

Para isso eu vou à fonte original, né?

38:22

Posso é samplar o mesmo sample que ele

38:23

sampou, né? Mas não vou sampar dele. HH

38:28

pá, pronto. E essa foi a cena inicial. O

38:31

pessoal que tá a ver isto assim: "Fogo,

38:33

bo ainda tá na mesma pergunta e já

38:35

passaram 20 minutos". Eu estou a adorar.

38:37

altamente. Eh, pá, são as curvas, são as

38:39

curvas aqui.

38:42

Mas eh pronto, isto isto pronto,

38:45

resumindo e avançando, primeiramente eh

38:49

o convite, o calling, né, o chamamento

38:52

foi através da dança. Só depois, em

38:56

1993, é que me aparece um certo estilo

38:59

de rap e uma música em específico que é

39:01

Souls of Missif 193 Infinity, em que

39:04

muda completamente e o meu cérebro, em

39:07

que eu já

39:09

em vez de música estar-me a chamar para

39:12

dançar, não, a música está-me a chamar

39:14

para eu escrever, para eu também ser um

39:17

contribuinte desta cultura. Estás a ver?

39:19

Foi, foi, foi esse o chamamento. Podia

39:22

não ter tido uma música em específico,

39:24

mas foi essa música em específico que

39:25

depois com um amigo meu também me deu

39:28

uma cassete com vários videoclipes,

39:30

fiquei a conhecer. Ah, eu vou dizer, eu

39:33

costumo dizer sempre o nome dele que é o

39:34

Águas, assim um amigo meu, convém dizer

39:36

o nome dele, o Águas eh que me deu eh

39:40

passava umas cacetes, pá, de terra

39:42

parabólica que pessoas tinham na altura,

39:44

etc. que passava muito mão em mão e

39:47

fez-me conhecer coisas que eu nunca iria

39:49

ver aqui na nossa televisão, estás a

39:51

ver? Então isso era era muito muito

39:52

muito foi muito importante. Sigam ouvir

39:55

a 93 Infinity, pá, pode ser que se não

39:58

se cas se não ouvirmos muito não não

39:59

deitam abaixo. Não sei. Ouvimos 10

40:01

segundos.

40:04

Se falamos por cima, estragamos o robô.

40:07

Ya, vamos estragar o robô.

40:11

Ya, mano, deixa pôr aí só mais para a

40:14

frente por causa.

40:19

Porque é que isto é assim de diferente

40:21

do que vinha antes? Mano, isto é

40:24

incrível, meu. Ainda hoje em dia me

40:26

transmite a mesma emoção. É uma é a

40:28

definição de um somemporal para mim.

40:30

Estás a ver? Eu vou-te explicar. Eu

40:32

vou-te explicar uma coisa. Eu eu costumo

40:34

eu costumo até contar esta história, mas

40:37

tu não sabes. Olha, mas eu gosto muito

40:39

disso em ti. Essa tu te tu

40:41

comprometes-te com tentar criar coisas

40:42

intemporais. Exatamente. Eu tento fazer

40:44

isso aqui também, por isso é que tento

40:46

evitar a notícia do dia e tento conhecer

40:49

as pessoas de uma maneira que aquilo

40:50

seja interessante para sempre.

40:51

Exatamente. Exatamente. Exatamente. É,

40:53

é, esse é o meu campeonato também. E, e

40:55

se esse é o teu campeonato nunca para

40:57

ser amigos. Não, não. Claro que sim.

40:58

Não, não, mas também eu não, eu sincera,

41:01

muito sinceramente, eu nunca gosto de de

41:04

dizer com qualquer tipo de superioridade

41:07

ao da arrogância, como se fosse eu sou

41:09

para sempre, tu és do és o gajo da

41:11

semana, és o o do verão. Estás a tentar

41:14

ser para ser, se calhar vais ser um it

41:16

de verão, na mesma o do verão é

41:17

importante. O rap CNN, o rap telejornal,

41:21

o rap que fala da notícia do momento é

41:24

essencial e é urgente. É preciso, é

41:26

variedade, precis e e o artista também

41:30

pode ser. Olha, esta música é temporal e

41:32

esta é intemporal também. Não tenho que

41:33

estar, eu sou todo intemporal, não é?

41:36

Também podes tu fazer um episódio em que

41:38

estás só a falar da Faço. Sim, sim. E

41:39

faço de vez em quando. Estás a estás a

41:42

perceber? As duas situações são

41:45

essenciais e uma, uma não é mais valiosa

41:47

que a outra. Parece, não é, que eia,

41:50

este gajo e pá, músicas intemporais tem

41:53

um valor incalculável, é uma at é uma

41:55

obra superior, não? A música que também

41:59

foi só o sucesso de 2023 no de daqui a

42:03

uns anos também vai trazer alguma

42:05

nostalgia eh para para as pessoas que

42:07

viveram viveram aquilo e ou ou e e irá

42:11

ser intemporal para algumas. irá sempre

42:14

ser intemporal para algumas, no sentido

42:17

em

42:18

que mesmo que tu descubras a música, eh,

42:23

imagina, eu sou uma pessoa que estou

42:24

sempre à procura de músicas do passado,

42:26

né? Eu às vezes descobro músicas no ano

42:29

em que eu não era nascido e não sei se a

42:30

música foi um sucesso ou não e não sei

42:32

se era uma música bastante temporal. Já

42:34

aconteceu isso, já aconteceu quear era

42:36

bastante temporal e eu adoro, né? Mas

42:39

mas agora então isso eu adoro agora

42:41

então não faz disso intemporal.

42:43

Se eu agora estou a ver, descobri esta

42:45

música de

42:46

1975 di pina colada, não sei lá,

42:49

whatever, um som qualquer que falava ou

42:52

de um cocktail que era só daquela

42:53

altura, por acaso pinacolada não é, mas

42:55

podia, imagina que era. E pá, ya, eu tou

42:58

a ouvir a música pela música e se ela me

43:01

diz alguma coisa, é, e eu muitas das

43:04

vezes o, como eu faço música com

43:06

samples, eh, a cena é, eh, primeiramente

43:11

oiço ela como matéria, muitas das vezes

43:14

é como matéria para o meu trabalho, né?

43:16

Para mim é de uma forma meio fria, né?

43:19

Não tenho ligação nenhuma

43:21

contigo. Não, não me dizes nada, mas

43:23

podes passar a dizer o sample da música

43:26

antiga. A música, a música em si, é tua

43:29

pedra. É a tua pedra. Onde tu vais? Que

43:31

que o que é que há aqui nesta música?

43:33

Estás a ver? Então agora que a

43:34

inteligência artificial tem, olha, hum,

43:35

gosto deste baixo, só gosto desta desta

43:37

voz, gosto só destes drums, não é? Então

43:40

isso aí muda eh muda a forma de nós

43:43

olharmos para para as músicas e para a

43:46

intenção que foi feita no momento em que

43:48

ela foi criada. Eh, mesmo que tenha sido

43:51

uma música, pá, o que eu quero dizer é

43:53

que ela não precisa para ser intemporal,

43:56

não precisa de continuar a ser

43:58

intemporal

44:00

para 10 milhões de pessoas. Se for para

44:03

cinco pessoas, é intemporal para essas

44:05

cinco pessoas. É isso que eu quero

44:07

dizer. Tem para muitas ou para poucas é

44:11

pororal à mesma. Sim. Se calhar tem ali

44:13

um um sabor auditivo qualquer específico

44:17

sobre a experiência humana que algumas

44:19

pessoas vão sentir, se car não são

44:20

muitas, mas algumas pessoas vão sentir o

44:22

que tu sentiste passado 100 anos. Como

44:25

exatamente esse sabor, não é?

44:26

Exatamente. E como eu sei o que é essa

44:30

descoberta e de olhares para um artista

44:32

assim: "E pá, fogo, esta pessoa, onde é

44:35

que estará esta pessoa? Será que já

44:36

faleceu? Será que teve uma boa carreira?

44:38

Será que acabou bem a vida? Será que

44:40

teve, passou momentos difíceis? Eh, eu

44:43

eu gosto gosto de olhar e ver e ver e

44:46

ver a história a história que pode estar

44:49

por trás da daquele artista ou então um

44:51

artista que eu conheço, mas e pá, esta

44:54

música pouca gente deve conhecer, estás

44:57

a ver? Por exemplo, eu por acaso eu

44:58

lembro-me, mas depois mais tarde devia

44:59

saber que não era assim tão tão tão tão

45:01

raro, mas dos vinis que eu tinha lá do

45:03

meu pai, mas este ainda era criança,

45:05

tinha lá um álbum de Pink Floyd que era

45:07

mesmo, chamava-se mesmo Relics ou

45:08

Relíquias ou uma coisa assim, acho que

45:10

era. E eu pensava: "Ih, este álbum é

45:13

mesmo relíquias. Nem toda a gente tem

45:15

este álbum, mas não, quem é fã pic toda

45:17

a gente tem aquele álbum". Mas mas o que

45:19

eu quero dizer é que eh eu também eu

45:23

adoro, eu gostaria também de ser esse eh

45:26

de ter obras nesse sentido. Eu vivo, por

45:27

exemplo, eu não me importava nada ya, de

45:30

ter músicas, pá, ya,

45:32

que que só três ou quatro pessoas, pá,

45:35

que passaram ao lado completamente para

45:37

toda a gente na altura que saíram, mas

45:39

mais tarde alguém vai gostar. E isso não

45:41

quer dizer que estavas muito à frente.

45:43

Este gajo estava muito à frente naquela

45:44

abertura. Não resultou, não é? Pá, não

45:47

resultou. Não resultou, mas alguém vai,

45:49

alguém irá, eu sinto-me muito bem com

45:51

isso. Nunca, então eu nunca irei ficar

45:53

frustrado porque é tipo, não, há sempre

45:55

a ideia que alguém há de curtir, seja um

45:58

dois, três agora ou seja no futuro,

46:00

mesmo que seja zero agora, estás a ver?

46:03

Mas será que isso não é um privilégio de

46:04

quem já explodiu? Ou seja, tu já tiveste

46:07

músicas a explodir a ser nos tops, então

46:10

já te podes dar ao luxo de encontrar

46:12

beleza, ter coisas que nunca ninguém

46:14

conhece e por aí a tua a tua a tua

46:16

pergunta faz tem faz todo o sentido, tem

46:18

lógica, mas no meu caso eu acho que isso

46:20

não se aplica a mim, vou-te ser sincero,

46:23

porque eu

46:25

eu como eu também vou estarme a citar a

46:28

mim, é um bocado feio, mas pronto, eu eu

46:30

digo numa música assim que eu digo: "O

46:33

princípio do início ainda mantém-se

46:35

ileso".

46:36

os princípios que eu tenho no no

46:39

início da da minha carreira, por assim

46:42

dizer, continuam os

46:44

mesmos. Eu sempre fiz música para mim e

46:49

depois partilho com as pessoas algumas

46:51

das músicas que eu gosto, que eu fiz

46:54

para mim. Estás a perceber? Isso nunca

46:57

irá mudar. Eu não penso em X, não penso

46:59

em Y, não penso em sucesso. Como eu digo

47:02

também nessa nessa música, isso é uma

47:05

consequência, não é um

47:08

objetivo. Estás aceber?

