#105 ESPECIAL GPP (c/ PEDRO ON THE ROAD) - Bissexualidade, Moralidade, Clones, Racismo, Patriarcado
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E isto não retira nada de toda a maldade
que foi feita, não é? Toda a maldade que
foi feita.
>> E não retira nada do racismo que há
efetivamente de brancos para
>> e não retira nada de do facto de muitas
vezes pessoas racializadas no ocidente
terem dificuldade porque [música] ainda
existem ecos disso.
>> Pronto, já fizemos todos
[risadas]
e não tira nada.
>> Pronto, mas mas é extremamente racista.
Eu tive uma mulher na minha descudente
de solteiro. É verdade. Eu não tive.
>> Por isso eu sou um
>> hoje em [música] dia
>> grande feminista.
>> É verdade. Eu não tive. Tu nãoeste.
>> Hoje em dia teria tido, mas na altura
era um jovem desinformado. [música]
>> Observador
>> acerca da natureza da vida.
[música]
>> Muito boa tarde se o Deus da razão pura
assim quiser. H. Sejam bem-vindos a mais
um episódio de Expolariza. O meu nome é
Tomás Magalhães e hoje temos um episódio
especial GPP com o Pedro On Rove.
Bem-vindo.
>> Olá. Obrigado.
>> Explica aí o que é que é o GP.
GBP quer dizer guardar para presencial e
advém de ao longo dos tempos de vez em
quando calha de eu e Tomás estamos a ter
um qualquer debate na através do
WhatsApp e depois um ou ambos
percebermos [música] que se calhar esse
debate era mais fixe ter em pessoa. Não
tem que ser necessariamente um debate
para ser uma conversa para explorar em
pessoa do [música] que através de
mensagens de texto ou áudios. Então,
começamos a guardar e este é o segundo
episódio que fazemos deste género, em
que temos os papelinhos [música] aqui
com alguns desses GTPs e tiramos e
discutimos a cena. Ya. E a razão pela
qual fazemos isto é porque às vezes
[música] sentimos que, pá, isto é melhor
falar presencialmente porque tem
potencial de nos chatearmos, porque nós
somos amigos e mas h acho que a maior
parte das vezes é só porque pá, isto não
dá para falar por escrito [música] e
acho que é uma acho,
>> eu não tinha a noção que era com medo
que nos pudéssemos chatear por acaso.
Estou aprender isso agora. Mentiros.
>> Qual? Diz-me qual é que foi.
Eh, mas olha, no último GPP houve recebi
várias mensagens de pessoas a dizer que
adoraram o conceito e que começaram a
fazer com os amigos.
>> Eu faço com outras pessoas também agora.
>> Ei, pronto, por hoje ficamos por aqui.
Espero que tenham gostado.
Novos mecenas a quem quero agradecer.
Gabriel Alencar, Diogo Rodrigues, David
Sousa, Anabela Paula, Ana Maria Moniz,
Miguel Vidal, Marisa Couto, Inês Colaco,
Fred Sousa, Francisco Palma, Santi
Santos, bom nome, e Catarina Guimarães.
Muito obrigado a estas pessoas que se
juntaram à comunidade e também queria
aproveitar h pronto, eu digo sempre mais
ou menos a mesma lenga lenga no início
sobre o que é que é a comunidade e o que
é que as pessoas tenham acesso, mas
pronto, como o Pedro costuma ir aos
encontros e aos jantares e assim, hã,
pá, siga a aproveitar para também ter
assim outra voz. Porque é que tu achas
que as pessoas tornam-me cenas do
despelariza? Eu acho que o pessoal
torna-se mencionar exploriza,
provavelmente identificam-se com o
projeto. Acho que há muita gente que
meio que às vezes sente-se um bocado
não necessariamente
oprimida, mas sentam que explorar
algumas ideias de alguma maneira. Não é
necessariamente ir com aquilo que eles
acham. E eu até discordo um bocado que
seja dessa perceção, mas com aquilo que
eles acham que seja a narrativa mais
aceito comumente, tipo, por exemplo,
quando alguém tem uma opinião, imagina
sobre aqueles mais rotopics de do aborto
ou da transia, coisas assim, que seja um
bocado mais fora
daquela narrativa que as pessoas
assimam, por exemplo, à esquerda e que
acham que é vigente e que é aquela que
nunca pode ser questionada. Eu acho que
não é bem assim, mas ainda que mas essas
pessoas acham e sentem-se muitas vezes
que não há grande espaço para poderem
falar disso abertamente. Quem diz para
esse lado diz também para o outro,
apesar de haver, acho eu, há um uma
tendência,
mas
e o pessoal vai atrás disso, acho eu,
porque também tu acabas por
promover muito essa ideia.
>> Ya, sim. Obrigado. Pá, eu achei que as
pessoas, porque já já houve pessoas que
me disseram isso, acho que há muita
gente que acha que os encontros são uma
coisa mesmo formal, com uma emoção em
cima da mesa e que se vai para lá
debater ou assim e pronto, pá, na
verdade são só jantares, copos,
conversas. H, e o pessoal é isso, pá,
tem-se criado amizades, casais e
despolar,
>> ya, desplaind e é mesmo bonito, pessoal.
Eu sei que é difícil sempre para mim
falar disto porque eu sou a parte
interessada, não é? Porque e sou o
criador deste projeto e e estou a tentar
vender-vos alguma coisa, mas mas sinto
mesmo que tem valor para as pessoas. E
então
>> os os e e dizer os retiros, mas de certa
forma também
>> não não são retiros.
>> Ya, retiro hoje em dia, estou a cometer
o erro comum hoje em dia de chamar a
qualquer ajudamento, por mais de madeira
que seja, um retiro.
>> Ah, é os f de semana. Os encontros,
>> ya,
>> são bué bonitos, na verdade. Tipo, eu eu
fui só não fui ao último, acho eu,
porque fui operado. Uma desculpa válida,
mas ya, é fixe haver,
é fixe pertencer a um grupo, uma espécie
de subtribo, das várias subtribos nas
quais nós nós nos encontramos. E é fixe
também perceber que, tipo, não é o meu
caso, mas é fixe também perceber que
algumas pessoas que parece que
não sentiam tanto espaço na no sítio ou
na cultura de onde vinham ou seja o que
for e encontraram ali tipo uma subtrib.
Eu achei fixe, achei finito.
>> Ya. E depois tribalizamos e odiamos as
pessoas polarizadas no fundo. É isso.
>> Exato.
>> Mas pronto, antes de começarmos, só
queria dizer mais uma coisa que é o que
estava a dizer ao Rui há bocado, que é
eu acho que aquilo é muito um lugar,
aquilo os encontros presenciais. Há
muita gente que que não vai a nenhum
encontro presencial, mas os encontros
presenciais são o pior negócio de sempre
a nível de de marketing word of mouth,
de contar um amigo, porque eu acho que
serve o propósito precisamente das
pessoas estarem com pessoas fora do seu
grupo de amigos do costume. Ah, então
não querem dizer aos amigos da sem cenas
>> porque querem continuar a ter o espaço
que é pá aquele grupo de pessoas com
quem eu estou e com em conversa e cops
que não é do meu grupo de amigos
>> mais ou menos. Tipo, eu consigo pensar
em no meu caso, em alguns amigos e
amigas que entretanto, mas também não
foi necessariamente por eu ter chamado,
não é? Percebo, não tenho nunca tinha
pensado nisso.
>> Ya, já houve houve alguns meceras que me
disseram diretamente isso.
>> OK.
>> Pois já. Então, pronto, vamos tirar
papéis. hh temos aqui dois eh
recipientes
e vamos começar por por tirar deste e
depois vamos tirar deste. Mas antes
disso temos um uma frase para começar o
episódio.
[risadas]
Enfim, este na verdade não é bem um um
GPP, porque isto fugiu hoje em que eu
hoje estava a acabar de acabei a vir
aqui para o estúdio de ouvir um livro
sobre a bissexualidade,
especificamente sobre bissexualidade,
que foi moderadamente interessante. Foi
interessante perceber, por exemplo, que
é pessoal que mesmo dentro da
comunidade, neste caso LG, também tende
a levar com algum tipo de preconceito.
Não estou a dizer que toda a gente
dentro da comunidade LG é preconceituosa
para como salvxual
e e pá, entre todo entre o papel
histórico, toda uma cena.
>> Ah, mas diz a frase, meu.
>> Mas ao acabar o livro, isto não foi
necessariamente
por nada que eu estivesse a ouvir no
livro, acho que foi por estar a pensar
no no tópico, eu dei por mim a pensar
que eu desejo que o meu filho seja
bissexual.
[risadas] Eu
estar-me a rir pode para ser super
bissexual fóbico, mas é só porque a
frase tem muita piada.
>> Nunca ouvi ninguém a dizer.
>> Ya, mas
>> então conta lá, Pedro, como é que v
parar esse lugar. para mim importante.
Não quer dizer que eu vá fazer nada
nesse sentido, que eu vá tentar eh
manipulá-lo ou influenciá-lo nesse
sentido, mas quer dizer, no mínimo que
também não vou estar a impor barreiras a
qualquer tipo de conceito dentro desse
género que possa aparecer. Portanto, não
vou promover, mas também não vou travar.
Tendo dito isso, pá, isto é uma cena que
pode parecer um bocado mais frivola à
superfície, mas eu acho que é mais
interessante, é mais profundamente mais
friívola porque ya, tipo, vais sair,
tens possibilidade se [ __ ] mas não,
mas não, não é, não é por aí,
>> é
mais é por aí, mas é por também por
muito mais que isso, que é tu tens,
obviamente não tens
o dobro de pessoas com quem te podes
envolver, porque as pessoas do teu
género, na sua maioria, vão ser
heterossexuais. Portanto, não é que
tenhas necessariamente o dobro, mas de
repente, se tiveres interesse romântico
e ou sexual por dois géneros em vez de
um,
tens mais possibilidades de explorar e
de divertir e de descobrir a essência,
não é a essência da vida, mas tipo parte
da essência. Mas é só isso. É, esse é o
único argumento, porque imagina, tu
tens,
>> pronto, ter uma vida mais,
>> tens 4000 milhões de mulheres, não é
suficiente. Isso é a mesma coisa que,
pá, vais a um restaurante e tens uma
montanha de comida da melhor do mundo
para comer e dizer que pá, era mais fixe
ter duas mesas
>> e quando tu nem sequer consegues começar
a comer metade das coisas incríveis,
certo? Pá, usar, desculpa lá, usar a
metáfora comer é particularmente feia,
porque parece que estamos a falar de uma
maneira mesmo superficial, mas pronto,
vamos continuar.
>> Tu achas que o Dom e as mulheres são
iguais?
>> Acho que em média são diferentes. Acho
não, é um facto. Em média são
diferentes.
>> Mas estás a falar com se achas que são
iguais, porque quando estás a falar dos
4000 milhões de mulheres que tens e tipo
que se isso não chega, a única maneira
disso não chegar é se as mulheres foram
iguais aos homens. Mas tu achas que as
mulheres e os homens são diferentes e
que podem proporcionar experiências
diferentes às outras pessoas? Isso é
discutível, mas se achas isso, então
aqueles 4000 milhões podem efetivamente
não ser suficiente para ter todo tipo de
experiência que uma pessoa pode ter.
>> Ah, tá bem. Mas há uma cena spectro,
>> há uma cena que agora tá a aparecer no
nas redes, não sei se já ouviste falar,
mas que é amigos, [risadas]
>> que é podes ter amigos e viver coisas
incríveis com pessoas. E tu achas que
uma relação de amizade é tão
>> Tu achas que uma relação de amizade é
tão Eu estou a perguntar com Não é como
se eu tivesse já uma resposta também
estou a pensar nisso. Achas que uma
relação de amizade consegue ser tão
profunda como uma relação romântica?
>> Sim.
Ah, para quem tava a ouvir, eu fiz um
gesto de apontar para o Pedro romantic
para nós os dois romanticamente.
Neste caso, não romanticamente, mas pá,
acho que é mas há um há há uma
>> OK, eu percebo.
>> Há uma dimensão da nossa relação que nós
prov
>> Pronto, mas é voltando ao restaurante e
o a mesa que nova que iam pôr, se calhar
vai ter coisas novas, sim, mas acho que
pá acho que não, acho que estar a pensar
nisso não é uma prioridade. Mas percebo,
pronto, percebi a ideia. Para mim também
não é uma prioridade. Isso é uma cena
que me surgiu e como eu fiz questão de
ver, não é que eu vá, não tenho nenhum
plano. Mas
>> no fundo, ter uma experiência íntima e
ou sexual com uma pessoa, com os dois
géneros durante a tua vida
>> e ter essa pergun
>> à partida é uma experiência de vida mais
completa.
>> Ya.
>> Ou mais pronto. Ok.
>> Achas que não é mais completo?
>> Pá, acho que há tantos há tantos tipos
de mulheres e de homens. Aquela frase
que tu perguntaste no início de tu achas
que os homens e as mulheres são iguais
ou são diferentes? Eu disse em média são
diferentes. Disse em média. dentro do
dos homens e dentro das mulheres tens
tudo hoje em dia. Então, se OK, se
quiseres falar em termos de
grandes esferas de tipos de
personalidade e coisas assim, sim, eu
não curto nada a cena de ah uma
personalidade mais masculina ou mais
feminina, mas usando isso só para
facilitar, tens homens que desse
espectro no qual eu não acredito possam
ser maisinos do que mulheres e tudo
mais,
mas não há o tipo etos, estás a ver?
Tipo, o facto, não, o facto de tu
olhares
>> e ser uma mulher com quem
ou um homem, tipo, acho que deve ser um
bocado diferente. Eu nunca me senti
romanticamente atraído por nenhum homem,
portanto não sei muito bem.
>> Então, esa aí pode ser. Imagina que era
o Noé. [risadas] Imagina o Noé ver isto
no YouTube daqui a muitos anos. Coitado.
Podias dizer: "Olha, ele vai- se
envolver só com homens e com homens
trans." Não é a mesma coisa?
>> Ou seja, são biologicamente mulheres,
que era o que tu querias ou não? Ou
querias a expressão de géo?
>> Não, mas se queres meter trânsito, eu
então desejo que se envolva com os os
três géneros ou tudo. Sim. Percebes?
Tipo, não haver não haver
barreiras ou tipo de dentro daquelas
cenas mais óbvias, né, tipo faixas
etárias e coisas assim, não haver
espécies, não haver barreiras a às
experiências que que ele e no fundo ao
dizer disto de Noé, no fundo estou a
dizer para toda a gente, não é? Só que
como é uma filha, eu penso nele, mas
eu acho que seria mais fixe para toda a
gente se o pessoal tivesse muito menos
barreiras dentro da das pessoas com quem
se pudessem envolver romanticamente ou
sexualmente. Podemos pensar, ya, em
termos globais, será que isso poria um
bocado em em questão humanidade e assim?
Pá, não necessariamente, porque os
casais homossexuais também têm desejos
de ter fins e assim e esses filhos
continuariam a ser gerados,
provavelmente. Mas isso é toda uma outra
história.
>> Ya.
>> Achas que a zofilia é imoral?
>> Ó pá, é assim, citando o nosso amigo
Louis C ou parafraseando, neste caso,
ele tenho um bit, não sei se te lembras
bem que ele tá a dizer, ó pá, fala: "Ah,
um gajo estava sexo com macaco,
>> com macaco?"
Ya. Ele diz: "Ó pá, mas eu não acho que
seja imoral se a macaca tiver lá tipo:
ya, caminha".
Porque iam estar os dois a despertar.
Não, não sou familiar a subir.
>> Não, não sou familiar. Mas, mas
>> pá, faz gente se
>> só ver consentimento.
>> Ya, não sei, tipo, não me quero
comprometer com a minha resposta, mas se
a macaca tiver tipo mesmo bué afim,
>> mas será que tipo a dinâmica de poder é
diferente e o [ __ ] Temos que
preocupar com isso.
OK, vamos avançar.
Isto ficou muito, muito sujo, muito
rapidamente impressionado. Eh, pronto,
então já sacar um daqui.
>> GPP, guardar para presencial.
>> Olha, como é que tu não tás como é que
estás só doente duas duas vezes por ano?
Tipo, a última vez que tiveste foi
quando o Fábio, estavas sempre a
decidir.
Estás doente mais do que duas vezes por
ano.
>> Não, isso o episódio com o Fábio foi
para aí em setembro,
já estamos em janeiro.
H, ya, mas já não fique doente assim a
sério. Hoje em dia é muito raro. O barco
de Sandel. Então, eu não sei se ah, ya,
nós discordamos sobre isto. Barco de
Sandel. O que é que é isto? No fundo, no
século XIX, no final do século XIX,
houve um caso chamado The Queen Against
Dudley and Stevens.
E a história é a seguinte. Houve um
barco que encalhou. Encalhou ou ficou
destruído, não sei. O que interessa é
que ficaram quatro pessoas num num
barquinho pequeno e há fome, não é?
começar a passar fome, passar sede. E o
que acabou por acontecer é que os três
mais fortes comeram o cabin boy, que eu
não sei dizer em português, o o rapaz, o
rapazinho das tarefas que ia no barco
foi comido para os outros poderem
sobreviver.
E no meio dessa história, houve um
momento em que eles contemplaram de
tirar à sorte quem é que ia ser comido
pelos outros, porque assim pelo menos
três sobreviviam.
E o Michael Sandel no curso Justice que
tá no YouTube, é um curso espetacular de
de Harvard que ele dava, h, faz um
cenário que é, imaginem que eles os
quatro aceitavam, OK? Nós os quatro
aceitamos que se nos calhar, imagina que
eram quatro papéis, se me calhar o papel
a dizer que eu vou ser comido, eu vou
aceitar. E os quatro naquele momento
realmente acreditavam naquilo e estavam
dispostos a a morrer para os outros
poderem ser comidos caso lhes calhasse o
papel do azar, não é? O papel de serem
comidos.
