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#105 ESPECIAL GPP (c/ PEDRO ON THE ROAD) - Bissexualidade, Moralidade, Clones, Racismo, Patriarcado

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#105 ESPECIAL GPP (c/ PEDRO ON THE ROAD) - Bissexualidade, Moralidade, Clones, Racismo, Patriarcado

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3858 segments

0:01

E isto não retira nada de toda a maldade

0:04

que foi feita, não é? Toda a maldade que

0:05

foi feita.

0:06

>> E não retira nada do racismo que há

0:07

efetivamente de brancos para

0:08

>> e não retira nada de do facto de muitas

0:12

vezes pessoas racializadas no ocidente

0:14

terem dificuldade porque [música] ainda

0:17

existem ecos disso.

0:18

>> Pronto, já fizemos todos

0:20

[risadas]

0:22

e não tira nada.

0:23

>> Pronto, mas mas é extremamente racista.

0:25

Eu tive uma mulher na minha descudente

0:27

de solteiro. É verdade. Eu não tive.

0:28

>> Por isso eu sou um

0:29

>> hoje em [música] dia

0:29

>> grande feminista.

0:30

>> É verdade. Eu não tive. Tu nãoeste.

0:32

>> Hoje em dia teria tido, mas na altura

0:34

era um jovem desinformado. [música]

0:35

>> Observador

0:35

>> acerca da natureza da vida.

0:43

[música]

0:48

>> Muito boa tarde se o Deus da razão pura

0:50

assim quiser. H. Sejam bem-vindos a mais

0:53

um episódio de Expolariza. O meu nome é

0:54

Tomás Magalhães e hoje temos um episódio

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especial GPP com o Pedro On Rove.

0:58

Bem-vindo.

0:59

>> Olá. Obrigado.

1:00

>> Explica aí o que é que é o GP.

1:03

GBP quer dizer guardar para presencial e

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advém de ao longo dos tempos de vez em

1:08

quando calha de eu e Tomás estamos a ter

1:10

um qualquer debate na através do

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WhatsApp e depois um ou ambos

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percebermos [música] que se calhar esse

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debate era mais fixe ter em pessoa. Não

1:18

tem que ser necessariamente um debate

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para ser uma conversa para explorar em

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pessoa do [música] que através de

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mensagens de texto ou áudios. Então,

1:24

começamos a guardar e este é o segundo

1:27

episódio que fazemos deste género, em

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que temos os papelinhos [música] aqui

1:30

com alguns desses GTPs e tiramos e

1:33

discutimos a cena. Ya. E a razão pela

1:35

qual fazemos isto é porque às vezes

1:38

[música] sentimos que, pá, isto é melhor

1:40

falar presencialmente porque tem

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potencial de nos chatearmos, porque nós

1:44

somos amigos e mas h acho que a maior

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parte das vezes é só porque pá, isto não

1:48

dá para falar por escrito [música] e

1:50

acho que é uma acho,

1:50

>> eu não tinha a noção que era com medo

1:52

que nos pudéssemos chatear por acaso.

1:53

Estou aprender isso agora. Mentiros.

1:55

>> Qual? Diz-me qual é que foi.

1:58

Eh, mas olha, no último GPP houve recebi

2:00

várias mensagens de pessoas a dizer que

2:02

adoraram o conceito e que começaram a

2:04

fazer com os amigos.

2:04

>> Eu faço com outras pessoas também agora.

2:06

>> Ei, pronto, por hoje ficamos por aqui.

2:09

Espero que tenham gostado.

2:11

Novos mecenas a quem quero agradecer.

2:13

Gabriel Alencar, Diogo Rodrigues, David

2:15

Sousa, Anabela Paula, Ana Maria Moniz,

2:17

Miguel Vidal, Marisa Couto, Inês Colaco,

2:20

Fred Sousa, Francisco Palma, Santi

2:23

Santos, bom nome, e Catarina Guimarães.

2:26

Muito obrigado a estas pessoas que se

2:28

juntaram à comunidade e também queria

2:30

aproveitar h pronto, eu digo sempre mais

2:33

ou menos a mesma lenga lenga no início

2:34

sobre o que é que é a comunidade e o que

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é que as pessoas tenham acesso, mas

2:38

pronto, como o Pedro costuma ir aos

2:40

encontros e aos jantares e assim, hã,

2:43

pá, siga a aproveitar para também ter

2:45

assim outra voz. Porque é que tu achas

2:47

que as pessoas tornam-me cenas do

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despelariza? Eu acho que o pessoal

2:51

torna-se mencionar exploriza,

2:54

provavelmente identificam-se com o

2:56

projeto. Acho que há muita gente que

3:00

meio que às vezes sente-se um bocado

3:04

não necessariamente

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oprimida, mas sentam que explorar

3:09

algumas ideias de alguma maneira. Não é

3:12

necessariamente ir com aquilo que eles

3:14

acham. E eu até discordo um bocado que

3:15

seja dessa perceção, mas com aquilo que

3:17

eles acham que seja a narrativa mais

3:19

aceito comumente, tipo, por exemplo,

3:22

quando alguém tem uma opinião, imagina

3:25

sobre aqueles mais rotopics de do aborto

3:28

ou da transia, coisas assim, que seja um

3:30

bocado mais fora

3:32

daquela narrativa que as pessoas

3:33

assimam, por exemplo, à esquerda e que

3:35

acham que é vigente e que é aquela que

3:37

nunca pode ser questionada. Eu acho que

3:38

não é bem assim, mas ainda que mas essas

3:40

pessoas acham e sentem-se muitas vezes

3:42

que não há grande espaço para poderem

3:45

falar disso abertamente. Quem diz para

3:47

esse lado diz também para o outro,

3:48

apesar de haver, acho eu, há um uma

3:51

tendência,

3:53

mas

3:55

e o pessoal vai atrás disso, acho eu,

3:56

porque também tu acabas por

4:00

promover muito essa ideia.

4:02

>> Ya, sim. Obrigado. Pá, eu achei que as

4:04

pessoas, porque já já houve pessoas que

4:06

me disseram isso, acho que há muita

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gente que acha que os encontros são uma

4:10

coisa mesmo formal, com uma emoção em

4:13

cima da mesa e que se vai para lá

4:14

debater ou assim e pronto, pá, na

4:17

verdade são só jantares, copos,

4:19

conversas. H, e o pessoal é isso, pá,

4:24

tem-se criado amizades, casais e

4:29

despolar,

4:29

>> ya, desplaind e é mesmo bonito, pessoal.

4:33

Eu sei que é difícil sempre para mim

4:34

falar disto porque eu sou a parte

4:36

interessada, não é? Porque e sou o

4:39

criador deste projeto e e estou a tentar

4:42

vender-vos alguma coisa, mas mas sinto

4:44

mesmo que tem valor para as pessoas. E

4:46

então

4:47

>> os os e e dizer os retiros, mas de certa

4:50

forma também

4:51

>> não não são retiros.

4:53

>> Ya, retiro hoje em dia, estou a cometer

4:54

o erro comum hoje em dia de chamar a

4:56

qualquer ajudamento, por mais de madeira

4:58

que seja, um retiro.

4:59

>> Ah, é os f de semana. Os encontros,

5:01

>> ya,

5:03

>> são bué bonitos, na verdade. Tipo, eu eu

5:05

fui só não fui ao último, acho eu,

5:07

porque fui operado. Uma desculpa válida,

5:12

mas ya, é fixe haver,

5:16

é fixe pertencer a um grupo, uma espécie

5:18

de subtribo, das várias subtribos nas

5:21

quais nós nós nos encontramos. E é fixe

5:24

também perceber que, tipo, não é o meu

5:26

caso, mas é fixe também perceber que

5:30

algumas pessoas que parece que

5:33

não sentiam tanto espaço na no sítio ou

5:37

na cultura de onde vinham ou seja o que

5:39

for e encontraram ali tipo uma subtrib.

5:42

Eu achei fixe, achei finito.

5:44

>> Ya. E depois tribalizamos e odiamos as

5:46

pessoas polarizadas no fundo. É isso.

5:48

>> Exato.

5:49

>> Mas pronto, antes de começarmos, só

5:51

queria dizer mais uma coisa que é o que

5:52

estava a dizer ao Rui há bocado, que é

5:53

eu acho que aquilo é muito um lugar,

5:55

aquilo os encontros presenciais. Há

5:57

muita gente que que não vai a nenhum

5:58

encontro presencial, mas os encontros

6:00

presenciais são o pior negócio de sempre

6:03

a nível de de marketing word of mouth,

6:06

de contar um amigo, porque eu acho que

6:08

serve o propósito precisamente das

6:10

pessoas estarem com pessoas fora do seu

6:12

grupo de amigos do costume. Ah, então

6:15

não querem dizer aos amigos da sem cenas

6:17

>> porque querem continuar a ter o espaço

6:19

que é pá aquele grupo de pessoas com

6:21

quem eu estou e com em conversa e cops

6:23

que não é do meu grupo de amigos

6:25

>> mais ou menos. Tipo, eu consigo pensar

6:27

em no meu caso, em alguns amigos e

6:29

amigas que entretanto, mas também não

6:32

foi necessariamente por eu ter chamado,

6:33

não é? Percebo, não tenho nunca tinha

6:35

pensado nisso.

6:36

>> Ya, já houve houve alguns meceras que me

6:38

disseram diretamente isso.

6:40

>> OK.

6:41

>> Pois já. Então, pronto, vamos tirar

6:43

papéis. hh temos aqui dois eh

6:46

recipientes

6:48

e vamos começar por por tirar deste e

6:50

depois vamos tirar deste. Mas antes

6:51

disso temos um uma frase para começar o

6:54

episódio.

6:55

[risadas]

6:57

Enfim, este na verdade não é bem um um

6:59

GPP, porque isto fugiu hoje em que eu

7:04

hoje estava a acabar de acabei a vir

7:06

aqui para o estúdio de ouvir um livro

7:07

sobre a bissexualidade,

7:10

especificamente sobre bissexualidade,

7:12

que foi moderadamente interessante. Foi

7:14

interessante perceber, por exemplo, que

7:17

é pessoal que mesmo dentro da

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comunidade, neste caso LG, também tende

7:22

a levar com algum tipo de preconceito.

7:24

Não estou a dizer que toda a gente

7:25

dentro da comunidade LG é preconceituosa

7:27

para como salvxual

7:29

e e pá, entre todo entre o papel

7:31

histórico, toda uma cena.

7:32

>> Ah, mas diz a frase, meu.

7:34

>> Mas ao acabar o livro, isto não foi

7:37

necessariamente

7:39

por nada que eu estivesse a ouvir no

7:40

livro, acho que foi por estar a pensar

7:42

no no tópico, eu dei por mim a pensar

7:44

que eu desejo que o meu filho seja

7:49

bissexual.

7:51

[risadas] Eu

7:55

estar-me a rir pode para ser super

7:57

bissexual fóbico, mas é só porque a

7:59

frase tem muita piada.

8:01

>> Nunca ouvi ninguém a dizer.

8:03

>> Ya, mas

8:03

>> então conta lá, Pedro, como é que v

8:05

parar esse lugar. para mim importante.

8:07

Não quer dizer que eu vá fazer nada

8:11

nesse sentido, que eu vá tentar eh

8:14

manipulá-lo ou influenciá-lo nesse

8:16

sentido, mas quer dizer, no mínimo que

8:19

também não vou estar a impor barreiras a

8:23

qualquer tipo de conceito dentro desse

8:24

género que possa aparecer. Portanto, não

8:26

vou promover, mas também não vou travar.

8:29

Tendo dito isso, pá, isto é uma cena que

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pode parecer um bocado mais frivola à

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superfície, mas eu acho que é mais

8:37

interessante, é mais profundamente mais

8:39

friívola porque ya, tipo, vais sair,

8:41

tens possibilidade se [ __ ] mas não,

8:44

mas não, não é, não é por aí,

8:47

>> é

8:49

mais é por aí, mas é por também por

8:52

muito mais que isso, que é tu tens,

8:55

obviamente não tens

8:57

o dobro de pessoas com quem te podes

8:59

envolver, porque as pessoas do teu

9:01

género, na sua maioria, vão ser

9:03

heterossexuais. Portanto, não é que

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tenhas necessariamente o dobro, mas de

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repente, se tiveres interesse romântico

9:09

e ou sexual por dois géneros em vez de

9:12

um,

9:14

tens mais possibilidades de explorar e

9:16

de divertir e de descobrir a essência,

9:19

não é a essência da vida, mas tipo parte

9:20

da essência. Mas é só isso. É, esse é o

9:23

único argumento, porque imagina, tu

9:24

tens,

9:24

>> pronto, ter uma vida mais,

9:26

>> tens 4000 milhões de mulheres, não é

9:30

suficiente. Isso é a mesma coisa que,

9:32

pá, vais a um restaurante e tens uma

9:35

montanha de comida da melhor do mundo

9:38

para comer e dizer que pá, era mais fixe

9:41

ter duas mesas

9:44

>> e quando tu nem sequer consegues começar

9:46

a comer metade das coisas incríveis,

9:48

certo? Pá, usar, desculpa lá, usar a

9:50

metáfora comer é particularmente feia,

9:53

porque parece que estamos a falar de uma

9:55

maneira mesmo superficial, mas pronto,

9:57

vamos continuar.

9:57

>> Tu achas que o Dom e as mulheres são

9:58

iguais?

10:00

>> Acho que em média são diferentes. Acho

10:02

não, é um facto. Em média são

10:03

diferentes.

10:03

>> Mas estás a falar com se achas que são

10:05

iguais, porque quando estás a falar dos

10:06

4000 milhões de mulheres que tens e tipo

10:08

que se isso não chega, a única maneira

10:10

disso não chegar é se as mulheres foram

10:12

iguais aos homens. Mas tu achas que as

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mulheres e os homens são diferentes e

10:16

que podem proporcionar experiências

10:17

diferentes às outras pessoas? Isso é

10:19

discutível, mas se achas isso, então

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aqueles 4000 milhões podem efetivamente

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não ser suficiente para ter todo tipo de

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experiência que uma pessoa pode ter.

10:28

>> Ah, tá bem. Mas há uma cena spectro,

10:30

>> há uma cena que agora tá a aparecer no

10:32

nas redes, não sei se já ouviste falar,

10:34

mas que é amigos, [risadas]

10:36

>> que é podes ter amigos e viver coisas

10:40

incríveis com pessoas. E tu achas que

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uma relação de amizade é tão

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>> Tu achas que uma relação de amizade é

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tão Eu estou a perguntar com Não é como

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se eu tivesse já uma resposta também

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estou a pensar nisso. Achas que uma

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relação de amizade consegue ser tão

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profunda como uma relação romântica?

10:55

>> Sim.

10:57

Ah, para quem tava a ouvir, eu fiz um

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gesto de apontar para o Pedro romantic

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para nós os dois romanticamente.

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Neste caso, não romanticamente, mas pá,

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acho que é mas há um há há uma

11:07

>> OK, eu percebo.

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>> Há uma dimensão da nossa relação que nós

11:10

prov

11:10

>> Pronto, mas é voltando ao restaurante e

11:13

o a mesa que nova que iam pôr, se calhar

11:16

vai ter coisas novas, sim, mas acho que

11:18

pá acho que não, acho que estar a pensar

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nisso não é uma prioridade. Mas percebo,

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pronto, percebi a ideia. Para mim também

11:24

não é uma prioridade. Isso é uma cena

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que me surgiu e como eu fiz questão de

11:27

ver, não é que eu vá, não tenho nenhum

11:28

plano. Mas

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>> no fundo, ter uma experiência íntima e

11:33

ou sexual com uma pessoa, com os dois

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géneros durante a tua vida

11:38

>> e ter essa pergun

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>> à partida é uma experiência de vida mais

11:41

completa.

11:42

>> Ya.

11:42

>> Ou mais pronto. Ok.

11:44

>> Achas que não é mais completo?

11:47

>> Pá, acho que há tantos há tantos tipos

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de mulheres e de homens. Aquela frase

11:51

que tu perguntaste no início de tu achas

11:53

que os homens e as mulheres são iguais

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ou são diferentes? Eu disse em média são

11:57

diferentes. Disse em média. dentro do

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dos homens e dentro das mulheres tens

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tudo hoje em dia. Então, se OK, se

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quiseres falar em termos de

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grandes esferas de tipos de

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personalidade e coisas assim, sim, eu

12:14

não curto nada a cena de ah uma

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personalidade mais masculina ou mais

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feminina, mas usando isso só para

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facilitar, tens homens que desse

12:21

espectro no qual eu não acredito possam

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ser maisinos do que mulheres e tudo

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mais,

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mas não há o tipo etos, estás a ver?

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Tipo, o facto, não, o facto de tu

12:31

olhares

12:32

>> e ser uma mulher com quem

12:37

ou um homem, tipo, acho que deve ser um

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bocado diferente. Eu nunca me senti

12:41

romanticamente atraído por nenhum homem,

12:43

portanto não sei muito bem.

12:45

>> Então, esa aí pode ser. Imagina que era

12:48

o Noé. [risadas] Imagina o Noé ver isto

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no YouTube daqui a muitos anos. Coitado.

12:54

Podias dizer: "Olha, ele vai- se

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envolver só com homens e com homens

12:58

trans." Não é a mesma coisa?

13:01

>> Ou seja, são biologicamente mulheres,

13:03

que era o que tu querias ou não? Ou

13:05

querias a expressão de géo?

13:06

>> Não, mas se queres meter trânsito, eu

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então desejo que se envolva com os os

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três géneros ou tudo. Sim. Percebes?

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Tipo, não haver não haver

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barreiras ou tipo de dentro daquelas

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cenas mais óbvias, né, tipo faixas

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etárias e coisas assim, não haver

13:23

espécies, não haver barreiras a às

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experiências que que ele e no fundo ao

13:30

dizer disto de Noé, no fundo estou a

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dizer para toda a gente, não é? Só que

13:33

como é uma filha, eu penso nele, mas

13:36

eu acho que seria mais fixe para toda a

13:37

gente se o pessoal tivesse muito menos

13:39

barreiras dentro da das pessoas com quem

13:42

se pudessem envolver romanticamente ou

13:46

sexualmente. Podemos pensar, ya, em

13:48

termos globais, será que isso poria um

13:50

bocado em em questão humanidade e assim?

13:52

Pá, não necessariamente, porque os

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casais homossexuais também têm desejos

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de ter fins e assim e esses filhos

13:58

continuariam a ser gerados,

13:59

provavelmente. Mas isso é toda uma outra

14:00

história.

14:00

>> Ya.

14:01

>> Achas que a zofilia é imoral?

14:04

>> Ó pá, é assim, citando o nosso amigo

14:06

Louis C ou parafraseando, neste caso,

14:09

ele tenho um bit, não sei se te lembras

14:10

bem que ele tá a dizer, ó pá, fala: "Ah,

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um gajo estava sexo com macaco,

14:16

>> com macaco?"

14:17

Ya. Ele diz: "Ó pá, mas eu não acho que

14:18

seja imoral se a macaca tiver lá tipo:

14:21

ya, caminha".

14:24

Porque iam estar os dois a despertar.

14:25

Não, não sou familiar a subir.

14:27

>> Não, não sou familiar. Mas, mas

14:28

>> pá, faz gente se

14:30

>> só ver consentimento.

14:32

>> Ya, não sei, tipo, não me quero

14:34

comprometer com a minha resposta, mas se

14:36

a macaca tiver tipo mesmo bué afim,

14:39

>> mas será que tipo a dinâmica de poder é

14:41

diferente e o [ __ ] Temos que

14:42

preocupar com isso.

14:45

OK, vamos avançar.

14:46

Isto ficou muito, muito sujo, muito

14:49

rapidamente impressionado. Eh, pronto,

14:52

então já sacar um daqui.

14:55

>> GPP, guardar para presencial.

14:57

>> Olha, como é que tu não tás como é que

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estás só doente duas duas vezes por ano?

15:01

Tipo, a última vez que tiveste foi

15:03

quando o Fábio, estavas sempre a

15:04

decidir.

15:06

Estás doente mais do que duas vezes por

15:07

ano.

15:07

>> Não, isso o episódio com o Fábio foi

15:10

para aí em setembro,

15:12

já estamos em janeiro.

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H, ya, mas já não fique doente assim a

15:17

sério. Hoje em dia é muito raro. O barco

15:20

de Sandel. Então, eu não sei se ah, ya,

15:22

nós discordamos sobre isto. Barco de

15:24

Sandel. O que é que é isto? No fundo, no

15:26

século XIX, no final do século XIX,

15:29

houve um caso chamado The Queen Against

15:33

Dudley and Stevens.

15:35

E a história é a seguinte. Houve um

15:36

barco que encalhou. Encalhou ou ficou

15:39

destruído, não sei. O que interessa é

15:40

que ficaram quatro pessoas num num

15:42

barquinho pequeno e há fome, não é?

15:46

começar a passar fome, passar sede. E o

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que acabou por acontecer é que os três

15:50

mais fortes comeram o cabin boy, que eu

15:54

não sei dizer em português, o o rapaz, o

15:56

rapazinho das tarefas que ia no barco

15:58

foi comido para os outros poderem

15:59

sobreviver.

16:01

E no meio dessa história, houve um

16:02

momento em que eles contemplaram de

16:03

tirar à sorte quem é que ia ser comido

16:07

pelos outros, porque assim pelo menos

16:09

três sobreviviam.

16:11

E o Michael Sandel no curso Justice que

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tá no YouTube, é um curso espetacular de

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de Harvard que ele dava, h, faz um

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cenário que é, imaginem que eles os

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quatro aceitavam, OK? Nós os quatro

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aceitamos que se nos calhar, imagina que

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eram quatro papéis, se me calhar o papel

16:28

a dizer que eu vou ser comido, eu vou

16:30

aceitar. E os quatro naquele momento

16:33

realmente acreditavam naquilo e estavam

16:36

dispostos a a morrer para os outros

16:38

poderem ser comidos caso lhes calhasse o

16:41

papel do azar, não é? O papel de serem

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comidos.

16:45

Tirem o papel e imaginem que imaginem

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que me tinha calhado a mim e eu abria o

16:52

papel e via que eu ia ser comido pelos

16:55

outros. Eu

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acho que teria legitimidade em dizer-vos

17:02

que eu não sabia qual era a sensação de

17:07

morte iminente que eu nunca tinha

17:08

sentido na minha vida. Eu quando fiz a

17:11

promessa estava a ser verdadeiro

17:13

convosco e achava mesmo que eu ia

17:15

conseguir e que ia querer morrer caso me

17:17

calhasse o papel. Mas eu neste momento

17:20

estou num estado de consciência

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alterado, se quiseres, em que realmente

17:24

sei o que é que isto é, a morte iminente

17:27

e não quero morrer.