47:10

Nem um bocadinho. Nem um bocadinho. Não

47:11

há ali, não há, não há certas

47:14

decisões durante o processo de produção

47:16

que é, ó pá, isto isto vai funcionar

47:18

melhor, isto é mais orelhudo, isto vai

47:21

ficar mais na cabeça. Não, não, não,

47:23

não. Orudo, orudo.

47:26

Manda-me fora essa palavra, mano. Não

47:27

metas orudo aqui, não. Aqui não há

47:31

oriúdo. A minha mentalidade é diferente.

47:35

É, eu vou-te explicar. E não, eu acho

47:38

isso lindo e acredito em ti, mas pá, e a

47:41

tentação não é, tá sempre ali à espreita

47:43

o querer, o querer vender e o querer ser

47:47

reconhecido. Não, não, estás-me a magoar

47:48

o coração. Aqui ninguém quer vender.

47:51

Isso é uma consequência. É uma

47:53

consequência. Eu concordo contigo. Isso

47:55

é uma consequência. Tu achas que eu

47:57

estou a criar, a querer vender? Achas

47:59

que eu estou a criar, a querer ser

48:00

orudo? Eu estou a criar, a querer

48:04

surpreender, surpreender, vender,

48:08

surpreender, mano. Isso é o mais

48:10

importante. Sejas um realizador, sejas

48:13

um cantor, não é? Porque tu vais ver um

48:16

filme e tu ficaste assim, hum, quê? E há

48:19

um twist e tu ficas, ah, ah, já sabia,

48:22

não sei quê. Ficas contente e achas

48:24

esperto, mas não ficas totalmente

48:26

satisfeito. Ficas é mesmo assim, fogo,

48:28

não estava à espera deste twist, foste

48:30

surpreendido para o bem e para o mal,

48:32

mas o realizador arriscou, estás a ver?

48:34

Fez algo que tu não estavas à espera,

48:36

pensou mais à frente do que tu, estás a

48:38

ver? Então isso é a coisa que nos fica

48:40

na memória, não é? Se fores ver mais um

48:43

filme que é mais aquele tu, tu estás à

48:44

espera, não sei quê, é uma dormência. E

48:46

isso é outro campeonato. Esse é o

48:48

campeonato comercial. E tu tens que

48:51

perceber o mindset.

48:53

de um de um jovem que vem do rap. O rap

48:56

é uma cena que vem de uma uma atitude

48:57

punk, antisistema, contra cultura. Estas

49:01

palavras não é vender, mano. Não é

49:04

vender. Não me

49:06

insultes. Este episódio conta com o

49:08

apoio da IATI. A Yati é uma seguradora

49:11

de viagens que eu já usei tanto para

49:13

escapadelas sozinho como em família. Eu

49:16

curto porque é bastante flexível. hh é

49:19

bom, é barato, dá para uma pessoa fazer

49:21

uma viagem e ir só protegida do

49:24

cancelamento do voo ou dá para levar,

49:26

fazer um seguro gigante que inclui

49:28

desportes radicais e tudo mais. Eh, se

49:31

quiserem um desconto de 5%, há um link

49:33

na bio eh na bio do Instagram e também

49:36

na descrição. Obrigado, Iati.

49:38

Mas voltando ao Souls of Misschief 93

49:41

Till Infinity, uma coisa que que te vou

49:45

dizer que uma vez, eu já contei esta

49:48

história algumas vezes, mas pronto, vou

49:49

contar aqui que houve uma vez uma uma

49:53

rapariga que mandou uma

49:55

mensagem eh e ela estava a dizer: "Olha,

50:00

se tivesses que mostrar uma música para

50:01

eu gostar de rap, qual era a música que

50:04

tu me mandarias?" Granda pergunta. Ya. E

50:07

eu mandei essa. Eu vou dizer: "Olha, eu

50:09

não sei, eu sou péssimo nisso, mas

50:11

vou-te mandar aquela que me fez gostar

50:15

deste rap que é o meu

50:17

rap". E ela, a reação dela foi

50:20

espetacular. A reação dela

50:22

foi:

50:24

"OK, não desgostei, mas parece-me um

50:29

culto, parece que eles estão a falar uns

50:33

para os outros de forma codificada.

50:36

Parece que é uma coisa que só eles é que

50:38

entendem." E ela sentiu-se excluída,

50:41

estás a ver? Ela sentiu-se excluída. E

50:44

eu achei essa definição muito fixe

50:47

mesmo, porque não estava errada. A

50:50

diferença é que me fez querer saber mais

50:52

e querer estar incluído. E ela disse:

50:55

"Não, se já não me estou a incluir, eu

50:57

não quero fazer parte, não é? Eu estou

50:59

ali ver um grupo, tá coisa". E eu

51:00

fiquei, não, eu quero fazer parte, quero

51:03

saber mais. A diferença é essa, né? Eh,

51:06

e e isso eu eu sinto que essa música

51:09

poderá ter isso, tás a ver? não é

51:11

convidativa especialmente para dançar,

51:14

mas tem logo aqui uma dinâmica de grupo

51:17

muito interessante e também o meu

51:19

primeiro contacto com essa música foi de

51:21

videoclipe. Os videoclipes para mim

51:22

também tinham um impacto muito grande no

51:24

meu imaginário de tudo o que é que era

51:27

uma performance também eh em termos de

51:29

música.

51:30

Eh, e, e outra coisa que é mais técnica,

51:35

que essa era uma pergunta que eu

51:36

adoraria fazer este a este a este grupo

51:39

ou à pessoa que fez este bit, que é

51:42

nesta

51:44

altura o

51:46

rap não tinha muitas

51:50

notas musicais, era mais tipo pum pum

51:53

pum pum pum pum

51:55

pum pum era eram loops de uma ou de duas

51:59

duas barras. O Não percebes, doutor, não

52:01

percebes. Só tenho para aí duas notas

52:03

também, não é? Essa escola. Sim, sim,

52:06

sim, sim, sim. E e muitas outras mesmo.

52:08

O o poetas de caroc também, mas eu estou

52:10

a dizer é a cena de serem loops de uma

52:14

barra ou de duas barras. Estás a ver? P

52:18

três quatro pã 2 3. E isto eram o rap.

52:22

As porquê? Porque as máquinas não tinham

52:25

muito tempo de memória para tu sampares

52:27

a tua tudo à vontade. Tinhas muita pouca

52:31

memória. Então tinhas de ser criativo,

52:33

estás a ver? Então podia haver músicas

52:36

com pá duas barras e mesmo assim não,

52:39

tipo sai para cil tum tu tum tu tum tu

52:42

tum 1 2 3 4 1 2 3 4 são é uma barra, tás

52:49

a ver?

52:51

Eh, e agora pensa esta música Souls of

52:55

Misschief. Tum tum tum tum tum tum tum

53:02

tum tum tum tum. Quatro tum quatro

53:07

barras. Eu, por acaso, ya, eu, eu eu

53:10

vejo muitos podcasts americanos e não

53:12

sei quê também e eu nunca vi ninguém

53:14

tocar neste assunto. Gostava de saber se

53:16

havia alguma música de rap, rap

53:21

americano com quatro barras de melodia

53:24

antes desta. Então, achas que pode ter

53:27

sido os primeiros loops de quatro

53:28

barras? Ya. E e com que equipamento é

53:30

que eles fizeram aquilo? Pois, há ter

53:31

sido uma tecnologia nova qualquer

53:33

naquela altura. E tu não

53:35

imaginas o original desta música, o

53:38

sample que eles tiraram. É uma cena de

53:40

jaz, não vou dizer o quê, mas é muito,

53:43

muito, muito mais lento. É tipo pum

53:48

pum pum pum. Bom, e aqui já foram 5

53:51

segundos e tu só tinhas três passar. Tás

53:54

a ver? Imagina a cena é, existiam

53:57

técnicas, eu acredito que se calhar,

54:01

imagina que tu tens 5 segundos, eles

54:02

tecaram no vinil,

54:05

fizeram e aquilo gravou e depois tu

54:08

metes mais lento o pitch. Estás a

54:10

perceber? Eu acredito, esta é a minha

54:13

ideia que foi, mas não ias ouvir que o

54:15

som era um bocadinho diferente do que se

54:17

tivesses tocado em tempo normal? Eh,

54:20

pronto,

54:22

isto é uma porque ela tá um bocado

54:23

técnica. Não, não, não, não, não. Mas

54:25

percebeste a pergunta? Sim, percebi,

54:26

percebi.

54:28

H, percebi. Mas mesmo assim esta forma

54:32

que eu estou a dizer com o dedo, ya,

54:34

porque não posso não estar a fazer as

54:36

voltas à velocidade bacana, né?

54:40

eh não vai estar a oscilar, ya, a

54:42

oscilar ou vai ouvir ou arranhar ou o

54:44

máximo era ponto meteres o pit no

54:46

máximo, mas eu acho que mesmo metendo o

54:47

pitch no máximo ainda ia ficar mais

54:49

lento do que o sample que está no bit,

54:51

porque o original é mesmo lento, mas

54:53

haveria sempre forma e esse para mim é o

54:56

mindset também do rap que eu que eu que

54:59

eu gosto, que isso sempre me abriu a

55:00

mente, que é trabalha com o que tu tens,

55:03

não fiques à espera de ter o o topo de

55:06

gama que não te deixa materializar as

55:08

tuas ideas. ideias. Bacano. Tenta ser

55:10

criativo. Tu não consegues ainda. Então,

55:12

olha, espera. Então, olha, vou pôr em 45

55:15

rotações. OK, já tenho aqui no sample,

55:19

mas ainda não tá lá. Então agora vou pôr

55:22

agora tá ainda lento. Pom pom. Ok. Então

55:27

agora vou pôr, pá, vou pôr para para

55:31

cete e depois pôres, pá. e tinhas que

55:34

tentar ser criativo. Imagina que a

55:36

cassete também dava para pôr um

55:37

bocadinho mais rápido e

55:39

etc. Há sempre maneira de tu chegares

55:43

àquilo que tu tens e na na tua cabeça.

55:47

Estás a ver? Eu nunca isso nunca não me

55:49

impediu. Eu nunca tive grande

55:51

equipamento, mano. Isso nunca me

55:53

impediu. É tipo, pá, não há tripé, mano.

55:56

Pega aí, não encaixas de sapatos, faz

55:58

qualquer coisa, mano. Pá, essa mensagem

56:01

é muito importante e essa também em

56:02

temporal. Porque há muito, pá, há muita

56:05

gente em muitas áreas das artes e do

56:07

empreendedorismo, tudo à espera da coisa

56:10

perfeita ou do momento perfeito. É. E

56:12

eu, pá, no dia eu vi uma frase boa que

56:13

resume isto, que é tens alguma coisa

56:17

para fazer? Now, not how. Exatamente.

