#107 RICARDO ANDORINHO & DANIEL MONTEIRO- Desporto, Federação, Carreira, Futebol, Cultura, Videojogo
3074 segments
Acho que a RTP [música] não tem prestado
um bom serviço ao desporto português,
porque um custo num canal privado é X,
na RTP é o tribo. Tu tens o Cristiano
Ronaldo a [música] abafar tudo e depois
tens uma comunicação social que também e
começa agora agora a tentar inverter
porque há 20 anos outra vez era melhor,
havia mais páginas de modalidades nos
jornais.
>> Nós não estamos a pedir para tirar
dinheiro para cima do problema. Os
clubes ditos grandes em Portugal
investem mais em desporto do que o
orçamento estado anual para o desporto.
Foi para ter medalhas em Jogos
Olímpicos, mais vale irmos contratar
atletas lá fora. Eu conheço vários
atletas que neste momento são alguns dos
melhores atletas júiores nível europeu e
mundial e que são os pais que sustentam
a sua atividade.
[música]
>> Muito bom dia. O meu nome é Tomás
Magalhães. Sejam bem-vindos a mais um
episódio de Despolariza. Hoje tenho o
privilégio de vos levar comigo para uma
conversa [música] onde espero aprenderem
mais sobre o estado do desporto em
Portugal. Antes disso, quero agradecer
aos novos mecenas Maria Figueiredo,
Maria Rebel de Andrade, Rita Montalvo,
Mónica Mendonça, Miguel Rodrigues, Tiago
Mateus, Ana Frazão, Mariana Duarte,
Gonçalo Franco e Tiago Marques. Muito
obrigado. Estas pessoas apoiam este
projeto independente para que ele possa
continuar a crescer e ter conversas de
serviço público. E também ganham acesso
a um grupo [música] de WhatsApp, eventos
de desporto. Há pessoas que já
descobriram o amor da sua vida, há
trilhos, há mergulhos, pronto, tá fora
do meu controle. Se quiserem apoiar o
projeto, há um link à minha volta e
outro na descrição. E hoje eh vamos
falar sobre desporto. E queria primeiro
perguntar-vos que percentagem dos
portugueses é que vocês pensam que nunca
faz desporto?
Dou-vos agora um momento para tentarem
adivinhar o valor. E agora digo-vos que
de acordo com o relatório da Comissão
Europeia de 2022, 73% dos portugueses
dizem nunca praticar desporto. Isto
coloca Portugal entre os países europeus
com maiores níveis de inatividade
física.
No entanto, o desporto o desporto é
universalmente reconhecido como uma das
maiores forças transformadoras da
sociedade. Traz enormes benefícios de
saúde física, saúde mental, para alguns
saúde espiritual, sendo que estas coisas
estão todas interligadas. E o desporto
também fortalece a coesão social, educa
para o respeito, para a igualdade, para
a superação, a liderança, a consciência
corporal, a disciplina, a concentração,
o espírito de equipa.
E perante isto tudo, o que é que estará
a falhar? Será que uma questão de
educação e que muitos portugueses não
conhecem [música] estes benefícios, será
uma questão de aumentar o orçamento de
estado para o desporto? Será uma questão
cultural? Porque é que Espanha, com uma
cultura tão parecida com a nossa, nos dá
uma coça em medalhas nos Jogos Olímpicos
e tem tantos craques em tantas
modalidades?
Para falar de tudo isto, estou
acompanhado por duas pessoas
absolutamente craques neste assunto. À
minha esquerda, Daniel Monteiro, já foi
presidente de várias federações ligadas
ao desporto, já organizou eventos
internacionais de desporto em Portugal e
é hoje presidente da Confederação de
Desporto de Portugal. Bem-vindo, Daniel.
Bem-vindo, muito obrigado pelo convite.
>> E à minha direita, Ricardo Andorim,
ex-craque do handbol português, fundador
da Academia Ricardo Andorinho para o
futebol, empreendedor, desculpa,
handball. Essa, essa não te deixo
passar. Handbol.
>> Eu não disse handebol,
>> disseste futebol.
>> Ah, pá, [risadas] lá está, começamos
logo, começamos logo aqui com um sleep
freudiano. [risadas] O português só
pensa em futebol. Lindo.
>> É isso.
>> Academia Ricardo Andorinho para o
handball. empreendedor, cfundador da
sporttrack.
E uma das pessoas que está a trazer
mindfulness, literacia financeira e
consciência corporal para o desporto
português. Grande introdução. Fogo,
estou cansado.
HH, então vamos começar aqui por algumas
e breves introduções. Eh, Daniel, queres
explicar que organismo é este que tu
presides? Antes de mais, obrigado pelo
convite. A a Confederação de Desporto de
Portugal reúne 67 federações
desportivas, portanto a totalidade e
ainda mais algumas das federações com
utilidade pública desportiva em Portugal
e é o organismo que representa o
desporto junto do Estado, junto dos
partidos, junto do governo e que faz
valer a voz das federações e por sua vez
federações que representam as suas
associações e os seus clubes junto dos
decisores políticos para agregar, para
congregar posições e para sermos
precisamente
como tem, como diz o nosso slogan, a voz
do desporto junto de quem nos representa
e junto dos dos partidos políticos e dos
representantes políticos. Portanto, no
fundo é um bocadinho isto,
>> uma espécie de federação das federações.
>> Exatamente. Para que o desporto possa
ter voz. Muitas vezes olhamos para todos
os outros setores e vemos que há várias
vozes e normalmente até sempre em
unísono, portanto sempre muito
alinhadas, muito concertadas. E no
desporto, eh, e foi uma das razões que
que que me vou a candidatar, é que o
desporto tinha uma instituição que,
apesar de existir no papel, não cumpria,
naquilo que é a prática, digamos assim,
eh estes estes signos e os motivos para
os quais foi criada. E, portanto, temos
conseguido fazer vários projetos, várias
propostas, temos trabalhado muito com o
governo, muit muito com os partidos, eh,
mal tomamos posse, anunciamos um
conjunto de cinco prioridades políticas
para a legislatura. Entretanto, tivemos
já eleições e, portanto, renovamos as
prioridades para a legislatura. Várias
dessas prioridades já foram assumidas
pelo governo e até já foram
concretizadas. Outras estão em fase de
concretização. Portanto, tem havido um
trabalho muito grande, fruto, lá está,
também da dedicação que as federações
têm imprimido e tem sido ao nível da sua
política desportiva. Muitas vezes as
instruções preocupavam-se muito só com a
questão de organizar a sua atividade e
pouco com a componente política. Hoje em
dia temos também preocupadas com a
componente política. Isso algo que eu
permit-me aqui o a parte pessoal me
registo.
>> Sim. E antes de gravarmos, o Ricardo
estava aqui a elogiar-te a dizer que
antigamente já havia as federações já
estavam muitas na confederação, mas não
estavam tão envolvidas, não era?
>> Sim. Eu também participei na na
Federação de handbol e só me lembro de
ter ido a uma reunião da confederação
antes do do Daniel ter assumido as
funções e pronto, acompanho também estes
estes movimentos mais políticos e do
desporto em Portugal, sendo que as
instituições ainda continuam a estar um
bocadinho longe e daquilo que é a base
da prática que se faz nos clubes, não é?
E eu acho que esta aproximação eh nova e
esta mentalidade nova que tem sido eh
que também se consegue ver de fora e
dentro das federações é muito importante
para que estejamos unidos em objetivos
de de mudar esta esta realidade que é
altamente precária, seja do ponto de
vista da prática, como já disseste, seja
do ponto de vista da organização da
economia do desporto.
>> Uhum. E qual é, hoje em dia fazes tantas
coisas, qual é que parte da tua vida é
que tá mais ligado ao desporto?
>> Eu não faço assim tantas coisas. Eh, eu
eu estou muito eh já quando estive
dentro da Federação de handebol estava
muito preocupado eh com este apoio ao
atleta, não é? E com esta falta de
literacia e dos números dos dados do
desporto que hoje em dia, em 2026
continuamos a ter grande precariedade no
acesso a esses dados. Portanto, nós não
sabemos quanto é que investimos eh em
desporto com eh com fiabilidade, não é?
Porque há muitos estudos e continuam-se
a fazer estudos eh sobre números, mas
eles não são observados eh exatamente da
mesma maneira. A, o Daniel lembra-se que
a conta satélite do desporto já são
indicadores muito antigos e baseavam-se
naquilo, sobretudo naquilo que era o
peso dos salários que as instituições
desportivas pagavam aos seus aos seus
colaboradores e faziam uma extrapolação
daquilo para aquilo que é a contribuição
do desporto no produto e nacional bruto.
>> OK? Eh, nós temos, o desporto é muito
complexo, portanto, toca numa série de
áreas da economia nacional e, portanto,
só um trabalho de pessoas eh que estão
dentro da área financeira, que estão
dentro da área da economia, eh que estão
dentro da segurança social, eh que estão
dentro do da máquina tributária. Eh,
nós, eu recordo-vos a todos que o e
fatura é o maior repositório de dados do
país, não é? e em que o governo de
Portugal sabe exatamente, portanto,
quais é que são as capacidades médias
dos dos portugueses e em consumir eh ou
em produzir. E, portanto, e nós, até por
pelo pelo facto de sermos um país
pequeno, poderíamos ter uma vantagem
competitiva muito grande em relação aos
outros aos outros países que que tu já
falaste aí e do caso da Espanha, mas que
também quando comparamos Portugal com
outros países, é, essa comparação a
nível do desporto também é muito difícil
de fazer por outros outros e motivos,
sendo que eh cada país tem também a sua
a sua própria organização interna, não
é? É, já lá vamos. hh primeiro, antes de
chegarmos a esses lugares todos, falaste
aí de tantas coisas, hã, queria fazer só
aqui um breve, muito brevemente, uma
história do desporto em Portugal, hh,
porque eu tenho ideia de, não é, h país
apareceu em 1143, eh, o povo fazia
atividade física, não é, porque
trabalhava nas serras e talvez a nobreza
tivesse um pois prática desportiva, não
é? eh nobreza, nem que fosse cavalaria e
e essas práticas e depois como é que
evoluiu a partir daí?
>> Acho que primeiro temos que fazer aqui
uma separação de desporto e atividade
física, não é? Desporto envolve
competição organizada,
>> eh, e envolve resultados,
classificações, títulos, portanto,
envolve tudo o que é uma organização
daquilo que é um objetivo do jogo, do da
prática. A atividade física é uma coisa
mais, eu diria, mais instantânea,
portanto, no fundo é eh mais livre
também, ou seja, não há uma regulação
direta daquilo que é a atividade física.
Uma pessoa pode sair à rua e vai correr
e não precisa de uma classificação no
final para saber se ganhou ou perdeu faç
ao colega ou à pessoa que estava a
correr ao seu lado.
>> Sim, mas ou apanha o autocarro ou não
apanha. Portanto, mas vamos parar aqui.
Eu diria, eu não lhe chamaria desporto,
mas eu diria que a recreação ligada à
atividade física vem ou fala-se pelo
menos já vem no tempo da idade romana.
Depois, mais tarde, na Idade Média
surgem aqui algumas atividades ligadas à
preparação militar. Eh, e o caso da da
equitação, o caso da esgrima e sempre
com numa lógica como como disseste bem
do desporto associado à nobreza e também
à questão da guerra. Portanto, teve
sempre muito ligado ao longo da sua da
sua gente. Depois, no final, no século
XVI, século XIX, já temos aqui através
da influência inglesa e das relações
comerciais, começamos a ter com o Reino
Unido. Começamos aqui a ter, sobretudo
em Lisboa e Porto, a prática de algumas
modalidades com influência h do Reino
Unido, nomeadamente o remo, nomeadamente
também o atletismo, ciclismo, ginástica,
aliás,
>> século X, desculpa.
>> Sim, século XIX. E depois no final do
século XIX, início do século XX, aí
começamos a ter a institucionalização e
aqui já começa a falar do desporto.
Temos a fundação das primeiras
organizações desportivas em Portugal,
dos primeiros clubes, fundação também do
Comité Olímpico de Portugal, a criação
de várias federações desportivas.
Por mera curiosidade, Portugal participa
pela primeira vez nos Jogos Olímpicos em
Chuco, precisamente neste tempo, em
1912.
a Federação de Ciclismo, que é a
federação mais antiga portuguesa, data
de 1899.
Portanto, no fundo, começou-se a
institucionalizar o desporto e depois a
partir daí com o crescimento,
>> primeiro é o ciclismo,
>> primeira federação ciclismo, nunca diria
engraçado,
>> ainda como União Velocipédica Portuguesa
e depois mais tarde rabatizada a
Federação Portuguesa de Ciclismo. E o
ciclismo era uma modalidade também muito
especial porque era uma forma de levar o
desporto aos vários cantos do país e,
portanto, foi teve sempre aqui uma gente
também identitária do nosso país. Eh, e
quando nós falamos de raiz cultural,
daquilo que é o peso do do futebol no
desporto português, eh, o ciclismo
também tem essa raiz cultural e outras
depois mais tarde o hóque patins. Eh,
portanto, nós temos aqui especificidades
culturais desportivas no nosso país que
vão para além do futebol. Mas dizer do
ponto de vista de histórico, esta é uma
forma muito resumida e eu diria até
muito arcaica.
>> Sim, sim. a história, vá, do desporto em
Portugal, como é que começou e e como é
que evoluiu até aos dias de hoje
>> o Estado Novo, hã, com
aquela, não sei, não sei até que ponto
isso foi assim, chegou a todos os cantos
de Portugal ou não, ou se foi uma coisa
mais nas cidades, mas aquela ideia da
mocidade portuguesa e não sei quê, eles
davam também importância ao corpo, não
era? E h,
>> exatamente, a importância do corpo
ganhou muito peso no tempo do Estado
Novo, eh, obviamente com com um período
num período do de subdesenvolvimento do
país e que e que trouxe eu que trazia no
naquele tempo muita pobreza, mas a
verdade é que mesmo naquilo que era a
formação física do indivíduo, de
formação motora das crianças, começava
desde o cedo através, como disse, da
mocidade portuguesa. Portanto, o estado
também tá muito ligado aqui ao culto da
educação física e que depois
engraçado, não tem piada nenhuma, mas
mas após a revolução, a verdade é que
nós, do ponto de vista de formação
física e motora das crianças até fomos
perdendo aqui um bocadinho essa essa
essa capacidade. Agora, recentemente, e
até por curiosidade, ficou no orçamento
estado 2026 a introdução da educação
física obrigatória no primeiro ciclo. A,
espero eu, com a coadvação de
professores de educação física. Para se
ter uma ideia, atualmente a formação
física ou educação física no primeiro
ciclo está integrada com outras áreas
complementares, nomeadamente com a
formação artística e cultural. Acontece
que tem ou existem cinco tempos
dedicados a estas áreas, sendo depois
compete ao grupamento de escolas à
afetação da dos tempos dos cinco tempos
letivos para estas áreas. Ah, cada
escola então decide quantos vai ter e
quanto porque há uma autonomia os
agrupamentos de escolas têm
>> formação artística, cultural, desportiva
e portanto estes cinco tempos semanais
em grupamentos de escolas, no pior dos
cenários, podemos ter educação física
com cinco tempos semanais e outros com
zero tempos semanais. É, é legal e
acontece, acontece, há vários casos em
que acontece. E, portanto, neste
momento, e seguindo até recomendações da
própria Comissão Europeia, o ideal é que
as crianças tenham pelo menos três
tempos seletivos semanais dedicados à
educação física. Recentemente foi
aprovada no Parlamento, integrado na na
lei do orçamento do Estado para 2026, a
educação física no primeiro ciclo de
escolaridade. E nós gostaríamos que essa
educação física no primeiro ciclo fosse
feito num sistema de coadovação. Porquê?
