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#106 MARGARIDA SANTOS & FRANCISCA FEITEIRA- Saúde, Ultraprocessados, Alimentação, Políticas Públicas

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#106 MARGARIDA SANTOS & FRANCISCA FEITEIRA- Saúde, Ultraprocessados, Alimentação, Políticas Públicas

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3837 segments

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Muito boa tarde, se Deus quiser. Sejam

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bem-vindos a mais um episódio de

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Escolariza. O meu nome é Tomás Magalhães

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e antes de arrancarmos com o episódio de

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hoje, quero agradecer aos novos mecenas.

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Aidan Bricker, Rute Marques, Renato

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Poças, José, José Pereira, Cláudia

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Horta, Amélia Martins, Mateus Diogo,

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Maria Araújo, José Esteves e Sofia

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Brandão. Muito obrigado a estas pessoas

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que ajudam à à continuidade e melhoria

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do do Despolariza. H, temos um grupo de

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WhatsApp, temos uma comunidade que faz

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jantares, às vezes fazemos trilhos, já

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houve viagens a Espanha, é um sítio

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também onde já há um casamento marcado.

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É uma comunidade que que eu tenho muito

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orgulho de ter começado. Se já tiverem

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ouvido três ou quatro episódios, com

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tempo em tornar-se cenas, há um link à

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minha volta e outro na bio. E hoje vamos

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fazer uma pequena viagem pela história

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da comida, a maneira como influenciou e

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continua a influenciar tanto a nossa

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vida, a nossa cultura e a nossa saúde.

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Vamos falar também sobre ambiente

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alimentar, politas públicas e alguns

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desafios que temos nas nossas vidas, em

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particular na alimentação dos nossos

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filhos. E para isso tem comigo as

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gigantes, não literalmente coitadas,

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Francisca Feiteiro e Margarida Santos.

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>> Olá,

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>> bem-vindas.

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>> Olá, Tomás, que bom estar de volta.

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>> E sou grande fã do vosso, não só sou

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grande fã do vosso trabalho fazem nas

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redes sociais, como sou grande fã do

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vosso Bromant. Como é que se diz?

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Bromant são duas.

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>> É sism.

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>> Sisms.

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>> Exatamente.

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>> E porque já conhecia, já vos conhecia em

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separado e ya, é uma amizade que faz

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todo sentido.

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>> Temos uma temos uma química. É o facto.

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>> Ya, vocês já vão sentir, já sentiram se

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calhar no teu podcast.

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>> Então, que é a Francisca? Francisca tem

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um mestrado em sistemas e cultura

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alimentar e a Margarida é de MGF, é uma

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médica geral familiar, também já teve no

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Dispolariza,

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>> por isso hoje se fosse de fazer a

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lotaria genética e social. Francisca, o

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que é que te calhou na lotaria genética

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e social?

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>> Olha, a lotaria genética calhou 1,58 m,

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não é? Eu estava a dizer a Margarida que

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sou mais baixa que os meus pais, o que é

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algo que não é comum, mas mas pronto,

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foi foi o que Deus me deu. A a nível de

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lotaria social, que é essa que eu acho

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que é mais interessante. Acho que eu, na

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verdade, nasci em Portugal, mas fui logo

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para o Brasil porque o meu pai com 17

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anos foi para o Brasil e viveu lá a vida

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toda. E, portanto, eu fui muito peininha

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e vivi uma grande parte da infância lá.

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E depois os meus pais acabaram por

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separar e eu voltei para Portugal com 5

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anos e e saí de São Paulo e vim para a

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Arouca, que é de onde é a minha família

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toda. E eu acho que é é mesmo

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interessante porque eu tive essas duas

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perspectivas desde muito cedo, não é? O

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que é viver numa metrópole que é São

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Paulo e também nós tínhamos família no

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Rio, então fazíamos muito, estamos muito

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nesse,

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nessa ligação Rio São Paulo e de repente

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com 5 anos venho para a Roca, que foi

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onde eu vivi até aos 18 anos. E acho que

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ter acesso a esse mundo foral marcou

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muito, porque sei lá, eu vi coisas que

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acho que

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pude ver e e viver em primeira mão eh

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formas de viver que já quase não

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existem. Por exemplo, a minha as minhas

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avós não foram à escola. É algo que é

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absolutamente raro hoje em dia.

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Conhecemos pessoas que não foram à

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escola, que não aprenderam a ler e e ao

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mesmo tempo tinham uma ligação muito

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grande com a agricultura, porque eram

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ambas ambas agricultoras. E, portanto,

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para mim sempre foi normal ver a matança

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do porco e chegar da escola e ter o

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porco, porque tinha havido a matança do

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porco e fazia-te impressão.

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>> Olha, fazia parte da minha cultura.

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>> Pois, é a ideia que eu tenho. Quando

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quando vês desde pequenino, não te faz,

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>> acho que quando vej do meio rural, eh,

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se calhar mais tarde, quando tornei-me

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vestariana, dizia: "Ah, é realmente o

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que nós fazíamos", mas na altura não.

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Sendo muito sincera, parecia sim.

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E por exemplo, a questão de só comemos

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ovos quando há quando as galinhas põe,

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mas isso mantém-se até hoje. A minha

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família só come ovos quando as galinhas

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têm ovos e mesmo, sei lá, a minha mã, a

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minha mãe, a minha tia, a minha prima,

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não seguiram a vida agrícola, mas todas

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elas têm um galinheiro em casa para ter

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ovos. Então, acho que essa ligação com o

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meio rural marcou-me muito. A, e pronto,

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acho que, quer dizer, os meus pais, meu

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pai foi para o Brasil, entretanto, tenho

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uma história super curiosa, porque ele

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conseguiu desenvolver um produto lá no

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Brasil à base da cúrcumma, que era muito

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necessário para a produção, para a

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produção de produtos de padaria e ele

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acabou por percorrer o Brasil de carro a

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vender esses produtos, depois perdeu

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tudo e nessa altura já era nascida e,

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portanto, eh, perdemos a casa e foi

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assim toda um toda uma questão dramática

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financeira, mas depois também tive a

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oportunidade, isso também marcou muito a

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minha vida, de crescer eh com a minha

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mãe e com o meu padrasto, porque meus

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pais depois separaram-se. E eu, na

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verdade, digo sempre, e é mesmo verdade,

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que não tive um padrast, tive outro pai,

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tive o meu pai do Brasil e tive o o

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António, que é uma figura incontornável

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na minha na minha história. E ele

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também, ele próprio com uma história

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muito muito muito muito muito peculiar

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também começou a trabalhar na

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agricultura com 8 anos e depois

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construiu uma empresa e tem histórias

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sempre muito curiosas para contar do

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comer à vida há muito pouco tempo atrás,

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porque é há muito pouco tempo atrás, não

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é? Então, não estamos a falar de há 100

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anos atrás. E eu lembro-me depois eu

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voltei para o Brasil com 18 anos, de

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voltar a viver essa dicotomia de estar

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com as minhas amigas e, por exemplo, as

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as avós delas todas tinham ido, todas

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elas tinham cursos superiores no Brasil,

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ao que nós imaginaríamos que, ah, se

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calhar

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>> sim, é pior que Portugal,

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>> pior que Portugal e e não, todas elas

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tinham cursos superiores e e eu e eu era

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a pessoa que vinha do meio mesmo mais

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rural, então acho que eu tive essa esses

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contrastes desde muito cedo na minha

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vida, eh, de meio rural, meio urban

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montanha russa social

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>> e ter tudo e não ter nada ter vivi

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muitos contrastes que acho que marcaram

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muito também a forma como eu vejo a

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comida e alimentação.

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>> Sim. Ó pá, é uma história que o teu pai

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estava envolvido na indústria alimentar,

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cresceste rodeada de, não é, desse,

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desse elemento, faz todo sentido.

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>> E era o sonho do meu pai construir uma,

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ele não, não aconteceu, meu pai depois,

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entretanto, eh, pronto, teve teve um

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cancro e acabou por falecer, mas a sonho

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dele era construir uma fábrica de massas

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usando pronto, os métodos tradicionais

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da produção de massa. Ou seja,

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>> mol de cobre.

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>> Sim, tu me ensinaste também já te

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ensinou,

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>> não? Ah,

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>> primeira vez que fui comer a casa da

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Francisca ensinou-me que há dois tipos

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de massa. Conta aí, faz tu o teu bit.

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>> Então, eles estavam lá em casa e eu

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disse: "Olha, já viram a diferença entre

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uma massa de feita em prensas de em

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moldes de bronze ou em moldes de

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plástico?" E eles não disse

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>> é bronze, é bronze

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>> e eles não. E eu tinha lá exatamente

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duas massas, umas que são as massas mais

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eh eh mais comerciais, não é? Que são

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mais baratas, são feitas em moldes de

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teflon, que é plástico,

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>> que são aquelas mais lisas. são

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completamente lisas. E tu vês mesmo na

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massa, se comprares os dois pacotes de

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massa consegues ver. E eu mostrei-lhes e

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um era uma massa de plástico feita no

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molde de plástico, é completamente lisa

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e quando a cozinhas, o molho não se

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agarra à massa, porque o molho só se

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agarra às regosidades e portanto as de

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prensa de bronze são as são as melhores,

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são as mais tradicionais e são cheias de

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regosidades. E quando cozinhas a massa,

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o molho agarra-se a essas regosidades.

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>> Sim. Acho que em Itália provavelmente só

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tens as de dessa dessas aí quase, não é?

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Uma brevíssima pausa para vos falar do

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patrocínio do episódio de hoje. A Norm é

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uma marca 100% desenhada e produzida em

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Portugal, que ambas as nossas convidadas

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utilizam ou já utilizaram e que foi

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cofundada pela Catarina Barreiros, uma

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das primeiras convidadas deste podcast,

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episódio 11, se não me engano. A Norme

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faz roupa interior para a menstruação e

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outras situações parecidas. Todas as

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peças são feitas com foco na

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sustentabilidade, dermatologicamente

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testadas para contacto com zonas

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íntimas, ou seja, conforto, design e

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sustentabilidade, tudo à prova de fugas.

7:54

Visitem normperiod.com no link da

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descrição. Estão com portos grátis acima

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10% podem usar o código despolariza 10.

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Obrigado enorme pelo apoio e vamos

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voltar para o episódio.

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>> Vamos então vamos fazer isto de uma

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maneira que eu acho que é mais gira, que

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é fazermos, começamos uns caçadores

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coletores e falar um bocado da história

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da comida h até chegarmos ao ao momento

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contemporâneo. H, então os coletores

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Franciscas, como é que é

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>> esta parte? Tudo o que é história

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alimentar é muito mais eu vou esperar

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que cheguem. Nós só vivemos assim

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durante quase um milhões de anos,

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portanto,

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>> mas mas eu acho que é interessante eh

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falar sobre essa época é que houve algo

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mesmo muito importante para os nossos

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ancestrais, que foi o fogo, que foi nós

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começarmos a dominar o fogo. Ou seja,

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acredita-se que durante milhões e

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milhões de anos nós usávamos o fogo de

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forma acidental, portanto havia

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incêndios ou eh fazíamos ali uma feísca

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e de repente tínhamos fogo. Mas

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acredita-se que há 500.000 1000 anos,

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nós começamos a a dominar mesmo a

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técnica de fazer fogo quando assim o o

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desejávamos. E isso marcou mesmo o

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marcou mesmo a nossa história

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biologicamente e antropologicamente

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falando. Então, biologicamente o fogo

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permitiu-nos cozinhar alimentos.

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Portanto,

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>> e quando nós cozinhamos alimentos, nós

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temos uma comida que tá pré-digerida. E

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como temos uma comida que está

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pré-digerida,

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>> primeiro grau de processamento, não

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>> é? O primeiro grau de processamento, o

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que acontece no nosso corpo é que nós

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deixamos de precisar tanta energia no

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sistema digestivo para digerir,

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>> giboiar.

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>> E então, exatamente,

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>> precisa de jiboiar tantas horas,

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>> giboiar. E então o que aconteceu foi que

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esse excedente de energia foi usado e

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foi reaproveitado em nós para o cérebro.

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Então o que fez com que os nossos

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cérebros aumentassem foi o cozimento de

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alimentos. Isto agora já está, já é uma

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teoria amplamente aceita. Eh, começou

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com o Richard Gramham, eh, um

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primatólogo de Harvard, foi ele que que

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sugeriu essa ideia inicialmente e

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atualmente sabemos que, de facto, foi o

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facto de cozinharmos alimentos que

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permitiu que o nosso cérebro aumentasse,

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que o nosso sistema alimentar

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diminuísse, especialmente os nossa a

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nossa parte a parte intestinal e claro

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depois cozinhar também permite nós

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matamos muitos gêneros, muitos

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parasitos.

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>> Sim, mas não para a sobrevivência, não

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é? para para a diminuição do risco de

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doenças, pelas bactérias, pelas

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contaminações, tudo isso já faz muita

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diferença.

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>> Foi enorme. Exatamente. Então, hoje em

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dia já sabemos que, OK, isso está um

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facto consagrado, eles ficam na

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discussão se foi há 500.000 anos, se foi

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há 600.000 anos, se foi há 753.

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Pronto, mas sabemos que o fogo foi mesmo

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um fator incontornável. E depois tem o

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valor simbólico, que é, acredita-se,

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quando nós simplesmente éramos caçadores

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coletores, fazíamos algumas caçadas

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coletivas, não é? foram as caçadas que

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permitiram a cooperação, o

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desenvolvimento das daquelas lanças de

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pontas de de pedra. Portanto, isso aí eh

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foi estimulado pelas caçadas coletivas,

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mas quer dizer, a maior parte do tempo

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nós andávamos sozinhos e apanhávamos

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dois ou três morangos ali e duas ou três

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cenouras lá e íamos comendo. Quer dizer,

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>> mas isso depende do sítio onde se onde

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se vivia, porque havia sítios em que só

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havia mesmo carne.

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>> Povos queam milhares de anos em lugares

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em que a única coisa que tinham era

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carne.

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>> Exatamente. E ou peixe, não é? No caso

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dos esquimó. Mas o que acontece quando

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nós começamos a usar o fogo é que as

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refeições começaram a dar-se num lugar e

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num momento determinado e portanto os

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nossos ancestrais não não saíam sozinhos

11:12

para comer uma coisa ou outra aquilo que

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apanhassem. Começou-se a criar um

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momento dedicado às refeições. Isso foi

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muito importante para nos olharmos nos

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olhos, começarmos a criar determinadas

11:21

regras sociais. Mas eu até diria que

11:23

isso vinha antes do fogo no sentido de

11:25

vamos consagrou

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>> porque as pessoas faziam uma fogueira

11:28

comum e sentavam-se à volta de fogo para

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comer a comida cozinhada em conjunto.

11:33

>> E, portanto, o fogo consagrou, não só o

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fogo ajudou-nos não só biologicamente,

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mas antropologicamente acabou por nos

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domar e começou a domar-nos e a

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tornar-nos um bocadinho mais sociáveis.

11:45

>> Sim.

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>> Então, acho que isso é muito fundamental

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dessa altura em que do paleolítico, não

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é? é muito emblemático.

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>> A ideia que eu tenho é que o o grande

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crescimento do nosso cérebro, do tamanho

11:54

do nosso cérebro, que existe uma relação

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eh com a inteligência, hum, tem a ver

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com a linguagem e bate certo com a

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linguagem sear ter tido uma necessidade

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de evoluir quando passamos a conviver

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ainda mais tempo à volta da fogueira,

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mas também já lialização, não é?

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>> Sim, mas também já li que nós, o nosso

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descendente em comum com o Chimpanzé eh

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foi há 6 milhões de anos. Mas que só há

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2 milhões é que há assim, se fores a ver

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o gráfico do tamanho do nosso crénio, só

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nos últimos 2 milhões é que disparou.

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Então se calhar já estava a disparar e

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depois o o fogo fez com que não é

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acelerasse ainda mais. Sim, porque o

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Homeret já o Homer é que foi antes dos

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500.000 já usava eventualmente fogo

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também,

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>> mas o que sabes

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à frente. Ok. Pois, o que sei, mas é

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interessante e depois a questão da

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linguagem, claro, também foi muito

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consagrada por nos sentarmos nos mesmos

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espaços, por termos de cooperar cada vez

12:50

mais, por termos de fazer caçadas cada

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vez mais inteligentes.

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>> E a parte da comunidade é essencial para

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a evolução, não é? Ou seja, nós não nós

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evoluímos também precisamente por nos

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agruparmos uns aos outros e nos

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ajudarmos uns aos outros,

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>> especialmente vivíamos em plena, eh, não

13:01

é, durante muito tempo vivemos com uma

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com planeta gelado, não é? A nossa

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última idade do gelo foi há pouquíssimo

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há pouquíssimo tempo, quer dizer, foi há

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20.000 anos. Então, quer dizer,

13:10

precisamos mesmo de cooperar sozinhos.

13:12

Não, não conseguíamos.

13:14

>> E a ideia de tu vais gostar disto, acho

13:16

que nunca te contei isto, mas há uma

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teoria que eu acho que faz todo sentido,

13:19

porque é difícil arranjar outra, que é

13:21

tu vais haver culturas que evoluíram em

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separado um bocado pelo mundo, não é?

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Sem contacto umas com as outras e

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descobres que quase todas têm algum

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elemento de sacrifício na sua prática

13:31

espiritual.

13:33

E a teoria que

13:36

que não sei se é, não quero dizer que é

13:38

mais comum, porque não conheço assim

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tantas, mas que me faz sentido é que

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isso veio da comida, veio de um momento

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muito antigo qualquer, em que as pessoas

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e lá está, cada uma na sua própria

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cultura, se começaram a perceber que se

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eu não comer este coelho inteiro e

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deixar um bocadinho para amanhã, ou

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seja, se eu fizer uma coisa que não me

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apetece fazer agora

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>> e que me vai custar agora,

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>> há Amanhã vai ser melhor. E o amanhã vai

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ser melhor é a primeira ideia de Deus.

14:09

>> OK?

14:09

>> Se eu fizer uma coisa agora que não me

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apetece fazer, o cosmos vai- me

14:13

recompensar. O amanhã vai ser melhor.

14:16

Sim. É de carma. Ou seja, vem vem da

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Isso depois transforma-se até em em

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segundo esta teoria, em numa tradição

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oral das primeiros contos que existiam,

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tipo as primeiras fábulas eram coisas

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muito simples como homem caçou lebre,

14:33

não comeu tudo

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>> no dia a seguinte

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>> e e vida feliz. Estás a ver? E que isto

14:38

é o início do da religião, se quiseres,

14:40

ou o início da ideia de

14:41

>> da superstição um bocado mais, não é?

14:44

Se eu fizer isto acontece isto e de que

14:46

é muito humano. Eu acho que é isso. To

14:47

toda a gente tem um bocadinho um grau,

14:48

por por menos religioso que sejas, há

14:50

sempre um grau de é isso de superstição,

14:53

não é? Deixar

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>> mas que aqui não nasce de superstição,

14:55

nasce de ser realmente amanhã tens

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comida se conseguires resistir a comer

14:59

hoje. Ou seja, hoje em dia é que é quase

15:00

instintivo teres um bocado esse essa

15:02

visão e acreditas que que vai durar até

15:05

amanhã. É engraçado que isso vai de

15:06

acordo com uma com algo que eu li de um

15:08

antropólogo também há uns tempos.

15:10

antropólogo, não, ele é um historiador

15:11

que é o Máximo Tanari e ele diz que há

15:13

um valor muito bonito nas no fabricar

15:15

compotas, porque nós só começamos a

15:17

fabricar compotas quando acreditamos que

15:19

vamos estar vivos no ano seguinte. Esse

15:21

sentimento de acreditar, de de que nós

15:23

vamos sobreviver, porque de facto quando

15:26

nós eramos, não é, os nossos ancestrais

15:28

não tinham essa perceção de futuro.

15:29

Bonito, não tinha, eu tinha pensado

15:31

nesse por esse aspeito.

15:32

>> Sim, a comida é incrível. Está em Tá, tu

15:34

sabes melhor que ninguém. Tá em pá todas

15:37

as religiões, não é?

15:39

>> Sim. No no cristianismo vais à missa

15:41

comer pão e be vinho. No islão e no

15:43

judaísmo tens toda uma coisa à volta da

15:46

comida. Há estas comidas que podes comer

15:47

que são sagradas, estas que não podem.

15:49

>> E o próprio corpo também é muito assim.

15:50

Eu sinto que a a relação com a comida

15:52

diz muito sobre o teu estado de

15:54

espírito, sobre a forma como tu estás,

15:55

ou seja, a tua relação, a relação do teu

15:57

humor com o teu apetite é muito próxima.

15:59

E há de facto é uma coisa que toda a

16:00

gente nota, não é? Quer seja para perder

16:02

ou ganhar apetite quando estás ansioso,

16:03

sentes algum tem algum impacto na forma

16:05

como tu no apetite que tens. Portanto,

16:06

há uma coisa aqui muit muito fisiológica

16:08

também. Vocês não sentiram? Nós estamos

16:10

os três um bocado em fases de sofrer com

16:13

não dormir bem por causa das nossas

16:14

crianças. Vocês não sentem que quando

16:16

dormem mal h fácil cederem à tentação de

16:21

muscolato ou assim?

16:23

>> Isso, isso faz sentido. Os teus cravings

16:24

aumentam, não é? Ou seja, tu queres é

16:26

coisas e faz sentido. Tu estás com pouca

16:27

energia, tu queres alguma coisa

16:29

caloricamente densa, tu não queres uma

16:31

fruta que é tem muitas vitaminas e

16:33

minerais, mas que também tem muita água

16:34

e poucas calorias que programa, não é?

16:36

Portanto, tu queres é uma coisa que um

16:38

chocolatinho que te dá 400 calorias ali

16:40

numa numa trinca quase. Portanto, é é

16:42

faz sentido que isso aconteça. E sim, eu

16:44

sinto sempre sobrevivência.

16:45

>> Aliás, neste momento, o que eu queria

16:47

era um chocolatinho.

16:48

>> Mas resiste, nós comemos um húngar ao

16:50

almoço e tu não

16:51

>> porque só por só porque não me apercebi

16:53

dessa dessa dinâmica.

16:54

>> Dessa dinâmica. Só

16:55

>> quando ela viu já só tinha dois hungar.

16:56

Quando vi dois e pensei ok pronto

16:59

>> porque comprou exatamente dois húngaras,

17:00

um para mim e outro para ti. Portanto,

17:03

>> matemático, a cabeça de físico, não é?

17:05

Mas sim, eu acho que e a parte de

17:07

partilhar refeições mesmo mesmo em

17:08

consulta, eu acho que se nota muito

17:09

isto, que é a alimentação. É, tu não

17:12

consegues, diz muito sobre o teu estilo

17:13

de vida, sobre o o ho, vives, onde

17:18

vives, com quem vives, eh pessoas que

17:20

jantam almoçam sozinhas, eh são

17:22

diferentes pessoas que que partilham

17:24

refeições, eh, a forma como tu comes, o

17:27

valor que tu dás à comida, a parte de

17:29

cozinhar, não é? Eu acho que cozinhar é

17:30

sempre uma coisa que eu estimulo muito

17:32

porque de facto é diferente. E cozinhar,

17:34

tu estás a ver o que é que estás a

17:35

comer, estás a tudo isto, eu acho que

17:36

depois tem impacto na forma como tu te

17:38

alimentas e e portanto essa parte social

17:40

é essencial. Eu acho que nem dá para

17:42

separar bem da da alimentação.

