#84 SAM THE KID - Rap, Hip Hop, Chelas, Poesia, Sucesso, Arte, Música, Dança
2604 segments
[Música]
Muito boa tarde, se Deus quiser. O meu
nome é Tomás Magalhães. Bem-vindos ao
Despolariza. Quero começar por agradecer
aos novos mecenas Maria Paisana, André
Santos, Ricardo Vieira, João Pereira,
Ana Maria Silva, Maria Couto, Sara
McConel, Adriana Macedo, Madalena
Fonseca e Margarida Sobral. Bem-vindos à
comunidade. Eh, estas pessoas ao
torneio-se micenas ajudam osarias a a
manter-se ativo e a crescer. Tenham
também acesso ao grupo de WhatsApp, aos
jantares, aos trilhos e uma data de
outras coisas fixes. Se estiverem
interessados, há um link à minha volta e
outro na
descrição. Este episódio conta com o
apoio da Highwell. A Highwell é uma
plataforma de psicoterapia 100% online.
Todos os psicólogos estão inscritos na
ordem dos psicólogos. Vocês podem
descarregar a aplicação, depois passam
por um questionário francamente
interessante. Eu eu achei interessante,
pelo menos, em que podem pronto,
descrever daquilo que estão à procura, o
que é que procuram num psicólogo. A
partir desse momento podem experimentar
15 minutos grátis com vários psicólogos
até escolherem aquilo que vocês gostam.
E aí podem usar o código de desconto 15
despolariza e ter 15% de desconto quando
tiverem encontrado a pessoa certa. E há
também um link na descrição. Finalmente,
apresento-vos ao convidado do dia, o
grandioso Sam da Kir. Bem-vindo, Sam.
Prazer, prazer estar aqui. Tava, pá,
antes de gravarmos, estava-me, estava-te
aqui a perguntar se tens ido a podcasts
e disseste que não tens ido. Então, pá,
ainda é uma honra maior teres feito,
parado, acabada a pausa aqui no
Despolariza. Senti aí um um podcaster
profissional com com a tua entrada.
Tens os teus os teus apoiantes, tens os
teus patrocínios. És um podcast
profissional,
pá. O que é que é profissional? Eh,
fazer conseguir viver só de podcasts.
Sim, já, já conseguia viver. Conseguiria
viver se não fizesse outra coisa. Sim,
sim, mas é recente. É, é desde dos
patrocínios. Ya, ya. Não, espetacular.
Espetacular. Só um podcaster
profissional. Pod, poderia ser. Não, mas
é uma coisa, eu não estou a dizer, eu
estou a dizer mesmo até com com
prestígio, não é? Não estou a dizer tipo
um podcast profissional, estou a dizer
mesmo. É uma coisa até de de das pessoas
poderem também aprender como é que como
é que isso como é que podes
profissionalizar com com uma coisa que
às vezes começa por uma brincadeira, não
é, e muitas vezes independente, né? E
que que é o teu caso, né? Tens tens o
teu canal. Sim. Começou como um blog,
meu. Era, era isto não era de toda a
intenção. Eu comecei um blogum sobre em
que escrevi uns textos sobre polarização
e depois lembras-te da moda dos lives
durante o covid? Comecei a fazer lives e
depois Ya, foi por acaso eu sinto que
muitos podcasts de houve e houve um
grande pretexto para o pessoal começar a
fazer podcasts com a cena dos lives.
Sinto isso. É por causa do COVID.
Exatamente. Exatamente. Tu fizeste feste
cenas no Houve músicos a fazer lives
também a tocar e a cantar. Sim, fazia,
fazia, fazia alguns lives e também fui
convidado de lives. Sim, exatamente. Na
altura eu era muito pequenino, então pá,
não tive coragem de te convidar. Não, à
vontade. Isso isso para mim nunca foi
uma questão. Não tem a ver com o Pois é
verdade. Tu até és conhecido por ires
assim a coisas pequenas, não é? Sim,
sim. Para mim não, não é por aí. Essa
pessoa interessante se é se é uma pessoa
que, pá, que vamos falar de coisas eh
que vale a pena, coisas. O o aquilo que
me afugenta mais é a coisa, o
sensacionalismo, ts a ver? o clickbait.
Aham. Estás a ver que ou coisas que
atraem poluição. Hum. O que é que achas
do aborto? Hum. Obrigado. Não é mais o
Sim, sim, sim, sim. Não é por aí. Ou ou
plataformas, aliás,
plataformas
mainstream neste momento é o que atrai
mais poluição. Estás a ver? Tu vais, se
vais ao Facebook e vês coisas do que tem
a ver com o com a empresa do Expresso e
do Blitz e etc. Pá, por mais que
apareça, Rui Veloso ganhou o Prémio
Nobel, tu tens medo de carregar para ver
os comentários, pá, porque sabe, vão
dizer: "Este gajo, este gajo tem, pá, é
uma cena". E eu penso assim, pá, e por
exemplo, o Blitz já me convidou imens
imensas vezes para podcasts que eles têm
ou Expresso, etc. Nunca na vida eu irei
esses podcasts. Nunca. Porque aquilo que
que tu irás dizer, estás a ver? Irá eh
vai sempre atrair imenso ódio na
balança. A balança vai ser 90% ódio e
10%. E depois o L até tem medo de
aparecer porque eles já estão lá todos.
Estás a ver? O ódio já tá ali. Eu penso
assim: "Não tens vergonha de ter uma
plataforma dessas? Tás a ver? Podes ir
por uma onda de democracia." Não é
liberdade? Não, eu tenho a minha
plataforma TV celas ou as minhas páginas
de Instagram e se portas mal chama
segurança. B, va-te embora, mano.
Bloqueias. Ya, mano, não quero poluição.
Tu, tu tens esse poder e tu tens uma
grande marca. E e porque é que porque é
que não fazes isso? Porque é que tu
estás a a contribuir para que esse tipo
de de de normalizar esse tipo de ódio,
não é? Eu eu eu não concordo. Eu eu para
mim é rua, pá. Eu vi é tua é a tua casa,
mano. É a tua casa. Pensa lá, se tu se a
tua se se a tua
plataforma fosse só comentários de ódio
em todos os convidados tu lá levasses, o
que é que tu não irias fazer nada em
relação a isso? Não, eu já faço. Eu
vou-te explicar o que é que eu faço. Mas
espera, antes de explicar o que é que eu
faço, uma vez ouvi o Tim Urban a falar
com o Lakes Friedman sobre isto.
Exatamente. E e ele ele tinha uma
posição que era, pá, eu sou contra
bloquear pessoas porque acho que devemos
sempre dar esperança, não sei qu
democracia e é tudo bonito. Não, não
era, pá. No caso dele era era pá
esperança que o gajo sear saltado era um
dia mau e caraças, mas depois
apercebeu-se exatamente o que estás a
dizer que é e o ódio quando aparece em
grande quantidade as pessoas que estão
estão à procura de ter uma um debate de
ideias discordando saudavelmente
já não escrevem os comentários e então
estão a estragar a festa a toda a gente.
Então é como teres uma pessoa num lá
está em tua casa, não faz um jantar em
tua casa e o gajo está a ser à onda, tu
podes expulsar, mas há um perigo que é
tu começas a ler um gajo que faz bons
bons argumentos contra as tuas posições
e então começas a não gostar dele e
acabas por bloquear só porque ele tá-te
a fazer frente e mas ele não tá a ser má
onda, percebes? Ele só tem ideias
diferentes das tuas. Sim. disse: "Não,
nesse aspecto, nesse aspecto eu aceito.
Não, se for uma coisa civilizada e eu eu
tenho a humildade para aceitar uma uma
crítica construtiva ou ou uma coisa, uma
discordância, meu nesse aspecto, sim, eu
estou a dizer é mais mesmo a ignorância,
quem chega só meso a coisa gratuita, não
é? É mais por aí. Não, a a discordância.
Eu, por acaso, não pode dar aquele
gatilhozinho, mas tipo assim, não não e
pá, não tá a pessoa, porque a pessoa às
vezes até pode ir e dizer, pá, mas
continua a gostar de ti, não sei quê,
mas aqui falhaste ou pá, mesmo que seja,
por exemplo, num caso de uma música e
minha que eu que eu meto no meu canal e
pá, se as pessoas se houver pessoas que
não gostam, olha, esperava mais, ah,
isso eu não vou, isso eu não vou pagar.
Estás a perceber que é a opinião sobre
esta obra, né? Isso aí tá tudo bem. Eu
não quero que também isso aí também não
não desde não seja mesmo um ódio, um
ódio e e protege muito mais os meus
convidados, que eu tenho vários podcasts
no no meu canal e e a mínima coisa ou ou
algo que me tente
engrandecer em fun, imagina, faço uma
música com uma pessoa, com um amigo meu,
tu estás-me a dar amor, mas estás a
dizer que a pessoa que tá comigo não é
fixe, é, ya, eu apago porque não é
porque eu estar eu a receber ver amor,
mas não, tu estás a criticar a pessoa
que tá aqui de uma forma gratuita, não?
Desculpa lá, mas também vais ter que ir
lá para fora. Pois, a palavra chave acho
que é construtivo, não é? Porque tu
podes podes dizer, imagina se alguém
escrever, olha, tu tens muito talento,
mas ele não tem tanto. Uhum. Estás a
ver? Há ali, há ali uma zona cinzenta,
só que se dizerem, pá, tu tens muito
talento, mas ele é uma merda. Pois já
apagas. Exatamente, exatamente. É por
aí, mano. OK, então vou tentar apagar os
comentários maus nos teus
reels. Olha, não sei se sabes, mas a o
Despolariza começa sempre com uma
rubrica que é lotaria, genética e
social, que acho que a ti também a ti
faz-te faz bastante sentido fazer esta
pergunta porque h, eu acredito que
ninguém escolheu os gênos que lhe saiu,
nem a família, nem o bairro, por aí fora
e gostava de saber o que é que tu achas
que te saiu a ti na lotaria genética e
social e que ideias é que existiam em
tua casa que achas que passaram para ti.
Não sei eh se sou um plano ou um
acidente de
contesão originado com paixão ou com
sexo pós
discussão. Minha raiz é urbanizada na
calçada e no alcatrão. Não te esqueças
de onde vens ou é esquecido. Então eu só
ponho uma questão. Qual é a razão da
minha
origem? Não te fiz na Virgem porque elas
fingem e não dizem o que fazem. E caso
casem, ainda te acusam do que trazem. O
ladrão da paz e harmonia, fácil empatia
com a máxima ironia. Como omitindo
medos, paredes têm ouvidos construídos
para segredos. Quando é que tu
desabafas? Depois três garrafas de
vinho, ouvindo palavras que eu não
adivinho enquanto a dor é
coa habituada aquela doa. Por quem
amamos mais é quem nos mais
magoa. Há amar e amar. Há ir e nunca
mais voltar ao lar do lar até que a
morte ou uma traição
separa. Mentiras omitidas estranha
quando ocultam cenas. A paz é singular
no lar. Discussões às
dezenas, sem qualquer motivo. Final
nunca é conclusivo. Apenas um alívio
assinado num livro de onde eu derivo.
Agora mais vivo. Tornei-me no que eu
sou. Dou e recebo. E se eu bebo é porque
eu saio o meu avô. É hereditário. Flux
sanguinário que se transmite. Ele sai a
quem? Foi bonito, podes dar um palpite
que eu não me irrito. Espaços da casa
não ocupados trazem saudades e pensar
nisso é que eu evito. E eu divido o
tempo na TV ou noutro evento para não
pensar em ti, fazer passar a dor como um
dente. E toda a gente pergunta: "A quem
é que ele
sai?" Seu Nightwella, porque eu saio ao
meu pai. Toda a gente pergunta, ele sai
a quem?
Se acordo tarde é porque eu saio a minha
mãe. Mas está-se bem, tá-se
bem. Fogo, meu. Obrigado por
isto. Escreveste isso? Isso faz parte de
alguma música? Faz. Qual?
Hereditário. Uma música que se chama
Hereditário. Pronto, pá, tá feita a
resposta. Incrível. É mais longa, mas
não vale a pena.
Fogo. Espeit, pá. Não, nunca ninguém
tinha respondido esta pergunta com
poema. 20.
E Chelas, meu rua, Rua Manuel Teixeira
Gomes, certo? Uhum. Como é que foi
crescer aí? Tu tu ano nasceste em que
ano? 79. 79. Como é que era as celas
ali? Entre Tu nasceste em que ano? 87.
Ok. Ok. Ok. Tá, tá, tá tudo bem. Ya, tá
tudo bem. Mas como é que era ali? Como é
que eras chelas ali nos anos 80 na tua
infância?
Pá, grandes memórias.
Eh,
pá, como é que dizer? Eu eu não eu não
gosto de de nunca
engrandecer eh o meu espaço, a minha
identidade em função de outros sítios,
porque eu não sei o que é que é passar a
infância noutros sítios. Estás a
perceber? Eu gosto de pensar que
eh era normal nos anos 80 em Chelas,
como era normal nos Olivais, eh uma
convivência que era mais natural do
tempo, mais comum do que do que
propriamente
específica na área. A única a única
diferença é que Chelas é diria um pouco
mais multicultural. TS a ver, é a única
diferença. Tu tu convives com com etnias
diferentes, eh senteas um um bairro
muito grande. a minha zona específica,
zona I diria, pronto, que é mais mais
branca, por assim dizer, mas os outros
bairros vizinhos que também são chelas,
como a zona J, a zona M, zona N1, zona
N2, h, pronto, já existe esta
multiculturalidade e também a comunidade
cigana também, obviamente. A, e agora
mais recentemente ainda ainda out mais
comunidades, né, seja
da Índia ou asiáticas. Pronto, mas eh
pá, eu não gosto de de diferenciar muito
a minha vivência, a ver, no no no
aspecto da do local.