Porque o professor de educação, o
professor de de primeiro ciclo, o
professor de de educação básica, do
ensino básico, não tem formação na área
da educação física. E, portanto, aquilo
que nós queremos é que naquele período,
naqueles tempos seletivos, possa ser
acompanhado, se que é coa adjovação,
possa ser acompanhado de professores de
educação física para o ensino dessas
dessa disciplina naqueles tempos letivos
>> que seriam professores desse tipo em
várias escolas. Imaginou,
>> sim, que já existe no agrupamento.
Porquê? Porque os agrupamentos de
escolas integram não só o primeiro
ciclo, ensino básico, integram também o
ensino secundário. Alguns professores
podem aproveitar-se, entre aspas, porque
não têm até horários completos dentro
daquilo que é o seu horário atribuído
dentro do ensino secundário do dentro
sempre do mesmo agrupamento de escolas.
Obviamente que haverá necessidade,
portanto, falar de um volume muito
grande das escolas de primeiro ciclo,
haverá necessidade de recrutamento e de
contratação de novos professores, mas
que é muito importante, se nós queremos
ter um um país mais ativo, e quando se
fala em medalhas de Jogos Olímpicos,
isso tem que ser uma consequência
natural de sermos um país
desportivamente ativo. Não podemos olhar
só para o topo, esquecendo que há um
caminho para trás, porque se for para
ter medalhas em Jogos Olímpicos, mais
vale irmos contratar atletas lá fora
para representar Portugal e temos as
medalhas nos Jogos Olímpicos que
quisermos ou que tivemos capacidade de
comprar e pagar.
Mas eu acho que esse não deve ser o
resultado da nossa política desportiva.
Resultado da nossa política desportiva
tem que começar na base, na criação de
valores, na formação de atletas e sem
começar na iniciação da atividade
física, na educação física, que depois
há de ligar ao desporto, porque quando
se incute esse gosto, quando as crianças
têm essa formação transversal e
multidisciplinares, depois acabarão por
experimentar modalidades e acabarão por
ficar no sistema. Se olharmos só para
para o modelo de porque é que não temos
medalhas e ficarmos só no nas medalhas,
nas medalhas nas medalhas e naquele
nicho, naquele círculo fechado de
atletas que já lá estão,
>> então vamos ir porcar desporto muitos
anos, que é o que tem acontecido.
>> Sim, faz todo sentido. Eh, para mim,
pessoalmente, a parte mais importante
até é a parte criação de valores e de e
de saúde, não é? Eu eu não eu não sou
assim grande doido pelos Jogos
Olímpicos, mas já já vamos falar sobre
Espanha. Diz Ricardo.
>> Não. E tá a ouvir o Daniel a falar. Eu
acho que este caminho tá muito mais
difícil de fazer hoje em dia do que há
20 anos atrás. Eh, porque esta história
repete-se, não é? Nós já já dizemos isto
há muito tempo. Os apaixonados por
desporto sabem que sem uma base forte,
portanto, não é não é possível haver
medalhas, não é? É matematicamente
impossível. Portanto, nós estamos a
falar eh de quase um apuramento da
espécie dentro de umas especialidades
que cada vez são mais especializadas
e em que temos que ter jovens hoje em
dia a ter resultados desportivos ou
resultados da prática, mas já dentro
das tais competições que têm parâmetros
que são precisos muitas pessoas a
acompanharem estes jovens para depois
não entrarmos ali em problemas de saúde
mental como temos, não é? a idades dos
12, 10, 9, 8 anos, não é? E, portanto,
nós estamos aqui num cenário em que é
muito complexo de conseguir voltar a pôr
outra vez Portugal, eh, no Portugal dos
anos 90 ou no Portugal dos anos 80,
quando a base era alargada, quando havia
desporto escolar, quando a universidade
tinha capacidade também de organizar
competições em que o aluno podia passar
de de estar a jogar num clube, mudava de
país, de de cidade, desculpem, mas
depois integrava-se na na equipa da da
universidade, mesmo que não chegasse um
a um um clube eh de topo em Portugal,
continuava o seu percurso desportivo a
fazer a modalidade que que gostava. E,
portanto, esse ciclo do atleta onde eu
onde eu me foco muitas vezes acabava por
não ser interrompido. A realidade de
hoje não tem nada a ver com isto. A
realidade de hoje, mesmo que os os as
crianças e os jovens praticantes estejam
fora destes 13.5 C a percentagem de
obesidade infantil em Portugal que nós
temos hoje em dia. Nós temos uma
obesidade infantil das mais elevadas da
Europa e, portanto, é para estes
indicadores que nós temos que olhar. Nós
nós não conseguimos estar a projetar um
desenvolvimento desportivo de prática no
país 5 ou se anos quando não estamos a
atacar o problema na raiz. E, portanto,
este plano que está aqui eh apresentado
pelo pelo governo de Portugal é muito
ambicioso para algumas para alguns
indicadores que que recolhe. Eh, e e
outra vez tem que ser um trabalho muito
integrado destas instituições todas para
nós conseguirmos ter uma noção do que é
que vamos atacar primeiro, porque os
problemas são muitos e e que depois com
alguns danos colaterais para o país que
fazem e mais difícil. Portanto, nós
acreditarmos que com esta máquina nós
conseguimos ter mais medalhas ou ou
manter as medalhas que temos, não é?
>> É, e eu aqui até uma coisa que que
acrescentaria, eu acho que aqui três,
quatro pontos são fundamentais fazer.
Educação física obrigatória no primeiro
ciclo com três tempos semanais, desporto
escolar, desporto federado devidamente
integrados um do outro. Desporto escolar
não é diferente do desporto federado na
em idades dos 6, 7, 8 anos. As crianças
são as mesmas, o público é o mesmo.
Uhum. E, portanto, a integração de
quadros competitivos é fundamental para
que não se percam crianças dentro
dentro ou entre estes dois subsistemas
desportivos. É fundamental depois dar
condições aos clubes para se
profissionalizarem. Formação,
qualificação dos agentes desportivos,
melhores treinadores, melhores
dirigentes, melhores equipas
multidisciplinares a acompanhar as
equipas e os atletas. Para isto
acontecer é preciso estado investir. Não
há outra forma de dizer isto. O
orçamento
investir, investir e oferecer, ir aos
clubes, dizer: "Olha, temos aqui uma
formação para você". Existem federações
desportivas.
>> OK? Astações desportivas
há 20 anos atrás ou há 30 anos atrás
tinham, se compararmos com a inflação,
se compararmos ou se se introduzirmos o
custo de inflação dentro desta evolução,
se contabilizarmos os efeitos da
inflação, significa que as trações têm
um financiamento muito menor do que
tinham há 30 anos atrás. em 30 anos
atrás, só assim de cabeça.
Formação, as escalões de formação,
competições internacionais, campeonatos
da Europa e campeonatos do mundo, eu
diria que duplicaram. Desporto feminino
há 20 ou 30 anos não existia
praticamente em Portugal e ainda bem que
evoluiu,
>> mas são mais competições, são mais
custos, são mais despesas. Seleções
nacionais, campeonatos da Europa e
campeonatos do mundo eram de quatro em
quatro anos. Agora é rara a modalidade
que tem campeonatos de Europa e
campeonatos do mundo. Muito rara, de
quatro em quatro anos. Significa que
isto são tudo custos, que é preciso ter
receitas para cobrir. Ora, para além de
todas estas participações
internacionais, eu pergunto: "E
financiamento?
Capacidade de investimento das
federações para o desenvolvimento das
modalidades, onde é que fica?"
é que se as federações forem a todas
estas competições que nem conseguem faç
aquilo que recebem hoje, eu pergunto
onde é que está a capacidade da
federação pensar o desenvolvimento, ir
aos clubes, dar-lhes condições, formar
os os treinadores, formar estas equipas
de acompanhamento dos atletas? Onde é
que tá essa capacidade de investimento?
não existe. E, portanto, tudo o que
podemos falar de planos de
desenvolvimento desportivos,
estratégias, isso é tudo muito
importante. Aliás, foi uma das
prioridades que nós assumimos em 2024,
mal tomei posse, mal posse com a minha
equipa, foi cinco prioridades políticas
para o governo deentão e uma das
prioridades foi construir um plano
aumento desportivo, que éamos o único
país ou um dos dois países na União
Europeia que não tinha sequer um plano.
>> Portanto, convém saber onde é que
estamos, para onde é que queremos ir,
com objetivos, com metas, com
financiamento ajustável. para conseguir
capacidade de investimento nesta ou
noutra decisão que se venha a tomar do
ponto de vista estratégico é
fundamental. Agora
>> e agora agora temos, não é? Há dois
meses saiu pela primeira vez o agora
final do dia do dia, como se costuma
dizer, meus amigos, ou há financiamento
ou não há financiamento. Só é
financiamento, há capacidade de
investimento. Nós não estamos a dizer
que queremos dinheiro só porque sim,
não. Há dinheiro com estratégia. sei que
há um plano. Agora, ou esse plano é
acompanhado de um cheque de um reforço
do cheque financeiro às federações para
investirem ou então não há capacidade de
desenvolvimento. É muito simples.
>> Fazemos aqui uma brevíssima pausa para
falar um bocadinho sobre saúde mental.
Felizmente, nos últimos anos, as pessoas
cuidarem da sua saúde mental têm vindo a
ter um estigma cada vez menor, mas
continuava a ser uma espécie de
privilégio económico. Mas a Highwell
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voltar para o episódio. Eu em preparação
para este episódio fui tentar investigar
percentagem do orçamento de estado para
o desporto de vários países na Europa e
pareceu-me que estávamos mais ou menos a
meio da tabela, ou seja, não somos os
piores.
>> Somos piores da tabela. Os piores,
>> somos os piores,
>> muitos piores. Nós somos um dos
>> 0, 01
>> 0,70 e tal. Ah, não, 0,70 e tal é
juventude e desporto
>> eventualmente contabilizou-se porque
essas contas às vezes não são fáceis de
fazer.
>> Sim, porque os ministérios de diferentes
países têm ver, nós temos é que ver o
financiamento per capita. Neste momento
lá fora, o financiamento per capita tá
mais de 100, a média mais de 113 € e nós
aqui estamos abaixo, nem metade estamos
nesse valor. E, portanto, o
financiamento per capita do desporto em
Portugal tá muito abaixo da média
europeia e, portanto, OK,
>> sem ovos não se fazem omeletes, isso
acho que não é possível. E depois tem só
para só para corroborar o o que disse o
Daniel, poois é o problema prático e
financeiro destes contratos de
desenvolvimento desportivo, porque eh
normalmente as as federações têm um um
calendário que para se proporem a
organizações europeias são
internacionais e e nós portugueses
estávamos a falar ali há bocadinho da da
história do desporto para fazer aqui a
colagem e nós também somos pioneiros na
Fundação a Federação de Handbol
Portugal, por exemplo, é é fundadora da
Federação Europeia, portanto, é uma das
federações que está na na Constituição
da Federação Europ e Europeia de
handbol. eh organizou o primeiro europeu
de handball em 1994
e, portanto, se quer organizar eventos
na Europa do handball, eh tem que
responder a cadernos de encargos que não
têm nada a ver com a forma como e é
financiada aqui internamente, com um
custo brutal em termos de tesouraria,
porque tem que ter despesas para
eventos, portanto, muito antes do ano em
que eles acontecem e, portanto, tá com
uma tesouraria sempre negativa a atrás
de poder ter uma organização de sucesso
dentro do país. E as organizações
internacionais vão crescendo de
exigências cada ano que passa. Portanto,
isto isto nunca nunca vão para trás. E
eu pergunto e que capacidade é que o
país tem e de organizar eventos e
internacionais nos próximos anos, não é?
E isto estou a falar de uma modalidade
que ainda assim tem a uma capacidade
organizativa boa, não é? Infraestruturas
desportivas para organizar estes
eventos.
>> Não há
>> só temos uma.
>> Exato.
>> Eh, para o euro fizemos para aí 20
estádios que quase todos estão a apoder
>> infraestruturas. Infraestruturas
desportivas pavilhões. Temos um capaz de
receber um evento destes e um que não tá
preparado para eventos desportivos
porque em vez de balneários tem
camarinhos. Tudo bem que pode ser
ajustado, pode ser adaptado, como já foi
e vai ser
>> o pavilhão rosa malta.
>> É o meu arena.
>> Ah, pavilhão rosa malta. Acho que também
já foi e o desporto ou não? O rosa moto
não tem não tem condições para receber
provas desta dimensão.
>> OK.
>> E portanto há um pavilhão em Portugal
que pode receber que é o meu arena.
>> Ah, tás é um europeu assim.
>> Mas é um é um pavilhão é um pavilhão
privado, ou seja, é é caríssimo. Ou
seja, eh, não, não vou estar aqui a a
falar do do que é que custa um um
pavilhão destes e uma organização de uma
prova destas, mas a a os preços também
são públicos, mas é uma coisa colossal.