Tirem o papel e imaginem que imaginem
que me tinha calhado a mim e eu abria o
papel e via que eu ia ser comido pelos
outros. Eu
acho que teria legitimidade em dizer-vos
que eu não sabia qual era a sensação de
morte iminente que eu nunca tinha
sentido na minha vida. Eu quando fiz a
promessa estava a ser verdadeiro
convosco e achava mesmo que eu ia
conseguir e que ia querer morrer caso me
calhasse o papel. Mas eu neste momento
estou num estado de consciência
alterado, se quiseres, em que realmente
sei o que é que isto é, a morte iminente
e não quero morrer.
E a questão é, a palavra do passado vale
mais do que a palavra do presente
moralmente. Claro que legalmente eu acho
que deveria valer porque senão seria um
caos jurídico, não é, no mundo todo,
porque um contrato não valeria nada. um
contrato comigo e pis e pá, mas é isso,
é um contrato que tu fazes. Neste caso
não é uma lei porque eles não não têm
ali nenhum notário no barco,
>> mas ao tu fazeres isso é um contrário
que estás a fazer.
>> Mas imagina então que que que nós
estávamos nesse barco, não nos calhava a
nós, calhava a outra pessoa e essa
pessoa dizia-nos: "Olha, eu não sabia
aquilo que eu disse, eu não sabia qual
era a sensação da morte iminente, por
isso eu não quero morrer."
>> Eu ia.
>> Matavas?
>> Matava. É isso. Pois é isso. Por isso é
que isto é um GPP que discordamos. Eu
não matava. Mataria. Eu não mataria.
>> Então imagina, tens quatro pessoas que
precisam. Não é não é uma cena de
desporto. É uma cena que precisa de
acontecer para todos sobreviverem,
correto? É uma cena que tem que
acontecer.
>> Sim. Mas há outras, se calhar há outras
formas de
>> Eu acredito que quando o pessoal chega a
essa opção, já passou pelas outras
formas todas, não é? Não, o que acabou
por acontecer é que eles tiveram dois
dias a debater se faziam ou não à sorte
e os três mais fortes acabaram por comer
o mais fraco. Ou seja, há outras
maneiras de resolver, nem que seja a
força. Não estou a dizer que a força é
correta.
>> Pá, neste neste caso seria a mesma
coisa, mas mais justo. E aquela pessoa
que viu a vontade dos outros imposta
sobre ele, quando quando os outros três
o mataram e comeram, também de certeza
que não estava muito contente com isso.
E isso é ainda mais injusto, porque ela
nunca
>> Sim, sim, sim. Eu só estava a dizer que
que se calhar haveria outras maneiras de
de decidir, sei lá, quem é que vai fazer
mais falta à sociedade, quem é que tem
mais filhos, quem é que não sei. Só que
eu não eu não eu não vejo as coisas
dessa forma de, pá, a única maneira de
decidirmos quem vai morrer é pelos
papeizinhos. Mas tu podias também fazer
como estás a dizer de decidir por quem
tem mais filhos ou coisas assim e o
pessoal então ya, mas aí não ia haver
não ia haver concordância
de todos nunca porque a pessoa e
consciente ou inconscientemente à medida
que tá a pensar e pensa e eu sou o que
faço menos falta, tipo sou mais novo,
não tenho filhos, seja o que for, ia
sempre arranjar uma maneira de
>> não, todos tinham que votar,
>> mudar, ia mudar o argumento, ia dizer:
"Eu tenho mais tempo a viver". ou não,
mas todos tinham que votar, todos que
imagina, todos tinham que medir o
sofrimento causado se aquela pessoa
morresse, talvez através das quantidade
de pessoas que amava aquela pessoa e se
calhar também um bocadinho da utilidade
dela e assim não eras só tu a falar de
ti, eram todos a julgarem-se uns aos
outros.
>> Mas vamos focar muito na no impacto de
que vai ter nas outras pessoas. Mas
vamos, mas, mas vamos voltar a, ao, ao
centro da questão. Tu conseguias então
nesse momento dizer: "Olha, desculpa e
matar." Se
>> foi aquilo que nós combinamos, se já
passamos por essas cenas todas, ah, quem
é que tem faz mais falta? Eu acho que
>> não, não, não. Tirar a sorte só aqui
>> decidimos os quatro. Eh, ya, sim, porque
era era isso que nós tínhamos combinado
e e já agora tá a faltar outra palavra.
Não, mas o valor então então o valor de
do desejo dele no presente?
Sim,
>> não interessa.
>> Imagina que eu sei que tu falaste aí da
cena jurídica e eu não quero falar como
se não tivesse dito, mas mesmo assim vou
apresentar este exemplo que é imagina
que tu tentas roubar um um carro e
depois tipo
a polícia apanha-te e tu dizes: "Olha,
eu na verdade eu eu estou perante a
ideia de eu ir preso, eu estou-me a
sentir tão mal com isso que quando eu
roubei o carro, eu sabia que eu não
sabia que me ia sentir tão mal quanto me
estou a sentir agora." Sim, mas eu já
fiz essa parte que uma coisa é
>> Mas tu fizeste essa parte para
estabelecer uma diferença entre um
contrato e aquilo que estava a acontecer
no barco e ou aplicar isto à sociedade
toda ou só no barco.
>> Aqui só estamos a falar do barco.
>> Mas cena é que o princípio é o mesmo
porque continuar a ser o contrato
daquilo que tá a acontecer no barco, não
é? É só que é um contrato verbal quando
as quando as quatro pessoas concordaram
porque de repente porque aquela pessoa
mudou de opinião,
então quem então quer dizer que não vai
ser ela a morrer, vou ser eu, tu ou o
outro.
Pronto. Ó pá, aí se calhar aí se calhar
podias dizer à pessoa que que tinha
mudado a opinião, olha agora que já
sabes qual é a sensação,
>> siga a fazer outra vez.
>> Ver duas rondas já melhor três.
>> Sim. [risadas] Até sair uma vez a toda a
gente. Não, porque aí o
>> já sabia já não.
>> Não,
>> não. Mas caso esse caso ele aceitasse
caso esse aceitasse a próxima a ser o
mesmo a valer. Ah, mas depois outro
podia dizer a mesma coisa. Claro. Ya,
>> mas não, mas não, mas mas era verdade,
não tava combinado.
>> Não tava combinado que não era a sério.
Então ele ia mesmo sentir a eminência da
morte.
>> Mas só o primeiro, porque depois se
perdoasse esse também ia ser ter que
perdoar uma vez o outro e uma vez o
outro.
>> Ya, mas o segundo não ia saber. Vamos
tirar e estou a ver.
Clone de parentalidade.
>> Clone de parentalidade.
>> Introduzir.
>> Ok. Então, este também sou a introduzir.
Quando nós entramos nesta aventura
maravilhosa de ser pai e mãe, eu acho
que todos nós sabemos que nos vai dar
trabalho e que vão existir momentos em
que vamos ter que sacrificar bastante o
nosso tempo, bastante a nossa atenção e
por aí fora. Mas acho que de forma geral
as pessoas sabem que existe valor nisso.
Existe valor em
fazer esse sacrifício. Existe valor em h
existe valor em valorizar alguma coisa
tanto ao ponto de poder fazer isso à tua
vida. E há assim uma série de outras
coisas que efetivamente são, a meu ver
bonitas relacionadas com os sacrifícios
que fazes em relação aos teus filhos.
Então estava a pensar num inventei uma
espécie de de thoughts experiment, como
é que se diz em português?
>> Uma experiência
>> experiência de passamento. OK. Hum, que
é a seguinte, para isolar essa variável
de de considerares importante fazeres
coisas difíceis, como mudar fralas e
adormecer,
hh, quanto é que tu valorizas isso? E
então, como é que eu tentei isolar isso?
pela ideia de um clone. Então, imagina,
tu em qualquer momento da tua vida,
podias fazer aparecer um clone teu. No
momento em que ele aparecesse, ele tinha
todas as tuas memórias e toda a tua
vida. E no momento em que deixaste
precisar dele, fazias assim e ele
desaparecia sem sofrimento.
>> E ficavas com as memórias dele? Não, não
ficavas com as memórias dele e podia
usar esse clone para a meio da noite,
imagina e teu filho acorda e precisa,
pá, que vais lá ficar acordado ao lado
dele durante meia hora dar palmadinhas
no rabo, podias usar o clone para ir lá
e dessa forma o teu filho ou filha não
ia sentir de todo, ou seja, não é ver
nenhum custo para o teu filho ou filha,
porque ia ser na mesma pessoa que ele
ama,
>> com a mesma cara, o mesmo cheiro, tudo,
mas não ficavas com essas memórias, nem
ficavas com esse sacrifício, não é?
Porque, como eu já disse, acho que todos
valorizamos um bocadinho que seja um
bocadinho a beleza de sacrifício.
Perante isto, quanto é que tu
utilizarias o clone? E quanto é que eu
utilizaria o clone? E acho que é fixe
perguntar aos pais, pelo menos pô-los a
refletir sobre isto.
>> Olha, eu acho que hoje em dia
utilizaria, acho que ao longo do dos
tempos utilizaria cada vez menos, mas é
porque mais fácil,
>> não porque sim, mas porque o meu filho
tá e tá a ficar mais cada vez mais
interessante e mais fixe. E tipo, no
início,
obviamente eu sentia amor e afeto pelo
meu filho, mas não foi assim como eu já
sabia que não que não era com outras
pessoas muitas vezes, aquele assim
aquele pico de amor louco. O único pico
repentino que eu senti foi de
responsabilidade. assim de ser mais é
tipo é mais evidente
e pá estar com ele acordar a meio da
noite e estar com ele enquanto bebé de
col e qu era fixe mas sinceramente não
era altamente não era uma coisa que eu
fazia gostava e quê mas não não me
entusiasmo não me entusiasmava sobre
maneira
mas depois à medida que ele foi
crescendo, crescendo, crescendo, tipo
sinto que tá cada vez mais fixe, tipo, e
sei lá, neste momento não há assim
depois eu comecei comecei a gostar mesmo
de o pôr a dormir e retirar mesmo prazer
em vez de ser tipo só uma tarefa que
estava a fazer mais e mais e mais. E
neste momento há poucas tarefas que em
que eu usasse o clone.
>> Mas espera aí, se calhar se fosses um
pai solteiro,
>> início, mas não sou. Ya,
>> mas se fosse um pai, ó pá, a cena das
memórias faz com que seja um bocado mais
difícil isso, porque dá para dividir
essa experiência de pensamento entre
analisando a parte das memórias ou a
parte de sabermos que não chegamos a
fazer nenhum sacrifício,
particularmente.
>> Sim, mas não, mas não podes ficar com as
memórias, não é? É fácil. Sim, porque lá
está, uma das coisas que tá na balança é
a memória do que tu fizeste por ele ou
por ela.
>> Eu, se fosse um pai solteiro e boas
memórias, claro,
>> se fosse um pai solteiro e fosse a única
pessoa que tivesse que acordar a meio da
noite quando ele estava a dormir, eu
acho que no se calhar no início ia
tentar dizer: "Ah, vou usar só às vezes
quando tiver particularmente cansada ou
assim". E depois ia usar uma vez e
depois dava mais uma bébia, mais uma
bébia e eventualmente não caía.
Agora também acho, eu acho que quase
toda a gente começando a usar
>> e a
pá e a começar por abusar. Sim, é mau
porque
tipo
>> no limite se tu usares sempre não
tiveste um filho.
>> Outra pessoa teve um filho, não tens
memórias, não tensou,
>> não sabes o que é ser um pai e ter a
dificuldade de ser pai. Estou a falar
disso em específico, de acordar à noite.
Tipo, eu não usaria o clone para ir
buscar um à escola, por exemplo, mas
acordar a meio da noite, ó pá, ya, sim.
Eh, e isso não sei, não sei se isso tem
que ser mau, até porque a própria noção
de que
>> não, eu também a meio da noite acho que
utilizaria, mas tentaria obrigar-me a
sei lá,
>> mas porquê? Porque é que nós precisamos
de, e estou a perguntar junamente,
porque é que nós perguntamos de
precisamos de sentir que nos
sacrificamos para alguma coisa? Tipo, há
há há mais valor nas coisas? Não, não
precisas, não é tanto, precisas de
sentir. Acho que é,
acho que é interessante. Acho que a
experiência da parentalidade é
interessante e até transcendente
também por ser difícil,
um bocadinho no início, principalmente.
>> Não sei. Hum. Porque para já que é
difícil para mim pode ser fácil para ti
ou ao contrário. Imagina, se cará, tu és
uma pessoa que se sacrifica imenso pelas
outras pessoas a tua vida toda, mas para
a maior parte das pessoas é
pá é assim o primeiro momento de
altruísmo
a sério na vida,
de não te pôes em primeiro lugar, de tu
não seres a, se calhar há muitos pais
que não, que não são assim, mas de não
seres tu a coisa mais importante do
mundo. Eu não estou a questionar isso.
Não tou a questionar isso de todo
>> ainda assim.
>> Sim, o sofrimento não tem parte do do
sacramento.
>> Sofrimento não tem valor em si. Sim, eu
percebo.
>> Ya, mas então achas que
>> acho que no início usar
>> ficaras só com as partes boas?
>> Não ficaria só com as partes boas. Tipo,
se o no o noé
rachasse a cabeça, como já rachou, eu
não ia usar o clone aí, porque eu ia
querer, para já ia querer ter a memória
disso, que era um evento importante, mas
também
>> mas porquê? Porque é que ias queria ter
memória disso,
>> pá?
Porque eu foi um evento importante na
vida do meu filho e eu mesmo tu podes
escolher ter a memória. O no joga em
equipas nem nada, mas porque é que os
pais vão ver os jogos dos filhos?
>> Não, mas como é que tu sabes quando é
que vai ser o momento importante? Já
falamos sobre isto. Noem vai ter vai ter
a sua primeira memória e como as
primeiras memórias são sempre coisas
muito são super aleatórias, eu não sei
quando é que vai acontecer.
>> Ya, ya. Estou sempre walking on,
>> ou seja, por esse por esse por essa
razão, isso é um argumento de quereres
estar sempre lá. Nunca sabes quando é
que vai acontecer uma memória, uma core
memory.
>> Sim, mas a meio da noite nós aí é mais
difícil ser uma core memory que esteja a
acontecer aí.
>> Ele é o meu pai me bater a meio da
noite, tá ligado?
Mas ya, rasar a cabeça, não só vai ser
um evento importante da vida dele, então
quero lembrar-me, como também tenho aí
um componente, se calhar um bocado menos
racional e mais emocional de
porque eu sei que ele vai estar a ser a
ter recompensa que necessita do seu
progenitor, do seu pai, como tu
perfciaste,
mas eu também
é interessante isso porque até é uma
experiência desconfortável e só sofres,
tipo, não há assim nenhum silver lining,
não há assim nenhuma aprendizagem nem
nada No entanto, queria tal, quer
>> não, eu acho que acho que a sensação de
depois de tudo ter passado, sentires que
foste competente naquele momento,
imagina que era mesmo uma queida grave,
>> mas se fosse um clone, ele ia fazer o
que tu farias, então tu serias sempre
competente, pelo menos terias essa
capacidade. Portanto, acho que não sei
se é por aí,
>> mas não tinhas a memória da tua
competência,
>> mas sabias? Tipo, ah, meu clone fez
aquilo, eu também teria feito logo, fiz
para mim. [risadas]
Então, a loser,
>> não é? A a despistar porque
>> Sim, sim, sim. Ok. Tira o próximo. Tira
tu. Acho que eu tirei o último.
>> Ah, és tu este. Fazer fazer um real a
criticar amigos. Um real, dois reals.
OK. Toda a gente no mundo diz: "Vou
fazer um reals".
>> Vivem? Sim, quase toda a gente, pessoas
que vivem disto. Aqui há dias o o Tomás
fez uma publicação sobre a criticar o
a comunicação social.
Não sei. Vale a pena explicar o por o
que é que suscitou.
uma publicação com a qual eu discordei e
e mandei-lhe mensagem e dizer: "Olha,
estou a pensar em fazer um real
h a responder ao teu próprio real de uma
maneira crítica".
>> Mas desculpa lá, antes diz aí, não
queres ir ao que já aconteceu? Que é um
comentário? Sim, isso é o tema mais
lado,
>> mas acho que o imagina, acho que o
primeiro nível é alguém a dizer mal de
mim e tu comentares ativamente a dizer:
"Ei, altamente, muito fixe." E o nível
seguinte é fazer um real.
>> O tema mais lato é é lealdade e
percepção de lealdade e a importância
que que tem e a definição que tem.
>> Lealdade no contexto da amizade, não é?
Nem nem só pode ser lealdade para com um
irmão, mas ok. Lealdade. Ya, tens razão.
>> Sim. Eh, houve uma vez o alguém fez uma
publicação a a gozar com Tomás, a
criticar.
Eu não me lembro do tema. Eh, mas e pá,
eu sinceramente também era fixe eu
lembrar-me bem do que é que eu disse.
>> Tu lembras? Não, não,
>> não me lembro, mas não, mas lembro que
estavas tipo a estavas a celebrar
aquilo.
>> Comentei, eu comentei do lado da pessoa
que tinha feito essa publicação.
>> Não, mas era mas não era só o
comentário, era tipo, e altamente
>> engraçado. Ya. E até foi o meu irmão que
me disse: "Ei, estás tu e P tão
chateados? Porque achou super estranho
um amigo fazer isso a outro amigo". Ya,
>> é como eu ele
>> e isto o Tomás não tendo,
acho que não nunca chegaste a ficar
chateado nem nada, mas tipo não curtiu
muito. É, já te conheço, mas não
ficaste.
>> Isso começou no Facebook. Primeira vez
que eu te chamei a atenção. Primeira vez
que eu lhe chamei a atenção de pá, fogo,
meu, tu és meu amigo ou um amigo não faz
este tipo de comentário público. Isto
aqui tem a ver com a nossa diferença de
culturas. Eu acho. Era a cena do arroz.
Ah, isso foi a segunda vez. Sim, eu fiz
uma piada qualquer e ele eu fiz uma um
post qualquer que era uma piada e ele
escreveu lá e escreveu só isto não tem
piada nenhuma.
[risadas]
Tipo, nem fez uma piada em cima, né? Foi
só isto não tem piada nenhuma. É uma
merda.
>> Pronto. É uma cena que eu tenho vindo a
tentar.