Sinto que foi normal, como qualquer
pessoa vivência, acho que não irá
acontecer assim grandes grandes grandes
diferenças. Estás a perceber? Mas era um
sítio perigoso. Tu tu vias na zona dos
Bet que já percebi a zona eras tu és um
bichelas no fundo. Não, não, não, não,
não. Tu aí já tá já estás a suportar com
os brancos
são exatamente. Não estás a respeitar os
brancos gangsters. Estás a Nem estou a
respeitar os bets ou ou os blacks que
são bets, estás a ver? Ya, ya. Não, não
é só uma brincadeira, mas era mas era
era perigoso ou não? Não, não, não, nada
disso. Zero perigoso. OK. zero zero zero
em qualquer em qualquer parte de Chelas.
Nunca foi nunca senti isso. Ah, isso
sempre foi mais um preconceito eh que
era mais visto de fora do que realmente
quem quem quem quem vivesse lá. E
pá, claro que há há crimes, mas há
crimes em todo o lado, pá. Estás a
perceber? Ya, mas não não vejo nunca
senti eh a minha zona e falo mesmo
quando digo a minha zona mesmo
celo, como um bairro perigoso. Muito
pelo contrário. Muito pelo contrário.
Claro que durante um o os anos de de
quando estamos a falar de destes bairros
específicos com de de celas, zona I,
zona J, zona L, que são ali um fruto
mais ou menos de do 25 de abril, é um
projeto que nasce nos anos 60 de de
enquanto bairro
social, hh, em que é normal de, pronto,
as pessoas estão a vir de vários sítios
e estão-se a conhecer. É normal haver
ali uns confrontos e umas rivalidades,
não é? Isso é faz parte até se
conhecerem e passarem ficar amigos e
passarem ficar família, não é? É muito
interessante até se eu sou mesmo
fascinado pela pela história do meu
bairro e gostava muito, ainda tenho
esperança de de conseguir ter uma
conversa com o urbanista que criou o meu
bairro, que ainda é vivo, já tá tá na
casa dos 90 anos. H, mas tenho muita
esperança de falar com ele e de lhe
agradecer pelo trabalho que fez. Ah,
imagina se car vais descobrir coisas
ali, uma esquina qualquer que te
conheces desde puto e ele vai-te
explicar, olha, eu fiz essa esquina
assim porque pensei na orientação solar,
porque os putem para a escola.
Exatamente. É porque eu já vi, já vi
grandes entrevistas dele e vi pá e vejo,
estou sempre a pesquisar o tudo o que há
na net sobre isso, sobre a planta
realmente original, porque esta pessoa
que eu estou a falar, que por acaso
estou estou-me esquecer ou nome, peço
desculpa, h é ela e eu não sou uma
pessoa que perceba dessa área,
obviamente, mas eh é eu eu aquilo que eu
entendo é que ela uma espécie quase de
curador eh depois que chama vários
arquit
para dizer, olha, tu agora fazes esta
zona, faz, mas ele tem uma ideia base da
da área. Deve ser este Rodrigo Lino
Gaspar. Ah, se não for depois pomos na
descrição. Sim, sim, sim, sim.
Ah, mas sim, desculpa. Não, mas pronto,
é algo que é mais do que mais do que o
sítio onde eu vivo. É uma é uma
identidade. Eh, e eu acho que as pessoas
da minha geração, que realmente
somos os filhos daquele bairro, não é?
Porque muitos dos nossos pais vieram de
outros sítios, estás a ver? E nós somos
aqueles que
realmente saíram da barriga da mãe e
estavam ali. Estás a ver? Então isso
para nós é é muito importante. É mais do
que um sítio onde moramos. Eh, nós é uma
as pessoas têm isto no na o meu grande
amigo falecido
Snake Shel City assim na ts a ver uma
coisa muito muito importante para nós. É
bonito ouvir-te a falar de Chelas. Eh,
quais é que são as primeiras memórias
musicais que tens? Tens assim alguma
memória muito pequeno do teu pai ouvir
alguma coisa ou alguém na rua?
H, é muito difícil, né, de uma primeira
memória
musical, mas lembro-me que certas
músicas deixavam eufórico, não é?
Hum, é assim, o contacto televisivo, não
é, a televisão para uma criança, né,
para uma criança e para um adulto, né,
quando ainda só existiam dois canais.
Claro que qualquer coisa que acontecesse
era era um momento importante, fosse um
filme, fosse um um
videoclipe, um teledisco, como se como
se chamava antes. Uhum. Eh, então canal
2, por exemplo, tinha tinha um programa
que era o
countdown,
hã, com
o, estou-me a esquecer agora do nome,
Adam, o apresentador chamava-se Adam.
Então, aí foi o conhecimento de de
muitos videoclipes da altura dos anos 80
e da música. Era uma maneira ainda ainda
antes deu, por iniciativa minha estar eh
mais virado a ouvir rádio, a televisão
era esse veículo. E o canal 2 tinha
alguns programas muito interessantes em
que passavam essas músicas dos anos 80.
Lembro-me de um som do Bruce Springstin
que era war, que é uma uma cover do
Edwin Star e essa música mexia
comigo. Ah, também coincido mais ou
menos com a altura do som dos Europe da
Final Countown, por exemplo. Também
lembro-me
de Billy Ocean, um som que ele tinha,
Lover Boy, em que o videoclipe também
era assim muito
fantástico. Lembro-me de Jackson 5, que
vi já ali uma uma reunião pós thriller
ah com som que é se chamava Torture,
também era um grande
som. E por acaso meu pai
h meu pai eu quase não tenho referências
do meu pai viver viver comigo, né? Ele
separou-se da minha mãe. Ah, muito, eu
ainda era muito
pequenino. E mas, mas pronto, mas tem
ali umas memórias ainda dele visitar e
aparecer. E eu, por acaso, ele ele
depois ali houve uma altura que ele foi
para o para o Algarve, teve ele teve
muito viajado, mas houve uma altura que
pousou ali no Algarve. E lembro-me que
ele era era um ganda privilégio trazer
cassetes de certas discotecas do próprio
DJ. Estás a perceber? Ya. Ya. E eu
lembro-me das músicas que lá passavam e
por acaso algumas eram estas que eu
mencionei, estás a
ver? Jackson 5, ya, de dos anos 80 e o
Billy Ocean. me lembrar também do um som
de dos Jacksons com Mick Jagger que se
chama State of Shock também lembro-me
quase e pá tenho muito é uma, é talvez
sejam essas as primeiras memórias ali
princípio dos anos 80 ya e ele
dava-essas cacetes ficavam lá ficavam lá
é por aí ya
e aí devia ser mesmo muito pequeno
quando é que começaste a sentir que
tinhas em ti um ímpeto de de criar criar
música ou criar poesia. O que é que veio
primeiro?
Primeiro veio a dança.
Break dance. Sim, sim. Ou balé. Não,
não. Break assim dançar dance music, por
assim dizer. Ok. Uhum. Eu era muito novo
para ter apanhado a verdadeira febre do
break dance. Estás a perceber que a
verdadeira febre do break dance? Eu eu
seria mesmo mesmo uma criança, oxe.
Embora eu eh estaria atento e vi de
certeza videoclipe na televisão da
Shakaan I feel for you
eh, que era uma música algo associada ao
break dance também, hh, entre outras.
E ali a minha a minha, eh, como é que
quer dizer? Eh, o meu contributo, não é
contributo, mas pronto, a vontade de
querer dançar já aparece ali nos 9 10
anos, ou seja, ali 89 90, em que o ano
de 1990 para a cena de dance music foi
mesmo incrível, incrível incrível. Foi
mesmo uma revolução, estás a ver? em que
é é que acaba por ser uma uma
junção
da da popularidade da cultura hip hop
americana com a dança que da febre do do
break dance e também com a a cena da
própria dance music de quando digo dance
music é house techno acid
house e então aí houve um uma grande
mistura de que que que deu deu o
nascimento a vários projetos até
europeus que mais tarde foram apelidados
de Eurodance de uma forma meio
pejorativa. E eu não nunca gostei nada
desse termo. Eu nunca disse. Mas há um
pior Eurotrash, eu já ouvi falar ainda
desse tipo de de Alemanha e da da
Holanda como Eurotras. Ya, pá, mas eu
não isso o que as pessoas não sabem é
que tudo, não vou dizer tudo, mas quase
tudo o que é nomes de subgéneros são
inventados por jornalistas e nunca pelos
intervenientes. E muitas vezes os os
jornalistas ficam super orgulhosos, não
é? Se fores perguntar ao Tricky, ah,
então como é que tá o Tripop? Como é que
tá ao Sported? Como é que tá o Tripop?
Eles o que é que é isso? Foi um
jornalista, estás a ver? Tudo o que é
subgéneros é sempre um jornalista. Eu
não sabia isso. É sempre um jornalista.
Um dia já vais perceber e o próprio o
próprio Disco o próprio Disco foi um
jornalista. Mas se calhar há jornalistas
que percebem muito de música e que
reconhecem que tá ali uma coisa nova a
aparecer.
Mas que mas quem és tu para batizar uma
cena se tu não és um interveniente? Sim.
Eu percebo o teu argumento. Mas não é
quem és tu?
És um és um intelectual da cena não és
um gajo da teoria. Ya, mas que também
são, pá, para não falar bons para Não,
eu não estou eu não estou a querer falar
mal dos jornalistas, mas eu estou a
dizer um facto que que que às vezes
algumas pessoas não sabem e pensam que é
uma celebração desta subcultura que nós
vivemos. Não, tu nem sabes a origem. E
muitas vezes até um
negócio. Atualmente é tipo um negócio.
Por exemplo, recentemente, há sei lá, 5
anos, 10 anos, não sei, há uma espécie
de um subgénero que do do no rap que é o
lowfy, que até o símbolo é uma uma
miudinha meio parece um desenho animado
que tá a estudar a estudar. É música,
uns bitzinhos para estares tranquilo
estudar, né? Tenho sempre live streams
no YouTube com milhões de pessoas a ver.
Low lowfy. Lowfy. Lowfy. O quê? Lowfy. O
quê? Bacano. Esses sons já existiam.
Esses sons, esses tipo de bits já
existiam. Não tem uma
característica suficientemente
diferenciada para ser considerado um
subgénero. Estás a perceber? É tipo, ya,
samples jazy, um bit de de rap num
bpm meio chill, né? Antigamente havia a
cena chillout, né? Chillout. Olha, agora
agora chama-se WF, estás a ver? E olha,
estou a ver um lounge. T ouvir um
lounge, estás a ver? Ah, já vi isso. Já
já não tá a vender. Vamos ver, vamos pôr
low fy. Os miúdos estão a gostar disto.
E sabes o que é que vamos fazer no
Entretanto, vamos vender drum kits lowf,
estás a ver? Para eles poderem fazer os
próprios bits. E eles vão pensar, hum,
estou a fazer a nova cena. Estás a ver?
E o que é que é lentão? Achas que isso é
inventado por pessoal à procura de,
olha, vamos dar um nome a isto para
poder vender, criar uma nova cultura à
volta. Não estou a dizer que é um plano
mesmo. Ya, ya, eu estou a dizer que é
uma acaba depois por ser uma
consequência de dessa situação. Também
não vou assim tão longe em teorias da
conspiração, tipo de ser mesmo, ya,
vamos nos reunir e preparar isto. Não,
mas pá, imagino perfeitamente alguém com
olho para o negócio a perceber, olha, tá
a aparecer uma cena nova. Eh, siga, siga
dar um nome. Eu sei que já tinha o nome,
mas siga a criar uma nova marca. É como
se tives a criar uma marca dentro da
música que já existe. Sim. Pronto, mas
eu não me esqueci da pergunta. E esses
esses projetos 1990 tás como Snap I got
a power. Oh man, esse Snap e pá era
incrível mesmo. O MCM vanila Ice esses
são
americanos. Snap projeto alemão.
Technotronic pop the jam crazy 1990. Is
é tu no projeto de belga. Tás a ver? Com
a cena a cena da Alemanha. tinha uma
cena bué bué bué interessante porque
porque é que esse pro esses projetos que
normalmente é tem o rapper e depois tem
a cantora e não sei quê. Pronto, que
erais isso é que determinava o que é que
era esse tipo de projeto. Mas maior
parte das vezes o rapper era americano
num projeto alemão. E e eu como estudo
muito isso e adoro a história disso e
sou Nem é um guilty pleasure, é algo que
eu O que é que foi? O que é que foi?
Vais falar mal? Não é um Kil Pleaser. Eu
adoro isto. Qual é o teu problema? Estás
a ver? Eh, e a cena
é, eh, nessa altura havia muita base
militar americana lá. E então esses
essas pessoas que são mais tarde ficaram
meio rappers desses projetos, a maior
parte deles são militares. A ver o
rapper do Snap, o Turbo militar. Tens o
outro outra pessoa que tinha um projeto
que era o Captain Hollywood Project. é
um até um pioneiro de break dance também
na Alemanha, era um militar entre entre
outros entre outros. Muitos eram eh eram
pessoas pronto que era da da cena
militar da base militar alemã que depois
eram chamados Precisamos de um negro
americano que saiba rap não mandarem vir
eh de mesmo dos Estados Unidos e
encontravam na lá na base americana. Mas
pronto, isto foi só, então os rappers
alemães ficavam, pá, ficavam a arder
porque também não havia assim tanto,
tantos negros, estás a perceber? E e ah,
eles queriam que fosse um negro. É, é a
cena tem que ser eh tem que ser mais
sol, não? E não, e e em termos de imagem
vende vende mais nesse sentido, estás a
ver? E ser oficial, pelo menos na altura
na altura. Ya, eu percebo, a estética da
cena é diferente. Ya, ya, da mesma
forma, pronto, até o os próprios Milly
Vanily, eh, foi um caso muito polémico,
mas pronto, os as pessoas que cantavam,
os Milly Vanily, não eram, eles não
cantavam mesmo, não sei se sabes a
história. Não sei. Ah, não sabes dos
Milly Vanil não fogo. E pá, afinal então
a nossa diferença de idades não dá para
estar, não dá para ter certas conversas
contigo, pá. Pois não há há há saltos
mesmo. Em anos de diferença, há saltos,
meu. Ya, mano. Então, vou vou vou vou-te
explicar educa muito rápido. Milly e
Vanil foram foi um grupo que teve um
sucesso muito
repentino e que ganharam e sucesso
europeu e também vingaram na América.