17:29

E a questão é, a palavra do passado vale

17:33

mais do que a palavra do presente

17:34

moralmente. Claro que legalmente eu acho

17:37

que deveria valer porque senão seria um

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caos jurídico, não é, no mundo todo,

17:41

porque um contrato não valeria nada. um

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contrato comigo e pis e pá, mas é isso,

17:46

é um contrato que tu fazes. Neste caso

17:48

não é uma lei porque eles não não têm

17:49

ali nenhum notário no barco,

17:51

>> mas ao tu fazeres isso é um contrário

17:53

que estás a fazer.

17:54

>> Mas imagina então que que que nós

17:57

estávamos nesse barco, não nos calhava a

17:59

nós, calhava a outra pessoa e essa

18:01

pessoa dizia-nos: "Olha, eu não sabia

18:03

aquilo que eu disse, eu não sabia qual

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era a sensação da morte iminente, por

18:06

isso eu não quero morrer."

18:07

>> Eu ia.

18:07

>> Matavas?

18:08

>> Matava. É isso. Pois é isso. Por isso é

18:11

que isto é um GPP que discordamos. Eu

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não matava. Mataria. Eu não mataria.

18:16

>> Então imagina, tens quatro pessoas que

18:17

precisam. Não é não é uma cena de

18:20

desporto. É uma cena que precisa de

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acontecer para todos sobreviverem,

18:23

correto? É uma cena que tem que

18:24

acontecer.

18:25

>> Sim. Mas há outras, se calhar há outras

18:26

formas de

18:28

>> Eu acredito que quando o pessoal chega a

18:29

essa opção, já passou pelas outras

18:31

formas todas, não é? Não, o que acabou

18:32

por acontecer é que eles tiveram dois

18:34

dias a debater se faziam ou não à sorte

18:37

e os três mais fortes acabaram por comer

18:39

o mais fraco. Ou seja, há outras

18:40

maneiras de resolver, nem que seja a

18:41

força. Não estou a dizer que a força é

18:43

correta.

18:44

>> Pá, neste neste caso seria a mesma

18:46

coisa, mas mais justo. E aquela pessoa

18:49

que viu a vontade dos outros imposta

18:51

sobre ele, quando quando os outros três

18:53

o mataram e comeram, também de certeza

18:55

que não estava muito contente com isso.

18:56

E isso é ainda mais injusto, porque ela

18:58

nunca

18:58

>> Sim, sim, sim. Eu só estava a dizer que

19:00

que se calhar haveria outras maneiras de

19:01

de decidir, sei lá, quem é que vai fazer

19:04

mais falta à sociedade, quem é que tem

19:05

mais filhos, quem é que não sei. Só que

19:08

eu não eu não eu não vejo as coisas

19:10

dessa forma de, pá, a única maneira de

19:13

decidirmos quem vai morrer é pelos

19:15

papeizinhos. Mas tu podias também fazer

19:17

como estás a dizer de decidir por quem

19:20

tem mais filhos ou coisas assim e o

19:22

pessoal então ya, mas aí não ia haver

19:24

não ia haver concordância

19:27

de todos nunca porque a pessoa e

19:30

consciente ou inconscientemente à medida

19:31

que tá a pensar e pensa e eu sou o que

19:33

faço menos falta, tipo sou mais novo,

19:35

não tenho filhos, seja o que for, ia

19:36

sempre arranjar uma maneira de

19:40

>> não, todos tinham que votar,

19:41

>> mudar, ia mudar o argumento, ia dizer:

19:42

"Eu tenho mais tempo a viver". ou não,

19:44

mas todos tinham que votar, todos que

19:47

imagina, todos tinham que medir o

19:49

sofrimento causado se aquela pessoa

19:51

morresse, talvez através das quantidade

19:53

de pessoas que amava aquela pessoa e se

19:56

calhar também um bocadinho da utilidade

19:57

dela e assim não eras só tu a falar de

20:01

ti, eram todos a julgarem-se uns aos

20:03

outros.

20:04

>> Mas vamos focar muito na no impacto de

20:07

que vai ter nas outras pessoas. Mas

20:08

vamos, mas, mas vamos voltar a, ao, ao

20:10

centro da questão. Tu conseguias então

20:13

nesse momento dizer: "Olha, desculpa e

20:14

matar." Se

20:15

>> foi aquilo que nós combinamos, se já

20:16

passamos por essas cenas todas, ah, quem

20:18

é que tem faz mais falta? Eu acho que

20:20

>> não, não, não. Tirar a sorte só aqui

20:22

>> decidimos os quatro. Eh, ya, sim, porque

20:26

era era isso que nós tínhamos combinado

20:27

e e já agora tá a faltar outra palavra.

20:30

Não, mas o valor então então o valor de

20:33

do desejo dele no presente?

20:38

Sim,

20:38

>> não interessa.

20:39

>> Imagina que eu sei que tu falaste aí da

20:41

cena jurídica e eu não quero falar como

20:43

se não tivesse dito, mas mesmo assim vou

20:45

apresentar este exemplo que é imagina

20:47

que tu tentas roubar um um carro e

20:51

depois tipo

20:53

a polícia apanha-te e tu dizes: "Olha,

20:55

eu na verdade eu eu estou perante a

20:56

ideia de eu ir preso, eu estou-me a

20:59

sentir tão mal com isso que quando eu

21:01

roubei o carro, eu sabia que eu não

21:04

sabia que me ia sentir tão mal quanto me

21:05

estou a sentir agora." Sim, mas eu já

21:07

fiz essa parte que uma coisa é

21:09

>> Mas tu fizeste essa parte para

21:10

estabelecer uma diferença entre um

21:12

contrato e aquilo que estava a acontecer

21:13

no barco e ou aplicar isto à sociedade

21:15

toda ou só no barco.

21:17

>> Aqui só estamos a falar do barco.

21:18

>> Mas cena é que o princípio é o mesmo

21:19

porque continuar a ser o contrato

21:20

daquilo que tá a acontecer no barco, não

21:21

é? É só que é um contrato verbal quando

21:23

as quando as quatro pessoas concordaram

21:26

porque de repente porque aquela pessoa

21:27

mudou de opinião,

21:29

então quem então quer dizer que não vai

21:30

ser ela a morrer, vou ser eu, tu ou o

21:32

outro.

21:34

Pronto. Ó pá, aí se calhar aí se calhar

21:36

podias dizer à pessoa que que tinha

21:38

mudado a opinião, olha agora que já

21:40

sabes qual é a sensação,

21:42

>> siga a fazer outra vez.

21:43

>> Ver duas rondas já melhor três.

21:45

>> Sim. [risadas] Até sair uma vez a toda a

21:47

gente. Não, porque aí o

21:48

>> já sabia já não.

21:50

>> Não,

21:51

>> não. Mas caso esse caso ele aceitasse

21:53

caso esse aceitasse a próxima a ser o

21:55

mesmo a valer. Ah, mas depois outro

21:56

podia dizer a mesma coisa. Claro. Ya,

21:58

>> mas não, mas não, mas mas era verdade,

22:00

não tava combinado.

22:02

>> Não tava combinado que não era a sério.

22:03

Então ele ia mesmo sentir a eminência da

22:05

morte.

22:06

>> Mas só o primeiro, porque depois se

22:08

perdoasse esse também ia ser ter que

22:10

perdoar uma vez o outro e uma vez o

22:12

outro.

22:12

>> Ya, mas o segundo não ia saber. Vamos

22:14

tirar e estou a ver.

22:20

Clone de parentalidade.

22:23

>> Clone de parentalidade.

22:24

>> Introduzir.

22:25

>> Ok. Então, este também sou a introduzir.

22:28

Quando nós entramos nesta aventura

22:30

maravilhosa de ser pai e mãe, eu acho

22:35

que todos nós sabemos que nos vai dar

22:36

trabalho e que vão existir momentos em

22:39

que vamos ter que sacrificar bastante o

22:42

nosso tempo, bastante a nossa atenção e

22:44

por aí fora. Mas acho que de forma geral

22:47

as pessoas sabem que existe valor nisso.

22:50

Existe valor em

22:53

fazer esse sacrifício. Existe valor em h

22:58

existe valor em valorizar alguma coisa

23:00

tanto ao ponto de poder fazer isso à tua

23:03

vida. E há assim uma série de outras

23:06

coisas que efetivamente são, a meu ver

23:09

bonitas relacionadas com os sacrifícios

23:11

que fazes em relação aos teus filhos.

23:13

Então estava a pensar num inventei uma

23:15

espécie de de thoughts experiment, como

23:19

é que se diz em português?

23:20

>> Uma experiência

23:21

>> experiência de passamento. OK. Hum, que

23:23

é a seguinte, para isolar essa variável

23:26

de de considerares importante fazeres

23:29

coisas difíceis, como mudar fralas e

23:30

adormecer,

23:32

hh, quanto é que tu valorizas isso? E

23:34

então, como é que eu tentei isolar isso?

23:36

pela ideia de um clone. Então, imagina,

23:38

tu em qualquer momento da tua vida,

23:40

podias fazer aparecer um clone teu. No

23:43

momento em que ele aparecesse, ele tinha

23:44

todas as tuas memórias e toda a tua

23:46

vida. E no momento em que deixaste

23:48

precisar dele, fazias assim e ele

23:49

desaparecia sem sofrimento.

23:51

>> E ficavas com as memórias dele? Não, não

23:53

ficavas com as memórias dele e podia

23:55

usar esse clone para a meio da noite,

23:58

imagina e teu filho acorda e precisa,

24:00

pá, que vais lá ficar acordado ao lado

24:02

dele durante meia hora dar palmadinhas

24:04

no rabo, podias usar o clone para ir lá

24:07

e dessa forma o teu filho ou filha não

24:10

ia sentir de todo, ou seja, não é ver

24:12

nenhum custo para o teu filho ou filha,

24:14

porque ia ser na mesma pessoa que ele

24:15

ama,

24:16

>> com a mesma cara, o mesmo cheiro, tudo,

24:19

mas não ficavas com essas memórias, nem

24:21

ficavas com esse sacrifício, não é?

24:24

Porque, como eu já disse, acho que todos

24:26

valorizamos um bocadinho que seja um

24:28

bocadinho a beleza de sacrifício.

24:31

Perante isto, quanto é que tu

24:33

utilizarias o clone? E quanto é que eu

24:35

utilizaria o clone? E acho que é fixe

24:38

perguntar aos pais, pelo menos pô-los a

24:40

refletir sobre isto.

24:42

>> Olha, eu acho que hoje em dia

24:44

utilizaria, acho que ao longo do dos

24:48

tempos utilizaria cada vez menos, mas é

24:51

porque mais fácil,

24:52

>> não porque sim, mas porque o meu filho

24:53

tá e tá a ficar mais cada vez mais

24:55

interessante e mais fixe. E tipo, no

24:58

início,

25:00

obviamente eu sentia amor e afeto pelo

25:02

meu filho, mas não foi assim como eu já

25:06

sabia que não que não era com outras

25:07

pessoas muitas vezes, aquele assim

25:09

aquele pico de amor louco. O único pico

25:13

repentino que eu senti foi de

25:15

responsabilidade. assim de ser mais é

25:17

tipo é mais evidente

25:20

e pá estar com ele acordar a meio da

25:22

noite e estar com ele enquanto bebé de

25:23

col e qu era fixe mas sinceramente não

25:26

era altamente não era uma coisa que eu

25:28

fazia gostava e quê mas não não me

25:30

entusiasmo não me entusiasmava sobre

25:32

maneira

25:33

mas depois à medida que ele foi

25:35

crescendo, crescendo, crescendo, tipo

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sinto que tá cada vez mais fixe, tipo, e

25:40

sei lá, neste momento não há assim

25:43

depois eu comecei comecei a gostar mesmo

25:45

de o pôr a dormir e retirar mesmo prazer

25:47

em vez de ser tipo só uma tarefa que

25:49

estava a fazer mais e mais e mais. E

25:52

neste momento há poucas tarefas que em

25:55

que eu usasse o clone.

25:56

>> Mas espera aí, se calhar se fosses um

25:59

pai solteiro,

26:00

>> início, mas não sou. Ya,

26:02

>> mas se fosse um pai, ó pá, a cena das

26:05

memórias faz com que seja um bocado mais

26:06

difícil isso, porque dá para dividir

26:10

essa experiência de pensamento entre

26:12

analisando a parte das memórias ou a

26:13

parte de sabermos que não chegamos a

26:15

fazer nenhum sacrifício,

26:16

particularmente.

26:17

>> Sim, mas não, mas não podes ficar com as

26:18

memórias, não é? É fácil. Sim, porque lá

26:21

está, uma das coisas que tá na balança é

26:24

a memória do que tu fizeste por ele ou

26:28

por ela.

26:29

>> Eu, se fosse um pai solteiro e boas

26:31

memórias, claro,

26:32

>> se fosse um pai solteiro e fosse a única

26:33

pessoa que tivesse que acordar a meio da

26:34

noite quando ele estava a dormir, eu

26:36

acho que no se calhar no início ia

26:38

tentar dizer: "Ah, vou usar só às vezes

26:41

quando tiver particularmente cansada ou

26:42

assim". E depois ia usar uma vez e

26:45

depois dava mais uma bébia, mais uma

26:46

bébia e eventualmente não caía.

26:50

Agora também acho, eu acho que quase

26:53

toda a gente começando a usar

26:56

>> e a

26:58

pá e a começar por abusar. Sim, é mau

27:00

porque

27:02

tipo

27:02

>> no limite se tu usares sempre não

27:04

tiveste um filho.

27:06

>> Outra pessoa teve um filho, não tens

27:07

memórias, não tensou,

27:09

>> não sabes o que é ser um pai e ter a

27:11

dificuldade de ser pai. Estou a falar

27:12

disso em específico, de acordar à noite.

27:14

Tipo, eu não usaria o clone para ir

27:15

buscar um à escola, por exemplo, mas

27:17

acordar a meio da noite, ó pá, ya, sim.

27:21

Eh, e isso não sei, não sei se isso tem

27:24

que ser mau, até porque a própria noção

27:25

de que

27:26

>> não, eu também a meio da noite acho que

27:27

utilizaria, mas tentaria obrigar-me a

27:31

sei lá,

27:32

>> mas porquê? Porque é que nós precisamos

27:33

de, e estou a perguntar junamente,

27:34

porque é que nós perguntamos de

27:35

precisamos de sentir que nos

27:38

sacrificamos para alguma coisa? Tipo, há

27:39

há há mais valor nas coisas? Não, não

27:41

precisas, não é tanto, precisas de

27:43

sentir. Acho que é,

27:46

acho que é interessante. Acho que a

27:48

experiência da parentalidade é

27:50

interessante e até transcendente

27:53

também por ser difícil,

27:55

um bocadinho no início, principalmente.

27:59

>> Não sei. Hum. Porque para já que é

28:02

difícil para mim pode ser fácil para ti

28:04

ou ao contrário. Imagina, se cará, tu és

28:06

uma pessoa que se sacrifica imenso pelas

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outras pessoas a tua vida toda, mas para

28:10

a maior parte das pessoas é

28:13

pá é assim o primeiro momento de

28:18

altruísmo

28:20

a sério na vida,

28:23

de não te pôes em primeiro lugar, de tu

28:25

não seres a, se calhar há muitos pais

28:26

que não, que não são assim, mas de não

28:29

seres tu a coisa mais importante do

28:30

mundo. Eu não estou a questionar isso.

28:32

Não tou a questionar isso de todo

28:35

>> ainda assim.

28:36

>> Sim, o sofrimento não tem parte do do

28:38

sacramento.

28:39

>> Sofrimento não tem valor em si. Sim, eu

28:41

percebo.

28:42

>> Ya, mas então achas que

28:46

>> acho que no início usar

28:47

>> ficaras só com as partes boas?

28:49

>> Não ficaria só com as partes boas. Tipo,

28:51

se o no o noé

28:54

rachasse a cabeça, como já rachou, eu

28:57

não ia usar o clone aí, porque eu ia

28:59

querer, para já ia querer ter a memória

29:00

disso, que era um evento importante, mas

29:03

também

29:03

>> mas porquê? Porque é que ias queria ter

29:04

memória disso,

29:05

>> pá?

29:07

Porque eu foi um evento importante na

29:08

vida do meu filho e eu mesmo tu podes

29:11

escolher ter a memória. O no joga em

29:13

equipas nem nada, mas porque é que os

29:15

pais vão ver os jogos dos filhos?

29:17

>> Não, mas como é que tu sabes quando é

29:18

que vai ser o momento importante? Já

29:19

falamos sobre isto. Noem vai ter vai ter

29:21

a sua primeira memória e como as

29:23

primeiras memórias são sempre coisas

29:24

muito são super aleatórias, eu não sei

29:27

quando é que vai acontecer.

29:28

>> Ya, ya. Estou sempre walking on,

29:31

>> ou seja, por esse por esse por essa

29:33

razão, isso é um argumento de quereres

29:34

estar sempre lá. Nunca sabes quando é

29:36

que vai acontecer uma memória, uma core

29:38

memory.

29:39

>> Sim, mas a meio da noite nós aí é mais

29:42

difícil ser uma core memory que esteja a

29:44

acontecer aí.

29:44

>> Ele é o meu pai me bater a meio da

29:46

noite, tá ligado?

29:47

Mas ya, rasar a cabeça, não só vai ser

29:49

um evento importante da vida dele, então

29:50

quero lembrar-me, como também tenho aí

29:53

um componente, se calhar um bocado menos

29:54

racional e mais emocional de

29:58

porque eu sei que ele vai estar a ser a

30:00

ter recompensa que necessita do seu

30:02

progenitor, do seu pai, como tu

30:04

perfciaste,

30:06

mas eu também

30:09

é interessante isso porque até é uma

30:10

experiência desconfortável e só sofres,

30:11

tipo, não há assim nenhum silver lining,

30:13

não há assim nenhuma aprendizagem nem

30:15

nada No entanto, queria tal, quer

30:18

>> não, eu acho que acho que a sensação de

30:21

depois de tudo ter passado, sentires que

30:23

foste competente naquele momento,

30:25

imagina que era mesmo uma queida grave,

30:27

>> mas se fosse um clone, ele ia fazer o

30:28

que tu farias, então tu serias sempre

30:30

competente, pelo menos terias essa

30:32

capacidade. Portanto, acho que não sei

30:33

se é por aí,

30:34

>> mas não tinhas a memória da tua

30:36

competência,

30:36

>> mas sabias? Tipo, ah, meu clone fez

30:38

aquilo, eu também teria feito logo, fiz

30:39

para mim. [risadas]

30:41

Então, a loser,

30:42

>> não é? A a despistar porque

30:45

>> Sim, sim, sim. Ok. Tira o próximo. Tira

30:47

tu. Acho que eu tirei o último.

30:53

>> Ah, és tu este. Fazer fazer um real a

30:56

criticar amigos. Um real, dois reals.

30:59

OK. Toda a gente no mundo diz: "Vou

31:01

fazer um reals".

31:03

>> Vivem? Sim, quase toda a gente, pessoas

31:05

que vivem disto. Aqui há dias o o Tomás

31:10

fez uma publicação sobre a criticar o

31:14

a comunicação social.

31:17

Não sei. Vale a pena explicar o por o

31:19

que é que suscitou.

31:23

uma publicação com a qual eu discordei e

31:28

e mandei-lhe mensagem e dizer: "Olha,

31:29

estou a pensar em fazer um real

31:33

h a responder ao teu próprio real de uma

31:37

maneira crítica".

31:38

>> Mas desculpa lá, antes diz aí, não

31:39

queres ir ao que já aconteceu? Que é um

31:41

comentário? Sim, isso é o tema mais

31:43

lado,

31:44

>> mas acho que o imagina, acho que o

31:45

primeiro nível é alguém a dizer mal de

31:48

mim e tu comentares ativamente a dizer:

31:50

"Ei, altamente, muito fixe." E o nível

31:52

seguinte é fazer um real.

31:54

>> O tema mais lato é é lealdade e

31:57

percepção de lealdade e a importância

31:59

que que tem e a definição que tem.

32:01

>> Lealdade no contexto da amizade, não é?

32:03

Nem nem só pode ser lealdade para com um

32:05

irmão, mas ok. Lealdade. Ya, tens razão.

32:07

>> Sim. Eh, houve uma vez o alguém fez uma

32:11

publicação a a gozar com Tomás, a

32:13

criticar.

32:15

Eu não me lembro do tema. Eh, mas e pá,

32:19

eu sinceramente também era fixe eu

32:21

lembrar-me bem do que é que eu disse.

32:23

>> Tu lembras? Não, não,

32:24

>> não me lembro, mas não, mas lembro que

32:25

estavas tipo a estavas a celebrar

32:27

aquilo.

32:28

>> Comentei, eu comentei do lado da pessoa

32:29

que tinha feito essa publicação.

32:32

>> Não, mas era mas não era só o

32:34

comentário, era tipo, e altamente

32:36

>> engraçado. Ya. E até foi o meu irmão que

32:39

me disse: "Ei, estás tu e P tão

32:41

chateados? Porque achou super estranho

32:43

um amigo fazer isso a outro amigo". Ya,

32:45

>> é como eu ele

32:46

>> e isto o Tomás não tendo,

32:51

acho que não nunca chegaste a ficar

32:52

chateado nem nada, mas tipo não curtiu

32:54

muito. É, já te conheço, mas não

32:56

ficaste.

32:56

>> Isso começou no Facebook. Primeira vez

32:58

que eu te chamei a atenção. Primeira vez

33:00

que eu lhe chamei a atenção de pá, fogo,

33:02

meu, tu és meu amigo ou um amigo não faz

33:05

este tipo de comentário público. Isto

33:08

aqui tem a ver com a nossa diferença de

33:09

culturas. Eu acho. Era a cena do arroz.

33:13

Ah, isso foi a segunda vez. Sim, eu fiz

33:14

uma piada qualquer e ele eu fiz uma um

33:17

post qualquer que era uma piada e ele

33:19

escreveu lá e escreveu só isto não tem

33:21

piada nenhuma.

33:23

[risadas]

33:24

Tipo, nem fez uma piada em cima, né? Foi

33:26

só isto não tem piada nenhuma. É uma

33:28

merda.

33:28

>> Pronto. É uma cena que eu tenho vindo a

33:30

tentar.

33:32

Às vezes um gajo não tem que ser assim

33:33

tão tão deschovos. É verdade, mas isso

33:37

citou, o Tomás não ficou chateado, mas

33:39

mas também não gostou muito. Isso citou

33:40

uma conversa

33:43

acerca de de lealdade, como estávamos a

33:45

dizer.

33:46

E eu lembro que toda a altura disseste,

33:48

o Tomás disse uma cena que eu não gosti

33:49

muito, foi tipo: "Ah, pronto, OK, tá

33:53

tudo, já percebi. Tu não dás tanto valor

33:55

à lealdade como eu."