56:20

Now, not how, que é, pá, faz agora,

56:23

senão vais desmotivar ou vais ficar à

56:25

espera e e não vai acontecer. Por isso,

56:26

faz agora não vai ser perfeito, mas faz

56:28

agora. Pá, pelo menos é assim que

56:30

funciona para mim, é de eu tentar sentir

56:33

qual é a energia, para onde é que a

56:35

minha energia está virada, é porque, pá,

56:37

amanhã pode pode não lá estar, tás a

56:39

ver? Para aquela coisa em específico. Eu

56:42

eu eu como atualmente, por exemplo, sou

56:44

uma pessoa que faço imensas coisas e

56:46

tenho imensos imensos projetos, eh, seja

56:49

a produzir vários artistas, seja a

56:50

produzir as minhas próprias coisas, seja

56:53

áudio, seja escrever, seja fazer editar

56:56

vídeo, né? O que é que te apetece fazer

56:59

hoje? Tás a ver? Eu hoje vou para casa e

57:02

eu sei o que é que me apetece fazer

57:03

hoje. É continuar eh aqui um um projeto

57:07

instrumental que estou que estou que

57:09

estou a fazer, que é para aí que a minha

57:10

energia tá virada neste momento, mas

57:13

tenho outros projetos em em standby ao

57:15

mesmo tempo, que às vezes à quarta-feira

57:18

posso acordar para continuar esse outro

57:21

projeto. Isso também é um grande aluxo,

57:23

não é? teres assim várias gavetas em que

57:25

ya olha agora vou avançar um bocadinho

57:27

aqui avançar um bocado aqui sem

57:29

deadlines sem sem querer vender sem

57:31

estar ts estás na tua tás com o mesmo

57:35

mindset do princípio, é sempre o mesmo

57:39

mindset porque eu tenho sempre de honrar

57:41

aquela criança, aquele jovem, estás a

57:43

ver? Eu vejo sempre isso dessa forma.

57:46

Isso é uma cena que eu costumo dizer

57:47

agora muito ultimamente, ya, que é se

57:51

não fosse a a versão mais jovem de mim,

57:53

eu não estaria aqui agora. Estás a

57:56

perceber? Eu tenho que Ele não pode

57:58

ficar desiludido

57:59

comigo. Estás a saber? Imagina que

58:01

aquele jovem, ya, não sei quê, eu não

58:05

queria para vender. E agora ele olha

58:07

para o futuro. Olá, Samuel, eu venho do

58:09

futuro e vou-te dizer que eu não vou ser

58:10

assim como tu. Não, o puto ia ficar

58:12

mesmo honra aquele puto. Esse puto é que

58:15

depois a viver. Esse puto é que depois a

58:17

viver. Estás a ver? Por isso não

58:20

desiludas, mano. Não desiludas a aquele

58:22

jovem visionário. Eu sou fã. Sou fã

58:25

daquele jovem. Sim, senhor. Obrigado.

58:28

Sei que é um bocado egocêntrico, né? Mas

58:30

é verdade. É só para as pessoas

58:32

perceberem. Às vezes há pessoas que se

58:33

diferenci diferenciam, como é que quer

58:35

dizer? Ol, olham para trás e vem como ah

58:38

era muito imaturo. Ah, ya, claro que

58:41

eras imaturo, mas também tinhas coisas

58:42

boas ali que te fizeram estar onde estás

58:44

hoje. Estás a ver? Ya, de certeza que

58:46

tens letras que hoje em dia olhas e

58:47

pensas tipo, ei, era mesmo chaval, mas

58:49

isso faz parte do caminho del do teu

58:51

caminho. Não, mas por acaso tenho uma

58:52

relação muita boa com com as músicas que

58:56

eu meti cá fora. Estás a ver? Eu eu

58:59

antes de pôr

59:00

o meu primeiro álbum cá fora, que é o

59:01

entretanto que saiu em

59:03

1999, eu tinha muitas músicas gravadas,

59:06

tinha p dois álbuns em cassete que

59:08

mandava para as rádios, etc. Mas não

59:10

nunca pus à venda. Ou seja, isso talvez

59:13

fosse um bocado mais tipo mais

59:16

constrangedor nesse sentido, tipo não

59:18

ter assim de é de estar só a ouvir as

59:22

falhas, mas desde o do do entretanto não

59:25

podes pôr a música que tu quiseres.

59:27

Porque é que porque é que o entretanto

59:28

não tá no Spotify? Porque ainda não

59:30

meti. Temos estado a arrumar a casa

59:32

assim aos poucos, né? É, pá, eu estou a

59:34

protar isto porque quando eu comecei a

59:36

ouvir mais hip hop, que foi para aí em

59:39

99, 2000,

59:41

hh, graças ao meu amigo João Roquete,

59:45

aka MCCada, hoje em dia João Pequeno,

59:48

Uhum. Eh, houvia muito dilema. Ya, ya,

59:51

os preços de submundo. Uhum. que não tá

59:53

no Spotify. Ya. E eu reparei que esse

59:56

não estava no Spotify e esta semana

59:58

reparei que o teu primeiro disco não tá

59:59

no Spotify e eu pensei, queres ver que

60:01

tantos dilema como o Sam da Kid tem um

60:03

bocado de vergonha deste primeiro álbum,

60:06

então não querem que esteja no Spotify?

60:07

Não, eu e sinceramente e e não gosto de

60:10

falar pelos outros, mas os dilema têm

60:12

muito orgulho também do do Expresso do

60:14

submundo e sabem o marco que foi. Ver,

60:17

acho que é só uma questão de ainda não

60:19

terem arrumado a casa. Às vezes, sabes,

60:20

quando somos independentes também é, pá,

60:23

uma é uma coisa de cada vez. É, eu tenho

60:25

a minha a minha loja onde vendo os meus

60:28

discos, ainda agora só ainda só tenho um

60:31

vinil que é o vinil de praticamente, mas

60:32

eventualmente irei fazer vinil de muito

60:34

mais outros trabalhos. Eu ainda não

60:36

tenho à venda ou sobretudo na minha

60:37

loja, por exemplo, ou entretanto e pá,

60:39

uma é uma coisa de cada vez, mas está

60:41

tudo a correr bem, estás a ver? Por

60:42

isso, eh, a com calma as coisas irão

60:45

acontecer.

60:47

Quero falar um bocado do Bits Volume 1.

60:50

H. É sobre a história de amor dos teus

60:52

pais.

60:54

Sim, na minha na minha visão. Na minha

60:57

visão. Tu és o artista. Isso, isso é pá,

61:00

eu a primeira vez que eu vi isso já foi

61:01

há há muito tempo, mas lembro de curtir

61:04

porque lá está, se calhar a minha visão

61:07

do minha visão do hip hop, eu não sei se

61:10

tu também sentiste isto, se calhar não,

61:12

porque se calhar isto foi uma cena mesmo

61:13

só só da minha microcultura, mas e 99,

61:17

2000, 2001, 2002 houve um ressurgimento

61:21

do do graffiti, do break e do hip hop,

61:24

sem dúvida. Também houve, também houve

61:26

no na tua microcultura. Então, sem

61:28

dúvida. E ó pá, e ao mesmo e por acaso

61:31

visualmente foi interessante porque foi

61:32

mais ou menos ao mesmo tempo que as

61:33

raparias começaram a usar fluorescente,

61:35

muito fluorescente, os brincos

61:36

fluorescentes e as coisas florescentes.

61:38

Então os rapazes eram assim calças

61:39

largas e havia tipo houve todo um

61:41

ressurgimento de lojas de de calças

61:43

largas e pop e não sei quê e e para mim

61:46

eu subi muito aos preços de subundo, às

61:48

mã da gap, lá está, sou do Porto, era

61:51

foi isso que que me aconteceu. Não,

61:53

bichos volum pá, então pronto, era tudo.

61:55

Porque é que eu me sentia atraído por

61:56

aquilo? pela mesma razão que acho que tu

61:58

te sentiste atraído por aquele culto,

62:00

tipo, e o que é isto? Eu quero saber

62:01

mais sobre isto. Hum. E eu então comecei

62:03

a ouvir hip hop e aquela coisa toda, pá,

62:06

do do submundo, tás a ver? Mes a palavra

62:09

submundo e o grafiti e fazer coisas

62:12

ilegais, pá. E e eu tive sorte que isso

62:14

bateu mesmo no início da minha

62:15

adolescência, ou seja, foi um privilégio

62:17

para mim que esse momento de

62:19

ressurgimento apareceu no meu momento da

62:22

da minha narrativa pessoal de de quê? de

62:25

pá brincares com a autoridade, não é? E

62:27

que com a autoridade, com certeza. E

62:29

então nesse contexto aparecer um gajo

62:31

que faz um disco sobre a história de

62:34

amor dos pais. Uhum. Pá, era super

62:37

antigangster, estás a ver? minha cabeça

62:39

não é nada submundo é tipo uma pessoa a

62:41

olhar para os pais e a falar a história

62:42

do amor deles e para mim na altura foi

62:44

gen não este gajo é este gajo é é

62:47

especial é diferente. Mas fores a ver

62:49

por exemplo tu estás aí a pôr a palavra

62:52

gangster nós em

62:55

Portugal nós no mesmo até nessa era ou

62:59

antes, nós sempre representamos muito

63:03

mais o contrário. Estás a perceber? Mas

63:05

parece que todo o mundo não fala disso.

63:07

Mind cap não é não é cena gangster kid

63:11

não é

63:12

gangster. Muita pouca coisa é gangster,

63:15

estás a ver? O gangster em Portugal, o

63:17

rap nesse

63:18

sentido nunca teve. Pronto. E e eu digo

63:22

gangster é pá no sentido. O que que

63:24

significa gangster para ti? Hum. O que é

63:25

que significa gangster para ti? Depende

63:27

do contexto. Pois depende do contexto.

63:29

Eu estava a usar só como sinónimo de uma

63:31

cenas escura do submundo. Ts a ver? Mas

63:34

mas tem um contexto mais específico

63:36

americano. Hum. Não, escuro do submundo,

63:39

pá. Podes dizer tipo underground, tás?

63:41

Depressivo. Se calhar não seja

63:43

underground. Isso sim. Nós sempre nos

63:46

identificamos com esse termo. Nossa

63:48

mentalidade é é underground. É isso. Ya.

63:51

Agora agora gangster não. Aliás, nós

63:54

criticávamos um bocado os fake

63:57

gangsters, estás a ver? Assim, pessoas

63:58

que eram que se wan beis, estás a ver?

64:00

Pessoas que se armavam em coisas que

64:01

eles não que eles não eram. eh que podia

64:05

haver eventualmente, mas eram logo isso

64:07

era quase, se não fosses mesmo oficial

64:09

nesse sentido, era exposto e e não

64:12

tinhas respeito. E o respeito era uma

64:14

coisa importante, ts a ver, entre os

64:16

parceiros, entre as pessoas que fazem e

64:19

que contribuem para a mesma cultura. das

64:21

coisas mais mais importantes e que nos

64:23

motivava mais do que

64:25

vender. O respeito, o respeito também é

64:29

uma consequência depois do produto. Está

64:30

quando está quando estou a criar, não

64:32

estou a pensar no respeito, mas depois

64:34

tá de estar a gravar e tal coisa, tu

64:37

ficas é eu eu penso mais nisso.

64:40

Respeito, inspirar o próximo também que

64:42

pode ser um pouco meio arrogante ou quem

64:44

és tu para inspirar, mas esse esse

64:46

sonho, essa ambição de poder inspirar

64:48

alguém, estás a ver? Eh, essas coisas,

64:52

sim, são, para mim são as bases e que

64:55

fazem a arte evoluir. E neste caso, rap

64:58

também arte e a cultura e pop também,

65:00

né? Mas e então esse disco, porque os

65:03

teus pais separaram-se quando tu eras

65:05

muito novo. Uhum. Como é que vias

65:08

fotografias deles quando eram namorados?