E ao furar na América, aquilo
começa a fazer mais e mais barulho. Até
ganharam gremis. Ganharam gremis, Milly
e Vanil, mas só que eles não cantavam as
músicas, era uma
fraude. E muitos destes projetos que eu,
e pá, não lhe quer chamar Eurodance, mas
pronto, só para para as pessoas
perceberem o que é que eu estou a falar.
sempre foi muito à base disso, de
fraudes. Eh, daí eu dizer, eu não tenho,
eh, eu gosto disto de forma genuína, mas
tenho a noção, ya, que era, gosto do
produto, mas era feito com muita, muita
intrig, muita intrigice. Então, quem é
que cantava? Fazer um outsourcing do
Vamos, vamos ver o Isto normalmente eram
projetos de produtores, produtores que
são aqueles indivíduos que estão ali na
mesa de mistura.
que não são muito bonitos, cabelo, olha,
tipo, tipo, eu tenho rapido de cavalo,
tão ali cabelo comprido, pepé, homem do
som, mas têm talento para fazer músicas,
mas não têm imagem, estás a ver? E eles
sabem, e eu vout-e falar deste produtor
que é o o Frank Fabian ou Farian, agora
estou-me a esquecer do nome, que ele já
era um cantor a solo, mas só que ele
nunca vingou tanto por ser não ser uma
beldade. Estás a perceber? O Frank Fire
é milivania. Pois, OK. Isto é super
vendável, são bonitos. Não, mas a cena
isto é é crazy. O Frank Farian, que é,
acho que é Farian. Escreve lá, é Frank
Farian ou Frank
Fabian? Ah, ele já tinha sido a Frank
Fabian. OK, pronto, ele já tinha sido,
ele tinha sido artista a sol. Depois ele
fez também um grande fenómeno dos anos
70 no na onda disco e que era os Bonnie
M. Já ouviste falar Bonnie M? Vagamente
e pá, Dery. Cool.
Estás a ver? Estás a ver esta voz na no
vídeo? Parece um senhor negro.
E a voz era desta pessoa. Essa voz sou a
super negra é dele. Ah, não digo sou a
super neiga, sou super super é grave.
Berry white, né? assim um pouco. Eh, e
já era ele. Ou seja, ele sabia o que
funcionava, mas mas isso nunca foi isso
só foi exposto um pouco mais tarde
depois de ter dado barraca com Milly
Vanil. Ou seja, ele já tinha tido
sucesso com o Bonnie M, mas Bonnie M não
tiveram este mega
sucesso gigantesco que Mil Vanil tiveram
por momentos número um mesmo na América.
Estás a ver?
Então eles próprios, como estavam a
desatinar com o
produtor, o próprio produtor disse:
"Olha, antes que vocês me venham expor a
mim, eu vouvos pôr a vocês e eu vou
dizer que não eram vocês que cantavam as
músicas". Então eles tiveram que fazer
uma conferência de imprensa a devolver o
Gremy. Estás a ver? Ei, não sabia isso.
E e os três fizeram os três a
conferência? Não, não. Os dois eles
ficaram com stresses mesmo, com
animosidade, com o com o produtor para
sempre. Aliás, um dos milivanili, este
jovem aqui, já suicidou-se, estás a
perceber? Da direita, dos olhos claros.
Sim, sim. Suicidou-se. Ya, ele, o, o
outro ainda continua ativo. Ah, mas é
para ver já o que a fama também pode
trazer, né?
H, e pronto, isto aqui é isto aqui para
para dizer projetos que me faziam
dançar. Eu adorava os produtos, a música
e era uma coisa mais sobre a dança, não
é? Mesmo os americanos, MCAR e Vanilice,
nunca iríamos meter na mesa quem era o
melhor rapper. Era quem, quem é que
dança mais, é o MCER ou o Vaniliz. E
eles eram rappers, mas também dançavam.
E a cena era essa, quem é que dança
mais? Então, eu já não apanhei nada
disso. Eu eu eu agora não é conheço
esses videoclipes, conheço aquela cena
do carangueijo que o Hammer faz no H.
Touchou. Ya, mas nunca tinha pensado,
pá, os os o rapper dançar, quando eu
apanhei o hip hop, já era tipo meio Não,
os rappers não têm sentimentos, meu. Os
rappers estão ali, estás a ver? Não
dançam. Eu já só apanhei isso. Não era,
eles eram pá, e mesmo mesmo mesmo certos
americanos menos pop. Por exemplo, há um
há um rapper que é o Big Derry Kane,
pronto, que é lendário a
nível da América. Ou seja, o MCM e o
Vanilice como
furaram ah, como é que quer dizer,
furaram tanto, pá, que foi era uma coisa
um bocado mais pop, ou seja, eles nunca
tiveram respeito enquanto rappers, eram
coisas com pouca
substância. Claro que passado uns anos o
pessoal mesmo acaba vais, vais sempre
respeitar, não mcamera incrível porque
fica um clássico mais tarde. Fica, mas
nunca vais estar na lista dos melhores
rappers de sempre. Estás a perceber esta
pessoa que eu estou a dizer, Big Dad
Kane, se fizerem, se os americanos com
alguma
idade fizerem uma lista dos melhores
rappers de sempre, o Big Derry Kane vai
lá estar no top 20, com certeza. Então,
e ele dançava, dançava e tinha
dançarinos. Eh, era, foi uma era em que
era comum, era comum o pessoal dançar e
era, como é que quer dizer, o alimentava
também um show, alimentava um show.
Estava a pensar agora nisso. Hoje em
dia, não, por acaso, há uns gajos que se
mexem muito no palco, mas é de uma
maneira diferente. É mais fazem assim e
um buildup para para o drop, para o que
eles chamam drop e depois muitas luzes e
o pessoal, mas não é não é não. E é
assim, houve depois uma espécie de
ressurreição da situação com Black H
Peace, por exemplo, porque eles eram B
Boys. Estás a ver? Os Black Peace quando
aparecem e aparecem com os primeiros
álbums de hip hop que a comunidade hip
hop abraça. Sim. Não, a Ferg eu conheço
essa história, conheço. Sim. E eles e
dançavam dançavam muito e acho que
depois ainda continuar a dançar mesmo
mesmo na fase da da da Fergy. Então,
pronto, isso foi o primeiro convite,
dançar, não é? Adorava. Ah, ainda
danças? Não, já não, já há muito tempo
que não não puxou. Quer dizer, às vezes
ainda estás aí um toquezinho ou outro,
né? Mas só na minha privacidade, né?
Anticamente, ya, entrava nas rodas e o
caraças e show off e não sei que mais,
mas agora pá, também já tenho tenho dado
para ter juízo, então só assim na minha
privacidade, sais banho e dás uma dás um
hammerzito. É por aí, é por aí. Mas
antigamente eu ficava horas, meu, horas
a dançar mesmo. Tá, tá, tá no meu quarto
ou na rua, vava ao rádio para a rua e
dançar, íamos dançar com o dançar com os
meus amigos, pá. E eu era, e eu logo aí
eu sou a pessoa que ainda sou hoje, que
é a
pessoa que tá a par, a pessoa que vai
informar os meus amigos do que é que
olha aqui isto, olha aqui isto, olha
aqui, estás a ver? e através da rádio
gravar as cenas e para esa aí consegui
gravar esta cena, consegui gravar isto,
consegui gravar aquilo. Era a pessoa que
estava muito dedicada a querer ter tudo,
a querer ter aquilo tudo que me que me
interessa, né, dentro desta área que me
cativava e cativa. Mas então foi aí que
começaste a colecionar samples sem saber
que estavas a fazer, não é? Não, não há
samples, músicas, não diria que são
samples, porque que mais tarde deveriam
a ser Não, não, não, não, não, porque
elas ela já são músicas com samples.
Isso aí para mim já me faz um bocado de
confusão. Já é muito já. Sim, todas
estas músicas são
samples, desde os drum breaks. Eh, não
é? Eh, então isso para mim já não faz
muito sentido, né? Não vais sampar o
sample, né? ou ou vais samplar algo que
ainda não que é uma música ou não vou
sampar algo que já inclui um sample.
Para isso eu vou à fonte original, né?
Posso é samplar o mesmo sample que ele
sampou, né? Mas não vou sampar dele. HH
pá, pronto. E essa foi a cena inicial. O
pessoal que tá a ver isto assim: "Fogo,
bo ainda tá na mesma pergunta e já
passaram 20 minutos". Eu estou a adorar.
altamente. Eh, pá, são as curvas, são as
curvas aqui.
Mas eh pronto, isto isto pronto,
resumindo e avançando, primeiramente eh
o convite, o calling, né, o chamamento
foi através da dança. Só depois, em
1993, é que me aparece um certo estilo
de rap e uma música em específico que é
Souls of Missif 193 Infinity, em que
muda completamente e o meu cérebro, em
que eu já
em vez de música estar-me a chamar para
dançar, não, a música está-me a chamar
para eu escrever, para eu também ser um
contribuinte desta cultura. Estás a ver?
Foi, foi, foi esse o chamamento. Podia
não ter tido uma música em específico,
mas foi essa música em específico que
depois com um amigo meu também me deu
uma cassete com vários videoclipes,
fiquei a conhecer. Ah, eu vou dizer, eu
costumo dizer sempre o nome dele que é o
Águas, assim um amigo meu, convém dizer
o nome dele, o Águas eh que me deu eh
passava umas cacetes, pá, de terra
parabólica que pessoas tinham na altura,
etc. que passava muito mão em mão e
fez-me conhecer coisas que eu nunca iria
ver aqui na nossa televisão, estás a
ver? Então isso era era muito muito
muito foi muito importante. Sigam ouvir
a 93 Infinity, pá, pode ser que se não
se cas se não ouvirmos muito não não
deitam abaixo. Não sei. Ouvimos 10
segundos.
Se falamos por cima, estragamos o robô.
Ya, vamos estragar o robô.
Ya, mano, deixa pôr aí só mais para a
frente por causa.
Porque é que isto é assim de diferente
do que vinha antes? Mano, isto é
incrível, meu. Ainda hoje em dia me
transmite a mesma emoção. É uma é a
definição de um somemporal para mim.
Estás a ver? Eu vou-te explicar. Eu
vou-te explicar uma coisa. Eu eu costumo
eu costumo até contar esta história, mas
tu não sabes. Olha, mas eu gosto muito
disso em ti. Essa tu te tu
comprometes-te com tentar criar coisas
intemporais. Exatamente. Eu tento fazer
isso aqui também, por isso é que tento
evitar a notícia do dia e tento conhecer
as pessoas de uma maneira que aquilo
seja interessante para sempre.
Exatamente. Exatamente. Exatamente. É,
é, esse é o meu campeonato também. E, e
se esse é o teu campeonato nunca para
ser amigos. Não, não. Claro que sim.
Não, não, mas também eu não, eu sincera,
muito sinceramente, eu nunca gosto de de
dizer com qualquer tipo de superioridade
ao da arrogância, como se fosse eu sou
para sempre, tu és do és o gajo da
semana, és o o do verão. Estás a tentar
ser para ser, se calhar vais ser um it
de verão, na mesma o do verão é
importante. O rap CNN, o rap telejornal,
o rap que fala da notícia do momento é
essencial e é urgente. É preciso, é
variedade, precis e e o artista também
pode ser. Olha, esta música é temporal e
esta é intemporal também. Não tenho que
estar, eu sou todo intemporal, não é?
Também podes tu fazer um episódio em que
estás só a falar da Faço. Sim, sim. E
faço de vez em quando. Estás a estás a
perceber? As duas situações são
essenciais e uma, uma não é mais valiosa
que a outra. Parece, não é, que eia,
este gajo e pá, músicas intemporais tem
um valor incalculável, é uma at é uma
obra superior, não? A música que também
foi só o sucesso de 2023 no de daqui a
uns anos também vai trazer alguma
nostalgia eh para para as pessoas que
viveram viveram aquilo e ou ou e e irá
ser intemporal para algumas. irá sempre
ser intemporal para algumas, no sentido
em
que mesmo que tu descubras a música, eh,
imagina, eu sou uma pessoa que estou
sempre à procura de músicas do passado,
né? Eu às vezes descobro músicas no ano
em que eu não era nascido e não sei se a
música foi um sucesso ou não e não sei
se era uma música bastante temporal. Já
aconteceu isso, já aconteceu quear era
bastante temporal e eu adoro, né? Mas
mas agora então isso eu adoro agora
então não faz disso intemporal.
Se eu agora estou a ver, descobri esta
música de
1975 di pina colada, não sei lá,
whatever, um som qualquer que falava ou
de um cocktail que era só daquela
altura, por acaso pinacolada não é, mas
podia, imagina que era. E pá, ya, eu tou
a ouvir a música pela música e se ela me
diz alguma coisa, é, e eu muitas das
vezes o, como eu faço música com
samples, eh, a cena é, eh, primeiramente
oiço ela como matéria, muitas das vezes
é como matéria para o meu trabalho, né?
Para mim é de uma forma meio fria, né?