17:44

>> Sim, já vamos falar só sobre isso.

17:46

Richard Grabon diz: "Nós somos macacos

17:47

cozinheiros, tipo, que é o que nos

17:49

diferencia".

17:50

>> Então depois aparece a agricultura

17:53

>> e os primeiros alimentos processados,

17:55

não é? Exatamente. Faz faz aquela

17:57

explicação espetacular de processados

17:59

versus ultim,

18:03

mas foi quando nos assentamos, começamos

18:04

a ficar mais sedentários, começamos a

18:06

ter excedentes agrícolas pela primeira

18:08

vez. Ou seja, já enquanto nós andávamos

18:09

pela natureza e caçávamos e fazíamos

18:11

fogueiras e comíamos, o caçador coletor

18:14

não tinha excedente alimentar. A partir

18:16

do momento em que nós lentamente, também

18:18

não foi uma não houve a revolução

18:19

neolítica, como se costuma dizer, houve

18:20

mais uma transição neolítica para a

18:22

agricultura. Nós começamos até pela

18:24

primeira vez excedentes e, portanto,

18:27

tínhamos de tratar desse excedente e,

18:30

portanto, muito do processamento

18:31

alimentar vem dessa necessidade de facto

18:34

temos lá está, vamos ter de guardar

18:35

comida para o dia seguinte e vamos ter

18:37

comida para guardar para o dia seguinte.

18:38

E, portanto, o processamento e é algo

18:41

que realmente é é complicado hoje em

18:44

dia, porque muitas pessoas acham o

18:45

processamento a algo mau e não é o

18:48

processamento alimentar foi fundamental

18:50

para a nossa evolução enquanto enquanto

18:52

seres humanos, enquanto espécie. E

18:54

quando eu digo fundamental, é

18:55

fundamental mesmo, porque quando nós

18:57

temos o leite puro, dura muito menos do

19:00

que um leite que foi pastorizado. O

19:02

leite em natura dura muito menos do que

19:05

o leite que foi fermentado para ser

19:07

usado como um queijo ou como um iogurte.

19:09

E quando nós não tínhamos, não é,

19:11

métodos de refrigeração, como temos hoje

19:13

em dia, processar alimentos em natura

19:16

para que eles se tornassem queijo

19:18

compotas, eh, em,

19:20

>> presunto-me também, carne era preservada

19:22

assim. Isso fez com que nós tivéssemos

19:25

uma uma maior e diversidade alimentar

19:28

que era que durava muito mais tempo e

19:30

que era mais segura. Portanto, o

19:32

processamento aumentou a durabilidade e

19:34

a segurança alimentar. Portanto, foi

19:36

sempre benéfico e acho que a margaridade

19:37

até pode-me ajudar, mas também

19:39

nutricionalmente falando, em muitos

19:40

casos também é mais benéfico o

19:42

processamento. Por exemplo, um chucrute,

19:44

não é? É muito mais rico do que o

19:46

repolho em si.

19:47

>> A fermentação, o facto de probiótico,

19:49

mesmo com o iogurte, não é? Ou seja, o

19:50

iogurte tem muito mais probióticos. Mas

19:52

sem querer saltar muito para a frente,

19:54

eu já ouvi dizer que imagina comeres uma

19:57

comeres um três peças de fruta ou um

20:00

smoothie com essas três peças de fruta,

20:02

que é é preferível comer as três peças

20:03

de fruta por causa das fibras ou porque

20:05

é que é

20:06

>> mas aí porque no fundo é isso, tu estás

20:07

a roubar um trabalho, é um bocadinho

20:08

aquela lógica que a Franca tinha falado

20:10

aí na h bocado, não é? estás a tirar o

20:11

trabalho todo de metabolizar aquilo e

20:13

digerir aquilo ao teu corpo. Portanto,

20:14

de repente, tu tens o açúcar muito mais

20:16

puro, tens um índice glicémico mais

20:18

alto, porque porque as fibras são

20:19

destruídas nesse processo de de de

20:23

liquidificação, não é? E, portanto, aí é

20:24

completamente diferente. Para além de

20:26

que é sacia mais tu comeres três frutas

20:29

em, ou seja, o o acto de comeres, de

20:31

descascares, estares a comer, é

20:33

completamente diferente. Estares a a

20:34

comer uma banana e uma laranja e depois

20:36

uma maçã ou estes a ver um smoothic em 2

20:37

segundos tu beeste aquilo tudo, não é?

20:39

O corpo metaboliza muito diferente, mas

20:41

a maior parte do processamento não é eh

20:44

até porque liquidificar liquidificar

20:46

alimentos é algo muito recente.

20:47

Precisamos de

20:48

>> Sim. Sim, desculpa, foi só uma parte

20:49

porque sen não íamos esquecer.

20:51

>> Mas é, mas o corpo realmente metaboliza

20:52

de forma muito diferente, não é, Marc?

20:54

Mastigar vai preparando também o o não é

20:56

>> a mastigação é super importante e quando

20:58

falamos sobre ultrapressados vai ser

20:59

ainda mais importante porque é mesmo

21:00

importante mastigarmos mas o que

21:01

aconteceu foi que de facto foi benéfico

21:03

e são práticas milenares. Nós fazemos

21:06

queijo há 8.000 1 anos. Iogurte também

21:09

os as temos algumas provas começou ali

21:11

na Turquia à volta de há 7000 8000 anos.

21:15

O pão, não é? Processarmos a farinha em

21:17

pão. É, é, é um milagre isso. Imaginem

21:20

as comunidades antigas tinham de comer

21:21

aquelas papas secas e de repente alguém

21:24

deixa uma papa a fermentar, a papa

21:26

põe-se aquela papa fermentada ao forno e

21:28

temos o pão. Imaginem a alegria que foi

21:30

para aquelas populações comerem o

21:32

primeiro pão há 6000 anos no antigo

21:34

Egito. Portanto, estamos a falar de

21:36

técnicas que foram benéficas. Então, o

21:38

processamento é muito benéfico.

21:40

>> O problema não é o processamento

21:42

alimentar, o problema é o

21:43

ultraprocessamento que nós temos hoje em

21:44

dia. E eu acho que é aí que entra a

21:46

confusão. Mas o processamento foi sempre

21:48

muito muito bom para a nossa para a

21:50

nossa e ainda é e ainda é e antes nós

21:53

tínhamos que fazer tudo em casa e de

21:55

repente tivemos uma indústria que nos

21:56

ajudou com o processamento, não é? É

21:58

assim, eu não quero voltar ao tempo em

21:59

que tenho de fazer iogurte e pão e e

22:02

tudo sozinho em casa. A a indústria

22:03

ajuda-nos a termos mais tempo para

22:05

fazermos, não é? estarmos aqui a

22:06

gravarmos um podcast e criarmos culturas

22:09

e e fazermos várias coisas.

22:11

>> Sim, mas isso é lá está, esse

22:13

processamento é muito antigo,

22:16

>> muito antigo,

22:16

>> enquanto que o ultraprocessamento tem

22:18

100 anos, não é?

22:19

>> Nem isso. Sim, nem isso.

22:21

>> É possu processamos coisas durante, se

22:24

calhar, 5.000 ou 6.000

22:26

>> até começarmos a ultraprocessar.

22:28

>> Sim. Acredita-se que os primeiros foram

22:30

ali há 8.000 anos, acredita-se que foram

22:32

os laticídios, uns dos um eh dos

22:35

primeiros, não é? e que na verdade foi

22:37

um grande erro. Nós como não tínhamos

22:39

nem potes de vidro nem taparoiras na

22:40

altura,

22:41

>> tínhamos de transportar o leite em

22:44

estômagos de animais e acredita-se que

22:46

como os estómagos tinham enzimas, houve

22:47

ali uma, pronto, uma uma pequena

22:50

fermentação e e essas comunidades

22:52

decidiram experimentar o resultado desta

22:55

>> deixa cá experimentar este leite que

22:56

apodreceu dentro de um órgão de um

22:58

animal.

22:59

>> Exatamente. Imagina.

23:00

>> Mas então há muita coisa que comes com

23:02

fungos e com aqueles queijos azuis e com

23:04

>> Sim, sim, sim. e são deliciosos. E

23:06

depois tivemos o pão há 6000 anos,

23:08

portanto estamos a falar de

23:09

processamentos muito antigos. A carne

23:10

era salgada, não é? Portanto, o o facto

23:13

de salgarmos a carne também eh também

23:15

permitiu aumentar imensa a durabilidade.

23:18

O peixe, que era basicamente a base da

23:20

nossa dieta mediterrânica, quando a o

23:22

consumo de carne era pouquíssimo, nós

23:24

consumíamos cereais, hortícolas,

23:27

leguminosas e peixe que era salgado.

23:30

Portanto, e temos mesmo muitos

23:33

benefícios. Eh, e normalmente o

23:36

processamento torna o alimento também

23:37

mais interessante e até mais palatável,

23:39

o que é bom, não é? Eh, pelo menos

23:40

>> ultraprocessamento também tenta fazer,

23:42

ou seja, na parte da palatibilidade,

23:44

>> aliás, eu acho que no fundo é isto, é,

23:45

nós descobrimos uma coisa que funciona,

23:47

vamos tentar otimizá-la e para lá render

23:49

ao máximo até ela ficar péssima e perder

23:51

todo o benefício.

23:52

>> Lá está, porque ter um bocadinho mais de

23:54

palatabilidade é bom. Quando nós quando

23:56

nós descobrimos a a a grande proeza de

23:59

fazer compotas, aquilo foi delicioso,

24:01

mas o problema é que agora temos uma

24:02

indústria que não não quer fazer isso,

24:04

quer substituir todas as comidas

24:06

tradicionais, mas já lavamos, não é?

24:08

Sim. Sim.

24:09

>> E como é que se quando é que se começa a

24:11

usar esta expressão ultraprocessado?

24:12

Olha, na verdade foi cunhada por um

24:15

grupo de investigadores de São Paulo há

24:16

muito pouco tempo. Estamos a falar aqui

24:18

de anos 2000 e e é é na verdade ainda o

24:22

grupo pioneiro neste estudo. Eh, e é o é

24:25

o quem cunhou foi a equipa do professor

24:28

Carlos Monteiro da Universidade de São

24:30

Paulo da US.

24:31

>> Sim.

24:32

>> Que nasceu por eles descobrirem que as

24:34

pessoas estavam a consumir menos açúcar,

24:36

estavam a ficar mais obesas, mas a a

24:38

consumir menos açúcar e

24:39

>> estavam a comprar menos açúcar no

24:40

supermercado, não é? Sim. Parecia que

24:42

estava mal, mas

24:44

>> sim, é muito interessante essa história.

24:45

Então o professor Carlos Monteiros e a

24:47

equipa dele perceberam que estamos a

24:49

viver um problema dramático no Brasil,

24:50

que é as taxas de obesidade não param de

24:51

aumentar. E, portanto, já que nós temos

24:53

um aumento muito muito expressivo das

24:57

taxas das taxas de obesidade, o problema

24:59

não pode estar nos indivíduos, tem de

25:00

haver um problema ambiental que explique

25:03

isto. Então o que é que eles fizeram

25:04

junto com o IBGE, que é o instituto, o

25:06

Instituto de Estatística Brasileiro,

25:08

eles foram analisar as compras das

25:10

famílias. E quando foram analisar as

25:12

compras das famílias, descobriram que as

25:16

famílias estavam a comprar menos óleo,

25:19

açúcar, farinha, ou seja, alimentos que

25:21

nós associamos ao a à obesidade.

25:24

>> Obesidade.

25:25

>> E aquilo foi absolutamente

25:27

contraditório, foi paradoxal. Eles não

25:29

conseguiam e encontrar uma explicação

25:31

para aquilo, mas perceberam que uma

25:34

grande parte do orçamento familiar

25:35

estava a ser redirecionada para produtos

25:37

empacotados. E na altura nós só tínhamos

25:40

uma divisão de alimentos em três, os

25:42

alimentos minimamente processados, os o

25:44

as os produtos alimentares, os produtos

25:47

culinários, que é o azeite, o sal, o

25:50

óleo e os alimentos processados, que

25:52

eram todos os outros, que eram os tais

25:53

pautados. E foi que eles perceberam, OK,

25:56

acho que nós temos entender melhor quais

25:58

são estes alimentos empacotados que as

26:00

pessoas estão a começar a comprar. E foi

26:02

aí que eles perceberam que havia uma

26:03

grande diferença entre comprarmos um

26:05

iogurte natural ou estarmos a comer

26:09

cereais de pequeno almoço, chipicaus e

26:11

etc, etc, etc. E foi aí que surgiu o

26:13

termo e foi consagrado e a partir daí

26:16

tem sido feita imensa pesquisa, mas

26:18

estamos a falar de algo que surgiu nos

26:19

anos 2000, pelo menos a percepção do

26:21

problema surgiu nessa altura. Há um

26:22

livro ótimo que tu até que eu li para o

26:24

teu clube de leitura que é Pessoas Ultra

26:25

Processadas, que também fala um

26:27

bocadinho de onde é que vem esta

26:27

necessidade do ultraprocessado, não é?

26:29

No fundo, tu cada vez mais crias com

26:31

menos fazer mais e portanto como é que

26:32

eu posso pegar na quantidade mínima de

26:34

ingredientes? Eles até falam muito da

26:36

manteiga, por exemplo, falam de algum de

26:37

alguns eh produtos alimentares em que de

26:40

facto é isto, é eu quero, por exemplo,

26:42

as as margarinas vegetais, como é que se

26:44

como é que se diz?

26:46

Ou seja, basicamente o que eles queriam

26:47

é, eu não quero usar produto produtos

26:48

animais porque é mais caro, ou seja, não

26:49

numa ótica de o que é que é saudável ou

26:51

não, mas é mais caro. Portanto, eu quero

26:52

um equivalente que me dê uma coisa mais

26:54

ou menos com a mesma cremosidade, com a

26:56

mesma consistência, mas que seja muito

26:58

mais barato produzir. E, portanto, há

26:59

uma parte aqui também muito económica e

27:01

muito, não é, muito capitalista dos

27:03

ultraprocessados, que é que é isto, é

27:05

isso de com menos ingredientes,

27:06

conseguir produzir mais e e vender mais

27:08

também.

27:08

>> Sim, sim, sim. E a Margarida, a

27:10

margarina na verdade estava-te a dizer

27:11

que os ultraprocessados tem têm que é 50

27:13

anos, mas quando eu falo de ultra

27:15

ultraprocessados

27:16

a grande maioria deles, mas de facto a

27:18

margarina é ainda anterior, portanto tem

27:20

>> po também vem nessa altura de

27:22

>> E então a diferença entre processados e

27:24

ultrapados tem mais a ver com

27:26

acrescentares mais ingredientes. É isso

27:28

ou não? Não é toda, é mesmo toda. Então

27:30

o que estes investigadores dizem é o

27:31

seguinte: uma então um alimento

27:34

processado é uma um alimento que passou

27:36

por um processamento simples que nós

27:37

podemos fazer em casa ou a indústria

27:39

pode fazer por nós, mas na verdade é

27:41

feita com ingredientes que nós

27:42

encontramos na dispensa. Portanto,

27:44

qualquer pessoa pode decidir fazer em

27:45

casa. Nós vimos na pandemia, toda a

27:47

gente fez pão. Portanto,

27:48

>> massa, consegues fazer em casa,

27:49

>> consegues fazer. Exatamente. São coisas,

27:51

o processamento é, consegues fazer em

27:52

casa com ingredientes que conheces e que

27:54

reconheces, mas pronto, tens uma

27:56

indústria que faz por ti, que salva

27:58

tempo. Ótimo. O processamento é algo

28:00

completamente diferente. O

28:01

ultraprocessamento é uma formulação

28:03

industrial em que são usados produtos de

28:05

base eh baratos. Esses produtos são

28:09

decompostos em partes primárias, depois

28:13

são usados aditivos para dar cor, para

28:17

dar sabor, para dar estrutura, para dar

28:19

validade. E o que estes investigadores

28:22

trazem, que é muito novo, é que há um

28:26

propósito para fazer estes produtos,

28:27

como a Margarida tá a dizer, e o

28:28

propósito é substituir completamente

28:32

todos os ingredientes dos outros três

28:33

grupos que eu estava aqui a dizer antes,

28:35

não é? Os ingredientes minimamente

28:36

processados. Nós estamos habituados e

28:38

maximizar os lucros. E, portanto, é é

28:41

engraçado que a própria definição de

28:43

ultrapado usada por investigadores tem

28:46

incluída na definição o propósito.

28:48

>> Claro.

28:49

>> E este propósito muda tudo porque se até

28:52

se até então o propósito industrial, o

28:55

propósito, não é, da do do processamento

28:57

industrial era facilitar-nos a vida.

28:58

Exatamente. Ou seja, era aumentar a

29:00

durabilidade, aumentar a segurança

29:01

alimentar, eh aumentar até a aibilidade.

29:05

>> Agora eu acho que era lucro na mesma,

29:07

mas não havia tecnologia para serem

29:09

piores pessoas. Ou seja, não eram

29:11

moralmente Sim, foi tecnologia,

29:13

>> mas o propósito é uma maximização

29:15

extrema em detrimento de tudo o resto,

29:18

não é?

29:19

>> Ou seja, acho que o problema é, OK,

29:20

conseguimos uma forma de produzir

29:21

alimentos que são

29:23

>> precisam de ingredientes muito mais

29:24

baratos porque são usadas muitas

29:25

commodities. Eh, são ingredientes que

29:28

são duram muito mais tempo. Portanto, é

29:31

claro que o objetivo sempre foi aumentar

29:32

a durabilidade, mas nós aqui não estamos

29:33

a falar de aumentar, estamos a falar de

29:35

durabilidades longuíssimas e aumentar a

29:38

hiper e aumentar muito até 2028, não é?

29:41

>> Sim. E aumentar muito a

29:42

hiperpelatividade. Nós até podíamos

29:44

pensar: "Uau, espetáculo, que maravilha,

29:46

conseguimos resolver três problemas de

29:47

uma vez só". Mas o problema é que há um

29:51

problema muito grave para nos

29:53

>> Sim, porque assim, na teoria até seria

29:54

uma coisa boa. De repente temos

29:55

alimentos que nos fornecem uma boa

29:57

quantidade de calorias e que são e ou

29:59

seja torna tudo muito mais sustentável e

30:01

rentável, não é? Só é que não é assim.

30:02

>> E para as guerras foi importante, não é?

30:05

Tipo, vamos arranjar maneira de dar. Eu

30:06

acho que tem um lugar na sociedade e tem

30:08

alguma utilidade, não na forma como os

30:10

consumimos hoje em dia, né?

30:11

>> Exatamente. Sim. O problema não são o é

30:13

o o o problema é termos um padrão

30:15

alimentar abundante nestes produtos. por

30:18

exemplo, as fórmulas infantises, mas

30:19

isso está muito bem documentado. É

30:21

engraçado que quando eu ouço críticas

30:23

sobre produtos ultraprocessados, eu

30:25

digo: "Hum, não leste os artigos?" Pois

30:26

não, porque eles explicam isso lá,

30:28

sabes, está tão bem dito. Eles dizem: "É

30:30

claro que uma fórmula infantil é

30:31

absolutamente fundamental e claro que é

30:32

que é algo ultraprocessado, não

30:34

consegues fazer isso em casa. E é

30:35

fundamental alguns produtos também eh

30:38

para substituir a carne também podem ser

30:40

super importantes nessa transição que

30:41

nós temos de fazer. Mas o que o que se o

30:44

que o que se tem visto e agora não há

30:47

margem para dúvidas, é que uma

30:49

alimentação em que estes alimentos sejam

30:51

a base da alimentação, eh, traz muitos

30:54

problemas para a nossa saúde e não só

30:55

para a nossa saúde, também traz muitos

30:56

problemas para o nosso ambiente, para a

30:58

nossa sociedade, porque eu estava a

30:59

explicar há pouco, isto pode ficar

31:00

confuso, quando eu estava a dizer que

31:02

estes eh os ultrapessados são formações

31:04

industriais usar em que se usam

31:06

ingredientes baratos que foram

31:07

decompostos em partes primárias.

31:09

É mesmo isto que acontece. Ou seja, nós

31:11

quando fazemos um alimento processado,

31:13

nós não destruímos nada. Nós juntamos as

31:15

partes e o resultado é quase como algo

31:18

maior do que as suas partes, não é? Tipo

31:19

é o pão, juntas farinha, água, sal e de

31:21

repente tens tipo um pão, que é a coisa

31:23

melhor que existe. Quando tu tens e o no

31:26

ultraprocessamento,

31:28

tu só consegues fazer isto a nível

31:29

industrial porque não conseguimos te

31:31

compor alimentos em partes primárias em

31:32

casa. Ou seja, tu não tens trigo

31:34

necessariamente, tu não tens soja

31:36

necessariamente, tens partes do trigo,

31:37

tens partes da soja. Então é comum nos

31:39

rótulos tu leres amido, glicose,

31:42

frutose, proteínas,

31:45

açúcares invertidos, porque são essas

31:46

decomposições primárias. E tens uma

31:48

lista muito grande de aditivos químicos,

31:50

aditivos, não é?

31:51

>> Químicos ou não, não é? Tudo é químico,

31:53

mas tens aditivos que também se têm

31:54

vindo a provar que não são o pronto, o

31:57

ideal para

31:58

>> E acima de tudo é isso, voltando àquela

31:59

parte de socializar, tens pensar que

32:01

quando de repente há uma refeição que tá

32:02

pré-feita, tu perdeste todo o momento. E

32:04

e eu como faço isso muito com o meu

32:06

filho, ou seja, há um momento muito

32:07

importante da refeição e de fazer com

32:08

que ele goste daquilo que está a comer,

32:09

que é ele vir comigo ao supermercado,

32:12

ele escolher o alimento, ele estar a

32:13

descascálo. É completamente diferente do

32:14

que ele de repente vê uma coisa, um

32:16

retângulo de uma coisa que ele não faz

32:18

ideia o que que é aquilo. Ou seja, na

32:19

própria evolução para uma criança é

32:20

diferente, não é? Então, mas o que é que

32:21

tá aqui? Ou uma sopa. Aparece uma sopa a

32:23

cor de laranja. E ele ele pensa que isto

32:25

é um líquido laranja. Eu faço não faço

32:27

ideia do que é que tá aqui. Hum. E e é

32:29

completamente diferente de ah, eu cortei

32:31

a cenoura para pôr aqui. Eu vi a minha

32:32

mãe a pôr a cenoura, eu vi a minha mãe a

32:33

pôr a água, eu vi a minha mãe. E,

32:35

portanto, também há esta parte social

32:36

que eu acho que se perde um bocadinho

32:38

com ultraprocessado, que é de repente

32:40

>> tu não sabes o que estás a cozinhar,

32:42

porque até podia, imagina que não é que

32:44

até a parte dos aromas e dos adosantes

32:46

até se descobria que, olha, afinal isso

32:47

não faz assim tanto mal. OK, mas há aqui

32:49

uma parte de pressa e de corta de de

32:52

cortar tempo que eu acho que nos faz mal

32:54

como sociedade. E por isso é que eu

32:55

gostei desse livro, porque é um

32:56

bocadinho isto de sermos pessoas

32:57

ultraprocessadas. Ou seja, nós

32:58

precisamos tudo aqui e agora e na

33:00

maioria das vezes é para ter tempo para

33:03

trabalhar, para fazer coisas que não nos

33:05

dão verdadeiramente qualidade de vida.