33:57

>> Mas eu estava a ser científico. Eu acho

33:59

que é a cena do Jonathan Height, dos

34:02

das sensibilidades morais, dos como se

34:04

fossem sensibilidades para os sabores,

34:06

aquele exemplo que ele dá.

34:07

>> Hum.

34:07

>> No fundo, o Jonathan

34:09

>> Sim, sim. Mas ele, a metáfora que ele

34:12

usa é em moral taste budapilas.

34:15

papilas gustativas morais e que é

34:19

possível que geneticamente e também

34:21

culturalmente, obviamente exista, lá

34:25

está, pode calhar na loteria genética

34:26

social, uma combinação de gênesos e uma

34:28

família onde

34:31

a lealdade não é um sabor moral tão

34:34

importante ou tão presente. Aliás, uma

34:36

das conclusões deles é que a esquerda

34:39

usa três

34:41

papilas gustativas e a direita usa

34:43

cinco.

34:44

e que isso poderá explicar porque é que

34:47

é mais fácil às vezes as pessoas, pá, eu

34:50

não gosto de usar estas palavras, mas as

34:51

pessoas da direita, entre aspas,

34:53

entenderem as motivações e aquilo que a

34:56

gasolina moral das pessoas de esquerda,

34:58

entre aspas, do que o contrário, porque

35:00

a lealdade e a santidade ou não sei bem,

35:03

não estão

35:03

>> sim, eu dis eu acho que é uma e eh a

35:07

igualdade, o valor da igualdade,

35:09

>> não igualdade,

35:10

>> mas uma cena que eu isto é um um certo

35:13

esvivo, mas

35:13

>> mas pronto, este é só para me

35:14

justificar. Eu disse: "Ah, se calar, tu

35:15

não valorizas tanta lealdade." É, era

35:17

semi-científico, não era só um,

35:20

>> mas já agora, isto é moral foundation, é

35:22

moral foundation, é muito interessante.

35:25

>> Tem tem uns buraquitos a outros que eu

35:27

acho 10 anos

35:28

>> falamos disso na altura que é

35:31

>> eu eu eu ouvi esse livro, não li acho eu

35:34

ia a ouvir e lembro-me disso. Eu até

35:36

tinha ideia que o que a direita dava

35:38

valor mais a cinco distribuído e a e a

35:42

esquerda, digamos, a um. Só que ele fala

35:44

de cada um desses seis como tendo igual

35:47

peso. Isso não não é bem assim. Tipo

35:49

alguém

35:50

>> não não fala

35:51

>> fala tipo ele não. Ele

35:53

>> para quem?

35:54

>> Para nós leitores. Tipo ele ele atribui

35:59

ele não diz que um valor é mais

36:01

importante do que os outros. passo que

36:02

eu acho que para mim é evidente, eu sei

36:04

que realmente é é discutível, claro, mas

36:06

em efeitos pragmáticos e no mínimo

36:08

utilitaristas, o alguém que privilegia,

36:11

por exemplo, dentro desses seis valores

36:13

a a igualdade

36:15

de alguém que que privilegia apenas a a

36:19

santidade, por exemplo. Pá, para mim,

36:21

evidentemente, com toda a subjetividade

36:23

que existe na moralidade e não sei quê,

36:25

não estou a dizer que a minha opinião é

36:26

lei, mas um deles é claramente mais útil

36:29

que outro. Sim, já me lembro o texto que

36:31

ele faz que que

36:33

não dá para aceder de Portugal, tá bem?

36:35

Yourmorals.org.

36:36

Ele faz, ele não faz um texto para

36:38

comparar quanto é que tu valorizas cada

36:40

coisa. Ele mostra até dilemas, se

36:42

quiseres, para ver se tu tens

36:43

sensibilidade

36:45

naquela papila gustativa moral. Ou seja,

36:48

tem aquela sobre os irmãos,

36:51

>> os eh dois irmãos adultos fazerem sexo

36:54

com consentimento. Sim. Sim. Pronto,

36:56

coisas que se calhar são um e tu

37:00

sentires que aquilo tá errado ou não,

37:01

mas nunca comparar entre os vários as

37:04

várias sensibilidades. Por isso, Sim,

37:06

tens razão.

37:07

>> Eu não gostei de ouvir isso porque para

37:10

mim não tem a ver com necessariamente

37:14

com tu dás mais valor à lealdade do que

37:16

eu. Tenho a ver com a definição de

37:18

lealdade.

37:19

Para mim, eu

37:22

comentar

37:24

numa cena que não foi assim tão lá,

37:27

tipo, não tava ali a chamar-te nomes ou

37:29

tava estava a gozar contigo e tava

37:31

engraçado. Ya, tava engraçado. E eu

37:34

comentar o ya, um ah, ou uma cena

37:37

qualquer quero que tenha sido, não é de

37:39

todo um desvio da lealdade, mas quçifá.

37:43

Mas para mim é, eu seria pá completo. Se

37:45

o Luís e Kate desse tanga, eu não ia

37:47

comentar. Ou tás a ver, os meus

37:50

comediantes favoritos,

37:53

qualquer um deles, eu não ia não ia

37:55

claretar. Ah, altamente, desculpa,

37:58

Pedro. Mas o facto tu, eu eu tenho por

38:00

acaso pensado um bocado nisto

38:02

recentemente, que é o o quanto nós nos

38:05

usamos como bitola para aquilo que é

38:07

aceitável ou não. E tenho pensado nisto

38:10

e tá pens não me ouvo muitas vezes a

38:13

dizer ah eu também não faria isso ou

38:15

assim tipo o facto de nós fazermos ou

38:16

deixarmos de fazer algo por outra pessoa

38:19

não serve como argumento para nada não é

38:21

>> claro

38:21

>> senã

38:22

>> pá mas desculpa lá é é verdade. eu só

38:25

dizer eu não faria não vale nada mas

38:29

olhar à minha volta os meus amigos, os

38:31

meus irmãos e eu acho que ninguém faria

38:32

isso que tu fizeste

38:34

>> continua a

38:35

>> continua a não ser

38:36

>> não ser um argumento para si eu também

38:38

já é já é n igual a 200

38:41

>> certamente encontro muita gente também

38:43

>> será vou prar aos amigos dele

38:45

>> vou perguntar aos teus amigos

38:46

>> e na verdade não importa porque imagina

38:48

que eu encontrava 10 vezes mais pessoas

38:50

como tu mesmo assim ou um milhão. Será

38:53

que isso tem que ser usado?

38:54

>> Pá, se encontrasse 1 milhão, pelo menos,

38:57

isso deveria influenciar a maneira como

39:00

tu te conduzes no mundo.

39:01

>> Ya. 1 milhão por um, a lealdade é um

39:03

valor subjetivo. Então, provavelmente

39:04

eles teriam

39:05

>> Sim. Imagina a cena é só a cena para mim

39:07

é muito simples. É, pá, eu não quero,

39:12

eu quero que o Pedro goste de mim. Sim,

39:14

mas eu gosto de ti e o facto de fazer no

39:15

comentário.

39:15

>> Não, eu quero que o Pedro goste de mim e

39:17

não quero provocar-lhe um sentimento

39:19

mau, então não vou fazer isto.

39:22

>> Ah, sabes? É pôr isso, é pôr isso como

39:25

um valor mais importante.

39:27

>> Certo. E se tu repensares e eu tenho

39:30

ideia, aliás, a maneira até como eu

39:33

iniciei esta conversa é é prova disso

39:35

mesmo. P tu tens melhorado imenso. Agora

39:37

perguntasme. Sim.

39:39

>> [risadas]

39:40

>> E

39:41

>> isto é um bo é uma boa amizade

39:42

comunicação. Eu digo quando uma coisa me

39:44

magoa snowflake o Pedro tenta-se

39:47

ajustar. Tanto que recentemente, e agora

39:50

sim, eu queria fazer um um real a

39:53

criticar o real, mas lá está, não seria

39:56

a tua pessoa e tu disseste: "Ih, vais-me

39:58

dar trabalho e não sei quantos". Disse:

40:00

"Olha, sinceramente, uma cacar o

40:01

trabalho para dar". Tipo, a questão não

40:02

é

40:03

>> não, a questão não é essa aqui, uma

40:04

questão de princípio.

40:06

>> Agora, ai vai-te dar trabalho porque

40:08

tens que fazer um de volta. Isso é o teu

40:10

problema, não é problema meu. A mim

40:11

também me deu trabalho a fazer uma

40:12

reação ao teu.

40:14

>> Mas porque é que tá, porque é que vais

40:15

fazer a reação? Porque acho que naquele

40:17

caso eu acho que acho que estava de

40:19

errado e até podemos discutir isso no

40:21

>> achas que era bom para Portugal tens

40:23

feito

40:24

>> e h e depois e isto em mim e acabei por

40:29

não fazer dis pá não fico não não sei

40:31

quanto também sem nunca teres dito que

40:33

>> nunca te disse que não podias fazer

40:35

>> que não podia fazer ou que ias ficar

40:36

chateadíssimo. Chateadíssimo. Se fizesse

40:39

não, mas ainda assim acabei por não

40:41

fazer. Mas depois fico a pensar

40:44

tipo pá, será que faz sentido uma pessoa

40:47

filtrar assim tanto quando não é? E

40:49

tá-se bem, não voltei para,

40:50

>> aliás, fui super, desculpa, fui super

40:52

verdadeiro contigo. Disse: "Se achas que

40:53

é importante, faz."

40:55

H, ou seja, disse, disse-te da parte

40:58

racional tudo o que defendia a tua

41:01

vontade de o fazer, mas também não fui

41:03

mentiroso e disse-te, pá, mas se

41:05

fizeres,

41:07

pá, eu não vou não vou curtir muito, não

41:08

vou curtir muito verdadeiro, só

41:12

ou seja, tu valorizas, tu valorizas. Eu

41:15

não curtir muito também, mas não, se

41:17

calhar preferias não valorizar tanto.

41:19

Por isso é que eu comecei um episódio

41:20

com eh boa tarde, se o Deus da razão

41:23

pura quiser.

41:24

>> Se calhar não, mas não sei. Depende um

41:28

bocado. Há há aqui outro papelito, acho

41:30

eu, que dava para fazer ponto agora com

41:33

isto, mas

41:35

>> se for este último?

41:40

>> Não, não é. Ok, mas queres fazer esse

41:42

depois quando aparecer deitamos fora que

41:44

é lealdade também. Acho que sim. Acho.

41:46

>> Sabes qual é que eu estou a falar?

41:48

>> Do acidente e

41:49

>> tropamento.

41:50

>> Tá bem. Então, vamos passar para esse.

41:52

Há aqui outro papel que

41:55

advém de uma experiência de pensamento

41:57

que é

41:59

pá, e já falamos disto há algum tempo,

42:02

mas basicamente uma pessoa

42:06

tá tá em casa e há um amigo,

42:11

quer dizer, com um irmão ainda digo.

42:12

>> Sim, mas pode ser um amigo próximo. Para

42:14

mim a mesma coisa. um amigo próximo.

42:16

>> Quase

42:18

>> é diferente. Eu tenho sinto que tem mais

42:19

obrigações com o meu irmão do que tenho

42:21

com

42:21

>> porque és muito conservador.

42:23

>> Não. Pá, é outra questão, mas

42:25

>> sim, mas pode ser um amigo muito próximo

42:27

ou um irmã.

42:30

>> Escolhe tu.

42:30

>> OK. O amigo e liga-nos às 2 da manhã

42:35

e diz: "Ó pá, aconteceu aqui uma cena.

42:39

Acabei acabei de atropelar alguém e fugi

42:43

e eh

42:46

ele pede ajuda para para alguma coisa ou

42:48

desabaça. Vamos dizer que tá a desabafar

42:50

som. E nós descobrimos que ele se

42:54

tivesse se não tivesse surgido que a

42:56

pessoa tinha tinha sobrevivido.

43:00

E

43:00

>> porquê? Porque ficou atropelada durante

43:03

sozinha na estrada. Vamos imaginante

43:05

hora.

43:05

>> Imaginar. Ya,

43:06

>> por exemplo,

43:07

>> e depois a questão é se nós chibávamos o

43:10

nosso amigo ou não.

43:12

E o que é que tu farias?

43:13

>> Eu não chiar.

43:15

>> Não chibarias. Eh, não, mas não achas

43:18

que

43:22

>> não acreditas no valor da consequência?

43:25

Ou melhor, ou melhor, perguntando, qual

43:26

é o valor que tu dás à consequência de

43:28

um lado,

43:30

FIR?

43:31

>> Então, acho que vou vou vou a seguir à

43:34

consequência. Primeiro quero falar de o

43:36

objetivo

43:38

hh

43:40

o objetivo da da prisão e da multa e

43:43

tudo mais.

43:45

A multa, o que é que existem multas? No

43:47

fundo é para moldar comportamento.

43:50

Também tem um bocadinho de receita

43:51

fiscal, mas essencialmente a ideia é

43:55

moldar comportamento. Estaciones em cima

43:57

do passeio, levas uma multa. Aliás, até

43:59

por isso que em alguns países a multa

44:01

indexada ao CEO da Nokia, uma vez

44:04

apanhou uma multa de meio milhão de

44:05

euros por estar a 200 e tal na

44:07

autoestrada, mas isso é outra conversa.

44:09

Hum. E se realmente for um amigo meu

44:12

próximo ou um irmão,

44:15

pá, e eu acho que vou explorar isso

44:19

realmente é problemático. Ele tava

44:21

bêbado ou não? Eu preciso

44:22

>> tava. Se calhar não faço tanta

44:24

diferença. Tá bêbado, mas pronto. Mas

44:26

ok, tava se quiseres. Eu antes de

44:29

entregar um sistema legal e prisional

44:32

que o vai tratar um bocado como um

44:34

número e como uma

44:39

um exemplo, não é? Vamos fazer um

44:42

exemplo dele. Acho que antes disso

44:44

tentaria explorar se não conseguiria em

44:47

conversa com ele ter o mesmo efeito que

44:50

a prisão e a multa pretendem ter, que

44:53

moldar o comportamento, não é? Prisão

44:54

tem mais uma função. Prisão é é para

44:57

desmotivar o crime, tal como a multa e

44:59

também é para reabilitar e em alguns

45:02

casos também para proteger a população

45:03

de pessoas perigosas.

45:05

>> Uhum. Se eu se eu acreditar que o meu

45:07

amigo ou irmão não é perigoso e que há

45:10

outras maneiras de o moldar, porque é

45:13

que eu vou arriscar que ele se calhar vá

45:15

o resto da vida para a prisão?

45:17

>> Não, não vai resto da vida.

45:19

>> Ah, porque é que porque é que eu vou

45:21

arriscar que ele vá durante 10 anos para

45:23

a prisão

45:23

>> 10

45:24

>> se supostamente o objetivo da prisão é

45:27

reabilitá-lo e moldar o comportamento

45:29

dele para aquilo não voltar a acontecer?

45:31

se há maneiras de o fazer com menos

45:33

sofrimento para ele. Pronto, é um bocado

45:35

por aqui. OK. Eu eu percebo as as

45:38

motivações que tu ofereces da ideia da

45:42

prisão e e concordo genericamente.

45:44

>> Teria um viés, obviamente.

45:45

>> Acho que o punir, só por punir, acho que

45:48

não faz sentido. Por exemplo, no caso do

45:51

Ricardo Salgado, agora agora que estamos

45:53

a gravar, ele foi condenado acho que

45:56

hito anos de prisão e o pessoal ainda tá

45:57

a ver se vai ser suspenso ou não. Se não

46:00

se for bem assim também não importa para

46:01

o que eu vou dizer.

46:03

E no caso dele, eu não quero que ele vá

46:05

para a prisão porque ele não vai servir

46:07

de exemplo para ninguém, porque ninguém

46:09

vai pensar, ah, vou fazer isto porque

46:10

depois mais tarde eu posso ter Alzheimer

46:12

e e não não vou preso não é uma é uma é

46:16

uma situação bué específica para servir

46:18

de exemplo seja para quem for.

46:19

>> Eu discordo completamente.

46:21

>> Tu achas que uma pessoa com sabes que

46:22

ele tem Alzheimer? Eu acho que há muita

46:23

gente a esfregar as mãos a perceber que

46:26

um dia vai poder usar o truque do

46:27

Alzheimer.

46:30

>> Verdade. Então, tens razão, esquece esse

46:31

exemplo. Pens, pensa num, pensa num tipo

46:34

cancro. Então,

46:35

>> esquece, pensa num tipo cancro e não

46:37

Alzheimer. Uma cena mais tangível.

46:39

>> Ah, ok. Não, porque sabes que há dúvidas

46:40

sobre o Alzheimer ser verdadeiro ou

46:42

teatro. Sei, mas também sei, não estava

46:44

à espera estar a discutir o Alzheimer

46:46

dele agora, mas também tenho ideia

46:49

>> que o pessoal não anda assim papar assim

46:51

tantos grupos e que tem diferentes

46:53

pessoas a fazer as anális investigações

46:55

e tudo mais.

46:56

Mas tu estás a falar de moldar o

46:58

comportamento da pessoa que perpetrou o

47:00

crime. A prisão tem o poder também de

47:05

dar o exemplo

47:06

às outras pessoas, não necessar não

47:09

moldar o comportamento da pessoa que

47:10

cometeu o crime, mas dar o exemplo

47:12

acerca da consequência que pode haver

47:14

caso nós tenhamos tido determinado

47:15

comportamento. Neste caso, por exemplo,

47:19

e conduzir bêbado é um bom exemplo,

47:20

porque, pá, se não houvesse nenhum tipo

47:24

de controlo e o pessoal conduzia beb a

47:27

toda a hora, mesmo assim, o pessoal já

47:28

conduz bêbador a toda a hora e é uma

47:30

cena

47:32

francos, pá, não se não se deve fazer,

47:34

não é não é fixe.

47:36

Nós, eu acho que quem se arroga a

47:41

conduzir bêbado, atropela alguém, deixa

47:45

a pessoa à sua morte. Acho que essa

47:47

pessoa, se ela for presa durante algum

47:50

tempo, se houver um grande caso acerca

47:51

disto, ela isso pode fazer com que haja

47:55

uma pequena influência

47:58

algures alguém

48:01

e que para a próxima consciente ou

48:03

inconscientemente quando as pessoas

48:04

estão a conduzir bêbas não possam nem

48:06

sequer lá nos confins da sua

48:08

inconsciência

48:09

ter isso a que se agarrar, tipo, pá,

48:11

piores hipóteses, depois não fujo,

48:13

ninguém me apanha e merdas assim.

48:15

E é isso, pá. E eu, se fosse o meu

48:17

amigo, eu tendo dito isto tudo,

48:22

eu provavelmente não teria coragem de o

48:24

chibar.

48:26

Portanto, uma coisa é aquilo que eu acho

48:27

que é o que nós deveríamos fazer, outra

48:30

coisa neste caso é aquela que eu

48:31

provavelmente faria,

48:33

mas gostarme tanto

48:36

estar a ser tão falso sobre uma cena que

48:38

é tão importante, uma cena que eu não

48:41

apoio de todo o pessoal, não só o Cons

48:43

Bêbado como a cobardia também e a toda a

48:46

mentira que eu não sei se ia continuar a

48:49

se ia conseguir continuar a

48:50

relacionar-me com essa pessoa. Sim, se

48:52

calhar eu estou a operar e a partir do

48:55

princípio ou a partir do pressuposto de

48:57

que vão existir outras histórias

49:00

parecidas em que vão-se em vai haver

49:03

outros exemplos,

49:05

percebes?

49:05

>> Sim. E é importante, pá, imagina o

49:08

pelourinho que existia na, não é, que

49:11

existia um bocado por todo o mundo, que

49:12

era uma pessoa pendurada na praça, era o

49:17

mesmo propósito. Era, olha, se te

49:19

portares mal, acontece-te isto. No

49:21

fundo, agora é igual, mas é o medo de ir

49:22

para a prisão. Ou seja, tem de haver

49:24

histórias disso, senão as pessoas não

49:26

acreditam na lei. É um bocado esse seu

49:27

argumento.

49:28

>> Ya. Ya. hh só que lá está, se calhar,

49:31

pá, se calhar tou a a tou a assumir que

49:34

vão haver outras histórias de de maus

49:37

amigos que vão entregar

49:39

>> os outros passam a cena certa.

49:41

>> Ya, não. Eh, boa, é um bocado isso, não,

49:43

mas não é, pá. Vão haver histórias

49:45

suficientes disso,

49:48

>> mas por isso era a a tua podia ser mais

49:50

huma.

49:51

>> Sim, sim. Sim, eu eu percebi o

49:52

argumento. Eu percebo argumento. Há uma

49:53

há um há um benefício

49:55

>> em entregar em contribuíres com uma

49:57

história. Eu percebo. Mas

49:59

>> mas é isso, pá. Não acho, pá, muito

50:02

interessante a pergunta, acima de tudo.

50:04

É fixe. Ah, pronto,

50:08

última deste primeira caixinha.

50:15

Empatia por pessoas arrogantes.

50:18

Este também sou a introduzir.

50:21

Então, hum,

50:24

eu tive um insight que foi

50:27

nós, felizmente,

50:30

como sociedade e até como cultura

50:33

ocidental

50:35

estamos

50:36

cada vez mais conscientes

50:40

de que não sabemos o que é estar no

50:41

cérebro de outra pessoa, não é? saber o

50:43

que é que é ser outra pessoa. E uma das

50:47

consequências maravilhosas disso tem

50:49

sido,

50:51

hum, estarmos mais conscientes de

50:53

pessoas neurodivergentes à nossa volta,

50:55

que se calhar algumas que são mais

50:58

introvertidas, que não são

50:59

necessariamente neurodivergentes, outras

51:00

são mais extrovertidas e nós como

51:03

sociedade percebermos que, ok, esta

51:06

pessoa se calhar tem déficit de atenção,

51:08

aquela se calhar é possível compulsiva,

51:09

aquela é só introvertido, pronto. e

51:12

criar espaços que deem para todos e

51:14

termos empatia pelo comportamento de

51:16

todos.

51:18

E eu acrescentei este grupo, as pessoas

51:20

que em vez de nascerem introvertidas,

51:22

nasceram com uma tendência para

51:24

arrogância. [risadas]

51:28

Porque eu acho que existem mesmo pessoas

51:32

que a sua loteria genética e social h

51:37

fez com que fossem

51:40

aparentemente mais arrogantes, não é?

51:42

Porque nunca sabes o que a pessoa está a

51:43

sentir por dentro. Ou seja, tem um

51:44

comportamento sear demasiado confiante

51:47

que pode ser confundido com a refumir

51:49

que é cante mesmo para ser mais

51:52

>> ou seja o o fenótipo bate serte com o

51:55

genótipo. O comportamento é

51:57

>> vamos assumir. Ya.