Não tenho ligação nenhuma
contigo. Não, não me dizes nada, mas
podes passar a dizer o sample da música
antiga. A música, a música em si, é tua
pedra. É a tua pedra. Onde tu vais? Que
que o que é que há aqui nesta música?
Estás a ver? Então agora que a
inteligência artificial tem, olha, hum,
gosto deste baixo, só gosto desta desta
voz, gosto só destes drums, não é? Então
isso aí muda eh muda a forma de nós
olharmos para para as músicas e para a
intenção que foi feita no momento em que
ela foi criada. Eh, mesmo que tenha sido
uma música, pá, o que eu quero dizer é
que ela não precisa para ser intemporal,
não precisa de continuar a ser
intemporal
para 10 milhões de pessoas. Se for para
cinco pessoas, é intemporal para essas
cinco pessoas. É isso que eu quero
dizer. Tem para muitas ou para poucas é
pororal à mesma. Sim. Se calhar tem ali
um um sabor auditivo qualquer específico
sobre a experiência humana que algumas
pessoas vão sentir, se car não são
muitas, mas algumas pessoas vão sentir o
que tu sentiste passado 100 anos. Como
exatamente esse sabor, não é?
Exatamente. E como eu sei o que é essa
descoberta e de olhares para um artista
assim: "E pá, fogo, esta pessoa, onde é
que estará esta pessoa? Será que já
faleceu? Será que teve uma boa carreira?
Será que acabou bem a vida? Será que
teve, passou momentos difíceis? Eh, eu
eu gosto gosto de olhar e ver e ver e
ver a história a história que pode estar
por trás da daquele artista ou então um
artista que eu conheço, mas e pá, esta
música pouca gente deve conhecer, estás
a ver? Por exemplo, eu por acaso eu
lembro-me, mas depois mais tarde devia
saber que não era assim tão tão tão tão
raro, mas dos vinis que eu tinha lá do
meu pai, mas este ainda era criança,
tinha lá um álbum de Pink Floyd que era
mesmo, chamava-se mesmo Relics ou
Relíquias ou uma coisa assim, acho que
era. E eu pensava: "Ih, este álbum é
mesmo relíquias. Nem toda a gente tem
este álbum, mas não, quem é fã pic toda
a gente tem aquele álbum". Mas mas o que
eu quero dizer é que eh eu também eu
adoro, eu gostaria também de ser esse eh
de ter obras nesse sentido. Eu vivo, por
exemplo, eu não me importava nada ya, de
ter músicas, pá, ya,
que que só três ou quatro pessoas, pá,
que passaram ao lado completamente para
toda a gente na altura que saíram, mas
mais tarde alguém vai gostar. E isso não
quer dizer que estavas muito à frente.
Este gajo estava muito à frente naquela
abertura. Não resultou, não é? Pá, não
resultou. Não resultou, mas alguém vai,
alguém irá, eu sinto-me muito bem com
isso. Nunca, então eu nunca irei ficar
frustrado porque é tipo, não, há sempre
a ideia que alguém há de curtir, seja um
dois, três agora ou seja no futuro,
mesmo que seja zero agora, estás a ver?
Mas será que isso não é um privilégio de
quem já explodiu? Ou seja, tu já tiveste
músicas a explodir a ser nos tops, então
já te podes dar ao luxo de encontrar
beleza, ter coisas que nunca ninguém
conhece e por aí a tua a tua a tua
pergunta faz tem faz todo o sentido, tem
lógica, mas no meu caso eu acho que isso
não se aplica a mim, vou-te ser sincero,
porque eu
eu como eu também vou estarme a citar a
mim, é um bocado feio, mas pronto, eu eu
digo numa música assim que eu digo: "O
princípio do início ainda mantém-se
ileso".
os princípios que eu tenho no no
início da da minha carreira, por assim
dizer, continuam os
mesmos. Eu sempre fiz música para mim e
depois partilho com as pessoas algumas
das músicas que eu gosto, que eu fiz
para mim. Estás a perceber? Isso nunca
irá mudar. Eu não penso em X, não penso
em Y, não penso em sucesso. Como eu digo
também nessa nessa música, isso é uma
consequência, não é um
objetivo. Estás aceber?
Nem um bocadinho. Nem um bocadinho. Não
há ali, não há, não há certas
decisões durante o processo de produção
que é, ó pá, isto isto vai funcionar
melhor, isto é mais orelhudo, isto vai
ficar mais na cabeça. Não, não, não,
não. Orudo, orudo.
Manda-me fora essa palavra, mano. Não
metas orudo aqui, não. Aqui não há
oriúdo. A minha mentalidade é diferente.
É, eu vou-te explicar. E não, eu acho
isso lindo e acredito em ti, mas pá, e a
tentação não é, tá sempre ali à espreita
o querer, o querer vender e o querer ser
reconhecido. Não, não, estás-me a magoar
o coração. Aqui ninguém quer vender.
Isso é uma consequência. É uma
consequência. Eu concordo contigo. Isso
é uma consequência. Tu achas que eu
estou a criar, a querer vender? Achas
que eu estou a criar, a querer ser
orudo? Eu estou a criar, a querer
surpreender, surpreender, vender,
surpreender, mano. Isso é o mais
importante. Sejas um realizador, sejas
um cantor, não é? Porque tu vais ver um
filme e tu ficaste assim, hum, quê? E há
um twist e tu ficas, ah, ah, já sabia,
não sei quê. Ficas contente e achas
esperto, mas não ficas totalmente
satisfeito. Ficas é mesmo assim, fogo,
não estava à espera deste twist, foste
surpreendido para o bem e para o mal,
mas o realizador arriscou, estás a ver?
Fez algo que tu não estavas à espera,
pensou mais à frente do que tu, estás a
ver? Então isso é a coisa que nos fica
na memória, não é? Se fores ver mais um
filme que é mais aquele tu, tu estás à
espera, não sei quê, é uma dormência. E
isso é outro campeonato. Esse é o
campeonato comercial. E tu tens que
perceber o mindset.
de um de um jovem que vem do rap. O rap
é uma cena que vem de uma uma atitude
punk, antisistema, contra cultura. Estas
palavras não é vender, mano. Não é
vender. Não me
insultes. Este episódio conta com o
apoio da IATI. A Yati é uma seguradora
de viagens que eu já usei tanto para
escapadelas sozinho como em família. Eu
curto porque é bastante flexível. hh é
bom, é barato, dá para uma pessoa fazer
uma viagem e ir só protegida do
cancelamento do voo ou dá para levar,
fazer um seguro gigante que inclui
desportes radicais e tudo mais. Eh, se
quiserem um desconto de 5%, há um link
na bio eh na bio do Instagram e também
na descrição. Obrigado, Iati.
Mas voltando ao Souls of Misschief 93
Till Infinity, uma coisa que que te vou
dizer que uma vez, eu já contei esta
história algumas vezes, mas pronto, vou
contar aqui que houve uma vez uma uma
rapariga que mandou uma
mensagem eh e ela estava a dizer: "Olha,
se tivesses que mostrar uma música para
eu gostar de rap, qual era a música que
tu me mandarias?" Granda pergunta. Ya. E
eu mandei essa. Eu vou dizer: "Olha, eu
não sei, eu sou péssimo nisso, mas
vou-te mandar aquela que me fez gostar
deste rap que é o meu
rap". E ela, a reação dela foi
espetacular. A reação dela
foi:
"OK, não desgostei, mas parece-me um
culto, parece que eles estão a falar uns
para os outros de forma codificada.
Parece que é uma coisa que só eles é que
entendem." E ela sentiu-se excluída,
estás a ver? Ela sentiu-se excluída. E
eu achei essa definição muito fixe
mesmo, porque não estava errada. A
diferença é que me fez querer saber mais
e querer estar incluído. E ela disse:
"Não, se já não me estou a incluir, eu
não quero fazer parte, não é? Eu estou
ali ver um grupo, tá coisa". E eu
fiquei, não, eu quero fazer parte, quero
saber mais. A diferença é essa, né? Eh,
e e isso eu eu sinto que essa música
poderá ter isso, tás a ver? não é
convidativa especialmente para dançar,
mas tem logo aqui uma dinâmica de grupo
muito interessante e também o meu
primeiro contacto com essa música foi de
videoclipe. Os videoclipes para mim
também tinham um impacto muito grande no
meu imaginário de tudo o que é que era
uma performance também eh em termos de
música.
Eh, e, e outra coisa que é mais técnica,
que essa era uma pergunta que eu
adoraria fazer este a este a este grupo
ou à pessoa que fez este bit, que é
nesta
altura o
rap não tinha muitas
notas musicais, era mais tipo pum pum
pum pum pum pum
pum pum era eram loops de uma ou de duas
duas barras. O Não percebes, doutor, não
percebes. Só tenho para aí duas notas
também, não é? Essa escola. Sim, sim,
sim, sim, sim. E e muitas outras mesmo.
O o poetas de caroc também, mas eu estou
a dizer é a cena de serem loops de uma
barra ou de duas barras. Estás a ver? P
três quatro pã 2 3. E isto eram o rap.
As porquê? Porque as máquinas não tinham
muito tempo de memória para tu sampares
a tua tudo à vontade. Tinhas muita pouca
memória. Então tinhas de ser criativo,
estás a ver? Então podia haver músicas
com pá duas barras e mesmo assim não,
tipo sai para cil tum tu tum tu tum tu
tum 1 2 3 4 1 2 3 4 são é uma barra, tás
a ver?
Eh, e agora pensa esta música Souls of
Misschief. Tum tum tum tum tum tum tum
tum tum tum tum. Quatro tum quatro
barras. Eu, por acaso, ya, eu, eu eu
vejo muitos podcasts americanos e não
sei quê também e eu nunca vi ninguém
tocar neste assunto. Gostava de saber se
havia alguma música de rap, rap
americano com quatro barras de melodia
antes desta. Então, achas que pode ter
sido os primeiros loops de quatro
barras? Ya. E e com que equipamento é
que eles fizeram aquilo? Pois, há ter
sido uma tecnologia nova qualquer
naquela altura. E tu não
imaginas o original desta música, o
sample que eles tiraram. É uma cena de
jaz, não vou dizer o quê, mas é muito,
muito, muito mais lento. É tipo pum
pum pum pum. Bom, e aqui já foram 5
segundos e tu só tinhas três passar. Tás
a ver? Imagina a cena é, existiam
técnicas, eu acredito que se calhar,
imagina que tu tens 5 segundos, eles
tecaram no vinil,
fizeram e aquilo gravou e depois tu
metes mais lento o pitch. Estás a
perceber? Eu acredito, esta é a minha
ideia que foi, mas não ias ouvir que o
som era um bocadinho diferente do que se
tivesses tocado em tempo normal? Eh,
pronto,
isto é uma porque ela tá um bocado
técnica. Não, não, não, não, não. Mas
percebeste a pergunta? Sim, percebi,
percebi.
H, percebi. Mas mesmo assim esta forma
que eu estou a dizer com o dedo, ya,
porque não posso não estar a fazer as
voltas à velocidade bacana, né?
eh não vai estar a oscilar, ya, a
oscilar ou vai ouvir ou arranhar ou o
máximo era ponto meteres o pit no
máximo, mas eu acho que mesmo metendo o
pitch no máximo ainda ia ficar mais
lento do que o sample que está no bit,
porque o original é mesmo lento, mas
haveria sempre forma e esse para mim é o
mindset também do rap que eu que eu que
eu gosto, que isso sempre me abriu a
mente, que é trabalha com o que tu tens,
não fiques à espera de ter o o topo de
gama que não te deixa materializar as
tuas ideas. ideias. Bacano. Tenta ser
criativo. Tu não consegues ainda. Então,
olha, espera. Então, olha, vou pôr em 45
rotações. OK, já tenho aqui no sample,
mas ainda não tá lá. Então agora vou pôr
agora tá ainda lento. Pom pom. Ok. Então
agora vou pôr, pá, vou pôr para para
cete e depois pôres, pá. e tinhas que
tentar ser criativo. Imagina que a
cassete também dava para pôr um
bocadinho mais rápido e
etc. Há sempre maneira de tu chegares
àquilo que tu tens e na na tua cabeça.
Estás a ver? Eu nunca isso nunca não me
impediu. Eu nunca tive grande
equipamento, mano. Isso nunca me
impediu. É tipo, pá, não há tripé, mano.
Pega aí, não encaixas de sapatos, faz
qualquer coisa, mano. Pá, essa mensagem
é muito importante e essa também em
temporal. Porque há muito, pá, há muita
gente em muitas áreas das artes e do
empreendedorismo, tudo à espera da coisa
perfeita ou do momento perfeito. É. E
eu, pá, no dia eu vi uma frase boa que
resume isto, que é tens alguma coisa
para fazer? Now, not how. Exatamente.
Now, not how, que é, pá, faz agora,
senão vais desmotivar ou vais ficar à
espera e e não vai acontecer. Por isso,
faz agora não vai ser perfeito, mas faz
agora. Pá, pelo menos é assim que
funciona para mim, é de eu tentar sentir
qual é a energia, para onde é que a
minha energia está virada, é porque, pá,
amanhã pode pode não lá estar, tás a
ver? Para aquela coisa em específico. Eu
eu eu como atualmente, por exemplo, sou
uma pessoa que faço imensas coisas e
tenho imensos imensos projetos, eh, seja
a produzir vários artistas, seja a
produzir as minhas próprias coisas, seja
áudio, seja escrever, seja fazer editar
vídeo, né? O que é que te apetece fazer
hoje? Tás a ver? Eu hoje vou para casa e
eu sei o que é que me apetece fazer
hoje. É continuar eh aqui um um projeto
instrumental que estou que estou que
estou a fazer, que é para aí que a minha
energia tá virada neste momento, mas
tenho outros projetos em em standby ao
mesmo tempo, que às vezes à quarta-feira
posso acordar para continuar esse outro
projeto. Isso também é um grande aluxo,
não é? teres assim várias gavetas em que
ya olha agora vou avançar um bocadinho
aqui avançar um bocado aqui sem
deadlines sem sem querer vender sem
estar ts estás na tua tás com o mesmo
mindset do princípio, é sempre o mesmo
mindset porque eu tenho sempre de honrar
aquela criança, aquele jovem, estás a
ver? Eu vejo sempre isso dessa forma.