Às vezes um gajo não tem que ser assim
tão tão deschovos. É verdade, mas isso
citou, o Tomás não ficou chateado, mas
mas também não gostou muito. Isso citou
uma conversa
acerca de de lealdade, como estávamos a
dizer.
E eu lembro que toda a altura disseste,
o Tomás disse uma cena que eu não gosti
muito, foi tipo: "Ah, pronto, OK, tá
tudo, já percebi. Tu não dás tanto valor
à lealdade como eu."
>> Mas eu estava a ser científico. Eu acho
que é a cena do Jonathan Height, dos
das sensibilidades morais, dos como se
fossem sensibilidades para os sabores,
aquele exemplo que ele dá.
>> Hum.
>> No fundo, o Jonathan
>> Sim, sim. Mas ele, a metáfora que ele
usa é em moral taste budapilas.
papilas gustativas morais e que é
possível que geneticamente e também
culturalmente, obviamente exista, lá
está, pode calhar na loteria genética
social, uma combinação de gênesos e uma
família onde
a lealdade não é um sabor moral tão
importante ou tão presente. Aliás, uma
das conclusões deles é que a esquerda
usa três
papilas gustativas e a direita usa
cinco.
e que isso poderá explicar porque é que
é mais fácil às vezes as pessoas, pá, eu
não gosto de usar estas palavras, mas as
pessoas da direita, entre aspas,
entenderem as motivações e aquilo que a
gasolina moral das pessoas de esquerda,
entre aspas, do que o contrário, porque
a lealdade e a santidade ou não sei bem,
não estão
>> sim, eu dis eu acho que é uma e eh a
igualdade, o valor da igualdade,
>> não igualdade,
>> mas uma cena que eu isto é um um certo
esvivo, mas
>> mas pronto, este é só para me
justificar. Eu disse: "Ah, se calar, tu
não valorizas tanta lealdade." É, era
semi-científico, não era só um,
>> mas já agora, isto é moral foundation, é
moral foundation, é muito interessante.
>> Tem tem uns buraquitos a outros que eu
acho 10 anos
>> falamos disso na altura que é
>> eu eu eu ouvi esse livro, não li acho eu
ia a ouvir e lembro-me disso. Eu até
tinha ideia que o que a direita dava
valor mais a cinco distribuído e a e a
esquerda, digamos, a um. Só que ele fala
de cada um desses seis como tendo igual
peso. Isso não não é bem assim. Tipo
alguém
>> não não fala
>> fala tipo ele não. Ele
>> para quem?
>> Para nós leitores. Tipo ele ele atribui
ele não diz que um valor é mais
importante do que os outros. passo que
eu acho que para mim é evidente, eu sei
que realmente é é discutível, claro, mas
em efeitos pragmáticos e no mínimo
utilitaristas, o alguém que privilegia,
por exemplo, dentro desses seis valores
a a igualdade
de alguém que que privilegia apenas a a
santidade, por exemplo. Pá, para mim,
evidentemente, com toda a subjetividade
que existe na moralidade e não sei quê,
não estou a dizer que a minha opinião é
lei, mas um deles é claramente mais útil
que outro. Sim, já me lembro o texto que
ele faz que que
não dá para aceder de Portugal, tá bem?
Yourmorals.org.
Ele faz, ele não faz um texto para
comparar quanto é que tu valorizas cada
coisa. Ele mostra até dilemas, se
quiseres, para ver se tu tens
sensibilidade
naquela papila gustativa moral. Ou seja,
tem aquela sobre os irmãos,
>> os eh dois irmãos adultos fazerem sexo
com consentimento. Sim. Sim. Pronto,
coisas que se calhar são um e tu
sentires que aquilo tá errado ou não,
mas nunca comparar entre os vários as
várias sensibilidades. Por isso, Sim,
tens razão.
>> Eu não gostei de ouvir isso porque para
mim não tem a ver com necessariamente
com tu dás mais valor à lealdade do que
eu. Tenho a ver com a definição de
lealdade.
Para mim, eu
comentar
numa cena que não foi assim tão lá,
tipo, não tava ali a chamar-te nomes ou
tava estava a gozar contigo e tava
engraçado. Ya, tava engraçado. E eu
comentar o ya, um ah, ou uma cena
qualquer quero que tenha sido, não é de
todo um desvio da lealdade, mas quçifá.
Mas para mim é, eu seria pá completo. Se
o Luís e Kate desse tanga, eu não ia
comentar. Ou tás a ver, os meus
comediantes favoritos,
qualquer um deles, eu não ia não ia
claretar. Ah, altamente, desculpa,
Pedro. Mas o facto tu, eu eu tenho por
acaso pensado um bocado nisto
recentemente, que é o o quanto nós nos
usamos como bitola para aquilo que é
aceitável ou não. E tenho pensado nisto
e tá pens não me ouvo muitas vezes a
dizer ah eu também não faria isso ou
assim tipo o facto de nós fazermos ou
deixarmos de fazer algo por outra pessoa
não serve como argumento para nada não é
>> claro
>> senã
>> pá mas desculpa lá é é verdade. eu só
dizer eu não faria não vale nada mas
olhar à minha volta os meus amigos, os
meus irmãos e eu acho que ninguém faria
isso que tu fizeste
>> continua a
>> continua a não ser
>> não ser um argumento para si eu também
já é já é n igual a 200
>> certamente encontro muita gente também
>> será vou prar aos amigos dele
>> vou perguntar aos teus amigos
>> e na verdade não importa porque imagina
que eu encontrava 10 vezes mais pessoas
como tu mesmo assim ou um milhão. Será
que isso tem que ser usado?
>> Pá, se encontrasse 1 milhão, pelo menos,
isso deveria influenciar a maneira como
tu te conduzes no mundo.
>> Ya. 1 milhão por um, a lealdade é um
valor subjetivo. Então, provavelmente
eles teriam
>> Sim. Imagina a cena é só a cena para mim
é muito simples. É, pá, eu não quero,
eu quero que o Pedro goste de mim. Sim,
mas eu gosto de ti e o facto de fazer no
comentário.
>> Não, eu quero que o Pedro goste de mim e
não quero provocar-lhe um sentimento
mau, então não vou fazer isto.
>> Ah, sabes? É pôr isso, é pôr isso como
um valor mais importante.
>> Certo. E se tu repensares e eu tenho
ideia, aliás, a maneira até como eu
iniciei esta conversa é é prova disso
mesmo. P tu tens melhorado imenso. Agora
perguntasme. Sim.
>> [risadas]
>> E
>> isto é um bo é uma boa amizade
comunicação. Eu digo quando uma coisa me
magoa snowflake o Pedro tenta-se
ajustar. Tanto que recentemente, e agora
sim, eu queria fazer um um real a
criticar o real, mas lá está, não seria
a tua pessoa e tu disseste: "Ih, vais-me
dar trabalho e não sei quantos". Disse:
"Olha, sinceramente, uma cacar o
trabalho para dar". Tipo, a questão não
é
>> não, a questão não é essa aqui, uma
questão de princípio.
>> Agora, ai vai-te dar trabalho porque
tens que fazer um de volta. Isso é o teu
problema, não é problema meu. A mim
também me deu trabalho a fazer uma
reação ao teu.
>> Mas porque é que tá, porque é que vais
fazer a reação? Porque acho que naquele
caso eu acho que acho que estava de
errado e até podemos discutir isso no
>> achas que era bom para Portugal tens
feito
>> e h e depois e isto em mim e acabei por
não fazer dis pá não fico não não sei
quanto também sem nunca teres dito que
>> nunca te disse que não podias fazer
>> que não podia fazer ou que ias ficar
chateadíssimo. Chateadíssimo. Se fizesse
não, mas ainda assim acabei por não
fazer. Mas depois fico a pensar
tipo pá, será que faz sentido uma pessoa
filtrar assim tanto quando não é? E
tá-se bem, não voltei para,
>> aliás, fui super, desculpa, fui super
verdadeiro contigo. Disse: "Se achas que
é importante, faz."
H, ou seja, disse, disse-te da parte
racional tudo o que defendia a tua
vontade de o fazer, mas também não fui
mentiroso e disse-te, pá, mas se
fizeres,
pá, eu não vou não vou curtir muito, não
vou curtir muito verdadeiro, só
ou seja, tu valorizas, tu valorizas. Eu
não curtir muito também, mas não, se
calhar preferias não valorizar tanto.
Por isso é que eu comecei um episódio
com eh boa tarde, se o Deus da razão
pura quiser.
>> Se calhar não, mas não sei. Depende um
bocado. Há há aqui outro papelito, acho
eu, que dava para fazer ponto agora com
isto, mas
>> se for este último?
>> Não, não é. Ok, mas queres fazer esse
depois quando aparecer deitamos fora que
é lealdade também. Acho que sim. Acho.
>> Sabes qual é que eu estou a falar?
>> Do acidente e
>> tropamento.
>> Tá bem. Então, vamos passar para esse.
Há aqui outro papel que
advém de uma experiência de pensamento
que é
pá, e já falamos disto há algum tempo,
mas basicamente uma pessoa
tá tá em casa e há um amigo,
quer dizer, com um irmão ainda digo.
>> Sim, mas pode ser um amigo próximo. Para
mim a mesma coisa. um amigo próximo.
>> Quase
>> é diferente. Eu tenho sinto que tem mais
obrigações com o meu irmão do que tenho
com
>> porque és muito conservador.
>> Não. Pá, é outra questão, mas
>> sim, mas pode ser um amigo muito próximo
ou um irmã.
>> Escolhe tu.
>> OK. O amigo e liga-nos às 2 da manhã
e diz: "Ó pá, aconteceu aqui uma cena.
Acabei acabei de atropelar alguém e fugi
e eh
ele pede ajuda para para alguma coisa ou
desabaça. Vamos dizer que tá a desabafar
som. E nós descobrimos que ele se
tivesse se não tivesse surgido que a
pessoa tinha tinha sobrevivido.
E
>> porquê? Porque ficou atropelada durante
sozinha na estrada. Vamos imaginante
hora.
>> Imaginar. Ya,
>> por exemplo,
>> e depois a questão é se nós chibávamos o
nosso amigo ou não.
E o que é que tu farias?
>> Eu não chiar.
>> Não chibarias. Eh, não, mas não achas
que
>> não acreditas no valor da consequência?
Ou melhor, ou melhor, perguntando, qual
é o valor que tu dás à consequência de
um lado,
FIR?
>> Então, acho que vou vou vou a seguir à
consequência. Primeiro quero falar de o
objetivo
hh
o objetivo da da prisão e da multa e
tudo mais.
A multa, o que é que existem multas? No
fundo é para moldar comportamento.
Também tem um bocadinho de receita
fiscal, mas essencialmente a ideia é
moldar comportamento. Estaciones em cima
do passeio, levas uma multa. Aliás, até
por isso que em alguns países a multa
indexada ao CEO da Nokia, uma vez
apanhou uma multa de meio milhão de
euros por estar a 200 e tal na
autoestrada, mas isso é outra conversa.
Hum. E se realmente for um amigo meu
próximo ou um irmão,
pá, e eu acho que vou explorar isso
realmente é problemático. Ele tava
bêbado ou não? Eu preciso
>> tava. Se calhar não faço tanta
diferença. Tá bêbado, mas pronto. Mas
ok, tava se quiseres. Eu antes de
entregar um sistema legal e prisional
que o vai tratar um bocado como um
número e como uma
um exemplo, não é? Vamos fazer um
exemplo dele. Acho que antes disso
tentaria explorar se não conseguiria em
conversa com ele ter o mesmo efeito que
a prisão e a multa pretendem ter, que
moldar o comportamento, não é? Prisão
tem mais uma função. Prisão é é para
desmotivar o crime, tal como a multa e
também é para reabilitar e em alguns
casos também para proteger a população
de pessoas perigosas.
>> Uhum. Se eu se eu acreditar que o meu
amigo ou irmão não é perigoso e que há
outras maneiras de o moldar, porque é
que eu vou arriscar que ele se calhar vá
o resto da vida para a prisão?
>> Não, não vai resto da vida.
>> Ah, porque é que porque é que eu vou
arriscar que ele vá durante 10 anos para
a prisão
>> 10
>> se supostamente o objetivo da prisão é
reabilitá-lo e moldar o comportamento
dele para aquilo não voltar a acontecer?
se há maneiras de o fazer com menos
sofrimento para ele. Pronto, é um bocado
por aqui. OK. Eu eu percebo as as
motivações que tu ofereces da ideia da
prisão e e concordo genericamente.
>> Teria um viés, obviamente.
>> Acho que o punir, só por punir, acho que
não faz sentido. Por exemplo, no caso do
Ricardo Salgado, agora agora que estamos
a gravar, ele foi condenado acho que
hito anos de prisão e o pessoal ainda tá
a ver se vai ser suspenso ou não. Se não
se for bem assim também não importa para
o que eu vou dizer.
E no caso dele, eu não quero que ele vá
para a prisão porque ele não vai servir
de exemplo para ninguém, porque ninguém
vai pensar, ah, vou fazer isto porque
depois mais tarde eu posso ter Alzheimer
e e não não vou preso não é uma é uma é
uma situação bué específica para servir
de exemplo seja para quem for.
>> Eu discordo completamente.
>> Tu achas que uma pessoa com sabes que
ele tem Alzheimer? Eu acho que há muita
gente a esfregar as mãos a perceber que
um dia vai poder usar o truque do
Alzheimer.
>> Verdade. Então, tens razão, esquece esse
exemplo. Pens, pensa num, pensa num tipo
cancro. Então,
>> esquece, pensa num tipo cancro e não
Alzheimer. Uma cena mais tangível.
>> Ah, ok. Não, porque sabes que há dúvidas
sobre o Alzheimer ser verdadeiro ou
teatro. Sei, mas também sei, não estava
à espera estar a discutir o Alzheimer
dele agora, mas também tenho ideia
>> que o pessoal não anda assim papar assim
tantos grupos e que tem diferentes
pessoas a fazer as anális investigações
e tudo mais.
Mas tu estás a falar de moldar o
comportamento da pessoa que perpetrou o
crime. A prisão tem o poder também de
dar o exemplo
às outras pessoas, não necessar não
moldar o comportamento da pessoa que
cometeu o crime, mas dar o exemplo
acerca da consequência que pode haver
caso nós tenhamos tido determinado
comportamento. Neste caso, por exemplo,
e conduzir bêbado é um bom exemplo,
porque, pá, se não houvesse nenhum tipo
de controlo e o pessoal conduzia beb a
toda a hora, mesmo assim, o pessoal já
conduz bêbador a toda a hora e é uma
cena
francos, pá, não se não se deve fazer,
não é não é fixe.
Nós, eu acho que quem se arroga a
conduzir bêbado, atropela alguém, deixa
a pessoa à sua morte. Acho que essa
pessoa, se ela for presa durante algum
tempo, se houver um grande caso acerca
disto, ela isso pode fazer com que haja
uma pequena influência
algures alguém
e que para a próxima consciente ou
inconscientemente quando as pessoas
estão a conduzir bêbas não possam nem
sequer lá nos confins da sua
inconsciência
ter isso a que se agarrar, tipo, pá,
piores hipóteses, depois não fujo,
ninguém me apanha e merdas assim.
E é isso, pá. E eu, se fosse o meu
amigo, eu tendo dito isto tudo,
eu provavelmente não teria coragem de o
chibar.
Portanto, uma coisa é aquilo que eu acho
que é o que nós deveríamos fazer, outra
coisa neste caso é aquela que eu
provavelmente faria,
mas gostarme tanto
estar a ser tão falso sobre uma cena que
é tão importante, uma cena que eu não
apoio de todo o pessoal, não só o Cons
Bêbado como a cobardia também e a toda a
mentira que eu não sei se ia continuar a
se ia conseguir continuar a
relacionar-me com essa pessoa. Sim, se
calhar eu estou a operar e a partir do
princípio ou a partir do pressuposto de
que vão existir outras histórias
parecidas em que vão-se em vai haver
outros exemplos,
percebes?
>> Sim. E é importante, pá, imagina o
pelourinho que existia na, não é, que
existia um bocado por todo o mundo, que
era uma pessoa pendurada na praça, era o
mesmo propósito. Era, olha, se te
portares mal, acontece-te isto. No
fundo, agora é igual, mas é o medo de ir
para a prisão. Ou seja, tem de haver
histórias disso, senão as pessoas não
acreditam na lei. É um bocado esse seu
argumento.
>> Ya. Ya. hh só que lá está, se calhar,
pá, se calhar tou a a tou a assumir que
vão haver outras histórias de de maus
amigos que vão entregar
>> os outros passam a cena certa.
>> Ya, não. Eh, boa, é um bocado isso, não,
mas não é, pá. Vão haver histórias
suficientes disso,
>> mas por isso era a a tua podia ser mais
huma.
>> Sim, sim. Sim, eu eu percebi o
argumento. Eu percebo argumento. Há uma
há um há um benefício
>> em entregar em contribuíres com uma
história. Eu percebo. Mas
>> mas é isso, pá. Não acho, pá, muito
interessante a pergunta, acima de tudo.
É fixe. Ah, pronto,
última deste primeira caixinha.
Empatia por pessoas arrogantes.
Este também sou a introduzir.
Então, hum,
eu tive um insight que foi
nós, felizmente,
como sociedade e até como cultura
ocidental
estamos
cada vez mais conscientes
de que não sabemos o que é estar no
cérebro de outra pessoa, não é? saber o
que é que é ser outra pessoa. E uma das
consequências maravilhosas disso tem
sido,
hum, estarmos mais conscientes de
pessoas neurodivergentes à nossa volta,
que se calhar algumas que são mais
introvertidas, que não são
necessariamente neurodivergentes, outras
são mais extrovertidas e nós como
sociedade percebermos que, ok, esta
pessoa se calhar tem déficit de atenção,
aquela se calhar é possível compulsiva,
aquela é só introvertido, pronto. e
criar espaços que deem para todos e
termos empatia pelo comportamento de
todos.
E eu acrescentei este grupo, as pessoas
que em vez de nascerem introvertidas,
nasceram com uma tendência para
arrogância. [risadas]
Porque eu acho que existem mesmo pessoas
que a sua loteria genética e social h
fez com que fossem
aparentemente mais arrogantes, não é?