Nós tivemos aqui e a Alemanha e tivemos
outra a visita de outros de outros
presidentes de outras federações aqui em
Portugal e quando perceberam organização
das nossas competições, portanto,
disseram isto na Alemanha ou era
inviável, porque desde policiamento a
custos de infraestruturas ou de serviços
conexos com as atividades, a logística,
a toda uma série de de componentes
altamente importantes para se realizar
uma prova destas.
lá é serviço público e e eles não pagam
nada. E aqui eh cada evento, cada cada
ação, cada movimento, portanto, é é
pago, não é? As forças de policiamento,
por exemplo, eh nós sabemos, o o
desporto financia muitos trabalhos
gratificados na polícia. Se não fosse
também o desporto, era muito complicado
à polícia eh ter as receitas que tem
neste momento. Portanto, não há
essencialmente
>> todas as modalidades que jogos de alto
risco tem que ter policiamento
obrigatório e depois há há há outros que
que depois nós por exemplo, eu não sei
como é que é, cada federação tem o seu
modelo. Nós nós temos um um responsável
de segurança, portanto, no pavilhão em
cada em cada jogo, nas competições todas
de handebol. Eh, mas isto, vejam o que é
extrapolar isto. E aí já estamos, sim, a
falar de alguns números que podemos e
que se podem vir a ser estudados para o
desporto, né? Porque o desporto faz ao
fim de semana. O desporto não é o
desporto dos grandes eventos de olha
quanto é que deu o jogo do Real Madrid e
Barcelona, não é? Para estar a falar
destes clubes espanhóis e não
portugueses. Eh, quanto é que foi
receita de bilheteira, não é? E,
portanto, eu também já fui convocado
para alguns estudos destes de grandes
eventos, mas mas tá bem, vou estar a
controlar um evento quando o desporto se
faz ao fim de semana e o impacto
económico de famílias a mobilizarem-se,
de tudo o que é do que é que tá à volta,
de onde é que aquelas famílias eh se
alimentam, não é? Se o evento é de
quantos dias, o que é que vai mexer a
economia local, não é? E, portanto, este
tipo de informação é é realmente
importante para nós sabermos do que é
que estamos a falar, porque enquanto nós
não falarmos, como como dizia eh o
Daniel, a uma só voz, enquanto nós nos
sintamos representados de termos uma voz
ativa na na sociedade portuguesa, a
nível de de quem de facto está a
proteger os interesses do desporto,
independentemente das cores clubísticas
e dos casos que aparecem todos os dias
na televisão, há um iceberg que tá quase
tem quase o volume de do mar, não é? por
baixo daquilo que que a gente consegue
ver no
>> Nós, aliás vamos lançar um estudo
impacto económico ainda este ano,
precisamente para avaliar tudo isto, o
impacto do desporto na economia nacional
e não é só dos grandes eventos, é o dia
a dia do desporto português, as
deslocações e quer durante a semana para
para os treinos, quer maioritariamente
ao fim de semana para as competições, há
uma dinâmica económica por trás do
desporto que eu julgo que vai
surpreender muitos portugueses quando se
perceber o o retorno
que tem do investimento público para a
economia nacional.
>> Falaste há bocado, diseste uma palavra
que acho que é fundamental, foi gosto.
Acho que acho que foi gosto. E eu acho
que a única maneira de de pôr uma
criança a fazer desporto, para além de
obrigar ou ameaçar, é que ela goste.
Claro.
>> Não é? Por isso tem que haver que haver
prazer. É muito importante haver prazer.
E e por isso é que eu acho que eles, as
crianças têm que experimentar o máximo
número de esportes possível ali nos
primeiros 10 anos de vida.
>> Mas antes disso,
há movimentos básicos numa criança que
são transversais a todas as modalidades.
O saber correr, saber saltar, saber
cair, saber movimentar-se. Tudo isto tem
que ser aprendido na educação física.
Ainda não estamos a falar de desporto,
ainda estamos a falar de como é que a
criança se movimenta. Todos esses
movimentos são depois usados no handbol,
no futebol, na ginástica, no atletismo,
em todas as modalidades. Portanto, ou
nós
criamos aqui na raiz, criamos aqui um ou
ou damos aqui um incentivo para que a
planta se desenvolva mais depressa e não
morra à nascença, ou então vamos estar
sempre a semear, mas não vamos escolher
nenhum fruto.
>> Uhum. Portanto, é fundamental que nós
consigamos ter a escola a dar os
primeiros passos e depois os clubes a
aproveitar isto. E aí sim, todas as
crianças têm que experimentar o máximo
de lilidades possível
>> na ligação da escola aos clubes, como
aqui já falei também.
Vou dar um exemplo de um modelo que eu
acho muito engraçado, que é o modelo
norueguês. Há cerca de 20 anos, a
Noruega apresentou um plano de
desenvolvimento desportivo para a
Noruega e o plano deles colocou a
criança no centro do projeto desportivo.
Era simples. E é um país com 5 milhões
600.000 1000 habitantes. O objetivo
deles era todas as crianças, todas as
crianças têm que praticar desporto. Eles
neste momento estão com uma taxa de 94%
até aos 12 ou 13 anos de idade.
>> E Portugal?
>> Portugal é pá não vamos falar sobre isso
porque é uma são taxas que são públicas.
Portanto, estamos a falar, basta ver e
eh que nós temos qual é a percentagem de
atletas federados. Portanto, nós temos
uma taxa de atletas federados muito
muito muito muito abaixo da média
europeia. OK.
>> Portanto, nós neste momento estamos a
falar de até aos 13 anos de idade, a
Noruega fez uma coisa que é nós não
temos competições desportivas, não há
atribuições títulos, não há campeões,
não há nada, não há resultados.
Todas as crianças são, não diria
obrigadas, mas nenhuma criança pode ser
rejeitada da prática desportiva, porque
no modelo em que existes, a criança vai
ao clube, não tem tanta aptidão porque
não tiveste a formação física motora, se
calhar cá atrás nos 6 anos e chega a um
clube e pode ser rejeitada. Porquê? que
não tem condições de integrar uma equipa
que já tem algum nível competitivo. E a
questão deles é zero rejeição. Todas as
crianças são obrigadas a estar
integradas, nem que tenham criar mais
equipas, nem que tenham criar novas
divisões, nem que tenham criar mais
quadros competitivos.
>> Mas o estado é que tem que pagar isso
tudo, não é?
>> O estado financ isto. Portanto, não
existe nenhuma criança rejeitada
>> e o objetivo deles é ninguém fica de
fora. Para quê? Para aumentarem a base.
Alargamento da base completa. Uhum. E a
verdade é que vemos hoje resultados
desportivos. A Noruega hoje tem
resultados desportivos internacionais na
esmagadora maioria das modalidades.
>> Jogos Olímpicos inclusive é com
resultados muito diferentes daqueles que
tinha há 20 anos. Porquê? porque foi uma
consequência de uma política desportiva
integrada com a criança no centro de
ação para o alargamento da base
competitiva. E se tem muita, se tem
muitos praticantes, depois é uma questão
de probabilidades. A probabilidade de
ter um atleta de exceção do topo é muito
elevado.
>> Eu só adicionaria aí um fator que tu
falaste muito bem na escola, mas a
escola tá hoje também com uma
precariedade brutal em muitas áreas.
tens outros estudos e outras
implementações pedagógicas no no ensino
e em todos os em todas as faixas etárias
de ensino, em que só há 4 horas
obrigatórias de trabalho formal com com
os alunos e depois tem que haver
atividade física, ou seja, todos os dias
tem que haver atividade física. OK? E
claro, os nórdicos são os melhores. Há
exemplos no em em todos os países
nórdicos. a Finlândia, há uma filha de
um amigo meu e que fiz amizade com
quando joguei handbol
eh que estudou e para ser professora e
do ensino infantil e fez foi fazer
estágio à Finlândia. A única coisa que
ela tinha que fazer era se um miúdo dos
mais pequeninos todos caía na neve e
tinha que ser de boca para baixo. Se
não, se não fosse de boca para baixo, se
não ficasse enterr enterrada na neve,
tinha que se levantar sozinha. OK? Se
fosse boca para baixo e se ficasse na
neve sem conseguir levantar-se, ela
agarrava e levantava-se. E ela
mostrava-nos a nós e dizer: "Pá, uma
frustração brutal, tu and estudar não
sei quanto tempo." Ela foi já fazer
estágio
>> para a Finlândia.
>> Ou seja, quando nós estamos a pensar
aqui em complexidade outros modelos, não
é? Nós nós conhecemos isto há há muitos
anos, o modelo da Holanda de
financiamento do desporto é eh comité
olímpico holandês, clubes eh e e não há
mais. Não, não há não há federações, não
há associações, não há, não há uma
distribuição. O modelo que nós adotamos
e para os 25 de abril foi um modelo de,
eh, pá, distribuição de competências,
não é? E a gente sabe que se perde muito
dinheiro na distribuição de
competências. Muito dinheiro. É
impossível não se perder dinheiro, não
é? Já para não falar nas burocracias e
nos recursos humanos que a gente falava
há bocadinho, não é? Como não é uma
indústria normal regulamentada, não é?
Não, não há sindicatos, não há nada, não
há nada. Não há nada. Nós chegamos ao
desporto e entramos numa numa entidade
desportiva e pergunta-me: "Olha, mas que
competências é que você precisa aqui
dentro?" Parecemos parecemos e que
viemos de outro planeta, não é?
Competências como não. O que é que vocês
pessoas o que é que o que é que vocês
precisam, quais é que são as vossas
necessidades? E aquilo, claro, os
recursos humanos são mais antigos,
custam muito despedir, eh são entidades
públicas de direito privado e, portanto,
eh têm eh decidem as suas próprias
coisas num regime eh de em que têm
órgãos definidos estatutariamente, mas
que depois eh também respondem por uma
assembleia geral e, portanto, estão
encapsulados nisto sem que haja muito
muito conhecimento de como é que cada
uma opera. não é? E portanto esta
transparência nós precisamos de
imediatamente de ter, não é?
>> Então, achas que há demasiadas
organizações e associações e federações
e, ou seja, achas que o facto de
existirem tantas pequenas organizações
faz com que se torne tudo mais caro e
mais complexo?
>> Mais caro e mais complexo, sem dúvida
nenhuma. Agora, nós temos que olhar para
a prática. Eu posso falar do handball
que eu conheço, mas não posso falar de
outras coisas que não conheço, não é? O
que sei é que eh há uns anos atrás ou há
20 anos atrás era muito diferente do que
é hoje e há uma concentração maior de
quem trabalha e de quem consegue ainda
assim ir lutando pelos clubes dessas
associações, não é? Porque há
representatividade, há vontade e há
gosto, não é? É manter-se as coisas
vivas, não é? A rotatividade de pessoas
não ajuda, não é? Porque quando uma
pessoa sabe fazer uma inscrição numa
prova nacional ou numa prova
internacional de um de um clube, essa
pessoa é um ativo extremamente
importante para esse clube e esse clube
não a pode perder. Se perde essa pessoa,
vem uma pessoa nova que não percebe nada
daquilo e os e os processos burocráticos
são muito complexos, não são não são
fáceis até até para Portugal, não é? Nós
criamos um regime de descentralização.
Temos uma plataforma tecnológica em que
as associações e os clubes podem
inscrever-se e facilita de alguma
maneira o problema, mas continuamos a
ter muito muita burocracia, muita
papelada, não é? Eu não digo que isto
seja a solução, até porque é muito
difícil retirar esse sistema. esta
brigaria a um a um repensar do desporto
como um todo e sou um sou um ministro do
desporto é que é que conseguiria
implementar um dia uma coisa destas, mas
a gente tem um país pequeno para haver
muito mais sinergias do que aquelas que
existem na realidade do dia do do dia- a
dia. E eu acho que isso é uma
oportunidade para todos. O modelo
desportivo, a sua organização está
alinhada com o modelo europeu. O modelo
europeu do desporto é um modelo
piramidal em que nós temos os clubes, as
associações territoriais, as federações
desportivas e as organizações de cúpula.
O problema aqui, quanto a mim, não tá
nesta questão, até porque isto é um
modelo europeu, um modelo europeu que
nós defendemos muito ligado àquilo que é
o desenvolvimento da base até ao topo,
que já aqui falamos. Este é o modelo em
que assenta o modelo europeu de
desporto. Inclusive, recentemente,
tivemos agora também com 20 federações
desportivas em visita às instituições
europeias. Temos reunidos também com o
comissariado europeu, que felizmente tem
agora um comissário europeu para o
desporto, também não havia. E a verdade
é que este modelo de desenvolvimento ou
modelo de organização do nosso desporto
está muito em linha com o modelo
europeu. O que falta é aquilo que tudo
que já aqui falamos, falta articulação,
falta investimento e eh faltava
estratégia. Eu acho que a estratégia
neste momento está a ser definida. Bem
ou mal, nós podemos recordar. Eu eu
sempre fui uma pessoa que isto para
criticar é fácil.
>> Uhum.
>> Mas há uma estratégia e pá, há uma
estratégia. Eu eu se fosse eu a
desenhá-la, se calhar não fazia.
exatamente igual como ali está, mas há
um caminho, há uma estratégia desenhada.
>> Mas estás a falar do do plano nacional,
fal o plano nacional do desenvolvimento
desportivo que nós exigimos muito que
existisse essa estratégia. Eu próprio do
ponto de vista pessoal empenhei muito e
fui muitas vezes criticado pelo facto de
não existir um plano nacional tem
aumento desportivo.
>> OK. Eu vou pôr o link na descrição para
quem quiser ver o documento,
>> vamos dizer assim, o plano podia ser
melhor, podia ser pior. E pá, não vou
dar para esse expeditório, já o dei, já
dei os meus contributos, já dei que eu
concordava ou que não concordava, mas
está fechado esse assunto. Agora vamos
implementá-lo. Agora há uma coisa, é que
este plano tem que ser como está a ser,
foi desenhado e tal, agora tem que ser
desmultiplicado para aquilo que estamos
a falar por modalidade, que é o estado
tem que chegar com cada modalidade, com
cada ftração. Oigo, qual é o seu ponto
de partida? Este, nós daqui a 4 anos
queremos que você cresça 10, 20, 30% em
número de atletas federados. A nível de
seleções nacionais queremos que você
melhor a competitividade internacional a
nível clubes, estão em 20 ou 30 clubes
que queremos que duplique x anos. as
competições organizadas tem quadros
contributivos nacionais, não tem
regionais, tem que ter, tem X clubes,
queremos escalar dos clubes, tem que
ter, tem que definir objetivos com as
federações. Agora
>> em conjunto ou ser a federação a a
propor,
>> eu defendo que deva ser o estado através
do Instituto de Português Desportivo
Juventude a traçar esses objetivos com
os com as federações desportivas. Sim,
faz sentido.
>> Sentarem-se à mesa, qual é o seu ponto
de partida e o ponto de chegada há 4, 8
e 12 anos e haver avaliação para
perceber se o trabalho tá a ser bem ou
mal feito durante este percurso. Agora,
para que isto aconteça, é preciso chegar
à federação e dizer você para fazer
isto, isto e isto, estes objetivos, o
investimento é X. Concorda? assinatura
de contrato anualmente é avaliado.