51:58

>> Ok. Eh, sim.

52:00

>> Então entramos ali numa fur

52:01

>> temos acho que merecem a nossa empatia

52:03

também. Porquê? Porque

52:06

acho que existem, e conheço pelo menos

52:08

uma ou duas, pessoas que são arrogantes,

52:11

sem qualquer tipo de maldade. É só uma

52:14

característica da sua personalidade. E é

52:16

a pior coisa que tu podes ser

52:19

socialmente. Muitas vezes ninguém gosta,

52:22

ninguém gosta de uma pessoa arrogante. É

52:23

muito mais fácil gostar de um

52:24

introvertido.

52:25

>> Ya. Porque é que achas que ninguém gosta

52:27

de uma sgente? Se nós pensarmos que o

52:29

valor que nós atribuímos àquela atitude

52:31

é, não sei que parte é que é biológica,

52:34

que parte é que é cultural, há da há da

52:36

das duas, aposto.

52:37

>> Sim.

52:38

>> E porque é que tem assim uma reação tão

52:39

diferente? Porque é que tenham

52:40

introvertido?

52:41

>> Eu acho que a componente biológica é que

52:45

nós estamos nós somos máquinas sociais,

52:48

não é? Estamos sempre atentos a

52:49

hierarquias e a e a situações sociais. E

52:54

uma pessoa que se está a comportar a ser

52:56

prepotente, prépotente, não é, a

52:59

demonstrar mais poder do que realmente

53:02

tem, é mal recebido porque tá um bocado

53:05

a estragar o jogo para todos e se calhar

53:08

ter uma perspectiva mais hh de

53:11

chimpanzé.

53:12

tá-se a pôr a jeito para ser, lá está,

53:17

está-se a pôr a jeito para ser atacado,

53:18

para ser, olha, este gajo está tá a

53:21

querer subir demasiado rápido. Acho que

53:23

há uma parte que é isso e acho que há

53:24

outra parte que é cultural.

53:25

>> Tu achas que é que é ameaçador?

53:29

>> Ah, sim, mas acho que é a mesma coisa,

53:31

>> especialmente se pensarmos em

53:32

cooperação,

53:33

>> principalmente se for alguém que tu na

53:34

tua cabeça metes no mesmo lugar que tu,

53:37

numa qualquer hierarquia de poder ou na

53:39

hierarquia social.

53:42

Se calhar é, não estou a dizer que seja

53:43

consciente, mas se calhar chateia-nos

53:45

também por isso, porque ei, ele tá, ele

53:47

tá a subir não.

53:48

>> Mais ou menos porque imagina, imagina

53:50

alguém

53:51

>> que é medianamente prepotente e alguém

53:56

de uma classe que essa própria pessoa

53:58

perceciona como mais baixa. Imagina,

54:01

tu trabalhas numa farmacêutica e e tens

54:05

essa filosofia e vais um café e és

54:08

servido por alguém que tu achas que vem

54:10

numa classe mais social mais baixa e a

54:12

pessoa é arrogante para contigo.

54:16

Tu não gostas da mesma, ou seja, não é

54:17

necessário ser alguém da tua própria

54:19

classe para poder parecer

54:21

>> Certo. Certo, certo. Ou seja, e a outra

54:23

pessoa,

54:24

>> sim, esta componente biológica, pá, há

54:26

de tá na origem de, se calhar, da parte

54:28

cultural que hoje em dia é mais forte.

54:31

Não sei, é sempre difícil de de

54:33

destrinchar as duas, mas mas é isso, ó

54:35

pá. E então, homens brancos, ricos,

54:39

arrogantes, acho que assim a nossa

54:41

empatia. [risadas]

54:43

Betos,

54:44

>> Betos, Betos, homens brancos, Betos,

54:47

ricos, brancos, acho que arrogantes,

54:49

merecem a nossa empatia. Eu acho que

54:51

merecem a nossa empatia na medida em que

54:54

em que são seres humanos e tenha nas

54:57

tuas palavras de cristão furvoroso a

55:00

divindade dentro deles.

55:02

Mas imagina,

55:04

>> desculpa, deixa-me só antes de

55:05

responderes, é muito rápido.

55:06

Principalmente se a aparência da

55:09

arrogância não bater certo com o que ela

55:11

tá a sentir. Aí é especialmente injusto.

55:14

>> Isso é irrelevante porque quando alguém

55:15

tá a ser arrogante contigo, tu não sabes

55:17

o que é que a pessoa tá a sentir de

55:18

qualquer maneira. Portanto, acho que

55:19

não.

55:19

>> Sim, mas para aquela pessoa se calhar

55:21

cresceu rodeada de pessoas arrogantes e

55:22

com a sua forma de falar e de estar é

55:24

arrogante, mas ela é só um azar que vai

55:28

dificultar imenso a vida dela.

55:30

>> OK? Mas imagina então que neste caso o

55:32

ser arrogante é mau se nós usarmos como

55:34

instrumento de medição, digamos, o os

55:37

sentimentos que proporciona nas outras

55:39

pessoas, que não é necessariamente

55:41

científico, mas vamos com isso. Da mesma

55:44

forma que uma pessoa não escolhe ser

55:45

arrogante, a pessoa que é confrontada

55:47

com uma pessoa arrogante também não

55:50

escolhe

55:52

sentir-se ou seja, meio ameaçada, seja o

55:54

que for, tipo simplesmente não gostar da

55:56

pessoa. Então, de acordo com esta

55:58

instrumento, este instrumento de medição

55:59

bastante falacioso, ser arrogante é mau.

56:02

Será que, eu não estou a dizer concordo

56:04

com isto, estou só a explorar, mas será

56:06

que ao ostracizarmos

56:09

e fazermos sentir mal até com chicote

56:12

arrogante, as pessoas arrogantes não

56:14

estamos aí a descondicioná-las

56:17

para essa arrogância? Sim, mas acho que

56:18

funciona melhor. Se lá está, em grupo é

56:22

é mais difícil ter empatia pelo

56:24

arrogante, porque se calhar tá a

56:26

estragar a experiência para todos e tu

56:29

dizeres: "Olha, para de ser arrogante em

56:32

frente a todos, na balança moral vai

56:34

valer a pena". Mas se for um amigo teu,

56:37

tu podes dizer: "Olha, pá, tenho que

56:39

dizer isto". Tu às vezes és arrogante a

56:41

falar com as pessoas e és e és e és mal

56:43

recebido e tá a prejudicar a tua vida.

56:46

Acho que devemos ouvir mais esta frase.

56:50

>> Eu acho que há há algum pessoal que às

56:52

vezes pode achar que eu sou arrogante,

56:55

tu menos. Tu às vezes também quando

56:58

entras com as tuas cenas, mas tu não

57:00

sei, és mais gostável, és mais

57:02

queridinho, ach

57:03

>> queridinho na tua cara

57:05

>> e és mais bonitinho.

57:06

>> Não, mas eu percebo em que em que mas

57:08

acho que quando as pessoas pensam que tu

57:09

és arrogante é só porque estás pá bêbado

57:12

no fundo,

57:14

pá. Quando vais ter com pessoas?

57:16

>> Atenção, este bebé que eu ande aí, se

57:18

calhar é mais pelo pela força e

57:19

entusiasmo e a

57:20

>> Sim. É tipo quando entras a pés juntos

57:22

com demasiada demasiado entusiasmo numa

57:24

conversa [risadas] sem ser sem ter sido

57:26

convidado, que é uma coisa altamente dos

57:29

teus superperes.

57:31

Mas pronto, é isso. Pá, não é assim tão

57:33

importante para mim, mas como é como é

57:35

um pensamento pouco usual e e que

57:39

estávamos a começar a falar por

57:40

WhatsApp, fiz GP. Eu à partida eu

57:42

concordo contigo. O que eu estava a

57:43

dizer há um bocado era mais a tentar

57:44

explorar porque sem querer correr o

57:47

risco de parecer aqui um grande IPI, eu

57:49

acho que é com o amor que uma pessoa vai

57:51

lá. Então, se nós, porque muitas vezes,

57:54

e certamente todos nós temos esse tipo

57:57

de experiência em que quando alguém ou é

58:01

arrogante ou está mais arrogante, mais

58:03

arisco naquele momento e começa a

58:05

disparar, se nós conseguirmos resistir à

58:07

tentação de de escalar com a pessoa,

58:09

tipo, se mantivermos numa lado mais

58:11

fício e mais de amor, muitas vezes, não

58:14

sempre a pessoa acaba por ir para aí

58:17

também. Mas olha, esqueci-me de contar o

58:19

meu primeiro, o meu primeiro,

58:21

>> já estava a ouvir, mas no fundo não ouvi

58:23

ouv

58:26

nem sequer tanto, nem sequer foi tanto

58:28

sobre arrogância, foi mais sobre má

58:31

disposição.

58:33

A pá, vou contar esta história porque

58:34

acho que nunca contei é e nunca me vou

58:36

esquecer. em Calcotá,

58:39

que como tu sabes eu vou bastante o há

58:42

uma pronto, há as as há mulheres, as

58:45

beggers de Souther Street, que são assim

58:47

mulheres normalmente entre os 30 e os 60

58:51

que andam lá a pedir dinheiro aos

58:52

portugueses, espanhóis e franceses,

58:54

católicos, que vão fazer voluntariado à

58:56

Mat Teresa. Tenho todos os truques

58:58

clássicos do bebé, pronto. E eu

59:01

conheço-as a todas e há muitos anos e e

59:04

já ajudei várias. E havia uma que era a

59:07

Rasmina que já morreu.

59:10

E

59:12

quando ela morreu, lembrei-me outra vez

59:13

a história, pá, que ninguém gostava

59:15

muito dela, porque ela estava sempre

59:16

meia zangada, meia mal disposta.

59:19

E um dia eu estava sentado a tomar

59:21

pequeno almoço e ela passou assim toda

59:23

mal disposta, assim, uma velha pobre mal

59:26

disposta e mostrou-me que tinha uma

59:29

ferida no braço, mas assim, mas

59:31

mostrou-me de uma maneira meio que me

59:33

pediu ajuda, mas a zangar-se comigo.

59:35

>> Uhum.

59:36

E

59:38

e eu e eu acalmei-a, tava estava eu

59:42

estava sentado, ela estava aqui em pé

59:43

minha esquerda e eu disse: "A suba,

59:45

sente sete". E sentei-a e acalmei-a e pá

59:49

e dei-lhe um abraço e foi, pá, o abraço

59:54

eu senti, pá, eu senti a tensão dela

59:59

>> OK.

59:59

>> Sabes? E ela começou a chorar muito

60:03

e depois ficou praticamente em silêncio

60:07

e fomos à farmácia e e pusemos betadino.

60:09

Pronto, tratamos da ferida dela e e foi

60:13

incrível porque as outras as cinco

60:15

simpáticas as cinco beggers, mulheres

60:18

simpáticas tinham sempre imensas

60:20

voluntárias à volta, estás a ver? a

60:22

conversar com elas e elas a pedir

60:24

dinheiro, mas era assim meio amigável e

60:27

ninguém ligava nada à e a mina era a

60:30

pessoa que mais precisava. Pá, isto não

60:32

é isto não é novo, não é? Muitas já é

60:34

meio que sabido que que muitas vezes as

60:37

pessoas que estão mais zangadas são as

60:38

que mais precisam de um abraço. Pá, mas

60:40

e isso acontecer no sítio mais pobre que

60:45

eu conheço

60:46

>> e eu ter dado esse abraço foi mesmo, foi

60:49

muito forte. A falta do abraço de certa

60:51

forma polariza a arrogância porque se

60:55

imaginar e obviamente há há casos para

60:57

tudo, mas se uma pessoa

60:59

vamos além do arrogante e vamos dizer

61:01

tipo à femina tipo talvez zangado com a

61:03

vida ou assim uma cena mais genérica,

61:05

abrangente e holística até.

61:08

Então, como as pessoas estão assim, as

61:10

outras pessoas têm menos vontade de dar

61:12

esse abraço, então elas ficam mais assim

61:15

e mais assim e mais assim.

61:17

>> Ou passo que se calhar um abraço de vez

61:19

em quando,

61:20

>> aquilo h

61:21

>> Sim, sim. Aquilo

61:22

>> cada vez pior, como estavas a dizer

61:23

quando quando

61:25

>> e traz mais para o pessal, ya, bora

61:28

abraçar pessoas arrogantes. Desafio tem

61:30

que encontrar cinco pessoas arrogantes.

61:33

>> Não, mas a coitada a subina não era nada

61:35

arrogante, era só

61:36

>> zangada com a vida. Pronto.

61:37

>> Sim. Zangada e frustrada.

61:42

>> Faz sentido

61:44

usar bom senso como argumento?

61:48

Então isto veio de

61:51

>> Não sabemos de onde é que veio. Só

61:52

sabemos que eu use tu disseste qualquer

61:56

coisa, comentaste qualquer coisa num em

61:58

algum lado e eu devo ter dito é uma

62:00

questão de bom senso e tu disseste: "Bom

62:02

senso não é um argumento".

62:04

Mais ou menos.

62:05

>> Só sim. Porque é que não é um argumento

62:07

se cará definir bom senso primeiro.

62:10

>> Força.

62:11

>> Para mim bom senso é

62:14

é um bocado cultura geral,

62:17

mas aplicado,

62:19

não é? Uma parte é cultura geral. por

62:21

exemplo, hã, saberes que não é boa ideia

62:24

ao meio-dia eh te deitares a apanhar

62:27

sol,

62:29

porque provavelmente vais apanhar um

62:30

escaldão, é uma coisa que eu caracterizo

62:32

como bom senso, ou seja, é cultura geral

62:36

de comportamento.

62:38

Eh, para mim é um bocado essa a

62:40

definição.

62:42

E eu se já tinha uma grande aversão eh

62:45

criarem-se leis para obrigar as pessoas

62:48

a ter bom senso. Isso disparou e

62:52

polarizou-me

62:53

quando vivi na Austrália,

62:56

porque eu fui para a Austrália com uma

62:57

ideia de ya, tipo surf e tranquilo e é o

63:00

país com mais regras e leis e

63:03

burocracias e chatiços onde eu já tive

63:05

na minha vida e como trabalhei lá em

63:08

construção, senti ainda mais, não é?

63:11

muito muito isso aí acho bem até porque

63:14

há muito, focam-se muito na segurança e

63:16

realmente funciona. Acho que de Portugal

63:19

e o sul da Europa poderia ser mais

63:21

assim, mas há outras coisas que

63:25

o o estado ou o poder tem

63:29

quer reduzir de tal forma a zero o

63:33

número de acidentes por pá borrice e

63:37

falta de bom senso que estraga um

63:40

bocadinho o resto da vida ao resto das

63:43

pessoas. Estraga um bocadinho a vida ao

63:44

resto das pessoas. Por exemplo, não sei

63:46

se era só no estado da Victória ou na

63:48

Austrália toda, nem sei se ainda é

63:50

assim, mas eu quando vivi lá,

63:53

não podias levar comida no fim da

63:56

refeição para casa, doggy bag.

63:59

E não podias, porque houve uma senhora

64:01

que fez isso, deixou a comida no carro

64:03

durante dois ou três dias ao sol e

64:06

depois ela ou a família comeu e morreram

64:09

ou ficaram muito doentes.

64:11

E então,

64:13

por estares a por estares a legislar o

64:16

bom senso, estás a impedir que as

64:18

pessoas levem a comida que sobrou no

64:20

restaurante para casa. Porque houve uma

64:21

vez uma pessoa, pá, burra,

64:24

que é uma minoria muito muito pequena,

64:26

porque a maior parte das pessoas têm bom

64:28

senso, que não o fez. Então, se calhar,

64:30

o meu problema não é tanto com usar o

64:34

bom senso como argumento, é mais como

64:36

não legislar coisas que deveriam ser bom

64:40

senso, até porque vais por esse caminho

64:43

e crias sociedades como a Austrália se

64:45

está a tornar, em que tu estás tão

64:47

habituado a um estado paternalista que

64:49

te proteja de qualquer coisa que possa

64:51

ser minimamente perigosa, que sais desse

64:53

lugar a viajar ou a, não sei, ou a

64:56

saíres do do trilho. que tá marcado para

65:00

ti e não te sabes comportar e não sabes

65:02

lidar com perigo e não sabes lidar com o

65:04

inesperado.

65:06

>> A última parte não sei se é bem assim,

65:07

não vou não estou preparado para aceitar

65:10

essa proposição, mas

65:13

tu achas que uma mulher em 1979

65:18

ir fazer top left para uma praia cheia

65:22

da Nazaré era bom senso, ausência de bom

65:25

senso ou não tenho a ver com isso? em

65:27

79. Sim,

65:28

>> a ausência de bom senso.

65:30

>> OK.

65:30

>> Na praia da Nazaré já havia praias

65:32

novistas.

65:33

>> Sim.

65:35

>> Eu acho que é bom senso a mulher nesse

65:40

caso estar a, mas imaginar quem vai

65:42

fazer isto provavelmente vai ser não tá

65:43

a fazer aquilo à toa. Uma pessoa que

65:45

sabe o que é que está a fazer e tem

65:46

consciência disso e apercebe-se de uma

65:49

cena que com a qual eu por acaso

65:52

concordo, né? Tipo, acho que não faz

65:53

muito sentido nós sexualizarmos a tanto

65:56

as mamas das mulheres e ao passo que no

65:59

no homens não e entendo porque eu sinto

66:01

isso, né? Sinto apelo por mamas

66:02

mulheres, mas não ao mesmo tempo não

66:05

acho que não faz sentido haver

66:06

diferentes leis para os troncos das

66:08

mulheres e e os troncos dos homens.

66:10

E para mim é bom senso a mulher ir fazer

66:13

aquilo que ela acha que tem direito a

66:15

fazer com a exposição do seu próprio

66:18

corpo naquele momento.

66:20

Portanto, o que tu achas que é bom

66:22

senso, eu acho que já não é o contrário.

66:25

Ao mesmo tempo, eu não acho que seja bom

66:26

senso ela fazer topless no Irão, porque

66:30

aí ela já pode mesmo ter conse morrer ou

66:33

ter consequências mesmo gravíssimas. Ou

66:35

seja, a partir do momento em que nós

66:37

começamos a introduzir mais nuance, isso

66:41

não significa um bom senso, porque neste

66:43

caso, o que estavas a dizer só fazia

66:45

sentido porque por acaso concordava

66:46

contigo nos exemplos que foste dando

66:48

aqui e ali, mas certamente há casos em

66:51

que para mim vão ser só uma coisa e para

66:52

ti é outra. Por isso é que eu acho que

66:53

genericamente não serve como argumento.

66:57

>> Sim, mas há mas acho que podemos eh

67:00

dizer ou pelo menos descobrir em

67:02

conjunto a diferença. As coisas que eu

67:03

disse, como deixar comida três dias no

67:06

carro, ela estraga-se, é um facto.

67:08

>> Sim. E

67:08

>> e ser imoral mostrar as mamas na praia

67:11

não é um facto,

67:13

>> não. É um facto.

67:14

>> É mais subjetivo.

67:14

>> É um facto que ela fez stopless. É um

67:18

facto que ela deixou a SES.

67:19

>> Sim, mas não é um facto.

67:22

Imagina, não consegues universalizar, tu

67:25

consegues universalizar por todo o mundo

67:27

e por todas as culturas, que é bom

67:29

senso, que deixar a comida no calor três

67:31

dias e depois comer é mal, mas não

67:32

consegues universalizar no espaço e no

67:35

tempo e em todas as culturas que me

67:37

mostrar as mamas na praia

67:40

é mau ou bom. Acho que a diferença é

67:42

essa. Tu concordaste com os meus

67:44

exemplos que são factos.

67:47

Mas espera aí, vamos, mas vamos pegar

67:49

então no exemplo do topless. Pode ser

67:51

altamente egoísta da parte dela, a não

67:53

ser que na cabeça dela o ativismo para

67:57

poder mostrar as mamas na praia seja,

67:58

>> não tem que ser ativismo, até pode ser

68:00

só páceir sempre o ativismo.

68:02

>> Sim, mas imagina se ela se ela sabe que

68:04

há lá muitas pessoas que vão ficar

68:08

desagradadas com isso, não é um bocado

68:09

egoísta?

68:11

Como tu ires de calções para uma

68:12

mesquita mesmo que acho que não é não

68:14

tem mal nenhum.

68:16

Não acho que seja, depende daquilo que

68:18

ela tá a sentir para saber se é egoísta

68:20

ou não. Porque se for uma pessoa que

68:23

acha, e eu identifico-me

68:26

bastante com esta maneira de ver as

68:28

coisas,

68:29

tu tens determinados direitos, não é? E

68:31

os direitos são dados pela lei, mas

68:33

vamos imaginar que tu estás a pensar até

68:34

nos direitos com os quais tu te

68:35

identificas, mesmo que eles estejam

68:38

legislados ou não. E tu sacrificares um

68:41

direito teu só porque isso vai causar

68:45

incómodo a muita gente, é egoísta. Eu

68:48

acho que não. Seriamente,

68:49

>> mas é um direito. Tens esse direito no

68:52

teu exemplo.

68:52

>> Se tu sentires, esquece li, até se tu

68:54

sentires, pá, para mim não faz sentido

68:56

os homens poderem mostrar as mamas e eu

68:58

não, eu tenho tanto direito quanto eles,

69:00

então eu vou e vou e as pessoas vão

69:03

sentir magoadas, mas a dar a dar o delas

69:06

porque e elas façam o que elas quiserem

69:08

com o corpo delas. Eu tenho direito a

69:10

usar fio da praia nas mesmas condições

69:11

que um homem.

69:12

>> Qual a diferença para usar calções na

69:14

mesquita?

69:16

Ó pá, eu se ninguém tiver a ver, eu

69:18

entro numa mosquita de se eu souber que

69:19

ninguém me vai ver, eu entro numa

69:20

mosquita de calções sem problema nenhum.

69:22

>> E eu vou no para uma praia se não tiver

69:23

lá ninguém também.

69:24

>> Ya, mas se tiverem a ver, ó pá, é só

69:26

para não ser chato, não é? Porque eu

69:27

acho,

69:28

>> então pronto, não és egoísta,

69:30

>> pá, diferente. Tens um exemplo melhor do

69:32

que mosquita, porque mosquita, eu estou

69:33

num, há uma camada de estar num país

69:34

diferente, estar um bocado mais

69:36

adaptável à cultura. Passo que essa

69:38

mulher tá no seu país, tá onde ela

69:41

pertence, ela pertence àquela cultura.

69:42

Eu acho que o exemplo da mosquita é

69:44

parecido, mas esta camada faz com que

69:46

seja um bocadinho diferente.