Isso é uma cena que eu costumo dizer
agora muito ultimamente, ya, que é se
não fosse a a versão mais jovem de mim,
eu não estaria aqui agora. Estás a
perceber? Eu tenho que Ele não pode
ficar desiludido
comigo. Estás a saber? Imagina que
aquele jovem, ya, não sei quê, eu não
queria para vender. E agora ele olha
para o futuro. Olá, Samuel, eu venho do
futuro e vou-te dizer que eu não vou ser
assim como tu. Não, o puto ia ficar
mesmo honra aquele puto. Esse puto é que
depois a viver. Esse puto é que depois a
viver. Estás a ver? Por isso não
desiludas, mano. Não desiludas a aquele
jovem visionário. Eu sou fã. Sou fã
daquele jovem. Sim, senhor. Obrigado.
Sei que é um bocado egocêntrico, né? Mas
é verdade. É só para as pessoas
perceberem. Às vezes há pessoas que se
diferenci diferenciam, como é que quer
dizer? Ol, olham para trás e vem como ah
era muito imaturo. Ah, ya, claro que
eras imaturo, mas também tinhas coisas
boas ali que te fizeram estar onde estás
hoje. Estás a ver? Ya, de certeza que
tens letras que hoje em dia olhas e
pensas tipo, ei, era mesmo chaval, mas
isso faz parte do caminho del do teu
caminho. Não, mas por acaso tenho uma
relação muita boa com com as músicas que
eu meti cá fora. Estás a ver? Eu eu
antes de pôr
o meu primeiro álbum cá fora, que é o
entretanto que saiu em
1999, eu tinha muitas músicas gravadas,
tinha p dois álbuns em cassete que
mandava para as rádios, etc. Mas não
nunca pus à venda. Ou seja, isso talvez
fosse um bocado mais tipo mais
constrangedor nesse sentido, tipo não
ter assim de é de estar só a ouvir as
falhas, mas desde o do do entretanto não
podes pôr a música que tu quiseres.
Porque é que porque é que o entretanto
não tá no Spotify? Porque ainda não
meti. Temos estado a arrumar a casa
assim aos poucos, né? É, pá, eu estou a
protar isto porque quando eu comecei a
ouvir mais hip hop, que foi para aí em
99, 2000,
hh, graças ao meu amigo João Roquete,
aka MCCada, hoje em dia João Pequeno,
Uhum. Eh, houvia muito dilema. Ya, ya,
os preços de submundo. Uhum. que não tá
no Spotify. Ya. E eu reparei que esse
não estava no Spotify e esta semana
reparei que o teu primeiro disco não tá
no Spotify e eu pensei, queres ver que
tantos dilema como o Sam da Kid tem um
bocado de vergonha deste primeiro álbum,
então não querem que esteja no Spotify?
Não, eu e sinceramente e e não gosto de
falar pelos outros, mas os dilema têm
muito orgulho também do do Expresso do
submundo e sabem o marco que foi. Ver,
acho que é só uma questão de ainda não
terem arrumado a casa. Às vezes, sabes,
quando somos independentes também é, pá,
uma é uma coisa de cada vez. É, eu tenho
a minha a minha loja onde vendo os meus
discos, ainda agora só ainda só tenho um
vinil que é o vinil de praticamente, mas
eventualmente irei fazer vinil de muito
mais outros trabalhos. Eu ainda não
tenho à venda ou sobretudo na minha
loja, por exemplo, ou entretanto e pá,
uma é uma coisa de cada vez, mas está
tudo a correr bem, estás a ver? Por
isso, eh, a com calma as coisas irão
acontecer.
Quero falar um bocado do Bits Volume 1.
H. É sobre a história de amor dos teus
pais.
Sim, na minha na minha visão. Na minha
visão. Tu és o artista. Isso, isso é pá,
eu a primeira vez que eu vi isso já foi
há há muito tempo, mas lembro de curtir
porque lá está, se calhar a minha visão
do minha visão do hip hop, eu não sei se
tu também sentiste isto, se calhar não,
porque se calhar isto foi uma cena mesmo
só só da minha microcultura, mas e 99,
2000, 2001, 2002 houve um ressurgimento
do do graffiti, do break e do hip hop,
sem dúvida. Também houve, também houve
no na tua microcultura. Então, sem
dúvida. E ó pá, e ao mesmo e por acaso
visualmente foi interessante porque foi
mais ou menos ao mesmo tempo que as
raparias começaram a usar fluorescente,
muito fluorescente, os brincos
fluorescentes e as coisas florescentes.
Então os rapazes eram assim calças
largas e havia tipo houve todo um
ressurgimento de lojas de de calças
largas e pop e não sei quê e e para mim
eu subi muito aos preços de subundo, às
mã da gap, lá está, sou do Porto, era
foi isso que que me aconteceu. Não,
bichos volum pá, então pronto, era tudo.
Porque é que eu me sentia atraído por
aquilo? pela mesma razão que acho que tu
te sentiste atraído por aquele culto,
tipo, e o que é isto? Eu quero saber
mais sobre isto. Hum. E eu então comecei
a ouvir hip hop e aquela coisa toda, pá,
do do submundo, tás a ver? Mes a palavra
submundo e o grafiti e fazer coisas
ilegais, pá. E e eu tive sorte que isso
bateu mesmo no início da minha
adolescência, ou seja, foi um privilégio
para mim que esse momento de
ressurgimento apareceu no meu momento da
da minha narrativa pessoal de de quê? de
pá brincares com a autoridade, não é? E
que com a autoridade, com certeza. E
então nesse contexto aparecer um gajo
que faz um disco sobre a história de
amor dos pais. Uhum. Pá, era super
antigangster, estás a ver? minha cabeça
não é nada submundo é tipo uma pessoa a
olhar para os pais e a falar a história
do amor deles e para mim na altura foi
gen não este gajo é este gajo é é
especial é diferente. Mas fores a ver
por exemplo tu estás aí a pôr a palavra
gangster nós em
Portugal nós no mesmo até nessa era ou
antes, nós sempre representamos muito
mais o contrário. Estás a perceber? Mas
parece que todo o mundo não fala disso.
Mind cap não é não é cena gangster kid
não é
gangster. Muita pouca coisa é gangster,
estás a ver? O gangster em Portugal, o
rap nesse
sentido nunca teve. Pronto. E e eu digo
gangster é pá no sentido. O que que
significa gangster para ti? Hum. O que é
que significa gangster para ti? Depende
do contexto. Pois depende do contexto.
Eu estava a usar só como sinónimo de uma
cenas escura do submundo. Ts a ver? Mas
mas tem um contexto mais específico
americano. Hum. Não, escuro do submundo,
pá. Podes dizer tipo underground, tás?
Depressivo. Se calhar não seja
underground. Isso sim. Nós sempre nos
identificamos com esse termo. Nossa
mentalidade é é underground. É isso. Ya.
Agora agora gangster não. Aliás, nós
criticávamos um bocado os fake
gangsters, estás a ver? Assim, pessoas
que eram que se wan beis, estás a ver?
Pessoas que se armavam em coisas que
eles não que eles não eram. eh que podia
haver eventualmente, mas eram logo isso
era quase, se não fosses mesmo oficial
nesse sentido, era exposto e e não
tinhas respeito. E o respeito era uma
coisa importante, ts a ver, entre os
parceiros, entre as pessoas que fazem e
que contribuem para a mesma cultura. das
coisas mais mais importantes e que nos
motivava mais do que
vender. O respeito, o respeito também é
uma consequência depois do produto. Está
quando está quando estou a criar, não
estou a pensar no respeito, mas depois
tá de estar a gravar e tal coisa, tu
ficas é eu eu penso mais nisso.
Respeito, inspirar o próximo também que
pode ser um pouco meio arrogante ou quem
és tu para inspirar, mas esse esse
sonho, essa ambição de poder inspirar
alguém, estás a ver? Eh, essas coisas,
sim, são, para mim são as bases e que
fazem a arte evoluir. E neste caso, rap
também arte e a cultura e pop também,
né? Mas e então esse disco, porque os
teus pais separaram-se quando tu eras
muito novo. Uhum. Como é que vias
fotografias deles quando eram namorados?
Li as cartas de amor, como é que
construíste esse imaginário da história
de amor dos teus pais, sendo que não a
viveste muito em primeira mão?
Exatamente. É mesmo isso que tu
disseste. É aquilo que eu imagino. Nem é
a verdadeira história, é aquilo que eu
imagino. E até hoje tenho mais alguma
informação ou isso, mas não não eh como
é que quer
dizer? E pá, o álbum é um álbum
instrumental, não tem coisas mesmo
específicas em termos de áudio eh em que
apareça o meu pai ou minha mãe. Não. São
são bits que já estavam feitos. Eles não
foram feitos para
aquilo. Eu é que depois escolhi os bits
da mesma forma que eu tenho aqui no meu
telemóvel várias rimas. Aqui nestas
páginas e páginas de palavras. Aqui tá
uma canção, estás a ver? É escolher as
palavras certas para depois dar sentido
a isto. E eu sempre tive centenas e
centenas de bits, como se fossem
palavras, né? Depois olha, qual é o
tópico? Olha, vai ser então olha, este é
o momento em que se conhece. Esta ficava
bem faz sentido para cada fase.
Exatamente. Estás a ver? Então foi foi
não foi muito feito. Acho que houve
assim só dois ou três e excecionalmente
que já foi foram feitos na altura, mas o
resto foi ali à gaveta e para para fazer
esse disco. E basicamente aquilo que é a
história de amor dos meus pais não é
muito diferente da forma que eu a estou
a contar e que eu imagino.
É sem grandes twists. Estás a ver? É
muito típica. É boy me girl. Estás a ver
esse tipo de cena? Sim, sim, sim. É
viagem do herói dos casais. Viagem casa.
Apaixonam-se, conhecem,
amam-se, casam, têm filhos,
chateiam-se, mas volta e meia ainda há
umas recaídas. O amor acaba com o amor
infinito, não é? Como é que se chama o
Não, o amor não tem acab o amor não tem
fim, que tem um sample em inglês a dizer
there's no W to love, love, love, love,
love. F assim. Ya,
curiosamente, até posso dar aqui já uma
dica,
o eu já há muitos muitos muitos muitos
anos, pá, isto até embora só dizer isto,
mas eu que eu tenho bitch volume 2,
estás a ver? Mas que
nunca, pá, é uma coisa muito pessoal
para mim, tás a ver? É uma cena porqueê
o Bitchfum 2 é a minha história de amor
com o rap, estás a ver?
Eh, que aliás eu num meu álbum
praticamente eu tenho a música
retrospectiva do amor profundo, que é
retrospectiva amor profundo, rap.
Pronto, há é um acrónimo assim meio
forçado, mas é o que é. Eh, e ela é a
minha música, é a pessoa com quem eu
estou casado, OK?
Porque no álbum sobretudo há uma faixa
que se chama Musa, em que e sou eu, NBC,
Black Master e Regula. E estamos todos a
bater couro a ela. Ela é aquela vistosa
que toda a gente quer namorar com ela,
mas depois no álbum seguinte,
retrospectiva de uma profundo, eu já
estou casado com ela e estamos a falar
como nos conhecemos e como tem sido este
nosso trajeto. Estás a ver? E isso, esse
álbum é um é um é um é o nosso trajeto
até e ao meu primeiro álbum. É até até
99. Eh, o volume dois. Não, não, não
estou a dizer a música retrospectiva de
um amor profundo. Quem quer
rimada eh acaba em 99, senão a música
iria ser muito muito maior do que ela já
é. E este álbum de instrumentais
Bachits, volume 2, estás a ver?
Eh, Bit volume 2 rap é o o Bitch Vum 1,
amor. Este é Bitch Vum 2, rap. Rap
sentido de de de referência àquela cena
que eu te falei, retrospectiva da Mundo.
Estás a OK? Pronto. Eh, é a minha
história com ela. Estás a ver? Só a cena
da capa é uma cena incrível, mas isso é
será oportuno noutra na nota altura. Mas
só para te dizer uma coisa que é o
início desse álbum é com o mesmo love
que faz fade out no beach volume 1, faz
fadein no bitch volume 2, que agora é a
minha história de amor que não existiria
se não existisse aquela ver daí é é ser
sentido ser mesmo uma sequela, estás
aceber? e tá tá na gaveta há muitos anos
e tem muito orgulho daquele trabalho e
lá está, é, eu emociono-me ouvir aquele
trabalho e é tipo, pá, será que eu quero
partilhar com as pessoas? Eu posso ter
um, tu podes ter uma cena. A música é
das coisas mais autossuficientes que
podem existir. O rap então, ya, o rap
então e a cena com samples, eu não tenho
que depender de ter um vizinho toca
baixo ou uma coisa. É, eu posso fazer a
música que eu imagino e ficar satisfeito
com ela e
basicamente sentir emoções, sentir
sensações. Tás a ver? Para mim é a arte
é essa. É tipo tu sentires sensações e
tu conseguist provocar isso em ti. Eh,
sendo crítico. Eu sou bastante crítico
também da minha música. Atenção, não é
tipo, ai, adoro tudo o que eu faço, não.