Se tiver uma avaliação positiva é
majorado. Se não tiver uma avaliação
positiva,
tem que ser ajustado pelo valor porque
os resultados não foram esperados. Isto
é um modelo em que assenta o
financiamento com base no mérito. E é
isso que as federações desportivas
querem, é que o Estado possa dar
resposta e cobertura à sua ambição. Hoje
em dia eu vejo uma federação que me
apresenta
milhares de projetos, projetos brutais
que eu tenho assistido e e e apercebido
até em conversas informais como que
vamos tendo, mas que são são projetos
não podem sair do papel de capacidade de
investimento.
ainda sobre os cubos, só dizer uma
coisa, há trabalho notável nos clubes.
Aliás, um um ex-dirigente federativo
dava uma expressão muito engraçada que
era o voluntariado, a base associativa
muito ligada ao voluntariado, o esse
voluntariado é a nossa maior força,
porque sem voluntariado não existia
desporto em Portugal tá sendo esmagadora
maioria no voluntariado.
>> São pais, são pais de pequenos atletas.
Quem são? Dou uma nota, dou uma nota
sobre isso. Eh, se não são pais, já
foram pais que tiveram os seus filhos
nos clubes e ficaram ligados, netos,
tal,
>> avós, tios, eh, às vezes pessoas têm
gosto pela terra e, portanto, estão no
clu da terra, mas é a nossa maior força,
é o voluntariado. Se não existia
desporto, mas é a nossa maior fraqueza.
Porquê? porque coloca o desporto e
coloca os clubes organizados de uma
forma muito amadora, muito frágil,
porque no dia em que estes dirigentes
vão embora, porque é voluntário, o clube
morre, ou pelo menos não morre, fica ali
em condições muito muitoas
>> e, portanto, há clubes que fazem um
trabalho notável e as autarquias têm
feito também um investimento muito
grande no desporto. Acho que isso também
deve ser soltar com os clubes. Eu tive
agora na Madeira, pá, e vi projetos
desportivos de alguns clubes. Vou dar
aqui um exemplo do do Clube dos Prazeres
na Madeira, na na Ilha da Madeira.
Projeto brutal, começou de raiz, não
havia nada. Hoje em dia tem uma pista de
patinagem que formou uma das mulheres,
que formou e e neste momento ainda está
em processo de formação.
>> Foi campeão do mundo júnior de patinagem
e que esteve à beirinha de aporça até
para para os Jogos Olímpicos de inverno
na patinagem no Gil. é um bom exemplo,
mas deixa-me deixa-me dar um um exemplo
que agarra nisso e que compara compara
também com com investimentos de em
Espanha.
>> Nós nós estamos aqui a falar muito sobre
o financiamento das organizações
desportivas.
>> Sim.
>> OK. Não estamos a falar do financiamento
da carreira desportiva do atleta. OK.
>> Pois da sobrevivência. Se a gente olhar
para para esta parte do financiamento da
carreira desportiva do atleta, já
estamos a falar de uma elite daqueles
atletas, daqueles 100 atletas por
modalidade que não precisam eh de
dinheiro para viver, não é? Portanto,
nós temos cerca de 738.000 atletas
federados. OK? Agora imaginem o que é o
mais já um bocadinho
>> já um bocadinho mais imaginem o que é e
estarmos a falar do modelo do modelo de
financiamento global mas que consegue só
financiar uma elite e que são as são os
atletas mais interessantes para as
marcas, são os atletas que recebem
bolsas de preparação olímpica se tiverem
no programa de preparação olímpica, são
os atletas que recebem dos clubes eh que
ainda pagam eh algumas coisas
independente entemente a estrutura do
pagamento não ter evoluído muito nos
últimos 20 anos também, portanto, os
contratos de trabalho
>> precários,
>> eh, precários, não é,
>> a mai a maior parte deles. Portanto,
posso dar aqui um dado que dentro do
olimpismo só dois atletas é que têm
contrato de trabalho eh desportivo.
Recibos verdes,
>> nós Sim, sim, maioritariamente a recibos
verdes, mas dentro daquela parte que são
os melhores da elite,
>> dentro da elite, elite há dois com
contrato. Abaixo disso, abaixo disso, o
financiamento é todo feito pelos pais.
OK? Eu vou dar um exemplo muito concreto
para para nós percebermos isto. Um
atleta de 15 anos no padel, hoje em dia
em Portugal, que é um desporto
individual e e muito praticado, não é?
Já falamos ali em off de de alguns
problemas estruturais do da questão dos
clubes, mas um atleta para ser
competitivo no padel com 15 anos são
15.000 € ano, OK? entre fazer o circuito
nacional, ter treinador, ter treinos e
logística, 15.000 € é o pai que tem que
ter os 15.000 €. Se o pai não tiver os
15.000 € ele não consegue
>> não consegue estar perto da elite a a
participar nas competições que lhes
podem dar ranking, não é?
>> Quantos pais é que têm esses 15.000 €?
>> Espanha. Quantos pais é que têm esses
15.000 €? Mas há há casos de portugueses
no Golfo que é muito mais caro, não é?
>> Sim, sim, sim. e for e carts e
>> Sim, sim. Portanto, há há casos tudo.
Nós temos nós temos, eu não sei se vocês
conhecem, mas nós temos no fosso
olímpico, no tiro aos pratados, 300
portugueses ali metidos em Santiago eh
do Cassé, OK? Que querem fazer uma uma
competição até mais local, com
associações locais, pá, que é uma coisa
que que pá, que eu é maravilhoso
descobrir isto no meio do lentej
perdido, não é? Mas para vos dar o mesmo
exemplo do do padel, eu tive a sorte de
visitar um um clube de paddel.
600 e sócios no clube do padel, 40 no
alto rendimento, uma miúda de 12 anos
que consegue ter 27.000 € em
patrocínios. Ou seja, estes 27.000 €
pagam
o circuito dela e ainda lhe pagam alguma
coisa a ela, não é? Em em questão de
patrocínios. Então, 100% privado o
financiamento dela.
>> 100% privado. 100% privado.
>> E entramos um tema também que é porque
há retor é porque há retorno, não é?
Marcas.
>> É claro. Claro. E aqui entramos numa
coisa que a gente não tem organizada,
que é aquilo que é a minha é a minha um
bocadinho a minha visão e e o porquê de
eu ter feito essa rede da sporttrack.
Tem muito a ver com a minha carreira
desportiva que é quando tu precisas não
tens.
Depois quando quando não precisas, tens
montes de de coisas à volta e e já
consegues ter experiência e sabes onde é
que podes ir e tens especialistas e e
consegues estar aí nessa elita. Mas o
problema não é nem elite, o problema é
como é que tu chegas a ter
competitividade para para ires para ali,
não é? E é por isso que nós fazemos
também um trabalho muito social e por
isso estava a falar com com o Daniel,
porque se nós tivermos a peça de
informação que é importante no timing
correto, é muito contexto
contextualizadamente
é muito mais interessante para qualquer
atleta. E eu posso dizer que também nos
Açores, num atleta que ajudamos,
conseguimos que o que todo o clube
passasse de recibos verdes para contrato
de trabalho desportivo, não é? Para nós
foi uma foi uma vitória espetacular. e
que para o atleta é uma proteção que já
é um bocadinho acima daquilo que
>> po para os atletas, sem dúvida que é
incrível, mas uma coisa dessas feitas à
pressa pode também mandar o clube à
falência, não é? É complicado, tem que
haver condições para isso.
>> Isso é a parte que falamos
anteriormente, não é? que depende muito
da gestão. Nós quando não temos gestão
eh profissional, eh se calhar é muitas
das empresas portuguesas que temos, nós
temos um tecido empresarial de 99,97%
pequenas e médias microempresas, não é?
>> Sim, sim,
>> pá. Eh, são geridas pela família também,
não é? E, portanto, quando nós não
conseguimos pôr uns indicadores deste
gestão que pastores são básicas, não é?
Eh, depois eh estamos a olhar para o
quê? Estamos a olhar para um clube de
sobrevivência, estamos a olhar para a
economia da precariedade, estamos a
olhar para as rifas, é preciso organizar
uma festa, levas os bolos, eu levo os
riçóis, não sei quê. E e é e é isto, é
isto. O clube financia-se assim, nós não
temos outro outro modelo.
>> Quando e quando eu falava em
desenvolvimento, capacidade de
investimento dasções no desenvolvimento,
que é em 30 anos, as competições
internacionais multiplicaram-se,
portanto asções gastar gastam hoje muito
mais em participações internacionais. a
dependência no seu orçamento é muito
maior do que há 20 ou 30 anos. Quando eu
falo que capacidade tem de investimento
no desenvolvimento, falo também disto
que é quantos atletas é que nós temos
aqui nas faixas etárias mais jovens que
precisam de competir lá fora, precisam
de competir contra os melhores, precisam
de competir e aqui já estamos a falar de
atletas com elevado potencial
desportivo, estamos a falar de grandes
talentos, mas que não participam por
falta de condições. Eu conheço vários
casos, vários atletas que neste momento
são alguns dos melhores atletas júiores
a nível europeu e mundial e que são os
pais que sustentam a sua atividade
porque a federação não tem capacidade de
lhe dar estas estas condições para
competir no nos circuitos europeus e
alguns nas modalidades de circuitos
mundiais e, portanto, tem que seus pais
a pagar isto. Portanto, o desporto, que
é um fator ou deveria ser um fator de
coesão social, está-se a transformar num
fator de elitização social.
>> E, portanto, é isto que, no fundo, temos
tentado combater com as federações
desportivas e e o trabalho que temos
vindo a apresentar junto do governo e
dos partidos para que as coisas mudem.
No fundo é isso,
>> as federações, h,
claro que para ti, eh, como tu trabalhas
com eles, se calhar vai ser difícil
responder a isto, eh, com a, pronto, pá,
com com a honestidade que que seria
ideal, mas o há muitos problemas em
Portugal que não se resolve a tirar mais
dinheiro para cima da mesa.
>> Por isso é que nós queremos ser
avaliados.
>> Então, pois, então, acerte perguntar,
achas que é só um problema de dinheiro
ou achas que também há mais execução? Há
desvios, dinheiro, há corrupção. Maus
exemplos há em todos os quadrantes da
sociedade, há em todos os setores da da
sociedade.
>> A verdade é uma, as federações
desportivas ao longo dos anos têm dado o
exemplo. Com poucos recursos têm feito
muito. Isto eu não nunca me vou calar em
relação a isto. Agora só um caso em 100
anos na história de uma federação que
houve um caso de corrupção, mais
>> isto é um caso desportivo. Quer dizer,
há casos de corrupção em todas as áreas
da sociedade, na política. Sim.
no desporto,
no setor empresarial. Portanto,
acho que isso não é não é um problema
que está associado ao desporto, é um
problema que está associado ao ser
humano, se quiserem
>> do ponto de vista sociológico até.
Agora, há uma coisa que é muito
importante, que é
>> nós não estamos a pedir para tirar
dinheiro para cima do problema. Tirar
dinheiro para cima do problema é quando
só se mete dinheiro no projeto olímpico
e paralímpico e surdo olímpico. Isso é
que é tirar dinheiro para cima do
problema. Porque é muito mais fácil para
um governo chegar, ah, eu investi 20% no
no desporto, mais 20% no projeto
olímpico. É muito fácil. Basta ter algum
alguma folga e dizer: "Não, meteu-se ali
mais dinheiro". ao longo dos anos foi o
que tem é o que tem acontecido. Nós
estamos a pedir é para se canalizar uma
parte do financiamento para o desporto,
do reforço para o desporto para as
tradições desportivas com base em
métricas e objetivos e avaliação. Nós
não estamos a pedir dinheiro porque sim,
estamos a pedir avaliação. Avalem-nos,
escrutinem-nos, mas recursos.
>> Sim, o Ricardo,
>> senão só estamos aqui a ver se mantemos
a porta aberta. Não, pá, asções têm
missão. As pessoas que lá estão são
pessoas, objetivamente falando e e
desculpem aqui até algum algum
pretenciosismo na coisa, as pessoas que
ali estão são pessoas que têm vontade e
têm ambição. Deem a oportunidade a estas
pessoas de oferecer o melhor trabalho
pelo desporto a Portugal. Deos essa
oportunidade. Avalem-nos. já disse ao
gover várias vezes, não só a este, aos
anteriores, avaliem asões estou de
acordo com tudo o que disseste, mas
entendo a pergunta e
>> eu também entendo a pergunta, claro,
>> porque repara e eh como como é precário,
como é precário, o desporto abre as
portas a que haja pessoas que estão
muito próximo de tomar este tipo de
decisões e e nós conhecemos na história
muitíssimos casos, não é um, nem dois,
nem três, não é? E, portanto, eh, se,
eh, eu dou formação na área, não é, e eu
muitas vezes digo aos presidentes dos
clubes diretamente, olha, você tem o
nome, o seu nome na AT e, portanto, você
é solidário com aquilo que aconteça nas
contas do clube. E, portanto, só isto há
muitos que não sabem, muitos que não
conhecem, não é? E só esta e e lá está,
nós aqui estamos sempre num numa parte
muito sensível do tema, não é? que é
dizer assim, se nós não tivermos estes
presidentes, o clube não existe
>> e e nós temos, se calhar, 80% dos clubes
que nós não conhecemos por este país
fora, não é, da localidade, não é, que
não não só o o Benfica o Sporting, o
Porto, o Sporting de Braga e todos os
que temos na primeira liga, não é? A
partir da primeira liga que nós temos,
não conhecemos, se calhar nenhum, não é?
De de saber onde é que onde é que fica
ou se não tiver o nome no no clube, não
é? Mas estes clubes normalmente são
clubes até alguns deles com várias
modalidades, seis, se oito modalidades,
há clubes de oito modalidades que são
geridos por duas pessoas.
>> Impressionante.
>> Portanto, que ele falava que a nossa
maior força, que é o voluntariado, acaba
por ser a nossa maior fraqueza.
>> Pronto, mas e isto é possível fazer
quando e já podia ter sido feito muito
trabalho anteriormente e é por isso que
eu acho que a gente projeta, projeta,
projeta, mas não fecha nada, não é? eh
como um bom português que bons
portugueses que somos. E aqui o fechar
tem a ver com modelos de partilha de
serviços, por exemplo, já devíamos ter
uma partilha de serviços, serviços
partilhados, por exemplo, para área da
contabilidade das federações. Porque é
que não temos serviço partilhado para a
contabilidade das federações?