69:46

>> OK. Fato de banho para a missa.

69:50

>> Fato bem. [risadas]

69:53

>> Fato banho avaianas para a missa, mas

69:55

sem sem t-shirt.

69:59

Ó

69:59

>> pá, acho que não, porque não é a mesma

70:02

coisa. Porque estás a entrar num sítio

70:04

que pertence a alguém ou algo, ao passo

70:07

que a praia, por exemplo, eu se a praia

70:09

fosse privada, eu aí eu aceitaria que

70:14

>> OK, não pode envolver religião.

70:15

>> Seria injusto na mesma, mas aceitaria

70:17

que houve regras diferentes.

70:19

Eh,

70:19

>> sim, mas espera aí, não sei se a

70:21

Mesquita tem assim tão mau exemplo,

70:22

porque a única razão para tu ires é ires

70:25

de volta ao hostel pôr calças e e não ir

70:29

de calções, imagina que que não te iam

70:31

barrar, mas sabias que imensa gente ia

70:33

ficar incomodada com isso. A única

70:35

razão, acho eu, conhecendo-te, não é por

70:38

achares que aquilo é um lugar sagrado

70:40

para ti, é porque não queres que as

70:43

pessoas se sintam incomodadas. E nesse

70:46

sentido, acho que é parecido com a

70:47

praia.

70:49

Mas não é não é tão importante para mim

70:53

ir visitar uma mesquita num num evento

70:56

de turismo como para uma mulher

70:58

provavelmente usufruir da praia à qual

71:01

tem direito no seu país.

71:02

>> Pois ó pá, não sei. Aí já estamos a

71:04

entrar em quanto vale porque se ela

71:06

também pode apanhar sol na varanda top

71:09

ou no terraço. Não tá aqui para ali.

71:11

>> Mas ali é mais fixe.

71:13

>> Quando tá sol, tá sol em todo lado.

71:15

>> Mas ali é mais fixe, né,

71:16

>> pá? E dentro de uma catedral ou de uma

71:18

mesquita, a vida também é mais bonita,

71:20

imensa arte, imensa assimetria.

71:22

>> Mas pertence a uma instituição que tem

71:24

>> OK, meio que tem direito a ter as suas

71:25

próprias. Mas ok, acho que acho que no

71:26

fundo o bom senso, acho que descobrimos

71:29

que há vários tipos de bom senso.

71:30

>> Há o bom senso factual e depois há o bom

71:33

senso que é o bom senso cultural da das

71:36

regras culturais do teu que é

71:38

considerado

71:40

um bom comportamento

71:42

de bom senso.

71:43

>> Mas mesmo o bom senso factual por vezes

71:45

não é assim tão factual. Por exemplo,

71:46

pensa na

71:48

nas máscaras do covid. Ah, adorei.

71:53

>> Havia gente, para quem era bom senso

71:56

científico na cabeça deles, usar máscara

71:59

e havia gente para quem era bom ser

72:01

científico na cabeça deles, não usar

72:03

máscara. E mesmo assim porque iam buscar

72:06

fontes diferentes e coisas assim e mesmo

72:08

assim o que supostamente era um facto

72:10

fazia com que a definição de bom senso

72:12

fosse diferente. E para mim basta haver

72:14

assim algumas

72:16

escapadelazinhas do do conceito que

72:18

deixa de valer.

72:20

>> Ok. Ya, acho que estáamos a falar de

72:21

coisas diferentes. Então eu estava a

72:23

falar de bom senso,

72:26

lá está, cultura geral factual, eh,

72:30

aplicada ao computador. Mais comprido.

72:32

>> Sim, para a próxima escrevo isso.

72:36

Colonização em lugares desocupados em

72:39

África.

72:41

Cancelado.

72:43

Cancelado.

72:46

Porque isto veio, não sei porque é que

72:47

veio este, mas foi mais.

72:49

>> Foi do nada.

72:50

Foi do nada.

72:51

>> Sim, mas acho que fui fui eu que foi.

72:53

Foste tu? Ai,

72:55

>> não tentes, não tentes. [risadas] Tar

72:56

mim.

72:58

>> Não, não, não tá.

72:59

>> Eu nem vou falar neste.

73:02

>> Eu acho que estava a pensar

73:03

inicialmente, h,

73:06

vamos imaginar,

73:09

houve uma altura em que começou a haver

73:11

ali a a independência da maior parte dos

73:14

países africanos.

73:16

foi ali nos anos 60

73:18

e depois Portugal o os paves mais

73:22

tardinho mais tarde.

73:25

E nessa altura houve muitos movimentos

73:27

de pessoas autócos que expulsaram o nas

73:33

casas os brancos não aconçou em todo

73:35

lado. A África de Sul ainda hoje tem 7

73:37

ou 8% de de brancos tanto como na mídia.

73:40

muitos amigos que andaram comigo na

73:42

escola no Zimbá e tiveram de fugir por

73:44

causa disso. Em 2000 2001 quando o meu

73:47

gabi disse: "Olha, e de as terras são

73:50

vossas e tirar aos brancos".

73:54

>> Isso é uma cena por si só que também

73:57

pode ser interessante de de discutir,

74:00

mas eu dei por mim a pensar foi pé,

74:03

vamos imaginar que eu não eu não sei se

74:05

se era o caso aqui, não sei como é que

74:07

aquelas civilizações e sociedades se

74:08

desenvolveram.

74:10

Mas imaginando que chega uma pessoa e

74:13

para

74:15

para isto ser mais facilmente

74:17

compreensível para quem possa ter uma

74:18

maior propensão em chamar a outra pessoa

74:21

de racista, eu vou dizer pessoa da etnia

74:23

A chega a sítio

74:27

e um e não tem ninguém, não vê ninguém.

74:31

>> Não pode usar África.

74:32

>> Pronto, chega a África e não tem

74:34

ninguém, não vem ninguém. Não, não há

74:35

nada ali.

74:37

Agora isto é tem alguma dificuldade à

74:40

partida porque seria interessante saber

74:42

efetivamente se houve muitos settlements

74:45

porque às vezes já haver um se há

74:47

pessoas quer dizer que provavelmente há

74:49

água, há sítios onde se pode caçar e

74:50

tudo mais, pode haver assim hotspots e

74:52

tudo mais, mas

74:53

>> imagino que em toda a costa africana há

74:54

ter havido sítios em que o pessoal

74:56

estabeleceu o mesmo por ser pá uma

74:58

importância geográfica e tal tipo cabo

75:01

verde talvez cabo verde tá ali ninguém

75:04

mas estou a falar mesmo no continente

75:05

não ter ninguém e o pessoal estabelecer

75:07

lá e depois desenvolver a sociedade.

75:11

>> Ah, sim, Cabo, desculpa, Cabo Verde até

75:12

é o melhor exemplo de todos, mas o outro

75:14

car mais interessante.

75:16

>> Ya,

75:18

África é tanto, eu eu acho e gostava de

75:22

opinião, mas eu acho que a África é

75:23

tanto da pessoa e não estou a falar de

75:26

do tipo de colonização de de opressão,

75:30

instrumentalização e domínio. Claro.

75:32

>> Estou a falar de chegar em um sítio e

75:33

fazer uma cena.

75:34

>> Uhum.

75:36

A África é tanto da pessoa que nasceu

75:39

lá como da pessoa que é filha daquela

75:42

que chegou lá. E se para alguém achar

75:46

talvez que isso não é assim, então de

75:50

certa forma também pode, para ser

75:52

coerente com a sua própria ideia tem que

75:54

achar que, por exemplo, que um um negro,

75:56

um afrodescendente, nunca será

75:58

efetivamente

76:00

da Europa. Mas percebes?

76:02

Pronto,

76:03

>> falas é que é racismo. tu dizeres que

76:05

aquele branco não pode estar ali onde

76:07

não havia ninguém

76:08

>> chegou em opção, tudo na boa, tudo

76:10

tranquilo,

76:10

>> porque se ele em vez de ser branco fosse

76:12

negro, tu deixarias

76:14

>> Sim, à medida que

76:15

>> que ele te ficasse com aquele lugar,

76:16

>> à medida que os movimentos de independ

76:19

de independência começaram e pronto,

76:23

agora estamos a falar, entretanto,

76:25

passam-se alguns séculos e as sociedades

76:26

vão expandindo e pode chegar a uma

76:28

altura em que em que colidam,

76:30

>> mas isso sobretudo é um exercício de

76:31

teórico, porque a verdade é que nós

76:32

sabemos que houve muita opressão e tudo

76:34

mais, Mas

76:36

é uma, parece-me racista expulsar alguém

76:39

de um sítio só porque

76:43

é de uma etninha diferente, não é?

76:45

>> Sim. Acho que uma maneira de pensar para

76:48

para te ajudar é, imagina, tens um lugar

76:50

qualquer, um pá, uma planície qualquer

76:54

ao lado de um rio em África e nunca

76:58

ninguém

77:00

parou lá. Ou seja, se calhar até alguém

77:01

a fazer uma viagem já passou por lá ou

77:03

não, não interessa.

77:06

E há aqui duas hipóteses de colonização

77:09

desse lugar que tá vazio, não é? Não

77:11

havia países, era tudo terreno e pessoas

77:14

e aldeias e vilas. Pronto. Eh, ainda trá

77:17

o suficiente

77:19

tu viajares, hh,

77:23

pá, 20 dias a pé para chegar lá

77:27

ou 20 ou 20 meses de barco, mais 20 dias

77:30

a pé para chegar lá. É isso que deve

77:33

definir se tu, passado 100 anos deves

77:36

ser expulso ou não, independentemente da

77:38

cor da pele, não é? Pá,

77:40

>> porque se teres a corda

77:43

>> percebes ignorando a cor da pele,

77:44

>> mas for isso até dá para ver de duas

77:45

formas que é dá para usar um elemento

77:48

para cada um dos lados. Por um lado, ah

77:49

porque eu estava mais perto. Por outro

77:50

ah porque eu sacrifiquei-me mais.

77:52

Voltando agora a sacrifício, eu

77:53

sacrifiquei-me mais para chegar aqui.

77:56

Então neste caso, parece-me igualmente

77:59

válido o critério de distância com o

78:01

critério de sacrifício para então acaba

78:03

por ser um sício futuro na mesa.

78:05

>> Sim. Ó pá, eu eu sinto que quem está

78:09

mais próximo meio que tem tem mais

78:11

direito, mas mas lá está, pá.

78:14

>> Eu eu concordo, mas até um limite. Eu eu

78:16

sinto que a partir de

78:19

>> não sei 50 não não sei não sei. Na

78:21

altura 50 km era era muito longe, não

78:24

havia estradas, né? Mas mas imagina 50

78:27

for

78:29

a partir daí para mim é igual. Tipo, é

78:32

igual se a pessoa veio do outro lado do

78:33

mundo se veio a pé.

78:35

Sim, eu compreendo a a eu compreendo a a

78:41

raiva e o trauma histórico e

78:46

e tudo o que existe hoje em dia contra

78:48

os brancos, entre aspas, no sentido de

78:50

terem sido colonizadores das Américas e

78:52

da África e e por aí fora, mas

78:57

é extremamente racista mesmo. OK. Para

79:00

quem não define racismo como uma coisa

79:02

de poder, já tivemos essa esse problema.

79:06

Ha, porquê? Porque, caramba, meu, não

79:11

havia não havia etenias mais morais do

79:13

que outras.

79:14

>> Sim.

79:14

>> Toda a gente estava a explorar à sua

79:16

volta e a conquistar e a matar,

79:18

incluindo e a escravizar em África, na

79:20

América Latina. A única coisa que

79:22

aconteceu foi uma vantagem tecnológica

79:24

que nem sequer tem que ser devida a eh a

79:29

ser eh geneticamente superior, porque

79:32

pode só ter a ver com geografia. H, como

79:35

aquele livro que me traste os

79:36

prisioneiros da geografia, não é?

79:37

Prisioneiro da geografia.

79:38

>> Esse e depois o Einfilation Fail. Ou

79:41

seja, mesmo a co mesmo o acaso talvez

79:44

geográfico daquele povo ter sido o que

79:46

conseguiu a tecnologia para viajar para

79:49

longe

79:50

>> e armas e ferramentas.

79:52

>> Sim, ou seja, é, acho que quando te

79:55

afastas suficientemente de do planeta,

79:58

percebes que é muito racista e isto não

80:01

retira nada de toda a maldade que foi

80:03

feita, não é? toda a maldade que foi

80:04

feita

80:04

>> e não retira nada do racismo que há

80:06

efetivamente de brancos par

80:07

>> e não retira nada de do facto de muitas

80:11

vezes pessoas racializadas no ocidente

80:13

terem dificuldade porque ainda existem

80:17

ecos disso.

80:17

>> Pronto, já fizemos todos

80:20

[risadas]

80:21

e não tira nada.

80:23

>> Pronto, mas mas é extremamente racista.

80:24

A única diferença é tinhas aqui tinhas

80:27

duas tribos indígenas no Brasil.

80:30

Uma tinha tecnologia suficiente para

80:32

atravessar o rio e matar o povo a lado e

80:34

ficar com o terreno dele. E outra tinha

80:36

tecnologia suente para atravessar o

80:37

oceano e matar e ficar com o terreno

80:40

dele.

80:40

>> Ya. Ya.

80:41

>> A diferença não há uma diferença moral,

80:42

há diferença tecnológica. Só

80:44

>> é é racista. E pá, faz-me pensar um

80:48

bocado no, já te falei do conceito com

80:51

qual andava a brincar, que era de

80:52

igualdade radical,

80:54

em que o Marcos curtia isso.

80:57

>> Neste caso é igualdade radical no trato.

80:59

HH, por exemplo,

81:03

é curioso no e vamos pôr comediantes de

81:06

parte, vamos só falar de pessoas no seu

81:09

dia- a dia. É curioso que seja nos

81:13

círculos mais avançados ou sofisticados

81:16

que seja má onda serse racista com

81:20

negros, mas que seja tipo meio engraçado

81:22

serse racista com brancos. É curioso

81:25

isso, mas a verdade é que apesar de eu

81:28

achar que não faz sentido qualquer tipo

81:30

de racismo,

81:32

efetivamente se uma pessoa fizer uma uma

81:35

piada racista com negros e outra, vamos

81:38

imaginar que as pessoas são iguaizinhas,

81:39

mas uma faz uma piada racista fleira com

81:42

negros e outra faz uma piada racista

81:44

fleira com brancos, eu vou sentir coisas

81:46

diferentes por cada uma dessas pessoas.

81:48

Mas ou seja, minha faz sentido.

81:51

>> Tem, achas que tem a ver com escala

81:53

social mais do que

81:55

>> Sim, porque partem partem de um lugar

81:57

diferente,

81:58

>> mas ainda assim, apesar de continua a

82:00

ser racista ou então seria no mínimo

82:02

classista, ao contrário, continua a

82:05

haver uma generalização acerca de um

82:07

determinado tipo de comportamento ou

82:09

maneira de estar ou de ser

82:12

para uma pessoa que não tem que ser

82:14

assim só porque é determinado a cor.

82:15

>> Sim, sim. a nível de generalização é

82:18

igualmente grave, mas o impacto que tem

82:20

na no indivíduo e na comunidade acho que

82:23

é diferente

82:25

o impacto. Enfim, tenho uma razão pela

82:27

qual tenho tenho um um maior impacto,

82:29

mas só tem esse essa razão só é válida

82:33

porque nós não atrivimos validade de

82:34

certa forma porque nós todos aceitamos

82:38

que há e é verdade que há uma escala,

82:42

digamos, se pegarmos nas pessoas, não

82:44

sei quais é que são as etnias que

82:46

existem mais em Portugal, tipo entre

82:48

asiáticos, negros, ciganos, brancos, mas

82:51

pronto, vamos pegar nas três mais

82:53

representativas e pô-las ter todas no

82:54

saco e depois tirar e ver onde é que

82:56

elas calham na escala social, existe

82:59

efetivamente um overlap eh bastante

83:01

grande. Mas o facto de isso acontecer,

83:04

não sei se tem, apesar de, como eu

83:06

disse, eu até reagir de forma diferente

83:08

quando ouço, não sei se tem que

83:10

legitimar a generalização de um

83:11

comportamento fleiro só porque a pessoa

83:14

desse grupo tem uma posição de poder e a

83:16

outra não tem. Porque a criança, por

83:18

exemplo, e para agora parece que eu levo

83:19

isto muito mais a sério do que o Lev,

83:20

não leve, mas a criança na escola que é

83:23

gozada por por ser branco ou por ser

83:26

rico ou por ser louro ou seja o que for

83:28

>> ou por ser beto,

83:30

>> pá, ela não vai estar a pensar, ah,

83:32

tá-se bem, porque eu tenho uma uma

83:33

dinâmica de poder, eu estou lá lá em

83:34

cima. Óbvio. Ui, mas isso é muito

83:36

difícil explicar às pessoas, às pessoas

83:39

que

83:40

>> que dizem que não, que às pessoas que

83:42

dizem que estamos a usar mal a palavra

83:43

racismo, por exemplo.

83:44

>> Ya, eu pensei nisso, mas não quis fazer

83:46

esse período.

83:46

>> Sim, mas esse tipo sou é muito difícil

83:48

explicares isso.

83:51

Da criança ou do Beto,

83:53

>> do Beto, o homem branco betar também

83:55

poder sofrer. No fundo, pá, é uma é uma

83:59

balança.

84:01

C as pessoas pensam, pá, é o é o custo

84:04

necessário para reequilibrar as coisas.

84:06

Eu já não sofro tanto com essas coisas.

84:07

Eu hoje em dia sou mais otimista.

84:10

Descreve porque tenho estudado mais

84:12

cultura assim de forma mais séria. Agora

84:15

estou a ler um livro que se chama mesmo

84:16

cultura. Não estou comecei ontem, não

84:18

sei. É um livro, é um título mesmo

84:20

corajoso. Loja de livros genéricos. Eu

84:23

quero um cultura, quero aquele que diz

84:24

filme.

84:25

>> Não, ó pá, por acaso não me lembro do

84:26

nome, mas vou vou pôr na descrição do

84:27

episódio e estou a gostar bastante.

84:29

>> E o pêndulo vai sempre longe demais

84:32

antes de regressar. A cena do áudio aos

84:35

homens e do áudio aos brancos. Áudio,

84:37

pronto, vou usar uma expressão óbvio,

84:39

óbvio porque sim, mas vai vai passar

84:42

tudo. Eu acho que as coisas

84:44

historicamente vão sempre um bocadinho

84:45

longe demais e voltam. Mas é preciso

84:47

fazer o trabalho de fazer com que

84:48

voltem. Ya. E não, não tem que ir porque

84:50

enquanto vai

84:53

e enquanto vai há pessoas que sofrem no

84:55

processo.

84:55

>> Claro, o ideal seria não acontecer.

84:57

>> O Ibrahim X Candy, o gajo que escreveu o

85:00

Ibrahim X Candy, é assim dos maiores

85:03

advocates pela opressão que os negros

85:06

sofrem os Estados Unidos da América em

85:07

particular e no mundo em geral. Eu li um

85:10

livro dele que é o Stamped from the

85:12

Beginning que é altamente, já agora, é

85:14

só história do do racismo nos Estados

85:15

Unidos da América.

85:17

Mas o gajo,

85:18

>> ei, mas disseste-me que

85:20

>> não, o gajo, o gajo tem informações e a

85:22

meu ver terríveis, mas por acaso neste

85:24

livro é uma perspectiva histórica.

85:26

>> Acho que curtiste mais o fim da política

85:28

de raças do Colman Hugs.

85:30

>> Sem dúvida. Mas esse é cultural, este é

85:32

histórico de certa forma. Apesar do

85:34

racismo ser um, podemos encaixar isso na

85:36

cultura de um país, esse esse é mais

85:38

moderno, digamos, a parte

85:39

>> principalmente nos Estados Unidos. É

85:41

muito, é uma, é uma questão mesmo

85:42

importante da história dele.

85:44

>> Sim, esse livro eu adorei. Eh, à luz do

85:46

dos movimentos que estão a acontecer

85:48

hoje em dia. O outro foi mais uma

85:49

perspectiva histórica, mas o Ibrahim X

85:51

Candy que escreveu stand from beginning

85:52

from the beginning gajo disse e the only

85:55

way to fight discrimination is with more

85:57

discrimination.

85:59

>> Fogo.

85:59

>> Pá, não pode, não é? Não pode, tipo,

86:02

devia ser ilegal, mas tipo, não, meu.

86:04

>> Pois

86:05

>> é. Foi de no more discrimination porque

86:07

é por causa da teoria do pênal

86:08

provavelmente e não tinha que ser, não

86:11

tem que ser assim.

86:12

>> Sim, não tem que ser assim.

86:13

>> Mas pronto, eu não estou indignado com

86:14

isto todo para fal.

86:16

>> Ah, és tu. É este

86:20

Pedro não quer ler

86:25

tua parentalidade.

86:28

Eu

86:30

tenho um filho de 4 anos e meio e nunca

86:33

li um livro sobre parentalidade. Já

86:35

leste alguns livros sobre

86:37

parentalidades?

86:38

>> Eu fiquei muito espantado quando

86:40

[risadas] há 4 anos para aí nós, tu

86:43

foste para aí um ano antes de mim ou

86:45

meses? Pá, ya, o P nasceu em maio

86:48

>> e eu sempre imaginei que o Pedro ia, pá,

86:50

mergulhar na parentalidade, pá, ele

86:52

estudou psicologia e que ia ser uma

86:54

coisa que nós íamos fazer em conjunto,

86:56

falar disto tudo. Ele diz-me: "Ah,

86:59

banco, não quero ler nada, não vou ler

87:01

nada de parentalidade".

87:03

E dá aí os teus argumentos para para ele

87:05

contraargumentar.

87:07

É assim, eu não tenho muitos argumentos,

87:10

mas uma coisa é certa, eu não,

87:14

tirando períodos esporádicos, eu no

87:16

geral não me sinto preguiçoso em relação

87:20

à à educação, à educação de uma filha,

87:22

em relação àquilo que eu acho que posso

87:24

fazer para ser um melhor pai.

87:27

Mas aqui eu reconheço que possa estar em

87:29

correr um pouco, talvez numa falácia um

87:30

bocado naturalista,

87:32

um bocado. E depois também não sei se é

87:34

aquela cena recitando Jonathan Height,

87:37

intuitions come first, strategic

87:39

reasoning second, de se calhar só tenho

87:43

preguiça e depois arranjo desculpas para

87:45

racionalizar a essa minha mesma

87:47

preguiça. Não sei exatamente onde é que

87:49

começa um e acaba o outro, mas acho que

87:51

não. Sinceramente,

87:53

acho que não me sinto como um pai

87:56

preguiçoso perante o filho, apesar de

87:57

usar a colona durante a noite, se isso

87:59

fosse nas primeiras.