Mas quando gostas, gostas, não é? Daí
depois fazeres uma seleção daquelas que
gostas, mostras às pessoas. Mas não sei
porquê não sinto, pá, pela primeira vez
eu sinto assim, pá, porque é que eu
tenho que mostrar isto às pessoas? Não
sei porquê. Sinto-me assim um pouco
estranho em relação em relação e não há
uma razão específica para isso, não é?
ser muito íntimo. Não, mas é é não é a
cena que me faz pensar é pá, tá tudo
bem, sai quando tiver que sair. Ah, não
tem lá assim esta música que eu te falei
ou que há bocado estava aqui a cantar
que se chama
Hereditário e estás a dizer não é muito
íntimo. Quando fores a casa, houve um
dia, quando que tudo quiseres, houve
essa música,
hereditário e não há nada mais
íntimo que eu possa ter exposto numa
música do que essa música. E não foi
isto que eu tive a declamar, é algo mais
à frente, estás a ver? É, acho que não
existe algo mais íntimo que possa
partilhar do que isso. Estás a ver? OK.
Ya. Costumas emocionar-te a fazer
música? Ya, sim, claro. É, é, é o
propósito é esse. Propósito é esse. Essa
é que é a adição. Estás a ver? A cena o
drogado que se quer emocionar. Sim, sim,
sim. Estás a ver? Ser lindo. Seja como
fã, porque eu em primeiro lugar eu sou
um fã. Aquilo, a minha
definição é eu e a a minha obra é a
contribuição de um de um fã, de um
grande fã. do maior fã. Nunca irei dizer
sou o maior rapper ou o maior produtor.
Sou o maior fã. Isso sim. O que é que
foi? Diz-me lá o que é que Eu sei. Eu
sei. Sabedoria. Estás a ver? Knowledge,
nerd. Não tem problemas com a palavra
nerd. Estás a ver? Nerd. És nerd. Mas eu
sou mesmo. Sou físico. A ver. Não, mas
não. Mas é se tu tens uma paixão por por
uma certa área. Ex. Tu és fã daquele da
Não és fã. Achei que estás a dizer que
eras fã de ti próprio. Não és fã do
género. Não, não, não. Eu também sou há
bocado. Eu disse, eu sou fã daquele
jovem. Não, não quero negar aquilo que
eu disse. Também sou fã da, daquilo que
eu faço. Não é fã de mim próprio, fã da,
das minhas criações. Sim, sim. Ó pá, eu
também eu acho que isso é importante e
não há vergonha nenhuma nisso. Estás
orgulhoso, tipo, fogo, fui eu que fiz
altamente, meu. Sim, sim, sim, sim. Não,
em e vou-te ser sincero, pá,
demorou alguns anos a chegar a esse
ponto. Tás a ver? Eu ao princípio fazia
bits e ouvia aos meus ídolos, sentia,
não, não, tá longe, tá longe, não tá,
não estou a sentir a mesma sensação, né?
Mas agora eu consigo sentir a mesma
sensação, mas foram precisos anos de pá
de de prática, né? E de e de fazer muita
coisa para chegar a essa a essa a essa
essa essação que eu sempre procurei de
eu poder fazer a música que que quero
ouvir. Estás a ver? Já já reparaste essa
cena?
Isso é lindo, meu. Eu poder fazer a
música que quero ouvir. Sim. Eu hoje
quero ouvir esta cena. Sim, sim. E tu
podes fazer essa música. Eu hoje quero
sentir isto. E tu podes materializar. É
uma cena incrível. Fico muito, muito
grato. Eu sei que isto parece um bocado
assim egocêntrico, mas é uma, é verdade.
Eh, tenho que ser sincero. Não, pá, isso
é uma cena de um os artistas que estão a
ouvir vão-te entender. Tu tocas uns
acordes ou ou mesmo nada? Ah, posso
tocar num teclado, mas não sei que
acordo é que estou a tocar. Mas sabes,
primeira terceira, quinta, sabes? Não,
entre um acorde maior e menor, essas
coisas não. Ok, mas sem mas sem outras
coisas. Sem muitas outras coisas.
Claramente suficiente. Não, não. E sei,
e sei comunicar e sei comunicar com
pessoas que saberão isso. Estás a
perceber? Claro. Sim, sim. Como aquele
produtor americano, como é que é o de o
trabalha com imensa gente, mas também
não toca nada. Aquele meio ipi. O Rick
Ruben. Rick Ruben. Ya. Pá, eu não eu não
hoje em dia não faço música. que houve
uma fase em que fazia e pá e tinha uma
banda pequenina e fizemos pouco,
fizíamos uns covers e fizemos poucos
originais, mas houve uma tarde hum, pá,
foi durante a semana da cama das fitas
do Porto, lembro perfeitamente, em que
ele estava a sentir uma coisa qualquer
específica e peguei na guitarra e pá,
aquilo começou a sair, exatamente o que
eu estava a sentir, começou a sair e eu
fiz-me a mim próprio chorar, mas chorar
a sério, sabes? Tipo Uhum. E foi, pá,
dos momentos mais bonitos da minha vida,
eu fazer-me chorar por aquilo estar a
sair. Ya. Pá,
eh, lá está, eu quem me dera sentir isso
mais vezes queá devia voltar a tocar.
Olha, tocando outra vez nessa música e
hereditário, eu fiz essa música para ter
essa sensação. Estás a ver? É esse que é
o vício. Hã? Eu sei que é o vício. Ya. E
pá, não há muitas que pá e e
conseguires, ou seja, eu sou sincero, eu
fiz mesmo com essa intenção. Eu quero-me
emocionar a mim mesmo e e passado estes
anos todos, isso ainda e isso ainda
acontece. Mas vou ser sincero, eh,
pronto, eu tu eu vou eu vou-te explicar.
Tu não vou dizer tipo com spoiler, mas
mas essa música no final tem tipo uma
discussão mesmo real real, hiper real
mesmo real do meu avô com a minha mãe.
Ts a ver a cena mesmo real. Estás a ver?
Tu cravaste, estás escondida? Sim. Acho
que já o vi. Ok, pronto. Acho que me
lembro qual é. Ya. E isso é uma cena que
nunca ouviste em nenhum nenhuma música.
Pronto. E e o que eu estou a dizer é que
e mesmo com as notas musicais que estão
a acontecer por baixo, né, a música que
está a acompanhar esse momento, eh eh
pá, estou a dizer, principalmente isso é
que me emociona, ts a ver? Eu não me
emociono tipo, ah, com a minha voz e com
a minha declamação, estás a perceber? É
mais, eu mais facilmente me vou
emocionar com algo que não tenha a minha
voz, ou seja, um instrumental meu, do
que eu eu eu a declamar, a rapar.
Pronto. Eh, porque a rapar, ya, eu vou,
parece que é uma outra parte do cérebro,
estás a ver? Em que eu aí depois já
começa a ser um pouco mais crítico de
mim. Percebo perfeitamente. É estranho.
H, enquanto se for assim um
instrumental, ya, sinto mais, consigo-me
emocionar, consigo viajar, consigo
sonhar, consigo concretizar a essa
droga, essa vontade de me querer
emocionar. Daí eu também muito mais
facilmente eh, aliás, eu não eu não
lanço um álbum enquanto rapper desde
2006, faço muitas participações e etcum
pá, ya, e a cena que às vezes tento
descobrir respostas para o porquê, né?
Há muitas, muitas razões imensas, mas
uma delas também é essa. É a pessoa que
quer, lá está, o dependente destas
emoções, que quer tudo muito rápido,
entre aspas, que consegue, se eu
conseguir proporcionar esta emoção ainda
hoje com
instrumental, eu vou é vou vou
dedicar-me ao instrumental do que estar
se meses ou ou pronto, seis meses a
fazer uma música em que eu estou a
escrever uma letra.
Estás a perceber para ter o mesmo final,
a mesma finalidade. A dose, a dose vem
mais no bit do que na letra. Mas isto é
para mim. Eu sei que para, para, lá
está, se eu pensasse nas pessoas, eu
iria fazer mais rap. Logo aí é uma prova
que eu sou egoísta nesse sentido. Eu
faço as coisas para mim e para me
emocionar, seja que emoção for, seja o
Então eu eu, como é que quer dizer? eh
eh meter em primeiro lugar a cena de da
quantidade criativa musical ser mais
para para os instrumentais do que para
as rimas. É porque para já é mais fácil
para mim fazer instrumentais do que raps
e porque consigo eh ter um produto
finalizado mais rápido. Estás a saber? E
e irei ouvir de um com uma de uma
maneira muito agradável. Eu enquanto
rap, eu vou estar muito um bocado
crítico. Parece quase aquela pessoa, ai
não gosto de me ver nas fotografias. Eh,
não é? Eu eu gosto, atenção, eu gosto
das minhas músicas e gosto da minha voz,
apesar de achar que não tenho uma grande
voz, a minha voz é a minha, é apenas a
minha voz. E logo aí é válido, é uma
verdade. Sim. E tens uma moldia também
própria. Nem mas há rappers que têm uma
grande voz. Meu amigo regula tem uma
grande voz, estás a ver? Tem rappers que
têm voz e logo logo isso é uma grande
vantagem. Não quer dizer que eu não
tenha verdade, né? Tenho, eu tenho a
minha voz, mas não é um uma grande voz,
estás a ver? Eu tento ser melhor cada
vez mais, né? Tipo, e sinto que sou cada
vez melhor, performer, etc. Mas mas
tenho que ser sincero, não vou estar
agora y yo what up? E porque eu não
tenho uma voz, eu não faço uma voz de
rapper. Isso também existe, né? Tipo,
cyper se não é como ele, como canta, não
é como fala. Há pessoas que e eu eu como
rapper é como eu falo mais a mesma
textura. Eu não tenho uma voz aí ele tá
a gravar, eu agora vou ali dar uma coisa
engraçada. Estás a ver? Não, não tenho
uma voz de rapper. É tipo eu como estou
agora aqui eu há um silêncio que ainda
me ensurdece uma incerteza na pertença.
E agora estou a falar aqui contigo. É um
bocado da mesma textura. É só só muda a
melodia. A melodia quando estás a rapar
é mais é mais repetitiva. Hum.
Queria ler aqui uma parte da, sendo
assim, hum, para putos radicais, nada,
nada é fato ser antigo, mas eu não vou
ser mais um arquiteto sem abrigo. Não
entro na moleza e no que a incerteza
trás um dia muito tempo, quando tenho um
talvez
atrás. Aqui eu est a ouvir, pá, esta
música é é bastante emotiva também. O
instrumental é é forte e a mim deu-me
uma imagem de, imagina para putos
radicais, nada é fato de ser antigo,
principalmente este verso. Pera, pera,
pera, pera aí. Não digas fat, diz fet.
Fet. Hã? Pá, sabes, sabes que eu fato,
por que é que estás a dizer fato? Pá, se
[ __ ] porque sou inglês, eu nasci em
Inglaterra. Ah, ok. Desculpa. Tens tens
tens tens cartão, podes passar. Os
americanos dizem fit. Não, não, não,
não, não, não. Podes passar, tens razão.
Tens razão. Fit. É fit. Pá, eu lembro de
lembro dos meus amigos me gozarem para
ele dizer Mac, vamos ao Mac. Em vez de
dizer Make, o pessoal dizme vamos ao
Mac. Dizia vamos ao Mac. Ah, ya, ya.
Não, não, tá certo, tá certo, tá certo.
Tenho que respeitar, tenho que
respeitar. Tá certo. Desculpa. E e peço
desculpa. Pá, vou pensar nisso. Não,
não, não, não. Tá certo. Não, não mudes,
não mudes. Desculpa. Mas mas pá, pronto,
neste neste verso do fit, hã, senti, ó
pá, podes, se calhar aqui haver para
putos radicais, nada é fatigo. Se calhar
o gajo está a sentir que tá a passar. Se
gajo, se calhar estás a sentir, li aqui,
se calhar ele tá a sentir que já não é
irrelevante ou ts a ver que já é um gajo
antigo e que o pessoal os os miúdos que
estão agora a começar a vir pop já já
não lhe ligam nada. Sentes um bocado
isso? Eu sou uma
exceção. Pá, eu tudo um gajo dizas
coisas, parece uma cena egocêntrica, mas
pronto, mas mas a cena real e tem que
ser real na cena que aquilo que eu que
eu que eu que eu que eu estou a dizer aí
não se refere só a mim, eh, refere-se em
geral, estás a perceber? que eu eu tenho
que ser sincero e tenho que ser grato,
porque eu
eu tenho uma noção da realidade, embora
eu nem sei a realidade toda. Às vezes há
pessoas que me dizem: "Oi, tu nem tens
noção de certas coisas", né? Tipo,
porque eu não consigo ter noção das
pessoas que acompanham o meu trabalho
todas, né? Obviamente, mas tenho alguma
noção. Então, tenho a
noção de de já ter passado algumas
gerações. Eu tenho que ser grato por
isso. Não posso estar a crespir nisso e
depois dar dizer uma rima nesse sentido.
Se eu tenho muitos miúdos que gostam da
minha música, saber? Muitos miúdos.
Ainda hoje uma pessoa mandou uma criança
mesmo, um bebé que diz que é o Samuel e
que rima rápido e não sei quê. Estás a
saber? E e todas as idades, todas as
idades. Então, então então não sentes
que que já és um um old school? Já não
és um nome que cita o a nova geração,
tipo um nome do hip hop. Não, eu eu sou
algo que de que que é que é a coisa mais
importante que é que há há respeito. Há
respeito. Isso para mim é suficiente.
Podia não haver, podia realmente ser
visto como
algo careta, mas isto eu estou a falar
de mim específico.