Contabilidade analítica de uma
federação, pá, igual a da outra.
>> Pois, sim.
>> Não é, pá. Nós não temos isto. Nós nós
temos serviços que temos dependências de
que foram contratados em 1932,
não é? Que não são nada ágeis, que os
gestores não conseguem ver absolutamente
nada porque não interessa, não é? E uma
das coisas mais importantes para as
direções das federações é estarem a
olhar para a mesma informação, porque
quando não estão a olhar para a mesma
informação é porque há um problema.
>> Sim. Ou decisões já ou as decisões já
estão tomadas. E, portanto, uma das
coisas que a gente eh aprende na na
universidade, quem estuda gestão, é o
conflito de interesses. E há muitos
conflitos de interesses no desporto. Há
e e aqui e a diferença numa empresa
tradicional é o acionista e é o gestor,
não é? E aqui nós não sabemos muito bem
quem é o acionista e que é o gestor do
do Clube Desportivo lá da lá da Aldeia.
Sabemos quem tem um nome na [risadas]
nas na Autoridade Tributária e como é
que se gera o clube, não é? Mas porquê?
Porque o presidente, alguns presidentes
desviam dinheiro para se pagar melhor
eles próprios ou não se prof
>> não se profissionalizam porque ao
profissionalizarem-se não
>> tem tempo. Uma hora por dia, não tem
conhecimento, não tem tempo, tem 70.
>> 80% dos presidentes quer ajudar o clube,
vai ao fim do dia depois do trabalho ao
clube saber o que é que cá para
despachar, o que é que cá para assinar.
não têm nenhuma noção de como é que
funciona uma inscrição. Muitos deles, ou
seja, tem lá uma pessoa que já faz isso
há não sei quanto tempo, tem uma direção
nova, mas que há pessoas que vêm de trás
e
é muito difícil.
>> Nem obrigações, nem as obrigações legais
sabem. É que eu dizia, eu acho que isto
não é tanto uma questão das pessoas
serem mal intencionadas de todo.
>> Isso,
>> é mesmo uma questão de conhecimento, de
falta de de profissionalismo.
>> Uhum. Porque a profissionalização
acontece quando as pessoas são
qualificadas e o nosso tecido
associativo é um tecido muito pouco
qualificado.
Isto não é uma crítica aos dirigentes,
antes pelo contrário, é um elogio,
porque é um elogio que é mesmo assim
eles dedicam-se a isto.
>> E se não existisse a estas pessoas, o
desporto morria. Sim.
>> E portanto isto é um pau de dois bicos
que é
>> ou os mantemos mas temos que àar
formação ou então não os temos e acaba o
desporto em Portugal. Isso é que eu
dizia e não é uma expressão minha, volto
a repetir, que o desporto, que o
voluntariado é a nossa maior força, mas
é também a nossa maior fraqueza.
>> Sim, sim. O Ricardo escreveu um post no
LinkedIn muito bom sobre o o plano
nacional de desenvolvimento desportivo.
E tu dizes lá uma coisa que eu, pronto,
eu gosto muito de dados e acho mesmo que
os dados serem de qualidade e
centralizados é importante. E eu reparei
que aqui no na página 14 e 15 do
documento eh há muitas fontes mesmo para
a informação. Algumas são da Comissão
Europeia, outras são de
>> Mas felizmente temos dados. Não é muito
usual nós termos dados e este plano até
apresentou esses dados. temos, mas são
são muito dispersos, metodologias
diferentes, [ __ ] nunca tinha visto.
>> Pois, olha, eu confesso que que eh tenho
uma intuição que acho que na primeira
coluna, como há várias fontes, eles
poderão ter escolhido os indicadores que
fazem parecer com que tá muito mal para
depois a a evolução parecer melhor,
porque esta de 73% de pessoas não fazer
desculpa. Eu disse no início do
episódio, há um estudo mais recente que
diz que é 54%.
>> O que é que é praticar desporto? Isto
aqui é a questão central da questão.
>> Não, aqui aqui é pessoas que dizem não
praticar desporto
>> ou atividade física, certo? É que a
questão da atividade física é diferente.
O eu correr,
>> porcentagem da população que que nunca
pratica desporto.
>> Pronto, eu se praticar todos os dias for
correr, não estou a praticar desporto.
>> Pois, as próprias pessoas que as
próprias pessoas que estão a receber a
pergunta se car não sabem o que é que
estão a responder.
>> Ou seja, eu todos manhã, eu todos os
dias acordo de manhã e percorro meia
hora. Tou dar um exemplo.
>> E se calhar respondes que não, que não
faz desporto.
>> Não sei. Depende do que ela respondeu. A
verdade é que a pessoa do ponto de vista
prático, não tá a praticar desporto.
>> Aqui entra no conceito que é o desporto
e o que é a atividade física.
E, portanto, uma coisa é nós querermos
ter uma sociedade ativa, uma sociedade
que tenha atividade física. E outra
coisa, dizemos, queremos uma sociedade
também muito ativa com atividade física,
mas também queremos uma sociedade que
pratic desporto. Danielos, o legislador,
o legislador quando o legislador quando
diz eh que é a prática desportiva, não
é, já está a meter nessa prática
>> atividade física,
>> a atividade física, não é? Ou seja, isso
isso está correto, mas as pessoas também
não. Eu acho que esse esse é o o menor
dos problemas.
>> Claro, com certeza. Estamos a falar
pessoa quando responde pode não saber o
que é que tá a responder. É só isso.
Todos e e são bias e essas coisas todas.
Mas aqui eu acho que o mais importante
que o que está a dizer sobre aquilo que
escrevi tem mesmo a ver com a
recorrência das observações, que é uma
coisa que cada vez é mais falada até na
análise de dados e na na inteligência
artificial, não é? Se se eu estou a
recolher de maneiras diferentes, em
períodos diferentes, com observações
diferentes, eu não vou ter coerência
nenhuma nos dados e não dá para fazer
absolutamente nada, não é? E por isso é
que é é interessante, é, OK, será que a
gente quando vai acompanhar agora eh na
primeira meta vamos estar a olhar
exatamente para a mesma forma de recolha
dos dados e para os mesmos indicadores?
Ou ou vamos dizer aquilo que nos
apetece, não é? Ou por exemplo, quando
eu tiver a executar contratos de
programa, eu vou estar a controlar os
contratos de programa como em Excel e em
Word ou ou já tenho uma forma de
submissão.
>> Eh, ou percebes? E, portanto, há aqui
uma série de coisas e eu, como tenho uma
formação mais até e até pela via da dos
anos em que tenho trabalhado, acho que
tenho mais perfil de auditor até do que
do que de outra coisa em termos
técnicos, não é? Mas isto é muito
importante porque se tu tiveres um um
processo bem eh bem feito, portanto
depois é muito fácil, não é? Pá, se nós
tivermos a ver observações que são
feitas de maneira diferente, depois é
muito difícil termos esta coerência dos
dados, não é?
>> O que é que é a unidade de business
intelligence? Está aqui objetivo
primeiro semestre de 2026, criar a
unidade business.
>> Deve ser isso deve ser criar uma
normalização para a observação deste
deste tipo de dados. Ou seja, porque se
eles criarem uma unidade de business
intelligence significa que estão
>> preocupados exatamente com esta com esta
matéria. Eh, que não vai ser fácil de de
de conseguir esta coerência porque as
fontes vão sempre dependente das das
fontes de dados, não é? Eh, e portanto e
é esta capacidade que que vamos ter de
estar pelo menos a olhar para os mesmos
dados de forma repetida no tempo.
>> Integrado no Observatório do Desporto,
que também já se fala algum tempo, que é
precisamente para centralizar a
informação e os dados.
E a verdade é que ao longo dos últimos
anos não houve um investimento
ao nível de infraestruturas
tecnológicas, vamos lhe chamar assim, eh
ao nível da administração pública
desportiva para a recolha de dados. Hoje
em dia o sistema é muito arcaico, tem
havido um investimento até mais recente
últimos anos, até aqui, se calhar no
último ano, dois, três anos, últimos
três anos, mas todo o processo para trás
era um processo muito arcaico e muito
pouco desenvolvido. E houve muitos anos
sem investimento nestas áreas e,
portanto, voltamos ao mesmo tema. Se
calhar não houve financiamento ou não
houve capacidade de investimento, mas a
verdade é que essas plataformas, mesmo
dentro da administração pública
desportiva, algumas estão obsoletas.
Acho que recentemente tem havido essa
preocupação e eu diria que podemos estar
aqui numa mudança de ciclo neste
aspecto. Sou uma pessoa confiante por
natureza. Será que tu disseste há bocado
que as coisas pioraram desde os anos 90
a nível de de desporto universitário, da
capacidade de alguém mudar de cidade e
continuar num clube por aí fora? Será
que há uma parte disso que tem a ver com
videojogos?
Ou seja, o videojogos ser uma
substituição do prazer e da adrenalina
que vinha do desporto.
Deixa-me clarificar só quando, Pronto,
podes ser concluído que eu quando digo
que tão piores, eh, eu acho que o ciclo
de acompanhamento de alguém que quer
fazer desporto ou que se quer dedicar a
uma modalidade
está mais difícil
>> o acompanhamento do da carreira do,
>> ou seja, um atleta a dizer assim: "Ah,
eu começo a a fazer este desporto e
gosto muito de fazer este desporto." Ou
seja, ele ter alternativas
e de acompanhar a escola e e de praticar
aquele desporto tá mais difícil,
>> OK?
>> Porque há menos pessoas preocupadas com
este trajeto, OK? Há menos
competitividade nas zonas marginais.
Portanto, eu quando comecei a jogar
handball tinha 10 clubes à volta e hoje
o Ebolall Clube tem zero.
>> Onde é que vivias?
>> É.
>> Havia 10 clubes de handball em Évora.
>> Sim, sim, sim. entre o Alentejo, ou
seja, Évora e Beja, havia isto éidativo
do estado nos anos isto é isto é
elucidativo
>> nos anos 80
>> nos anos 90 Sim anos 80, 90, 94,
>> não diria, se me perguntasse eu diria,
pá, ou dois clubes,
>> tu perdeste uma série uma série de
coisas, não é? Tu hoje em dia no
Alentejo,
>> tu tiveste dois, o Paulo Guerra Alenjam
do atletismo. Eh, depois tens o Miguel
Garcia também que jogou futebol no no
Sporting, eh, que também é lenjan, mas
tu agora referências do desporto em em
áreas e de baixa população e não tens
>> não tens. E, portanto, isto é um a
assimetria que tens nas nas regiões de
Portugal é um problema que toca
diretamente isto, porque se não tens
competitividade, tu esquece. É muito
melhor este plano começar aos 2 anos de
idade, aos 3 anos de idade nos
infantários com uma coisa tipo Noruega,
não é? Em que isto não isso não é o
plano não aborda nos nos pilares que tem
aqui essenciais, não é? Não obriga, não
diz absolutamente nada porque também não
pode dizer, não é? Porque lá está, a
escola está envolvida também numa
partidarização daquilo que são as suas
responsabilidades e dos agrupamentos de
escolas. Como há pouco disseste, eu se
sou autónomo e se não sou uma pessoa de
educação física ou não, não quer lá
saber, os gajos não têm aquilo a
carreira aos 22 anos estão acabados,
portanto é melhor pensarem noutra coisa
ou na vida depois do desporto ou o que
quer que seja, não tem uma lógica de
desporto para toda a vida de de fazer.
Eu eu não sou já deixei de jogar handbol
há 20 anos, mas continuo a praticar
desporto, não é? E portanto esta lógica
de longevidade não tá a lógica da
educação de qual é que é o impacto que
isto pode ter na no orçamento de estado
na saúde,
termos menor obesidade infantil, não é?
Na na na na indústria farmacêutica. Qual
é que é o impacto que isto pode ter na
indústria farmac? O impacto da atividade
física
>> e no sedentarismo das pessoas com mais
de 50 anos. fez estas perguntas,
>> maior parte dos portugueses, agora,
>> quem é que fez estas perguntas ao longo
do processo? Quem é quem é que tá e a a
quem é que tem a responsabilidade disto
no país? Não é porque esta parte da
responsabilidade é muito importante,
porque se nós não tivermos
responsabilidade nas coisas que
assumimos, não é? Depois, pá, e também é
fácil no desporto, não é? Também é fácil
no desporto, pá. Não fui eu, foi aquele
quando nós, a nossa escola e a minha
escola de de desporto é é sermos
transparentes, é estarmos ali com os
calções e com uma camisola. Vamos todos
jogar e depois a malta toda pode avaliar
esta parte da avaliação. O desportista
está muito acostumado a isto, a esta
parte da avaliação. Nós nós estamos
muito habituados a ser avaliados para o
bem e para o mal daquilo que fizemos.
pá, tudo aquilo é público e este, no
fundo, é aquilo que eu mais saudades
tenho no desporto, é é este modelo eh
social, desportivo que que a nossa
sociedade nem nenhuma sociedade do mundo
tem, não é? Portanto, estas estas
experiências seriam interessantes também
nós nós envolvermos nestes nestes
mecanismos políticos, porque eles seriam
seriam mais que o plano já fala não só
no ensino básico, mas também numa fase
prévia ao ensino básico. Eh, portanto, a
formação física nessas crianças,
portanto, formação prévia aos 6 anos de
qualidade. Portanto, já há essa
preocupação, que eu nunca tinha visto,
já começa a haver essa preocupação.
Felizmente, acho que ao plano falta
desmultiplicação por modalidade.
Isto é tudo muito bonito, mas isto tem
que ser por modalidade.
>> Mas Daniel, mas a modalidade quando os
os miúdos agora eu dou também dou tranos
ao final do dia a miedos de handball,
não é? Quando tu chegas a uma modalidade
o miúdo o miúdo um miúdo de 8 anos já
experimentou três ou quatro, não é?
Ainda bem.
>> E não tem e se calhar vai-se embora dali
a um mês ou dali a dois meses. Não, não,
não é, não é problema nenhum. A questão
é é que se ele aos 2 tr anos não começa
a ter consciência do corpo ou quatro ou
cinco, ele não tem consciência do corpo.
Tu hoje um um miúdo de 8 anos pões o
direito e dizes-lhe: "E pá, põe a perna
à frente, mas não ponhas logo, deixa
deixa o corpo cair um bocadinho". E eles
não conseguem fazer se eles caem para
trás, caem a correr para trás, não é?
Eles não têm a perceção do corpo que que
têm. E é isto que eu digo que tá que tá
pior.