88:03

>> Pá, mas então, dando-me a mim mesmo

88:06

permissão para ir ir um bocado nesta

88:08

fala naturalista,

88:10

nós somos pais há

88:13

milhares de gerações e sobretudo o que é

88:16

ser um bom pai e uma boa mãe hoje em dia

88:19

é específico a este contexto atual. com

88:22

o qual eu concordo. Tipo, no geral,

88:24

quando alguém fala do que é que é ser

88:26

bom pai boa mãe, no geral, concordo.

88:28

>> Achas que está geralmente cada vez

88:31

melhor a parentalidade?

88:32

>> Sim, acho, acho acho que sim, mas como

88:35

eu não leio livros sobre parentalidade,

88:37

é só mesmo bite. H, portanto, não é que

88:40

eu acho que antigamente é que se fazia,

88:43

então não me quero informar acerca do

88:44

que se está a fazer agora. Não tenho

88:45

essa essa escapatória,

88:48

mas sinto que sendo uma pessoa

88:53

minimamente

88:55

inteligente, afetiva,

88:58

atenta

88:59

e determinada

89:02

e

89:04

com os ouvidos abertos, acho que isso

89:06

pode ser suficiente para uma pessoa ser

89:08

um pai

89:10

no mínimo bom o suficiente. Mas agora tu

89:12

perguntas, ah, mas queres ser só um pai

89:13

bom suficiente ou queres ser tipo o

89:15

melhor pai de sempre? Ya, tipo, lá lá no

89:18

fundo quero ser o melhor pai de sempre.

89:20

falando isto com alguma distância,

89:22

obviamente não não há uma cena que o

89:23

culpamento, mas ya, é por isso.

89:27

>> Ó pá, eu que como vejo com uma coisa

89:29

provavelmente mais difícil e mais

89:31

complexa que alguma vez vou fazer e se

89:34

calhar isto

89:36

é pouco saudável ou se calhar parte de

89:37

uma ilusão de de capacidade de controlo

89:41

e manipulação que não existe. Claro que

89:44

existe o mínimo, não é? É diferente tu

89:47

estares presente ou não estares, não é?

89:49

Acho que isto é é quase um facto. Ou tu

89:53

bateres todos os dias no teu filho ou

89:54

não bateres, pronto.

89:56

>> Ou bater e não bater. Pronto.

89:57

>> Sim.

89:57

>> Porque é que tem que ser todos isso?

89:59

Estou quero dizer, quero pôr aqui que

90:02

existem, acho eu, quase factos na

90:05

parentalidade. Hum.

90:07

e sento uma pessoa que gosta de ler e

90:10

que gosta de psicologia e que gosta de

90:13

de ciência, pensei que ias querer. Eu

90:16

lembro-me e no outro dia fui fui

90:19

convidado para um evento assim com

90:21

várias palestras sobre parentalidade.

90:23

Pá, foi espetacular, convidem-me mais,

90:25

por favor. Hum. E disse lá uma coisa que

90:28

foi

90:30

os primeiros livros que eu li de

90:31

parentalidade,

90:33

pensei: "Ó pá, isto é uma porcaria, não

90:36

tem não tem citações, não tem papers,

90:38

não tem nada, porque sei lá, quando lês

90:40

um livro de história, um livro de

90:42

ciência, um livro de mesmo de pop

90:44

psychology, tem muitas desculpa, tem

90:46

esse fator também, o facto de eu não

90:48

sentir tanta a falta de cientificidade

90:50

de algumas coisas a

90:51

>> Mas pronto, uma das razões, talvez a

90:53

principal é que, tal como acontece na em

90:57

em psicologia alargada, não só infantil.

91:00

Há há problemas éticos sem se fazerem

91:03

determinadas determinados tipos de

91:05

experiência, não é? Tu não podes, mesmo

91:07

que desenhes a experiência perfeita para

91:10

definir se bater ou não num filho depois

91:13

de maisira é mais eficaz do que só te

91:15

desengares, tu não podes fazer isso

91:18

eticamente porque

91:20

>> Sim, sim,

91:21

>> já está, porque o o o é um bocado como a

91:23

medicina, o é o princípio do não dano,

91:25

estás a ver?

91:27

E então é bastante por causa disso, não

91:29

é falta de vontade. Mas depois

91:31

comecei-me a perceber e senti isso no no

91:33

livro do Gordon Noeld.

91:36

Hã, e também naquele

91:39

o livro que gostaria que os seus pais

91:41

tivessem lido, mas esse não gostei

91:43

tanto. Mas meus

91:45

>> não, eu não o título do livro.

91:47

>> Hum,

91:49

a experiência empírica conta. E quando

91:52

tu és uma, pá, quando tu és uma pessoa

91:54

que está há 40 ou 50 anos a receber

91:59

crianças problemáticas e famílias e os

92:02

pais e a mergulhares, tu vais aprender

92:05

coisas e é quase,

92:08

não é? Científico, é sem conhecimento

92:11

empírico forte. Claro que tu estás

92:14

sempre num contexto cultural e que se

92:17

calhar o contexto cultural e até

92:20

genético das populações destes

92:22

cientistas podem ser diferentes deste

92:24

carro, mas eu acho que não. Acho que

92:25

parentalidade, lá está, aquilo é um é

92:28

Siri no início. Estou a dizer só, sabes

92:31

porque é que eu disse que é com Siri?

92:33

>> Não

92:33

>> era porque tu ficaste meu ofendido

92:34

quando eu disse que os animais são um

92:36

bocado como a Siri. Sim, sim.

92:37

>> É, mas o o meu filho e o teu quando

92:39

nasceram, aquilo é um é um autómato, não

92:41

é? Aquilo não

92:43

>> tá só a seguir instruções genéticas para

92:46

sobreviver. E ya, pronto, tem ali,

92:49

>> eu tenho a favor, a teu favor, que é

92:54

não precisa de ser científico porque

92:57

muitas vezes tu, nós nós acho que nós

92:59

falamos sobre isto numa sério que foi e

93:03

foi uma pequena realizaçãozinha que eu

93:05

tive em tua contigo, em tua casa e

93:07

depois por acaso não tenho posto em

93:08

prática.

93:10

>> Testemunhar outros pais a parentalizar.

93:12

Ya, ya,

93:13

>> porque senti que isso,

93:15

apesar de, obviamente, tudo o que tu

93:17

disseste e fizeste com o teu filho, eu

93:19

achei fleir e reprovável. No entanto,

93:21

dei por mim a pensar, em teoria, se tu

93:23

fosses o melhor pai, eu estar a ver

93:25

aquilo podia ensinar como agir na mesma

93:29

situação.

93:30

Hum,

93:31

>> mas espera aí, estás a brincar?

93:32

>> Sim, est a brincar. Sim, sim, sim.

93:34

>> Ah, mas houve um achas que era preciso

93:36

explicar?

93:37

>> Eu não escolher meu pai. Não, houve um

93:39

momento, houve um momento engraçado em

93:41

que, pá, o meu filho tava tipo meio a

93:44

meter comigo assim, a bater-me, a chamar

93:47

a minha atenção e a minha reação foi

93:51

atacá-lo de volta,

93:53

>> ou foi desvalorizar o bater ou foi isso

93:55

ou foi o oposto. Exato. Não, não, não

93:57

foi desvalorizar,

93:59

foi,

94:00

>> ó pá,

94:00

>> foi tipo, foi hh pá, eu próprio quando

94:05

faço essas coisas e ou quando fiz isso,

94:08

eh, fico na dúvida se fiz a coisa certa,

94:10

faz parte, mas eh transformar aquilo num

94:14

momento de brincadeira e domínio em

94:17

simultâneo.

94:18

>> Ah, sim, isso foi isso, foi isso, foi

94:19

isso.

94:19

>> É brincadeira e domínio em simultâneo.

94:21

Tipo, que é isso?

94:22

>> O que para mim foi um bocado

94:22

desvalorizar, não está? Pois, eu

94:24

percebo. E eu próprio fico a pensar, pá,

94:27

se calhar estou a normalizar ele bater

94:29

ou se calhar ele vaiar bater a brincar,

94:31

mas mas é isso. Pá, eu acho que se

94:34

calhar é preguiça, se calhar

94:37

>> pode ter a ver também com a descoberta

94:39

da

94:39

>> Não sei, eu sinto que funciona porque

94:41

também tem a componente de não te metes,

94:44

não, não, não te metes comigo, não se

94:46

bate. Mas ao mesmo tempo porque eu não

94:47

estava a bater de volta, estava só para

94:50

Sim. Não, eu imagina eu

94:52

>> se tu lhe tivesses batido de volta uma

94:56

tipo uma lapita no rabo ou quê, eu não

94:58

acho fixe bater-se de todo, seja quem

94:59

for, mas não ia achar que fosse o o fim

95:02

do mundo, mas ia achar por princípio

95:05

mau.

95:06

>> Sim, por causa do exemplo.

95:07

>> Agora tu reagires na brincadeira, não

95:10

sei quê, dar domínio, não acho por

95:12

princípio mau. Aqui é mais uma e citando

95:14

Jonathan Kight outra vez, a diferença

95:16

entre um princípio e um e uma

95:18

preferência pessoal. Tipo, no meu caso,

95:20

a minha preferência pessoal, porque eu

95:22

também não sei, tipo, será que dar

95:24

aquela atenção toda, não, não, não bates

95:26

o papá, não sei quê, será que

95:29

às vezes uma pessoa não pode olhar, tá,

95:31

pronto, deu daqui a instinto dar uma

95:33

lapada no braço assim, será? Eu também

95:35

não sei o que é que é melhor.

95:36

>> Sim, sim. E se calhar o o meu se calhar

95:38

eu fiz isso porque o meu desejo era

95:41

que ó pá que a raiva que ele tivesse a

95:44

sentir desaparecesse

95:46

tornando aquilo numa coisa mais de é

95:51

isso se calhar desvalorizar

95:53

mas ao mesmo tempo mostrar tipo eu me

95:57

faz isso

95:58

>> mas eu aponto ia ser a favor de se ler

96:01

livros que da mesma forma como eu me

96:03

percebi que ver outros pais aparente

96:06

izar pode ser útil para os meus dotes de

96:09

parentalização também ler um livro é

96:11

isso, né?

96:12

>> Mesmo que não seja científico,

96:14

>> tu olha a pessoa fez isto nesta

96:15

circunstância, eu acho, eu identifico-me

96:17

com isto, tipo, comportamento A ou

96:20

comportamento B,

96:21

>> imagina que até chega ao mesmo

96:24

resultado. Ya, eu sou mais uma pessoa,

96:26

sou mais uma pessoa tipo a pessoa acho,

96:27

vou vou tentar esta cena. Ya, é muito, é

96:29

muito interessante. E no outro dia, h,

96:32

quando estávamos ah, nesse mesmo dia, o

96:35

meu filho não deu qualquer coisa ao teu

96:39

ou tirou-lhe qualquer coisa e depois não

96:41

lhe deu de volta. E eu fui falar com o

96:43

meu filho, explicar-lhe, tipo, pá, não

96:45

se faz isso, pronto, a lingha toda. E tu

96:48

disseste, vai, vai dizer qualquer coisa

96:50

a no [risadas]

96:51

lembraste? Lembro.

96:53

E na minha cabeça foi de gênero. OK. O

96:56

Pedro,

96:58

espero que o Pedro vá explicar que,

97:00

tipo, pronto, o que é que tá a

97:02

acontecer, que o podias até dizer, olha,

97:05

o Pedro tá-se a portar mal, mas o pai de

97:06

P já foi falar com ele, mas tu naquele

97:09

momento achavas que era bem ser eu e

97:11

dizer, como tinha sido o teu filho, como

97:12

tinhas sido o meu filho e [risadas] tu

97:14

diseste: "Ah, deixa-me preto meu filho."

97:16

>> Exato. Não, eu faço o meu filho, faço

97:18

eu. [risadas]

97:22

Não, mas é é muito interessante e é

97:24

útil, principalmente pessoas que que têm

97:27

valores parecidos e que sabes que pensam

97:29

nas coisas.

97:30

>> Eu não consigo defender

97:33

na

97:35

a minha posição com muito rigor

97:37

científico e lógico. Tipo, eu acho que h

97:39

partida, tu tens razão.

97:41

>> Em quê?

97:41

>> Em É bom pessoal ler alguns livros de

97:43

prel.

97:46

>> Vamos lá ver. Se vamos conseguir fazer

97:48

todos.

97:50

Duí.

97:52

Carnívoros com mulheres. Não, convívios

97:55

com mulheres. [risadas]

97:58

Ah,

97:59

>> este vai ser fixe.

98:00

>> OK.

98:01

>> Houve um

98:03

vídeo no qual eu tropecei recentemente,

98:05

ou na verdade foi há pá um ano, em que

98:08

eu acho que era na Austrália, mas onde é

98:11

não importa fim tanto.

98:12

>> Era Austrália. era no astr

98:15

eles estavam a entrevistar o os homens

98:17

que estavam num padão

98:23

as mulheres, eu acho que a questão era

98:24

que as mulheres também podiam ir aos

98:26

pubs, até então não sei se era proibido

98:28

ou

98:29

>> ou pá, se calhar era um gentlemans club,

98:31

se calhar era aquele aquele pub

98:33

específico,

98:34

>> não sei. De qualquer maneira, o que

98:36

interessa aqui é o princípio da cena. E

98:39

e o Tomás comentou, eu acho que acho que

98:44

te enviei e tu comentaste-te a dizer que

98:47

percebias o princípio e era da mesma

98:49

forma como percebias quando os gajos vão

98:52

em convívios só de gajos, que era para

98:55

proteger as mulheres, não era? Não,

98:58

respeito pelas mulher,

98:58

>> respeito pelas mulheres.

98:59

>> Era respeito, respeito pelas mulheres,

99:01

>> mas também é um bocado de preguiça, mas

99:03

diz-me quando eu poder.

99:04

>> Respeito às mulheres. É o que eu disse,

99:05

olha, eu discordo tanto que GPP.

99:10

>> What's up? Ah, finalmente. Então,

99:13

imagina, tu és um homem, acho eu, e tu

99:18

sabes que conviver com homens, h, quer

99:21

dizer, se calhar tu não és assim, mas eu

99:23

quando convivo com amigos homens,

99:26

não tenho há há um tipo de respeito que

99:30

eu não tenho por eles, que tenho pelas

99:33

minhas amigas mulheres. Eu tenho mais

99:36

respeito.

99:37

>> Que respeito é esse? Pronto. E tem a ver

99:40

com a tua conduta, teu comportamento.

99:45

Se esse esse pelas imagens que eu vi

99:47

desse bar, pá, que também influenciaram

99:49

a minha opinião desse p, lembras-te? Era

99:50

um vídeo com imagens?

99:51

>> Sim, sim, sim.

99:52

>> Era um sítio assim meio labrego, não

99:55

era? Era assim um sítio,

99:56

>> acho que era um corner pub. era um

99:58

corner pub assim com os dardos e com

100:01

tipo era tipo um sítio meio fleiro e

100:04

meio sujo.

100:06

A presença de mulheres ou uma mulher faz

100:10

com que tu se calhar não possas ou não

100:13

te sintas tão à vontade para ter certos

100:16

tipos de comportamento que não são

100:18

imorais. Pá, imagina, pá, para usar um

100:20

exemplo básico, dar um arroto ou dar um

100:24

peido ou pá

100:27

>> cenas relativamente inóc

100:28

>> ou falar ou falar sobre

100:31

falar sobre alguma coisa de uma forma

100:33

que possa ser ofensivo para uma mulher

100:35

ouvir, que se uma mulher chegar,

100:39

tu já não vais poder, vai mudar o teu

100:41

comportamento. E não é por achares que a

100:44

mulher é inferior, é o oposto, é porque

100:46

tu respeitas mais as mulheres do que os

100:48

homens.

100:49

Então não estás disposto a ser tão de

100:51

abrego enfrentar uma mulher como és só

100:53

enfrentar os teus amigos e então

100:54

perde-se alguma coisa. Claro que se

100:56

perde.

100:56

>> Mas por é que respeitas mais as mulheres

100:57

do que os homens?

100:58

>> Não sei, pá. Se calhar é cultural, se

101:00

calhar sim.

101:00

>> E será que isso é respeito? Tipo, não.

101:02

Ou é só uma diferença de cuidado? Porque

101:04

eu não acredito que tu respeitas menos a

101:07

mim do que uma amiga tua normal.

101:10

Tenho muito mais cuidado com o meu

101:12

comportamento.

101:13

>> Não falei em cuidado, falei em respeito.

101:15

Não,

101:15

>> por isso é que eu falei em

101:16

comportamento. Não é, não é um,

101:20

Pois, pá, tem a ver com um

101:21

comportamento, não é? O respeito, o

101:23

respeito profundo é igual, mas estou

101:27

mais à vontade a dar um arroto à tua

101:30

frente, ao lado da minha amiga.

101:32

>> Mas isso é um problema teu, não é um

101:35

problema da tua amiga. Isto é, se uma

101:37

mulher começa a frequentar um p e o

101:39

homem sente-se desagradado porque agora

101:41

já não pode dar um rotão peido, problema

101:44

dele, não é? Que vá para outro sítio e

101:45

que vá para casa. Por isso é que eu não

101:47

disse que concordava ou descável. disse:

101:48

"Eu percebo porque é que eles estão a

101:50

ter essa reação, porque vão perder

101:53

alguma coisa, porque eles operam dessa

101:55

forma de e pá, agora vou ter que ter

101:57

mais cuidado." O que me catelhou mais

101:59

foi a parte do do respeito,

102:01

provavelmente, mas se mudas um bocado de

102:02

respeito para diferentes comportamento e

102:04

como de uma perspectiva egoísta isso

102:06

pode fazer com que a pessoa sinta

102:07

desagradada com uma visita da mulher,

102:09

então aí já estou mais preparado para

102:11

concluir.

102:11

>> Sim, sim. Se calhar não deveria ter

102:12

usado, não, mas vem de pá, é difícil

102:15

encontrar. Então o que é que eu deveria

102:16

ter usado em vez de respeito?

102:19

Entendo a preguiça das dos homens ou

102:21

entendo, entendo o egoísmo dos homens em

102:23

quererem

102:24

>> fazer exatamente a mesma coisa e

102:26

sentirem-se

102:29

>> coibidos e o fazer

102:30

>> no fundo não e mesmo que acredites que

102:32

não faz sentido nenhum e que é apenas

102:34

cultural

102:35

é sentido é uma coisa que sente na

102:38

mesma, não é? Que a presença de uma

102:41

mulher vai mudar o a dinâmica.

102:44

É uma cena que algumas pessoas podem

102:46

sentir, mas por exemplo, como as pessoas

102:48

também podem optar, até que ponto é que

102:49

elas realmente sentem isso ou não?

102:51

>> Eu tive uma mulher me despedente de

102:52

solteiro.

102:53

>> É verdade. Eu não tive.

102:53

>> Por isso eu sou um

102:54

>> hoje em dia

102:55

>> grande feminista.

102:56

>> É verdade. Eu não tive. A minha

102:58

>> hoje em dia teria tido, mas na altura

102:59

era um jovem desinformado.

103:01

>> Cerca da natureza da vida.

103:02

Por isso, pronto, acho que eu ter tido

103:04

uma mulher na minha filha de solteiro

103:05

mostra que que eu tenho amigas que eu

103:09

acho que que conseguem conviver nesse

103:11

espaço, mas mesmo assim não não foi à

103:16

despedida toda. Exatamente.

103:18

>> Não foi ao

103:20

foram um um strep,

103:21

>> não.

103:23

Mas foi a foi à segunda metade ou assim

103:26

uma coisa por iniciativa dela, acho eu,

103:30

se bem me lembro, porque sabia que era

103:32

importante haver o espaço em que, por

103:35

muito que seja, tipo, pá, ela seja

103:38

espetacular para esses convívios só com

103:40

gajos, ela mesmo assim sabia que era

103:43

importante, intuiu, se calhar, ou

103:46

conhece a sua cultura que era importante

103:47

haver uma outra fase. Mas por acaso acho

103:49

que não sei se teria feito muita

103:50

diferença. Não sei como é que os outal

103:52

se sentiu.

103:53

>> Eu à partida eu não curto a ideia de

103:55

qualquer tipo de segregação,

103:57

mas algumas são um nível assim tão

104:00

baixinho quanto esse que para mim, lá

104:01

está, voltando à cena do princípio e

104:03

prevência pessoal, deixa de ser uma

104:05

questão do princípio e passa a ser uma

104:06

questão de prência pessoal. Mas

104:10

fagregation is badman.

104:13

Multar um irmão era tal que nós fizemos

104:16

há um bocado.

104:16

>> Boa.

104:17

>> Ah, aqui era multar. Nós usamos a a

104:19

parábola da

104:20

>> Olha só, faltam três. Acho que vamos

104:21

conseguir

104:22

>> ganhar mais memória e mais vida por ter

104:24

mais memórias.

104:25

>> Ah, ok. Faz o teu bit. Este também vai

104:27

ser rápido.

104:31

>> Se nós pudermos concordar que a vida são

104:33

memórias e muito não numa perspectiva

104:37

científica ou necessariamente lógica ou

104:40

até racional, mas numa perspectiva mais

104:42

romântica e filosófica, né? Tudo, tudo o

104:46

que nós sabemos acerca do que significa

104:48

estar vivo é aquilo que nós estamos a

104:51

experienciar agora mesmo e depois tudo o

104:53

resto que é bem mais é aquilo que nós

104:55

lembramos acerca daquilo que vivemos.

104:58

Então a nossa vida são memórias. Se a

105:00

nossa vida são memórias, então quanto

105:03

mais memórias nós temos, mais vida temos

105:07

dentro. De acordo com esta teoria, nada

105:09

senti. Eu, a primeira vez que eu pensei

105:12

acerca disto foi acerca de de como

105:15

viajar me dá mais vida, porque por mais

105:18

que eu adoro a minha rotina em São João

105:20

da Madeira, todos os dias com7 e não é

105:22

altamente, pum, pum. Por mais que eu

105:24

adoro isso, a verdade é que como os dias

105:25

são muito parecidos uns com os outros,

105:26

eu tenho menos memórias.

105:28

E quando eu vou de viagem, eu lembro-me,

105:32

não diria de todos os dias, mas eu

105:33

lembro-me tu, deve-se acontecer o mesmo

105:35

contigo. Deves-te lembrar de muitos mais

105:37

dias passado tanto tempo de quando

105:39

estavas na Austrália do que um ano

105:43

depois quando estavas em Portugal já há

105:44

meio ano ou assim?