33:06

Porque se tu me disseres assim, eu estou

33:07

a comer esta barrita para poder ir

33:09

brincar, ir ao museu, mas não, eu estou

33:10

a comer esta barrita porque eu tenho 5

33:11

minutos porque tenho de acabar este

33:12

relatório e para ganhar mais ou para

33:14

fazer. Portanto, eu acho que também há

33:16

esta vertente ultra processada, não é,

33:18

que acaba por ser nociva para nós,

33:20

porque é isso, a certa altura não sabes

33:21

o que é que estás a comer e, portanto,

33:22

também não sabes, lá está, perdes aqui

33:24

um bocadinho o fio à meada de quanto

33:25

açúcar é que isto tem, quanto sal é que

33:26

isto tem. Hum.

33:27

>> E eu acho que isso também fez com que se

33:28

vilasse os mecanismos, não é, de

33:30

saciedade do corpo, porque eles são

33:31

alimentos feitos para isso. Por isso é

33:33

que eu acho interessante que eles tragam

33:35

a questão do propósito. Porque é que

33:36

estes alimentos estão a ser feitos para

33:38

substituir as dietas tradicionais

33:40

>> e para maximizar e lucros no fundo?

33:42

Porque a verdade é que além de dos

33:45

nutrientes, pronto, que não são tão tão

33:47

saudáveis que nós estamos a ingerir, o

33:50

próprio processamento faz com que estes

33:51

alimentos sejam digeridos de forma

33:53

diferente pelo nosso corpo. As texturas

33:54

são muito macias, a matriz alimentar é

33:56

destruída, eh,

33:57

>> pensar que já passou por uma fábrica

33:59

inteira e, portanto, esta é só mais uma

34:00

fábrica, não é? É diferente, um alimento

34:02

que já foi processado por uma fábrica do

34:04

que uma é isso, uma maçã que tu estás a

34:06

comer pela primeira vez e que o teu

34:07

corpo vai lá, vai fazer o trabalho dela,

34:08

não é? Acaba com não há face de f duro.

34:12

>> Não, não

34:13

>> é sempre muito mole e muito fácil.

34:15

>> Batatas fritas,

34:16

>> não é? Se forem boas, são são calcantes

34:19

por fora e moles por dentro.

34:20

>> Lemb, lembras-te aquele exemplo da

34:21

Pringles? Aquilo marcou-me para a vida?

34:23

É, nós lemos o mesmo livro por causa do

34:24

clube de leitura que é o Sim. Liv e dás

34:26

o tempo ah

34:27

>> eu ia falar de Pringles também, mas não

34:29

sei. Não deve ser mesma coisa. É, é, é

34:30

tão engraçado porque é tu vês mesmo como

34:33

é que h bem as as próas indústrias se

34:37

enterram elas próprias, porque aconteceu

34:39

o seguinte, há há toda uma eu falar de

34:42

impostos no UK que é toda é muito

34:43

complexo, mas eles têm um regime de IVA

34:45

diferente do nosso. Então, alguns

34:47

produtos têm IVA, outros não têm IVA e

34:49

então eh no mundo do dos

34:51

ultraprocessados, aquilo é muito

34:52

complexo. E o que o autor no escreveu e

34:55

investigou no livro é que por alguma

34:58

razão os bolos não pagam tanto imposto

35:00

como batatas fritas. Então o que é que

35:03

as springles conseguiram tentaram provar

35:05

que na verdade as springles não são, a

35:08

base não é batata.

35:09

>> Pois não.

35:09

>> Há tantos ingredientes ali envolvidos

35:11

que

35:11

>> é mais bolo do que batata.

35:12

>> É mais bolo do que batata.

35:13

>> Tem tanta farinha e tantos tipos de

35:15

farinha. empresa, a própria empresa e e

35:19

alegou que na verdade tinham de pagar

35:21

menos impostos porque eles não eram uma

35:23

batata frita, mas eram um bolo frito de

35:25

batata.

35:26

>> Quer dizer, percebes? Este é o ponto,

35:28

não é uma batata frita, aquilo é uma

35:30

massa. E e por isso é que mesmo os que

35:32

nos parecem duros, na verdade, são

35:34

moles, porque eles foram pré-digeridos.

35:37

>> Sim. E o que eu ia dizer, por acaso era

35:38

h tem a ver com a Guerra Fria. Um há um

35:41

episódio do Free Economics Radio, que é

35:44

o podcast Free Economic, que é sobre

35:47

acho que se chama How the Supermarket W

35:48

the Cold War, como é que o supermercado

35:50

ganhou a Guerra Fria. E e já vais

35:53

perceber o que é que tem a ver com isso,

35:55

mas o no fundo a Guerra Fria, nós

35:59

normalmente não falamos da Guerra Fria

36:00

assim, mas em grande parte eram dois

36:03

países, não é? Estados Unidos e a e a

36:05

União Soviética. a tentar convencer

36:08

muitos pequenos países pelo mundo que ou

36:10

estavam a ganhar independência ou geram

36:12

independentes, a seguirem o seu sistema,

36:14

a unirem-se a um ao outro. Então, como

36:17

ainda é hoje, mas hoje ainda mais, era

36:19

uma guerra de propaganda. Eles queriam

36:20

fazer chegar imagens e conceitos estes

36:22

sítios para eles pensarem: "Ah, não,

36:24

aqueles é que tão é que estão bem". E

36:26

como a comida, lá está, a comida tá em

36:28

tudo. É incrível. Uhum.

36:29

>> Como a comida é uma coisa que toda a

36:30

gente entende em todos os países do

36:32

mundo e é uma coisa tão forte e tão

36:34

importante, a imagem do supermercado,

36:36

que é um lugar com imensa comida de todo

36:39

tipo em prateleiras altas, era uma

36:43

maneira de ganhar Guerra Fria.

36:44

>> OK?

36:45

>> Porque fog, quando as pessoas quando

36:47

essas pessoas que nenhuma, quase

36:48

nenhuma, se calhar foi para a escola,

36:50

uma grande parte não foi, só for, não é,

36:52

só tiver imagens e vir esta imagem, vai

36:54

pensar: "Ah, não, eu quero ir no caminho

36:56

deste, quero no caminho". e a comida e

36:59

tudo aquilo.

36:59

>> Pronto. Então, parte desse jogo foi eles

37:02

começarem a o o governo americano

37:04

começar a subsidiar imenso e vários

37:06

cereais, nomeadamente o milho. Então, o

37:09

milho era tão subsidiado que todas estas

37:11

pessoas a fazer comida prçada e ultra

37:13

ultrapçada para maximizar lucro,

37:15

começaram a pôr milho em tudo o que

37:17

fazem. E então há ali uma explosão nessa

37:21

altura de toda a gente começar a pôr

37:23

milho em tudo. Era muito barato.

37:25

>> Sim. E muitas vezes a substituir coisas

37:27

que se calhar faziam mais sentido. Tipo

37:29

com a batata frita, pá, acho que faz

37:30

sentido ser batata, estás a ver?

37:32

>> Eing açúcar hoje em dia. E nos Estados

37:34

Unidos, olha que isso faz mesmo sentido

37:35

porque nos Estados Unidos eles usam

37:37

xaropes de milho comparado sar, não é? É

37:39

o mais interessante faz todo sentido.

37:42

>> Exatamente.

37:42

>> E sabes o que é engraçado? Estava,

37:44

enfim, nós eu eu põim à Margarida aqui,

37:46

vamos falar até amanhã e temos sempre

37:48

muita coisa para para completar, mas

37:50

acho que eu estava eu estava a tentar

37:51

dizer e que é um imposados têm um

37:54

impacto para a nossa saúde e acho que já

37:55

podemos ir aí porque já temos muita

37:56

evidência para falar sobre isso. São um

37:58

impacto muito grande para a sociedade,

38:00

como a Margarida estava a dizer, e

38:01

também são um impacto para o ambiente. E

38:03

e muito rapidamente o que estavas a

38:04

dizer faz mesmo todo sentido com com o

38:06

que estamos a discutir aqui, porque na

38:07

verdade cinco alimentos ou cinco

38:10

commodities representam 80% dos

38:12

ingredientes que são usados em alimentos

38:14

ultraprocessados e são é o milho, é

38:16

soja, é o trigo, a cana do açúcar e a o

38:18

óleo de palma. Então nós vamos ao

38:20

supermercado e vemos aquela abundância

38:22

toda, mas se formos ver os rótulos dos

38:24

alimentos ultraprocessados, não estou a

38:25

falar dos frescos, tem vão seridos, vai

38:28

tudo dar ao mesmo. Se não é, se não é

38:30

óleo de soja, vai ser um um óleo de vai

38:33

ser óleo de milho. Se for ou é uma

38:35

glicose que vem do milho ou é ou ou vem

38:37

do açúcar, mas quer dizer, é tudo a

38:39

mesma coisa. E qual é o problema disto?

38:41

É que para nós produzirmos comodis

38:43

estamos a criar danos ambientais

38:45

severos, não é? Porque são estamos nós

38:47

só produzimos comodzinho monocultura,

38:49

senão não faria sentido. E as

38:50

monoculturas já sabemos, temos de pôr a

38:52

floresta abaixo para produzir a

38:54

monocultura. Depois, eh, ou seja, além

38:56

de termos a desfração, também perdemos a

38:57

biodiversidade, perdemos os habituras

39:00

só funcionam à base de fertilizantes e

39:02

pesticidas químicos e, portanto, temos

39:05

uma temos a poluição dos solos, temos a

39:07

perda de muitos polinizadores, como as

39:09

abelhas,

39:10

>> impermeiaabilização de solos também que

39:12

alterada.

39:12

>> Exatamente. E poluição. Portanto, eh,

39:14

nós estamos a falar também,

39:15

>> dos maiores fatores de risco para

39:16

cancro. Eu acho que as pessoas não têm

39:17

mais noção que a poluição atmosférica em

39:19

si é um grande fator de risco. E lá

39:21

está, uma coisa que tu não consegues

39:22

evitar, não é? Ou seja, não não

39:23

consegues propriamente dizer hoje não

39:24

vou respirar o ar na rua, não é?

39:26

>> É fugir da cidade para quem tem esse

39:28

privilégio, né? Poder, mas que é de

39:30

facto um privilégio. Sim. Sim.

39:31

>> E sabes que e eu eu morei muito tempo no

39:33

Brasil e eu eu estudei essa parte no

39:36

bocadinho disso, dessa questão no

39:37

Brasil. Fala-se muito pouco de da

39:40

incidência de cancro em agricultores no

39:42

Brasil, em que se usa o Brasil é o peixe

39:44

que usa mais eh pesticidas e

39:45

fertilizantes do mundo

39:47

>> e e é muito muito preocupante e portanto

39:49

é uma coisa que não se fala muito, mas a

39:51

incidência de cancro em pessoas que

39:53

trabalham na agricultura com esses e não

39:55

é com esses compostos é mesmo um

39:58

problema muito sério. E no Brasil era

39:59

mesmo um problema que já estava a ser

40:01

muito estudado. Eu não sei se aqui

40:02

estuda muito isso. Eu estudei muito isso

40:04

no Brasil. também lá está, porque nós

40:06

vivemos agora em meios muito mais

40:07

citadinos e, portanto, a típica pessoa

40:09

que eu vejo em consulta não é o

40:10

agricultor que trabalha com os

40:11

pesticidas, não é? Isso já é uma

40:12

raridade. E, portanto, hoje em dia falas

40:13

muito mais dos outros, lá está, da

40:15

poluição atmosférica, dos outros

40:16

poluentes ou dos desreguladores

40:18

endócrinos, que também são um tema agora

40:20

que que é isso porque que percebemos que

40:22

e aliás isso até é uma coisa importante

40:23

porque às vezes nós temos esta

40:24

tendência, não é, e sabemos que 1/3 dos

40:26

cancros é eh podia ser prevenido. E às

40:29

vezes eu às vezes eu tinha um bocadinho

40:30

medo desta conversa porque a última

40:31

coisa que eu quero é culpabilizar

40:32

alguém. Ou seja, de repente tens um

40:34

cancro e pensas: "Ah, podia ter

40:35

prevenido". E não é isso quando se diz

40:36

que podia ser prevenido, não é tanto de

40:38

a pessoa podia, ah, se tivesses forçado,

40:40

não tinhas tido cancro, não é nada

40:41

disso. É

40:42

>> os governos, não é?

40:43

>> É sim, é muito mais uma questão de

40:44

ambiente e política, porque lá está,

40:46

porque temos a poluição e porque também

40:47

temos um um ambiente que que promove

40:49

muito à doença, ou seja, promove muito

40:51

aos comportamentos nocivos e que de

40:52

repente se tu nasceste e cresceste

40:54

assim, não é? se tu se tu vais para uma

40:55

creche e a tua eh o lanche que te dão é

40:57

aquele ou se de repente tens um governo

40:59

que não dá tempo aos teus pais para

41:00

cozinhar e para decidir qual vai ser o

41:01

teu almoço, então de certa forma não é

41:03

bem uma escolha, não é? Não é bem uma

41:05

coisa que tu podias ter de facto tido

41:07

uma uma vida diferente.

41:08

>> E a poluição do ar também não. A

41:10

poluição do quer dizer, se tens que

41:11

trabalhar na agricultura e precisas de

41:12

usar aqueles produtos, vais ter de usar.

41:15

É por isso está tudo tão ali

41:16

relacionado. É por isso que acho que nós

41:17

conseguimos confortar tantas coisas

41:18

porque na verdade eh é um sistema e para

41:21

mudar uma parte temos de mudar quase

41:23

todas. Eu vejo isso muito como, ou seja,

41:25

eu acho que isso é uma coisa tão boa,

41:26

porque às vezes as pessoas estão à

41:27

procura de soluções em em todo lado,

41:29

sabes? E querem ouvir eh eh é isso, o

41:31

que é que o que é que diz a a a prita da

41:33

sustentabilidade, o que é que diz a

41:34

prita da saúde, mas na verdade, na

41:36

maioria das vezes, a solução é mais ou

41:38

menos a mesma. É tipo, é aqueles, eu

41:39

digo sempre, é os champudem um, não é?

41:41

Que é quando tu estás a escolher ser

41:43

saudável, na maioria das vezes estás a

41:45

ser isto quando é saudável a sério, não

41:46

é? é o saudável do suplemento e da

41:48

medicina antiaging. É o saudável puro, o

41:50

saudável a sério, sem banha da cobra,

41:52

sem marketing e sem nada. Tu, na maioria

41:54

das vezes estás a ser mais sustentável,

41:56

estás a trabalhar em comunidade, ou

41:58

seja, estás a ajudar o ambiente. Eh, é

42:00

aquele conceito de onh, não é? Portanto,

42:02

a maioria das vezes é uma coisa boa para

42:04

tudo e para todos. E eu acho que isto é

42:05

uma maravilha que é então de repente eu

42:07

estar aí de bicicleta, estou a fazer

42:08

exercício, estou a eh a ajudar o

42:10

ambiente, eh estou a ver a natureza e

42:13

portanto a minha saúde mental tá a ficar

42:14

melhor. Quer dizer, eu acho que isto é

42:15

fascinante, que é tipo,

42:16

>> Sim, é raro, é raro uma coisa que é que

42:18

é boa para ti não ser também boa para o

42:20

ambiente ou quando é boa para ambiente

42:21

também, não é nada raro, na verdade, a

42:24

maioria das recomendações que eu faço em

42:26

consulta são boas para tudo. Ou seja, eh

42:28

isto isto é um bocadinho é isso eh

42:31

cozinhares é bom para ti, para os teus

42:33

filhos, os teus filhos vão gostar. É

42:34

meia hora que tu estás ali e que tu não

42:35

tens que estar a pensar no brinquedo que

42:36

tu tens de comprar e, portanto, nem

42:38

compras o brinquedo. Eu eu eu tenho

42:40

pouquíssimos brinquedos para os meus

42:41

filhos porque o que eles gostam é

42:42

panelas col de pau, ou seja, são as

42:44

coisas que eu uso. E, portanto, estou a

42:45

poupar tempo, estou a poupar dinheiro,

42:47

estou a poupar aquela dor de cabeça de

42:48

ai agora que brincadeira que eu vou

42:50

inventar, tipo, eu tenho que cozinhar,

42:51

eu preciso ir ao supermercado, ele vem

42:52

comigo, ele adora sendo-se crescido,

42:54

claro que demora um bocadinho mais

42:55

tempo, claro que, mas eu acho que há

42:56

esta beleza que é na maioria das vezes

42:58

tu estás a fazer aquilo que é melhor

43:00

para ti, que é melhor para os teus

43:01

filhos e que é melhor para tudo, não é?

43:03

Portanto, eu acho que isso é uma coisa

43:04

que até é mais tipo, ok, não é assim tão

43:06

difícil.

43:06

>> Sim, eu adoro usar, desculpa, não sei se

43:08

alguma coisa, mas eu adoro usar o

43:09

exemplo que também dei até no teu

43:11

podcast, que é, por exemplo, quando

43:12

decides eh comprar, fazer compras

43:15

diretamente aos produtores ou decides

43:16

assinar um cabajo de de frutas e

43:18

legumes. É o que a Margarida estava a

43:20

dizer. Tu compras o cabash e

43:22

inicialmente parece que o benefício é só

43:23

para ti, porque tu chega-te a casa, um

43:25

cabash eh feito, pronto, e cheio de

43:28

legumes, cheio de frutas e obriga-te a

43:30

três coisas, a cozinhar muito mais,

43:32

porque tens de usar aqueles a usar o

43:34

cabajo, a diversificar a alimentação,

43:36

porque tu não sabes o que vem no cabajo,

43:37

vem de acordo com as estações e a usar

43:39

muito mais a criatividade, usar as mãos

43:41

e portanto há uma série de benefícios e

43:43

isto tudo é ótimo para a saúde, não é?

43:45

Tudo isto faz bem,

43:46

>> mas cará também é um privilégio, se

43:47

calhar é mais caro,

43:48

>> 100%. Eu acho que isso é uma,

43:50

>> sim, mas mas espera aí, mas calma. Sim,

43:52

eu sei, mas mas espera, mas ao mesmo

43:54

tempo tás a fazer um uma algo super além

43:56

de ser muito bom para ti, para a saúde e

43:57

para os teus filhos e para brincares com

43:59

eles e e para cozinhares, também ao

44:01

mesmo tempo tás a a a permitir que um

44:03

agricultor continue a fazer o seu

44:05

trabalho. Isso hoje em dia, é mesmo

44:07

preciso dizer, estamos a ter um declínio

44:09

de agricultores na na

44:10

>> Mas é um mas é um privilégio. Acho que

44:12

aí é que a política, a política e os

44:14

governos têm entrado, porque atualmente

44:15

tu conseguires assinar um cabaz ou mesmo

44:17

tu conseguires mesmo isto que eu digo, e

44:18

por isso é que às vezes é preciso ter

44:19

algum cuidado e e tenho que ter algum

44:22

cuidado na forma como digo, porque mesmo

44:23

isto deu-me poder ir ao supermercado com

44:24

o meu filho, ir cozinhar, isto é, isto

44:25

vem de um lugar de privilégio gigante,

44:27

não é? Porque se eu tiver de ter dois

44:28

trabalhos, se eu estiver a minha vida

44:30

toda em transportes, quer dizer, eu vou

44:31

ver o meu filho duas horas por dia, ele

44:33

vai estar numa creche onde eu tenho zero

44:34

controle, eu nem sabem o que é que

44:35

lanche. Portanto, isto é altamente

44:37

privilegiado. E eu acho que é aí que, e

44:39

é precisamente quem tem este privilégio

44:40

que tem de ser vocal por quem não o tem,

44:42

não é? Porque quem não o tem não tem

44:43

tempo para ser vocal, não tem tempo para

44:45

estar a reivindicar os seus direitos. E,

44:47

portanto, eu acho que isso é o grande

44:48

desafio, que é tu seres, tu teres esse

44:50

privilégio e pensares, mas calma, eu

44:52

tenho de perceber e tenho que ter

44:53

consciência deste meu privilégio e

44:55

garantir, até porque as desigualdades

44:57

sociais são mais para todos, portanto,

44:59

são mais para os privilegiados e para

45:00

quem não e para para quem não é

45:01

privilegiado. Portanto, nós lutarmos por

45:03

estas camadas da população mais

45:05

vulneráveis e que se calhar não têm esse

45:06

tempo para estar a cozinhar e para estar

45:08

pensarmos eh nas escolas, na na nas

45:11

cantinas das escolas, lutarmos por isto

45:13

tudo é importante para todos. E eu acho

45:14

que há muita diferença, porque de facto

45:16

é é 100% isso. Às vezes eu eu sinto que

45:18

houve uma parte toda da minha carreira

45:19

que eu estava super focada em estilos de

45:21

vida e temos de fazer exercício e de

45:23

repente estou com pessoas à frente. Eu

45:24

penso: "É, é uma falta de respeito eu

45:26

estar a dizer a esta pessoa: "Ah, vocês

45:27

têm de ir, têm de experimentar uma aula

45:28

de cycle". Quer dizer, é gozar, é

45:30

literalmente gozar com quem trabalha,

45:31

não é? E de facto,

45:32

>> mas espera aí, desculpa lá, eh, eu é é é

45:36

podes dizer que é um privilégio, mas não

45:38

há assim tantas pessoas em Portugal que

45:40

não têm meia hora para cozinhar com os

45:42

filhos.

45:43

Hum, a maioria das pessoas mais do

45:46

>> até porque as pessoas até porque as

45:47

pessoas com menos dinheiro costumam

45:48

cozinhar precisamente não mandam vir

45:50

comida de fora porque é enganado.

45:52

>> Não, eu olho

45:52

>> ou comem fast food.