Que tá pior. Há há menos miúdos a
brincar. Acho que a questão da escola,
acho que a questão da escola, o
desporto,
>> isso toca com a, deixa-me só dizer isto,
isto toca com a cultura do país, porque
a gente não nos podemos esquecer que nós
estamos a querer mudar mentalidades e
estamos a querer mudar a cultura. E para
se mudar a cultura
é muito difícil. É muito difícil. E tem
que ser não, não faz falta só dinheiro,
faz falta direção.
>> E a direção só se consegue com uma
reunião de muitas pessoas à volta disto.
>> Acho que acho que esse ponto que o que o
Ricardo fala é muito importante. Acho
que a formação física e motora nos
últimos anos perdeu-se. Não perdeu-se,
mas eh tá pior do que estava há 30 anos
atrás. Eu acho que tá pior.
>> Mas não será por causa dos telemóveis e
dos videojogos em parte?
>> E pá, não, porque com 4 anos acho que
isso não é o tema. Acho que com 4 anos o
tema não é os griojos. com anos
videojogos, com se anos vão videojogos
isso pode ser um problema adolescên com
se anos já estão viciadas,
>> certo? Mas acho que o problema, e eu
acho que isso é um problema, que é o
facto das crianças não brincarem. Acho
que hoje temos, eu pelo menos ao meu fim
de semana, o meu maior divertimento era
sair de casa às 10 da manhã, a vir a
casa, a comer qualquer coisa rápida e
regressar a casa às 5, 6 da tarde. E
entretanto joguei futebol, andei de
bicicleta e joguei basquetebol e joguei
mais não sei quantos dias infinitos.
Portanto, exato, acho que isto falhou,
falhou, está a falhar, digamos assim,
mas acho que a formação física e motora
que aqui falamos é fundamental para nós
termos primeiro população mais ativa,
menos sedentária e com também maior
longevidade e maior menos sobrecarga no
serviço nacional de saúde nos anos
futuros. Isso é muito importante. E
depois daqui a consequência disto vai
ser temos mais atletas porque estas
pessoas vão querer praticar desporto
quando falo de desporto competição. E
uma lógica mais pura e dura do termo.
Agora
os videojogos é um problema. É um
problema se nós uma criança de 12 13
anos preferem estar em casa a jogar
computador a ir para para a rua brincar
com amigos e e depois aquilo, eu não
diria o desporto novamente, mas a
atividade física tá muito ligada ao
brincar. O o no tempo de um de um uma
pessoa de 12, 13, 14 anos, brincar
muitas das vezes é ter atividade física.
Andar bicicleta é atividade física. Eh,
correr é atividade física, eh jogar
futebol com os amigos na rua é atividade
física. Eh, mandar umas bolas ao cesto,
por muito pouco jeito que se tenha, lá
está, estamos a dar condições para que
as crianças não se tornem sedentárias. É
atividade física. E tudo isto é brincar.
Eu acho que se perdeu muito esta cultura
do brincar na rua com os amigos. Eh, e é
um problema, eu diria aqui, não é só o
Portugal, não é só Portugal que tem, é
um problema, aliás, começa a ser tema já
e não só em Portugal, mas também na na
nas próprias instituições europeias, até
a utilização do telemóvel nas escolas.
Eh, e eu acho que isso tudo é um
problema que pode estar aí que
estravaza, eu acho que até até estrava
ao desporto,
>> extravasa o desporto um bocadinho. Eu aí
dividia só só esta nota que é o desporto
individual do coletivo, porque realmente
pá, o desgaste psicológico que um atleta
do desporto individual tem acaba por ser
muito superior e e de estar sozinho
durante muito tempo, portanto, que lhe
pode criar algum problema social, OK? e
os problemas sociais que a tecnologia
como um todo está a criar na sociedade
como um todo, não é, que é a
individualização completa da experiência
digital, não é, que hoje que tem
acelerado ao longo do tempo, mas que
deixa cada vez mais crianças
completamente sem interação social com
ninguém, não conseguem falar com
ninguém, não conseguem falar com o
professor, não conseguem falar com os
amigos, pá, e isto é um problema que o
desporto resolve, OK? E, portanto, nesta
nesta lógica da da e até o desporto
individual, não é? Porque
independentemente disso, há um
treinador, há uma equipa, eh, há saídas
para a rua, se for o ciclismo, se for o
atletismo, se for o os fitness, o
qualquer coisa, há uma componente social
muito aliada que pode fazer muito pelo
pelo futuro do do nosso país a este
nível.
A minha experiência pessoal hu,
mais ou menos há 20 anos, 20 e poucos,
h, fiquei um bocado viciado em Counter
Strike. Não sei se lembram desse jogo.
>> Sim, sim, sim.
>> Tu e mais os milhões.
>> Sim. E eu não
>> quase foi dos primeiros jogos
>> e eu não tenho dúvidas que aquilo me fez
fazer menos desporto precisamente por
ser uma fonte de prazer e adrenalina.
>> Uhum. E eu acho mesmo que quando tu
estás nessas idades, não é? Imagina dos
8 aos 18 e a adrenalina e a competição e
e essa dopamina da competição são uma
coisa importante para ti e são para a
maior parte das crianças e tens um
simulacro disso através do jogo
computador. Tu não tens motivação, não
tens a motivação que tinhas para ir, pá,
mandar uns cestos ou ir jogar handol,
porque já tá o teu a tua dose de
adrenalina e dopamina já está ali no no
telefone ou no computador. Eu acho eu
acho que é um dos grandes problemas.
>> Sem dúvida.
essas essas fontes alternativas de
prazer e de e de adrenalina.
>> Pá, mas depois tem a ver com as tuas que
a escola tem que combater isso.
>> Exato.
>> A escola tem que compater isso dando
formação física e motora às crianças
>> para que as crianças criem ali o gosto
na escola.
>> O prazer o prazer é muito important de
se mexer.
>> Eu acho que isso é muito importante.
>> Tu quando acabas um treino no alto
rendimento, não é? Não, não chegaste a
fazer nenhum ou fizeste? Joguei-lhe
futebol federado quando era criança.
>> Eh, que idades pá, saí, ainda fiz uns
treinos para até aos 14, 15, mas não,
mas não, mas aí acho que já não era
federado.
>> Sim, fiz mais a sério para até aos 12.
>> Pronto, mas a a diferença do que pode
funcionar para o desporto, não é? Que
funciona para os jogos muito bem, porque
cada vez os jogos são melhores e eu sou
de uma geração em que do arcado e que
por acaso agora até tive ó pá, agora
tens o que quiseres, não é? no formato
que quiseres, não é?
>> Tinhas de fazer 20 níveis para chegar a
Eu tenho, eu tenho uma história, eu
tenho uma história que tem muito a ver
com isso, que é eu aos aos 12 anos de
idade, quando comecei a jogar handbol
eh eu tive um avô que era investidor em
máquinas de jogos dessas arcadu dava-me
dinheiro para eu jogar nas máquinas
dele.
>> Claro. [risadas]
>> E eu e eu sabia que não me podia viciar
nas máquinas, nas máquinas. Então eu eu
dividi o tempo já nessa altura, já com
12 anos, para poder eh jogar handbol,
estudar e ir jogar no salão do meu avô.
Eh, e reparem, com uma moeda, como ia lá
muitas vezes, não é? Cada vez que queria
jogar ia lá, ele dava-me uma moeda e eu,
pá, acabei vários jogos de daqueles,
>> moeda infinita, jogavas à vezes que
quisesses.
>> Ó pá, não, comecei foi a ser bom nos
jogos, [risadas]
OK? Porque como jogava tanto,
>> pá, eu tinha técnicas, havia o maníplo,
não é, e os botões, não é? Eu levava
umas fichas
>> para fazer, havia um jogo de atletismo.
Eh, um jogo sim, havia um jogo Jogos
Olímpicos, não é?
>> E em que eh tinhas que saltar, tinhas
que saltar em altura, pá. Nunca mais me
esqueço disto. E então nós tínhamos
técnicas para o botão passar, ou seja,
em vez de estes a carregar assim no
botão para ele correr a determinado
ritmo, passavas assim com os dedos
>> para para o o atleta
>> com a esquina das dedos. Ter um ritmo
assim com a mão para ele ganhar a
velocidade exata, para tu depois dares o
primeiro, davas o primeiro clique para
ela se elevar, o segundo para se deitar
e o terceiro para levantar as pernas. Tá
bem? Mas eras muito consciente. A maior
parte das rapazes de 12 anos
simplesmente ficaria perdido nosjogos.
Sim, eu acho que isso foi foi e só para
ligar à tua à tua questão que é só que a
injeção de adrenalina quando tu começas
a ter percepção de que tu podes ser bom
numa modalidade e porque estás a jogar
com outros e tu estás sempre a observar,
não é? Tu se calhar aos 14 anos quando
deixaste de jogar futebol disseste
assim: "Pá, eu se calhar e não não é
isto que é fazer amanhã e não me dá
tanto prazer como jogar Counter Strive,
estás a ver?"
>> Sim. Não foi, não foi literalmente
assim, mas sim, poderia ter sido,
>> mas mas é parte do prazer, é parte da
adrenalina, dopamina e e que te faz e
seratonina também, que segregas, tipo,
todas estas hormonas em conjunto. Isto
é, é uma droga, acaba por ser uma droga
>> completamente.
>> E eu fiquei viciado,
>> droga saudável.
>> Saudável. Eu fiquei viciado no handbol
porque quando tive quando ganhei o
prémio do melhor jogador nacional que eu
ganhei em no primeiro ano que comecei a
jogar,
>> ganhei um prémio a nível nacional. Isto
é a maior dose de droga que tu podes
ter, não é?
>> Claro é por aqui.
>> Pá, e eu fiquei sempre no handball a
passar por cima de coisas que eram
complexas, como eram para ti no futebol
ou como para qualquer outro jovem, mas a
acreditar que eu conseguia fazer o meu
curso e a minha vida toda com o desporto
nela.
E esta esta para mim e hoje isso está
mais facilitado, como te disse há pouco
que havia coisas mais difíceis também te
di hoje hoje há muito mais apoio a nível
das instituições. A oferta tá muito mais
alargada, há pessoas também dentro das
instituições mais preocupadas com este
timing, não é?
>> E os clubes também há os
>> os pais. Os pais é um também é um pau de
dois gumos, porque há há pais que depois
começam a querer profissionalizar os
filhos, fazem empresas para os filhos e
já estamos na outra parte que é é
complicada a digerir porque não há
standardes para nada disto, não é? E
portanto há sempre uma grande
complexidade e de coisas conexas aqui à
vida do do desporto que pá que se não
falarmos delas só estamos a ser parvos
porque elas existem, não é?
>> Sim. E ainda aqui a questão da
compatibilização, eu acho que as
instituições de ensino superior têm tido
uma maior preocupação com isto. Os
próprios clubes dos atletas de alto
rendimento também. E aqui falo dos
clubes de atletas de alto rendimento.
Obviamente não são todos, mas falarmos
dos maiores clubes em Portugal neste
momento, há uma preocupação já grande
com a questão da da ligação à escola,
com a questão da chamadas carreiras
duais, ou seja, a preocupação que o
atleta quando abandona as instalações
desportivas do cu, o que é que faz
depois dali, não é? vai estudar com quem
é que está, eh, se há boas companhias,
não há boas companhias, se os programas
que tem são problemas saudáveis ou se
não são problemas saudáveis. Hoje em dia
há uma preocupação maior do que existia
há 30 anos atrás, até com a saúde
mental. Eu acho que isso foram passos
muito importantes que foram dados. Acho
que as instituições de ensino superior,
por exemplo, fizeram esse caminho muito
bem. Acho que os clubes também, e aqui
os maiores, porque têm outra estrutura.
Lá está, quando falamos às vezes do
futebol, eu uso esta expressão muitas
vezes que é o futebol fez o seu caminho.
Nós somos um país com uma cultura muito
ligado ao futebol, sem dúvida. Mas a
verdade é uma também os clubes ditos
grandes em Portugal investo do que o
orçamento do estado anual para o
desporto. Portanto, os próprios clubes
também fizeram um caminho de
investimento no desporto. E acho que
isso deve ser reconhecido porque os
clubes podiam ter ficado só, pá, muito
bem, receita é para o futebol, é o que
gera a receita, é o que gera negócio,
digamos assim. Vamos só investir no
futebol. Ricardo teve a oportunidade de
competir num clube em Portugal, por
exemplo,
>> eh, que lhe deu todas as condições, ou
não lhe digo todas, mas deu-lhe boas
condições para poder ser um grande
atleta que foi
>> graças ao futebol, não é?
>> Indiramente. Formos a veramente
>> foi ancora né?
>> Mas isto para dizer o quê?
>> Faz o Ronaldo Paul. [risadas]
Felizmente, hoje temos grandes Ronaldos
também no handbol, eh, que estão sempre
a querer tirar o protagonismo à geração
do Ricardo, que é engraçado.
>> Graças a Deus. Graças a Deus.
>> E até gerações de pais ou de filhos
querem tirar o protagonismo aos pais,
não é? Felizmente temos também um caso
desses
>> na seleção de handball. Mas isto para
dizer, eh, eu acho que os clubes grandes
fizeram também um percurso de
preocupação social, desportiva. Eu acho
que isso deve ser de soltar. Portanto,
nós às vezes olhamos, ah, o futebol, o
futebol, a verdade é uma o futebol tem
uma tem uma raíz identitária do nosso
país que não vai terminar, não vai
acabar, nem nós queremos que acabe,
porque a médol
amador também tem as mesmas
dificuldades. Se calhar de grande parte
das modalidades estamos aqui a
conversar.
>> Muitas vezes é eh temos aquela percepção
de ah futebol é o futebol profissional,
é os grandes, é os é os ricos, é os
milionários, é as transferências
milhões, mas o futebol para chegar aí é
desporto. Nós podemos parar futebol
profissional e mesmo dentro do futebol
profissional três, quatro, cinco, seis
clubes, mas depois há o resto que é há o
desporto onde se integra, em que se
integra também o futebol. E, portanto,
eu acho que essa explicação, digamos, ou
esse esclarecimento às pessoas também
faz muita falta. E essa quando falamos
de de cultura e de literacia até
literacia desportiva, no fundo, acho que
é muito importante que as pessoas tenham
consciência disto.
>> Acho que tem alguma neutralidade a falar
de de desporto e o o futebol também tem
exemplos muito muito positivos dentro
desta estrutura, porque o futebol não
tem outra estrutura. futebol teve tem
aqui o mecanismo das SATS que foram
criadas, entretanto, eh, algumas delas
com sucesso, outras nem tanto, mas eh o
os desportistas são os as pessoas são os
mesmos que estão estão dentro de campo.