105:45

>> Sim. Mas lembras-te dias inteiros? Eu

105:47

lembro de coisas que fiz. Não me lembro

105:49

assim de dias inteiros, mas tu vais

105:51

escrever lembro de dias inteiros, mas

105:53

lembro-me de coisas de vários dias

105:57

seguidos. Isto é, lembro-me quem naquele

105:59

dia estava ali também, eu deslocava-me

106:01

muito, isso também ajuda. Naquele dia eu

106:03

estava ali, apanhei bleia com pessoa

106:05

tal,

106:06

>> depois no dia a seguir, se calhar lembro

106:07

de uma cena às 4 da tarde, não é que eu

106:08

lembro dos dias inteiros.

106:10

>> Então a minha proposição é essa, é que

106:11

vi, que mais memórias dão mais vida.

106:15

Mais vida, seja através de viagem, seja

106:17

através do que for, que nos

106:18

>> traga mais móis. Pronto. E o que eu

106:20

tenho a dizer em relação a isso é

106:22

percebo, entendo, identifico muito com a

106:26

com a importância da memória e até sofro

106:29

um bocadinho com não me lembrar de mais

106:31

coisas. Hum, sinto que já fizá tantas

106:36

coisas e tive tantas conversas e festas

106:39

e conheci pessoas espetaculares que

106:42

já me esqueci que me esqueci. Ou seja,

106:45

estás a ver?

106:46

Mas tenho noção que há assim um conjunto

106:48

gigante de coisas altamente que eu fiz e

106:49

que que foram para sempre, já

106:51

desapareceram para sempre, mas é fixe

106:53

também. Mas h o que é que eu tenho a

106:56

dizer contra isso? Isso não deve ser

107:00

aquilo que orienta a tua vida, porque

107:03

tu quando fumas e bebes à partida tens,

107:06

vamos supor que é um facto que que

107:08

retens menos memória. OK. Mas estás

107:11

disposto, se calhar a

107:13

>> Eu não, eu não estou não não sei se

107:15

aceito essa proposição, porque quando

107:17

estás bué bêbado, sim, mas quando fumas

107:21

erva

107:23

uma pessoa esquece mais da, às vezes

107:25

perde um bocadinho mais a ponte, estava

107:27

a falar de quê? ou coisas assim, mas não

107:30

sei se,

107:32

tipo, eu quando fumo, no dia a seguir eu

107:34

olho para trás e lembro-me como me

107:36

lembraria

107:38

se não tivesse fumado em termos de

107:39

daquilo que retenho. Portanto, acho que

107:41

influencia à memória às vezes, tipo,

107:44

>> a curto prazo, mas não sei se infancia

107:47

longo prazo. Bem, então então

107:48

>> menos queiras usar isso só como

107:49

princípio.

107:49

>> Sim. Então, então imagina que havia um

107:51

comprimido que te faria, pá, curtir

107:56

muito mais e divertir-te muito mais, mas

107:58

que o custo era teres menos memória.

108:00

>> OK.

108:02

Se o se o teu objetivo de vida fosse

108:05

algo tão simples e sinistro como

108:07

maximização de prazer sem mais nada,

108:11

então isso da memória é secundário,

108:13

porque se calhar a vida até pode podemos

108:15

acrescentar significado e tudo mais, se

108:17

calhar a vida com mais significado e

108:20

prazer e conexão não é a vida que cria

108:23

mais memórias.

108:25

>> Percebo isto é 100% subjetivo. E há uma

108:28

experiência muito parecida com o que

108:30

estás a dizer. E desculpa, já estamos a

108:32

meter muitas referências. Desculpa, mas

108:35

acho que é no thinking fast and slow do

108:38

Daniel Canneman e pá, nunca ninguém sabe

108:40

o nome do outro gajo, Omar, qualquer

108:42

coisa. Eu acho que é lá em que eles

108:44

dizem: "Tu vais numa vais de férias,

108:47

tipo, duas semanas e vão ser tipo as

108:50

férias da tua vida. Vai ser incrível,

108:54

espetacular. Tipo,

108:56

pensa de tudo o que pode correr bem vai

108:57

ser isso, mas depois chegas, chegas a

108:59

llamas de nada.

109:00

Ou então vais de férias duas semanas na

109:02

mesma e vai ser fixe.

109:05

Vai ser fixe. E depois chegaste e

109:07

lembras-te normal como te lembrarias. De

109:10

qualquer maneira, o que é que tu

109:11

preferes? Esquece filhos e Catarina e

109:14

põe foca-te só em ti.

109:17

>> Depende, depende a que distância é que

109:19

eu estou da minha morte, porque eu vou

109:21

retirar prazer da memória durante x

109:23

dias, sempre que me lembrar disso,

109:25

>> daquelas sérias que foram mais ou menos.

109:27

>> Sim.

109:28

o o peso que a memória tem, se pensares,

109:32

e é é a tua premissa essa, é que te vai

109:34

trazer a sensação

109:37

de que te viveste mais, que é um pequeno

109:39

prazer.

109:40

>> Ya. Ou seja,

109:41

>> depende de quanto tempo falta até

109:43

morreres.

109:44

>> Isso é uma questão interessante porque

109:45

efetivamente nós mais cedo ou mais tarde

109:47

nós vamos nunca mais nos vamos lembrar

109:48

de nada quanto mais seja porque vamos

109:49

morrer. Ou seja, a memória vai sempre

109:51

desaparecer. Tem a ver com quanto tempo

109:52

é que nós

109:53

>> Ya, os últimos 10 segundos de vida, pá,

109:55

é para curtir o máximo sem ter que

109:57

lembrar nada.

109:58

>> OK, mas complicaste a cena. Não tinha

110:00

essa. Mas mesmo assim agora era agora

110:03

tinhas que escolher agora.

110:05

>> Tinhas que escolher agora com este

110:06

>> mesmo agora tu não sabes quanto tempo é

110:07

que vais fes morrer mais cedo.

110:09

>> Sim, mas tenho uma expectativa

110:10

probabilística.

110:11

>> Acho que lembrar-me

110:13

>> eu também.

110:14

>> Por isso eu valorizo bastante a memória.

110:15

Sim. Mas se alguém me disser, eu acho

110:18

que de acordo aquilo que estavas a dizer

110:19

que o pessoal pode valorizar,

110:20

>> espere se calhar para mim uma viagem

110:21

normal é incrível.

110:24

>> Pois eu sei. Uma viagem normal duas

110:26

semanas para mim é tipo fogo, vai ser

110:27

incrível.

110:28

>> Ya. Ya. E não é muito difícil uma pessoa

110:29

ter duas semanas absolutamente

110:30

incríveis, mas pensa na cena mais

110:32

>> pessoas menos fixes do que nós.

110:34

[risadas]

110:36

Eu vi

110:36

>> para quem duas semanas de férias ou uma

110:39

seca.

110:40

Pensa, pá, uma cena mais tem, tipo, vais

110:42

para um hotel e

110:45

não escolheste ir para lá, mas pá, não é

110:47

preciso, não é preciso. É

110:49

>> bem

110:49

>> uma incrível e uma ainda mais incrível,

110:52

10 vezes mais incrível. Acho que

110:54

escolhia memórias, ter memória.

110:56

>> Ya, também a pessoa que valorizaria mais

110:58

o

110:59

>> Não utilizaria o clone.

111:02

>> Voltamos à cena da memória, mas aqui não

111:05

há sacrifício.

111:05

>> A pessoa mais edonista não usaria o

111:07

clone.

111:08

>> Não, eu estou a pensar no clone da

111:09

parentalidade. Também tem a ver com as

111:10

memórias,

111:11

>> com criar boas memórias, não? Aliás, tem

111:14

mais a ver com isso do que com o

111:16

sacrifício em si, como concluímos. Dois

111:18

papéis. Ou tinhas mais alguma coisa a

111:20

dizer? Não, não, não. Quando é que vamos

111:22

poder dizer que o patriarcado acabou?

111:26

Quanta igualdade. Pronto, olha, isto

111:28

nasceu de,

111:29

>> tu lembras? Esse é dos mais antigos,

111:30

acho eu.

111:31

>> Não, não é,

111:32

>> acho que não.

111:33

>> Isto nasceu de de ouvir uma pessoa num

111:35

podcast a falar sobre isto.

111:38

>> É uma ona vez quem é?

111:39

>> Hum, pá, não me estou a lembrar do nome.

111:42

>> Ah, sim.

111:43

>> Foi alguém que falou com o The Teen Man.

111:46

>> Ah, é estrangeiro.

111:47

>> Sim. o inglês

111:49

a dizer que

111:52

uma pessoa do ocidente

111:55

usar a mesma palavra, ou seja,

111:57

patriarcado do que uma pessoa do Irão,

112:00

onde as mulheres não podem cantar e não

112:03

podem jogar xadrez e não podem, não é,

112:05

fazer quase nada, que

112:09

pá, pode ser um bocadinho ofensivo para

112:12

mulheres desses sítios.

112:14

H, e pode também ser um bocado ofensivo

112:17

para algumas mulheres, algumas já

112:20

morreram, outras ainda estão vivas, pá,

112:22

que lutaram tanto e se sacrificaram

112:24

tanto para chegar onde estamos hoje

112:28

e

112:30

e que não há e que seria bom, ou seja,

112:35

não é uma maneira de parar de falar

112:37

sobre feminismo nem nada, mas que se

112:40

calhar seria bom e mais realista para

112:42

toda a gente.

112:43

mudar a palavra ou tentar perceber

112:46

quando é que ou fazer esta pergunta,

112:48

porque é uma maneira de sentir que está

112:50

a ver progresso. E houve progresso.

112:53

E eu achei interessante a ideia que é

112:56

quando é que vamos poder dizer o que é

112:58

que tem de acontecer, não é? Já já

113:00

chegamos tão longe,

113:02

quando é que vamos poder dizer que

113:03

acabou o patriarcado? Eu não sei se não

113:06

não é, não sei. À partida não concordo

113:08

com a com a premissa porque imagina, tu

113:11

tiveste um regime opressor no Cambodja

113:13

nos anos 80 ou com Rud que matou de 20 a

113:17

25% da população e tiveste um regime

113:20

opressor em Portugal durante 40 e tal

113:23

anos que matou muita, matou pouca gente,

113:26

não sei quantas pessoas é que morreram

113:27

diretamente às mãos do Mas não morreram

113:30

de certeza 20 a 25% da população.

113:33

No entanto, de acordo com essa lógica,

113:34

eles são tão, tão, tão distintos, tipo,

113:37

os camboganos sofreram tão tão tão tão

113:38

mais que nós também não deveríamos dizer

113:41

que o nosso regime em Portugal tinha

113:43

sido opressor, só porque o outro tinha

113:44

sido tão mais. Estás a perceber? Então,

113:46

a partir daí já não concordo com o que

113:49

essa pessoa disse.

113:52

Agora,

113:54

não significa que não faça sentido uma

113:57

pessoa pensar quando é que o para já o

113:59

que é que é o patriarcado.

114:01

>> É isso. H ele ele explicou no podcast,

114:04

é um sistema social e cultural em que o

114:06

poder e a autoridade

114:08

>> Estás a perguntar a quem?

114:09

>> Chat JPT.

114:11

HH já vai imensa imensa gente a dizer:

114:13

"Não acredito que usa o chat GPT". H, é

114:17

um sistema social e cultural onde o

114:19

poder e a autoridade estão

114:20

predominantemente concentrados nos

114:22

homens e quant as mulheres tendem a

114:23

ocupar posições subordinadas.

114:26

Por isso, a partir de for isso e que

114:29

parece fazer sentido, porque o

114:30

patriarcado não tem que ser

114:31

necessariamente um sistema assente na na

114:36

seinda é patriarcado.

114:39

>> Não.

114:40

>> Pois. Então é isso. Então tem que haver

114:41

um momento e o que o não estou lado o

114:44

nome dele estava a dizer Richard Reeves.

114:47

Richard Reeves. Eh, estava a dizer é que

114:49

pá seria útil

114:51

porque senão é uma coisa

114:52

>> Sim, seria útil haver pá haver meio que

114:55

um consenso ou haver essa conversa,

114:58

porque pode ser efetivamente uma coisa

115:02

to aim to, não é?

115:03

>> Se calhar aí o mais fácil para

115:06

distinguir era o legal, não é? Imagina,

115:09

tu tu tens algumas leis que são

115:11

diferentes para homens e para para

115:14

mulheres. Em países, por exemplo, em que

115:15

há serviço militar obrigatório, as leis

115:17

são diferentes, coisas relacionadas com

115:19

gravidez e tudo mais. Tens leis são

115:21

diferentes e algumas delas até em

115:22

desfavor do dos homens.

115:24

Mas em países realmente opressores ou

115:27

fundamentalmente opressores para as

115:29

mulheres como sei lá, Arábia Saudit ou o

115:31

Irão, por exemplo, como tu disseste, aí

115:33

essa distinção é tangível e tá na lei.

115:36

Portanto,

115:38

está ou está aí a diferença,

115:40

>> porque de acordo com essa definição, nós

115:42

também vivemos um patriarcado, porque

115:43

efetivamente, apesar de nós não termos

115:45

codificado,

115:47

que eu saiba à partida e se tiver errado

115:49

metam nos comentários, mas apesar de nós

115:51

não termos codificado nenhuma lei que

115:53

realmente favoreça os homens,

115:55

>> mas ora que não sei,

115:56

>> eles têm eles têm dominância social e

115:58

cultural,

115:58

>> usando esta usando esta esta definição,

116:02

>> dominância social e cultural, acho eu,

116:03

né? política, económica, jurídica,

116:05

simbólica e familiar. Eh, tem aqui um um

116:08

parênteses depois de dizer poder e

116:10

autoridade, abre este parêntese. Hã, pá,

116:14

por exemplo, o poder, o poder económico

116:17

no sentido de decisões de compra

116:20

é dominado pelas mulheres.

116:22

>> Fizeste compra de quê?

116:23

Por exemplo, nas casas, quem decide o

116:26

que como a forma como o dinheiro é gasto

116:30

nas famílias, que é uma quantidade de

116:31

dinheiro gigante na economia de consumo,

116:34

é maioritariamente a mulher.

116:35

>> Mas isso são minusências. Minusências,

116:37

tipo, quem decide se calhar onde quem

116:39

quem compra a casa ou onde se compra a

116:40

casa ou qual casa se calhar já há mais

116:42

zonas.

116:43

>> Porque é que achas isso?

116:45

>> Porque essas decisões, estamos a falar

116:47

literalmente apples and pairs, né? Tipo,

116:50

essas decisões

116:52

que cabem às mulheres que são tão

116:54

importantes acerca da economia familiar,

116:56

pá, tem a ver com comprar arroz ou massa

116:58

ou esta marca ou aquela, não é uma cena,

117:00

não vejo nenhum poder aí,

117:01

>> pá. E e as maiores influências culturais

117:05

do mundo serem todas mulheres ou quase

117:07

todas.

117:08

>> O que é que tem?

117:09

>> É o poder.

117:10

>> É o poder que elas têm, não é o poder

117:12

necessariamente que as mulheres têm, até

117:13

porque elas

117:13

>> Achas que os homens têm mais poder

117:14

cultural do que as mulheres? Por

117:16

exemplo, nas redes sociais? Uma pergunta

117:19

um bocado abrangente, mais poder

117:20

cultural, como é que is

117:22

>> mais capacidade de influenciar

117:23

comportamentos?

117:26

Mais mais capacidade de influenciar

117:27

comportamentos.

117:29

Quantos influencers homens é que

117:30

conheces?

117:32

>> Hum, tenho um à minha frente. Conheço

117:35

pessoalmente ou que eu sei que existem?

117:37

>> Não, aqui na internet,

117:37

>> pá, qualquer um. O o Markel é um

117:39

influencer. É, apesar de não ser sua

117:41

cena principal, então conheço centenas,

117:43

provavelmente.

117:43

>> Sim.

117:44

>> Mas estava agora a pensar, será que as

117:48

mulheres se influenciam mais ou menos

117:51

por outras mulheres influencers

117:53

que os homens? Será que o nos homens há

117:57

maior diversidade, estilo de conselhos,

117:59

digamos, em relação ao comportamento?

118:01

tens aqueles gajos vão espectro unutate

118:04

até ao Diogo Far, por exemplo, tens um

118:05

espectro muito maior, então há mais

118:08

diversidade

118:10

e não há nenhum elemento unificador que

118:13

influencie tanto e o das mulheres, tens

118:16

tanto escope?

118:17

>> Sim,

118:17

>> nas mulheres tem mais afluências? A

118:19

minha questão é essa.

118:22

>> Acho que sim. Acho que também tens

118:23

muitas mulheres na política que e tem

118:26

bastante voz. Pá, de qualquer maneira,

118:28

qual é o poder, qual é o poder de uma

118:29

influencer que não seja aquele que é

118:33

>> de ganhar o dinheiro que é dela e que o

118:35

pessoal paga para fazer publicidade? Não

118:37

tem, tem poder.

118:39

>> Fogo,

118:39

>> mas tu não podes, quando pensas nesse

118:40

tipo de poder, eu acho que não podes

118:42

pensar na nos outliers das pessoas que

118:45

têm milhões de seguidores.

118:46

>> Pá, imagina outers para para tudo. Pensa

118:49

no grosso das pessoas. Mas imagina,

118:51

vamos se olharmos para Eu, pá, para mim

118:54

não é muito importante se nós somos para

118:55

tirar cada ou não, mas realmente acho

118:57

estranho usar a mesma palavra para o

118:58

Irão e para e para para a bolha de

119:02

Lisboa.

119:03

>> Eu estou a dizer isto que eu não estou

119:03

convencido com o

119:05

>> pá familiar. Acho que a evidência a

119:07

última vez que eu vi a evidência mostra

119:08

que que pelo menos as decisões

119:09

económicas são maioritariamente das

119:11

mulheres. H

119:12

>> decisões económicas acho que desculpa.

119:14

Não, não, não, acho que não deves deixar

119:16

isso passar. Então,

119:17

>> uma coisa é comprar maçãs e peras, outra

119:20

coisa

119:20

>> não, isso faz e casas. E

119:22

>> outra coisa se faz e casas e o como se

119:24

investir dinheiro, como poupar. Eu não

119:25

tenho informação para dizer que estás

119:26

errado, mas acho que é importante fazer

119:29

uma distinção entre Sim, sim, sim, sim.

119:32

>> Diferença,

119:32

>> mas tenho as minhas dúvidas. Mas imagina

119:34

se tivesse eh os deputados a ver eh

119:38

poderias dizer que eh estamos num

119:39

patriarcado porque não há 50% de de

119:42

mulheres no na assembleia ou nos CEOs,

119:45

que é uma coisa que se usa muito.

119:47

Pá, se isso não for uma coisa na lei,

119:50

nem no nem nos princípios de uma empresa

119:53

ou no não é escrita em lado nenhum,

119:56

então se calhar não é um patriarcado, se

119:58

calhar é só um um mercado a funcionar

120:01

com restícios culturais e se calhar há

120:03

quem chama esses restícios culturais

120:05

patriarcado, mas usar a mesma palavra

120:08

para os restícios culturais do que usas

120:10

para por leito, não poderes mostrar a

120:11

tua cara, não poderes dançar, não

120:13

poderes cantar, não poderes jogar

120:14

xadrez, pá,

120:16

Não sei se faz muito sentido.

120:17

>> Eu acho que não são resquícias

120:18

culturais, porque o patriarcado, a

120:20

maneira como estou a entender e acho que

120:22

estamos a entender, pressupõe também uma

120:24

ideia pré-concebida acerca dos talentos

120:26

de um homem e de uma mulher, por

120:27

exemplo. E então tu podes ter, podes não

120:30

ter leis que façam com que uma mulher

120:33

não, não chega a ser adotada ou tudo

120:34

mais, mas podes ter um sistema

120:37

subjacente ou um sistema social e

120:40

cultural subjacente ou legal que faça

120:42

com que as pessoas coloquem consciente

120:44

ou inconscientemente mais entradas à

120:46

progressão das mulheres no carreira

120:48

política ou numa carreira de de ciência

120:51

ou assim, foi que eu disse cultural, mas

120:53

mas não é a mesma coisa. Não é a mesma

120:55

coisa, claro que não, mas continua a

120:56

enquadrar-se para mim nessa definição. A

120:58

parte da família não sei bem, porque

121:01

além de só ter uma família, tem estou na

121:04

minha bolha e não vi necessariamente

121:06

nenhum estudo sobre isso, mas a parte,

121:08

por exemplo, aí da

121:10

do da carreira política de uma mulher ou

121:12

de CEO, acho que já não é bem assim.

121:14

Agora

121:15

>> sim. Ó pá, depende, lá está, depende

121:17

destes destas dimensões todas. O que é

121:19

que valorizas mais? Por exemplo, se um

121:21

alien chegasse cá e fosse um alien que

121:26

na cultura dele se valorizasse muito a

121:28

educação e os professores,

121:30

ia chegar lá cá e pensar: "Ah, OK, aqui

121:33

é um matriarcado, porque quem tá a dar

121:37

conhecimento às crianças são

121:38

maioritariamente as mulheres, quem está

121:40

a moldar."

121:41

Pá, depende muito de quanto peso dás a

121:43

cada uma cada uma destas dimensões. No

121:45

fundo,

121:45

>> eu acho que tem a ver com poder decisivo

121:47

e se calhar colocação de entraves uma

121:50

determinada percussão por poder

121:51

decisivo. Essa o valor que tu estavas

121:54

aer com o Alien daria a educação. Se o

121:56

Alien fosse mais atrás, por exemplo, e

121:58

visse a a mulher a dar de mamar, imagina

122:02

no Irão, por exemplo, vai lá e vê uma

122:04

mulher a dar de mamar e e a a educar os

122:07

filhos e tudo mais, apesar da mulher

122:09

estar 100% sujeita às decisões do

122:12

marido, seja no que for, o Elen também

122:14

podia dizer: "Ah, mas é ela que educa a

122:15

próxima geração, então ela tem o poder

122:17

efic não é assim." Ya.

122:19

>> Quem é que tem mais,

122:21

quem é que tem mais probabilidade de

122:24

poder viver ao máximo o seu potencial?

122:28

Eu acho que os homens têm mais

122:29

possibilidade de viver o seu potencial.

122:31

>> Sim, mas imagina que daqui a 10 anos são

122:33

as mulheres. Vivemos num matriarcado ou

122:36

vivemos num pá num sítio com igualdade

122:38

onde por acaso neste momento, percebes?

122:40

>> Não tem que ir de um para o outro.

122:41

Eventualmente vai- se desbater.

122:43

Provavelmente não no nosso tempo de

122:44

vida. Pronto, no fundo, eu só queria eh

122:46

eh achei bem interessante, queria pô-la

122:49

aqui e gostava que alguém gostaria que

122:52

alguém que que se debruça sobre esses

122:54

temas eh falar sobre isto. De uma

122:58

resposta, quando é que vamos poder dizer

123:01

o último? Tira tu que és convidado.