45:53

>> Não, comem. Sim, comem coisas. Comem o

45:55

quê? Batatas fritas que são mais baratas

45:57

e que estão mais caloristas. Isso não é

45:58

verdade. Ou seja, quem por caso, se

45:59

calhar temos de pesquisar, mas eu acho

46:01

que a maioria das pessoas, ou seja, é e

46:03

eh

46:03

>> não tem, não vai cozinhar, vai ou vai

46:06

cozinhar coisas fáceis e rápidas e

46:07

calóricas. Vai fazer o a massa com

46:09

salsicha e com natas e não vai e não vai

46:11

fazer uma uma sopa. vai descascar de

46:13

legumes, não vai descascar coisas, vai

46:15

comprar uma sopa pré-feita, vai. E,

46:17

portanto, eu não acho que é isso. Para

46:18

além de que há uma realidade que nós

46:20

vemos muito em medicina gerada familiar,

46:22

que a maioria dos altos de quem

46:24

frequenta muita consulta, lá está, são

46:26

não são pessoas são pessoas com

46:28

problemas sociais, são pessoas com eh eh

46:31

que não sabem eh como é que vão pagar a

46:32

renda no próximo mês, que vivem em

46:35

contextos de ou violência doméstica ou

46:37

de álcool ou de eh muitos consumos e de

46:40

muita toxicidade e que não conseguem

46:42

sair desses meios. são pessoas com

46:43

contratos precários, são pessoas que

46:45

recebem eh 700, 800 € por mês ou que nem

46:48

têm contrato, eh que depois também não

46:50

conseguem sair um bocadinho daí. E,

46:51

portanto, nós falamos muito, lá está,

46:53

sobre a importância de nutricionistas e

46:55

isso é de facto essencial, mas o o que

46:58

que realmente anda a consumir muitos

46:59

recursos são estas estas doenças que são

47:01

muito determinadas pelo

47:04

ambiente, não é? uma pessoa não ter é

47:06

isso. Tu não podes pedir a alguém que

47:08

tente ser saudável se ela nem consegue

47:10

assegurar que vai dormir numa casa que

47:12

não tem humidade e que não tem que o

47:14

teto não tá a cair. E, portanto, há uma

47:16

base que tem de ser muito trabalhada e

47:17

que aí não depende propriamente da

47:19

vontade da pessoa, não é? Depende muito

47:20

mais do ambiente de das políticas que

47:22

que as protegem. E por isso é que às

47:24

vezes é um debate, lá está, de

47:25

privilegiados nós estarmos aqui a falar

47:26

de eh de desta destas coisas que é

47:30

importante e claro que, ou seja, não é

47:31

para desvalorizar, eu acho que às vezes

47:32

também cai um bocadinho no outro lado,

47:33

já nada interessa, nós temos de combater

47:35

as desigualdades,

47:35

>> não interessa porque podem-se criar

47:37

políticas públicas para combater isso.

47:38

>> Exatamente. E eu acho que é mesmo, eu

47:39

acho que é mesmo isso. E por isso que

47:40

acho que importa, importa falar, porque

47:43

o caminho que nós estamos a levar não

47:44

está não tá não está e não nos está a

47:47

levar ao bom porto, porque nós sabemos

47:48

que atualmente nos países e com

47:50

rendimentos mais altos, quem consome

47:52

ultraproçados são as camadas mais baixas

47:54

da população. E é muito engraçado que os

47:55

países onde se consome mais

47:56

ultraproçados é Estados Unidos, Canadá,

47:59

Austrália e UK. Isso. E quer dizer,

48:01

estamos a falar de consumos que chegam a

48:02

60% e da dieta da pessoa e e nesses e em

48:08

países de rendimento alto, queem

48:09

Portugal também se inclui, né, para não

48:11

é high income country, e quem consome

48:14

mais ultrapostados são as camadas mais

48:16

baixas. Então é mesmo verdade. Eu acho

48:17

que por muito que até possamos ter tempo

48:18

para cozinhar, é o que a Margarida

48:20

estava a dizer,

48:21

>> vamos cozinhar conhecimento,

48:22

>> o que é for que seja mais calórico e o o

48:25

mais rápido porque falta tempo.

48:26

>> E é mais barato, é mais barato comprares

48:28

um pacote de batatas fritas e umas umas

48:29

salsichas do que um cabo e da quinta do

48:32

ou seja, infelizmente é mais barato e e

48:34

é isso que é isso que dificulta e por

48:36

isso é que eu digo que é um ambiente

48:37

muito mais virado para a doença do que

48:39

para a saúde.

48:40

>> Exatamente. E o ambiente o fala-se muito

48:42

e a Margarida fala e também falo muito

48:44

dessa questão do ambiente. Eu falo mais

48:46

em ambiente alimentar, tu falas mais em

48:47

ambiente, não sei como é que se chama na

48:48

saúde, mas é ambiente, um ambiente

48:50

saudável em geral,

48:51

>> porque existe um ambiente e enfim,

48:54

existe a crença que nós escolhemos

48:55

aquilo que vamos comer, mas a verdade é

48:57

que a pesquisa mostra-nos que nós não

48:59

escolhemos aquilo que vamos comer no

49:00

vácuo. Nós escolhemos aquilo que vamos

49:01

comer de acordo com o ambiente onde

49:03

estamos. E então surgiu este conceito de

49:05

ambiente alimentar ou food environment,

49:07

que é basicamente o contexto no qual nós

49:09

tomamos decisões sobre aquilo que sobre

49:11

a nossa alimentação, ou seja, o que é

49:13

que vamos comer, como vamos comer, com

49:14

quem vamos comer. E isso tá é amplamente

49:17

afetado por absolutamente tudo. Desde

49:20

tenho supermercados perto de mim, os

49:21

supermercados onde eu vou oferecem eh

49:23

opções frescas.

49:25

>> Tem de ler um livro que se chama Nudge,

49:26

que é precisamente sobre isto. É um

49:28

bocadinho a arquitetura das escolhas e a

49:30

forma como nós de facto somos

49:30

influenciados. Por isso é que às vezes

49:32

quando vem esta, eu acho que um grande

49:33

argumento quando se quando se diz, por

49:35

exemplo, não vamos ter hh às vezes houve

49:37

aquele debate nas cafetarias, não ter

49:39

corações nas cafetarias e ter só comida

49:40

saudável, etc. E toda a gente, o

49:41

argumento é sempre ah, mas não nos tirem

49:42

liberdade, deixem-nos comer o que nós o

49:44

que nós queremos. Mas até que ponto é

49:46

que também há essa liberdade quando é

49:47

isto, todo o sítio para onde tu olhas é

49:48

a publicidade, a fast food, a álcool, h,

49:51

tu abres as redes sociais e é sempre

49:53

estão sempre a tentar vender alguma

49:54

coisa ultraprocessada, tu não vês, ou

49:56

seja, tu não estás no teu dia- a dia e

49:57

tens estímulos para comer fruta. Não,

49:59

isso não acontece. bebe bebe água da

50:00

torneira, isso não acontece. Mas tu

50:02

todos os dias tu pensares desde que

50:03

acordas até que adormeces, a quantidade

50:05

de estímulos para tu consumires coisas,

50:07

consumires aliment alimentos altamente

50:09

processados para o sedentarismo, para tu

50:10

passares mais tempo sentado, quer dizer,

50:12

é gigante. E isto é uma coisa que é isso

50:15

mesmo que não seja forma consciente, ou

50:17

tu tens um grande grau de litracia e

50:18

sabes o que é que te faz bem, o que é

50:19

que te faz mal e depois tens que ter

50:20

muita motivação, ou então de facto o

50:22

ambiente é mesmo a puxar para ficares

50:25

doente, não é? Toda a gente, porque

50:26

todas essas empresas, tanto as de comida

50:29

ultraproçada como as de entretenimento,

50:32

que são as que se calhar querem que

50:33

fiques mais sedentário, como as Big

50:35

Farma, não é? Hum, têm esse este

50:38

objetivo de maximizar o lucro e não

50:40

tanto nas Big Farmer neste caso, porque

50:42

não fazem tanta publicidade, mas eles

50:44

sabem criar produtos que eh tão no fundo

50:47

a hackear

50:48

>> os teus sistemas muito antigos, não é?

50:50

muito antigos, mesmo primatas para te

50:52

pôr a comprar o que eles têm e a

50:54

viciados no que eles estão

50:55

>> ol a álcool é um ótimo exemplo porque

50:57

sempre que eu falo do álcool as pessoas

50:58

ficam muito revoltadas e pensam: "Mas o

51:00

álcool é super cultural e nós temos

51:02

tantas e vinhas no dor e não nos retirem

51:05

este património que é muito português.

51:06

Mas o o grande problema do álcool não

51:08

são as vinhas do dor, não é o consumo

51:10

que tu fazes daquele vinho eh que

51:11

conheces não sei quem

51:12

>> com uma comida e com a tua família.

51:14

grande parte da indústria do álcool que

51:15

dá dinheiro são aquelas grandes empresas

51:17

que tu vês em todo lado. E eu não

51:19

percebo como é que um um fator de risco

51:21

que é tão grande e não estou só a falar

51:23

de cancro, porque eu acho que cancro as

51:24

pessoas houja não sensibiliza assim

51:26

tanto porque é uma coisa distante, não

51:27

é? tu pensas sempre meio que não vai

51:29

acontecer, mas estamos a falar de

51:30

acidentes nas estradas, estamos a falar

51:31

de violência, estamos a falar de

51:33

agressividade de uma data de coisas que

51:36

acontece de absentismo laboral e que são

51:38

associadas a este consumo e ainda assim

51:40

tu não há um dia em que tu não vejas uma

51:41

publicidade ao álcool em todo o lado.

51:44

Quer dizer, os santos populares são

51:46

celebrados à volta do álcool. Nós

51:47

brindamos ao álcool. É impensável alguém

51:50

casar-se e não beber álcool. É

51:51

impensável. Quer dizer, há aqui uma

51:53

cultura e de facto isto isto é muito e

51:57

quem é que beneficia mais com isto, não

51:58

é? Um bocadinho a indústria do álcool.

51:59

Aliás, eu acho que há um grande medo em

52:01

falar sobre isto.

52:02

>> Eu também beneficio um bocado indústria

52:05

>> do álcool existir.

52:06

>> Então

52:07

>> eu gosto de vez em quando de ver um

52:08

bocado de álcool.

52:08

>> Claro, mas tu mas é isso. Mas tu tens

52:10

esse consumo consciente e moderado, mas

52:12

tens perceber que muita gente não o tem.

52:13

E uma coisa é também há pessoas que

52:15

gostam de fumar e que fumam, mas estão

52:17

conscientes do risco que tem. É, achas

52:19

que ia proibir publicidade ao álcool ou

52:21

só estás a desabafar?

52:23

>> Não, não, não. Eu acho, eu acho que era

52:24

uma medida importante. Acho que uma das

52:26

medidas importantes era proibir a

52:27

publicidade,

52:29

especialmente como ela é feita hoje em

52:30

dia, que tem campanhas de marketing

52:31

brilhantes. E eu penso que me dera poder

52:34

trabalhar com estas cabeças, porque de

52:35

facto são muito muito boas, não é? estas

52:37

campanhas de eh se estás triste, bebe.

52:40

Eh, se quer juntar-se com os amigos,

52:41

bebe. Sim, imagina, eu sinto mal porque

52:43

é isso porque eu às vezes de facto gosto

52:45

de ver o meu cópia e gosto de A questão

52:47

é isso, é não se pode não se pode

52:49

romantizar e não se pode assumir que

52:51

isto não tem risco quando isto de facto

52:52

tem um peso socioeconómico gigante em

52:55

Portugal e é uma coisa que tem que estás

52:56

muita despesa, muito malfício. E lá

52:58

está, e tu teres esta conversa não é

52:59

dizeres manda, vamos vamos anular todo o

53:02

álcool, é dizeres: "OK, o álcool existe

53:04

da forma que o tabaco existe, as pessoas

53:05

são livres de consumir". Mas não vamos

53:06

fazer publicidade, não vamos estar a

53:07

ensinar às crianças que se estás triste

53:10

bebe uma bebe uma cerveja.

53:11

>> Acho que eh acho que tanto a questão da

53:13

comida de comida e como e do álcool

53:15

beneficiavam muito ver as o que

53:17

aconteceu com o tobaco. O que aconteceu

53:18

com o tobaco foi exatamente isso.

53:19

Ninguém tá a proibir al ninguém de

53:21

fumar. Quem quiser vai ser livre e vai

53:23

fumar, mas é limitarmos o acesso e antes

53:26

as campanhas explicitárias de tabaco

53:28

eram super cool e quem fumava era

53:30

coolendavam, não é?

53:31

>> Exato. Era

53:32

>> fumavam na consulta.

53:33

>> Sim,

53:33

>> fumavam na consulta. Eu lembro, mas você

53:35

é assim, eu acho que nós fomos da

53:36

geração, pelo menos eu lembro-me estar

53:37

nos aviões e ter a coisinha de para o

53:40

cinzeiro, não é? E e o que aconteceu foi

53:42

um limite muito grande à publicidade,

53:45

que eu acho que é o primeiro passo,

53:46

depois uma tributação muito maior e e de

53:49

facto nós percebemos que só estas duas

53:52

medidas já contribuíram para diminuir em

53:54

muito o o consumo de tabaco e portanto

53:57

não é limitar a vida das pessoas, mas é

53:59

perceber que termos publicidade

54:00

desenfriada tanto de álcool como de

54:02

alimentos ultraprocessados nas bombas de

54:03

gasolina que sentido é que faz

54:06

>> nas bombas onde ou seja tu estás a

54:07

conduzir que sentido é que faz teres

54:09

venda de álcool em sítios onde

54:11

essencialmente tu paras a enquagem

54:14

jeito. Às vezes tá estão supermercados

54:16

todos fechados e só podes ir comprar uma

54:17

litrosa à bomba.

54:18

>> Sim, mas isso ou seja essa coisa do D

54:20

imenso jeito, lá está, é um ambiente que

54:21

favorecevorece.

54:22

>> Mas por exemplo, é isso, eu não, eu

54:24

estou a falar disto e isto aqui,

54:25

>> mas vais limitar a vida de quem bebe

54:27

moderado por existirem os que não bebem,

54:29

também não tens massas e não te

54:30

reclamas. Por exemplo, tu paras numa

54:31

estação de serviço e não tens uma massa

54:32

para comer. Numa estação de serviço,

54:33

não, numa, nas estações de serviço até

54:35

já vais começando a ter, mas quando

54:36

paras só mesmo para abastecer e vais lá

54:38

dentro, tens 30.000 chocolates, 30.000

54:41

cervejas e não tens uma banana, uma

54:43

maçã. Também estão a limitar a minha

54:45

liberdade de escolha de comer uma maçã.

54:48

>> Tu fumas? Fumas.

54:49

>> Pronto. E e quando e o que é que achas

54:51

sobre a coisa de não se poder fumar em

54:52

espaços fechados?

54:55

>> Hum, acho que faz todo sentido, mas

54:58

lembro-me de quando isso saiu, não sei

55:01

como é que tá agora, as regras eram

55:02

assim muito feitas à preça.

55:04

>> Mas é que faz sentido? Porque lá está,

55:06

porque é uma estás a estás, no fundo, tu

55:09

como fumador estás a impor ao outro que

55:13

levar para casa a cheirar a tabaco.

55:14

>> Então o álcool estrada e nós sabemos que

55:16

a maioria dos acidentes graves e que

55:17

matam pessoas são têm muita influência

55:20

do álcool. Então como é que porque o

55:22

problema de quem conduz bêbado não é só

55:24

para quem conduz, não é para quem pode

55:26

levar com aquele carro em cima. Ou seja,

55:27

até que ponto é que também não é

55:28

retirarme alguma liberdade

55:29

>> aceitar que num sítio onde circula um

55:31

veículo se venda álcool sem sem grande

55:34

restrição, não é? Ou seja, isto para mim

55:35

também é também ou ou mesmo não é é

55:37

isso. Nós sabemos que há mais acidentes,

55:38

que há mais violência, que há mais em

55:40

que sítios é que lojas é que existem que

55:43

não tem uma rua à porta, não é? Não

55:45

poderias vender em lado nenhum. Então

55:47

>> sim, mas aqui autoestradas é mesmo, ou

55:48

seja, é um

55:49

>> ah tá a falar específica falar

55:50

autostrada, estou a dizer que aí até

55:52

ainda ainda mais, não é? Estações de

55:53

serviço. É isso que eu queria dizer.

55:54

Desculpem, não é? Mas mas aí não é, quer

55:56

dizer, é estranho.

55:57

>> Pá, não acho que não é estranho. Eu

55:59

imagina, tás a tás a ir ter com alguém e

56:01

precisas de passar pela autoestrada e

56:03

precisas de cerveja e e existe aquele

56:05

serviço ali, tu queres comprar, a

56:07

empresa quer vender, tu compras. Acho

56:08

que publicidade eu percebo, mas não

56:10

haver nas bombas,

56:12

>> não é nas bombas, é nas autoestradas que

56:13

é um lugar,

56:15

>> porque eh

56:17

>> não é assim tão importante para mim, eu

56:18

não bebo muito, não é assim tão

56:19

importante para ou seja, eu acho que

56:21

seria há muito mais coisas mais úteis,

56:23

por exemplo, eh termos eh termos alguma

56:26

comida que nos mantenha também possamos

56:29

comer alguma coisa ou uma água assim

56:30

dizer isso. Eu quero um chocolate na

56:31

OMA, não é?

56:32

>> Sim, sim, sim. Mas mas a questão é é

56:34

mais não é necessário teres ali podes

56:37

ter o álcool nos supermercados e nas

56:38

lojas e se calhar temos ali um lugar em

56:40

que se limita e se calhar uma pessoa que

56:42

até e se calhar estamos a falar de casos

56:44

em que nós os três que não temos uma

56:46

questão com álcool, mas se calhar uma

56:47

pessoa que tá a conduzir e tem uma

56:49

questão com álcool e vê ali pensa:

56:51

"Olha, sabes", mas a maior parte é que

56:53

acabou de sair do almoço ou do jantar,

56:55

não é porque escolheu na parar na bomba

56:56

para ver. Sabem que grande parte do dos

56:58

cancros causados pelo álcool não são

56:59

pelo consumo excessivo de álcool, são

57:01

pelo consumo moderado e comum. Eu acho

57:03

que também é um mito. Ou seja, nós

57:05

estamos só a assumir que isto só tem

57:06

problema para quem tem um problema com o

57:07

álcool, não. Mas quem consome

57:09

diariamente também aumenta o seu risco

57:10

de de várias doas no sentido de ter o o

57:14

estímulo de comprar e depois podia ser

57:15

complicado, né? Nesse sentido. Portugal

57:17

acho que é dos países com mais

57:18

alcoólicos funcionais. Não sei

57:20

exatamente qualche mais consumo. Acho

57:22

que foi isso, mas acho que foi o

57:23

primeiro. Desculpa, desculpa, acho que é

57:24

quantidade de pessoas que bebem pelo

57:27

menos um copo por dia.

57:29

>> Acho que é acho que é nisto

57:30

>> e na consulta eu vejo isso, ou seja, é

57:32

sempre um tema sensível e a pessoa fica

57:34

sempre olhar para mim, mas mas qual é o

57:35

mal do e na verdade não tem mal. Ou

57:37

seja, eu às vezes também eu tenho esta

57:38

conversa, mas eu no meu dia- a dia é

57:40

indiferente. Ou seja, não, eu acho é que

57:42

é importante as pessoas estarem

57:43

informadas da mesma forma que fumam e

57:44

sabem que estão a fumar. Eu acho que o

57:46

álcool isso ainda não acontece muito, lá

57:47

está, porque também há muito lobby, há

57:49

muito eh o álcool é uma indústria muito

57:51

poderosa e, portanto, é isso. Aliás,

57:54

isto também acontece com o jogo, tu tens

57:55

publicidade ao jogo, que é um problema

57:56

gravíssimo em Portugal, tens publicidade

57:58

ao jogo em todo o lado. Eu de repente ve

57:59

campanhas gigantes a dizer: "Confia

58:01

com". Sou mais, isso eu sou mais contra,

58:02

por acaso.

58:03

>> Pronto, mas é engraçado vê, isto é

58:04

cultural, isto é 100% cultural porque o

58:06

jogo não é melhor do que o álcool, não é

58:09

pior do que o álcool. Pá, é difícil de

58:12

comparar porque tu cresceste a dizerem,

58:14

ou seja, tu cresceste. O álcool é uma

58:16

coisa muito portuguesa, é muito normal.

58:17

Ou seja, e eu percebo isso, mas é a

58:19

conversa que eu tenho sobre outras

58:21

formas de alterar consciência de que,

58:23

pá, tu vais a comprar os danos que o

58:26

álcool tem no teu cérebro e na sociedade

58:28

e na violência e comparas, por exemplo,

58:30

com MDMA ou cogomelos mágicos ou outras

58:32

coisas que são consideradas drogas

58:34

classe A. E o álcool é muito mais

58:36

nocivo, imensa coisa. Por isso a

58:37

conversa da cultura, eu percebo

58:38

perfeitamente,

58:39

>> claro.

58:39

>> Mas não sei, se calhar é por conhecer

58:41

mais histórias de desgraça com com jogo

58:44

ou

58:44

>> Pois, eu acho que se calhar também por

58:45

ser médico de família

58:46

>> ou por eu ou por o meu vício ser

58:47

adrenalina e e estás a ver, então achar

58:51

que aquilo é mais perigoso.

58:52

>> Sim, sim. Mas também tive um percurso

58:54

pessoal que me fez ter esta coisa com o

58:57

álcool. Ou seja seja, claro que isto vem

58:58

num lugar também um bocadinho emocional

58:59

e esta eh mas de facto depois é isso, é

59:01

ao longo do ao longo da da minha

59:03

carreira ver tanto isto e perceberem que

59:06

há muitas pessoas que estão nesse

59:07

percurso de tentar deixar de beber e de

59:08

repente é mesmo muito difícil porque o

59:10

álcool está em todo o lado, não é mais

59:11

do que qualquer outra qualquer outra

59:14

droga. É o álcool está muito Sim. Sim.

59:18

Queria-te perguntar, já já roçaste, mas

59:19

não não disseste exatamente isto. H, tu

59:22

falas, imagina, primeira consulta de MGF

59:25

com alguém novo, falas sempre de

59:26

alimentação,

59:27

>> não?

59:28

>> Perguntas sempre sobre alimentação,

59:29

>> não. Aliás,

59:31

>> primeiro nota, ou seja, eu não é sempre

59:33

uma pergunta que eu faço,

59:36

como é que a pessoa e se alimenta, se

59:38

come bem, se faz uma alimentação

59:39

variada, mas eu cada vez mais tento

59:42

fazer perguntas muito específicas. Por

59:43

exemplo, uma pergunta que eu faço sempre

59:44

em todas as consultas é se a pessoa come

59:45

sopa, porque eu acho que a sopa é de

59:47

facto logo um veículo ou legumes, não é?

59:49

Mas mas isso é importante, mas não é um

59:51

tema que eu toco logo, até porque acho

59:53

que ou a pessoa tá para aí virada com

59:55

qualquer estilo de vida, ou para ou a

59:57

pessoa tá para aí virada, ou então o que

59:58

me acontecia muito era est super

60:00

motivada a falar sobre alimentação

60:01

saudável e estilos de vida e a pessoa

60:03

ficar logo i que seca não me apetece que

60:05

>> olha tenho que comprar o meu cabaz de

60:07

fruta biológica.

60:08

>> Não, eu sou incapaz de vender coisas

60:10

minhas, nem tenho cabazos, mas

60:12

>> não estava a dizer a cena do privilégio.

