#106 MARGARIDA SANTOS & FRANCISCA FEITEIRA- Saúde, Ultraprocessados, Alimentação, Políticas Públicas
3837 segments
Muito boa tarde, se Deus quiser. Sejam
bem-vindos a mais um episódio de
Escolariza. O meu nome é Tomás Magalhães
e antes de arrancarmos com o episódio de
hoje, quero agradecer aos novos mecenas.
Aidan Bricker, Rute Marques, Renato
Poças, José, José Pereira, Cláudia
Horta, Amélia Martins, Mateus Diogo,
Maria Araújo, José Esteves e Sofia
Brandão. Muito obrigado a estas pessoas
que ajudam à à continuidade e melhoria
do do Despolariza. H, temos um grupo de
WhatsApp, temos uma comunidade que faz
jantares, às vezes fazemos trilhos, já
houve viagens a Espanha, é um sítio
também onde já há um casamento marcado.
É uma comunidade que que eu tenho muito
orgulho de ter começado. Se já tiverem
ouvido três ou quatro episódios, com
tempo em tornar-se cenas, há um link à
minha volta e outro na bio. E hoje vamos
fazer uma pequena viagem pela história
da comida, a maneira como influenciou e
continua a influenciar tanto a nossa
vida, a nossa cultura e a nossa saúde.
Vamos falar também sobre ambiente
alimentar, politas públicas e alguns
desafios que temos nas nossas vidas, em
particular na alimentação dos nossos
filhos. E para isso tem comigo as
gigantes, não literalmente coitadas,
Francisca Feiteiro e Margarida Santos.
>> Olá,
>> bem-vindas.
>> Olá, Tomás, que bom estar de volta.
>> E sou grande fã do vosso, não só sou
grande fã do vosso trabalho fazem nas
redes sociais, como sou grande fã do
vosso Bromant. Como é que se diz?
Bromant são duas.
>> É sism.
>> Sisms.
>> Exatamente.
>> E porque já conhecia, já vos conhecia em
separado e ya, é uma amizade que faz
todo sentido.
>> Temos uma temos uma química. É o facto.
>> Ya, vocês já vão sentir, já sentiram se
calhar no teu podcast.
>> Então, que é a Francisca? Francisca tem
um mestrado em sistemas e cultura
alimentar e a Margarida é de MGF, é uma
médica geral familiar, também já teve no
Dispolariza,
>> por isso hoje se fosse de fazer a
lotaria genética e social. Francisca, o
que é que te calhou na lotaria genética
e social?
>> Olha, a lotaria genética calhou 1,58 m,
não é? Eu estava a dizer a Margarida que
sou mais baixa que os meus pais, o que é
algo que não é comum, mas mas pronto,
foi foi o que Deus me deu. A a nível de
lotaria social, que é essa que eu acho
que é mais interessante. Acho que eu, na
verdade, nasci em Portugal, mas fui logo
para o Brasil porque o meu pai com 17
anos foi para o Brasil e viveu lá a vida
toda. E, portanto, eu fui muito peininha
e vivi uma grande parte da infância lá.
E depois os meus pais acabaram por
separar e eu voltei para Portugal com 5
anos e e saí de São Paulo e vim para a
Arouca, que é de onde é a minha família
toda. E eu acho que é é mesmo
interessante porque eu tive essas duas
perspectivas desde muito cedo, não é? O
que é viver numa metrópole que é São
Paulo e também nós tínhamos família no
Rio, então fazíamos muito, estamos muito
nesse,
nessa ligação Rio São Paulo e de repente
com 5 anos venho para a Roca, que foi
onde eu vivi até aos 18 anos. E acho que
ter acesso a esse mundo foral marcou
muito, porque sei lá, eu vi coisas que
acho que
pude ver e e viver em primeira mão eh
formas de viver que já quase não
existem. Por exemplo, a minha as minhas
avós não foram à escola. É algo que é
absolutamente raro hoje em dia.
Conhecemos pessoas que não foram à
escola, que não aprenderam a ler e e ao
mesmo tempo tinham uma ligação muito
grande com a agricultura, porque eram
ambas ambas agricultoras. E, portanto,
para mim sempre foi normal ver a matança
do porco e chegar da escola e ter o
porco, porque tinha havido a matança do
porco e fazia-te impressão.
>> Olha, fazia parte da minha cultura.
>> Pois, é a ideia que eu tenho. Quando
quando vês desde pequenino, não te faz,
>> acho que quando vej do meio rural, eh,
se calhar mais tarde, quando tornei-me
vestariana, dizia: "Ah, é realmente o
que nós fazíamos", mas na altura não.
Sendo muito sincera, parecia sim.