65:10

Li as cartas de amor, como é que

65:11

construíste esse imaginário da história

65:13

de amor dos teus pais, sendo que não a

65:15

viveste muito em primeira mão?

65:17

Exatamente. É mesmo isso que tu

65:18

disseste. É aquilo que eu imagino. Nem é

65:21

a verdadeira história, é aquilo que eu

65:23

imagino. E até hoje tenho mais alguma

65:26

informação ou isso, mas não não eh como

65:29

é que quer

65:30

dizer? E pá, o álbum é um álbum

65:33

instrumental, não tem coisas mesmo

65:36

específicas em termos de áudio eh em que

65:40

apareça o meu pai ou minha mãe. Não. São

65:42

são bits que já estavam feitos. Eles não

65:45

foram feitos para

65:47

aquilo. Eu é que depois escolhi os bits

65:51

da mesma forma que eu tenho aqui no meu

65:52

telemóvel várias rimas. Aqui nestas

65:55

páginas e páginas de palavras. Aqui tá

65:57

uma canção, estás a ver? É escolher as

65:59

palavras certas para depois dar sentido

66:01

a isto. E eu sempre tive centenas e

66:04

centenas de bits, como se fossem

66:06

palavras, né? Depois olha, qual é o

66:09

tópico? Olha, vai ser então olha, este é

66:11

o momento em que se conhece. Esta ficava

66:13

bem faz sentido para cada fase.

66:15

Exatamente. Estás a ver? Então foi foi

66:17

não foi muito feito. Acho que houve

66:20

assim só dois ou três e excecionalmente

66:22

que já foi foram feitos na altura, mas o

66:24

resto foi ali à gaveta e para para fazer

66:27

esse disco. E basicamente aquilo que é a

66:30

história de amor dos meus pais não é

66:32

muito diferente da forma que eu a estou

66:34

a contar e que eu imagino.

66:37

É sem grandes twists. Estás a ver? É

66:40

muito típica. É boy me girl. Estás a ver

66:44

esse tipo de cena? Sim, sim, sim. É

66:46

viagem do herói dos casais. Viagem casa.

66:50

Apaixonam-se, conhecem,

66:53

amam-se, casam, têm filhos,

66:57

chateiam-se, mas volta e meia ainda há

67:00

umas recaídas. O amor acaba com o amor

67:03

infinito, não é? Como é que se chama o

67:04

Não, o amor não tem acab o amor não tem

67:06

fim, que tem um sample em inglês a dizer

67:08

there's no W to love, love, love, love,

67:11

love. F assim. Ya,

67:13

curiosamente, até posso dar aqui já uma

67:15

dica,

67:17

o eu já há muitos muitos muitos muitos

67:20

anos, pá, isto até embora só dizer isto,

67:23

mas eu que eu tenho bitch volume 2,

67:25

estás a ver? Mas que

67:27

nunca, pá, é uma coisa muito pessoal

67:30

para mim, tás a ver? É uma cena porqueê

67:32

o Bitchfum 2 é a minha história de amor

67:36

com o rap, estás a ver?

67:39

Eh, que aliás eu num meu álbum

67:42

praticamente eu tenho a música

67:44

retrospectiva do amor profundo, que é

67:47

retrospectiva amor profundo, rap.

67:49

Pronto, há é um acrónimo assim meio

67:51

forçado, mas é o que é. Eh, e ela é a

67:56

minha música, é a pessoa com quem eu

67:58

estou casado, OK?

68:01

Porque no álbum sobretudo há uma faixa

68:04

que se chama Musa, em que e sou eu, NBC,

68:08

Black Master e Regula. E estamos todos a

68:10

bater couro a ela. Ela é aquela vistosa

68:13

que toda a gente quer namorar com ela,

68:15

mas depois no álbum seguinte,

68:16

retrospectiva de uma profundo, eu já

68:18

estou casado com ela e estamos a falar

68:21

como nos conhecemos e como tem sido este

68:24

nosso trajeto. Estás a ver? E isso, esse

68:27

álbum é um é um é um é o nosso trajeto

68:31

até e ao meu primeiro álbum. É até até

68:36

99. Eh, o volume dois. Não, não, não

68:38

estou a dizer a música retrospectiva de

68:41

um amor profundo. Quem quer

68:44

rimada eh acaba em 99, senão a música

68:47

iria ser muito muito maior do que ela já

68:50

é. E este álbum de instrumentais

68:53

Bachits, volume 2, estás a ver?

68:56

Eh, Bit volume 2 rap é o o Bitch Vum 1,

69:00

amor. Este é Bitch Vum 2, rap. Rap

69:04

sentido de de de referência àquela cena

69:08

que eu te falei, retrospectiva da Mundo.

69:09

Estás a OK? Pronto. Eh, é a minha

69:13

história com ela. Estás a ver? Só a cena

69:16

da capa é uma cena incrível, mas isso é

69:20

será oportuno noutra na nota altura. Mas

69:23

só para te dizer uma coisa que é o

69:25

início desse álbum é com o mesmo love

69:30

que faz fade out no beach volume 1, faz

69:32

fadein no bitch volume 2, que agora é a

69:36

minha história de amor que não existiria

69:37

se não existisse aquela ver daí é é ser

69:42

sentido ser mesmo uma sequela, estás

69:44

aceber? e tá tá na gaveta há muitos anos

69:47

e tem muito orgulho daquele trabalho e

69:50

lá está, é, eu emociono-me ouvir aquele

69:52

trabalho e é tipo, pá, será que eu quero

69:54

partilhar com as pessoas? Eu posso ter

69:55

um, tu podes ter uma cena. A música é

69:58

das coisas mais autossuficientes que

70:01

podem existir. O rap então, ya, o rap

70:04

então e a cena com samples, eu não tenho

70:06

que depender de ter um vizinho toca

70:07

baixo ou uma coisa. É, eu posso fazer a

70:10

música que eu imagino e ficar satisfeito

70:13

com ela e

70:15

basicamente sentir emoções, sentir

70:18

sensações. Tás a ver? Para mim é a arte

70:20

é essa. É tipo tu sentires sensações e

70:22

tu conseguist provocar isso em ti. Eh,

70:25

sendo crítico. Eu sou bastante crítico

70:27

também da minha música. Atenção, não é

70:29

tipo, ai, adoro tudo o que eu faço, não.

70:30

Mas quando gostas, gostas, não é? Daí

70:32

depois fazeres uma seleção daquelas que

70:34

gostas, mostras às pessoas. Mas não sei

70:37

porquê não sinto, pá, pela primeira vez

70:40

eu sinto assim, pá, porque é que eu

70:41

tenho que mostrar isto às pessoas? Não

70:43

sei porquê. Sinto-me assim um pouco

70:46

estranho em relação em relação e não há

70:48

uma razão específica para isso, não é?

70:51

ser muito íntimo. Não, mas é é não é a

70:55

cena que me faz pensar é pá, tá tudo

70:57

bem, sai quando tiver que sair. Ah, não

71:01

tem lá assim esta música que eu te falei

71:03

ou que há bocado estava aqui a cantar

71:05

que se chama

71:06

Hereditário e estás a dizer não é muito

71:10

íntimo. Quando fores a casa, houve um

71:13

dia, quando que tudo quiseres, houve

71:16

essa música,

71:17

hereditário e não há nada mais

71:20

íntimo que eu possa ter exposto numa

71:22

música do que essa música. E não foi

71:25

isto que eu tive a declamar, é algo mais

71:29

à frente, estás a ver? É, acho que não

71:32

existe algo mais íntimo que possa

71:36

partilhar do que isso. Estás a ver? OK.

71:39

Ya. Costumas emocionar-te a fazer

71:41

música? Ya, sim, claro. É, é, é o

71:45

propósito é esse. Propósito é esse. Essa

71:48

é que é a adição. Estás a ver? A cena o

71:50

drogado que se quer emocionar. Sim, sim,

71:52

sim. Estás a ver? Ser lindo. Seja como

71:55

fã, porque eu em primeiro lugar eu sou

71:57

um fã. Aquilo, a minha

72:00

definição é eu e a a minha obra é a

72:04

contribuição de um de um fã, de um

72:07

grande fã. do maior fã. Nunca irei dizer

72:12

sou o maior rapper ou o maior produtor.

72:14

Sou o maior fã. Isso sim. O que é que

72:16

foi? Diz-me lá o que é que Eu sei. Eu

72:18

sei. Sabedoria. Estás a ver? Knowledge,

72:21

nerd. Não tem problemas com a palavra

72:24

nerd. Estás a ver? Nerd. És nerd. Mas eu

72:26

sou mesmo. Sou físico. A ver. Não, mas

72:29

não. Mas é se tu tens uma paixão por por

72:32

uma certa área. Ex. Tu és fã daquele da

72:34

Não és fã. Achei que estás a dizer que

72:35

eras fã de ti próprio. Não és fã do

72:38

género. Não, não, não. Eu também sou há

72:39

bocado. Eu disse, eu sou fã daquele

72:41

jovem. Não, não quero negar aquilo que

72:42

eu disse. Também sou fã da, daquilo que

72:46

eu faço. Não é fã de mim próprio, fã da,

72:48

das minhas criações. Sim, sim. Ó pá, eu

72:50

também eu acho que isso é importante e

72:52

não há vergonha nenhuma nisso. Estás

72:54

orgulhoso, tipo, fogo, fui eu que fiz

72:56

altamente, meu. Sim, sim, sim, sim. Não,

72:58

em e vou-te ser sincero, pá,

73:02

demorou alguns anos a chegar a esse

73:05

ponto. Tás a ver? Eu ao princípio fazia

73:07

bits e ouvia aos meus ídolos, sentia,

73:11

não, não, tá longe, tá longe, não tá,

73:14

não estou a sentir a mesma sensação, né?

73:17

Mas agora eu consigo sentir a mesma

73:19

sensação, mas foram precisos anos de pá

73:23

de de prática, né? E de e de fazer muita

73:26

coisa para chegar a essa a essa a essa

73:29

essa essação que eu sempre procurei de

73:32

eu poder fazer a música que que quero

73:35

ouvir. Estás a ver? Já já reparaste essa

73:38

cena?

73:40

Isso é lindo, meu. Eu poder fazer a

73:41

música que quero ouvir. Sim. Eu hoje

73:43

quero ouvir esta cena. Sim, sim. E tu

73:46

podes fazer essa música. Eu hoje quero

73:48

sentir isto. E tu podes materializar. É

73:52

uma cena incrível. Fico muito, muito

73:55

grato. Eu sei que isto parece um bocado

73:57

assim egocêntrico, mas é uma, é verdade.

74:00

Eh, tenho que ser sincero. Não, pá, isso

74:02

é uma cena de um os artistas que estão a

74:04

ouvir vão-te entender. Tu tocas uns

74:06

acordes ou ou mesmo nada? Ah, posso

74:09

tocar num teclado, mas não sei que

74:11

acordo é que estou a tocar. Mas sabes,

74:14

primeira terceira, quinta, sabes? Não,

74:16

entre um acorde maior e menor, essas

74:18

coisas não. Ok, mas sem mas sem outras

74:22

coisas. Sem muitas outras coisas.