Porque nunca sabes o que a pessoa está a
sentir por dentro. Ou seja, tem um
comportamento sear demasiado confiante
que pode ser confundido com a refumir
que é cante mesmo para ser mais
>> ou seja o o fenótipo bate serte com o
genótipo. O comportamento é
>> vamos assumir. Ya.
>> Ok. Eh, sim.
>> Então entramos ali numa fur
>> temos acho que merecem a nossa empatia
também. Porquê? Porque
acho que existem, e conheço pelo menos
uma ou duas, pessoas que são arrogantes,
sem qualquer tipo de maldade. É só uma
característica da sua personalidade. E é
a pior coisa que tu podes ser
socialmente. Muitas vezes ninguém gosta,
ninguém gosta de uma pessoa arrogante. É
muito mais fácil gostar de um
introvertido.
>> Ya. Porque é que achas que ninguém gosta
de uma sgente? Se nós pensarmos que o
valor que nós atribuímos àquela atitude
é, não sei que parte é que é biológica,
que parte é que é cultural, há da há da
das duas, aposto.
>> Sim.
>> E porque é que tem assim uma reação tão
diferente? Porque é que tenham
introvertido?
>> Eu acho que a componente biológica é que
nós estamos nós somos máquinas sociais,
não é? Estamos sempre atentos a
hierarquias e a e a situações sociais. E
uma pessoa que se está a comportar a ser
prepotente, prépotente, não é, a
demonstrar mais poder do que realmente
tem, é mal recebido porque tá um bocado
a estragar o jogo para todos e se calhar
ter uma perspectiva mais hh de
chimpanzé.
tá-se a pôr a jeito para ser, lá está,
está-se a pôr a jeito para ser atacado,
para ser, olha, este gajo está tá a
querer subir demasiado rápido. Acho que
há uma parte que é isso e acho que há
outra parte que é cultural.
>> Tu achas que é que é ameaçador?
>> Ah, sim, mas acho que é a mesma coisa,
>> especialmente se pensarmos em
cooperação,
>> principalmente se for alguém que tu na
tua cabeça metes no mesmo lugar que tu,
numa qualquer hierarquia de poder ou na
hierarquia social.
Se calhar é, não estou a dizer que seja
consciente, mas se calhar chateia-nos
também por isso, porque ei, ele tá, ele
tá a subir não.
>> Mais ou menos porque imagina, imagina
alguém
>> que é medianamente prepotente e alguém
de uma classe que essa própria pessoa
perceciona como mais baixa. Imagina,
tu trabalhas numa farmacêutica e e tens
essa filosofia e vais um café e és
servido por alguém que tu achas que vem
numa classe mais social mais baixa e a
pessoa é arrogante para contigo.
Tu não gostas da mesma, ou seja, não é
necessário ser alguém da tua própria
classe para poder parecer
>> Certo. Certo, certo. Ou seja, e a outra
pessoa,
>> sim, esta componente biológica, pá, há
de tá na origem de, se calhar, da parte
cultural que hoje em dia é mais forte.
Não sei, é sempre difícil de de
destrinchar as duas, mas mas é isso, ó
pá. E então, homens brancos, ricos,
arrogantes, acho que assim a nossa
empatia. [risadas]
Betos,
>> Betos, Betos, homens brancos, Betos,
ricos, brancos, acho que arrogantes,
merecem a nossa empatia. Eu acho que
merecem a nossa empatia na medida em que
em que são seres humanos e tenha nas
tuas palavras de cristão furvoroso a
divindade dentro deles.
Mas imagina,
>> desculpa, deixa-me só antes de
responderes, é muito rápido.
Principalmente se a aparência da
arrogância não bater certo com o que ela
tá a sentir. Aí é especialmente injusto.
>> Isso é irrelevante porque quando alguém
tá a ser arrogante contigo, tu não sabes
o que é que a pessoa tá a sentir de
qualquer maneira. Portanto, acho que
não.
>> Sim, mas para aquela pessoa se calhar
cresceu rodeada de pessoas arrogantes e
com a sua forma de falar e de estar é
arrogante, mas ela é só um azar que vai
dificultar imenso a vida dela.
>> OK? Mas imagina então que neste caso o
ser arrogante é mau se nós usarmos como
instrumento de medição, digamos, o os
sentimentos que proporciona nas outras
pessoas, que não é necessariamente
científico, mas vamos com isso. Da mesma
forma que uma pessoa não escolhe ser
arrogante, a pessoa que é confrontada
com uma pessoa arrogante também não
escolhe
sentir-se ou seja, meio ameaçada, seja o
que for, tipo simplesmente não gostar da
pessoa. Então, de acordo com esta
instrumento, este instrumento de medição
bastante falacioso, ser arrogante é mau.
Será que, eu não estou a dizer concordo
com isto, estou só a explorar, mas será
que ao ostracizarmos
e fazermos sentir mal até com chicote
arrogante, as pessoas arrogantes não
estamos aí a descondicioná-las
para essa arrogância? Sim, mas acho que
funciona melhor. Se lá está, em grupo é
é mais difícil ter empatia pelo
arrogante, porque se calhar tá a
estragar a experiência para todos e tu
dizeres: "Olha, para de ser arrogante em
frente a todos, na balança moral vai
valer a pena". Mas se for um amigo teu,
tu podes dizer: "Olha, pá, tenho que
dizer isto". Tu às vezes és arrogante a
falar com as pessoas e és e és e és mal
recebido e tá a prejudicar a tua vida.
Acho que devemos ouvir mais esta frase.
>> Eu acho que há há algum pessoal que às
vezes pode achar que eu sou arrogante,
tu menos. Tu às vezes também quando
entras com as tuas cenas, mas tu não
sei, és mais gostável, és mais
queridinho, ach
>> queridinho na tua cara
>> e és mais bonitinho.
>> Não, mas eu percebo em que em que mas
acho que quando as pessoas pensam que tu
és arrogante é só porque estás pá bêbado
no fundo,
pá. Quando vais ter com pessoas?
>> Atenção, este bebé que eu ande aí, se
calhar é mais pelo pela força e
entusiasmo e a
>> Sim. É tipo quando entras a pés juntos
com demasiada demasiado entusiasmo numa
conversa [risadas] sem ser sem ter sido
convidado, que é uma coisa altamente dos
teus superperes.
Mas pronto, é isso. Pá, não é assim tão
importante para mim, mas como é como é
um pensamento pouco usual e e que
estávamos a começar a falar por
WhatsApp, fiz GP. Eu à partida eu
concordo contigo. O que eu estava a
dizer há um bocado era mais a tentar
explorar porque sem querer correr o
risco de parecer aqui um grande IPI, eu
acho que é com o amor que uma pessoa vai
lá. Então, se nós, porque muitas vezes,
e certamente todos nós temos esse tipo
de experiência em que quando alguém ou é
arrogante ou está mais arrogante, mais
arisco naquele momento e começa a
disparar, se nós conseguirmos resistir à
tentação de de escalar com a pessoa,
tipo, se mantivermos numa lado mais
fício e mais de amor, muitas vezes, não
sempre a pessoa acaba por ir para aí
também. Mas olha, esqueci-me de contar o
meu primeiro, o meu primeiro,
>> já estava a ouvir, mas no fundo não ouvi
ouv
nem sequer tanto, nem sequer foi tanto
sobre arrogância, foi mais sobre má
disposição.
A pá, vou contar esta história porque
acho que nunca contei é e nunca me vou
esquecer. em Calcotá,
que como tu sabes eu vou bastante o há
uma pronto, há as as há mulheres, as
beggers de Souther Street, que são assim
mulheres normalmente entre os 30 e os 60
que andam lá a pedir dinheiro aos
portugueses, espanhóis e franceses,
católicos, que vão fazer voluntariado à
Mat Teresa. Tenho todos os truques
clássicos do bebé, pronto. E eu
conheço-as a todas e há muitos anos e e
já ajudei várias. E havia uma que era a
Rasmina que já morreu.
E
quando ela morreu, lembrei-me outra vez
a história, pá, que ninguém gostava
muito dela, porque ela estava sempre
meia zangada, meia mal disposta.
E um dia eu estava sentado a tomar
pequeno almoço e ela passou assim toda
mal disposta, assim, uma velha pobre mal
disposta e mostrou-me que tinha uma
ferida no braço, mas assim, mas
mostrou-me de uma maneira meio que me
pediu ajuda, mas a zangar-se comigo.
>> Uhum.
E
e eu e eu acalmei-a, tava estava eu
estava sentado, ela estava aqui em pé
minha esquerda e eu disse: "A suba,
sente sete". E sentei-a e acalmei-a e pá
e dei-lhe um abraço e foi, pá, o abraço
eu senti, pá, eu senti a tensão dela
>> OK.
>> Sabes? E ela começou a chorar muito
e depois ficou praticamente em silêncio
e fomos à farmácia e e pusemos betadino.
Pronto, tratamos da ferida dela e e foi
incrível porque as outras as cinco
simpáticas as cinco beggers, mulheres
simpáticas tinham sempre imensas
voluntárias à volta, estás a ver? a
conversar com elas e elas a pedir
dinheiro, mas era assim meio amigável e
ninguém ligava nada à e a mina era a
pessoa que mais precisava. Pá, isto não
é isto não é novo, não é? Muitas já é
meio que sabido que que muitas vezes as
pessoas que estão mais zangadas são as
que mais precisam de um abraço. Pá, mas
e isso acontecer no sítio mais pobre que
eu conheço
>> e eu ter dado esse abraço foi mesmo, foi
muito forte. A falta do abraço de certa
forma polariza a arrogância porque se
imaginar e obviamente há há casos para
tudo, mas se uma pessoa
vamos além do arrogante e vamos dizer
tipo à femina tipo talvez zangado com a
vida ou assim uma cena mais genérica,
abrangente e holística até.
Então, como as pessoas estão assim, as
outras pessoas têm menos vontade de dar
esse abraço, então elas ficam mais assim
e mais assim e mais assim.
>> Ou passo que se calhar um abraço de vez
em quando,
>> aquilo h
>> Sim, sim. Aquilo
>> cada vez pior, como estavas a dizer
quando quando
>> e traz mais para o pessal, ya, bora
abraçar pessoas arrogantes. Desafio tem
que encontrar cinco pessoas arrogantes.
>> Não, mas a coitada a subina não era nada
arrogante, era só
>> zangada com a vida. Pronto.
>> Sim. Zangada e frustrada.
>> Faz sentido
usar bom senso como argumento?
Então isto veio de
>> Não sabemos de onde é que veio. Só
sabemos que eu use tu disseste qualquer
coisa, comentaste qualquer coisa num em
algum lado e eu devo ter dito é uma
questão de bom senso e tu disseste: "Bom
senso não é um argumento".
Mais ou menos.
>> Só sim. Porque é que não é um argumento
se cará definir bom senso primeiro.
>> Força.
>> Para mim bom senso é
é um bocado cultura geral,
mas aplicado,
não é? Uma parte é cultura geral. por
exemplo, hã, saberes que não é boa ideia
ao meio-dia eh te deitares a apanhar
sol,
porque provavelmente vais apanhar um
escaldão, é uma coisa que eu caracterizo
como bom senso, ou seja, é cultura geral
de comportamento.
Eh, para mim é um bocado essa a
definição.
E eu se já tinha uma grande aversão eh
criarem-se leis para obrigar as pessoas
a ter bom senso. Isso disparou e
polarizou-me
quando vivi na Austrália,
porque eu fui para a Austrália com uma
ideia de ya, tipo surf e tranquilo e é o
país com mais regras e leis e
burocracias e chatiços onde eu já tive
na minha vida e como trabalhei lá em
construção, senti ainda mais, não é?
muito muito isso aí acho bem até porque
há muito, focam-se muito na segurança e
realmente funciona. Acho que de Portugal
e o sul da Europa poderia ser mais
assim, mas há outras coisas que
o o estado ou o poder tem
quer reduzir de tal forma a zero o
número de acidentes por pá borrice e
falta de bom senso que estraga um
bocadinho o resto da vida ao resto das
pessoas. Estraga um bocadinho a vida ao
resto das pessoas. Por exemplo, não sei
se era só no estado da Victória ou na
Austrália toda, nem sei se ainda é
assim, mas eu quando vivi lá,
não podias levar comida no fim da
refeição para casa, doggy bag.
E não podias, porque houve uma senhora
que fez isso, deixou a comida no carro
durante dois ou três dias ao sol e
depois ela ou a família comeu e morreram
ou ficaram muito doentes.
E então,
por estares a por estares a legislar o
bom senso, estás a impedir que as
pessoas levem a comida que sobrou no
restaurante para casa. Porque houve uma
vez uma pessoa, pá, burra,
que é uma minoria muito muito pequena,
porque a maior parte das pessoas têm bom
senso, que não o fez. Então, se calhar,
o meu problema não é tanto com usar o
bom senso como argumento, é mais como
não legislar coisas que deveriam ser bom
senso, até porque vais por esse caminho
e crias sociedades como a Austrália se
está a tornar, em que tu estás tão
habituado a um estado paternalista que
te proteja de qualquer coisa que possa
ser minimamente perigosa, que sais desse
lugar a viajar ou a, não sei, ou a
saíres do do trilho. que tá marcado para
ti e não te sabes comportar e não sabes
lidar com perigo e não sabes lidar com o
inesperado.
>> A última parte não sei se é bem assim,
não vou não estou preparado para aceitar
essa proposição, mas
tu achas que uma mulher em 1979
ir fazer top left para uma praia cheia
da Nazaré era bom senso, ausência de bom
senso ou não tenho a ver com isso? em
79. Sim,
>> a ausência de bom senso.
>> OK.
>> Na praia da Nazaré já havia praias
novistas.
>> Sim.
>> Eu acho que é bom senso a mulher nesse
caso estar a, mas imaginar quem vai
fazer isto provavelmente vai ser não tá
a fazer aquilo à toa. Uma pessoa que
sabe o que é que está a fazer e tem
consciência disso e apercebe-se de uma
cena que com a qual eu por acaso
concordo, né? Tipo, acho que não faz
muito sentido nós sexualizarmos a tanto
as mamas das mulheres e ao passo que no
no homens não e entendo porque eu sinto
isso, né? Sinto apelo por mamas
mulheres, mas não ao mesmo tempo não
acho que não faz sentido haver
diferentes leis para os troncos das
mulheres e e os troncos dos homens.
E para mim é bom senso a mulher ir fazer
aquilo que ela acha que tem direito a
fazer com a exposição do seu próprio
corpo naquele momento.
Portanto, o que tu achas que é bom
senso, eu acho que já não é o contrário.
Ao mesmo tempo, eu não acho que seja bom
senso ela fazer topless no Irão, porque
aí ela já pode mesmo ter conse morrer ou
ter consequências mesmo gravíssimas. Ou
seja, a partir do momento em que nós
começamos a introduzir mais nuance, isso
não significa um bom senso, porque neste
caso, o que estavas a dizer só fazia
sentido porque por acaso concordava
contigo nos exemplos que foste dando
aqui e ali, mas certamente há casos em
que para mim vão ser só uma coisa e para
ti é outra. Por isso é que eu acho que
genericamente não serve como argumento.
>> Sim, mas há mas acho que podemos eh
dizer ou pelo menos descobrir em
conjunto a diferença. As coisas que eu
disse, como deixar comida três dias no
carro, ela estraga-se, é um facto.
>> Sim. E
>> e ser imoral mostrar as mamas na praia
não é um facto,
>> não. É um facto.
>> É mais subjetivo.
>> É um facto que ela fez stopless. É um
facto que ela deixou a SES.
>> Sim, mas não é um facto.
Imagina, não consegues universalizar, tu
consegues universalizar por todo o mundo
e por todas as culturas, que é bom
senso, que deixar a comida no calor três
dias e depois comer é mal, mas não
consegues universalizar no espaço e no
tempo e em todas as culturas que me
mostrar as mamas na praia
é mau ou bom. Acho que a diferença é
essa. Tu concordaste com os meus
exemplos que são factos.
Mas espera aí, vamos, mas vamos pegar
então no exemplo do topless. Pode ser
altamente egoísta da parte dela, a não
ser que na cabeça dela o ativismo para
poder mostrar as mamas na praia seja,
>> não tem que ser ativismo, até pode ser
só páceir sempre o ativismo.
>> Sim, mas imagina se ela se ela sabe que
há lá muitas pessoas que vão ficar
desagradadas com isso, não é um bocado
egoísta?
Como tu ires de calções para uma
mesquita mesmo que acho que não é não
tem mal nenhum.
Não acho que seja, depende daquilo que
ela tá a sentir para saber se é egoísta
ou não. Porque se for uma pessoa que
acha, e eu identifico-me
bastante com esta maneira de ver as
coisas,
tu tens determinados direitos, não é? E
os direitos são dados pela lei, mas
vamos imaginar que tu estás a pensar até
nos direitos com os quais tu te
identificas, mesmo que eles estejam
legislados ou não. E tu sacrificares um
direito teu só porque isso vai causar
incómodo a muita gente, é egoísta. Eu
acho que não. Seriamente,
>> mas é um direito. Tens esse direito no
teu exemplo.
>> Se tu sentires, esquece li, até se tu
sentires, pá, para mim não faz sentido
os homens poderem mostrar as mamas e eu
não, eu tenho tanto direito quanto eles,
então eu vou e vou e as pessoas vão
sentir magoadas, mas a dar a dar o delas
porque e elas façam o que elas quiserem
com o corpo delas. Eu tenho direito a
usar fio da praia nas mesmas condições
que um homem.
>> Qual a diferença para usar calções na
mesquita?
Ó pá, eu se ninguém tiver a ver, eu
entro numa mosquita de se eu souber que
ninguém me vai ver, eu entro numa
mosquita de calções sem problema nenhum.
>> E eu vou no para uma praia se não tiver
lá ninguém também.
>> Ya, mas se tiverem a ver, ó pá, é só
para não ser chato, não é? Porque eu
acho,
>> então pronto, não és egoísta,
>> pá, diferente. Tens um exemplo melhor do
que mosquita, porque mosquita, eu estou
num, há uma camada de estar num país
diferente, estar um bocado mais
adaptável à cultura. Passo que essa
mulher tá no seu país, tá onde ela
pertence, ela pertence àquela cultura.