Se falar em geral, ya, e sinto que houve
aqui um momento nunca antes
visto de em relação a pessoas que gostam
de rap. em relação a pessoas que gostam
de rap, houve aqui uma uma era, diria
2016, 2017, 2000, pá, em que em que
houve um pela primeira vez um grande
clash geracional que não tinha
acontecido tão forte
anteriormente, com a a emergência
de aquilo que depois chamaram
subgéneros, tipo trap, etc.
em que os mais velhos achavam que a
música não era interessante e depois os
mais novos também, olha, e a tua também
não é.
Eh, e esse esse Clash aconteceu, esse
Clash aconteceu a nível mundial. Nível
mundial. E não dizem nada, etc. Isso é o
Mumble, o trap eh tá relacionado com o
mumble. Não, o trap, o trap, eh, pronto,
poderá, poderá estar, poderá estar, mas
não só. Não, vamos reduzir o trap e o
jornalista que inventou essa expressão,
não sei quem foi. Não, por acaso aqui
neste caso não sei. Ah, eu não gosto de
nada do mumble, mas lá está, eu gosto
do, lá está, gosto daquela sonoridade.
Eu gosto quando soua mal, acho que é por
causa desses, dessa altura de 99 a 2001,
os microfones eram piores. E eu gosto
daquele som assim sujo e e do rap assim
mais de intervenção, mais jangado. Então
quando aquele
bicioso, não me soua fixe, estás a ver?
Sou-me assim uma coisa estás no teu
direito e estás no teu direito. Eh, por
isso eu eu sou um desses, eu sou um dos
que chegou ali um momento em que foi
tipo, ei, isto já não é, isto já não é
tesudo, estás a ver? Isto já não é pá, e
imensa gente da minha idade também. Ya.
E mas lá está, eu eu mas eu depois não
gosto muito. Uma cena que eu não gosto
muito é quando me vem dar amor, mas
dentro desse amor tão a a falar mal de
alguém. Não é agora o não sei quê, não
sei que mais. Isso é porcaria. Tu é que
Não, se queres dar love, dá dá aquele
amor. Eu rece e pá, mas não há
necessidade de estares a rebaixar eh
outra pessoa. Tudo bem que é a tua
opinião, mas já é um é um elogio que já
não vem não vem tão bonito, estás a ver?
Não. Sim. Ya, parece que é, ya, não me
sinto tão bem a receber esse elogio.
Parece que, porque assim, parece que
estou a concordar com aquilo que tu
estás a dizer e às vezes eu tenho que
discordar, né?
Mas pronto, eu sou sincero que nesse
aspecto, pronto, não vou negar, não vou
negar que todos tivemos que nos habituar
esse esse Clash eh que temos o e e não
faz mal também termos o nosso estilo
favorito ou nosso rap favorito. Eu
pessoalmente tento gostar tudo um pouco
tanto a nível e e mesmo como
contribuinte a mesma coisa. Estás a
perceber? Aquilo que eu que eu que eu
que eu enquanto contribuinte não faço
muito é entrar em ondas. Eu não entro em
ondas. Não entra em ondas. Estás a ver?
Não é, eu não vou fazer trap quando
estão todos a fazer trap. Eu eu vou sear
fazer quando ninguém tiver a fazer.
Estás a ver? Mas não quer dizer que eu
não me aventure, não é? Das últimas
músicas que eu lancei foi com o DJ Vibe.
Estás a ver? É, é uma coisa diferente.
São 120 bpms, é uma, uma sonoridade
diferente, mas é diferente ao ponto de
ser. Não é igual a nada. E isso é que
devíamos fazer
mais. Estás a
ver? Sempre daqui DJ Vibe. Ya, tipo, o
que é que este som parece? Não sei o que
é que este som parece. Isso é
interessante para o bem e para o mal,
porque pode causar um desconforto. Não
tens ali um ponto que te situa. Ah, ya,
isto as pessoas às vezes para gostar de
uma coisa tem que criar aqui umas
referências. Ah, isto é um pouco aquela
coisa inglesa, não sei quê. Não
conseguem gostar do do ya, ouvir e pá,
ouvir a cena
só não tens que analisar, não é? para
analisar. Já estamos cá nós, nós, entre
aspas, eh,
criativos, que, infelizmente, quando
passamos eh pronto, a ser
criativos, o a nossa maneira de
ouvir deixa de há ali uma magia que
desaparece, estás a perceber? É tipo
antigamente eu quando não sabia fazer
música, a música tinha um efeito mais
mágico. Sim, sim. A que era o efeito, o
efeito do criador, estás a perceber? que
é tipo, eu não sei como é que isto é
feito. Eu agora eu sei, eu tou a ouvir,
olha, o Kik tá mais altas ou no cinema.
Sim, sim. As emoções tocam na mesma, mas
não é bem a mesma coisa. Não é bem a
mesma coisa. Arrepias está a mesma com
uma música, pá. Mas depois a passar
tanta ou tanta música, tanta já te
emocionaste com quase todas as
combinações de notas possíveis, pá. E
tecnicamente é muito difícil. É as
coisas. Eu às vezes, ya, é invejo alguém
que está a ouvir certas músicas pela
primeira vez. ou ou como alguém ver um
filme pela primeira vez, né, certos
filmes marcantes e eu acredito que o o
realizador eu próprio também estudei
cinema, então eu também tenho mesmo
quando estou a ver um filme é tipo, ei,
este plano já tá bué, este plano, isto é
isto é um plano de sequência. Espera aí,
deixa-me pôr para trás. Eles ainda não
ainda não teram outro plano. Isto
ya, e bloqueio ali um bocado ou ve, pá,
vejo tecnicamente como é que as coisas
estão a ser feitas. Eh, mas pronto, na
maior parte das vezes continuo-me a
envolver no filme, mas na mas na música
isso às vezes acontece, pá. E e essas
coisas, a sonoridade, seja trap, drill,
etc., trazem ingredientes, às vezes
também podem ser refrescantes e podes tu
agora fazer à tua maneira. Estás a ver?
Para mim é fixe é essa, é o que é que
isto pode trazer que pode- te inspirar.
Eu depois eu fico assim, torço só um
bocadinho o nariz, com todo o respeito,
é quando alguém tenta usar a fórmula
toda, tás a ver? Ah, como é que fizeste
esse bacalhau? Foi mesmo quanto? Quantas
gramas de É isso? Tá certo. Não, faz à
tua maneira. Se calhar tu não precisas
de pôr aquele ingrediente que tu nem
gostas, estás a ver? faz o teu com a tua
identidade. Então eu eu acho que é
podemos ir beber um, por exemplo, eh o
dril ou coisas mais agora ama piano, que
é uma coisa que não não tá ligado ao
rap, mas é uma coisa de música de dança
africana, diria. Eh, e pá, eu não gosto
que para que a coisa seja aquilo, tu
tens que usar mesmo aquele som. Não, tu
não tens que usar aquele som, tás a ver?
Porque senão depois fica boring. Tem tu
tens que usar mesmo especificamente
aquele
aquele Não pode ser não. Dá-lhe dá-lhe
um um um twist diferente. Podes usar o
ritmo
do do drill que que pode
dizer pronto, que tem uma c uma certa
cena de de urgência ali, pá. Mas em vez
de disse ser um head, mete um kick, mete
ou mete uma tarola a fazer esse ritmo,
dá-lhe um twist, não é? Tipo, ah, ok. E
agora o pop smoke, qual é o baixo que
ele usou? É mesmo este
específico? Ok. Ah, agora sim. Eu acho
que acho que o pessoal vai curtir, estás
a ver? Vai passar na comercial. Ya.
Estás a ver isso? Olha, isso aí, isso
agora estás a dizer passar no comercial.
Eu ontem estava a ver, gosto, olha lá
está, é falar de coisas que não são
atuais, mas se não fosse a atualidade da
tua vida, por assim dizer, não iria
falar desse tópico. Mas ontem estava a
ver algum alguma coisa o que é que eu
estava a ver era tinha a ver com que
filme, pá, pronto. Basicamente era que é
que me fez depois começar a divagar.
Foi, por
exemplo, uma coisa que com que a arte a
arte de fazer
filmes é muito mais difícil. Estás a
ver? O que eu estava-te a dizer?
Precisas de muito mais pessoas. Pessoas
ya, estás a ver? Eu quando vi por isso
dinheiro. Estás a ver? Eu, pá, a
autossuficiência do rap do do It
yourself é incrível, mano. A cena do
miúdo que tá ali no quarto sozinho a
sonhar e a e a materializar aquilo que
imagina. Estás a ver? Enquanto que uma
pessoa não consegue fazer um filme, quer
dizer, poder, pode, po, cada vez mais,
não é? Antigamente tinhas que andar com
claquetes e mas mas lá estáita nós eh
vemos o cinema que nós vemos ou que
muita gente vê, não vou dizer que não,
que têm sucesso, etc. É um cinema em que
o dinheiro, em que o cinema é um
negócio. Estás a perceber? O cinema é um
negócio como a música é um negócio. Mas
e eu, como já te fiz ver, isso para mim
eu não sou esse tipo de músico, apesar
de eu fazer negócio com a minha música é
uma consequência, mas não é a origem ao
objetivo. Atenção, e fico grato por
fazer negócio com isso. Atenção, mas não
tá na base. Pronto. E cinema sem
isso há muito há há menos, acho eu,
porque tem que envolver pessoas que te
financiam, que às vezes não são artistas
e tem que haver um uma recuperação desse
financiamento, não é? E eu estava a
pensar numa coisa que era e pá, qual é
que era o filme em específico? Não, mas
não interessa qual era o filme. Era a
cena deles fazerem, principalmente num
cinema, pá, diria 80% dos filmes mais
que é o screen
testing. Sabes o que é que é? Sim, sim,
sim. Mas até antes os guiões hoje em dia
desses filmes grandes de Hollywood vão
para consultores na China para eles
otimizarem aquilo, porque olha nesta
cena o gajo em vez de ter um boné preto,
devia ter vermelho, porque pá, vermelho
é cor da sorte. os guiões de Hollywood
passam por muita gente, por muitas
culturas para para maximizar a
faturação. Ya. Então é é essa cena.
Pronto, claro que
obviamente mas eu gostaria de saber se
aquilo que é chamado, por exemplo, eu
sou um para me diferenciar e se calhar
não nos pôrmos aqui no música, negócio,
pronto, vou chamar, eu sou um canto
autor, porque um autor à partida é
alguém que tem controleo, não é, sobre
tudo e pá, há ali algo, né? Porque lá
está, cinema de autor. Conhece essa
expressão, né? Claro. Sim, sim.
Será que tem screen testing? Screen
testing. Fogo. Screen testing. Ya. Ó pá,
não faço ideia, mas acho que não. Até
porque não faz muito sentido. Mas tem
financiamento à mesma, né? Mas se calhar
financiamento público. Isso é a
diferença entre filme europeu e o filme
americano. Às vezes que é que o nosso é
meio que a fundo perdido. Ya. E temos
dinheiro para as artes e olha ganhaste,
ganhaste. E há assim no IA há categorias
de pá tipo aquela categoria com mais
dinheiro que é para quem já tá, não é?
para o Miguel Gomes e assim para os
realizadores que já que estão aí em
altas e depois há várias categorias por
ali abaixo. Mas tu fizeste, tu filmaste
um bocado do Ry Shit de Cabala, não foi?
Videoclipe. Sim, sim, exatamente,
exatamente. Esse foi um dos videoclipes
que me apareceu um dia no canal Sol ou
no C Radical. Ya, exatamente. E que foi
mesmo uma janela, lá está, um bocado
para essa minha ideia também de
submundo, mas em Lisboa, exatamente, com
muito mais blacks que no Porto não há
quase, muito menos para um beito da F
como eu. Então aquilo era mesmo uma
janela tipo ou outro mundo. Sim, sim,
sim, sim. Foi, pá, foi foi foi muito
interessante mesmo essa situação. Foi e
foi revolucionário num certo, pá,
revolucionário ou pioneiro num certo
aspecto, porque realmente era aqui a o
início de uma nova
geração que eu por acaso eu sempre tive,
olha lá está, eu tenho videoclipes do
entretanto, pá, que nunca partilhei com
as pessoas, estás a ver?
Tenho um videoclipe de uma música que se
chama Shagy Sam. Nunca saiu. Tenho uma
videoclipe de uma música que se chama
Sétimo Céu. Nunca saiu. Mas porque é que
também nunca saiu? Porque realmente não
havia sítio para tu passares vídeos
amadores, eh, por assim dizer. E a sol
música foi essa situação. Ou seja, a MTV
entretanto aparece, mas como se fosse
uma exigência. Não, não. Vamos aqui com
o vídeo 8. Eh, na altura hoje em dia
cool, não é? Hoje em dia, tipo, não é de
propósito, eu tenho até orçamento, mas
eu quero mesmo é vídeo mas a cena eh na
altura a sol era ó pá, ok, os mais os
menos profissionais também poderão ter
um espaço aqui e isso foi muito
importante a nível nacional e e o
cholage foi o que abriu um pouco esse
caminho e e de seguida venho eu com o
não percebes eh que que também com o
cholage a ajudar-me da mesma forma que
eu ajudei o cholar no R de Cabala. Ya. E
e isso isso foi muito foi muito
importante porque realmente eh ya eu e
depois a cena é eu usufruia bué da
liberdade de saber que nunca ia dar na
televisão. Era tipo, por exemplo, eu
tenho uma música, essa música cheg Sam é
eu eu esse videoclipe é mesmo, eu digo
lá rimo mais todo nu do que tu, todo
equipado. E no videoclipe eu estou mesmo
todo nu nesse momento. É tipo, ya, eh,
eu sei que nunca é usufruir isto dessa
cena. fazeres as cenas para ti, para
mostrares aos teus amigos. Mas esse
sabias que não ia passar nem no Sol, nem
no canal Sol? Ya, ya. Nem nunca nem a
Sol existia na altura. Ah, ok. Ok. Era
para mostrar os meus amigos. Lá está,
isso já era uma cena TV Chelas, estás a
ver? TV Chel é o con é o conceito. E
queres ver a programação vem cá à minha
casa e a minha casa era muito frequent
frequentada. É como se tivesses, como
estavas a dizer, como é que se chamam os
teus patrões? Mecenas. Mencenas. Ya. Os
teus mecenas. B.
iam lá de vez em quando cenas, mas que
são teus bros, né? Eh, teus amigos e não
só amigos de amigos. Ya. E eu mostrava,
divulgava dessa forma. Vamos. Pá, eu
como te estava a contar, eu queria
começar este episódio a a replicar esta
tua cena. Uhum. Do Mete aí os fontes
para ouvires. O como é que se chama este
[Música]
som? Passi. Mete na pausa.