E há aqui coisas quer ao nível da
liderança, quer ao nível da performance
que são muito interessantes para as para
as outras modalidades também e poderem
poderem aprender. e vice-versa. Há há
exemplos em em muitas modalidades,
desporto, eu posso falar da minha
experiência, eu tive o primeiro treino
de técnica de corrida que tive, já
estava para aí no último ano de de ter a
lesão que tive e que e de ter
abandonado. Ou seja, isto é uma isto é
uma coisa
>> e eu e eu tinha alguma consciência do
corpo, não é? Portanto, imagina, eu
corria rápido porque eu sabia ou era
mais rápido do que eles a a chegar à
frente e a marcar alguns golos de
contra-ataque, não é? ia e a saltar ou
então eu era average, não é? Então, mas
eu corria muito em cima dos joelhos. Ou
seja, eu se tivesse tipo técnica de
corrida, exatamente no timing onde devia
ter, que era aos 13, 14, 15 anos, não é?
Se tivesse alguém
>> de volta de mim a dizer-me, é pá, não
podes fazer isso assim porque vais
rebentar os joelhos no instante, não é?
>> Não dá para reaprender a correr passado
de uma certa idade ou é mais difícil,
não é?
>> Dá, dá, dá sempre para reaprender, que é
uma coisa muita gira do desporto. Agora,
eh, depende como tiveres a estrutura,
não é? E eu já tinha uma estrutura do do
joelho esquerdo muito danificada, que
devia ter lá um tendão com alguma
elasticidade e já já tinha um centão.
>> Pois é, ainda para falar do futebol,
acho que há aqui bons exemplos e a
Federação Portuguesa de Futebol também
tem muito bons exemplos. Inclusive há um
programa que tem que é quase uma
substituição que a federação faz ao
estado, porque o estado falha naquilo
que estamos aqui a falar, na capacitação
e na formação física e motora das
crianças. E a a Federação de Futebol tem
um problema que é o programa Quinas que
vai à escola precisamente para dar
formação física e motora que são a base
de muitas modalidades, não só no
futebol, portanto também viram muito
para outras modalidades.
>> Saber correr saltar, há um pramo
educativo e dentro da estrutura da
Federação Portuguesa de Futebol, que
hoje em dia tá enraizada em muitos
municípios portugueses, em que leva
precisamente a que as crianças possam
aprender a fazer movimentos básicos, são
a base transversal a muitas modalidades.
Portanto, isto é apenas um bom exemplo
de que muitas vezes gostamos de apelidar
o futebol e os casos e casinhos e os
dirigentes que se ofendem uns aos
outros, etc, etc. São as coisas
negativas e e nefas de ideia do futebol,
mas o futebol também tem histórias
bonitas por trás, não é? Eu acho que
estas coisas de olharmos para o futebol,
não sendo o futebol profissional e o
futebol dos três grandes e e é tudo mau
e é tudo negativo e é tudo tóxico, pá,
não há um caminho por trás e há um há um
caminho que tem sido percorrido também
para desmistificar um pouco aquilo que
são as dificuldades do futebol amador, o
futebol das associações distritais e
territoriais e não só do futebol, que
depois se ligam a todas as modalidades,
porque os problemas cont são os mesmos.
Uhum. por falar na capacidade e na
responsabilidade, se calhar, que o
futebol e a federação tem de também
ajudar os outros desportes e outras
modalidades. Hum, eu acho que tu e a
confederação deviam fazer um uma
campanha, como se fez há uns anos para a
cultura, não sei se lembram, 1% para a
cultura e havia, não é? Eu sinto que
para a cultura é sempre mais fácil
porque há mais celebridades, acho eu.
>> Está pensado. Obrigado pela Mas está
pensado.
>> Agora podes fingir que não foi ideia
minha. [risadas]
H, mas as celebridades da cultura parece
que têm mais alcance quando quando, quer
dizer, os futebolistas têm muito
alcance, mas parece que não se envolvem
tanto. Se calhar com envolvendo não só
as, não é, os as Telmas Monteiros e as
Patícias Mamonas, mas também pessoas
muito com muito alcance do mundo de
futebol, daria para criar uma boa
campanha. Acho que há uma coisa para
além disso,
>> eu partilho nas minhas stories. Boa,
vamos contar contigo. Mas há aqui um
ponto Castro que é muito importante, que
é o desporto vive de ídolos e, portanto,
a existência de ídolos e referências
muitas das vezes são também o maior
chamar que nós temos para a prática das
modalidades em no nosso país. Por
exemplo, neste momento temos um um
ciclista de craveira internacional, um
dos melhores corredores do mundo, que é
o João Almeida.
E em conversas até com a Federação
Portuguesa de Ciclismo, fomos fomos noos
apercebendo que este é o momento certo
para para o ciclismo crescer em
Portugal. Nós temos um ídolo. As
crianças hoje vêm e querem ser o João
Almeida. Como agora no handebol também
temos uma geração fantástica, uma
geração fantástica. Rugby cresceu muito.
Rugby também depois quando foi ao
campeonato do mundo, primeira vez em
França.
>> E e isto para dizer o handball a mesma
coisa. O handbol vai viver aqui um
momento que é um momento de ouro, porque
tem uma geração e não é uma geração, são
várias gerações, pá, de atletas notáveis
que nós vimos Portugal há há uns anos.
Uhum.
>> Eh, e como é que nós em tão pouco tempo,
alguma coisa foi bem feita, portanto, em
tão pouco tempo, nós conseguimos
competir com as maiores potências do
mundo. Vamos organizar um campeonato da
Europa em 2028. Eu acho que hoje em dia
há miúdos que estão no na faixa etária
dos 10, 11, 12, 13 anos, pá. E tem que
querer um dia ser como aqueles ídolos de
hoje, como ao Kik Costa, como ao Martim,
como ao Rui Silva, pá, que são atletas,
e o Ricardo que foi jogador de handbol
sabe disso melhor que eu, pá, são
atletas inacreditáveis. O país não tem
noção da quantidade de referências que
tem em cada modalidade. São atletas
notáveis do ponto de vista planetário.
>> Uhum. A nível mundial.
>> Pá, é inacreditável o o forma como
>> o o Francisco Costa foi considerado o
melhor jogador do mundo agora.
>> Jovem, portanto, estamos a fase de
atletas notáveis. E isto para olhando
para o desporto, um dos pontos que
também o país tem que aproveitar é usar
os ídolos, usar as referências. O
futebol cresceu muito em Portugal, não
podemos esquecernos também nisto em
praticantes, porque existiram Cristiano
Ronaldo.
>> Mas na prática, claro, tu tens o
Cristiano Ronaldo a bafar tudo e depois
tens uma comunicação social que também e
começa agora agora a tentar inverter,
porque há 20 anos outra vez era melhor.
Havia mais páginas de modalidades nos
jornais e toda a gente lia. Nós nós nós
temos um caso, nós não nos podemos
esquecer que estamos num país muito
pequenino,
>> temos um mercado muito pequenino. Eh,
pá, mas temos três jornais desportivos.
Isto isto é uma coisa única no mundo.
Vocês não. E temos individualidades,
temos os melhores, as melhores
individualidades do mundo ao nível do
desporto. Só que depois coletivamente,
não é? a gente teve o melhor melhor
jogador do mundo de futebol, o melhor
árbitro também já tivemos o melhor
treinador do mundo. Melhor jogador Sim.
Melhor jogador do mundo. Melhor jogador
do mundo da de futebol praia, não é?
>> Melhor jogador do mundo de futsal.
>> Futsal.
>> Ou seja, individualmente nós temos as
melhores. Mas
>> mas coletivamente, pergunto eu, e
Portugal, nós no a exposição externa, o
que é que a empresa consegue ter? uma
>> Futebol Clube do Porto,
>> uma visão,
>> não acho que há aqui questões
importantes, há aqui questões que o
Ricardo tá a falar e bem que é a questão
da comunicação social que é um problema,
porque hoje em dia os jornais não vendem
convinam há 30 anos, era da
digitalização. Acho que os jornais em
papel quando nós sabemos dias contados,
eu acho que o digital também pode dar
aqui uma robustez maior ao desporto.
Porquê? Porque no digital não se contam
páginas e, portanto, a cobertura que os
desportivos podem dar às modalidades é
maior. A verdade é que há uns anos nós
tínhamos sete, oito páginas de
modalidades, hoje em dia temos duas,
portanto, e não há milagres, mas eu
também acho que há um caminho que é um
caminho de oportunidade e esse caminho
de oportunidade no digital também pode
ser aproveitado e começa-se a ver, pelo
menos, como disse há bocadinho, sou sou
confiante por natureza, começa-se a ver
os jovens a querer seguir outras
modalidades. Acho que se começa a sentir
isso. Acho que voltamos a ter pavilhões
também mais cheios. Acho nos últimos
anos tenho sentido que houve um
reaproximar do povo português ao
desporto, a assistir, eh, a consumir,
porque isto também é feito de consumo,
>> claro.
>> E a comunicação social tem aqui um papel
muito importante. RTP, eu sou muito
crítico da RTP, acho que a RTP eh não
tem prestado um bom serviço ao desporto
português.
Infelizmente, é com muita mágoa que digo
isto, porque é um canal público e como
canal público é, devia oferecer serviço
público. E desculpem, mas desporto é
serviço público. E as responsabilidades
que a RTP tem passado para os
promotores, para os organizadores das
competições, em que a produção dos
conteúdos televisivos é toda ela paga
pelas federações desportivas ou pelos
clubes ou pelas pelos promotores do
evento desportivo, é uma vergonha que vi
avergonhar todos os portugueses e e
Portugal inteiro. É que há 20 ou 30 anos
RTP assumia custos de produção que hoje
não assume, hoje passa a
responsabilidade para quem organizou o
espetáculo. E, portanto, quando se fala
e quando as pessoas pensam que às vezes,
ah, tá dada na RTP, porque as restões
pagaram para lá estar.
>> OK.
>> É preciso perceber isto. As restaurações
pagam os conteúdos para o os cameraman,
o equipamento, é tudo as federações é
produção das federações das organizações
a federação disponibil o RTP
disponibiliza o sinal.
>> Só o sinal, só o sinal. Ah, não tinha,
não tinha noção.
>> Para além de um, mas isso é outra
questão que é o acordo da empresa de
RTP, as obrigações da RTP, porque um
custo num canal privado é X, na RTP é o
tribo
porque é público e, portanto, as pessoas
continuam agarradas àquilo que é o
público e, portanto, é o público. Ele
sempre foi assim e RTP não se
modernizou. Isto não tem sequer a ver
com administrações, tem a ver com o
facto de ser um serviço público ter
associado a acordos de empresa e às
dificuldades que isso tem até com com
sindicatos associados.
>> E foi a decisão de uma pessoa num numado
momento, foi a decisão de uma pessoa,
não é? Porque ainda na minha altura
havia havia mais desporto na RTP2.
Eh, e é uma é uma tristeza, portanto,
nós vivermos isto e vivermos, portanto,
pá, nós fazemos sempre esforço todos os
dias para trazer para o desporto mais
investimento, mais atenção,
mais famílias, não é? Porque aquilo que
dizíamos, tenho dois filhos a praticar
basquetebol, né? Com pena minha não
terem ido para handbol, mas muito
felizes por por estarem por estarem
felizes.
>> Hum. E eu vejo isso todos os dias a
acontecer, ou seja, os os pais eh são,
no fundo, os grandes suportes da do
próprio do próprio clube. E aqui já não
estamos a falar sequer do nível do
clube. Posso-vos dizer que eh nós já
pagamos despesas a um atleta do do tiro
com arco para fazer mínimos para uns
jogos olímpicos eh de um clube grande
dos maiores de Portugal porque eh eh não
não lhes pagaram as a viagem para ele
poder competir
>> um dos três grandes
>> nessa competição. Sim.
>> Sim.
>> Não precisas dizer qual.
>> Sim. Sim. certeza que não foi Porto.
>> Uhum. [risadas]
Como é que nós h
>> Mas olha, deixa-me dar-te deixa-me
dar-te aqui uns dados que também liga
ali com com o trabalho eh de muitos anos
eh aqui do Daniel, pá, que eu estava
muito interessado em em ouvir dele.
Eu tenho a opinião de que o desporto
universitário, depois de passarmos
aquela aquela parte das terrasidades da
atividade da atividade física, pode ser
realmente um uma parte nós perdemos
muitos atletas entre os os 17 e os 20
anos,
>> pá. alguns já com lesões graves e que e
que deixam, outros porque mudam de
cidade e e na cidade de destino não tem
o não tem o o nenhum clube daquela
modalidade. Portanto, é uma panóplia de
de situações que nós temos temos vindo a
acompanhar. Mas para quem nos está a
ouvir eh deste casa, eh há aqui uns
dados interessantes que têm a ver com o
desporto universitário. Vou dar só o
exemplo de uma universidade com 22.000
alunos, em que dos 22.000 1000 alunos,
só 310 é que praticam desporto
regularmente. Portanto, estamos a falar
de 1,4%.
OK? Então, nessa idade não são idosos.
>> Exato. Exato. Exato.
>> Mas se calhar quantos destes é que têm
atividade física na universidade?
Muitos. Há aqui uma questão que é
importante.
>> Espera, deixa-me só terminar aqui as
métricas e já já comentas que é mesmo
isso que eu quero, que é depois no alto
rendimento destes que praticam desporto
temos eh só 9,7%.
Ou seja, se fizermos o rácio de todos os
alunos que tão no alto rendimento, vai
para os 0,14%, que curiosamente,
>> mas só numa universidade,
>> numa universidade. Numa universidade.
Pronto, trouxe aqui este exemplo.
>> Não sei qual é o caso, mas há há há aqui
pontos a dizer,
>> mas desculpa, 0,14% que coincidente
>> 0,14 que estão 0,14% que estão no alto
rendimento de todo da do total de
alunos, ou seja, dos 22.000.
Aqui acho que há aqui vários pontos que
é
há uma federação que organiza quadros
competitivos universitários entre
universidades, entre escolas e,
portanto, esse quadro não é infinito
porque cada instituição pode ter uma
equipa, pode ter duas, que há casos em
que até tem duas divisões, equipa A e
equipa B, mas não vai haver quadros
competitivos infinitos, porque nós temos
um universo que é finito do número de
universidades e número de faculdades e
número de escolas e número de institutos
politécnicos.