Eu acho que o exemplo da mosquita é
parecido, mas esta camada faz com que
seja um bocadinho diferente.
>> OK. Fato de banho para a missa.
>> Fato bem. [risadas]
>> Fato banho avaianas para a missa, mas
sem sem t-shirt.
Ó
>> pá, acho que não, porque não é a mesma
coisa. Porque estás a entrar num sítio
que pertence a alguém ou algo, ao passo
que a praia, por exemplo, eu se a praia
fosse privada, eu aí eu aceitaria que
>> OK, não pode envolver religião.
>> Seria injusto na mesma, mas aceitaria
que houve regras diferentes.
Eh,
>> sim, mas espera aí, não sei se a
Mesquita tem assim tão mau exemplo,
porque a única razão para tu ires é ires
de volta ao hostel pôr calças e e não ir
de calções, imagina que que não te iam
barrar, mas sabias que imensa gente ia
ficar incomodada com isso. A única
razão, acho eu, conhecendo-te, não é por
achares que aquilo é um lugar sagrado
para ti, é porque não queres que as
pessoas se sintam incomodadas. E nesse
sentido, acho que é parecido com a
praia.
Mas não é não é tão importante para mim
ir visitar uma mesquita num num evento
de turismo como para uma mulher
provavelmente usufruir da praia à qual
tem direito no seu país.
>> Pois ó pá, não sei. Aí já estamos a
entrar em quanto vale porque se ela
também pode apanhar sol na varanda top
ou no terraço. Não tá aqui para ali.
>> Mas ali é mais fixe.
>> Quando tá sol, tá sol em todo lado.
>> Mas ali é mais fixe, né,
>> pá? E dentro de uma catedral ou de uma
mesquita, a vida também é mais bonita,
imensa arte, imensa assimetria.
>> Mas pertence a uma instituição que tem
>> OK, meio que tem direito a ter as suas
próprias. Mas ok, acho que acho que no
fundo o bom senso, acho que descobrimos
que há vários tipos de bom senso.
>> Há o bom senso factual e depois há o bom
senso que é o bom senso cultural da das
regras culturais do teu que é
considerado
um bom comportamento
de bom senso.
>> Mas mesmo o bom senso factual por vezes
não é assim tão factual. Por exemplo,
pensa na
nas máscaras do covid. Ah, adorei.
>> Havia gente, para quem era bom senso
científico na cabeça deles, usar máscara
e havia gente para quem era bom ser
científico na cabeça deles, não usar
máscara. E mesmo assim porque iam buscar
fontes diferentes e coisas assim e mesmo
assim o que supostamente era um facto
fazia com que a definição de bom senso
fosse diferente. E para mim basta haver
assim algumas
escapadelazinhas do do conceito que
deixa de valer.
>> Ok. Ya, acho que estáamos a falar de
coisas diferentes. Então eu estava a
falar de bom senso,
lá está, cultura geral factual, eh,
aplicada ao computador. Mais comprido.
>> Sim, para a próxima escrevo isso.
Colonização em lugares desocupados em
África.
Cancelado.
Cancelado.
Porque isto veio, não sei porque é que
veio este, mas foi mais.
>> Foi do nada.
Foi do nada.
>> Sim, mas acho que fui fui eu que foi.
Foste tu? Ai,
>> não tentes, não tentes. [risadas] Tar
mim.
>> Não, não, não tá.
>> Eu nem vou falar neste.
>> Eu acho que estava a pensar
inicialmente, h,
vamos imaginar,
houve uma altura em que começou a haver
ali a a independência da maior parte dos
países africanos.
foi ali nos anos 60
e depois Portugal o os paves mais
tardinho mais tarde.
E nessa altura houve muitos movimentos
de pessoas autócos que expulsaram o nas
casas os brancos não aconçou em todo
lado. A África de Sul ainda hoje tem 7
ou 8% de de brancos tanto como na mídia.
muitos amigos que andaram comigo na
escola no Zimbá e tiveram de fugir por
causa disso. Em 2000 2001 quando o meu
gabi disse: "Olha, e de as terras são
vossas e tirar aos brancos".
>> Isso é uma cena por si só que também
pode ser interessante de de discutir,
mas eu dei por mim a pensar foi pé,
vamos imaginar que eu não eu não sei se
se era o caso aqui, não sei como é que
aquelas civilizações e sociedades se
desenvolveram.
Mas imaginando que chega uma pessoa e
para
para isto ser mais facilmente
compreensível para quem possa ter uma
maior propensão em chamar a outra pessoa
de racista, eu vou dizer pessoa da etnia
A chega a sítio
e um e não tem ninguém, não vê ninguém.
>> Não pode usar África.
>> Pronto, chega a África e não tem
ninguém, não vem ninguém. Não, não há
nada ali.
Agora isto é tem alguma dificuldade à
partida porque seria interessante saber
efetivamente se houve muitos settlements
porque às vezes já haver um se há
pessoas quer dizer que provavelmente há
água, há sítios onde se pode caçar e
tudo mais, pode haver assim hotspots e
tudo mais, mas
>> imagino que em toda a costa africana há
ter havido sítios em que o pessoal
estabeleceu o mesmo por ser pá uma
importância geográfica e tal tipo cabo
verde talvez cabo verde tá ali ninguém
mas estou a falar mesmo no continente
não ter ninguém e o pessoal estabelecer
lá e depois desenvolver a sociedade.
>> Ah, sim, Cabo, desculpa, Cabo Verde até
é o melhor exemplo de todos, mas o outro
car mais interessante.
>> Ya,
África é tanto, eu eu acho e gostava de
opinião, mas eu acho que a África é
tanto da pessoa e não estou a falar de
do tipo de colonização de de opressão,
instrumentalização e domínio. Claro.
>> Estou a falar de chegar em um sítio e
fazer uma cena.
>> Uhum.
A África é tanto da pessoa que nasceu
lá como da pessoa que é filha daquela
que chegou lá. E se para alguém achar
talvez que isso não é assim, então de
certa forma também pode, para ser
coerente com a sua própria ideia tem que
achar que, por exemplo, que um um negro,
um afrodescendente, nunca será
efetivamente
da Europa. Mas percebes?
Pronto,
>> falas é que é racismo. tu dizeres que
aquele branco não pode estar ali onde
não havia ninguém
>> chegou em opção, tudo na boa, tudo
tranquilo,
>> porque se ele em vez de ser branco fosse
negro, tu deixarias
>> Sim, à medida que
>> que ele te ficasse com aquele lugar,
>> à medida que os movimentos de independ
de independência começaram e pronto,
agora estamos a falar, entretanto,
passam-se alguns séculos e as sociedades
vão expandindo e pode chegar a uma
altura em que em que colidam,
>> mas isso sobretudo é um exercício de
teórico, porque a verdade é que nós
sabemos que houve muita opressão e tudo
mais, Mas
é uma, parece-me racista expulsar alguém
de um sítio só porque
é de uma etninha diferente, não é?
>> Sim. Acho que uma maneira de pensar para
para te ajudar é, imagina, tens um lugar
qualquer, um pá, uma planície qualquer
ao lado de um rio em África e nunca
ninguém
parou lá. Ou seja, se calhar até alguém
a fazer uma viagem já passou por lá ou
não, não interessa.
E há aqui duas hipóteses de colonização
desse lugar que tá vazio, não é? Não
havia países, era tudo terreno e pessoas
e aldeias e vilas. Pronto. Eh, ainda trá
o suficiente
tu viajares, hh,
pá, 20 dias a pé para chegar lá
ou 20 ou 20 meses de barco, mais 20 dias
a pé para chegar lá. É isso que deve
definir se tu, passado 100 anos deves
ser expulso ou não, independentemente da
cor da pele, não é? Pá,
>> porque se teres a corda
>> percebes ignorando a cor da pele,
>> mas for isso até dá para ver de duas
formas que é dá para usar um elemento
para cada um dos lados. Por um lado, ah
porque eu estava mais perto. Por outro
ah porque eu sacrifiquei-me mais.
Voltando agora a sacrifício, eu
sacrifiquei-me mais para chegar aqui.
Então neste caso, parece-me igualmente
válido o critério de distância com o
critério de sacrifício para então acaba
por ser um sício futuro na mesa.
>> Sim. Ó pá, eu eu sinto que quem está
mais próximo meio que tem tem mais
direito, mas mas lá está, pá.
>> Eu eu concordo, mas até um limite. Eu eu
sinto que a partir de
>> não sei 50 não não sei não sei. Na
altura 50 km era era muito longe, não
havia estradas, né? Mas mas imagina 50
for
a partir daí para mim é igual. Tipo, é
igual se a pessoa veio do outro lado do
mundo se veio a pé.
Sim, eu compreendo a a eu compreendo a a
raiva e o trauma histórico e
e tudo o que existe hoje em dia contra
os brancos, entre aspas, no sentido de
terem sido colonizadores das Américas e
da África e e por aí fora, mas
é extremamente racista mesmo. OK. Para
quem não define racismo como uma coisa
de poder, já tivemos essa esse problema.
Ha, porquê? Porque, caramba, meu, não
havia não havia etenias mais morais do
que outras.
>> Sim.
>> Toda a gente estava a explorar à sua
volta e a conquistar e a matar,
incluindo e a escravizar em África, na
América Latina. A única coisa que
aconteceu foi uma vantagem tecnológica
que nem sequer tem que ser devida a eh a
ser eh geneticamente superior, porque
pode só ter a ver com geografia. H, como
aquele livro que me traste os
prisioneiros da geografia, não é?
Prisioneiro da geografia.
>> Esse e depois o Einfilation Fail. Ou
seja, mesmo a co mesmo o acaso talvez
geográfico daquele povo ter sido o que
conseguiu a tecnologia para viajar para
longe
>> e armas e ferramentas.
>> Sim, ou seja, é, acho que quando te
afastas suficientemente de do planeta,
percebes que é muito racista e isto não
retira nada de toda a maldade que foi
feita, não é? toda a maldade que foi
feita
>> e não retira nada do racismo que há
efetivamente de brancos par
>> e não retira nada de do facto de muitas
vezes pessoas racializadas no ocidente
terem dificuldade porque ainda existem
ecos disso.
>> Pronto, já fizemos todos
[risadas]
e não tira nada.
>> Pronto, mas mas é extremamente racista.
A única diferença é tinhas aqui tinhas
duas tribos indígenas no Brasil.
Uma tinha tecnologia suficiente para
atravessar o rio e matar o povo a lado e
ficar com o terreno dele. E outra tinha
tecnologia suente para atravessar o
oceano e matar e ficar com o terreno
dele.
>> Ya. Ya.
>> A diferença não há uma diferença moral,
há diferença tecnológica. Só
>> é é racista. E pá, faz-me pensar um
bocado no, já te falei do conceito com
qual andava a brincar, que era de
igualdade radical,
em que o Marcos curtia isso.
>> Neste caso é igualdade radical no trato.
HH, por exemplo,
é curioso no e vamos pôr comediantes de
parte, vamos só falar de pessoas no seu
dia- a dia. É curioso que seja nos
círculos mais avançados ou sofisticados
que seja má onda serse racista com
negros, mas que seja tipo meio engraçado
serse racista com brancos. É curioso
isso, mas a verdade é que apesar de eu
achar que não faz sentido qualquer tipo
de racismo,
efetivamente se uma pessoa fizer uma uma
piada racista com negros e outra, vamos
imaginar que as pessoas são iguaizinhas,
mas uma faz uma piada racista fleira com
negros e outra faz uma piada racista
fleira com brancos, eu vou sentir coisas
diferentes por cada uma dessas pessoas.
Mas ou seja, minha faz sentido.
>> Tem, achas que tem a ver com escala
social mais do que
>> Sim, porque partem partem de um lugar
diferente,
>> mas ainda assim, apesar de continua a
ser racista ou então seria no mínimo
classista, ao contrário, continua a
haver uma generalização acerca de um
determinado tipo de comportamento ou
maneira de estar ou de ser
para uma pessoa que não tem que ser
assim só porque é determinado a cor.
>> Sim, sim. a nível de generalização é
igualmente grave, mas o impacto que tem
na no indivíduo e na comunidade acho que
é diferente
o impacto. Enfim, tenho uma razão pela
qual tenho tenho um um maior impacto,
mas só tem esse essa razão só é válida
porque nós não atrivimos validade de
certa forma porque nós todos aceitamos
que há e é verdade que há uma escala,
digamos, se pegarmos nas pessoas, não
sei quais é que são as etnias que
existem mais em Portugal, tipo entre
asiáticos, negros, ciganos, brancos, mas
pronto, vamos pegar nas três mais
representativas e pô-las ter todas no
saco e depois tirar e ver onde é que
elas calham na escala social, existe
efetivamente um overlap eh bastante
grande. Mas o facto de isso acontecer,
não sei se tem, apesar de, como eu
disse, eu até reagir de forma diferente
quando ouço, não sei se tem que
legitimar a generalização de um
comportamento fleiro só porque a pessoa
desse grupo tem uma posição de poder e a
outra não tem. Porque a criança, por
exemplo, e para agora parece que eu levo
isto muito mais a sério do que o Lev,
não leve, mas a criança na escola que é
gozada por por ser branco ou por ser
rico ou por ser louro ou seja o que for
>> ou por ser beto,
>> pá, ela não vai estar a pensar, ah,
tá-se bem, porque eu tenho uma uma
dinâmica de poder, eu estou lá lá em
cima. Óbvio. Ui, mas isso é muito
difícil explicar às pessoas, às pessoas
que
>> que dizem que não, que às pessoas que
dizem que estamos a usar mal a palavra
racismo, por exemplo.
>> Ya, eu pensei nisso, mas não quis fazer
esse período.
>> Sim, mas esse tipo sou é muito difícil
explicares isso.
Da criança ou do Beto,
>> do Beto, o homem branco betar também
poder sofrer. No fundo, pá, é uma é uma
balança.
C as pessoas pensam, pá, é o é o custo
necessário para reequilibrar as coisas.
Eu já não sofro tanto com essas coisas.
Eu hoje em dia sou mais otimista.
Descreve porque tenho estudado mais
cultura assim de forma mais séria. Agora
estou a ler um livro que se chama mesmo
cultura. Não estou comecei ontem, não
sei. É um livro, é um título mesmo
corajoso. Loja de livros genéricos. Eu
quero um cultura, quero aquele que diz
filme.
>> Não, ó pá, por acaso não me lembro do
nome, mas vou vou pôr na descrição do
episódio e estou a gostar bastante.
>> E o pêndulo vai sempre longe demais
antes de regressar. A cena do áudio aos
homens e do áudio aos brancos. Áudio,
pronto, vou usar uma expressão óbvio,
óbvio porque sim, mas vai vai passar
tudo. Eu acho que as coisas
historicamente vão sempre um bocadinho
longe demais e voltam. Mas é preciso
fazer o trabalho de fazer com que
voltem. Ya. E não, não tem que ir porque
enquanto vai
e enquanto vai há pessoas que sofrem no
processo.
>> Claro, o ideal seria não acontecer.
>> O Ibrahim X Candy, o gajo que escreveu o
Ibrahim X Candy, é assim dos maiores
advocates pela opressão que os negros
sofrem os Estados Unidos da América em
particular e no mundo em geral. Eu li um
livro dele que é o Stamped from the
Beginning que é altamente, já agora, é
só história do do racismo nos Estados
Unidos da América.
Mas o gajo,
>> ei, mas disseste-me que
>> não, o gajo, o gajo tem informações e a
meu ver terríveis, mas por acaso neste
livro é uma perspectiva histórica.
>> Acho que curtiste mais o fim da política
de raças do Colman Hugs.
>> Sem dúvida. Mas esse é cultural, este é
histórico de certa forma. Apesar do
racismo ser um, podemos encaixar isso na
cultura de um país, esse esse é mais
moderno, digamos, a parte
>> principalmente nos Estados Unidos. É
muito, é uma, é uma questão mesmo
importante da história dele.
>> Sim, esse livro eu adorei. Eh, à luz do
dos movimentos que estão a acontecer
hoje em dia. O outro foi mais uma
perspectiva histórica, mas o Ibrahim X
Candy que escreveu stand from beginning
from the beginning gajo disse e the only
way to fight discrimination is with more
discrimination.
>> Fogo.
>> Pá, não pode, não é? Não pode, tipo,
devia ser ilegal, mas tipo, não, meu.
>> Pois
>> é. Foi de no more discrimination porque
é por causa da teoria do pênal
provavelmente e não tinha que ser, não
tem que ser assim.
>> Sim, não tem que ser assim.
>> Mas pronto, eu não estou indignado com
isto todo para fal.
>> Ah, és tu. É este
Pedro não quer ler
tua parentalidade.
Eu
tenho um filho de 4 anos e meio e nunca
li um livro sobre parentalidade. Já
leste alguns livros sobre
parentalidades?
>> Eu fiquei muito espantado quando
[risadas] há 4 anos para aí nós, tu
foste para aí um ano antes de mim ou
meses? Pá, ya, o P nasceu em maio
>> e eu sempre imaginei que o Pedro ia, pá,
mergulhar na parentalidade, pá, ele
estudou psicologia e que ia ser uma
coisa que nós íamos fazer em conjunto,
falar disto tudo. Ele diz-me: "Ah,
banco, não quero ler nada, não vou ler
nada de parentalidade".
E dá aí os teus argumentos para para ele
contraargumentar.
É assim, eu não tenho muitos argumentos,
mas uma coisa é certa, eu não,
tirando períodos esporádicos, eu no
geral não me sinto preguiçoso em relação
à à educação, à educação de uma filha,
em relação àquilo que eu acho que posso
fazer para ser um melhor pai.
Mas aqui eu reconheço que possa estar em
correr um pouco, talvez numa falácia um
bocado naturalista,
um bocado. E depois também não sei se é
aquela cena recitando Jonathan Height,
intuitions come first, strategic
reasoning second, de se calhar só tenho
preguiça e depois arranjo desculpas para
racionalizar a essa minha mesma
preguiça. Não sei exatamente onde é que
começa um e acaba o outro, mas acho que
não. Sinceramente,
acho que não me sinto como um pai
preguiçoso perante o filho, apesar de
usar a colona durante a noite, se isso
fosse nas primeiras.