60:14

>> Ah, sim, sim, sim. É, mas é um bocadinho

60:15

isso. Ou seja, eu primeiro

60:17

>> sabem que também há alternativas, ou

60:18

seja, claro que de qualquer forma tens

60:19

que ter o privilégio de teres tempo para

60:21

cozinhar, saberes cozinhar, porque acho

60:23

que é isso que muitas vezes falta. Eh,

60:25

não, quer dizer, faltam faltam muitas

60:27

coisas em Portugal, nós temos os níveis

60:28

de pobreza muito altos, mas eh a questão

60:31

de saberes cozinhar saudável não é só eh

60:35

há uma série de coisas que têm de

60:36

acontecer em conjunto. Tens de saber

60:37

onde comprar, tens que ter acesso a

60:39

esses lugares onde se compra produtos

60:40

saudáveis, depois tens de saber fazer.

60:43

Ou seja, é claro que se puseres batatas

60:45

fritas e um bife, não há nenhuma criança

60:47

que vá chatear-te. Mas agora tem teres

60:49

de fazer um ensopado de grandi com arroz

60:51

e fazer isso ser saboroso e toda a

60:52

família comer e calar, tens que ter

60:54

técnica, tens não é só comprar aqueles

60:57

produtos que não é só comprar o arroz e

60:58

o grandí, tens de comprar legumes e tens

61:00

de comprar especiarias e tens de dar

61:01

sabor.

61:03

>> Depois tens que saber, então tens de

61:04

saber uma série de coisas, tens que

61:05

saber essa técnica culinária também.

61:08

Isso são muitos saberes juntos.

61:09

Portanto, não é só o acesso, é teres

61:11

acesso a estas todas essas esferiras que

61:14

te levam depois no final a comer bem e

61:16

são muitas. Uhum. Há aqui outra coisa

61:18

que é à medida, ou seja, esse conceito

61:20

saudável também tá a ficar cada vez mais

61:22

difícil definir, não é? Porque agora com

61:23

as redes sociais não tá difícil definir,

61:25

mas eu acho que há tanta desinformação

61:26

que de repente aquilo que as pessoas

61:28

consideram saudável já é muito longe

61:29

daquilo que é realmente saudável, não é?

61:31

De repente, tu achas que saudável é

61:32

pouco calórico ou que saudável é não ter

61:34

hidratos. Quando de repente, ou seja,

61:36

confundem-se aqui uma data de conceitos,

61:37

porque as redes sociais são muito cheias

61:39

disto, de é isto, esta estas gomas que

61:41

são saudáveis e que te vão dar saúde.

61:43

Isso é o maior mito da saúde. A saúde

61:45

tornou-se uma indústria em que te vendem

61:47

soluções rápidas e que te dizem: "Se tu

61:49

queres viver mais e viver mais anos,

61:51

então faz esta injeção, toma isto, faz

61:53

aquilo". Quer dizer, é o mais longe da

61:55

realidade possível. Exatamente.

61:58

>> E é tão é tão giro ver a Margarida e eu

62:00

adoramos o mesmo estudo que é o estudo,

62:02

o estudo das zonas azuis, já deves ter

62:04

ouvido falar. São zonas no planeta onde

62:05

existem populações que vi que vivem mais

62:07

tempo de forma muito sol documentário,

62:10

há um livro,

62:11

>> mas ouvidos é que esse documentário não

62:13

tá assim, não tem muito rigor

62:15

científico.

62:16

>> Sim.

62:17

Ou seja, mas é,

62:17

>> pois, não deve haver, não deve haver

62:18

muito, não sei se há muito rigor ou não,

62:20

mas eu li o livro e o livro é muito

62:21

giro, mas isto para dizer que são

62:22

coisas, mas de facto a questão é, tens

62:25

populações nesses lugares que vivem até

62:27

aos 100 anos muito bem e portanto e

62:30

populações muito longevas e o que o que

62:32

eles na verdade fazem são coisas mesmo

62:34

muito simples. E, portanto, quando as

62:37

pessoas foram a investigar, achavam que

62:38

eles é comiam bem o de cobra. E na

62:40

verdade é cozinham, cozinham nem são

62:44

populações vegetarianas, são populações

62:45

em que em que se comem muitos vegetais,

62:47

mas também comemões sociais, tem um peso

62:49

muito importante,

62:50

>> têm muitas relações sociais, tem muita

62:51

relação com a fé, tem uma fé muito

62:53

forte, cuidam dos familiares,

62:55

especialmente dos mais velhos. Eh, e e

62:58

depois outra coisa que eu acho que hoje

62:59

em dia se tornou muito difícil é a

63:00

questão de do exercício físico e nenhum

63:03

deles vai ao ginásio quase cinco vezes

63:05

por semana, mas todo em tod em todas

63:07

estas comunidades que são mesmo ao longo

63:09

do eh são ao redor do globo, não é?

63:11

Desde o Japão a a Itália, à Grécia, aos

63:14

Estados Unidos, todos eles se movem

63:16

naturalmente. E outra coisa que

63:18

estávamos a falar sobre o privilégio que

63:19

é as próprias cidades não são mais

63:22

feitas para as pessoas caminharem, não

63:24

é?

63:28

e hoje em dia não temos tantos esses

63:31

espaços para uma locomoção um bocadinho

63:33

mais

63:35

nos arredores. Tens

63:37

>> sim, onde eu vivo tenho masar tens mais

63:40

Lisboa e para ir de bicicleta risco a

63:42

minha vida todos os dias para ir

63:45

bicicleta as zonas têm em comum. Há um

63:47

ambiente que que as faz cozinhar e comer

63:50

melhor, que as faz mexerem-se

63:52

naturalmente. Algumas fazem agricultura,

63:53

outras fazem jardinagem, outras

63:55

simplesmente caminham, tipo as de as de

63:56

Itália são na Sardanha. Então é é um

63:58

piso muito montanhoso, então elas têm de

64:00

caminhar bastante, eh têm tempo para ter

64:02

relações sociais

64:05

e esse ambiente que tá na base termos

64:08

umas comunidades saudáveis, não é um

64:10

saudável, mas são muitas pessoas

64:11

saudáveis juntas e giro. como mais uma

64:14

vez. É isso. Eu acho que as pessoas de

64:15

facto complicam, gostam de complicar

64:16

tudo e há uma parte muito boa da ciência

64:18

que é de facto investigar isto tudo, mas

64:20

há outra que de repente então o que é

64:22

realmente benéfico para a saúde é

64:24

fazeres exercício, 45 minutos por dia. E

64:27

de repente é tipo, não, eu só quero

64:28

saber se esta pessoa anda, olha, vai

64:30

passear, anda pela natureza, o que é que

64:31

gosta de fazer, o que é que como é que

64:32

se mexe, porque eu não preciso que

64:33

aquela pessoa vá para o ginásio 45

64:35

minutos, eu preciso que ela se mexa, que

64:36

ela seja ativa, que ela suba as escadas,

64:38

que ela vá às compras a pé. E são estas

64:40

coisinhas que fazem de facto diferença e

64:41

que são muito mais execuíveis do que eu

64:42

estar a dizer: "Olha, então tem aqui uma

64:44

tabela, tem de comer três porções de

64:46

cinco porções de fruta, 30 g de fibra

64:48

por dia." Quer dizer, a pessoa fica

64:49

olhar para mim e a pensar não, mas se eu

64:50

perguntar, olhe, e sopa consegue

64:51

incluir? é uma coisa fácil e temos logo

64:53

ali alguma, claro que não é tudo, mas é

64:55

uma forma de vamos começar por aqui ou

64:57

vamos tentar então, olha, cozinha uma

64:58

refeição, consegue cozinhar alguma

64:59

refeição e estas coisas eu acho que

65:01

fazem muito mais diferença e de facto

65:02

são muito mais simples e é isso, de

65:04

repente pegas na na pessoa que conheces,

65:06

vais andar e e é isso, fazem logo muita

65:09

diferença, tem muito impacto. como

65:11

portugueses, eh, sopa é das melhores

65:13

coisas que nos lotaria social, porque eu

65:15

acho mesmo que, pá, olha, ol, eu não

65:18

gostava de sopa durante imenso tempo e

65:20

agora de facto é isso, como tenho muito

65:21

pouco tempo, sinto que é a única forma

65:24

de eu assegurar que pelo menos tenho ali

65:25

alguns micronutrientes.

65:27

Eh, e pronto, claro que não vale, não,

65:30

não é tudo, mas é, sabes, um, há um

65:32

conforto também, é muito, de facto, é

65:33

uma coisa muito portuguesa, muito nossa.

65:35

E agora houve um debate gigante sobre a

65:36

pirâmide alimentada dos Estados Unidos e

65:38

tá toda a gente tão presa h tardes e às

65:39

vezes eu penso que é muito mais sobre

65:40

aquilo que tu comes do que aquilo que

65:42

não podes comer.

65:43

>> O que é que tu incluís diariamente? Tu

65:44

incluís comida a sério, tu cozinhas, tu

65:46

comes e portanto eu também tento muito

65:48

que a minha quem consulta seja muito

65:51

menos sobre não pode fazer isto, não

65:52

pode fazer aquilo. Ou seja, não, muito

65:54

mais do que dizer não beba álcool, não

65:55

faça isto, não, não fique sedentário, é

65:57

olha, isso tentar incluir isto, isso

65:59

tentar fazer, porque quando fazes mais

66:00

coisas boas também sobra menos espaço

66:02

para aquilo que não te faz tão bem, não

66:03

é? É isso. Quando socializas mais,

66:05

>> Sim, era o que eu ia dizer sobre a sopa.

66:06

Imagina, é uma, eu se tivesse, se com os

66:10

mesmos gênesos eu tivesse crescido, se

66:12

calhar em Inglaterra, não gostaria de

66:14

comer só para todas as refeições como

66:15

gosto, incluindo no verão. Isso é uma

66:17

coisa que

66:19

>> e corrijo-me se eu tiver errado.

66:21

>> Adoro, adoro, adoro.

66:24

Há um dado mesmo importante sobre isso.

66:25

Sobre isso não, mas sobre a nossa lá

66:26

está, h, uma sopa hidrata e tem legumes

66:30

e tudo mais e antes de logo metade do

66:32

estômago.

66:32

>> Sim. que se se eu não encher o estômago

66:35

como metade daquilo vai ser muito mais

66:37

arroz. E

66:38

>> e mais importante de tudo é

66:39

culturalmente aceita, é culturalmente

66:41

feita. Há poucas famílias que não a

66:42

fazem. E sabem um dado mesmo

66:44

interessante? eh estávamos a falar de

66:46

alimentos ultrapados e saiu eh agora

66:48

mesmo há pouco tempo em novembro um um

66:49

estudo muito grande sobre isso no no

66:51

Lancet e eh eu fui ver alguns dados

66:54

sobre Portugal e fui ver o seja, qual

66:57

era a cota de ultraprocessados em

66:59

Portugal eh por na dieta e h e e eu

67:02

tenho dado 2015 foi o único, foi o mais

67:04

recente que eu consegui encontrar, até

67:05

porque foi a última vez que fizemos um

67:07

inquérito nacional sobre alimentação. Em

67:09

Portugal, nós nós temos uma a cota de

67:12

ultraprocessados da nossa dieta é de

67:14

22%.

67:15

Mas o interessante é que este gráfico

67:17

relaciona a o o consumo, a cota de

67:19

ultraprocessados com o rendimento e

67:22

médio bruto, ou seja, em países com o

67:25

mesmo rendimento, nó esperava-se que nós

67:28

consumíssemos mais, que é o que nós

67:30

temos visto nos Estados Unidos, no

67:31

Canadá, não é?

67:32

essa parte boa da cultura

67:33

>> e portanto e não é só Portugal, é

67:35

Portugal, é Itália, é Grécia e,

67:37

portanto, há aqui uma cultura alimentar

67:38

que nos tem protegido eh destes

67:41

problemas, mas acho que temos de ver

67:42

estes dados com muita calma. Primeiro

67:44

porque é 2015, segundo porque sabemos

67:45

que infelizmente as camadas é faixa

67:47

etária mais baixa que consome mais

67:49

ultraprocessados e portanto temos aqui

67:50

uma média que se calhar tá a ser

67:52

mascarada pelos nossos avós que não

67:53

comem este tipo de produtos e e sabemos

67:55

que as taxas de obesidade também têm

67:57

vindo a aumentar, especialmente nas

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faixas etárias mais baixas, mas eh há

68:00

aqui um uma cultura que nos protegeu e

68:03

eu não tenho dúvida, claro que eles ali

68:05

não vão esse detalhe, que é a cultura da

68:07

sopa, a cultura do cozinhar, a cultura

68:09

de ir buscar o peixe fresco, a cultura

68:10

de ir buscar com a padaria. Quer dizer,

68:12

há muitos lugares em que as pessoas

68:14

comem pão embalado. Isso é normal. E

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para nós é impensável, ou seja, um bom

68:17

portão que

68:19

>> e a família, família domingo, tipo, só o

68:22

facto de nos unirmos com a família ao

68:23

domingo para cozinhar muitas vezes.

68:25

>> Ex. E quais são os outros países que

68:26

também estão, ou seja, que supostamente

68:28

pelo nível de rendimento que temos

68:29

deveríamos comer mais ultrapçados. Não

68:32

comemos. Porquê? Porque somos protegidos

68:33

por esses fatores culturais todos. E e

68:35

quem é que está connosco nesse jogo?

68:37

Itália, a Grécia ou Chi? sem os mesmos

68:39

as mesmas raízes que nós de ter muito

68:43

tempo em família, esse esse hábito de

68:45

cozinhar e e aí que eu acho que entra

68:47

claro o fator cultural, mas também acho

68:49

que os nossos governos podem atuar muito

68:51

mais para para que que isso seja ainda

68:53

mais eh amplamente aceito. E estávamos a

68:56

falar sobre a questão de acesso a

68:57

produtos de qualidade. Claro que há

68:59

cabaças que são muito caros, mas também

69:01

há redes hoje em dia que são muito mais

69:02

baratas. Eu acho que é importante também

69:04

referir isto para as pessoas saberem que

69:05

não há só eh pronto, os cabajados mais

69:08

famosos, mas por exemplo o cabajo da

69:11

prove é um cabaj que que é ali entre 9 a

69:13

10 € e consegue um cabaj com o preço do

69:16

cabajo. É OK, este cabaj vaiir que eu

69:18

cozinho, vai dizer que eu tenha tempo,

69:20

porque senão depois é só comida que se

69:21

desperdiça, não é? E por isso é que eu

69:23

acho que é um ambiente todo que precisa

69:25

de ser, porque o cabaz em si, ou seja,

69:26

em termos de contas, hoje em dia tu vais

69:28

ao supermercado e gastas uma fortuna a

69:30

comprar três ou quatro coisas, não é?

69:31

Portanto, não é só por aí, é muito mais

69:32

depois o tempo de é isso, quer dizer, tu

69:34

precisas de saber cozinhar no outro dia

69:36

o que é que vinha, vinha uma coisa

69:37

qualquer que eu nunca tinha cozinhado e

69:38

de repente, quer dizer, tive de ir

69:39

pesquisar a receita. Isto é uma coisa

69:40

que, de facto, quem está no meio de uma

69:42

correria a tentar ver, não é, a lutar

69:44

pela vida e por isso é que eu acho que o

69:46

ambiente de facto tem mudar muito mais.

69:48

E isto este conceito das determinantes

69:50

sociais de saúde e determinantes

69:51

comerciais de saúde são importantes de

69:53

perceber, porque de facto aquilo que nos

69:54

torna doentes na maioria das vezes não

69:56

tá no nosso controle. E claro que é

69:58

super importante. Eu acho que isto não é

69:59

desvalorizar o papel da literacia,

70:01

porque mesmo se nós queremos implementar

70:03

políticas de saúde que nos vão proteger,

70:04

precisamos de compreender e, portanto,

70:06

precisamos de perceber, ok, porque é que

70:07

vai aumentar a taxa sobre o álcool?

70:09

Porque de facto isto faz mal, não é?

70:10

Porque senão vamos só, isto aconteceu,

70:12

acho que foi na Lituânia que o ministro

70:14

de repente proibiu publicidade ao

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álcool, aumentou a taxa, não é? Aqui em

70:18

Portugal tens litrosas que custam 1,90 2

70:20

€ mais baratas do que alguns

70:23

algumas bebidas mais saudáveis e que fez

70:25

isso e que foi completamente bem, que

70:27

teve, não sei, teve de sair do país.

70:28

Acho que aquilo foi uma coisa dramática,

70:30

o povo virou-se todo contra. E por isso

70:32

é que é tão importante começar pela

70:33

literacia, porque estas medidas só vão

70:35

ser h só v só vão conseguir ser postas

70:38

em prática se a população as aceitar se

70:41

compreender porque é que elas são para

70:42

para nos proteger e não para nos retirar

70:43

a liberdade, não é? Porque é isso o que

70:46

é que faz com que nós não tenhamos, por

70:47

exemplo, no centro de saúde não tinhamos

70:48

fruta ou os lanches não sejam todos mais

70:50

saudáveis e também é um bocadinho porque

70:53

é isso que

70:54

>> tem que tem que se operar a nível da

70:55

literacia ao mesmo tempo,

70:57

>> que é para a geração seguinte já não tem

71:00

que a litera é mesmo insuficiente porque

71:02

a literacia continua a pôr a

71:03

responsabilidade no consumidor e não

71:05

pode, nós temos de mudar o ambiente em

71:07

geral as campanhas fazem, tem que haver

71:09

as duas coisas,

71:10

>> por exemplo, isso mesmo é uma narrativa

71:12

de de do de das grandes indúrias

71:16

dirit agora bebe tu moderação

71:18

responsabilidade é tua deste. E isso

71:21

isso é que eu acho que é um jogo. Ou

71:22

seja, as pessoas falam muito desta parte

71:23

da liberdade, mas eu sinto que é

71:25

retirar-te completamente a liberdade,

71:26

não é? Porque de repente o teu dia é

71:28

todo, é infestado de publicidade, a fast

71:31

food e a e a e uma data de coisas.

71:34

Então, quer dizer, até que ponto é estás

71:35

influenciado? É como é aquela coisa que

71:37

eu digo sempre muito, teres uma criança

71:38

numa sala cheia de chocolates e dizeres:

71:40

"Olha, não comas porque o chocolate faz

71:41

mal". E quer dizer, ah, tá bem, eu sei

71:44

que faz mal, mas é isso. É como havia um

71:47

título de um livro que eu nunca li, mas

71:48

eu adorava o título, que é motivação não

71:49

existe. E que era um bocadinho isto de

71:51

realmente o ambiente é muito importante

71:53

e na saúde eu acho que isso nota muito e

71:54

h

71:57

pessoas que estão mais doentes e que

71:58

recorrem mais a consulta têm problemas

71:59

sociais e que se resolviam com bons

72:02

programas de apoio social e com

72:03

assistentes sociais. Nós temos uma

72:04

assistente social para milhares e

72:06

milhares de doutentes. Não faz sentido

72:07

nenhum quando a parte social é tão

72:09

determinante na saúde. Nós sabemos que o

72:10

teu código postal determina a tua

72:12

longevidade e e a saúde que tu tens, a

72:14

tua qualidade de vida. Nós sabemos

72:16

mesmo, há um mapa do metro, acho que até

72:18

é o metro em Lisboa, que mostra os

72:20

indicadores de de saúde, dependendo do

72:23

da zona do metro em que tu vives. Quer

72:25

dizer, é isto tem mesmo impacto e e por

72:27

isso é que eu acho que é importante, lá

72:28

está, que quem tem este acesso a

72:29

privilégio e este acesso à informação

72:31

toda também lute para que estas

72:33

desigualdades se dissipem um bocadinho.

72:35

>> Consegues mandar esse link para pôr na

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descrição do episódio?

72:37

>> Consig consig consig.

72:38

>> E eu acho que é mesmo importante

72:39

falarmos do sexo e do que os governos

72:41

poderiam fazer, não é? por exemplo, eh,

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eu acho que em Portugal nós estamos a

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afastar-nos muito desse meio mais rural

72:46

e e é muito comum aqui fazermos compras

72:48

em super em supermercados. Virou muito o

72:50

o comum pelo tempo, pela falta de tempo,

72:51

etc. Eu morei um tempo em Itália, numa

72:53

cidade muito pequenininha e e portanto,

72:55

quer dizer, uma cidade de interior e eu

72:57

fiquei impressionada com a quantidade de

72:59

mercados que existiam ao longo da

73:01

semana. Quer dizer, mesmo que eu

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quisesse ir ao supermercado, eu quase

73:04

que não conseguia chegar ao supermercado

73:05

porque havia sempre mercados. Porquê?

73:07

que há um incentivo muito grande à à

73:09

produção de de hortículas e há um e há e

73:11

há uma uma preocupação muito grande em

73:13

trazer os meios rurais para o meio

73:15

urbano e há uma é quase tão e depois é

73:18

mesmo giro porque tu vais ao mercados

73:20

são mesmo no meio das ruas, portanto as

73:21

as praças são inundadas de de mercados,

73:23

eu estou a dizer onde eu morava que era

73:25

uma cidade pequena, é

73:26

>> a Lisboa também há tens muitos mercados

73:28

e tens em compressão tens poucos, mas

73:30

nós agora andamos na saga descobrir,

73:31

então até hipótes comparação com o que

73:34

eu já vi e mesmo no Brasil, no Brasil é

73:36

rua assim, rua assim. Então, quase que

73:38

tu nem chegas ao supermercado porque tu

73:40

sabes que à terça, à quarta, à quinta e

73:42

ao sábado, que eram eram quatro mercados

73:44

que que eles faziam durante as semanas,

73:46

tu tinhas ali um imensos produtos

73:49

frescos e depois o que é que acontecia,

73:50

que era o que nós estávamos a falar, tu

73:51

vias as pessoas irem ao mercado e depois

73:53

iam tomar um café juntas e depois

73:54

levavam levavam as compras e era ali um

73:56

momento de contacto social. Mas é claro

73:58

que isto só acontece porque é preciso

74:01

que haja a possibilidade de haver um

74:03

mercado no meio da rua. Isso em Portugal

74:04

nós vemos muito pouco. Mesmo no Porto

74:06

nós temos pouquíssimos mercados a seu

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aberto. Eh, e no resto do país também.

74:10

Isso aproxima às pessoas

74:12

>> do alimento. E se calhar a pessoa tem

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nem vai ao supermercado e já não compra

74:15

os chocolates que se calhar ia comprar.

74:16

>> Mas há coisinhas pequenas até que podes

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fazer esta coisa, sei lá, eu agora

74:21

podem fazer facilmente, ajudar os nossos

74:23

produtores a chegarem.

74:24

>> Mas isso até podes fazer isso. Até em

74:25

grandes supermercados tu podes olhar e

74:27

ver de onde é que de onde é que a fruta

74:28

que estás a comprar vem, não é? Todo is

74:30

está em todo lado. Isto era uma coisa

74:31

que eu nunca fazia. E de repente

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descobri que nesta altura do ano só há

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mirtilos do Marrocos. Não há, tu não

74:35

encontras mirtilos portugueses e não

74:37

encontras os os frutos silvestres. É

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muito difícil encontrares daqui locais e

74:41

de repente começas a ver e lá está é

74:43

tudo um bocadinho volta à coisa de é um

74:44

tudo em um que é tu estás a procurar

74:46

sazonal. Normalmente quando é sazonal é

74:48

mais barato, é mais sustentável e a

74:50

fruta até é melhor, não é? É é

74:53

>> tem mais sabor.