123:04

>> Olha estas caixinhas. Isto é de quê?

123:07

>> Droga, provavelmente.

123:08

>> Hã,

123:11

>> boa. São bonitas. Parecem aquelas

123:13

>> uma caixinha de arrumar coisas. Rochia,

123:15

mas mais

123:18

sentido aceitarmos o chega ou os

123:22

restantes do Chega?

123:24

>> Ah, ok. Pá, em 10 minutos,

123:27

>> o máximo menos. Eu

123:31

dei por mim a pensar nisto no outro dia,

123:32

que é

123:34

nós

123:36

temos consciência

123:38

de que provavelmente está a haver uma

123:40

maior polarização na sociedade e tudo

123:42

mais e nós queremos evitar isso, termos

123:44

que isso está problema e tudo mais.

123:47

E eu

123:49

o meu processo com isto, à medida que

123:50

começaram a aparecer maneiras de ver a

123:53

sociedade e maneiras e projetos para o

123:57

futuro mais relacionados com seão a

123:59

extrema direita, à direita radical, mais

124:01

afeta pessoas como André Ventura, o

124:04

Trump e todos os movimentos que temos

124:07

visto surgir por aí, Víctor Orban, por

124:09

aí fora. Vítor, confesso, não conheço

124:10

também, mas isso inicialmente

124:14

por mais abjeto que o Trump

124:18

meja e por mais

124:23

desagrado total que eu tenho em relação

124:26

a tudo o que diz respeito ao André

124:28

Ventura e ao Chega, eu dei por mim a

124:31

pensar, pá, também não quero excluir da

124:33

minha vida a partir de alguém só porque

124:35

estou diferente, não quer ser essa

124:36

pessoa e tudo mais. Então pensei que se

124:38

alguém me dissesse que votaria no Trump

124:40

ou que vota no Chega, que é aquilo que

124:43

eu quereria saber, sobretudo em vez de

124:47

julgar à partida à pessoa, saber porquê,

124:50

porque é que votaste nesta pessoa,

124:52

porque é que votarias naquela pessoa?

124:55

E sinceramente, se alguém me dissesse

124:57

que era porque achava que os ciganos

124:59

eram isto ou aquilo, então, ya, eu

125:02

achava esse fleiro e e se eu não fosse

125:05

ainda amigo da pessoa, provavelmente não

125:07

teria assim muito interesse em ser amigo

125:08

com alguém xenófilo.

125:11

E em relação a

125:13

>> Ah, não estás a dizer que as pessoas que

125:14

voltam chega são xenófas.

125:16

>> Já chego.

125:17

>> Ah. H.

125:19

Só que o tempo foi passando e eu comecei

125:23

a a perceber para já uma cena que é que

125:25

é um princípio que eu tenho explicado

125:26

muito muito que é sempre que nós

125:28

criticamos alguém por ter uma

125:29

determinada atitude,

125:32

nós também temos a mesma atitude.

125:34

simplesmente tem tê-la num ponto

125:37

diferente do espectro que é se tu

125:40

conheces um e vou fazer aqui um reductom

125:43

que não é assim tão

125:45

ad

125:46

>> tão absurdo,

125:47

>> mas tu conheces o neonazi que acha que o

125:49

holocausto foi bom e e que o Hitler era

125:52

maior e tudo isso.

125:54

>> Já passei essa fase. Eu não vou querer,

125:57

e é por isso que eu sou teu amigo agora,

125:59

porque eu não, eu não vou querer ser

126:00

amigo de uma pessoa que é um nazco

126:03

clarado. E eu acho que a maior parte das

126:05

pessoas não quer ser amiga de uma pessoa

126:07

que é violado, que aceitou locas pessoas

126:09

também põe uma linha. Portanto, não é

126:12

que só algumas pessoas é que ponham

126:13

linhas, todos pomos linhas. A questão é

126:14

onde é que nós apomos. A partir do

126:16

momento em que nós desapercebemos disto,

126:18

de certa forma

126:21

até dá, estou a falar em em eu estar a

126:24

julgar outra, mas de certa forma a

126:25

partir do momento em que se percebe

126:26

isto, até dá para julgar menos num

126:28

determinado parâmetro. Então eu estava a

126:30

pensar, ó pá, na verdade imagina,

126:31

especialmente tendo em conta isto que

126:33

aconteceu, hh porque mais declarado é

126:36

difícil. Eu acho, eu sempre achei que o

126:38

Aventura,

126:41

vou dizer isto novamente, há muito tempo

126:44

que eu acho que uma convicção convicção

126:46

aguerrida que o Ventura é um racista. Eu

126:50

acho que esse não é o seu principal

126:52

problema. Acho que o principal problema

126:53

dele é que ele sempre quis ser famoso.

126:56

>> Desculpa lá, não te passa pela cabeça

126:58

ele ser zero racista, mas estar a usar

127:01

truques para ganhar vtos

127:03

>> vai dar ao mesmo. Eu acho que a

127:04

motivação principal dele é ser famoso.

127:06

Tipo, ele, o sonho dele inicialmente, eu

127:08

achei isto super caricado. Isto vem num

127:11

podcast do Expresso que é entre Deus e o

127:13

Diabo. Tem algum envieszamento, mas

127:15

sobretudo acho que também são 7 horas

127:18

boas. O sonho dele é não era ser

127:20

escritor, era ser escritor de bests

127:22

tellers. Eu achei isto fantástico, tipo,

127:24

especialmente eu como escritor, o meu

127:26

sonho não é ser escritor de bestseller,

127:27

é poder viver dos meus livros. Então

127:29

isso

127:29

>> se calhar era mais ganhar um Nobel no

127:31

limite e não escrever bestsellers. Isso

127:35

sugeriu-me que à partida o desejo dele é

127:37

ser famoso e então tudo o que ele faz é

127:39

para conseguir combatar isso e depois

127:41

vai ganhando poder e tudo. Então pode

127:42

não pode não ser racista necessariamente

127:44

>> não. Mas se uma pessoa se dá o luxo de

127:48

ser racista em nome dos seus objetivos

127:51

individuais, estão então a pessoa é

127:52

racista.

127:53

>> Sim. não quer saber das pessoas que

127:55

possam ser afetadas no cerd-se da

127:57

opressão e minorização de determinado

127:59

grupo. Então, especialmente, apesar de

128:02

eu já achar isto há muito tempo acerca

128:03

do do aventura, eu acho esta cena do

128:06

isto não é Bangladesh, dos outdors e os

128:09

ciganos têm que pagarem eh os ciganos

128:11

têm que pagar impostos ou uma coisa

128:12

assim.

128:14

>> Mais declarado que isto, só se ele

128:16

dissesse: "Eu odeio ciganos", por estar

128:18

a singularizar desta forma com uma ideia

128:20

subjacente que eles realmente não pagam,

128:22

especialmente estamos em Portugal, meu.

128:24

Tipo, esmagador a maioria das pessoas

128:26

não puder pagar impostos, não paga. Mas

128:29

tipo, quando são os ciganos a fazer, já

128:30

é uma grande cena.

128:31

>> Espera aí, se tu confrontares o André

128:33

com isso, ele não vai dizer sim, sim, eu

128:35

não gosto dessas pessoas. Ele vai dizer

128:37

o quê? Não, olha, eu tenho um amigo

128:38

cigano que faz as coisas bem e paga

128:40

impostos e trabalha e não tenho nada

128:42

contra, percebes?

128:43

>> Ya, que bonito. Eu não estou a

128:45

compará-lo com o Hitler, mas o médico do

128:47

Hitler era um judeu. E ele dizia que era

128:48

um judeu bom. era uma espécie de

128:50

categoria que ele fazia na cabeça dele

128:52

para justificar não fazer aquilo. Mas ou

128:55

seja, isso não interessa, tipo, não me

128:56

interessa.

128:57

>> Eu já conheci negros racistas com

128:59

negros, então o que é que me interessa

129:00

se um branco tenho um amigo negro para

129:02

usar isso como argumento que não é

129:03

racista, percebes?

129:05

>> Então isto deixou-me achar. OK, não é

129:07

que eu Será que quem vota no Chega é

129:11

xenófobo? Pá, não necessariamente, mas é

129:14

sem dúvida conivente com xenofobia. E

129:17

agora aqui a questão é, será que ser

129:19

convento com xenofobia é ser xenófobo?

129:21

Pá, eu tenho minhas dúvidas, se calhar

129:22

é, percebes? E tipo, será, será que eu

129:25

será que eu devo? Deixa-me só concluir,

129:26

será que eu devo tratar com a mesma

129:29

abertura e compreensão e tá-se bem uma

129:33

pessoa que vota numa pessoa que é

129:37

xenófoba? Como trato, pá, um gajo de

129:39

CDS, tipo, antes chega, CDS era o grupo

129:41

com o qual menos me identificava.

129:44

Ui, o CD são os meninos, meu. Tá-se bem.

129:46

Ok, tenho a cena do aborto, que apesar

129:48

de eu ser a favor do aborto, eu até

129:50

percebo os pontos adversos, como sabes,

129:52

>> não és a favor do aborto.

129:54

>> Eu sou favor da espalização do aborto,

129:55

seja o que for, eu sou vegan, abomino a

129:58

cena das touradas. É uma cena com a

130:00

qual, pá, nunca concordei, nunca

130:02

concordarei, provavelmente com com o

130:03

pessoal do CDS, mas é diferente. Mas

130:05

pronto, posso, acho que tás, podes estar

130:07

a cometer aí um, um erro, não

130:09

necessariamente, que é

130:12

eu posso votar no CDS,

130:14

imagina, por ser o único partido que

130:17

defende as touradas

130:20

e eles serem contra o aborto,

130:24

mas é o único partido que está a

130:25

defender as touradas,

130:27

é o único partido que tá a defender

130:28

aquilo que é importante para mim. E se

130:30

calhar para mim as touradas são a coisa

130:32

mais importante porque pá porque eu

130:34

cresci dentro das touradas meu o meu não

130:37

é o meu pai fazia parte das touradas, a

130:39

minha mãe trabalhava na tourada e então

130:40

aquilo é muito importante para mim. Por

130:42

acaso eles também são contra o aborto e

130:45

eu não gosto nada dessa posição, mas

130:47

aquela parte é de tal forma importante

130:50

que eu voto na mesma neles. E se calhar

130:52

há muitas pessoas que votam no Chega

130:54

porque pá, querem um murro na mesa,

130:56

querem mudar, querem agitar e não são

130:58

racistas e não concordam com isso.

130:59

>> O murro na mesa, mudar, agitar e são as

131:01

mesmas palavras da da de ordem que o

131:03

próprio partido h usa e que pá, para mim

131:07

não faz sentido como argumento queres

131:08

mudar, mas queres mudar para quê? Para

131:09

onde? Eu sei, eu só eu estou de

131:11

propósito a usar asções.

131:13

>> Quão quis o que é que é importante

131:16

difícil é acabar com a corrupção,

131:18

tipo, como se o aventura chegasse ao

131:20

poder e a corrupção acabava. O que é que

131:22

é assim tão importante que seja tão

131:24

específico ou chega que faça com que vha

131:27

a pena as pessoas serem coniventes como

131:28

o racismo e xenofobia subjacente ou

131:31

chega? Não, não sei, meu. Percebes? Eles

131:33

não têm. Houve, se eles tivessem, eu

131:36

percebo o teu ponto, e se eles tivessem

131:38

um ponto qualquer, pá, um projeto, uma

131:42

ideia de uma lei que eu achasse

131:44

revolucionária, que ia ia tirar toda a

131:47

gente da pobreza na Europa, sei lá,

131:48

qualquer coisa louca, ó pá, tá bem, eu

131:51

até consigo perceber isso, mas eu não

131:54

sei exatamente

131:54

>> se as pessoas sentem, se car as pessoas

131:56

estão tão fartas de, pá, de não

131:58

conseguir evoluir na carreira, de não

132:00

conseguir evoluir no salário, do

132:01

supermercado estar cada vez mais caro,

132:02

da renda estar cada vez mais cara e de

132:05

pá e não tenho esperança.

132:07

>> Isso é algo que o Chega oferece de uma

132:08

maneira tão tão tão explícita e

132:11

declarada e estruturada. Não são só

132:12

palavras de ordem que eles agitam.

132:14

>> É, acho que é eu acho que é bastante

132:17

emocional

132:17

>> isso para não falar do facto de que há

132:19

pessoas que votam no Chega porque são

132:21

xenófos. Para não falar disso.

132:23

>> Mas pronto, a tua questão era se devemos

132:25

e julgar outra da mesma forma. Pá, eu

132:28

>> pronto, eu

132:30

eu acho que no limite o que o que tu

132:33

poderás fazer e não é ofensivo, até é

132:36

bondoso da tua parte, é imagina que tu

132:39

hã pá vais à Hungria, eh, estás lá a

132:43

viajar e vês que hipo a fazer truques

132:45

com cartas que anda a atrair muitas

132:48

pessoas, mas depois no fim engana-as e

132:51

não é bem aquilo que as pessoas

132:53

pensavam. E depois vais aos Estados

132:55

Unidos e vês a mesma coisa. E se chegas

132:58

cá a Portugal e vês alguém a fazer esses

133:00

truques que nos outros países te pareceu

133:03

que era um engano, eu acho que não é mal

133:08

visto nem paternalista tu chegares ao pé

133:10

dessa pessoa e dizeres: "Olha, desculpa

133:12

eu estarme a meter na tua vida". Ui,

133:14

bati no microfone. Desculpa eu estarme a

133:15

meter na tua vida, mas eu acho que isso

133:19

que te está a encantar é um truque. É um

133:22

truque para enganar as pessoas, porque

133:24

eu já vi isto noutros sítios e ó pá,

133:26

desculpa se isso se isso põe, não estou

133:29

a pôr em causa tua inteligência, nada,

133:31

mas acho que se calhar estás a cair aqui

133:33

num truque que funciona aqui assim,

133:34

assim e assim e que tem estas

133:36

consequências. Pronto, eu acho que isso

133:38

não tem mal. Agora dizeres à pessoa que

133:40

ela é racista ou bua,

133:42

>> eu não, eu não, eu não estou a, a

133:44

defender isso. Ya.

133:45

>> E h, e se eu tiver num grupo de, de

133:48

pessoas em que alguém que me disse que o

133:49

Bota não chega, eu durante algumis não

133:51

vou virar costas e não vou bazar.

133:54

>> Sim, sim. E e eu sei que a melhor

133:57

maneira, se nós achamos que estamos

133:58

certo, a melhor maneira de chegar a

134:01

alguém provavelmente é é mais através do

134:03

amor, com o abraço, como com a cena do

134:04

arrogante há um bocado do que o

134:06

contrário.

134:07

>> E isso é uma das magias dos jantares do

134:08

despolariza. Tens pessoas que voltam

134:11

chega a falar com pessoas do bloco, a

134:13

falar com todo tipo de pessoas, a

134:14

tentarem entender-se. Pá, isso é

134:16

incrível. é das coisas que mais me

134:18

orgulha é ter um bocado de tudo.

134:20

>> O meu ponto é que eu não compro aquela

134:24

teoria de que se deve aceitar o Chega da

134:27

mesma forma como se aceita o bloco, por

134:30

exemplo, porque a meu ver o bloco tá

134:34

errado em, eu não não estou a dizer que

134:36

não são questões importantes, mas está

134:38

errado com relação a previsões, não é?

134:41

Eles têm uma previsão acerca de um tem

134:42

um modelo económico e têm uma previsão

134:44

de sucesso diferente daquela que o

134:46

pessoal da da Y tem, por exemplo. Não é

134:48

necessariamente uma cena. É de

134:50

princípio, claro, a ideologia tá ali

134:52

subjacente a tudo, mas

134:55

>> depende. Desculpa lá, se tu achares que

134:56

aquele caminho leva à pobreza de toda a

134:58

gente, muito mal.

134:59

>> Tu achas que o pessoal do bloco acredita

135:01

que o caminho deles é às pessoas à

135:02

pobreza?

135:02

>> Não, eles não acreditam nisso. Eu também

135:04

não acredito nisso. Mas se calhar as

135:07

pessoas do Chega acreditam que é a única

135:09

solução. Eu vou estar no Chega. para

135:11

terem um bocadinho de esperança.

135:12

>> Eu acho que esse tipo, para mim, esse

135:13

tipo de julgamento acerca das previsões

135:16

económicas dos partidos,

135:18

eu não tenho, pá, juízes de valor desde

135:22

a Iniciativa Liberal ao Bloco de

135:23

Esquerda.

135:24

>> Eu não acho que alguém seja

135:25

necessariamente pessoa só porque tenho

135:27

uma visão económica diferente da outra.

135:29

>> Claro, óbvio.

135:30

>> Mas aqui estamos a falar de algo que é

135:32

mais tangível e que afeta diretamente a

135:34

vida de um indivíduo cada vez.

135:36

>> Racismo.

135:37

>> Sim. E para não falar toda a mentira,

135:39

tipo,

135:39

>> então imagina chega exatamente o mesmo

135:41

partido, mas sem racismo.

135:43

>> Depois temos toda a mentira, mas mas aí

135:45

as pessoas deixarem se enganar uma

135:46

mentira já é um bocado mais o problema

135:47

delas, porque

135:49

>> como é o gajo das cartas da rua,

135:52

>> fácil cair.

135:53

>> Pá, sim, mas a pessoa tá tá a perder

135:56

dinheiro com esse gajo da rua,

135:57

provavelmente. Agora o gajo vem dizer:

135:59

"Não, mas as mentiras também tem sempre

136:01

as suas ramificações. Tens, tens razão.

136:03

Mas pá, uma cena que eu também não

136:05

entendo é o pessoal fala da de corrupção

136:08

e dos políticos mentira, não sei quanto.

136:11

Quando, tipo, eu vi o Pedro Frazão no

136:13

CDK com o Miguel Milhão, ó mano, eu

136:15

passei-me, tipo, o gajo a dizer com

136:18

Ventura, porque ele ele é ele tem o

136:20

sucesso dele, porque ele veio trazer a

136:21

verdade quando ele é o político, pá, eu

136:23

nunca vi um político tão mentiroso, meu,

136:25

tangivelmente mentiroso.

136:27

Pá, e o pessoal

136:29

papa tudo, meu. Tipo, às vezes aparece

136:32

uma ceninha, um fopado burger fancy, não

136:34

sei quê. Nem aí, tipo, ele diz: "Ah,

136:37

tive mal caralho." Zero, zero

136:39

acuntabile.

136:41

É uma filosofia para não falar também de

136:44

toda a chafdeira que é no parlamento.

136:46

Tipo, pá, perguntas a qualquer, meu, da

136:49

direita à esquerda, a qualquer pessoa

136:50

que anda no parlamento há algum tempo. O

136:52

ETOS mudou, meu, porque ele agora é uma

136:54

uma pilga. Porquê? Porque estão lá 50

136:56

pessoas. E dentro dessas 50, acredito

136:58

que não seja toda a gente, mas mudou

137:00

toda a cultura daquilo, meu pessoal a

137:01

chamar nomes uns aos outros mesmo nos

137:04

corredores e caraças. Não só mudou e tá

137:07

a comer a nossa sociedade um bocado por

137:09

dentro como um cancro, como no na parte

137:12

que nos representa, percebes? E e isso

137:14

por isso eu acho, e eu sei que isto vai

137:17

chatear muita gente, mas eu não estou a

137:20

dizer que vir as costas de alguém que me

137:22

disutou no Chega, mas também acho que

137:24

não devemos tratar o Chega como um

137:25

partido como os outros.

137:28

Muito bem. [risadas]

137:30

Acabamos assim de uma maneira um bocado.

137:32

>> Acabamos assim, pá. Olha, foi muito bom.

137:35

>> Também gostei.

137:35

>> Não sabia que tínhamos tantos GPPs bons,

137:37

mas também já foi um ano.

137:38

>> Ya, tu ontem estavas um bocado e pá, não

137:40

sei se temos tu tinha não tinhas visto

137:41

muito ou viste?

137:42

>> Não, não tinha, pá. Tinha apanhado

137:44

muitos GPP SF, que é guardar para

137:47

presencial sem filmar. Hã, mas não tinha

137:50

apanhado muitos GPPs bons, mas ainda bem

137:52

que encontramos. Fixe. Pronto, pessoal,

137:55

não fujam já. Eh, ou estão a ouvir isto

137:58

no YouTube ou no Spotify ou no Apple

138:00

Podcast, independentemente de onde

138:01

estiverem. Se puderem deixar um um cinco

138:05

estrelas ou o equivalente da vossa

138:06

plataforma, agradeço. Hã, e se quiserem

138:10

tornar-me cenas, também há um link na

138:12

descrição. Muito obrigado por terem

138:14

estado por aí e até a próxima. Obrigado,

138:16

Pedro. Quer dizer mais uma coisa.

138:17

>> Sim. E se quiserem comprar qualquer um

138:19

dos meus livros, podem ir a daquiali.com

138:21

ou Pedro Onerro no Instagram link na

138:23

vio.

138:24

>> Nunca faço promoção nos meus livros

138:25

aqui, esqueço-me sempre e já devia ter

138:26

feito aqui.

138:27

>> E eu também sou péssimo host e também

138:29

não faço. E nós temos mais conversas,

138:32

temos outro GPP, temos o episódio sem

138:34

ser GPP, temos para aí 30 horas,

138:37

>> por isso se tornarem cenas ten não estou

138:40

a brincar. estar tudo no YouTube.

138:42

Obrigado, até logo.

138:43

>> Tchau. Obrigado.

Interactive Summary

This episode features a "Guardar Para Presencial" (GBP) conversation between Tomás Magalhães and Pedro On Rove, discussing various interesting topics. They touch upon the nuances of racism and feminism, the concept of GBP itself as a way to have deeper conversations, and the importance of community in platforms like "Expolariza." A significant portion of the discussion revolves around moral dilemmas, such as the "lifeboat" scenario presented by Michael Sandel, and the ethical considerations of consent and power dynamics. They also delve into the complexities of parental sacrifice, the value of memories, and the challenges of defining and applying "common sense." The conversation shifts to social issues like loyalty in friendships, the perception of arrogance, and the moral implications of associating with individuals or groups holding controversial views, particularly concerning the Chega party and xenophobia. They explore the definition and impact of patriarchy, the challenges of societal progress, and the subjective nature of values like equality and loyalty. The episode concludes with reflections on personal growth, the importance of open communication in relationships, and the value of diverse perspectives in understanding complex societal issues. The speakers also briefly discuss the effectiveness of different parenting approaches and the role of cultural context in shaping moral judgments.

Suggested questions

5 ready-made prompts