74:24

Claramente suficiente. Não, não. E sei,

74:26

e sei comunicar e sei comunicar com

74:29

pessoas que saberão isso. Estás a

74:31

perceber? Claro. Sim, sim. Como aquele

74:32

produtor americano, como é que é o de o

74:34

trabalha com imensa gente, mas também

74:36

não toca nada. Aquele meio ipi. O Rick

74:38

Ruben. Rick Ruben. Ya. Pá, eu não eu não

74:41

hoje em dia não faço música. que houve

74:43

uma fase em que fazia e pá e tinha uma

74:46

banda pequenina e fizemos pouco,

74:48

fizíamos uns covers e fizemos poucos

74:50

originais, mas houve uma tarde hum, pá,

74:54

foi durante a semana da cama das fitas

74:55

do Porto, lembro perfeitamente, em que

74:57

ele estava a sentir uma coisa qualquer

75:00

específica e peguei na guitarra e pá,

75:04

aquilo começou a sair, exatamente o que

75:06

eu estava a sentir, começou a sair e eu

75:09

fiz-me a mim próprio chorar, mas chorar

75:11

a sério, sabes? Tipo Uhum. E foi, pá,

75:15

dos momentos mais bonitos da minha vida,

75:18

eu fazer-me chorar por aquilo estar a

75:21

sair. Ya. Pá,

75:23

eh, lá está, eu quem me dera sentir isso

75:26

mais vezes queá devia voltar a tocar.

75:28

Olha, tocando outra vez nessa música e

75:31

hereditário, eu fiz essa música para ter

75:33

essa sensação. Estás a ver? É esse que é

75:36

o vício. Hã? Eu sei que é o vício. Ya. E

75:39

pá, não há muitas que pá e e

75:41

conseguires, ou seja, eu sou sincero, eu

75:43

fiz mesmo com essa intenção. Eu quero-me

75:45

emocionar a mim mesmo e e passado estes

75:48

anos todos, isso ainda e isso ainda

75:51

acontece. Mas vou ser sincero, eh,

75:54

pronto, eu tu eu vou eu vou-te explicar.

75:56

Tu não vou dizer tipo com spoiler, mas

75:59

mas essa música no final tem tipo uma

76:01

discussão mesmo real real, hiper real

76:03

mesmo real do meu avô com a minha mãe.

76:07

Ts a ver a cena mesmo real. Estás a ver?

76:10

Tu cravaste, estás escondida? Sim. Acho

76:12

que já o vi. Ok, pronto. Acho que me

76:14

lembro qual é. Ya. E isso é uma cena que

76:17

nunca ouviste em nenhum nenhuma música.

76:20

Pronto. E e o que eu estou a dizer é que

76:22

e mesmo com as notas musicais que estão

76:25

a acontecer por baixo, né, a música que

76:27

está a acompanhar esse momento, eh eh

76:29

pá, estou a dizer, principalmente isso é

76:32

que me emociona, ts a ver? Eu não me

76:34

emociono tipo, ah, com a minha voz e com

76:36

a minha declamação, estás a perceber? É

76:38

mais, eu mais facilmente me vou

76:41

emocionar com algo que não tenha a minha

76:43

voz, ou seja, um instrumental meu, do

76:46

que eu eu eu a declamar, a rapar.

76:49

Pronto. Eh, porque a rapar, ya, eu vou,

76:53

parece que é uma outra parte do cérebro,

76:55

estás a ver? Em que eu aí depois já

76:57

começa a ser um pouco mais crítico de

76:59

mim. Percebo perfeitamente. É estranho.

77:02

H, enquanto se for assim um

77:03

instrumental, ya, sinto mais, consigo-me

77:05

emocionar, consigo viajar, consigo

77:07

sonhar, consigo concretizar a essa

77:10

droga, essa vontade de me querer

77:12

emocionar. Daí eu também muito mais

77:17

facilmente eh, aliás, eu não eu não

77:20

lanço um álbum enquanto rapper desde

77:21

2006, faço muitas participações e etcum

77:25

pá, ya, e a cena que às vezes tento

77:26

descobrir respostas para o porquê, né?

77:28

Há muitas, muitas razões imensas, mas

77:32

uma delas também é essa. É a pessoa que

77:36

quer, lá está, o dependente destas

77:40

emoções, que quer tudo muito rápido,

77:43

entre aspas, que consegue, se eu

77:46

conseguir proporcionar esta emoção ainda

77:48

hoje com

77:49

instrumental, eu vou é vou vou

77:51

dedicar-me ao instrumental do que estar

77:53

se meses ou ou pronto, seis meses a

77:55

fazer uma música em que eu estou a

77:56

escrever uma letra.

77:58

Estás a perceber para ter o mesmo final,

78:00

a mesma finalidade. A dose, a dose vem

78:02

mais no bit do que na letra. Mas isto é

78:05

para mim. Eu sei que para, para, lá

78:06

está, se eu pensasse nas pessoas, eu

78:09

iria fazer mais rap. Logo aí é uma prova

78:13

que eu sou egoísta nesse sentido. Eu

78:15

faço as coisas para mim e para me

78:16

emocionar, seja que emoção for, seja o

78:20

Então eu eu, como é que quer dizer? eh

78:24

eh meter em primeiro lugar a cena de da

78:27

quantidade criativa musical ser mais

78:29

para para os instrumentais do que para

78:31

as rimas. É porque para já é mais fácil

78:33

para mim fazer instrumentais do que raps

78:36

e porque consigo eh ter um produto

78:39

finalizado mais rápido. Estás a saber? E

78:42

e irei ouvir de um com uma de uma

78:44

maneira muito agradável. Eu enquanto

78:47

rap, eu vou estar muito um bocado

78:49

crítico. Parece quase aquela pessoa, ai

78:51

não gosto de me ver nas fotografias. Eh,

78:54

não é? Eu eu gosto, atenção, eu gosto

78:56

das minhas músicas e gosto da minha voz,

78:58

apesar de achar que não tenho uma grande

78:59

voz, a minha voz é a minha, é apenas a

79:02

minha voz. E logo aí é válido, é uma

79:04

verdade. Sim. E tens uma moldia também

79:06

própria. Nem mas há rappers que têm uma

79:07

grande voz. Meu amigo regula tem uma

79:09

grande voz, estás a ver? Tem rappers que

79:11

têm voz e logo logo isso é uma grande

79:15

vantagem. Não quer dizer que eu não

79:17

tenha verdade, né? Tenho, eu tenho a

79:19

minha voz, mas não é um uma grande voz,

79:22

estás a ver? Eu tento ser melhor cada

79:25

vez mais, né? Tipo, e sinto que sou cada

79:27

vez melhor, performer, etc. Mas mas

79:31

tenho que ser sincero, não vou estar

79:33

agora y yo what up? E porque eu não

79:35

tenho uma voz, eu não faço uma voz de

79:37

rapper. Isso também existe, né? Tipo,

79:40

cyper se não é como ele, como canta, não

79:43

é como fala. Há pessoas que e eu eu como

79:47

rapper é como eu falo mais a mesma

79:49

textura. Eu não tenho uma voz aí ele tá

79:51

a gravar, eu agora vou ali dar uma coisa

79:55

engraçada. Estás a ver? Não, não tenho

79:58

uma voz de rapper. É tipo eu como estou

79:59

agora aqui eu há um silêncio que ainda

80:02

me ensurdece uma incerteza na pertença.

80:04

E agora estou a falar aqui contigo. É um

80:05

bocado da mesma textura. É só só muda a

80:07

melodia. A melodia quando estás a rapar

80:09

é mais é mais repetitiva. Hum.

80:14

Queria ler aqui uma parte da, sendo

80:15

assim, hum, para putos radicais, nada,

80:18

nada é fato ser antigo, mas eu não vou

80:20

ser mais um arquiteto sem abrigo. Não

80:22

entro na moleza e no que a incerteza

80:24

trás um dia muito tempo, quando tenho um

80:26

talvez

80:27

atrás. Aqui eu est a ouvir, pá, esta

80:30

música é é bastante emotiva também. O

80:32

instrumental é é forte e a mim deu-me

80:35

uma imagem de, imagina para putos

80:38

radicais, nada é fato de ser antigo,

80:39

principalmente este verso. Pera, pera,

80:41

pera, pera aí. Não digas fat, diz fet.

80:44

Fet. Hã? Pá, sabes, sabes que eu fato,

80:47

por que é que estás a dizer fato? Pá, se

80:49

[ __ ] porque sou inglês, eu nasci em

80:51

Inglaterra. Ah, ok. Desculpa. Tens tens

80:53

tens tens cartão, podes passar. Os

80:55

americanos dizem fit. Não, não, não,

80:57

não, não, não. Podes passar, tens razão.

80:59

Tens razão. Fit. É fit. Pá, eu lembro de

81:03

lembro dos meus amigos me gozarem para

81:04

ele dizer Mac, vamos ao Mac. Em vez de

81:07

dizer Make, o pessoal dizme vamos ao

81:08

Mac. Dizia vamos ao Mac. Ah, ya, ya.

81:11

Não, não, tá certo, tá certo, tá certo.

81:13

Tenho que respeitar, tenho que

81:13

respeitar. Tá certo. Desculpa. E e peço

81:15

desculpa. Pá, vou pensar nisso. Não,

81:17

não, não, não. Tá certo. Não, não mudes,

81:18

não mudes. Desculpa. Mas mas pá, pronto,

81:20

neste neste verso do fit, hã, senti, ó

81:23

pá, podes, se calhar aqui haver para

81:26

putos radicais, nada é fatigo. Se calhar

81:28

o gajo está a sentir que tá a passar. Se

81:31

gajo, se calhar estás a sentir, li aqui,

81:34

se calhar ele tá a sentir que já não é

81:35

irrelevante ou ts a ver que já é um gajo

81:37

antigo e que o pessoal os os miúdos que

81:39

estão agora a começar a vir pop já já

81:41

não lhe ligam nada. Sentes um bocado

81:43

isso? Eu sou uma

81:45

exceção. Pá, eu tudo um gajo dizas

81:49

coisas, parece uma cena egocêntrica, mas

81:51

pronto, mas mas a cena real e tem que

81:54

ser real na cena que aquilo que eu que

81:57

eu que eu que eu que eu estou a dizer aí

82:00

não se refere só a mim, eh, refere-se em

82:03

geral, estás a perceber? que eu eu tenho

82:06

que ser sincero e tenho que ser grato,

82:09

porque eu

82:11

eu tenho uma noção da realidade, embora

82:15

eu nem sei a realidade toda. Às vezes há

82:17

pessoas que me dizem: "Oi, tu nem tens

82:18

noção de certas coisas", né? Tipo,

82:20

porque eu não consigo ter noção das

82:22

pessoas que acompanham o meu trabalho

82:23

todas, né? Obviamente, mas tenho alguma

82:27

noção. Então, tenho a

82:30

noção de de já ter passado algumas

82:33

gerações. Eu tenho que ser grato por

82:35

isso. Não posso estar a crespir nisso e

82:37

depois dar dizer uma rima nesse sentido.

82:40

Se eu tenho muitos miúdos que gostam da

82:43

minha música, saber? Muitos miúdos.