>> Pá, mas então, dando-me a mim mesmo
permissão para ir ir um bocado nesta
fala naturalista,
nós somos pais há
milhares de gerações e sobretudo o que é
ser um bom pai e uma boa mãe hoje em dia
é específico a este contexto atual. com
o qual eu concordo. Tipo, no geral,
quando alguém fala do que é que é ser
bom pai boa mãe, no geral, concordo.
>> Achas que está geralmente cada vez
melhor a parentalidade?
>> Sim, acho, acho acho que sim, mas como
eu não leio livros sobre parentalidade,
é só mesmo bite. H, portanto, não é que
eu acho que antigamente é que se fazia,
então não me quero informar acerca do
que se está a fazer agora. Não tenho
essa essa escapatória,
mas sinto que sendo uma pessoa
minimamente
inteligente, afetiva,
atenta
e determinada
e
com os ouvidos abertos, acho que isso
pode ser suficiente para uma pessoa ser
um pai
no mínimo bom o suficiente. Mas agora tu
perguntas, ah, mas queres ser só um pai
bom suficiente ou queres ser tipo o
melhor pai de sempre? Ya, tipo, lá lá no
fundo quero ser o melhor pai de sempre.
falando isto com alguma distância,
obviamente não não há uma cena que o
culpamento, mas ya, é por isso.
>> Ó pá, eu que como vejo com uma coisa
provavelmente mais difícil e mais
complexa que alguma vez vou fazer e se
calhar isto
é pouco saudável ou se calhar parte de
uma ilusão de de capacidade de controlo
e manipulação que não existe. Claro que
existe o mínimo, não é? É diferente tu
estares presente ou não estares, não é?
Acho que isto é é quase um facto. Ou tu
bateres todos os dias no teu filho ou
não bateres, pronto.
>> Ou bater e não bater. Pronto.
>> Sim.
>> Porque é que tem que ser todos isso?
Estou quero dizer, quero pôr aqui que
existem, acho eu, quase factos na
parentalidade. Hum.
e sento uma pessoa que gosta de ler e
que gosta de psicologia e que gosta de
de ciência, pensei que ias querer. Eu
lembro-me e no outro dia fui fui
convidado para um evento assim com
várias palestras sobre parentalidade.
Pá, foi espetacular, convidem-me mais,
por favor. Hum. E disse lá uma coisa que
foi
os primeiros livros que eu li de
parentalidade,
pensei: "Ó pá, isto é uma porcaria, não
tem não tem citações, não tem papers,
não tem nada, porque sei lá, quando lês
um livro de história, um livro de
ciência, um livro de mesmo de pop
psychology, tem muitas desculpa, tem
esse fator também, o facto de eu não
sentir tanta a falta de cientificidade
de algumas coisas a
>> Mas pronto, uma das razões, talvez a
principal é que, tal como acontece na em
em psicologia alargada, não só infantil.
Há há problemas éticos sem se fazerem
determinadas determinados tipos de
experiência, não é? Tu não podes, mesmo
que desenhes a experiência perfeita para
definir se bater ou não num filho depois
de maisira é mais eficaz do que só te
desengares, tu não podes fazer isso
eticamente porque
>> Sim, sim,
>> já está, porque o o o é um bocado como a
medicina, o é o princípio do não dano,
estás a ver?
E então é bastante por causa disso, não
é falta de vontade. Mas depois
comecei-me a perceber e senti isso no no
livro do Gordon Noeld.
Hã, e também naquele
o livro que gostaria que os seus pais
tivessem lido, mas esse não gostei
tanto. Mas meus
>> não, eu não o título do livro.
>> Hum,
a experiência empírica conta. E quando
tu és uma, pá, quando tu és uma pessoa
que está há 40 ou 50 anos a receber
crianças problemáticas e famílias e os
pais e a mergulhares, tu vais aprender
coisas e é quase,
não é? Científico, é sem conhecimento
empírico forte. Claro que tu estás
sempre num contexto cultural e que se
calhar o contexto cultural e até
genético das populações destes
cientistas podem ser diferentes deste
carro, mas eu acho que não. Acho que
parentalidade, lá está, aquilo é um é
Siri no início. Estou a dizer só, sabes
porque é que eu disse que é com Siri?
>> Não
>> era porque tu ficaste meu ofendido
quando eu disse que os animais são um
bocado como a Siri. Sim, sim.
>> É, mas o o meu filho e o teu quando
nasceram, aquilo é um é um autómato, não
é? Aquilo não
>> tá só a seguir instruções genéticas para
sobreviver. E ya, pronto, tem ali,
>> eu tenho a favor, a teu favor, que é
não precisa de ser científico porque
muitas vezes tu, nós nós acho que nós
falamos sobre isto numa sério que foi e
foi uma pequena realizaçãozinha que eu
tive em tua contigo, em tua casa e
depois por acaso não tenho posto em
prática.
>> Testemunhar outros pais a parentalizar.
Ya, ya,
>> porque senti que isso,
apesar de, obviamente, tudo o que tu
disseste e fizeste com o teu filho, eu
achei fleir e reprovável. No entanto,
dei por mim a pensar, em teoria, se tu
fosses o melhor pai, eu estar a ver
aquilo podia ensinar como agir na mesma
situação.
Hum,
>> mas espera aí, estás a brincar?
>> Sim, est a brincar. Sim, sim, sim.
>> Ah, mas houve um achas que era preciso
explicar?
>> Eu não escolher meu pai. Não, houve um
momento, houve um momento engraçado em
que, pá, o meu filho tava tipo meio a
meter comigo assim, a bater-me, a chamar
a minha atenção e a minha reação foi
atacá-lo de volta,
>> ou foi desvalorizar o bater ou foi isso
ou foi o oposto. Exato. Não, não, não
foi desvalorizar,
foi,
>> ó pá,
>> foi tipo, foi hh pá, eu próprio quando
faço essas coisas e ou quando fiz isso,
eh, fico na dúvida se fiz a coisa certa,
faz parte, mas eh transformar aquilo num
momento de brincadeira e domínio em
simultâneo.
>> Ah, sim, isso foi isso, foi isso, foi
isso.
>> É brincadeira e domínio em simultâneo.
Tipo, que é isso?
>> O que para mim foi um bocado
desvalorizar, não está? Pois, eu
percebo. E eu próprio fico a pensar, pá,
se calhar estou a normalizar ele bater
ou se calhar ele vaiar bater a brincar,
mas mas é isso. Pá, eu acho que se
calhar é preguiça, se calhar
>> pode ter a ver também com a descoberta
da
>> Não sei, eu sinto que funciona porque
também tem a componente de não te metes,
não, não, não te metes comigo, não se
bate. Mas ao mesmo tempo porque eu não
estava a bater de volta, estava só para
Sim. Não, eu imagina eu
>> se tu lhe tivesses batido de volta uma
tipo uma lapita no rabo ou quê, eu não
acho fixe bater-se de todo, seja quem
for, mas não ia achar que fosse o o fim
do mundo, mas ia achar por princípio
mau.
>> Sim, por causa do exemplo.
>> Agora tu reagires na brincadeira, não
sei quê, dar domínio, não acho por
princípio mau. Aqui é mais uma e citando
Jonathan Kight outra vez, a diferença
entre um princípio e um e uma
preferência pessoal. Tipo, no meu caso,
a minha preferência pessoal, porque eu
também não sei, tipo, será que dar
aquela atenção toda, não, não, não bates
o papá, não sei quê, será que
às vezes uma pessoa não pode olhar, tá,
pronto, deu daqui a instinto dar uma
lapada no braço assim, será? Eu também
não sei o que é que é melhor.
>> Sim, sim. E se calhar o o meu se calhar
eu fiz isso porque o meu desejo era
que ó pá que a raiva que ele tivesse a
sentir desaparecesse
tornando aquilo numa coisa mais de é
isso se calhar desvalorizar
mas ao mesmo tempo mostrar tipo eu me
faz isso
>> mas eu aponto ia ser a favor de se ler
livros que da mesma forma como eu me
percebi que ver outros pais aparente
izar pode ser útil para os meus dotes de
parentalização também ler um livro é
isso, né?
>> Mesmo que não seja científico,
>> tu olha a pessoa fez isto nesta
circunstância, eu acho, eu identifico-me
com isto, tipo, comportamento A ou
comportamento B,
>> imagina que até chega ao mesmo
resultado. Ya, eu sou mais uma pessoa,
sou mais uma pessoa tipo a pessoa acho,
vou vou tentar esta cena. Ya, é muito, é
muito interessante. E no outro dia, h,
quando estávamos ah, nesse mesmo dia, o
meu filho não deu qualquer coisa ao teu
ou tirou-lhe qualquer coisa e depois não
lhe deu de volta. E eu fui falar com o
meu filho, explicar-lhe, tipo, pá, não
se faz isso, pronto, a lingha toda. E tu
disseste, vai, vai dizer qualquer coisa
a no [risadas]
lembraste? Lembro.
E na minha cabeça foi de gênero. OK. O
Pedro,
espero que o Pedro vá explicar que,
tipo, pronto, o que é que tá a
acontecer, que o podias até dizer, olha,
o Pedro tá-se a portar mal, mas o pai de
P já foi falar com ele, mas tu naquele
momento achavas que era bem ser eu e
dizer, como tinha sido o teu filho, como
tinhas sido o meu filho e [risadas] tu
diseste: "Ah, deixa-me preto meu filho."
>> Exato. Não, eu faço o meu filho, faço
eu. [risadas]
Não, mas é é muito interessante e é
útil, principalmente pessoas que que têm
valores parecidos e que sabes que pensam
nas coisas.
>> Eu não consigo defender
na
a minha posição com muito rigor
científico e lógico. Tipo, eu acho que h
partida, tu tens razão.
>> Em quê?
>> Em É bom pessoal ler alguns livros de
prel.
>> Vamos lá ver. Se vamos conseguir fazer
todos.
Duí.
Carnívoros com mulheres. Não, convívios
com mulheres. [risadas]
Ah,
>> este vai ser fixe.
>> OK.
>> Houve um
vídeo no qual eu tropecei recentemente,
ou na verdade foi há pá um ano, em que
eu acho que era na Austrália, mas onde é
não importa fim tanto.
>> Era Austrália. era no astr
eles estavam a entrevistar o os homens
que estavam num padão
as mulheres, eu acho que a questão era
que as mulheres também podiam ir aos
pubs, até então não sei se era proibido
ou
>> ou pá, se calhar era um gentlemans club,
se calhar era aquele aquele pub
específico,
>> não sei. De qualquer maneira, o que
interessa aqui é o princípio da cena. E
e o Tomás comentou, eu acho que acho que
te enviei e tu comentaste-te a dizer que
percebias o princípio e era da mesma
forma como percebias quando os gajos vão
em convívios só de gajos, que era para
proteger as mulheres, não era? Não,
respeito pelas mulher,
>> respeito pelas mulheres.
>> Era respeito, respeito pelas mulheres,
>> mas também é um bocado de preguiça, mas
diz-me quando eu poder.
>> Respeito às mulheres. É o que eu disse,
olha, eu discordo tanto que GPP.
>> What's up? Ah, finalmente. Então,
imagina, tu és um homem, acho eu, e tu
sabes que conviver com homens, h, quer
dizer, se calhar tu não és assim, mas eu
quando convivo com amigos homens,
não tenho há há um tipo de respeito que
eu não tenho por eles, que tenho pelas
minhas amigas mulheres. Eu tenho mais
respeito.
>> Que respeito é esse? Pronto. E tem a ver
com a tua conduta, teu comportamento.
Se esse esse pelas imagens que eu vi
desse bar, pá, que também influenciaram
a minha opinião desse p, lembras-te? Era
um vídeo com imagens?
>> Sim, sim, sim.
>> Era um sítio assim meio labrego, não
era? Era assim um sítio,
>> acho que era um corner pub. era um
corner pub assim com os dardos e com
tipo era tipo um sítio meio fleiro e
meio sujo.
A presença de mulheres ou uma mulher faz
com que tu se calhar não possas ou não
te sintas tão à vontade para ter certos
tipos de comportamento que não são
imorais. Pá, imagina, pá, para usar um
exemplo básico, dar um arroto ou dar um
peido ou pá
>> cenas relativamente inóc
>> ou falar ou falar sobre
falar sobre alguma coisa de uma forma
que possa ser ofensivo para uma mulher
ouvir, que se uma mulher chegar,
tu já não vais poder, vai mudar o teu
comportamento. E não é por achares que a
mulher é inferior, é o oposto, é porque
tu respeitas mais as mulheres do que os
homens.
Então não estás disposto a ser tão de
abrego enfrentar uma mulher como és só
enfrentar os teus amigos e então
perde-se alguma coisa. Claro que se
perde.
>> Mas por é que respeitas mais as mulheres
do que os homens?
>> Não sei, pá. Se calhar é cultural, se
calhar sim.
>> E será que isso é respeito? Tipo, não.
Ou é só uma diferença de cuidado? Porque
eu não acredito que tu respeitas menos a
mim do que uma amiga tua normal.
Tenho muito mais cuidado com o meu
comportamento.
>> Não falei em cuidado, falei em respeito.
Não,
>> por isso é que eu falei em
comportamento. Não é, não é um,
Pois, pá, tem a ver com um
comportamento, não é? O respeito, o
respeito profundo é igual, mas estou
mais à vontade a dar um arroto à tua
frente, ao lado da minha amiga.
>> Mas isso é um problema teu, não é um
problema da tua amiga. Isto é, se uma
mulher começa a frequentar um p e o
homem sente-se desagradado porque agora
já não pode dar um rotão peido, problema
dele, não é? Que vá para outro sítio e
que vá para casa. Por isso é que eu não
disse que concordava ou descável. disse:
"Eu percebo porque é que eles estão a
ter essa reação, porque vão perder
alguma coisa, porque eles operam dessa
forma de e pá, agora vou ter que ter
mais cuidado." O que me catelhou mais
foi a parte do do respeito,
provavelmente, mas se mudas um bocado de
respeito para diferentes comportamento e
como de uma perspectiva egoísta isso
pode fazer com que a pessoa sinta
desagradada com uma visita da mulher,
então aí já estou mais preparado para
concluir.
>> Sim, sim. Se calhar não deveria ter
usado, não, mas vem de pá, é difícil
encontrar. Então o que é que eu deveria
ter usado em vez de respeito?
Entendo a preguiça das dos homens ou
entendo, entendo o egoísmo dos homens em
quererem
>> fazer exatamente a mesma coisa e
sentirem-se
>> coibidos e o fazer
>> no fundo não e mesmo que acredites que
não faz sentido nenhum e que é apenas
cultural
é sentido é uma coisa que sente na
mesma, não é? Que a presença de uma
mulher vai mudar o a dinâmica.
É uma cena que algumas pessoas podem
sentir, mas por exemplo, como as pessoas
também podem optar, até que ponto é que
elas realmente sentem isso ou não?
>> Eu tive uma mulher me despedente de
solteiro.
>> É verdade. Eu não tive.
>> Por isso eu sou um
>> hoje em dia
>> grande feminista.
>> É verdade. Eu não tive. A minha
>> hoje em dia teria tido, mas na altura
era um jovem desinformado.
>> Cerca da natureza da vida.
Por isso, pronto, acho que eu ter tido
uma mulher na minha filha de solteiro
mostra que que eu tenho amigas que eu
acho que que conseguem conviver nesse
espaço, mas mesmo assim não não foi à
despedida toda. Exatamente.
>> Não foi ao
foram um um strep,
>> não.
Mas foi a foi à segunda metade ou assim
uma coisa por iniciativa dela, acho eu,
se bem me lembro, porque sabia que era
importante haver o espaço em que, por
muito que seja, tipo, pá, ela seja
espetacular para esses convívios só com
gajos, ela mesmo assim sabia que era
importante, intuiu, se calhar, ou
conhece a sua cultura que era importante
haver uma outra fase. Mas por acaso acho
que não sei se teria feito muita
diferença. Não sei como é que os outal
se sentiu.
>> Eu à partida eu não curto a ideia de
qualquer tipo de segregação,
mas algumas são um nível assim tão
baixinho quanto esse que para mim, lá
está, voltando à cena do princípio e
prevência pessoal, deixa de ser uma
questão do princípio e passa a ser uma
questão de prência pessoal. Mas
fagregation is badman.
Multar um irmão era tal que nós fizemos
há um bocado.
>> Boa.
>> Ah, aqui era multar. Nós usamos a a
parábola da
>> Olha só, faltam três. Acho que vamos
conseguir
>> ganhar mais memória e mais vida por ter
mais memórias.
>> Ah, ok. Faz o teu bit. Este também vai
ser rápido.
>> Se nós pudermos concordar que a vida são
memórias e muito não numa perspectiva
científica ou necessariamente lógica ou
até racional, mas numa perspectiva mais
romântica e filosófica, né? Tudo, tudo o
que nós sabemos acerca do que significa
estar vivo é aquilo que nós estamos a
experienciar agora mesmo e depois tudo o
resto que é bem mais é aquilo que nós
lembramos acerca daquilo que vivemos.
Então a nossa vida são memórias. Se a
nossa vida são memórias, então quanto
mais memórias nós temos, mais vida temos
dentro. De acordo com esta teoria, nada
senti. Eu, a primeira vez que eu pensei
acerca disto foi acerca de de como
viajar me dá mais vida, porque por mais
que eu adoro a minha rotina em São João
da Madeira, todos os dias com7 e não é
altamente, pum, pum. Por mais que eu
adoro isso, a verdade é que como os dias
são muito parecidos uns com os outros,
eu tenho menos memórias.
E quando eu vou de viagem, eu lembro-me,
não diria de todos os dias, mas eu
lembro-me tu, deve-se acontecer o mesmo
contigo. Deves-te lembrar de muitos mais
dias passado tanto tempo de quando
estavas na Austrália do que um ano
depois quando estavas em Portugal já há
meio ano ou assim?