74:53

>> Sim. Sim. foi colhida mais perto do

74:55

ponto onde em que

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>> ya esta parte toda de é isso, eu sei de

74:57

onde é que não sei eu desde que comecei

74:58

a fazer isto e faço lá está faço com o

75:00

meu filho e e sinto que é diferente que

75:03

é de repente olha de onde é que vem isto

75:04

e de onde é que teve de viajar não é

75:06

porque repente tu vê as coisas

75:06

>> sim mas eu acho que é mesmo sim é mas eu

75:08

acho que é mesmo importante nós

75:09

tentarmos criar circuitos mais curtos

75:11

sabes Margarita porque eu percebo, eu

75:13

acho que isso é ótimo, mas acho que nós

75:14

precisamos mesmo e os circuitos curtos

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também acabam por tornar os produtos

75:17

mais baratos. Estamos a comprar

75:18

diretamente aos produtos. Eu acho que

75:20

nós em Portugal não temos esta cultura.

75:22

Acho que não precisar do supermercado no

75:24

meio, é isso. Não precisar do midle man.

75:26

Exato.

75:26

>> Não sei se para os dias de hoje isso é

75:28

isso não é demasiado o tópico, não é?

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>> Não, não é o tópico. Eu via acontecer em

75:31

Itália há dois anos atrás.

75:33

Uma cidade pequenina, mas nas grandes é

75:35

muito mais. Atenção.

75:36

>> Mas achas que aqui no norte, imagina

75:37

como como não há grandes terrenos, não

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é? Se car em Lisboa seria mais fácil

75:41

porque tá ali perto do lentej. Mas uma

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cidade do tamanho do grande Porto, achas

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que há pequenos produtores suficientes

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para alimentar toda a gente dessa forma?

75:51

>> Olha, não sei, não te sei responder a

75:52

isso. Não tenho esse dado.

75:56

E acho que se cria ali um ambiente de

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circuito curto em que tu falas com

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produtor, em que tu percebes

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ser um sábado e eu acho que claro que

76:04

não vai resolver. Eu acho que não há uma

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ação que resolva.

76:06

>> Nem é só isso. A maioria não tem vidas

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compatíveis para ir ao supermercado, ou

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seja, para ir comprar fruta de três em

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três dias. Isso são tudo coisas, a a

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alimentação saudável também é muito mais

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pressível, não é? Habitualmente são

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coisas que duram menos tempo e portanto

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e o que eu vejo em consulta são pessoas

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que é isso que estão a tentar sobreviver

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e querem fazer as suas compras online.

76:21

>> Claro, mas isso pode ser

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concomitantemente, percebes? Ou seja,

76:23

pode haver restrição de de publicidade,

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tens toalmente mudar. Ou seja, esta

76:26

coisa de e é muito português, não é?

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Tens de entrar cedo e sair tarde e às

76:30

vezes estás ali só a fazer nada e horas

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e horas e horas e não estás a ser mais

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produtivo, não é? E nós se calhar até

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fugimos à às carreiras típicas porque

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temos esta liberdade um bocadinho de

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horário, mas a maioria das pessoas entra

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num escritório, sai à tarde, às vezes

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sai ali tempo a fazer tempo para poder

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picar o ponto para poder sair. Isto não

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é muito compatível com esta parte toda,

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ou seja, estruturalmente as coisas têm

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de mudar. E por isso é que

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>> Exatamente. Mas eu estou a dizer um país

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como Ital que é é muito parecido

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connosco e muitas coisas. Ou seja, eu

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acho que nós podemos podem haver

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políticas públicas que nos ajudam a

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caminhar um bocadinho mais para aí. Não

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é uma que vai resolver, claro que não,

76:58

mas eu acho que várias em conjunto podem

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ajudar muito.

77:00

>> Sim, eu acho que é difícil porque

77:01

depois, por outro lado é esta parte das

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determinantes comerciais saúde, não é?

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Ou seja, esta indústria tem muito poder

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e dá e e mexe muito dinheiro e,

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portanto, é uma indústria que de facto

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tem muito poder político, tem muito,

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aliás, tu vês, há programas das escolas

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que são patrocinados por empresas que

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produzem papas de fruta ou quer quer que

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seja, têm esse apoio.

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>> E por um lado isto é difícil porque por

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um lado é como as pessoas têm medo da

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indústria farmacêutica. Se não fosse

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indústria farmacêutica nós não tínhamos

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a quantidade de estudos que temos.

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Portanto, grande parte, aliás, eu

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próprio no meu, as pessoas dizem sempre,

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não é, falam do serviço público e tão

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querida, mas grande parte do trabalho

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que eu faço e de o tornar sustentável

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não podia acontecer se eu não tivesse o

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apoio de algumas farmacêuticas, apesar

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de momento nenhum eu estar a promover

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medicamentos, aliás, até tipo sinto que

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tento promover o mínimo de de consumo de

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coisas possível, mas é uma realidade,

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nós precisamos da indústria e, portanto,

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eu acho que o que é difícil é arranjares

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um equilíbrio entre ter o apoio da

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indústria, porque de facto precisas,

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porque a indústria é quem tem, quem te

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consegue financiar as ideias e projetos

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bons, mas ao mesmo tempo não deixar que

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isso eh que isso influencie o teu

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caminho, não é?

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>> Mas imagina que a indústria em vez de

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ser essa, era super b.

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>> Sim, sim. É, é.

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>> Sabes quem organiza festivais também

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diz: "Olha, pá, nós não estamos a dizer

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às pessoas para ver, mas dá-nos imenso

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jeito que a Superbo nos então não faria

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sentido, mas

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>> podemos dar música às pessoas. É que no

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fundo é isso, nós temos um o governo que

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diz: "Eu não tenho dinheiro para apoiar

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o festival, mas então o festival é

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apoiado pelo pelo álcool e por isso as

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pessoas ficam mais doentes." O governo

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gasta mais dinheiro com a saúde e com a

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e com a com com a doença. E por isso, ou

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seja, é um é um ciclo. E por isso é que

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eu acho que quando percebermos que

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apoiar a cultura, apoiar a habitação,

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isto isto é realmente a saúde é um

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reflexo das coisas. Nós estamos a

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injetar muito dinheiro na saúde e a

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achar tipo, nós já pusemos aqui tanto

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dinheiro e não resolve. E não é o

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problema, não é? eh o dinheiro que está

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a injetar no setor no setor da saúde,

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não é? É a administração, mas também é o

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facto de nós vermos a saúde como uma

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coisa isolada e não como um reflexo de

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tudo o resto. A saúde é o culminar dos

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problemas de habitação, dos problemas de

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eh apoio eh à parentalidade. Tudo isto é

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reflexí, portanto, às vezes é diz: "OK,

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vamos olhar para as outras coisas, para

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parte da cultura". Eu sinto que é mesmo,

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as pessoas acham que a cultura é e é em

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Portugal é um luxo e um privilégio, mas

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eu todas as vezes que pergunto a alguém

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o que é que lhe dá a qualidade de vida,

79:10

eh a a coisa mais frequente é de facto é

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isto, é cultura e natureza. São as duas

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coisas, é cultura e natureza. São ou é

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horta e plantar, ou então é ir ao

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cinema, ler, hh e socializar. Acho que

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também é assim um um grande, mas quer

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dizer, ninguém me responde a a ser

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produtivo no trabalho ou não é? Uhum.

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>> Portanto, também temos de mudar aqui um

79:30

bocadinho.

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>> É, é mais h é mais comum ouvirmos falar

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de haver pouco dinheiro para a cultura,

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>> mas o desporto faz muito muito é que é

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muito mais importante para a saúde e até

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para a regulação emocional das pessoas

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do que a cultura. tem um orçamento ainda

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inferior.

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>> Sim, mas olha, eu acho que mesmo aí tens

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alguns viés, ou seja, eh e e eu acho que

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os estilos de vida, claro que o desporto

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é super importante, mas eu acho que as

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pessoas não têm noção do impacto que a

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cultura tem, ou seja, da do da de como a

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arte pode ser terapêutica e e ser muito

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importante em, olha, em processos de

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luto, em processos de eh depressão, em

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processos de ansiedade. A arte para além

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de que a arte é outra coisa. Eh, eu não

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sei. Olha, um dos filmes que mais marcou

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é um filme que se chama Suleiman, que é

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sobre um refugiado que tenta, pronto,

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que no fundo vem lutar por uma uma vida

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melhor. E às vezes é isso, é tão mais

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tem tão tão mais impacto tu veres um

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filme que te transmite uma mensagem do

80:19

que teres alguém a dizer-te: "E isto é

80:21

importante porque sim, temos de comer

80:22

saudável". E, portanto, a cultura tem

80:23

muito um aspecto de promoção de

80:25

literacia que é essencial. A arte por é

80:28

às vezes tu és mais influenciado pelo

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filme que tu viste ou pela música que tu

80:31

ouviste ou pelo podcast que tu ouviste

80:33

do que pela palestra que muito mais

80:35

deram na Mas é que a arte também tem

80:36

esse papel. Ou seja, a arte é mesmo um

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veículo de promoção de saúde. E por isso

80:40

é que eu, claro, ou seja, não sei, não

80:41

sei comparar com o desporto, mas acho

80:43

que temos de os pôr no mesmo saco. O

80:45

desporto, a alimentação, o acesso à

80:46

cultura são coisas essenciais e que não

80:48

podem ser a arte não pode ser um luxo,

80:49

nem um privilégio. Acho que é a mesma

80:51

coisa, pronto, que eu que eu gostava que

80:53

mudasse no sistema de saúde.

80:56

>> Sim, mas se calhar neste momento,

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puxando aqui a brasa para o desporto,

80:59

não, neste momento

81:01

>> acho que é mais fácil. hh imagina que os

81:03

teus pais nunca foram ao teatro, nunca

81:05

consumiram nada, a não ser Big Brother.

81:08

>> Hã, se calhar é mais fácil essa criança

81:11

entrar no desporto, não é? Vendo mais

81:13

dinheiro para o desporto do que na

81:15

cultura. Se caro prazo.

81:17

>> E fui aqui ver agora e o nem sequer há

81:20

um orçamento, tipo, é tudo junto,

81:22

desporto e juventude, 0.33%

81:25

do do orçamento de estado,

81:26

>> ou seja, nem 1%. E pá, quando vês os

81:29

benefícios sociais, aprender a a

81:32

trabalhar em equipa, aprender a

81:33

desiludir a tua equipa, aprender a puxar

81:35

pela tua equipa.

81:36

>> Lá está, é mais um, é mais tu teres

81:38

aulas de ténis ou ires à aula de cycle

81:39

ou não sei quê, são, são tudo coisas que

81:41

são luxosas. E realmente eu acho que

81:42

depois é, é difícil porque só quem é

81:44

privilegiado e vai o mal e vê o impacto

81:46

que isso tem na sensação, não é? Tu de

81:49

repente estás ali num momento neurótico

81:50

e vais fazer exercício e ficas, há um

81:53

alívio, há uma coisa muito biológica.

81:54

>> Sim, sim. Mas mas é isso, é continuar a

81:56

ser um luxo, sem dúvida que merecia

81:58

mais.

81:59

>> Então, políticas públicas que que

82:01

funcionam, que vocês conheçam, que

82:03

tenham sido feitas noutros países ou

82:04

sim, eu sei que em Portugal nós

82:06

reduzimos o tamanho do pacote de açúcar

82:08

que vem com o café de 5 para 3 g, se não

82:11

me engano.

82:11

>> Até achava que tinha sido de oito para

82:12

quatro para aí.

82:13

>> Ah, pronto, se car

82:14

>> não sei, não sei, mas tinha ideia que

82:15

tinha sido mais. E e tive na Dinamarca

82:18

há uns anos e falaram-me do imposto

82:20

sobre o açúcar, ou seja, tudo o que tem

82:22

açúcar tem um imposto altíssimo. H, que

82:25

que outras ideias é que vocês já ouviram

82:27

falar que acham que funcionam?

82:29

>> Eh, noutros países? Sim, no país ou em

82:31

Portugal,

82:31

>> eu acho que não, em Portugal temos

82:32

algumas, também temos taxação sobre

82:33

bebidas aadas que têm resultado, ou

82:35

seja, tem havido menos consumo e acho

82:38

que alguns países estão a estão a

82:39

colocar e taxação sobre beidas aaradas,

82:41

não é sobre todos os doces, mas é sobre

82:43

as bebidas açucaradas, que é um grande

82:45

que é um grande pontapé inicial e nós

82:46

aqui temos também o benefício de são

82:48

bebidas açucaradas e e também adçadas

82:51

também com adantes, ou seja, os

82:53

edcurantes também entram nesse nesse

82:54

jogo, que é ótimo que assim ainda os

82:56

três não podem substituir um por outro e

82:57

que ainda mesmo pagar a taxa, Mas eu

82:59

queria trazer um exemplo do Chil, que eu

83:01

acho que é mesmo muito interessante,

83:02

porque eh fala um bocadinho daquilo que

83:04

tudo estamos a dizer, que é é preciso

83:06

fazer políticas que funcionem, que sejam

83:09

mais hh

83:11

>> que sejam mais eh eh como é que se diz?

83:14

Comprehensive, desculpem. Abrangentes.

83:16

>> Abrangentes. Exatamente.

83:18

>> E então o Chile h o Chile tem um aliás a

83:23

América Latina tá de parabéns no que no

83:25

que diz respeito à promoção da

83:27

alimentação solar. Olha, parabéns

83:28

América Latina.

83:28

>> Parabéns América Latina, mas está mesmo

83:30

porque não é só o Chile, é o Chile, é o

83:31

Brasil, é o México, tipo, há imensos

83:32

exemplos, mas o Chile tem um muito

83:35

integrado e e que já tá em vigor desde

83:38

2016 e por isso que eu acho que é

83:39

interessante falar, porque já temos

83:39

alguns estudos que comprovam que

83:40

realmente tem tem funcionado. Então o

83:42

Chill começou por ter selos de

83:44

advertência eh nos produtos. Então eles

83:47

têm rotulagem de frontal, tel que na

83:49

verdade ajuda muito o consumidor a fazer

83:50

melhores escolhas e eh na então no Chile

83:53

e em vários países da América Latina

83:55

produtos que ultrapassam os limares

83:58

aceitáveis de nutrientes críticos. Quais

84:00

são os nutrientes críticos? São os de

84:02

sempre, açúcares, gorduras saturadas,

84:04

calorias e sódio. Têm um selo de

84:06

advertência mesmo no produto. Então diz

84:08

lá alto em açúcar, alto em sale. Pronto,

84:11

diz log assim é impossível não ver,

84:13

sabem? Tipo, é um celo de advertência,

84:16

mas o o a vantagem de sel de advertência

84:18

é que, por exemplo, o azeite não leva a

84:21

sal de advertência. Porquê? Porque eh

84:23

nutricionalmente é suposto o azeite ter

84:26

a quantidade de gordura que tem, porque

84:27

é uma gordura

84:30

é função dele.

84:31

>> Nesse sentido é melhor que o nutricorn

84:33

depois podemos falar sobre isso.

84:34

Deixem-me só acabar o exemplo do chill,

84:35

que isso é todo um assunto. Mas no chill

84:37

funciona muito bem. Porquê? Primeiro, as

84:40

famílias têm reportado que compreendem

84:43

os selos e os e os selos têm ajudado as

84:46

famílias a fazerem melhores escolhas.

84:47

Mas o que é que é tão brilhante nisto é

84:49

que estes selos não são só um selo de

84:51

advertência num produto. Estes produtos

84:54

que têm estes selos não podem ser

84:56

publicitados a crianças e não podem ser

84:58

vendidos nas escolas. E, portanto, nós

85:00

temos aqui uma série de políticas que,

85:02

de facto, impactam a vida daquelas

85:04

crianças essencialmente, não é? que lá

85:06

está, eu acho que neste caso, eh,

85:08

especialmente a comida, é muito mais

85:10

interessante começar pelas camadas com

85:11

as faixas deárias mais baixas, com as

85:13

crianças, com os adolescentes, porque eh

85:15

eh não é as pessoas mais dificilmente

85:17

consegues mudar muitos comportamentos a

85:19

partir de uma certa idade. E portanto

85:21

nós estamos a falar de um, OK, eles têm

85:23

rotulagem frontal, ótimo, mas há uma

85:25

série de políticas públicas que vê com

85:26

essa rotulagem frontal, além deles

85:28

reverterem muito parte dos impostos que

85:30

são cobrados, essas empresas que têm os

85:32

tais selos para programas de promoção da

85:34

de de vida saudável. Portanto, o Chile é

85:36

mesmo um exemplo espetacular, mas depois

85:38

também o Brasil e o programa escolar,

85:40

eles têm um programa escolar espetacular

85:43

por si só, porque h percebeu-se que uma

85:45

da forma de atrair as crianças no Brasil

85:47

para a escola era oferecer e a a merenda

85:49

e muitas crianças não podiam ir à escola

85:50

porque não tinham dinheiro para para

85:52

comer. E portanto o programa de eu digo

85:54

merenda porque estavam a ver o nome

85:55

brasileiro, mas o programa de almoço e

85:58

até pequeno almoço em muitas escolas.

86:00

Eh, o programa de alimentação no Brasil

86:03

é 100% estatal e atualmente só 10% pode

86:07

ser comida ultraproçada, portanto só 10%

86:09

é que pode ter o chocolatinho e assim. E

86:11

o MIC só saiu o ano passado, portanto

86:13

não sabemos como é que isto vai ser, mas

86:15

o México lançou mesmo uma campanha

86:16

também e a promover hábitos mais

86:19

saudáveis em que não só nas cantinas não

86:21

pode ser servido nenhum tipo de

86:22

ultrapçados, mas nas à volta das escolas

86:25

também não. Não pode ser vendido eh nem

86:27

nas escolas nem à

86:28

>> Ah, já tinha ouvido falar.

86:29

>> É espetacular. É um programa. Bem, vamos

86:30

ver o que é que vai acontecer. Foi, foi,

86:32

>> qual é o rei? Porque se for um raio

86:34

demasiado grande, estás também a a

86:36

>> Não, não é grande, porque é mesmo nas,

86:37

eles chamam-lhe venditas. Eu acredito

86:38

que seja algo mesmo dentro das escolas.

86:40

Eu nunca fui ao México, mas no Brasil é

86:42

muito comum tu teres as venditas. É que

86:44

é diferente daqui. Eh,

86:46

>> sabes que à porta do colégio alemão aqui

86:48

no Porto havia um homem a vender gomas

86:51

>> numa tipo numa carrinha ambulante, pá. O

86:53

gajo devia ser milionário.

86:54

>> Eu também tinha a carrinha de lada à à

86:56

porta da

86:56

>> são essas. Ou seja, nem sequer tem raio.

86:58

Portanto, eles chamam as venditas das

86:59

escolas.

87:00

>> OK, não fui confirmar esse dado do raio,

87:02

mas mas é mesmo dentro das escolas.

87:04

>> Mas eu acho que a própria indústria do

87:05

fast food procura estar ao pé desses, ou

87:06

seja, eles próprios procuram estar aí

87:08

porque sabem que

87:09

>> claro sim. Ao pé dos bairros fazem isso.

87:11

>> Claro, claro. E portanto, estamos a

87:12

falar de políticas que são são pensadas

87:15

e são muito globais e que envolvem

87:17

cantinas escolares. Isto leva-me à à ao

87:21

amor da minha vida. A margarida é o

87:23

combate ao álcool e a promoção de

87:24

cultura e a minha é mudar as cantinas

87:27

escolares porque é tão sabes que eu

87:29

gosto

87:29

>> também isso eu sei mas é que é tão

87:31

>> e gostam as duas de despolarização

87:33

>> e também gostamos deização não a verdade

87:35

é que nós precisamos das mesmas coisas

87:36

porque a verdade é que é é já vimos que

87:38

é tudo igual tudo associad as cantinas

87:40

escolares elas têm um potencial de

87:42

mudança tão grande primeiro porque

87:44

alimentam milhares de pessoas não é

87:46

todos os dias milhares de pessoas comem

87:48

não é só não e temos de pensar que não

87:50

são só as escolas são as escolas são as

87:51

universidades, são as prisões são os

87:52

hospitais. Pronto, são muita, são

87:54

milhares de pessoas que se alimentam em

87:55

cantinas todos os dias. E depois outra

87:57

coisa que as cantinas nos fazem é eh

87:59

imaginem termos cantinas que são mesmo

88:01

saudáveis, com alimentos mesmo bons,

88:02

mesmo de qualidade. A verdade é que nós

88:04

deixamos de ter a alimentação saudável

88:07

deixa de ser um privilégio e passa a ser

88:09

de livre acesso. Portanto, ao

88:11

conseguimos dar a todos o mesmo tipo de

88:13

alimentação, enquanto dentro das casas

88:15

as famílias, não é, com mais literacia,

88:17

com mais possibilidades, conseguem ter

88:18

uma comida mais saudável. Se as cantinas

88:20

escolares forem saudáveis, toda a gente

88:23

tem acesso. E depois outra coisa que eu

88:24

adoro nas cantinas é que se fizeres um

88:27

um processo de compras públicas bem

88:29

feito, tu consegues mobilizar todo o

88:31

sistema alimentar à volta, porque tu

88:32

podes dizer: "OK, agora 30% eh dos

88:35

alimentos têm que ter proveniência

88:37

biológica, que é o que acontece na na

88:40

nas cantinas de Torres. Eh, eh, e

88:43

portanto tens o os produtores biológicos

88:45

têm mais incentivo a produzir assim

88:47

porque sabem que têm um mercado fixo.

88:49

Podes também

88:50

>> tens poder negociar porque vais

88:51

encomendar em grandes quantidades, mas

88:53

que tem devido aí, não é? Ou seja, é

88:54

muito mais fácil assim. Exemplo, podes

88:55

pôr, OK, só vamos servir três refeições

88:57

vegetarianas completas, não que temos

88:59

visto, mas refeições vegetarianas mesmo

89:01

boas, com boa comida e assim nós também

89:03

temos uma diminuição, não é, da emissão

89:04

de gatos com efeitos, estufa, etc, etc.

89:06

E, portanto, tu consegues não só

89:08

diretamente impactar imensas pessoas e e

89:11

especialmente crianças, mas também

89:12

consegues impactar o sistema alimentar à

89:14

volta. Por isso, eu acho que é tipo é

89:15

win win win win win win win. Não há como

89:18

história.

89:18

>> E realmente poupas mais dinheiro, não é?

89:19

Ou seja, tá tudo poupas mais dinheiro

89:21

diretamente aí e indiretamente na

89:23

prevenção de doenças que é é tipo é aí

89:25

que se começa. Ou seja, poupas mesmo. É

89:27

mais barato que varrer tudo ultraproçado

89:29

de certeza.

89:30

>> Eh, então a ultraparens

89:33

estás a pensar.