82:46

Ainda hoje uma pessoa mandou uma criança

82:49

mesmo, um bebé que diz que é o Samuel e

82:52

que rima rápido e não sei quê. Estás a

82:55

saber? E e todas as idades, todas as

82:58

idades. Então, então então não sentes

83:00

que que já és um um old school? Já não

83:03

és um nome que cita o a nova geração,

83:08

tipo um nome do hip hop. Não, eu eu sou

83:11

algo que de que que é que é a coisa mais

83:15

importante que é que há há respeito. Há

83:18

respeito. Isso para mim é suficiente.

83:21

Podia não haver, podia realmente ser

83:23

visto como

83:24

algo careta, mas isto eu estou a falar

83:27

de mim específico.

83:29

Se falar em geral, ya, e sinto que houve

83:34

aqui um momento nunca antes

83:37

visto de em relação a pessoas que gostam

83:40

de rap. em relação a pessoas que gostam

83:43

de rap, houve aqui uma uma era, diria

83:48

2016, 2017, 2000, pá, em que em que

83:53

houve um pela primeira vez um grande

83:55

clash geracional que não tinha

83:58

acontecido tão forte

84:01

anteriormente, com a a emergência

84:05

de aquilo que depois chamaram

84:07

subgéneros, tipo trap, etc.

84:11

em que os mais velhos achavam que a

84:15

música não era interessante e depois os

84:19

mais novos também, olha, e a tua também

84:21

não é.

84:22

Eh, e esse esse Clash aconteceu, esse

84:26

Clash aconteceu a nível mundial. Nível

84:28

mundial. E não dizem nada, etc. Isso é o

84:31

Mumble, o trap eh tá relacionado com o

84:34

mumble. Não, o trap, o trap, eh, pronto,

84:36

poderá, poderá estar, poderá estar, mas

84:38

não só. Não, vamos reduzir o trap e o

84:41

jornalista que inventou essa expressão,

84:43

não sei quem foi. Não, por acaso aqui

84:46

neste caso não sei. Ah, eu não gosto de

84:49

nada do mumble, mas lá está, eu gosto

84:51

do, lá está, gosto daquela sonoridade.

84:53

Eu gosto quando soua mal, acho que é por

84:55

causa desses, dessa altura de 99 a 2001,

84:57

os microfones eram piores. E eu gosto

84:59

daquele som assim sujo e e do rap assim

85:02

mais de intervenção, mais jangado. Então

85:04

quando aquele

85:07

bicioso, não me soua fixe, estás a ver?

85:10

Sou-me assim uma coisa estás no teu

85:12

direito e estás no teu direito. Eh, por

85:14

isso eu eu sou um desses, eu sou um dos

85:15

que chegou ali um momento em que foi

85:16

tipo, ei, isto já não é, isto já não é

85:18

tesudo, estás a ver? Isto já não é pá, e

85:21

imensa gente da minha idade também. Ya.

85:23

E mas lá está, eu eu mas eu depois não

85:24

gosto muito. Uma cena que eu não gosto

85:27

muito é quando me vem dar amor, mas

85:31

dentro desse amor tão a a falar mal de

85:34

alguém. Não é agora o não sei quê, não

85:36

sei que mais. Isso é porcaria. Tu é que

85:39

Não, se queres dar love, dá dá aquele

85:41

amor. Eu rece e pá, mas não há

85:42

necessidade de estares a rebaixar eh

85:45

outra pessoa. Tudo bem que é a tua

85:47

opinião, mas já é um é um elogio que já

85:49

não vem não vem tão bonito, estás a ver?

85:51

Não. Sim. Ya, parece que é, ya, não me

85:53

sinto tão bem a receber esse elogio.

85:55

Parece que, porque assim, parece que

85:56

estou a concordar com aquilo que tu

85:57

estás a dizer e às vezes eu tenho que

85:59

discordar, né?

86:01

Mas pronto, eu sou sincero que nesse

86:03

aspecto, pronto, não vou negar, não vou

86:06

negar que todos tivemos que nos habituar

86:08

esse esse Clash eh que temos o e e não

86:13

faz mal também termos o nosso estilo

86:16

favorito ou nosso rap favorito. Eu

86:19

pessoalmente tento gostar tudo um pouco

86:21

tanto a nível e e mesmo como

86:23

contribuinte a mesma coisa. Estás a

86:25

perceber? Aquilo que eu que eu que eu

86:28

que eu enquanto contribuinte não faço

86:30

muito é entrar em ondas. Eu não entro em

86:33

ondas. Não entra em ondas. Estás a ver?

86:36

Não é, eu não vou fazer trap quando

86:38

estão todos a fazer trap. Eu eu vou sear

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fazer quando ninguém tiver a fazer.

86:42

Estás a ver? Mas não quer dizer que eu

86:44

não me aventure, não é? Das últimas

86:46

músicas que eu lancei foi com o DJ Vibe.

86:48

Estás a ver? É, é uma coisa diferente.

86:50

São 120 bpms, é uma, uma sonoridade

86:53

diferente, mas é diferente ao ponto de

86:55

ser. Não é igual a nada. E isso é que

86:58

devíamos fazer

86:59

mais. Estás a

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ver? Sempre daqui DJ Vibe. Ya, tipo, o

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que é que este som parece? Não sei o que

87:07

é que este som parece. Isso é

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interessante para o bem e para o mal,

87:11

porque pode causar um desconforto. Não

87:12

tens ali um ponto que te situa. Ah, ya,

87:15

isto as pessoas às vezes para gostar de

87:17

uma coisa tem que criar aqui umas

87:18

referências. Ah, isto é um pouco aquela

87:20

coisa inglesa, não sei quê. Não

87:23

conseguem gostar do do ya, ouvir e pá,

87:27

ouvir a cena

87:28

só não tens que analisar, não é? para

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analisar. Já estamos cá nós, nós, entre

87:34

aspas, eh,

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criativos, que, infelizmente, quando

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passamos eh pronto, a ser

87:43

criativos, o a nossa maneira de

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ouvir deixa de há ali uma magia que

87:49

desaparece, estás a perceber? É tipo

87:52

antigamente eu quando não sabia fazer

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música, a música tinha um efeito mais

87:55

mágico. Sim, sim. A que era o efeito, o

87:58

efeito do criador, estás a perceber? que

88:00

é tipo, eu não sei como é que isto é

88:02

feito. Eu agora eu sei, eu tou a ouvir,

88:04

olha, o Kik tá mais altas ou no cinema.

88:06

Sim, sim. As emoções tocam na mesma, mas

88:08

não é bem a mesma coisa. Não é bem a

88:11

mesma coisa. Arrepias está a mesma com

88:13

uma música, pá. Mas depois a passar

88:15

tanta ou tanta música, tanta já te

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emocionaste com quase todas as

88:18

combinações de notas possíveis, pá. E

88:21

tecnicamente é muito difícil. É as

88:24

coisas. Eu às vezes, ya, é invejo alguém

88:28

que está a ouvir certas músicas pela

88:29

primeira vez. ou ou como alguém ver um

88:31

filme pela primeira vez, né, certos

88:33

filmes marcantes e eu acredito que o o

88:36

realizador eu próprio também estudei

88:37

cinema, então eu também tenho mesmo

88:40

quando estou a ver um filme é tipo, ei,

88:42

este plano já tá bué, este plano, isto é

88:43

isto é um plano de sequência. Espera aí,

88:45

deixa-me pôr para trás. Eles ainda não

88:47

ainda não teram outro plano. Isto

88:49

ya, e bloqueio ali um bocado ou ve, pá,

88:51

vejo tecnicamente como é que as coisas

88:53

estão a ser feitas. Eh, mas pronto, na

88:56

maior parte das vezes continuo-me a

88:57

envolver no filme, mas na mas na música

89:00

isso às vezes acontece, pá. E e essas

89:02

coisas, a sonoridade, seja trap, drill,

89:05

etc., trazem ingredientes, às vezes

89:08

também podem ser refrescantes e podes tu

89:10

agora fazer à tua maneira. Estás a ver?

89:13

Para mim é fixe é essa, é o que é que

89:14

isto pode trazer que pode- te inspirar.

89:16

Eu depois eu fico assim, torço só um

89:18

bocadinho o nariz, com todo o respeito,

89:21

é quando alguém tenta usar a fórmula

89:23

toda, tás a ver? Ah, como é que fizeste

89:25

esse bacalhau? Foi mesmo quanto? Quantas

89:27

gramas de É isso? Tá certo. Não, faz à

89:30

tua maneira. Se calhar tu não precisas

89:32

de pôr aquele ingrediente que tu nem

89:33

gostas, estás a ver? faz o teu com a tua

89:35

identidade. Então eu eu acho que é

89:38

podemos ir beber um, por exemplo, eh o

89:41

dril ou coisas mais agora ama piano, que

89:44

é uma coisa que não não tá ligado ao

89:46

rap, mas é uma coisa de música de dança

89:49

africana, diria. Eh, e pá, eu não gosto

89:53

que para que a coisa seja aquilo, tu

89:56

tens que usar mesmo aquele som. Não, tu

89:59

não tens que usar aquele som, tás a ver?

90:01

Porque senão depois fica boring. Tem tu

90:03

tens que usar mesmo especificamente

90:05

aquele

90:06

aquele Não pode ser não. Dá-lhe dá-lhe

90:10

um um um twist diferente. Podes usar o

90:13

ritmo

90:14

do do drill que que pode

90:19

dizer pronto, que tem uma c uma certa

90:21

cena de de urgência ali, pá. Mas em vez

90:24

de disse ser um head, mete um kick, mete

90:28

ou mete uma tarola a fazer esse ritmo,

90:30

dá-lhe um twist, não é? Tipo, ah, ok. E

90:33

agora o pop smoke, qual é o baixo que

90:35

ele usou? É mesmo este

90:37

específico? Ok. Ah, agora sim. Eu acho

90:40

que acho que o pessoal vai curtir, estás

90:42

a ver? Vai passar na comercial. Ya.

90:44

Estás a ver isso? Olha, isso aí, isso

90:46

agora estás a dizer passar no comercial.

90:49

Eu ontem estava a ver, gosto, olha lá

90:51

está, é falar de coisas que não são

90:53

atuais, mas se não fosse a atualidade da

90:56

tua vida, por assim dizer, não iria

90:58

falar desse tópico. Mas ontem estava a

91:00

ver algum alguma coisa o que é que eu

91:03

estava a ver era tinha a ver com que

91:06

filme, pá, pronto. Basicamente era que é

91:09

que me fez depois começar a divagar.

91:12

Foi, por

91:13

exemplo, uma coisa que com que a arte a

91:16

arte de fazer

91:18

filmes é muito mais difícil. Estás a

91:22

ver? O que eu estava-te a dizer?