>> Sim. Mas lembras-te dias inteiros? Eu
lembro de coisas que fiz. Não me lembro
assim de dias inteiros, mas tu vais
escrever lembro de dias inteiros, mas
lembro-me de coisas de vários dias
seguidos. Isto é, lembro-me quem naquele
dia estava ali também, eu deslocava-me
muito, isso também ajuda. Naquele dia eu
estava ali, apanhei bleia com pessoa
tal,
>> depois no dia a seguir, se calhar lembro
de uma cena às 4 da tarde, não é que eu
lembro dos dias inteiros.
>> Então a minha proposição é essa, é que
vi, que mais memórias dão mais vida.
Mais vida, seja através de viagem, seja
através do que for, que nos
>> traga mais móis. Pronto. E o que eu
tenho a dizer em relação a isso é
percebo, entendo, identifico muito com a
com a importância da memória e até sofro
um bocadinho com não me lembrar de mais
coisas. Hum, sinto que já fizá tantas
coisas e tive tantas conversas e festas
e conheci pessoas espetaculares que
já me esqueci que me esqueci. Ou seja,
estás a ver?
Mas tenho noção que há assim um conjunto
gigante de coisas altamente que eu fiz e
que que foram para sempre, já
desapareceram para sempre, mas é fixe
também. Mas h o que é que eu tenho a
dizer contra isso? Isso não deve ser
aquilo que orienta a tua vida, porque
tu quando fumas e bebes à partida tens,
vamos supor que é um facto que que
retens menos memória. OK. Mas estás
disposto, se calhar a
>> Eu não, eu não estou não não sei se
aceito essa proposição, porque quando
estás bué bêbado, sim, mas quando fumas
erva
uma pessoa esquece mais da, às vezes
perde um bocadinho mais a ponte, estava
a falar de quê? ou coisas assim, mas não
sei se,
tipo, eu quando fumo, no dia a seguir eu
olho para trás e lembro-me como me
lembraria
se não tivesse fumado em termos de
daquilo que retenho. Portanto, acho que
influencia à memória às vezes, tipo,
>> a curto prazo, mas não sei se infancia
longo prazo. Bem, então então
>> menos queiras usar isso só como
princípio.
>> Sim. Então, então imagina que havia um
comprimido que te faria, pá, curtir
muito mais e divertir-te muito mais, mas
que o custo era teres menos memória.
>> OK.
Se o se o teu objetivo de vida fosse
algo tão simples e sinistro como
maximização de prazer sem mais nada,
então isso da memória é secundário,
porque se calhar a vida até pode podemos
acrescentar significado e tudo mais, se
calhar a vida com mais significado e
prazer e conexão não é a vida que cria
mais memórias.
>> Percebo isto é 100% subjetivo. E há uma
experiência muito parecida com o que
estás a dizer. E desculpa, já estamos a
meter muitas referências. Desculpa, mas
acho que é no thinking fast and slow do
Daniel Canneman e pá, nunca ninguém sabe
o nome do outro gajo, Omar, qualquer
coisa. Eu acho que é lá em que eles
dizem: "Tu vais numa vais de férias,
tipo, duas semanas e vão ser tipo as
férias da tua vida. Vai ser incrível,
espetacular. Tipo,
pensa de tudo o que pode correr bem vai
ser isso, mas depois chegas, chegas a
llamas de nada.
Ou então vais de férias duas semanas na
mesma e vai ser fixe.
Vai ser fixe. E depois chegaste e
lembras-te normal como te lembrarias. De
qualquer maneira, o que é que tu
preferes? Esquece filhos e Catarina e
põe foca-te só em ti.
>> Depende, depende a que distância é que
eu estou da minha morte, porque eu vou
retirar prazer da memória durante x
dias, sempre que me lembrar disso,
>> daquelas sérias que foram mais ou menos.
>> Sim.
o o peso que a memória tem, se pensares,
e é é a tua premissa essa, é que te vai
trazer a sensação
de que te viveste mais, que é um pequeno
prazer.
>> Ya. Ou seja,
>> depende de quanto tempo falta até
morreres.
>> Isso é uma questão interessante porque
efetivamente nós mais cedo ou mais tarde
nós vamos nunca mais nos vamos lembrar
de nada quanto mais seja porque vamos
morrer. Ou seja, a memória vai sempre
desaparecer. Tem a ver com quanto tempo
é que nós
>> Ya, os últimos 10 segundos de vida, pá,
é para curtir o máximo sem ter que
lembrar nada.
>> OK, mas complicaste a cena. Não tinha
essa. Mas mesmo assim agora era agora
tinhas que escolher agora.
>> Tinhas que escolher agora com este
>> mesmo agora tu não sabes quanto tempo é
que vais fes morrer mais cedo.
>> Sim, mas tenho uma expectativa
probabilística.
>> Acho que lembrar-me
>> eu também.
>> Por isso eu valorizo bastante a memória.
Sim. Mas se alguém me disser, eu acho
que de acordo aquilo que estavas a dizer
que o pessoal pode valorizar,
>> espere se calhar para mim uma viagem
normal é incrível.
>> Pois eu sei. Uma viagem normal duas
semanas para mim é tipo fogo, vai ser
incrível.
>> Ya. Ya. E não é muito difícil uma pessoa
ter duas semanas absolutamente
incríveis, mas pensa na cena mais
>> pessoas menos fixes do que nós.
[risadas]
Eu vi
>> para quem duas semanas de férias ou uma
seca.
Pensa, pá, uma cena mais tem, tipo, vais
para um hotel e
não escolheste ir para lá, mas pá, não é
preciso, não é preciso. É
>> bem
>> uma incrível e uma ainda mais incrível,
10 vezes mais incrível. Acho que
escolhia memórias, ter memória.
>> Ya, também a pessoa que valorizaria mais
o
>> Não utilizaria o clone.
>> Voltamos à cena da memória, mas aqui não
há sacrifício.
>> A pessoa mais edonista não usaria o
clone.
>> Não, eu estou a pensar no clone da
parentalidade. Também tem a ver com as
memórias,
>> com criar boas memórias, não? Aliás, tem
mais a ver com isso do que com o
sacrifício em si, como concluímos. Dois
papéis. Ou tinhas mais alguma coisa a
dizer? Não, não, não. Quando é que vamos
poder dizer que o patriarcado acabou?
Quanta igualdade. Pronto, olha, isto
nasceu de,
>> tu lembras? Esse é dos mais antigos,
acho eu.
>> Não, não é,
>> acho que não.
>> Isto nasceu de de ouvir uma pessoa num
podcast a falar sobre isto.
>> É uma ona vez quem é?
>> Hum, pá, não me estou a lembrar do nome.
>> Ah, sim.
>> Foi alguém que falou com o The Teen Man.
>> Ah, é estrangeiro.
>> Sim. o inglês
a dizer que
uma pessoa do ocidente
usar a mesma palavra, ou seja,
patriarcado do que uma pessoa do Irão,
onde as mulheres não podem cantar e não
podem jogar xadrez e não podem, não é,
fazer quase nada, que
pá, pode ser um bocadinho ofensivo para
mulheres desses sítios.
H, e pode também ser um bocado ofensivo
para algumas mulheres, algumas já
morreram, outras ainda estão vivas, pá,
que lutaram tanto e se sacrificaram
tanto para chegar onde estamos hoje
e
e que não há e que seria bom, ou seja,
não é uma maneira de parar de falar
sobre feminismo nem nada, mas que se
calhar seria bom e mais realista para
toda a gente.
mudar a palavra ou tentar perceber
quando é que ou fazer esta pergunta,
porque é uma maneira de sentir que está
a ver progresso. E houve progresso.
E eu achei interessante a ideia que é
quando é que vamos poder dizer o que é
que tem de acontecer, não é? Já já
chegamos tão longe,
quando é que vamos poder dizer que
acabou o patriarcado? Eu não sei se não
não é, não sei. À partida não concordo
com a com a premissa porque imagina, tu
tiveste um regime opressor no Cambodja
nos anos 80 ou com Rud que matou de 20 a
25% da população e tiveste um regime
opressor em Portugal durante 40 e tal
anos que matou muita, matou pouca gente,
não sei quantas pessoas é que morreram
diretamente às mãos do Mas não morreram
de certeza 20 a 25% da população.
No entanto, de acordo com essa lógica,
eles são tão, tão, tão distintos, tipo,
os camboganos sofreram tão tão tão tão
mais que nós também não deveríamos dizer
que o nosso regime em Portugal tinha
sido opressor, só porque o outro tinha
sido tão mais. Estás a perceber? Então,
a partir daí já não concordo com o que
essa pessoa disse.
Agora,
não significa que não faça sentido uma
pessoa pensar quando é que o para já o
que é que é o patriarcado.
>> É isso. H ele ele explicou no podcast,
é um sistema social e cultural em que o
poder e a autoridade
>> Estás a perguntar a quem?
>> Chat JPT.
HH já vai imensa imensa gente a dizer:
"Não acredito que usa o chat GPT". H, é
um sistema social e cultural onde o
poder e a autoridade estão
predominantemente concentrados nos
homens e quant as mulheres tendem a
ocupar posições subordinadas.
Por isso, a partir de for isso e que
parece fazer sentido, porque o
patriarcado não tem que ser
necessariamente um sistema assente na na
seinda é patriarcado.
>> Não.
>> Pois. Então é isso. Então tem que haver
um momento e o que o não estou lado o
nome dele estava a dizer Richard Reeves.
Richard Reeves. Eh, estava a dizer é que
pá seria útil
porque senão é uma coisa
>> Sim, seria útil haver pá haver meio que
um consenso ou haver essa conversa,
porque pode ser efetivamente uma coisa
to aim to, não é?
>> Se calhar aí o mais fácil para
distinguir era o legal, não é? Imagina,
tu tu tens algumas leis que são
diferentes para homens e para para
mulheres. Em países, por exemplo, em que
há serviço militar obrigatório, as leis
são diferentes, coisas relacionadas com
gravidez e tudo mais. Tens leis são
diferentes e algumas delas até em
desfavor do dos homens.
Mas em países realmente opressores ou
fundamentalmente opressores para as
mulheres como sei lá, Arábia Saudit ou o
Irão, por exemplo, como tu disseste, aí
essa distinção é tangível e tá na lei.
Portanto,
está ou está aí a diferença,
>> porque de acordo com essa definição, nós
também vivemos um patriarcado, porque
efetivamente, apesar de nós não termos
codificado,
que eu saiba à partida e se tiver errado
metam nos comentários, mas apesar de nós
não termos codificado nenhuma lei que
realmente favoreça os homens,
>> mas ora que não sei,
>> eles têm eles têm dominância social e
cultural,
>> usando esta usando esta esta definição,
>> dominância social e cultural, acho eu,
né? política, económica, jurídica,
simbólica e familiar. Eh, tem aqui um um
parênteses depois de dizer poder e
autoridade, abre este parêntese. Hã, pá,
por exemplo, o poder, o poder económico
no sentido de decisões de compra
é dominado pelas mulheres.
>> Fizeste compra de quê?
Por exemplo, nas casas, quem decide o
que como a forma como o dinheiro é gasto
nas famílias, que é uma quantidade de
dinheiro gigante na economia de consumo,
é maioritariamente a mulher.
>> Mas isso são minusências. Minusências,
tipo, quem decide se calhar onde quem
quem compra a casa ou onde se compra a
casa ou qual casa se calhar já há mais
zonas.
>> Porque é que achas isso?
>> Porque essas decisões, estamos a falar
literalmente apples and pairs, né? Tipo,
essas decisões
que cabem às mulheres que são tão
importantes acerca da economia familiar,
pá, tem a ver com comprar arroz ou massa
ou esta marca ou aquela, não é uma cena,
não vejo nenhum poder aí,
>> pá. E e as maiores influências culturais
do mundo serem todas mulheres ou quase
todas.
>> O que é que tem?
>> É o poder.
>> É o poder que elas têm, não é o poder
necessariamente que as mulheres têm, até
porque elas
>> Achas que os homens têm mais poder
cultural do que as mulheres? Por
exemplo, nas redes sociais? Uma pergunta
um bocado abrangente, mais poder
cultural, como é que is
>> mais capacidade de influenciar
comportamentos?
Mais mais capacidade de influenciar
comportamentos.
Quantos influencers homens é que
conheces?
>> Hum, tenho um à minha frente. Conheço
pessoalmente ou que eu sei que existem?
>> Não, aqui na internet,
>> pá, qualquer um. O o Markel é um
influencer. É, apesar de não ser sua
cena principal, então conheço centenas,
provavelmente.
>> Sim.
>> Mas estava agora a pensar, será que as
mulheres se influenciam mais ou menos
por outras mulheres influencers
que os homens? Será que o nos homens há
maior diversidade, estilo de conselhos,
digamos, em relação ao comportamento?
tens aqueles gajos vão espectro unutate
até ao Diogo Far, por exemplo, tens um
espectro muito maior, então há mais
diversidade
e não há nenhum elemento unificador que
influencie tanto e o das mulheres, tens
tanto escope?
>> Sim,
>> nas mulheres tem mais afluências? A
minha questão é essa.
>> Acho que sim. Acho que também tens
muitas mulheres na política que e tem
bastante voz. Pá, de qualquer maneira,
qual é o poder, qual é o poder de uma
influencer que não seja aquele que é
>> de ganhar o dinheiro que é dela e que o
pessoal paga para fazer publicidade? Não
tem, tem poder.
>> Fogo,
>> mas tu não podes, quando pensas nesse
tipo de poder, eu acho que não podes
pensar na nos outliers das pessoas que
têm milhões de seguidores.
>> Pá, imagina outers para para tudo. Pensa
no grosso das pessoas. Mas imagina,
vamos se olharmos para Eu, pá, para mim
não é muito importante se nós somos para
tirar cada ou não, mas realmente acho
estranho usar a mesma palavra para o
Irão e para e para para a bolha de
Lisboa.
>> Eu estou a dizer isto que eu não estou
convencido com o
>> pá familiar. Acho que a evidência a
última vez que eu vi a evidência mostra
que que pelo menos as decisões
económicas são maioritariamente das
mulheres. H
>> decisões económicas acho que desculpa.
Não, não, não, acho que não deves deixar
isso passar. Então,
>> uma coisa é comprar maçãs e peras, outra
coisa
>> não, isso faz e casas. E
>> outra coisa se faz e casas e o como se
investir dinheiro, como poupar. Eu não
tenho informação para dizer que estás
errado, mas acho que é importante fazer
uma distinção entre Sim, sim, sim, sim.
>> Diferença,
>> mas tenho as minhas dúvidas. Mas imagina
se tivesse eh os deputados a ver eh
poderias dizer que eh estamos num
patriarcado porque não há 50% de de
mulheres no na assembleia ou nos CEOs,
que é uma coisa que se usa muito.
Pá, se isso não for uma coisa na lei,
nem no nem nos princípios de uma empresa
ou no não é escrita em lado nenhum,
então se calhar não é um patriarcado, se
calhar é só um um mercado a funcionar
com restícios culturais e se calhar há
quem chama esses restícios culturais
patriarcado, mas usar a mesma palavra
para os restícios culturais do que usas
para por leito, não poderes mostrar a
tua cara, não poderes dançar, não
poderes cantar, não poderes jogar
xadrez, pá,
Não sei se faz muito sentido.
>> Eu acho que não são resquícias
culturais, porque o patriarcado, a
maneira como estou a entender e acho que
estamos a entender, pressupõe também uma
ideia pré-concebida acerca dos talentos
de um homem e de uma mulher, por
exemplo. E então tu podes ter, podes não
ter leis que façam com que uma mulher
não, não chega a ser adotada ou tudo
mais, mas podes ter um sistema
subjacente ou um sistema social e
cultural subjacente ou legal que faça
com que as pessoas coloquem consciente
ou inconscientemente mais entradas à
progressão das mulheres no carreira
política ou numa carreira de de ciência
ou assim, foi que eu disse cultural, mas
mas não é a mesma coisa. Não é a mesma
coisa, claro que não, mas continua a
enquadrar-se para mim nessa definição. A
parte da família não sei bem, porque
além de só ter uma família, tem estou na
minha bolha e não vi necessariamente
nenhum estudo sobre isso, mas a parte,
por exemplo, aí da
do da carreira política de uma mulher ou
de CEO, acho que já não é bem assim.
Agora
>> sim. Ó pá, depende, lá está, depende
destes destas dimensões todas. O que é
que valorizas mais? Por exemplo, se um
alien chegasse cá e fosse um alien que
na cultura dele se valorizasse muito a
educação e os professores,
ia chegar lá cá e pensar: "Ah, OK, aqui
é um matriarcado, porque quem tá a dar
conhecimento às crianças são
maioritariamente as mulheres, quem está
a moldar."
Pá, depende muito de quanto peso dás a
cada uma cada uma destas dimensões. No
fundo,
>> eu acho que tem a ver com poder decisivo
e se calhar colocação de entraves uma
determinada percussão por poder
decisivo. Essa o valor que tu estavas
aer com o Alien daria a educação. Se o
Alien fosse mais atrás, por exemplo, e
visse a a mulher a dar de mamar, imagina
no Irão, por exemplo, vai lá e vê uma
mulher a dar de mamar e e a a educar os
filhos e tudo mais, apesar da mulher
estar 100% sujeita às decisões do
marido, seja no que for, o Elen também
podia dizer: "Ah, mas é ela que educa a
próxima geração, então ela tem o poder
efic não é assim." Ya.
>> Quem é que tem mais,
quem é que tem mais probabilidade de
poder viver ao máximo o seu potencial?
Eu acho que os homens têm mais
possibilidade de viver o seu potencial.
>> Sim, mas imagina que daqui a 10 anos são
as mulheres. Vivemos num matriarcado ou
vivemos num pá num sítio com igualdade
onde por acaso neste momento, percebes?
>> Não tem que ir de um para o outro.
Eventualmente vai- se desbater.
Provavelmente não no nosso tempo de
vida. Pronto, no fundo, eu só queria eh
eh achei bem interessante, queria pô-la
aqui e gostava que alguém gostaria que
alguém que que se debruça sobre esses
temas eh falar sobre isto. De uma
resposta, quando é que vamos poder dizer
o último? Tira tu que és convidado.
>> Olha estas caixinhas. Isto é de quê?
>> Droga, provavelmente.