89:35

Não, não. O em questão de

89:36

ultraprocessados, sim, mas na verdade as

89:37

cinas também, OK, embora tenham alguns

89:39

ultrapados, também têm comida, comida

89:42

normal, mas eu eu sei que há esse mito

89:45

que não é possível se não gastamos mais

89:47

dinheiro, mas eu trabalhei com isto e eu

89:50

fui à Dinamarca ver as cantinas de

89:52

Copenhaga e eu conheci a pessoa que

89:54

mudou as cantinas de Copenhaga ou

89:56

>> e ela não, mas é que eu conhecia e eu

89:58

disse mesmo diz-me a verdade, eu preciso

90:00

de saber a verdade, Tina. E ela,

90:02

Francisca, eu não tinha orçamento extra,

90:03

então não estou a dizer que é mais

90:04

barato, mas estou a dizer que ela com o

90:05

mesmo orçamento conseguiu alterar as

90:08

compras públicas que eh que depois não é

90:11

eh se se revertem nos alimentos que são

90:13

que são consumidos nas escolas. E ela

90:15

ela disse: "Eu não tive um cêntimo a

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mais e consegui fazer a mudança." E qual

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quais são os dois pontos para essa

90:20

mudança? é diminuir drasticamente o

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desperdício alimentar e optar por dietas

90:28

a mais eficientes, no sentido de serem

90:30

dietas de com proteínas vegetais, ou

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seja, trocarmos muitas vezes a carne e o

90:34

peixe por leguminosas, que são ótimas

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para nós, são ótimas para para o

90:37

ambiente, são muito mais baratas. E,

90:38

portanto, ela só com estes com estes

90:40

dois fatores conseguiu transformar as

90:42

cantinas e da de Copenhaga eh são agora

90:45

90% bio. Eh,

90:49

a é são plants, não é? Ou seja, são

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ricas em plantas, não são vegetarianas,

90:53

mas são muito ricas em plantas. Os

90:55

alunos são eh são completamente

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incluídos no processo de fazer os

91:00

alimentos. Então, eles têm mesmo eh a em

91:02

Copinhaga as Food School. que são

91:04

escolas absolutamente normais, com aulas

91:06

normais, escolas públicas, em que os

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alunos eh há sempre uma turma que não

91:10

vai às aulas e passa-se esse dia a a

91:12

cozinhar. Eles aprendem imensas coisas.

91:14

Eh,

91:14

>> mas agora há projetos escolares. Sim.

91:16

>> E temos em Portugal muitos giros. Olha,

91:17

em Torres Veedras também temos 30% bio e

91:20

temos até eles têm 3.500 alunos

91:22

envolvidos nas hortas e eles dão também

91:25

imensos workshops dentro das escolas

91:27

para os para os miúdos aprenderem a

91:28

cozinhar.

91:29

>> Isso é o EB23 Torres Vedras ou a escola

91:32

pública? Não são todas do do município.

91:36

>> Sim, são todas. E também em Idanha Nova,

91:38

eu não sei se é 30 ou até mais em Idanha

91:40

nova de alimentos bio para para haver a

91:43

promoção de de produtores biológicos na

91:45

zona. E também eles eles também se

91:47

preocupam em em

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cozinhar comida tradicional. Por

91:51

exemplo, achei tão giro. Fui ver uma

91:52

apresentação da das cantinas de Idanha

91:55

e, por exemplo, e a e a técnica que

91:57

estava a desenvolver no carnaval disse:

92:00

"Não, vamos fazer um cozido, vamos dar

92:01

um cozido às crianças". Quer dizer, elas

92:03

vão comer o quê? Hambúrguers. Elas têm

92:04

de saber que no dia de carnaval, né, se

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come um cozido. Então, fizeram cozido e

92:08

e também foi mesmo giro eles eh havia um

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grupo para olha ligado quarte um grupo

92:15

de música que ia à iranha e eles

92:17

prestavam de um lugar para ficar e a

92:18

câmara disse: "OK, então vocês eh nós

92:20

vamos arranjar um lugar para vocês

92:21

ficarem, mas vocês vão tocar na

92:22

cantina". Então tinhas uma orquestra a

92:24

tocar na cantina para os miúdos.

92:26

>> Isso aconteceu na escola do meu filho.

92:28

Lindo, percebes? essa associação. E,

92:30

portanto, em Portugal estamos a fazer já

92:32

coisas e muito muito interessantes. Eu

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falo de Copinhaga porque eles fizeram

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uma mudança radical sem terem a

92:40

possibilidade de gastar mais 1 cêntimo.

92:42

>> Para não falar a longo prazo do impacto

92:43

que isso tem, não é? Eu acho que é isso.

92:44

Grande parte das doenças que consomem

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recursos são doenças evitáveis. Tão bom,

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eu almocei lá e parecia que eu estava a

92:49

almoçar num restaurante, sabes? Esse

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valor isso. O impacto que tem na tua

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energia, no teu sono, na tua capacidade.

92:54

Ou seja, todos nós reconhecemos. Eu

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acho, não é? Pelo menos eu acho que

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quando não anda a comer bem e quando não

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anda a dormir bem. Isto tem imenso

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impacto na minha memória, na minha

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capacidade de raciocinar. Então, imagina

93:03

isso, o impacto que tem numa criança com

93:05

o cérebro ainda em desenvolvimento, não

93:06

é?

93:06

>> E também acho tão giro isso e que estão

93:08

fazerem toques novas e que fazem muito

93:09

em Copinhaga também de os miúdos serem

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incluídos na produção da comida e eles

93:14

dizem que fazem mesmo autênticas aulas

93:15

de matemática, de química, que lhes

93:17

explicam imensas coisas através do há

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outra coisa que é que os miúdos muitas

93:20

vezes influenciam depois os pais. Ou

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seja, a escola também é muito um veículo

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de depois de influenciar os pais e de

93:26

não por casar,

93:27

>> mas é mesmo verdade, os miúdos

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influenciam os pais positivamente. É

93:30

mesmo. Sim. Ou seja, se eles depende

93:31

aprender uma coisa sobre desperdício

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alimentar e ah, sabias que podemos usar

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os talos dos brócolis? Eles vão para

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casa a dizer isso ou perguntar tipo:

93:36

"Ah, mas

93:37

>> o que é que é este rótulo? É isso? O que

93:38

é que é este nutricor? O que é que é o

93:40

que é que é uma das coisas?"

93:41

>> Para quem nos está a ouvir, só estamos

93:43

agora a olhar para uma imagem de da

93:45

Nutriscore, que são aquelas aquelas

93:47

aquelas letras que aparecem na comida. E

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eu não gosto nada deste sistema. E não

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gosto nada deste sistema por várias

93:54

razões. Primeiro porque h

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tem categorias, ou seja, quando vemos,

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por exemplo, um a aqui estamos estamos a

94:02

olhar para um comida de microondas ou já

94:04

pronta e fusília à bolonhese, ainda por

94:07

cima deve ser aquela carne picada que é

94:10

dos restos que c os restos da vaca que

94:12

caem no chão da fábrica.

94:13

>> Uma vaca se parecia pergunta, será que

94:15

não é buzaa de qualquer diferenha? E

94:17

acho que um dos grandes erros é pôrem

94:19

isto na nos pacotes. Imagina, vê o fuzil

94:21

à bolinhas de micro-ondas com A e vem,

94:24

se calhar um iogurte grego aqui no meio

94:27

com C ou outra coisa que de outra

94:29

categoria com C. E como nunca ninguém

94:32

lhes ensinou e como não tá ali escrito

94:34

dentro e devia estar escrito, acho que

94:35

era a primeira coisa a fazer dentro da

94:37

categoria e explicar. Sim,

94:39

>> as pessoas se calhar tão num corredor de

94:41

supermercado e vem isto com A de um lado

94:43

e vem Coca-Cola Z do outro lado, ts a

94:46

ver, com B ou vem uma coisa saudável com

94:48

n com uma letra pior

94:50

>> e pensam ai não é super saudável por

94:51

exemplo chocaap tem a porque não serve

94:54

ou seja não serve bem para comparar não

94:56

é assim que ele é pensado, mas é assim é

94:58

um sistema que tem falha sem dúvida

94:59

alguma e é isso. Isto é um bom exemplo

95:01

de uma das falhas do Nutrice Core. Acho

95:02

que é muito difícil arranjar um sistema

95:04

perfeito e por isso é que nenhuma destas

95:06

medidas pode ser feita sem ser

95:08

acompanhada de literacia. Para que é

95:09

isso? Quer dizer, tu olhas para aquele

95:10

lá e percebes este a não faz muito

95:12

sentido, não é? Eh, mas eu acho que

95:14

tendo, e aqui a Francisca saberá saberá

95:16

melhor, mas eu acho que há muitas coisas

95:17

em que de facto pode ajudar e e em que

95:20

te pode assinalar, OK, isto mesmo, por

95:23

exemplo, comparares entre produtos da

95:24

mesma gama, não é? Ou seja, há coisas em

95:26

que pode fazer um bocadinho mais

95:27

sentido, mas

95:27

>> e acho que devia por cima dos legumes e

95:29

das frutas haver um a um a mais gigante.

95:33

>> Sim. que só isso e é tipo, ah, ok,

95:35

>> mas isso é aquela informação fazer

95:38

finalmente velocidade aosis, tipo, este

95:40

brócolis crocante. Ah, e ah, e outra

95:42

coisa que disseste há bocado e se houver

95:44

algum supermercado a ouvir-nos, eu passo

95:46

a ser vosso cliente se fizerem isto, se

95:47

calhar algum já faz, mas como é que não

95:49

há nenhum supermercado que eu saiba em

95:51

que tu chegues à zona da fruta e tem uma

95:53

secção que é isto é da português e da

95:57

estação

95:57

>> mas eu acho que acho que tem não tem

95:59

quando eu em Lisboa lembro continente

96:01

também não tem uma uma zona dizia local

96:04

o Oxá tinha o o que eu ia em Lisboa eu

96:06

agora não vou

96:07

>> dizia produtos locais eu lembro-me tinha

96:10

uma uma uma partezinha que era produtos

96:12

locais, mas só vi uma vez, ou seja, só

96:15

vi uma vez quando eu morava ia sempre a

96:16

Socha, então sei que nem socha tenho

96:18

isso.

96:18

>> Eh, mas realmente onde eu vou agora às

96:21

compras, porque não é, eu estou a morar

96:22

no Porto e portanto agora vou mais ao

96:24

Continente e ao Pingo Doce, enfim, não

96:26

sei se podemos dizer nomes supermercados

96:27

a podes dizer tudo.

96:29

>> Eu eu faço compras a pé, eu gosto muito

96:30

de ir ao supermercado a pé porque gosto

96:31

de levar a minha filha e, portanto, vou

96:33

mais ao Continente até ao Pingo Doce. E

96:34

de facto acho que lá nunca pelo menos

96:35

nunca reparei, mas a verdade é que como

96:37

eu recebo um cabaz, não passo muito

96:40

rápido, não, não estou a ver tudo.

96:41

>> Uhum.

96:42

>> Sim. Eu acho que estas coisas são, claro

96:43

que são bem intencionadas, mas tem que

96:45

vir com mais contexto e mais educação,

96:47

porque e é como, olha, como na saúde, é

96:49

como é como em intervenções de saúde, às

96:51

vezes quando tu és demasiado

96:53

paternalista no sentido de o povo não

96:56

vai perceber e se eu complicar muito,

96:59

>> as pessoas acabam por tomar às vezes

97:01

decisões piores ou até deixar de

97:03

confiar. Aliás, aconteceu um bocado no

97:04

covid com as vacinas, tipo, quando

97:06

diziam que não, as as pessoas têm que

97:08

ter as vacinas são todas iguais, não

97:11

interessa qual vão tomar. E depois

97:13

porque achavam que as pessoas não tinham

97:15

literacia para perceber que uma era uma

97:17

tecnologia nova e outra antiga. E depois

97:19

isso acho que só reforçou quantidade,

97:22

mas é isso. Eu acho que essa esse

97:23

paternalismo nunca é bom, não é? por um

97:25

lado, mas por outro há é isso. Há

97:27

muitos, há muitas pessoas que procuram

97:28

no médico um bocadinho esta confiança e

97:30

diga-me o que é que eu tenho de fazer,

97:32

porque isso também é mais confortável e

97:33

mais rápido, não é? Eu acho que tens de

97:34

pensar e perceber as coisas, ainda assim

97:36

acho que é um esforço que se deve fazer,

97:37

porque de facto em termos de adesão

97:39

terapêutica, em termos de é isso, é, eu

97:40

tenho a quantidade de doentes que eu

97:41

tenho que é diabética e que não sabe o

97:43

que é que é diabetes ou que sabe que é a

97:44

doença dos açúcares, mas não percebe

97:45

bem. E é completamente diferente

97:47

perceberes porque é que tomas um

97:48

medicamento ou porque é que a forma como

97:50

com comes é que um fusí de bolhesa é

97:52

diferente de uma o açúcar da fruta, não

97:55

é? É completamente diferente. E portanto

97:57

aí eu acho mesmo que tem de haver é

97:59

isso, de lado do consumidor também. Eu

98:01

acho que nós às vezes também temos de

98:02

ser responsáveis e o consumidor tem um

98:04

poder de mudar a indústria brutal e isso

98:07

vê-se muito com os lights e os geros,

98:08

não é? Agora tudo diz light ou proteína.

98:11

Olha, proteína proteína. Agora é

98:13

proteína o light acabou. proteín todo

98:16

lado,

98:17

>> mas isso vem do consumidor, ou seja, e

98:18

mesmo esta agora agora é isso, o

98:20

saudável é há um marketing à volta do

98:21

saudável e do light e do fit e do não

98:23

sei quê. Consumidor já p 20 anos, mas a

98:26

proteína é mais recente.

98:28

>> Mas ou seja, isto para isto para dizer

98:29

que

98:29

>> mas está em clíno, tá? Já venho aí uma

98:30

nova. Isto vai dizer que nós como

98:32

consumidores temos o poder de mudar a

98:33

indústria e somos nós acima de tudo. E

98:35

por isso é que é importante é isso, ir

98:37

falando sobre estas coisas e questionar

98:38

os nossos médicos, questionar as pessoas

98:40

com quem nos cruzamos e questionar os os

98:42

maiores especialistas, mas tentar

98:43

perceber porquê. Porque depois nós de

98:45

facto temos temos o poder de mudar a

98:47

indústria e mudar as políticas de saúde

98:48

e mudar mudar tudo isto. Portanto, é bom

98:50

questionar, é bom perguntar, é bom

98:52

duvidar, é bom perguntar porquê. Eu acho

98:54

que o primeiro podcast que eu tinha eh

98:56

que eu tive chamava-se a curiosidade

98:58

salvou o gato, porque eu acho de facto a

99:00

curiosidade é um motor de quase tudo tu

99:02

perguntares e queres saber porquê depois

99:04

leva-te a imensos caminhos a conheceres

99:05

pessoas, a perceberes porquê e eu acho

99:07

que isso tem logo tem logo é tipo começa

99:09

uma corrente positiva.

99:10

>> Uhum.

99:11

>> Sim. Não, mas só para finalizar a

99:13

questão do Nutricecore, eu acho que é

99:14

muito válido nós termos sistemas de

99:16

repulagem frontal. ajuda ao consumidor.

99:18

Ou seja, atualmente eh a tabela

99:20

nutricional é confusa. Muitas pessoas

99:23

até eh estou a dizer muitas pessoas até

99:25

com muita literacia, sei lá, uma pessoa

99:27

se calhar formada em direito não percebe

99:28

a tabela nutricional, se calhar é quase

99:29

por ser nutricionista para entenderes. E

99:31

portanto o que se tem percebido é que

99:32

ajuda termos rótulos frontais. Agora, é

99:35

claro que, como a Margarida disse, não

99:36

há eh padrões perfeitos. O Nutricor

99:39

funciona como um algoritmo, não é,

99:40

Margarida? Ou seja, há os pontos

99:42

positivos e há os pontos negativos. Sim,

99:44

é demasiado simplista.

99:45

>> E, portanto, há um algoritmo eh eh por

99:47

trás e que não e e pronto, há um

99:50

algoritmo por trás e, portanto, o o

99:52

produto, de acordo com os pontos

99:53

negativos e os pontos negativos, recebe

99:55

os pontos negativos e positivos recebe o

99:57

A, B, C, D.

99:58

>> Sim. Mas não inclui, não inclui eh

100:01

micronutrientes, não inclui só é só

100:03

quantidades de açúcar, eh proteína,

100:06

fibra. Eles analisam o produto sempre

100:07

globalmente, ou seja, se o alimento é

100:10

nutricionalmente equilibrado em si, por

100:12

ser é diferente do método chileno em que

100:15

não há quase um julgamento se o produto

100:16

é saudável ou não, só diz é alto em

100:18

açúcares. Pronto, a partir daí lida com

100:20

essa informação.

100:21

>> E e claro que o Nutrice Core é é é um

100:24

dos métodos. Acho que podemos questionar

100:26

qual é que funciona melhor e até podemos

100:27

ver? Olha, em qual país é que funcionou

100:29

melhor e e adotar os que estão a

100:32

funcionar melhores. Acho que ainda bem

100:33

que estamos globalizados e podemos

100:34

conversar com vários investigadores e

100:35

perceber, mas o Nutricore é é importante

100:37

que as pessoas percebam que ele é um

100:38

algoritmo que vai analisar o alimento

100:41

globalmente. E, portanto, o o ideal é

100:44

que nós tenhamos uma dieta que é

100:45

equilibrada com os vários alimentos que

100:47

comemos. Nós não podemos esperar que um

100:49

alimento só nos dê toda a nutrição. E é

100:51

por isso que acho que pode depois gerar

100:52

tantas dúvidas, porque é considerado

100:54

pequeno almoça a e o azeite é D, como

100:55

estavas a mostrar. Não expliquei direito

100:58

há bocado, mas e lá está, como isto é

101:01

por categoria, imagina é dentro da

101:04

comida pronta pôr no microondas que o

101:06

fosil era e é dentro da categoria dos o

101:10

nutricor é para comparar dentro da

101:12

categoria dentro da mesma categoria

101:13

categoria e e pronto, isso é muito

101:14

perigoso e leva a outra coisa que é o

101:17

Exato. É, devia ter esse contexto porque

101:19

é muito complexo ao mesmo tempo. É muito

101:21

complexo ao mesmo tempo. E depois o

101:23

problema do score é que a indústria

101:25

consegue muitas vezes dar ali a volta.

101:27

Porquê? Porque ela pode adicionar os

101:28

pontos positivos, mas manter os

101:30

negativos e aquilo fica log.

101:31

>> Era o que eu ia dizer, chama-se Nutri

101:32

Score Engineering e houve vários cereais

101:34

que fizeram isto que é, imagina o fibra

101:38

dá-te imensos pontos,

101:39

>> não sei se foste só que mas fibra dá-te

101:41

imensos pontos. Então o que o que muitos

101:44

fizeram é reduziram um bocadinho o

101:46

açúcar, mas não podiam reduzir muito

101:47

porque tem que dar o shotte de dopamina

101:48

para depois ser mal. Não, mas mas

101:51

imagina demasiada fibra não depende da

101:53

dieta da pessoa, não é demasiada fibra

101:55

mau, sabes melhor do que eu.

101:56

>> Mas a fibra que acrescentam ainda por

101:58

cima é não são as não são fibras

102:00

integrais que vêm de coisas boas. É ou

102:02

inolina

102:03

>> ou polidextros ou assim uma coisa. Deixa

102:06

ver aqui o nome.

102:07

>> E não sei o nome. H poas fibras. Ok.

102:11

>> Sim. são, pá, no fundo, coisas que eles

102:13

acrescentam para subir a fibra e subir

102:15

no nutricore.

102:17

>> E o este que eu li ainda ia mais longe

102:20

que era entre a inolina e a

102:22

polidexterose,

102:23

>> as pessoas que estão a fazer o nutricore

102:25

engineing para aumentar a fibra têm

102:27

optado mais por inolina porque as

102:29

pessoas, as poucas pessoas que vão ler o

102:31

rótulo para lidose soa mais químico. Ai,

102:35

>> então optam pelo por um que parece mais

102:37

acho que cada vez mais a conversa tem de

102:38

ser, ou seja, porque a certa altura se

102:41

tu consumires estes produtos em pouca

102:42

quantidade, há espaço um bocadinho para

102:43

tudo, não é? E não tem mal quando tu

102:44

comes uma taça de cereais, só critic

102:46

porque sabe bem. Por isso é que

102:47

exatamente e por isso é que eu adoro os

102:49

nuggets.

102:49

>> Adoro.

102:50

>> Sério?

102:51

>> Ah, bem, Mac já me eu acho que

102:52

McDonald's já.

102:54

>> Sim, mas engraçado. Nuggets em geral,

102:56

todos os nuggets como todos. Mas é isso,

102:59

quanto mais, quanto mais falares sobre

103:00

as coisas boas, e por isso é que eu acho

103:02

que eh é um bocadinho como é com as

103:04

crianças, há um bocadinho uma forma de

103:05

fazer medicina positiva, sabes?

103:07

Paraalidade positiva, que é isto de

103:08

falar mais sobre as coisas, porque

103:10

também é difícil tu chegares a um sítio

103:11

e ser só não, não, não. E de repente é

103:13

tipo i bem,

103:15

>> consegues duas semanas e depois desiste.

103:17

E há mesmo espaço com coisas que sabem

103:18

bem que há possibilidade.

103:21

>> Sim, sim. E mas sabes que há

103:22

possibilidade querem introduzir

103:24

processamento dentro do algoritmo. Eu

103:25

acho que isso ia mudar muita coisa,

103:26

porque o processamento da indústria não

103:27

pode mentir. Portanto, se há esse eh X e

103:31

e Y etapas de processamento, a indústria

103:32

não consegue mentir. E, portanto, o

103:34

processamento se tirasse pontos ao

103:36

produto, nós íamos ter os produtos

103:37

minormente. Sim. Será que se estás a

103:39

dizer ultraprocessado e processado e não

103:41

processado?

103:42

>> Tinhas que definir ali a zona cinzenta,

103:43

não é? Imagina que acrescenta.

103:45

>> Então, mas é esta a regra, não é?

103:46

>> Não, mas imagina que descascas um caju,

103:49

isso é processar, não é? Simcaris

103:53

continua ser minimoado. Tom mais

103:54

continua a ser minimo processado.

103:56

>> Sim, mas esperem depois pões sal ainda

103:58

não é ultrapçado, mas depois pões

103:59

glutamato monossódio.

104:00

>> É ultrapçado. Não tens glutamato

104:02

monossódico em casa?