91:23

Precisas de muito mais pessoas. Pessoas

91:25

ya, estás a ver? Eu quando vi por isso

91:27

dinheiro. Estás a ver? Eu, pá, a

91:29

autossuficiência do rap do do It

91:32

yourself é incrível, mano. A cena do

91:36

miúdo que tá ali no quarto sozinho a

91:37

sonhar e a e a materializar aquilo que

91:40

imagina. Estás a ver? Enquanto que uma

91:42

pessoa não consegue fazer um filme, quer

91:45

dizer, poder, pode, po, cada vez mais,

91:47

não é? Antigamente tinhas que andar com

91:49

claquetes e mas mas lá estáita nós eh

91:54

vemos o cinema que nós vemos ou que

91:57

muita gente vê, não vou dizer que não,

91:59

que têm sucesso, etc. É um cinema em que

92:03

o dinheiro, em que o cinema é um

92:05

negócio. Estás a perceber? O cinema é um

92:09

negócio como a música é um negócio. Mas

92:13

e eu, como já te fiz ver, isso para mim

92:16

eu não sou esse tipo de músico, apesar

92:18

de eu fazer negócio com a minha música é

92:20

uma consequência, mas não é a origem ao

92:23

objetivo. Atenção, e fico grato por

92:26

fazer negócio com isso. Atenção, mas não

92:28

tá na base. Pronto. E cinema sem

92:34

isso há muito há há menos, acho eu,

92:37

porque tem que envolver pessoas que te

92:39

financiam, que às vezes não são artistas

92:42

e tem que haver um uma recuperação desse

92:45

financiamento, não é? E eu estava a

92:48

pensar numa coisa que era e pá, qual é

92:50

que era o filme em específico? Não, mas

92:52

não interessa qual era o filme. Era a

92:55

cena deles fazerem, principalmente num

92:57

cinema, pá, diria 80% dos filmes mais

93:01

que é o screen

93:03

testing. Sabes o que é que é? Sim, sim,

93:05

sim. Mas até antes os guiões hoje em dia

93:07

desses filmes grandes de Hollywood vão

93:09

para consultores na China para eles

93:12

otimizarem aquilo, porque olha nesta

93:14

cena o gajo em vez de ter um boné preto,

93:16

devia ter vermelho, porque pá, vermelho

93:18

é cor da sorte. os guiões de Hollywood

93:20

passam por muita gente, por muitas

93:23

culturas para para maximizar a

93:24

faturação. Ya. Então é é essa cena.

93:27

Pronto, claro que

93:29

obviamente mas eu gostaria de saber se

93:32

aquilo que é chamado, por exemplo, eu

93:35

sou um para me diferenciar e se calhar

93:38

não nos pôrmos aqui no música, negócio,

93:40

pronto, vou chamar, eu sou um canto

93:43

autor, porque um autor à partida é

93:47

alguém que tem controleo, não é, sobre

93:50

tudo e pá, há ali algo, né? Porque lá

93:53

está, cinema de autor. Conhece essa

93:56

expressão, né? Claro. Sim, sim.

93:57

Será que tem screen testing? Screen

93:59

testing. Fogo. Screen testing. Ya. Ó pá,

94:03

não faço ideia, mas acho que não. Até

94:05

porque não faz muito sentido. Mas tem

94:06

financiamento à mesma, né? Mas se calhar

94:08

financiamento público. Isso é a

94:10

diferença entre filme europeu e o filme

94:13

americano. Às vezes que é que o nosso é

94:14

meio que a fundo perdido. Ya. E temos

94:16

dinheiro para as artes e olha ganhaste,

94:19

ganhaste. E há assim no IA há categorias

94:21

de pá tipo aquela categoria com mais

94:24

dinheiro que é para quem já tá, não é?

94:26

para o Miguel Gomes e assim para os

94:27

realizadores que já que estão aí em

94:29

altas e depois há várias categorias por

94:31

ali abaixo. Mas tu fizeste, tu filmaste

94:34

um bocado do Ry Shit de Cabala, não foi?

94:35

Videoclipe. Sim, sim, exatamente,

94:37

exatamente. Esse foi um dos videoclipes

94:39

que me apareceu um dia no canal Sol ou

94:42

no C Radical. Ya, exatamente. E que foi

94:44

mesmo uma janela, lá está, um bocado

94:47

para essa minha ideia também de

94:48

submundo, mas em Lisboa, exatamente, com

94:50

muito mais blacks que no Porto não há

94:52

quase, muito menos para um beito da F

94:54

como eu. Então aquilo era mesmo uma

94:56

janela tipo ou outro mundo. Sim, sim,

94:59

sim, sim. Foi, pá, foi foi foi muito

95:01

interessante mesmo essa situação. Foi e

95:04

foi revolucionário num certo, pá,

95:05

revolucionário ou pioneiro num certo

95:07

aspecto, porque realmente era aqui a o

95:11

início de uma nova

95:14

geração que eu por acaso eu sempre tive,

95:16

olha lá está, eu tenho videoclipes do

95:19

entretanto, pá, que nunca partilhei com

95:22

as pessoas, estás a ver?

95:25

Tenho um videoclipe de uma música que se

95:27

chama Shagy Sam. Nunca saiu. Tenho uma

95:29

videoclipe de uma música que se chama

95:31

Sétimo Céu. Nunca saiu. Mas porque é que

95:33

também nunca saiu? Porque realmente não

95:35

havia sítio para tu passares vídeos

95:39

amadores, eh, por assim dizer. E a sol

95:42

música foi essa situação. Ou seja, a MTV

95:45

entretanto aparece, mas como se fosse

95:48

uma exigência. Não, não. Vamos aqui com

95:50

o vídeo 8. Eh, na altura hoje em dia

95:53

cool, não é? Hoje em dia, tipo, não é de

95:55

propósito, eu tenho até orçamento, mas

95:56

eu quero mesmo é vídeo mas a cena eh na

95:59

altura a sol era ó pá, ok, os mais os

96:03

menos profissionais também poderão ter

96:05

um espaço aqui e isso foi muito

96:07

importante a nível nacional e e o

96:09

cholage foi o que abriu um pouco esse

96:11

caminho e e de seguida venho eu com o

96:13

não percebes eh que que também com o

96:17

cholage a ajudar-me da mesma forma que

96:19

eu ajudei o cholar no R de Cabala. Ya. E

96:22

e isso isso foi muito foi muito

96:25

importante porque realmente eh ya eu e

96:29

depois a cena é eu usufruia bué da

96:30

liberdade de saber que nunca ia dar na

96:32

televisão. Era tipo, por exemplo, eu

96:34

tenho uma música, essa música cheg Sam é

96:36

eu eu esse videoclipe é mesmo, eu digo

96:39

lá rimo mais todo nu do que tu, todo

96:42

equipado. E no videoclipe eu estou mesmo

96:44

todo nu nesse momento. É tipo, ya, eh,

96:48

eu sei que nunca é usufruir isto dessa

96:50

cena. fazeres as cenas para ti, para

96:52

mostrares aos teus amigos. Mas esse

96:54

sabias que não ia passar nem no Sol, nem

96:56

no canal Sol? Ya, ya. Nem nunca nem a

96:59

Sol existia na altura. Ah, ok. Ok. Era

97:01

para mostrar os meus amigos. Lá está,

97:03

isso já era uma cena TV Chelas, estás a

97:05

ver? TV Chel é o con é o conceito. E

97:07

queres ver a programação vem cá à minha

97:09

casa e a minha casa era muito frequent

97:12

frequentada. É como se tivesses, como

97:14

estavas a dizer, como é que se chamam os

97:16

teus patrões? Mecenas. Mencenas. Ya. Os

97:18

teus mecenas. B.

97:20

iam lá de vez em quando cenas, mas que

97:22

são teus bros, né? Eh, teus amigos e não

97:26

só amigos de amigos. Ya. E eu mostrava,

97:29

divulgava dessa forma. Vamos. Pá, eu

97:32

como te estava a contar, eu queria

97:33

começar este episódio a a replicar esta

97:36

tua cena. Uhum. Do Mete aí os fontes

97:39

para ouvires. O como é que se chama este

97:46

[Música]

97:47

som? Passi. Mete na pausa.

97:52

Isto foi um instrumento que mudou a tua

97:54

vida. Olha o akai. Não é, eu vou-te

97:56

dizer uma coisa. Diz um cartão vermelho

97:59

já para ti. Porque estou porque estou a

98:00

ouvir isto no YouTube. Não, em vez de no

98:02

teu canal. Porque eu não sei o que é que

98:04

tu estás a falar.

98:06

Isto és tu, certo? Mas o que é que tu

98:09

disseste? Que que não sei? Não me lembro

98:11

o que é que

98:14

disse. Sim.

98:18

O o

98:22

sample o que é que disse

98:25

mal? Espera aí.

98:28

Se vires uma grande obra minha, imagina,

98:33

eu faço graffiti. Eu faço graffiti. Eu

98:36

fiz o

98:38

melhor

98:39

graffiti. Eu fiz o melhor graffiti que

98:42

tu já viste ontem num

98:46

comboio. E tu metes-me agora aqui o

98:49

graffiti e diz assim: "Samuel,

98:51

espetacular este grafiti que ontem

98:53

vandalizaste ali no comboio de raiz.

98:56

Farias isso?

98:59

Não. Porque é que não

99:00

farias? Ó pá, segue o raciocínio. Para

99:03

que é que não

99:04

farias? Por e por é ilegal.

99:12

Ah, é isto? É

99:15

ilegal. Fala de outra coisa.

99:18

Ok. Ó pá, isto foi lindo, foi. Gostei

99:21

desta atenção. Foi, foi refrescante. Não

99:23

acontece muito no despolariza. Ya, não,

99:25

mas é na boa. Estou a falar contigo na

99:26

boa. É só para tu é uma é uma é um

99:29

aperto só para ficares a saber, mas isso

99:31

são coisas que temos que falar em off,

99:33

mas são regras básicas, estás a ver?

99:35

Tens que ter, por isso é que há música,

99:37

não percebes o hip hop, tens que

99:38

perceber, tás a ver? Ya, sou eu. É sobre

99:40

mim. Ya. Não. E h, e há cena da pessoa,

99:43

ya, são certas coisas, são certas

99:45

coisas. Eu não sei o que é que tu estás

99:47

a falar.

99:48

Ya, eu também, pá, não sei de quem é

99:49

aquele vídeo. Não faço a mínima como é

99:51

que aquilo apareceu. Vais fazer isto até

99:53

morrer? Vou. Ya, tens esse perfil. Ya,

99:57

porque eu acho que tu vives num estado

99:58

de flow. Não sei se és uma pessoa muito

100:00

espiritual ou não, mas eu acho que tu

100:03

estás

100:04

num maneira, o tipo de artista que tu

100:08

és. E o a maior dica para mim foi tu

100:11

dizeres que tens assim várias gavetas

100:12

abertas e vais expando de uma e vais

100:14

explando de outra. é de quem não tá a

100:16

viver

100:17

para pá, tás a ter o que os ingleses

100:21

chamam effortless success, não é? Mesmo

100:24

que e successo não é vendas, lá está,

100:27

mas pá, estás a sem grande esforço só a

100:30

fazer aquilo que que a tua alma te puxa

100:33

a fazer. Ya, pá, as coisas vão

100:35

aparecendo e a vida vai sendo

100:37

relativamente boa ao que parece e tens

100:39

prazer na tua vida. E pá, isso é isso é

100:42

lindo. Ya. E sou muito grato por isso,

100:44

pá. Estou mesmo, sou mesmo feliz a fazer

100:47

o que faço e e sou um privilegiado. Sou

100:51

privilegiado desde sempre que fui

100:53

privilegiado desde a minha educação,

100:57

desde e até respondendo sem sem ser em

101:00

rima, não é, à tua pergunta inicial,

101:04

sempre fui muito mimado até também, né,

101:08

pelo pela pelos meus avós eh maternos,

101:13

pela minha mãe,

101:15

hum,

101:16

sempre e mesmo mesmo o meu pai, meu pai,

101:19

mesmo a nível artístico, sempre me

101:21

apoiou imenso, sempre me apoiou imenso,

101:24

mesmo numa numa fase em que nós estamos

101:27

a tentar descobrir aquilo que queremos

101:30

ser, né? Aquilo que tu e e imagina neste

101:34

caso, tu quereres ser algo que ainda não

101:38

existe. Estás a ver? Eu isto aqui vai

101:41

parece um bocado arrogante, mas tem que

101:43

ser específico, que é imagina tu

101:46

quereres ser viver da vida, a fazer rap

101:51

e isso ainda não é uma profissão

101:53

palpável, estás a perceber? Não é uma

101:55

profissão, muito menos um rapper

101:58

independente. Estás a saber? E e a nossa

102:01

geração já era contra cultura,

102:03

antisistema, não queremos

102:06

editoras, estás a ver? Iegal. Estás a

102:09

ver? É uma coisa à parte, marginal,

102:12

quase de forma orgulhosa. Estás a ver?