Isto foi um instrumento que mudou a tua
vida. Olha o akai. Não é, eu vou-te
dizer uma coisa. Diz um cartão vermelho
já para ti. Porque estou porque estou a
ouvir isto no YouTube. Não, em vez de no
teu canal. Porque eu não sei o que é que
tu estás a falar.
Isto és tu, certo? Mas o que é que tu
disseste? Que que não sei? Não me lembro
o que é que
disse. Sim.
O o
sample o que é que disse
mal? Espera aí.
Se vires uma grande obra minha, imagina,
eu faço graffiti. Eu faço graffiti. Eu
fiz o
melhor
graffiti. Eu fiz o melhor graffiti que
tu já viste ontem num
comboio. E tu metes-me agora aqui o
graffiti e diz assim: "Samuel,
espetacular este grafiti que ontem
vandalizaste ali no comboio de raiz.
Farias isso?
Não. Porque é que não
farias? Ó pá, segue o raciocínio. Para
que é que não
farias? Por e por é ilegal.
Ah, é isto? É
ilegal. Fala de outra coisa.
Ok. Ó pá, isto foi lindo, foi. Gostei
desta atenção. Foi, foi refrescante. Não
acontece muito no despolariza. Ya, não,
mas é na boa. Estou a falar contigo na
boa. É só para tu é uma é uma é um
aperto só para ficares a saber, mas isso
são coisas que temos que falar em off,
mas são regras básicas, estás a ver?
Tens que ter, por isso é que há música,
não percebes o hip hop, tens que
perceber, tás a ver? Ya, sou eu. É sobre
mim. Ya. Não. E h, e há cena da pessoa,
ya, são certas coisas, são certas
coisas. Eu não sei o que é que tu estás
a falar.
Ya, eu também, pá, não sei de quem é
aquele vídeo. Não faço a mínima como é
que aquilo apareceu. Vais fazer isto até
morrer? Vou. Ya, tens esse perfil. Ya,
porque eu acho que tu vives num estado
de flow. Não sei se és uma pessoa muito
espiritual ou não, mas eu acho que tu
estás
num maneira, o tipo de artista que tu
és. E o a maior dica para mim foi tu
dizeres que tens assim várias gavetas
abertas e vais expando de uma e vais
explando de outra. é de quem não tá a
viver
para pá, tás a ter o que os ingleses
chamam effortless success, não é? Mesmo
que e successo não é vendas, lá está,
mas pá, estás a sem grande esforço só a
fazer aquilo que que a tua alma te puxa
a fazer. Ya, pá, as coisas vão
aparecendo e a vida vai sendo
relativamente boa ao que parece e tens
prazer na tua vida. E pá, isso é isso é
lindo. Ya. E sou muito grato por isso,
pá. Estou mesmo, sou mesmo feliz a fazer
o que faço e e sou um privilegiado. Sou
privilegiado desde sempre que fui
privilegiado desde a minha educação,
desde e até respondendo sem sem ser em
rima, não é, à tua pergunta inicial,
sempre fui muito mimado até também, né,
pelo pela pelos meus avós eh maternos,
pela minha mãe,
hum,
sempre e mesmo mesmo o meu pai, meu pai,
mesmo a nível artístico, sempre me
apoiou imenso, sempre me apoiou imenso,
mesmo numa numa fase em que nós estamos
a tentar descobrir aquilo que queremos
ser, né? Aquilo que tu e e imagina neste
caso, tu quereres ser algo que ainda não
existe. Estás a ver? Eu isto aqui vai
parece um bocado arrogante, mas tem que
ser específico, que é imagina tu
quereres ser viver da vida, a fazer rap
e isso ainda não é uma profissão
palpável, estás a perceber? Não é uma
profissão, muito menos um rapper
independente. Estás a saber? E e a nossa
geração já era contra cultura,
antisistema, não queremos
editoras, estás a ver? Iegal. Estás a
ver? É uma coisa à parte, marginal,
quase de forma orgulhosa. Estás a ver?
Então, eu eu nesse aspecto sempre fui um
privilegiado de de poder contar com a o
apoio dos meus pais para poder
concretizar algo que não era fácil. Era,
olha, deixa lá o miúdo pode ser que dê
alguma coisa, né?
E e e foi mais ou menos na altura em que
eu em que eu fui para uma escola de
cinema e estava ao mesmo tempo a gravar
o meu primeiro álbum em
casa e aí começam os primeiros concertos
e e no o Porto foi
fundamental. É assim, eu iria sempre
fazer música de qualquer das formas, não
é? Mas uma pessoa também não pode negar
que para te profissionalizares e fazeres
dinheiro com música, claro que tu
precisas das pessoas, né? Precisas de
que as pessoas gostem da música, né? Mas
eu iria fazer música de qualquer das
formas. Eh, mas o o Porto quando vou lá
com o com o primeiro trabalho, com o
Entretanto e o Mundo I me convidou que
faziam lá noites no Art Clube, foi a
primeira vez que eu assisti a pessoas
realmente a a gostarem das minhas
músicas e a celebrarem a e de forma
eufórica, porque até até à data em
Lisboa era um pouco mais hostil, estás a
ver? Era um pouco mais as noites do
ataque verbal
também. Também as noites do ataque
verbal também. Também eram, também eram
astis. Exatamente. Era, não sentias o
que sentiste no Porto. Então, não, não,
não, não, não. Do ataque verbal que foi
em 97 era era mais a cena ya, de
microfone aberto, né, que era a cena e o
open mic. Ya. E era tipo e aconteceu
mesmo. Eu, como eu digo nessa na música
retrospectiva de me fundo, não feches os
olhos, senão o micite da mão. Ah, ya,
isso e eu fechei os olhos e um rapaz
tira o microfone da mão e era um pouco
mais hostil nesse sentido. Enquanto e
deve ter sido pesado. Hã. Estava muita
gente a ver. Alguma alguma era no Johnny
Guitar. Ya. E ficas ali é é um
bocadinho. É uma pessoa que hoje em dia
até meu é é meu amigo. Lá está. Olha,
fazendo um paralelo com aquelas cenas de
celas quando se têm a conhecer. Há ali
uma coisa, mas depois acabas por o
respeito depois há de aparecer. Isso é
Cascais. Hum. O Johnny Guitar onde é que
era? Não, em Santos. Em Santos. Em
Santos. Santos. Ya. E então foi, pá,
pronto, foi uma coisa muito muito fixe
que foi a cena no Porto. Eu senti
mesmo, ya, e isso não nego que dá que dá
que dá dá dá-te uma força maior para
continuares a fazer música. Mas mesmo
que não tivesse, eu iria sempre, aliás,
se de hoje para amanhã ninguém de mais
ninguém quiser ouvir, eu vou continuar a
fazer música, né? Não, porque esse foi o
princípio do início e respeitar sempre
aquele puto. Boa, meu. Olha, foi um
privilégio enorme. Obrigado. Obrigado,
Belma. Obrigado. Obrigado. Vai ficar.
Estou curioso para para ver para me ver
depois a reagir à à tua a tua a tripares
comigo. Não, na boa, na boa, mano. É na
boa. Não, não é para não é não é não é
chatear. É só sem TV amanhã.
aqui de destroidos pela Não, não, não,
nada disso, pá. Foi um prazer estar aqui
contigo, pá. Podimos falar de mais 1
coisas, mas tá bom, tá bom. Não sei. Até
tive aqui uma ideia que foi um dia, se
tiveres assim, pá, uma música que não é
single e que não é assim muito, não é
assim muito importante para um disco
novo que tenhas, hum, eu curtia fazer um
videoclipe. Eu já fiz videoclipes
também. Já fiz um lipop. E qual foi? Pá,
fiz um do João pequeno do Verdade ou
consequência. O táxi? Não, não, não.
Essa foi música C o Dino, não é Din? Ya,
ya. Não fiz esse. Depois fiz uma para o
Pedro Lucas e pronto, já fiz assim umas
brincadeiras, já fiz uns anúncios e tá a
pensar, pá, eu como mais ou menos beito
da fo e a perspectiva de um beit da fós
de chelas, o beit de f à Chelas e filma
da sua perspectiva. Mas, mas e pá, o Não
tens que pôr nessa caixinha, mano. É
tipo, qual é? Não, eu não ponho nessa
caixinha. Não põe essa gajinha, mas mas
efetivamente saíram lotarias sociais
muito diferentes. Então é fixe, é fixe
misturar. Mas o que é que é uma e pá, eu
eu não vejo a cena assim tão diferente,
mano. Eu eu também não vejo a cena
diferente e por isso é que quero fazer,
que é tipo para explorar
o que h mais o que nos une do que o que
nos para. A única cena que eu não gosto
realmente é quando essas pessoas têm um
fascínio meio National Geographic, estás
a saber? E nem as pessoas do bairro
gostam de ser utilizadas como tal. E
isso é uma mágoa que eu até tenho dentro
de mim, que já fiz essa ponte algumas
vezes. Ah, um documentário. Eu quero
fazer um documentário sobre a cultura
hip hop. Ah, é? Olha, fixe, pá. Fixe,
fixe. Olha, Samuel, consegues-me
apresentar mais pessoas? Ya, consigo.
Mas depois no processo, ya, tu já tás no
bairro e tás no bairro, começas a ficar,
ah, ah, ele, eles são negros e não sei
quê, a família, a cultura, não sei que
mais. E parece que ficas fascinado como
se fosse uma uma um jardim zoológico. A
sério, é uma cena horrível. Ou então
fotógrafos depois tiram fotos de surra
ou tentar filmar, ah, ó, tenho que ter
mesmo ganhar o prémio no festival de
curtas do não sei quê, pá. Ya, e isso é
feio. Eu já, eu, por exemplo, eu já fui
excluído, imagina, eu fui a pessoa que
deu a ponte para tu chegares a estas
pessoas e tu falaste-me que era um
documentário da cultura hipop, mas de
repente começaste a estar em ambientes
tão que não estavas à espera que de
repente o documentário já não é da
cultura hip hop. E eu até saio do
documentário, ou seja, não
sou não sou branco, estás a ver? É,
vamos pôr as coisas mesmo assim. Sou
branco. Ya. Então sai, sai do
documentário. Que é para quê? Que é para
depois o branco que fez o documentário
que teve nos bairros a mostrar às
pessoas no festival que também não
costumam visitar estes espaços e também
estão a ver os jardins zoológicos a
bater palma. Ah, tipo, conseguiste ir lá
uma medalha, toma o urso de Berlim, toma
o não sei quê, escurdas não sei quê.
Fogo, isso para mim é que é horrível.
Isso para mim é que é horrível. Agora,
se fores de forma genuína e veres as
coisas como elas são, eh, pá, isso
aí dá para ver quando há sangue suugas
que que às vezes querem usar e as
pessoas e o ambiente como se fosse uma
cena sensacionalista, né? Então, há uma
há é algo que eu que eu que eu que eu me
oponho. Não, não, não gosto disso. Eu
gosto mais do for us by us, mas a cena é
tu podes ser um um de
us de vocês. Ya, ya. Nós somos a mesma
coisa. Folarias. É sobre isso.
Exatamente. Nunca seria nessa nessa
ótica. Tens tens que ver um um vout-te
mandar um videoclipe meu para tu veres.
Quero ver. Sim, senhora. É diferente.
Obrigado, mano. Pronto, meu. Obrigado. E
obrigado a todos que tiveram por aí. H,
se puderem, deixem um like, subscrição,
comentário, essas coisas ajudam todas.
Se quiserem fazer parte da comunidade há
um link na descrição. E por hoje é tudo.
Obrigado. Obrigado mais uma vez.
Obrigado, man.
[Música]
altamente, meu
Ask follow-up questions or revisit key timestamps.
O vídeo é uma entrevista com Sam da Kid, um artista multifacetado conhecido pelo seu trabalho em música, poesia e vídeo. A conversa aborda a sua trajetória como podcaster profissional, a evolução do seu canal desde um blog, a influência da pandemia na criação de conteúdo e a sua aversão ao sensacionalismo e clickbait em plataformas online. Sam da Kid detalha a sua infância em Chelas, descrevendo o bairro como multicultural e seguro, contrastando com o preconceito externo. A entrevista aprofunda-se nas suas primeiras memórias musicais, o impacto da televisão e rádio na sua formação, e como a dança break e a música eletrónica o influenciaram. Ele discute a criação de música, a importância da poesia e das letras, e a sua visão sobre a indústria musical, criticando a invenção de subgéneros por jornalistas e a natureza comercial de alguns projetos. Sam da Kid reflete sobre a sua música "Hereditário", a inspiração na história de amor dos seus pais e a importância de criar arte intemporal e autêntica. Ele também aborda a diferença entre música comercial e arte autoral, a autossuficiência do rap "DIY" (faça você mesmo) e a evolução da sua própria arte, desde os primeiros trabalhos até aos projetos mais recentes. A conversa termina com reflexões sobre a importância do respeito, da inspiração mútua e da autenticidade artística, mesmo diante das pressões comerciais.
Videos recently processed by our community