104:03

>> Podes ser. Os chineses muitos têm. Ah,

104:05

tá bem. Mas

104:05

>> não é por aí. Porque acho que

104:08

eu acho que é importante percebermos que

104:10

às vezes não é um ingrediente é haver

104:12

uma formação industrial que não

104:13

consegues explicar em casa. Acho que é

104:15

mais por aí. Portanto,

104:17

>> eh, não é um ingrediente sozinho, mas

104:19

mas a questão é não vai ser perfeito,

104:22

mas acho que podemos olhar para os

104:23

países em que isto teve impactos na

104:25

saúde e percebermos, OK, então isto está

104:27

a fazer as pessoas, isto está a ajudar

104:28

as pessoas a fazerem melhores escolhas,

104:30

então se levamos por aqui. Mas acho que

104:33

acho que podemos tentar fazer isso,

104:34

olhar e ver o que é que resulta mais,

104:36

sabes? E acho que o Nutriscore eu tenho

104:37

sempre, eu eu percebo a raiva e atenção,

104:40

o Nutriscore e eh ajuda muito a a

104:43

indústria alimentar, portanto, eh a

104:45

indústria alimentar que que eu não acho

104:47

nada interessante, não é? Que é que nós

104:48

já discutimos aqui, mas ao mesmo tempo

104:50

eu acho que o propósito é bom, sabes? O

104:53

propósito do Nutriscore foi muito

104:55

positivo. O professor criou o Nutriscore

104:57

tinha realmente a vontade de ajudar as

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pessoas a escolherem melhor. Portanto,

105:00

acho que se calhar se mexermos no

105:02

algoritmo, se se houver aqui uma série

105:04

de coisas, se calhar pode ser um um

105:06

>> um rótulo muito interessante no futuro,

105:08

não é? Hoje hoje tenho que tem uma

105:10

consulta, ou seja, eu acho que nunca

105:11

falei do nutriz cor em consulta.

105:13

>> Ninguém te fala sobre isso.

105:14

>> Isso não vou falar o que é que eu vou

105:15

falar.

105:15

>> Não, eles é que podiam dizer ai não, mas

105:17

as bolachas são nutricors.

105:19

>> Eh,

105:20

>> mas aqui não é obrigatório, não é? Não,

105:21

eu digo é, mas é isso, eu digo é como

105:23

profissional de saúde, não é uma

105:24

ferramenta, ou seja, para mim o que é

105:26

importante é perceber é isso. Se cará,

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eu perco muito mais tempo para explicar

105:28

o que é que é um alimento processado e

105:29

um ultraprocessado e a importância de

105:31

fazer, nem que seja 5 minutos de da

105:33

pessoa se pôr a mexer, muito mais do que

105:35

estar a dizer, olha, quando vai ao

105:36

supermercado, olho para o Nutrice Core e

105:38

dentro do Nutrice, tipo, eu não perco

105:41

a sua vida não ser algo tipo ah isto é

105:43

dentro, isto é fora, o que importa e é

105:44

muito interessante isso é o padrão

105:46

alimentar e é o que se tem percebido. E

105:48

o que é que é o padrão alimentar? aquilo

105:49

que nós comemos como um todo. Às vezes

105:51

eu recebo pessoas, Francisca, mas este

105:54

alimento, este específico, isto torna

105:56

alimento, tinha tem um sulfite, torna

105:57

alimento ultrapessado. Eu não, não,

106:00

>> acabas por viver com medo, não é? Tipo,

106:01

percebiste uma coisa que

106:03

>> o problema é um padrão alimentar

106:05

abundante em determinadas coisas. Não

106:08

usarmos a comida para ser demasiado, não

106:10

usarmos,

106:11

>> não usar esse escrutínio, sabes? Eu

106:12

tenho muita dificuldade quando aquilo

106:14

que comemos vira um escrutínio

106:15

constante.

106:16

>> Sim, sim. também não é saudável,

106:17

>> não.

106:17

>> Eenizas grupos de grupos, tipo, o

106:19

açúcar, as pessoas têm todas medo do

106:21

açúcar, quer dizer, fazer um bolo que

106:22

tenha um bocado de açúcar não é um drama

106:24

fazer, quer dizer, há esta coisa quase

106:26

dos as resoluções de ano novo, é isso, é

106:28

sempre 1000 dias sem açúcar ou 1000 e é

106:30

diferente um bolo que tu cozinhaste isso

106:31

do que da daquela daquela coisa que tu

106:33

estás a comprar que nem sabes bem o que

106:34

é que tem lá e é o açúcar invertido, nem

106:36

é bem o açúcar. Portanto, é isso. É

106:38

>> comida fazos bem e o nosso corpo não é

106:40

sabe o que fazer com com com a comida,

106:42

não sabe? Ele vai vai fazer as coisas em

106:44

condições.

106:44

>> Nós devamos ter feito este episódio com

106:45

enquanto

106:46

>> comos estamosados.

106:49

>> Último tema, hum,

106:51

crianças e posicionamento estratégico de

106:55

gomas e batatas fritas. Pá, não sei se

106:57

vocês já repararam, mas no supermercado

106:59

às vezes estás no corredor, estás no

107:02

corredor da bricolage e aparecem-te lá a

107:05

meio uma fila de gomas, que é para eles

107:07

terem a certeza que mesmo que o pai

107:09

entre com a criança e só vá comprar uma

107:11

cena de bricolage, vai ter o filho a

107:13

chateá-lo e depois na caixa,

107:14

>> depois vai fazer, vai, vai gritar imenso

107:16

e tu vais ficar com vergonha, vais

107:17

pensar bem, meu Deus, que eu faço

107:19

>> isso é estudado ao milímetro, aliás, as

107:21

cores do supermercado onde sabes que as

107:23

marcas pagam para estar em determinados

107:25

lugares no supermercado. Sim, portanto,

107:27

isto é estudado milimetricamente, não há

107:29

nada num supermercado que seja ali

107:30

colocado à toa. O tal tem é mais

107:32

avermelhado, a parte fresca é é ali mais

107:37

mais verde e nós vemos tudo tudo é meio

107:39

verde assim e portanto é tudo muito

107:42

muito bem pensado milimetricamente para

107:44

e nós comprarmos mais coisas, não é?

107:46

>> Portanto, eu acho,

107:48

>> sim, isso é que eu digo, às vezes tu

107:48

podes fazer tudo muito bem em casa, não

107:50

é? Mas depois esse ambiente tem sim

107:52

supermercado no outro dia fui a uma uma

107:54

bastelaria que era almoço e de repente

107:56

havia uma vitrine cheia de chocolates e

107:58

e coisas. Quer dizer, eu só pensei

107:59

pronto, estou feito, o que é que eu vou

108:00

fazer? E realmente a pessoa tá cansada e

108:02

quase que desiste e diz leva lá o

108:03

chocolate e pronto, é só uma vez. Só

108:05

quando todo o ambiente é assim é difícil

108:07

porque é só uma vez, muitas vezes. E por

108:08

isso é que lá está, por exemplo, eu no

108:10

outro dia uma doente falou-me do acho

108:11

que é na Suécia ou na Dinamarca, já não

108:13

sei, em que eles têm postos em que têm

108:14

fruta, eh, frutas tipo no meio da rua ao

108:16

pé das paragens, pronto, e as pessoas

108:18

tiram e depois podem deixam lá o

108:20

dinheiro. Seja, aquilo é uma coisa sem

108:22

hó,

108:23

tu tiras a fruta que queres, vês quanto

108:25

é que aquilo custa e deixas lá o

108:26

dinheiro na base da confiança. Pens isto

108:28

em Portugal era difícil de fazer, mas

108:30

tipo isto teres fruta, porque a mesma

108:32

coisa que se faz para o lado mau de

108:34

estar a tentar pôr chocolates na quando

108:36

estás a ir embora no supermercado

108:37

pode-se fazer para o lado bom. Ou seja,

108:38

tu podes fazer isto com fruta, podes

108:40

fazer isto com água, podes fazer a a

108:41

coisa de teres as fontes, por exemplo,

108:43

públicas e poderes encher a tua garrafa.

108:45

Também também há um lado bom desse

108:47

marketing e dessa arquitetura da

108:48

escolha, não é, que que dá para fazer.

108:50

E, portanto, no fundo é aproveitar isso

108:51

que

108:51

>> Exato. Eu acho que tem de haver

108:52

limitação governamental, senão nós não

108:54

vamos conseguir mudar. É impossível

108:55

pedirmos às pessoas para ter

108:56

responsabilidade como pais e até para

108:59

nós próprios. Nós próprios não

109:00

conseguimos.

109:00

>> Então gomas e escoles só no corredor da

109:02

gomas e escolas não pode haver na caixa

109:04

nem na bricolagem.

109:05

>> A minha claro eu acho que não.

109:06

>> Pois pá, eu não estos têm de intervir

109:09

porque nós estamos a perceber que

109:10

estamos com um problema de saúde pública

109:11

tão grande que se não começarmos a

109:12

intervir a sério.

109:14

>> Mas é aí que eu digo que a indústria tem

109:15

um peso grande

109:17

bocado do lobby, não é? Eu acho que faz

109:18

sentido proibir isso por acaso.

109:21

Eu acho que a única razão é isso. Eu

109:22

acho que a única razão para isso não

109:23

acontecer é o impacto que e o poder que

109:25

a indústria tem.

109:27

>> Mas se tivermos leis que proíbem, como

109:28

já temos em vários países, a

109:29

provarem-nos que é possível ir contra e

109:31

acreditem que a indústria de

109:32

ultraporçados no Brasil há de ser maior

109:34

que a indústria de ultrapados em

109:35

Portugal, porque a nível de dimensões é

109:36

muito maior e eles conseguiram limitar e

109:39

no México também conseguiram. Portanto,

109:40

nós conseguimos também provocar grande

109:42

parte das doenças que adoecem a

109:43

população. Ou seja, é,

109:45

>> portanto, eu acho que só com limitação e

109:47

acho que é preciso haver restrição de

109:48

publicidade especialmente para crianças.

109:51

Urgente, urgente. Muitos países já estão

109:53

a fazer isso. Acho que é preciso. Eh, e

109:54

já também nós também já já demos espaços

109:56

na direção também, ou seja, porque já há

109:58

isso com fast food em Portugal, por

109:59

exemplo, mas depois quer dizer, como é

110:00

que tu limitas e garantes que só a

110:01

criança é que vai ver? Isso aí também é

110:04

as crianças hoje em dia têm acesso a

110:05

tudo o que os adultos têm, não é?

110:07

Mas sabes que nesses e nos países que eu

110:09

mencionei e a digital também conta.

110:12

>> OK.

110:12

>> Sim, tem de contar.

110:13

>> Tem de contar, senão não consegues. Não

110:14

consegues. Tu Sim, mas como é que tu

110:17

garantes que uma criança não tá a ver

110:18

aquele anúncio? Não é?

110:20

>> Pronto.

110:22

Sim, mas pelo menos não não podes

110:24

anunciar esse produto a crianças. Ou

110:26

seja, os, por exemplo, aqueles infantis

110:28

não podem anunciar.

110:29

>> Exer. Pois, podes dizer no canal

110:30

infantil não pode dar, tal como não pode

110:32

passar tabaco

110:33

>> ah não, isso tá bem. Mas uma criança tá

110:35

casa a brincar e o pai tá a ver.

110:37

>> Tá bem, mas isso é a realidade, não é?

110:39

>> A maioria das vezes

110:40

>> a Margarida quer proibir tudo.

110:42

>> Não quero nada, mas eu não quero. Ou

110:43

seja, eu tenho imenso medo que passa

110:45

essa ilusão. Eu não quero nada. Eu acho

110:47

que é bom questionarmos estas coisas, ou

110:48

seja, porque mesmo isso depois há sempre

110:50

formas de controlar. Eu não acho. E

110:52

aliás é isso.

110:52

>> Não, mas olha, por exemplo, no Chile é a

110:53

nível de horários, ou seja, não pode

110:55

passar em horários em que as

110:56

supostamente as crianças estão a ver. Eu

110:57

acho que tem tem questão eu tenho imensa

110:59

dúvida. Eu acho que, aliás, eu até tenho

111:00

medo de parecer, há imensa coisa aqui,

111:02

se calhar da parte de marketing que eu

111:03

não sei, são é dúvidas que eu tenho, não

111:05

é? Claro, também tenho mais dúvidas

111:07

porque realmente tem impacto na

111:08

população,

111:08

>> mas por exemplo nos supermercados é uma

111:10

coisa relativamente simples, não é? Se o

111:11

governo intervisse, por exemplo, a

111:13

publicidade, realmente eles podem ver

111:14

num telemóvel ou podem ver fora de um

111:16

horário, é verdade, mas se nós

111:17

proibíssemos, por exemplo, ali nos

111:18

caixas, se houvesse uma proibição

111:20

determinados produtos, já ajudaria muito

111:22

aos pais a não terem estar ali na

111:23

manutenção. também é isso, porque

111:24

proibir de facto, ou seja, estas

111:26

indústrias têm um papel importante e há

111:27

imessas indústrias que parece que eu

111:29

estou só a falar mal, mas que têm

111:30

produtos bons e que são, eu acho é que

111:31

tá na altura das indústrias se

111:33

reinventarem e fazerem, ou seja, os

111:35

produtos que têm tentarem torná-los mais

111:37

saudáveis, ou seja, mais do que tentar

111:39

eh ver como é que podem vender, é tipo,

111:40

ok, bora reinventar um bocadinho a forma

111:42

como temos eh como temos feito as coisas

111:45

e torná-las mais saudáveis e pensar mais

111:46

na população, não tentar só lucrar e

111:48

vender na Masholder não vai gostar. Eu

111:51

acho que pode ser complicado. Proibido.

111:53

Eu acho maravilhoso. Soldar se tornar-se

111:56

moda. O que eu acho que não é preciso

111:58

proibir o produto, mas pode estar no

112:00

lugar certo, assim como nós não temos

112:02

carne na porta dos supermercados, não é?

112:04

Ou seja, podes ter tens um corredor em

112:06

que tens os chocolates, em que tens as

112:07

bolachas, e que tens tudo e mais alguma

112:08

coisa e quem quiser vai lá buscar porque

112:09

cada um é livre, não é? Mas ao mesmo

112:11

tempo não tens nos na na parte do caixa

112:15

>> não? espalhado por todo o supermercado

112:16

que com gomas e batatas fritas

112:18

espalhadas em todos os corredores.

112:20

>> Portanto, acho que pode haver os lugares

112:21

determinados e cada um vai lá comprar,

112:23

assim como várias vezes, né? Eu adoro

112:24

batatas fritas, adoro chips e não nego.

112:27

E vou lá e vou lá. Isso também é uma

112:28

coisa que nos une, é o nosso amor por

112:30

batatas,

112:31

>> não batatas, batatas fritas. Mas eu

112:33

adoro chip só é é ultrapassado.

112:36

>> Mas é que isso, ou seja, por exemplo, eu

112:37

acho que isto isto é que é o verdadeiro,

112:38

eu acho que eu sinto-me verdadeiramente

112:40

privilegiada por isso, que é eu tenho

112:41

acesso à informação, mas eu posso

112:43

escolher comer e saber que estou a comer

112:45

e que tem riscos. Portanto, eu não quero

112:47

que me digam que me tirem as batas, não

112:49

me tirem batatas fritas, não me tirem

112:50

mesmo fast food frut, não me tirem, não

112:51

me tirem. É isso, esse essa sangria de

112:53

vez em quando me apetece não me tirem

112:54

isso. Mas eu quero que toda a gente

112:56

tenha eh esta sorte de mim, esta sorte

112:59

que eu tenho que saber o risco que cada

113:01

coisa que eu faço tem, não é? E também e

113:04

que o ambiente é isso e de que o

113:05

ambiente seja também ex. Eu acho que

113:06

temos que estar num ambiente em que as

113:08

escolhas mais saudáveis e mais

113:09

sustentáveis, não entramos aqui no no

113:11

mundo da sustentabilidade, mas acho que

113:12

é importante, sejam mais fáceis e,

113:14

portanto, eu acho só temos de as

113:16

facilitar, não é tirar os outros

113:18

produtos, mas é ok, os outros produtos

113:20

estão na secção deles e nós facilitamos

113:23

com maçãs, com ervilhas, com

113:25

>> é remover fricção e nudge,

113:27

>> mas o nudge às vezes é moralmente

113:28

questionável, mas isso pode com Mas o

113:30

nudge acontece em todo lado a toda hora.

113:32

Sim, sim, mas não deixa de ser moral.

113:33

Pode ser bom. O supermercado vai vender

113:34

mesmo. Vamos vender maçã. Agora é a

113:36

questão, não é? O lucro pode ser

113:38

diferente, mas pode ter um termos coisas

113:41

boas e e há há barrinhas boas, há

113:43

bolachas boas, sei lá, ter as

113:44

marinheiras e ter uma série de coisas

113:46

ali na saída que se nós esquecemos

113:48

compramos, mas acho que os outros

113:50

produtos devem estar no lugar deles, até

113:51

porque as crianças estão a ser muito

113:53

afetadas com isto, não é?

113:54

>> As crianças e os adultos é isso, as

113:56

crianças são muito um reflexo daquilo

113:57

que nós fazemos, não é? Eh, no dia havia

113:59

um estudo que dizia que uma das coisas

114:01

mais, mas por acaso não li o estudo

114:03

todo, portanto nem nem sei bem como é

114:04

que era, mas era um bocadinho isto sobre

114:06

o o impacto que tem o tempo da ecran dos

114:08

pais nos filhos. E nós estamos sempre

114:09

muito a falar do tempo da crã dos filhos

114:11

e o tempo ai mas de facto tem imenso

114:13

impacto. E eu noto isto porque às vezes

114:14

eu estou perdida no meu telemóvel e a

114:15

pensar realmente ele tá a olhar para mim

114:17

e tá a ver tipo um adulto com com um

114:18

telemóvel e portanto às vezes nós temos

114:20

de olhar para nós primeiro e de facto a

114:22

nossa sociedade tá muito doente também.

114:24

E isto é importante para as crianças,

114:26

mas também para nós, porque tudo isto,

114:27

ou seja, as pessoas, há muito absentismo

114:29

laboral, muito presentismo também, não

114:30

é? Há muita gente doente e depois isto

114:32

tem tudo um impacto. Temos todos muito

114:34

menos qualidade de vida. A quantidade de

114:35

pessoas a quem eu pergunto esta tal

114:36

coisa da qualidade de vida e que me diz:

114:38

"Não sei, a minha vida é trabalho casa,

114:39

trabalho de casa". Isto não é, não é as

114:41

pessoas, nós não queremos só viver até

114:42

aos 100 anos. Queremos viver,

114:43

>> trabalho casa scroll com inveja da vida

114:45

dos outros.

114:47

>> Sim. É horrível. E contra mim falo que

114:48

às vezes estou ali e penso: "Meu Deus, o

114:49

que é que eu tive aqui a fazer?" Não é?

114:51

Mas é é de facto nós estamos é a coisa

114:53

das pessoas ultraprocessadas. Nós

114:54

estamos todos tipo a querer fazer mais

114:57

em menos tempo e ter tempo e parar é

115:01

mesmo uma coisa que dá muita saúde. E

115:04

féria.

115:04

>> Sim. Sim. falar pensar daqu nada vou

115:07

para Lisboa.

115:09

>> Mas eu acho bonito pensarmos nisso e

115:11

pensarmos que na verdade o que quando eu

115:13

pelo menos falo da alimentação porque é

115:14

o meu tema, mas quando eu eu trago estas

115:16

mudanças do mundo alimentar eu acho que

115:18

na verdade estou a pensar em formas de

115:20

nós reestruturarmos a sociedade porque

115:22

se nós mudarmos a forma como nós

115:23

comemos, como nós produzimos, como nós

115:25

distribuímos, como nós cozinhamos, como

115:27

nós compramos alimentos, nós estamos a

115:30

contribuir para uma para uma vida

115:32

>> mais mais mais feliz. Eu tenho medo de

115:34

dizer isso, porque é que é felicidade,

115:35

mas eh mais íntegra, mais calma, eh com

115:40

mais contacto humano. E portanto, quando

115:42

eu sismo nas feiras e em conhecermos o

115:45

produtor, não é só pelo não é só pelo

115:47

produto, mas é faz-nos bem olhar nos

115:49

olhos da pessoa que que produziu a nossa

115:51

cenoura e faz bem a esse produtor estar

115:53

na terra e produzir de forma saudável. E

115:55

isto é um ciclo de coisas boas que só

115:58

que só melhora e, portanto, é entrarmos

116:00

nesse ciclo de coisas boas e, portanto,

116:01

é uma forma de reorganizar a sociedade

116:03

que nós temos hoje em dia, porque a

116:04

verdade é que os ultraprocessados, os

116:07

problemas ambientais que estamos a

116:08

viver, os problemas de sustentabilidade

116:10

são reflexos de uma sociedade que está

116:12

adcida em muitos aspectos. E, portanto,

116:14

se nós conseguimos reorganizar a nossa

116:16

sociedade para sermos mais saudáveis em

116:18

todos esses aspectos, vai ser mesmo

116:19

melhor para todos.

116:20

>> Francisca é presidente.

116:22

>> Uh, eu voto. Deus me livre. Não, mas

116:25

olha a coisa das cantinas podias

116:26

implementar, podias tipo trazer para

116:28

Portugal o que o que fizeram na

116:29

Dinamarca

116:30

>> e já estão a começar a fazer aqui, mas

116:31

eu trabalho, podem chamar

116:33

>> bem, foi eu não precisava mesmo ter

116:35

estado aqui, mas tipo uma metrilhadora

116:37

de cada lado. Pá, pá, pá, pá, pá. Foi

116:39

incrível.

116:40

>> E obrigado mais uma vez. Eh, temos, pá,

116:43

dava realmente para ficar muito mais

116:44

tempo, mas eu tenho de buscar o meu

116:45

filho à escola, tu tens de ir a Lisboa

116:47

>> e tu tens de tomar conta do teu, dos

116:50

teus dois rebentos. os dois reventos,

116:52

>> um ainda no forno. E é isso. Gostaram?

116:55

>> Muito. Muito.

116:55

>> Foi muito bom. Olha, pessoal, obrigado

116:58

por terem estado por aí também. Não

116:59

fujam já. Se puderem, deixem um like,

117:02

comentário, subscrição ou avaliação onde

117:04

estiverem a ouvir isto. Se se tiverem a

117:06

sentir mais generosos, tornem-se cenas,

117:07

que ajuda-me a continuar este projeto e

117:09

trazer conversas fixes. Obrigado. É para

117:12

a semana, aliás, até daqui duas semanas.

117:16

Excelente.

Interactive Summary

This video discusses the complex relationship between food, health, environment, and society. It features Francisca Feiteiro, a master's student in food systems and culture, and Margarida Santos, a general practitioner, who engage in a conversation with the host about various aspects of food. They delve into the historical evolution of food consumption, starting from hunter-gatherer societies and the significance of mastering fire for cooking, which is linked to brain development. The conversation highlights the cultural and social impacts of food, touching upon personal anecdotes of growing up with different perspectives on food due to diverse life experiences. A significant portion of the discussion is dedicated to processed and ultra-processed foods, their origins, impact on health (obesity, chronic diseases), and the food industry's role. The speakers critically examine the difference between processing and ultra-processing, the economic drivers behind ultra-processed products, and the challenges in distinguishing between them. They also explore the influence of food environments, public policies, and the cultural context of food consumption in Portugal and other countries. The episode touches upon the role of alcohol and gambling industries, the importance of social determinants of health, and the potential of public policies and initiatives like improving school canteens and promoting local food systems to foster healthier lifestyles. The discussion also highlights the impact of marketing and the food industry's strategies in shaping consumer choices, particularly concerning children. Finally, they emphasize the importance of conscious food choices, cooking from scratch, and the interconnectedness of individual health with societal and environmental well-being.

Suggested questions

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