102:15

Então, eu eu nesse aspecto sempre fui um

102:20

privilegiado de de poder contar com a o

102:26

apoio dos meus pais para poder

102:30

concretizar algo que não era fácil. Era,

102:35

olha, deixa lá o miúdo pode ser que dê

102:37

alguma coisa, né?

102:39

E e e foi mais ou menos na altura em que

102:42

eu em que eu fui para uma escola de

102:44

cinema e estava ao mesmo tempo a gravar

102:46

o meu primeiro álbum em

102:49

casa e aí começam os primeiros concertos

102:52

e e no o Porto foi

102:56

fundamental. É assim, eu iria sempre

102:58

fazer música de qualquer das formas, não

103:01

é? Mas uma pessoa também não pode negar

103:04

que para te profissionalizares e fazeres

103:08

dinheiro com música, claro que tu

103:10

precisas das pessoas, né? Precisas de

103:12

que as pessoas gostem da música, né? Mas

103:14

eu iria fazer música de qualquer das

103:16

formas. Eh, mas o o Porto quando vou lá

103:20

com o com o primeiro trabalho, com o

103:22

Entretanto e o Mundo I me convidou que

103:24

faziam lá noites no Art Clube, foi a

103:27

primeira vez que eu assisti a pessoas

103:29

realmente a a gostarem das minhas

103:31

músicas e a celebrarem a e de forma

103:34

eufórica, porque até até à data em

103:38

Lisboa era um pouco mais hostil, estás a

103:41

ver? Era um pouco mais as noites do

103:42

ataque verbal

103:44

também. Também as noites do ataque

103:45

verbal também. Também eram, também eram

103:47

astis. Exatamente. Era, não sentias o

103:48

que sentiste no Porto. Então, não, não,

103:50

não, não, não. Do ataque verbal que foi

103:52

em 97 era era mais a cena ya, de

103:54

microfone aberto, né, que era a cena e o

103:56

open mic. Ya. E era tipo e aconteceu

104:00

mesmo. Eu, como eu digo nessa na música

104:01

retrospectiva de me fundo, não feches os

104:04

olhos, senão o micite da mão. Ah, ya,

104:06

isso e eu fechei os olhos e um rapaz

104:09

tira o microfone da mão e era um pouco

104:11

mais hostil nesse sentido. Enquanto e

104:14

deve ter sido pesado. Hã. Estava muita

104:17

gente a ver. Alguma alguma era no Johnny

104:19

Guitar. Ya. E ficas ali é é um

104:23

bocadinho. É uma pessoa que hoje em dia

104:25

até meu é é meu amigo. Lá está. Olha,

104:27

fazendo um paralelo com aquelas cenas de

104:28

celas quando se têm a conhecer. Há ali

104:31

uma coisa, mas depois acabas por o

104:34

respeito depois há de aparecer. Isso é

104:36

Cascais. Hum. O Johnny Guitar onde é que

104:38

era? Não, em Santos. Em Santos. Em

104:40

Santos. Santos. Ya. E então foi, pá,

104:44

pronto, foi uma coisa muito muito fixe

104:47

que foi a cena no Porto. Eu senti

104:50

mesmo, ya, e isso não nego que dá que dá

104:54

que dá dá dá-te uma força maior para

104:57

continuares a fazer música. Mas mesmo

104:59

que não tivesse, eu iria sempre, aliás,

105:01

se de hoje para amanhã ninguém de mais

105:05

ninguém quiser ouvir, eu vou continuar a

105:08

fazer música, né? Não, porque esse foi o

105:12

princípio do início e respeitar sempre

105:14

aquele puto. Boa, meu. Olha, foi um

105:16

privilégio enorme. Obrigado. Obrigado,

105:18

Belma. Obrigado. Obrigado. Vai ficar.

105:21

Estou curioso para para ver para me ver

105:24

depois a reagir à à tua a tua a tripares

105:28

comigo. Não, na boa, na boa, mano. É na

105:30

boa. Não, não é para não é não é não é

105:33

chatear. É só sem TV amanhã.

105:36

aqui de destroidos pela Não, não, não,

105:38

nada disso, pá. Foi um prazer estar aqui

105:40

contigo, pá. Podimos falar de mais 1

105:43

coisas, mas tá bom, tá bom. Não sei. Até

105:45

tive aqui uma ideia que foi um dia, se

105:47

tiveres assim, pá, uma música que não é

105:49

single e que não é assim muito, não é

105:51

assim muito importante para um disco

105:53

novo que tenhas, hum, eu curtia fazer um

105:55

videoclipe. Eu já fiz videoclipes

105:57

também. Já fiz um lipop. E qual foi? Pá,

106:00

fiz um do João pequeno do Verdade ou

106:02

consequência. O táxi? Não, não, não.

106:04

Essa foi música C o Dino, não é Din? Ya,

106:05

ya. Não fiz esse. Depois fiz uma para o

106:07

Pedro Lucas e pronto, já fiz assim umas

106:10

brincadeiras, já fiz uns anúncios e tá a

106:12

pensar, pá, eu como mais ou menos beito

106:14

da fo e a perspectiva de um beit da fós

106:18

de chelas, o beit de f à Chelas e filma

106:21

da sua perspectiva. Mas, mas e pá, o Não

106:25

tens que pôr nessa caixinha, mano. É

106:27

tipo, qual é? Não, eu não ponho nessa

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caixinha. Não põe essa gajinha, mas mas

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efetivamente saíram lotarias sociais

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muito diferentes. Então é fixe, é fixe

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misturar. Mas o que é que é uma e pá, eu

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eu não vejo a cena assim tão diferente,

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mano. Eu eu também não vejo a cena

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diferente e por isso é que quero fazer,

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que é tipo para explorar

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o que h mais o que nos une do que o que

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nos para. A única cena que eu não gosto

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realmente é quando essas pessoas têm um

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fascínio meio National Geographic, estás

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a saber? E nem as pessoas do bairro

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gostam de ser utilizadas como tal. E

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isso é uma mágoa que eu até tenho dentro

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de mim, que já fiz essa ponte algumas

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vezes. Ah, um documentário. Eu quero

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fazer um documentário sobre a cultura

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hip hop. Ah, é? Olha, fixe, pá. Fixe,

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fixe. Olha, Samuel, consegues-me

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apresentar mais pessoas? Ya, consigo.

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Mas depois no processo, ya, tu já tás no

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bairro e tás no bairro, começas a ficar,

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ah, ah, ele, eles são negros e não sei

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quê, a família, a cultura, não sei que

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mais. E parece que ficas fascinado como

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se fosse uma uma um jardim zoológico. A

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sério, é uma cena horrível. Ou então

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fotógrafos depois tiram fotos de surra

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ou tentar filmar, ah, ó, tenho que ter

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mesmo ganhar o prémio no festival de

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curtas do não sei quê, pá. Ya, e isso é

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feio. Eu já, eu, por exemplo, eu já fui

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excluído, imagina, eu fui a pessoa que

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deu a ponte para tu chegares a estas

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pessoas e tu falaste-me que era um

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documentário da cultura hipop, mas de

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repente começaste a estar em ambientes

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tão que não estavas à espera que de

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repente o documentário já não é da

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cultura hip hop. E eu até saio do

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documentário, ou seja, não

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sou não sou branco, estás a ver? É,

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vamos pôr as coisas mesmo assim. Sou

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branco. Ya. Então sai, sai do

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documentário. Que é para quê? Que é para

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depois o branco que fez o documentário

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que teve nos bairros a mostrar às

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pessoas no festival que também não

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costumam visitar estes espaços e também

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estão a ver os jardins zoológicos a

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bater palma. Ah, tipo, conseguiste ir lá

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uma medalha, toma o urso de Berlim, toma

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o não sei quê, escurdas não sei quê.

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Fogo, isso para mim é que é horrível.

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Isso para mim é que é horrível. Agora,

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se fores de forma genuína e veres as

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coisas como elas são, eh, pá, isso

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aí dá para ver quando há sangue suugas

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que que às vezes querem usar e as

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pessoas e o ambiente como se fosse uma

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cena sensacionalista, né? Então, há uma

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há é algo que eu que eu que eu que eu me

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oponho. Não, não, não gosto disso. Eu

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gosto mais do for us by us, mas a cena é

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tu podes ser um um de

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us de vocês. Ya, ya. Nós somos a mesma

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coisa. Folarias. É sobre isso.

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Exatamente. Nunca seria nessa nessa

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ótica. Tens tens que ver um um vout-te

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mandar um videoclipe meu para tu veres.

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Quero ver. Sim, senhora. É diferente.

109:26

Obrigado, mano. Pronto, meu. Obrigado. E

109:28

obrigado a todos que tiveram por aí. H,

109:30

se puderem, deixem um like, subscrição,

109:32

comentário, essas coisas ajudam todas.

109:34

Se quiserem fazer parte da comunidade há

109:36

um link na descrição. E por hoje é tudo.

109:38

Obrigado. Obrigado mais uma vez.

109:40

Obrigado, man.

109:41

[Música]

109:43

altamente, meu

Interactive Summary

O vídeo é uma entrevista com Sam da Kid, um artista multifacetado conhecido pelo seu trabalho em música, poesia e vídeo. A conversa aborda a sua trajetória como podcaster profissional, a evolução do seu canal desde um blog, a influência da pandemia na criação de conteúdo e a sua aversão ao sensacionalismo e clickbait em plataformas online. Sam da Kid detalha a sua infância em Chelas, descrevendo o bairro como multicultural e seguro, contrastando com o preconceito externo. A entrevista aprofunda-se nas suas primeiras memórias musicais, o impacto da televisão e rádio na sua formação, e como a dança break e a música eletrónica o influenciaram. Ele discute a criação de música, a importância da poesia e das letras, e a sua visão sobre a indústria musical, criticando a invenção de subgéneros por jornalistas e a natureza comercial de alguns projetos. Sam da Kid reflete sobre a sua música "Hereditário", a inspiração na história de amor dos seus pais e a importância de criar arte intemporal e autêntica. Ele também aborda a diferença entre música comercial e arte autoral, a autossuficiência do rap "DIY" (faça você mesmo) e a evolução da sua própria arte, desde os primeiros trabalhos até aos projetos mais recentes. A conversa termina com reflexões sobre a importância do respeito, da inspiração mútua e da autenticidade artística, mesmo diante das pressões comerciais.

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10 ready-made prompts