Portanto, o que tem que acontecer é a
parte competitiva acontece e
organiza-se, está bem desenvolvida, bem
enraizada com as frustrações. Acho que
está integrada e cada vez mais
profissional na parte da integração com
as federações desportivas, com as
restantes por modalidades. Acho que o
que tem acontecer e que tem acontecido,
há que dizer, é as universidades
começarem a oferecer outro tipo de,
entre aspas, oferta desportiva. Tem que
tem que,
>> OK,
>> ter novos programas. da oferta de
atividade física para as crianças e
jovens. Exemplos: atividades internas,
interturmas,
criação de núcleos runners de corrida,
criação de núcleos da bicicleta, ou
seja, criar momentos em que os
estudantes se possam, por via da
atividade física, criar momentos de
convívio entre si. Isto para mim é que é
o papel que a universidade e que as
instituições de ensino superior têm que
ter. Eu acho que a parte competitiva tá
muito bem organizada.
Estive lá, sou suspeito, fui presidente
da Federação Académica de Desporto
Universitário e acho que este caminhos
as das competições
profissionais, não, das competições
federativas da federação, digamos, está
bem feito. Agora é preciso que as
universidades deem o outro passo, que é
aqueles que não estão a competir, o que
é que vão fazer? E aí entra no que o
Ricardo tá a dizer, que é não podemos
deixar esta malta sem fazer nada, certo?
Vamos dar a oportunidade a que estas
pessoas, a que estes jovens possam ter
atividade física, possam ter momentos de
competição entre turmas, etc, etc.
Handbol, futsal, voleibol, federação,
modalidades até coletivas para juntar
mais gente, mas também há umas
individuais, criação dos núcleos de
corrida, dos núcleos da bicicleta,
para continuar a ter essas pessoas
ativantes a trabalhar muito bem nessa
área, não é? Há vários casos e bons
exemplos nisso.
>> Eu quando fui estudar para Paula eh para
a Bélgica, fiz uma estrada um ano na
Bélgica e um ano na Holanda e andei na
Fcup, ou seja, na Universidade do Porto
eh durante a licenciatura. Sim,
>> que é ao lado do KEDUP, não sei se
sabem. E o KedUP agora tá melhor, mas
era estava meio a apodrecer. Não, não
havia nada sobre o Codup na minha
faculdade, nem um flyer. Era como se
fossem duas coisas completamente
diferentes. Eu chego à Bélgica e no
momento de inscrição em que me dão
papelada, pá, dão uma revista, pá, com
ótima impressão e ótimo aspeto e bom
design sobre o desporto que dava para
fazer na faculdade. Pá, vocês não
imaginam? Eu acho que tirei fotografias
na altura como Sim para mandar à minha
família,
>> pá, tinha natação, futebol, rei,
espeleologia, pá, uma equipa de de
paraquedismo, eh, coisas e clubes e
nestas nestas tipo parquismo,
espelologia era associado a uma
associação, a um clube fora da
universidade.
>> Pá, interminável, interminável. E ali no
momento da inscrição,
>> excelente.
>> E para quem estava a chegar e não
conhecia absolutamente ninguém como eu,
uma maneira perfeita de conhecer
pessoas. Exatamente. Portugal começa a
incrível.
>> Isso em Portugal tens também já nos
momentos de inscrição das matrículas, os
alunos recebem logo o manual. Olha,
atenção que aqui há desporto, tens isto,
isto, isto, isto.
>> Agora há universidades já fizeram este
caminho, há outras que estão a começar.
>> Aveiro, Braga, melhorzinhas,
>> as que fazem esse caminho, diria Minho,
Aveiro, Coimbra. S a um Porto também.
Claro.
>> Espero que hoje isto foi em 2008.
Espero, imagino que as coisas estejam
melhores neste momento. Estão muito
melhor.
>> Para terminar, h, porque é que Espanha
tem, parece ter uma cultura de desporto
diferente da nossa ou não é cultura, é
dinheiro. Porque é que é que eles
conseguem ter um Nadal? E agora o outro,
como é que se chama o do ténis?
>> Posso começar? Eu demoro muito pouco
tempo.
>> O Pau Gazol. Houve ach criaram um
programa de desenvolvimento desportivo
em Espanha após os Jogos Olímpicos de
Barcelona 92 e foi um programa pensado
da base ao topo e houve muito
investimento no desporto espanhol, muito
investimento no desporto espanhol e eu
acho que isso é possível em Portugal se
houver a mesma visão, porque nós também
temos os pulgasol,
>> certo?
>> Nós também temos esse
>> Sim. A nível de talento,
>> nós temos esses, nós temos esses ídolos.
Quando falamos em ídolos, nós temos
esses ídolos. Portanto, os ídolos
espanhóis à escala, nós somos um país
muito mais pequeno, mas também existe em
Portugal.
falta é planeamento a um plano. Agora
vamos ver se vai haver o resto, se vai
haver é a capacidade de investimento e a
capacidade de tomar reformas, fazer
reformas significativas.
>> Ah, eu eu estou de acordo, não é? Mas há
aí dois dois pontos que eu me parecem
fundamentais. Um é o mercado espanhol
que funciona de uma maneira
completamente diferente do português. O
Espanha é um país cinco vezes Portugal
em população, nem tamanho, não é? E
depois o financiamento desportivo. Outra
vez este investimento que o Daniel tá a
falar é um investimento autonómico. É tu
levares a marca da Galiza, não é levares
a marca de Espanha.
>> Ah, eles têm mais uma camada de
identidade.
>> Eles têm uma camada de identidade que é
fortíssima. Essa camada de identidade,
imaginem
>> se se não porque é que eu estava a falar
há bocadinho de números que não são
comparáveis. o o orçamento da Federação
de Handbol de Portugal até equiparado
normalmente ao orçamento da Federação de
Espanha. Agora imaginem a injustiça que
isto é. Porquê? Porque a a o orçamento
da Federação de Espanha só tem que
financiar o trabalho das seleções
nacionais. Todo o trabalho das
competições regionais são feitas pelo
pelas associações e estão debaixo do
financiamento autonómico.
>> Ou seja, para eles é muito mais dinheiro
para as seleções nacionais, para nós é
muito menos dinheiro para todos,
>> para tudo,
>> para tudo, não é? porque nós temos
competições nacionais e regionais em
naquele modelo de de descentralização de
competências que que falei há pouco. E,
portanto, estes dois aspectos aliados,
portanto, a a eles ter organizado uns
Jogos Olímpicos.
Eh, pá, e organizar uns Jogos Olímpicos
é algo que é só quem teve perto é que
tem a noção ou uma mínima noção de do
que é que do que é que pode estar
envolvido aqui, não é, em termos de
investimento de um país ou em termos das
infraestruturas que é preciso criar para
poder albergar uns uns Jogos Olímpicos.
Eh, o que eles fizeram foi uma série de
contratos com as grandes eh empresas eh
espanholas eh que dependiam do Estado,
não é? com as PTs da altura espanholas,
>> com as telecoms, com as utilities, com
todas as empresas do grosso, fizeram
contratos de de valores muito avolados
para patrocinar os os Jogos Olímpicos,
mas depois com uma continuidade eh em
relação àquilo que era o o financiamento
do desporto um bocadinho geral. Hoje em
dia, os problemas estruturais do
desporto espanhol são iguais ou piores
do que os nossos. OK? Porquê? por um
desinvestimento muito grande, se calhar
até maior do que aquele que nós tivemos
aqui em Portugal nos últimos quatro ou c
anos,
>> porque essas marcas de 92 já não estão.
>> Saíram uma série de marcas, saíram uma
série de marcas. Eu eu eu ao obrigo da
da Sport Truck e fiz uma visita ao
Comité Olímpico Espanhol, foi muito bem
e recebido.
Dá para ver a diferença dos dois países
se vocês forem visitar o Comité Olímpico
Português e o Comité Olímpico Espanhol,
porque o Comité Olímpico Espanhol tá num
num espaço de Madrid, portanto, brutal,
tem uma sala de treinos dentro do Comité
Olímpico e quase uma pista de atletismo.
Acho que não tem pista de atletismo, mas
pronto, tem uma série de auditórios
grandes e uma uma série de salas.
Portanto, é um é quase uma mansana, não
é? Como eles chamam, um parte ali de um
de um bairro de de Madrid.
>> E o de Portugal como é que é?
>> É mais pequenino. É mais pequenino, não
é?
>> É tipo uma repartição das finanças.
>> Eh, não, não, não, não. Tem tem boas
condições. Tem muito boas condições.
>> E é bonito. E tá, e tá, se calhar e não
é tão imponente, mas é é muito bonito e
tá tá muito bem.
>> Somos mais humildes do que espanhóis.
>> Sim, sim, sim, sim, sim. Não, isto isto
para dizer que que depois se torna um
bocadinho incomparável esta parte de de
nós percebermos bem o financiamento,
porque o que eles têm muito bem é para o
e funciona de maneira diferente aqui em
Portugal. Portanto, eles têm o programa
de preparação olímpico deles, eh, que é
para 400 atletas, acho eu,
>> por aí,
>> por aí, 400 atletas no programa de
preparação olímpico, eh, têm um seguro
de saúde que são 160 € por mês
>> da seguradora e de lá está, que financia
e vocês imaginam 160 € por mês vezes
400, não é? quanto é que é o
investimento que esta que esta marca
seguradora faz eh no Comitê Olímpico.
Mas isto é uma coisa que ninguém se
preocupa com nada, porque eles têm uma
pessoa só para os olímpicos que recebe
as chamadas, qualquer atleta olímpico
que tenha um problema qualquer de saúde,
portanto tá coberto por isso. E depois
tem um organismo que é o nosso Conselho
Superior de Desporto e é o Conselho
Superior de Desporto que está na
pipeline jovem de a do talento que
começa a emergir, que pode fazer e tá
ali no no trabalho pré-alímpico, não é?
São atletas que já estão referenciados
com marcas que podem entrar no programa
de preparação olímpico, mas não estão. E
aí já estamos a falar deuns 4.000
atletas que são abordados por esse
programa.
>> Como é um programa, é um modelo mais
centralizado no estado, ou seja,
superior de esportes, não é? modelo em
que no fundo faz a gestão de todo o
projeto de desenvolvimento desportivo do
atleta até chegar ao projeto Lin até ao
jovem jovem. Eles estão
>> Ora, é só só aqui para para rematar isto
que o Ricardo diz e quando fala no
orçamento de federação Espanha,
Portugal, só para termos uma ideia e é
verdade que o desporto espanhol também
julgo tem algum declínio do ponto de
vista de de investimento e isso vai ter
repercussões a breve trecho, é
impossível não ter, mas há muitas
federações nesta fase que já não estão a
ir com seleções nacionais e e federações
até com uma grande dimensão. não estão a
levar seleções nacionais a campeonatos
da Europa e campeonatos do mundo em
escalões de formação por falta de
condições financeiras. Já não estamos a
falar, ou seja,
>> Uhum.
>> Acho que isso deve dividir em seleções
nacionais,
o financiamento ao investimento no
desporto, nas federações exibitos em
seleções nacionais e depois
desenvolvimento. Desenvolvimento,
quadros competitivos, campeonatos
nacionais, tção de talentos, etc, etc.
Já não estou a falar da parte de
desenvolvimento, financiamento já falta
até na parte das seleções nacionais, que
é o nosso exibo, é nossa joia da coroa,
não é?
>> Portanto, se nós, os nossos melhores
atletas, não lhe estamos a dar condições
para competir nos maiores palcos
internacionais, é porque no
investimento, no desenvolvimento, já
falta há muito tempo.
>> Exatamente.
>> Portanto, isto é elucidativo daquilo que
é a realidade do desporto português, que
é muito frágil e quem como participa
muitas vezes estes custos são os pais.
Se é que eu falava em elitização do
desporto em detrimento de uma de um
fator de coesão social que deve ser
aquilo que é o objetivo do desporto.
Temos um país mais ativo, mais coeso e
que depois a consequência natural de
tudo isto que falamos, uma base alargada
de praticantes, um sistema robusto nas
diferentes etapas do processo de
desenvolvimento desportivo, a a
consequência é termos nossos melhores
atletas mais competitivos ainda no topo.
E aí os resultados olímpicos,
campeonatos do mundo, campeonatos da
Europa. Só assim é que é possível termos
um sistema integrado
e que seja de facto o desporto ao
serviço de desenvolvimento humano, que
eu acho que deve ser a matriz
identitária de qualquer país e também no
nosso de Portugal.
>> Excelente forma de terminar. Muito
obrigado. Foi ftei-me de aprender e acho
que vou ter de ver este episódio para
cimentar aqui algumas aprendizagens.
Foi ótimo conhecer-te, Daniel. Foi ótimo
voltar a ver-te, Ricardo, passado estes
anos.
>> E vocês que estão aí, não fujam já. Eh,
se tiverem gostado disto ou tiverem
tirado algum valor daqui, por favor,
contemplem deixar um like e subscrição
ou avaliação onde estiverem a ouvir
isto. E se considerarem isto serviço
público de algum tipo, este projeto é
totalmente independente. Não estamos em
nenhuma rádio, nenhuma televisão.
Depende do vosso apoio. Por isso, se
quiserem tornar sucenas, há também um
link à volta e outro na descrição. E por
hoje é tudo. Muito obrigado. Obrigado.
>> Até a próxima, pessoal.
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Este episódio de "Despolariza" foca-se no estado do desporto em Portugal, com a participação de Daniel Monteiro, presidente da Confederação de Desporto de Portugal, e Ricardo Andorim, ex-atleta de handebol e empreendedor. A conversa aborda a baixa prática desportiva no país (73% dos portugueses dizem nunca praticar desporto), os benefícios do desporto para a saúde física, mental e coesão social, e as falhas no sistema desportivo português. São discutidos o histórico do desporto em Portugal, a diferença entre desporto e atividade física, a evolução desde o Estado Novo até aos dias de hoje, com ênfase na importância da educação física nas escolas e a recente implementação de aulas obrigatórias no primeiro ciclo. Os convidados analisam a falta de investimento estatal, a precariedade financeira das federações, a necessidade de profissionalização dos agentes desportivos e a importância da gestão. Destacam-se os modelos desportivos de outros países, como a Noruega e Espanha, e a comparação com a realidade portuguesa, especialmente no que toca ao financiamento e à estrutura organizacional. Aborda-se também o papel dos pais no sustento da carreira desportiva dos atletas, a elitização do desporto e a importância do voluntariado. Por fim, discute-se o impacto dos videojogos e telemóveis na prática desportiva, a importância dos ídolos como motores de inspiração, o papel da comunicação social e os desafios enfrentados pelo desporto universitário, concluindo que é necessária uma estratégia integrada, investimento e uma mudança cultural para revitalizar o desporto em Portugal.
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