>> Hã,
>> boa. São bonitas. Parecem aquelas
>> uma caixinha de arrumar coisas. Rochia,
mas mais
sentido aceitarmos o chega ou os
restantes do Chega?
>> Ah, ok. Pá, em 10 minutos,
>> o máximo menos. Eu
dei por mim a pensar nisto no outro dia,
que é
nós
temos consciência
de que provavelmente está a haver uma
maior polarização na sociedade e tudo
mais e nós queremos evitar isso, termos
que isso está problema e tudo mais.
E eu
o meu processo com isto, à medida que
começaram a aparecer maneiras de ver a
sociedade e maneiras e projetos para o
futuro mais relacionados com seão a
extrema direita, à direita radical, mais
afeta pessoas como André Ventura, o
Trump e todos os movimentos que temos
visto surgir por aí, Víctor Orban, por
aí fora. Vítor, confesso, não conheço
também, mas isso inicialmente
por mais abjeto que o Trump
meja e por mais
desagrado total que eu tenho em relação
a tudo o que diz respeito ao André
Ventura e ao Chega, eu dei por mim a
pensar, pá, também não quero excluir da
minha vida a partir de alguém só porque
estou diferente, não quer ser essa
pessoa e tudo mais. Então pensei que se
alguém me dissesse que votaria no Trump
ou que vota no Chega, que é aquilo que
eu quereria saber, sobretudo em vez de
julgar à partida à pessoa, saber porquê,
porque é que votaste nesta pessoa,
porque é que votarias naquela pessoa?
E sinceramente, se alguém me dissesse
que era porque achava que os ciganos
eram isto ou aquilo, então, ya, eu
achava esse fleiro e e se eu não fosse
ainda amigo da pessoa, provavelmente não
teria assim muito interesse em ser amigo
com alguém xenófilo.
E em relação a
>> Ah, não estás a dizer que as pessoas que
voltam chega são xenófas.
>> Já chego.
>> Ah. H.
Só que o tempo foi passando e eu comecei
a a perceber para já uma cena que é que
é um princípio que eu tenho explicado
muito muito que é sempre que nós
criticamos alguém por ter uma
determinada atitude,
nós também temos a mesma atitude.
simplesmente tem tê-la num ponto
diferente do espectro que é se tu
conheces um e vou fazer aqui um reductom
que não é assim tão
ad
>> tão absurdo,
>> mas tu conheces o neonazi que acha que o
holocausto foi bom e e que o Hitler era
maior e tudo isso.
>> Já passei essa fase. Eu não vou querer,
e é por isso que eu sou teu amigo agora,
porque eu não, eu não vou querer ser
amigo de uma pessoa que é um nazco
clarado. E eu acho que a maior parte das
pessoas não quer ser amiga de uma pessoa
que é violado, que aceitou locas pessoas
também põe uma linha. Portanto, não é
que só algumas pessoas é que ponham
linhas, todos pomos linhas. A questão é
onde é que nós apomos. A partir do
momento em que nós desapercebemos disto,
de certa forma
até dá, estou a falar em em eu estar a
julgar outra, mas de certa forma a
partir do momento em que se percebe
isto, até dá para julgar menos num
determinado parâmetro. Então eu estava a
pensar, ó pá, na verdade imagina,
especialmente tendo em conta isto que
aconteceu, hh porque mais declarado é
difícil. Eu acho, eu sempre achei que o
Aventura,
vou dizer isto novamente, há muito tempo
que eu acho que uma convicção convicção
aguerrida que o Ventura é um racista. Eu
acho que esse não é o seu principal
problema. Acho que o principal problema
dele é que ele sempre quis ser famoso.
>> Desculpa lá, não te passa pela cabeça
ele ser zero racista, mas estar a usar
truques para ganhar vtos
>> vai dar ao mesmo. Eu acho que a
motivação principal dele é ser famoso.
Tipo, ele, o sonho dele inicialmente, eu
achei isto super caricado. Isto vem num
podcast do Expresso que é entre Deus e o
Diabo. Tem algum envieszamento, mas
sobretudo acho que também são 7 horas
boas. O sonho dele é não era ser
escritor, era ser escritor de bests
tellers. Eu achei isto fantástico, tipo,
especialmente eu como escritor, o meu
sonho não é ser escritor de bestseller,
é poder viver dos meus livros. Então
isso
>> se calhar era mais ganhar um Nobel no
limite e não escrever bestsellers. Isso
sugeriu-me que à partida o desejo dele é
ser famoso e então tudo o que ele faz é
para conseguir combatar isso e depois
vai ganhando poder e tudo. Então pode
não pode não ser racista necessariamente
>> não. Mas se uma pessoa se dá o luxo de
ser racista em nome dos seus objetivos
individuais, estão então a pessoa é
racista.
>> Sim. não quer saber das pessoas que
possam ser afetadas no cerd-se da
opressão e minorização de determinado
grupo. Então, especialmente, apesar de
eu já achar isto há muito tempo acerca
do do aventura, eu acho esta cena do
isto não é Bangladesh, dos outdors e os
ciganos têm que pagarem eh os ciganos
têm que pagar impostos ou uma coisa
assim.
>> Mais declarado que isto, só se ele
dissesse: "Eu odeio ciganos", por estar
a singularizar desta forma com uma ideia
subjacente que eles realmente não pagam,
especialmente estamos em Portugal, meu.
Tipo, esmagador a maioria das pessoas
não puder pagar impostos, não paga. Mas
tipo, quando são os ciganos a fazer, já
é uma grande cena.
>> Espera aí, se tu confrontares o André
com isso, ele não vai dizer sim, sim, eu
não gosto dessas pessoas. Ele vai dizer
o quê? Não, olha, eu tenho um amigo
cigano que faz as coisas bem e paga
impostos e trabalha e não tenho nada
contra, percebes?
>> Ya, que bonito. Eu não estou a
compará-lo com o Hitler, mas o médico do
Hitler era um judeu. E ele dizia que era
um judeu bom. era uma espécie de
categoria que ele fazia na cabeça dele
para justificar não fazer aquilo. Mas ou
seja, isso não interessa, tipo, não me
interessa.
>> Eu já conheci negros racistas com
negros, então o que é que me interessa
se um branco tenho um amigo negro para
usar isso como argumento que não é
racista, percebes?
>> Então isto deixou-me achar. OK, não é
que eu Será que quem vota no Chega é
xenófobo? Pá, não necessariamente, mas é
sem dúvida conivente com xenofobia. E
agora aqui a questão é, será que ser
convento com xenofobia é ser xenófobo?
Pá, eu tenho minhas dúvidas, se calhar
é, percebes? E tipo, será, será que eu
será que eu devo? Deixa-me só concluir,
será que eu devo tratar com a mesma
abertura e compreensão e tá-se bem uma
pessoa que vota numa pessoa que é
xenófoba? Como trato, pá, um gajo de
CDS, tipo, antes chega, CDS era o grupo
com o qual menos me identificava.
Ui, o CD são os meninos, meu. Tá-se bem.
Ok, tenho a cena do aborto, que apesar
de eu ser a favor do aborto, eu até
percebo os pontos adversos, como sabes,
>> não és a favor do aborto.
>> Eu sou favor da espalização do aborto,
seja o que for, eu sou vegan, abomino a
cena das touradas. É uma cena com a
qual, pá, nunca concordei, nunca
concordarei, provavelmente com com o
pessoal do CDS, mas é diferente. Mas
pronto, posso, acho que tás, podes estar
a cometer aí um, um erro, não
necessariamente, que é
eu posso votar no CDS,
imagina, por ser o único partido que
defende as touradas
e eles serem contra o aborto,
mas é o único partido que está a
defender as touradas,
é o único partido que tá a defender
aquilo que é importante para mim. E se
calhar para mim as touradas são a coisa
mais importante porque pá porque eu
cresci dentro das touradas meu o meu não
é o meu pai fazia parte das touradas, a
minha mãe trabalhava na tourada e então
aquilo é muito importante para mim. Por
acaso eles também são contra o aborto e
eu não gosto nada dessa posição, mas
aquela parte é de tal forma importante
que eu voto na mesma neles. E se calhar
há muitas pessoas que votam no Chega
porque pá, querem um murro na mesa,
querem mudar, querem agitar e não são
racistas e não concordam com isso.
>> O murro na mesa, mudar, agitar e são as
mesmas palavras da da de ordem que o
próprio partido h usa e que pá, para mim
não faz sentido como argumento queres
mudar, mas queres mudar para quê? Para
onde? Eu sei, eu só eu estou de
propósito a usar asções.
>> Quão quis o que é que é importante
difícil é acabar com a corrupção,
tipo, como se o aventura chegasse ao
poder e a corrupção acabava. O que é que
é assim tão importante que seja tão
específico ou chega que faça com que vha
a pena as pessoas serem coniventes como
o racismo e xenofobia subjacente ou
chega? Não, não sei, meu. Percebes? Eles
não têm. Houve, se eles tivessem, eu
percebo o teu ponto, e se eles tivessem
um ponto qualquer, pá, um projeto, uma
ideia de uma lei que eu achasse
revolucionária, que ia ia tirar toda a
gente da pobreza na Europa, sei lá,
qualquer coisa louca, ó pá, tá bem, eu
até consigo perceber isso, mas eu não
sei exatamente
>> se as pessoas sentem, se car as pessoas
estão tão fartas de, pá, de não
conseguir evoluir na carreira, de não
conseguir evoluir no salário, do
supermercado estar cada vez mais caro,
da renda estar cada vez mais cara e de
pá e não tenho esperança.
>> Isso é algo que o Chega oferece de uma
maneira tão tão tão explícita e
declarada e estruturada. Não são só
palavras de ordem que eles agitam.
>> É, acho que é eu acho que é bastante
emocional
>> isso para não falar do facto de que há
pessoas que votam no Chega porque são
xenófos. Para não falar disso.
>> Mas pronto, a tua questão era se devemos
e julgar outra da mesma forma. Pá, eu
>> pronto, eu
eu acho que no limite o que o que tu
poderás fazer e não é ofensivo, até é
bondoso da tua parte, é imagina que tu
hã pá vais à Hungria, eh, estás lá a
viajar e vês que hipo a fazer truques
com cartas que anda a atrair muitas
pessoas, mas depois no fim engana-as e
não é bem aquilo que as pessoas
pensavam. E depois vais aos Estados
Unidos e vês a mesma coisa. E se chegas
cá a Portugal e vês alguém a fazer esses
truques que nos outros países te pareceu
que era um engano, eu acho que não é mal
visto nem paternalista tu chegares ao pé
dessa pessoa e dizeres: "Olha, desculpa
eu estarme a meter na tua vida". Ui,
bati no microfone. Desculpa eu estarme a
meter na tua vida, mas eu acho que isso
que te está a encantar é um truque. É um
truque para enganar as pessoas, porque
eu já vi isto noutros sítios e ó pá,
desculpa se isso se isso põe, não estou
a pôr em causa tua inteligência, nada,
mas acho que se calhar estás a cair aqui
num truque que funciona aqui assim,
assim e assim e que tem estas
consequências. Pronto, eu acho que isso
não tem mal. Agora dizeres à pessoa que
ela é racista ou bua,
>> eu não, eu não, eu não estou a, a
defender isso. Ya.
>> E h, e se eu tiver num grupo de, de
pessoas em que alguém que me disse que o
Bota não chega, eu durante algumis não
vou virar costas e não vou bazar.
>> Sim, sim. E e eu sei que a melhor
maneira, se nós achamos que estamos
certo, a melhor maneira de chegar a
alguém provavelmente é é mais através do
amor, com o abraço, como com a cena do
arrogante há um bocado do que o
contrário.
>> E isso é uma das magias dos jantares do
despolariza. Tens pessoas que voltam
chega a falar com pessoas do bloco, a
falar com todo tipo de pessoas, a
tentarem entender-se. Pá, isso é
incrível. é das coisas que mais me
orgulha é ter um bocado de tudo.
>> O meu ponto é que eu não compro aquela
teoria de que se deve aceitar o Chega da
mesma forma como se aceita o bloco, por
exemplo, porque a meu ver o bloco tá
errado em, eu não não estou a dizer que
não são questões importantes, mas está
errado com relação a previsões, não é?
Eles têm uma previsão acerca de um tem
um modelo económico e têm uma previsão
de sucesso diferente daquela que o
pessoal da da Y tem, por exemplo. Não é
necessariamente uma cena. É de
princípio, claro, a ideologia tá ali
subjacente a tudo, mas
>> depende. Desculpa lá, se tu achares que
aquele caminho leva à pobreza de toda a
gente, muito mal.
>> Tu achas que o pessoal do bloco acredita
que o caminho deles é às pessoas à
pobreza?
>> Não, eles não acreditam nisso. Eu também
não acredito nisso. Mas se calhar as
pessoas do Chega acreditam que é a única
solução. Eu vou estar no Chega. para
terem um bocadinho de esperança.
>> Eu acho que esse tipo, para mim, esse
tipo de julgamento acerca das previsões
económicas dos partidos,
eu não tenho, pá, juízes de valor desde
a Iniciativa Liberal ao Bloco de
Esquerda.
>> Eu não acho que alguém seja
necessariamente pessoa só porque tenho
uma visão económica diferente da outra.
>> Claro, óbvio.
>> Mas aqui estamos a falar de algo que é
mais tangível e que afeta diretamente a
vida de um indivíduo cada vez.
>> Racismo.
>> Sim. E para não falar toda a mentira,
tipo,
>> então imagina chega exatamente o mesmo
partido, mas sem racismo.
>> Depois temos toda a mentira, mas mas aí
as pessoas deixarem se enganar uma
mentira já é um bocado mais o problema
delas, porque
>> como é o gajo das cartas da rua,
>> fácil cair.
>> Pá, sim, mas a pessoa tá tá a perder
dinheiro com esse gajo da rua,
provavelmente. Agora o gajo vem dizer:
"Não, mas as mentiras também tem sempre
as suas ramificações. Tens, tens razão.
Mas pá, uma cena que eu também não
entendo é o pessoal fala da de corrupção
e dos políticos mentira, não sei quanto.
Quando, tipo, eu vi o Pedro Frazão no
CDK com o Miguel Milhão, ó mano, eu
passei-me, tipo, o gajo a dizer com
Ventura, porque ele ele é ele tem o
sucesso dele, porque ele veio trazer a
verdade quando ele é o político, pá, eu
nunca vi um político tão mentiroso, meu,
tangivelmente mentiroso.
Pá, e o pessoal
papa tudo, meu. Tipo, às vezes aparece
uma ceninha, um fopado burger fancy, não
sei quê. Nem aí, tipo, ele diz: "Ah,
tive mal caralho." Zero, zero
acuntabile.
É uma filosofia para não falar também de
toda a chafdeira que é no parlamento.
Tipo, pá, perguntas a qualquer, meu, da
direita à esquerda, a qualquer pessoa
que anda no parlamento há algum tempo. O
ETOS mudou, meu, porque ele agora é uma
uma pilga. Porquê? Porque estão lá 50
pessoas. E dentro dessas 50, acredito
que não seja toda a gente, mas mudou
toda a cultura daquilo, meu pessoal a
chamar nomes uns aos outros mesmo nos
corredores e caraças. Não só mudou e tá
a comer a nossa sociedade um bocado por
dentro como um cancro, como no na parte
que nos representa, percebes? E e isso
por isso eu acho, e eu sei que isto vai
chatear muita gente, mas eu não estou a
dizer que vir as costas de alguém que me
disutou no Chega, mas também acho que
não devemos tratar o Chega como um
partido como os outros.
Muito bem. [risadas]
Acabamos assim de uma maneira um bocado.
>> Acabamos assim, pá. Olha, foi muito bom.
>> Também gostei.
>> Não sabia que tínhamos tantos GPPs bons,
mas também já foi um ano.
>> Ya, tu ontem estavas um bocado e pá, não
sei se temos tu tinha não tinhas visto
muito ou viste?
>> Não, não tinha, pá. Tinha apanhado
muitos GPP SF, que é guardar para
presencial sem filmar. Hã, mas não tinha
apanhado muitos GPPs bons, mas ainda bem
que encontramos. Fixe. Pronto, pessoal,
não fujam já. Eh, ou estão a ouvir isto
no YouTube ou no Spotify ou no Apple
Podcast, independentemente de onde
estiverem. Se puderem deixar um um cinco
estrelas ou o equivalente da vossa
plataforma, agradeço. Hã, e se quiserem
tornar-me cenas, também há um link na
descrição. Muito obrigado por terem
estado por aí e até a próxima. Obrigado,
Pedro. Quer dizer mais uma coisa.
>> Sim. E se quiserem comprar qualquer um
dos meus livros, podem ir a daquiali.com
ou Pedro Onerro no Instagram link na
vio.
>> Nunca faço promoção nos meus livros
aqui, esqueço-me sempre e já devia ter
feito aqui.
>> E eu também sou péssimo host e também
não faço. E nós temos mais conversas,
temos outro GPP, temos o episódio sem
ser GPP, temos para aí 30 horas,
>> por isso se tornarem cenas ten não estou
a brincar. estar tudo no YouTube.
Obrigado, até logo.
>> Tchau. Obrigado.
Ask follow-up questions or revisit key timestamps.
This episode features a "Guardar Para Presencial" (GBP) conversation between Tomás Magalhães and Pedro On Rove, discussing various interesting topics. They touch upon the nuances of racism and feminism, the concept of GBP itself as a way to have deeper conversations, and the importance of community in platforms like "Expolariza." A significant portion of the discussion revolves around moral dilemmas, such as the "lifeboat" scenario presented by Michael Sandel, and the ethical considerations of consent and power dynamics. They also delve into the complexities of parental sacrifice, the value of memories, and the challenges of defining and applying "common sense." The conversation shifts to social issues like loyalty in friendships, the perception of arrogance, and the moral implications of associating with individuals or groups holding controversial views, particularly concerning the Chega party and xenophobia. They explore the definition and impact of patriarchy, the challenges of societal progress, and the subjective nature of values like equality and loyalty. The episode concludes with reflections on personal growth, the importance of open communication in relationships, and the value of diverse perspectives in understanding complex societal issues. The speakers also briefly discuss the effectiveness of different parenting approaches and the role of cultural context in shaping moral judgments.
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