E por exemplo, a questão de só comemos
ovos quando há quando as galinhas põe,
mas isso mantém-se até hoje. A minha
família só come ovos quando as galinhas
têm ovos e mesmo, sei lá, a minha mã, a
minha mãe, a minha tia, a minha prima,
não seguiram a vida agrícola, mas todas
elas têm um galinheiro em casa para ter
ovos. Então, acho que essa ligação com o
meio rural marcou-me muito. A, e pronto,
acho que, quer dizer, os meus pais, meu
pai foi para o Brasil, entretanto, tenho
uma história super curiosa, porque ele
conseguiu desenvolver um produto lá no
Brasil à base da cúrcumma, que era muito
necessário para a produção, para a
produção de produtos de padaria e ele
acabou por percorrer o Brasil de carro a
vender esses produtos, depois perdeu
tudo e nessa altura já era nascida e,
portanto, eh, perdemos a casa e foi
assim toda um toda uma questão dramática
financeira, mas depois também tive a
oportunidade, isso também marcou muito a
minha vida, de crescer eh com a minha
mãe e com o meu padrasto, porque meus
pais depois separaram-se. E eu, na
verdade, digo sempre, e é mesmo verdade,
que não tive um padrast, tive outro pai,
tive o meu pai do Brasil e tive o o
António, que é uma figura incontornável
na minha na minha história. E ele
também, ele próprio com uma história
muito muito muito muito muito peculiar
também começou a trabalhar na
agricultura com 8 anos e depois
construiu uma empresa e tem histórias
sempre muito curiosas para contar do
comer à vida há muito pouco tempo atrás,
porque é há muito pouco tempo atrás, não
é? Então, não estamos a falar de há 100
anos atrás. E eu lembro-me depois eu
voltei para o Brasil com 18 anos, de
voltar a viver essa dicotomia de estar
com as minhas amigas e, por exemplo, as
as avós delas todas tinham ido, todas
elas tinham cursos superiores no Brasil,
ao que nós imaginaríamos que, ah, se
calhar
>> sim, é pior que Portugal,
>> pior que Portugal e e não, todas elas
tinham cursos superiores e e eu e eu era
a pessoa que vinha do meio mesmo mais
rural, então acho que eu tive essa esses
contrastes desde muito cedo na minha
vida, eh, de meio rural, meio urban
montanha russa social
>> e ter tudo e não ter nada ter vivi
muitos contrastes que acho que marcaram
muito também a forma como eu vejo a
comida e alimentação.
>> Sim. Ó pá, é uma história que o teu pai
estava envolvido na indústria alimentar,
cresceste rodeada de, não é, desse,
desse elemento, faz todo sentido.
>> E era o sonho do meu pai construir uma,
ele não, não aconteceu, meu pai depois,
entretanto, eh, pronto, teve teve um
cancro e acabou por falecer, mas a sonho
dele era construir uma fábrica de massas
usando pronto, os métodos tradicionais
da produção de massa. Ou seja,
>> mol de cobre.
>> Sim, tu me ensinaste também já te
ensinou,
>> não? Ah,
>> primeira vez que fui comer a casa da
Francisca ensinou-me que há dois tipos
de massa. Conta aí, faz tu o teu bit.
>> Então, eles estavam lá em casa e eu
disse: "Olha, já viram a diferença entre
uma massa de feita em prensas de em
moldes de bronze ou em moldes de
plástico?" E eles não disse
>> é bronze, é bronze
>> e eles não. E eu tinha lá exatamente
duas massas, umas que são as massas mais
eh eh mais comerciais, não é? Que são
mais baratas, são feitas em moldes de
teflon, que é plástico,
>> que são aquelas mais lisas. são
completamente lisas. E tu vês mesmo na
massa, se comprares os dois pacotes de
massa consegues ver. E eu mostrei-lhes e
um era uma massa de plástico feita no
molde de plástico, é completamente lisa
e quando a cozinhas, o molho não se
agarra à massa, porque o molho só se
agarra às regosidades e portanto as de
prensa de bronze são as são as melhores,
são as mais tradicionais e são cheias de
regosidades. E quando cozinhas a massa,
o molho agarra-se a essas regosidades.
>> Sim. Acho que em Itália provavelmente só
tens as de dessa dessas aí quase, não é?
Uma brevíssima pausa para vos falar do
patrocínio do episódio de hoje. A Norm é
uma marca 100% desenhada e produzida em
Portugal, que ambas as nossas convidadas
utilizam ou já utilizaram e que foi
cofundada pela Catarina Barreiros, uma
das primeiras convidadas deste podcast,
episódio 11, se não me engano. A Norme
faz roupa interior para a menstruação e
outras situações parecidas. Todas as
peças são feitas com foco na
sustentabilidade, dermatologicamente
testadas para contacto com zonas
íntimas, ou seja, conforto, design e
sustentabilidade, tudo à prova de fugas.
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Obrigado enorme pelo apoio e vamos
voltar para o episódio.
>> Vamos então vamos fazer isto de uma
maneira que eu acho que é mais gira, que
é fazermos, começamos uns caçadores
coletores e falar um bocado da história
da comida h até chegarmos ao ao momento
contemporâneo. H, então os coletores
Franciscas, como é que é
>> esta parte? Tudo o que é história
alimentar é muito mais eu vou esperar
que cheguem. Nós só vivemos assim
durante quase um milhões de anos,
portanto,
>> mas mas eu acho que é interessante eh
falar sobre essa época é que houve algo
mesmo muito importante para os nossos
ancestrais, que foi o fogo, que foi nós
começarmos a dominar o fogo. Ou seja,
acredita-se que durante milhões e
milhões de anos nós usávamos o fogo de
forma acidental, portanto havia
incêndios ou eh fazíamos ali uma feísca
e de repente tínhamos fogo. Mas
acredita-se que há 500.000 1000 anos,
nós começamos a a dominar mesmo a
técnica de fazer fogo quando assim o o
desejávamos. E isso marcou mesmo o
marcou mesmo a nossa história
biologicamente e antropologicamente
falando. Então, biologicamente o fogo
permitiu-nos cozinhar alimentos.
Portanto,
>> e quando nós cozinhamos alimentos, nós
temos uma comida que tá pré-digerida. E
como temos uma comida que está
pré-digerida,
>> primeiro grau de processamento, não
>> é? O primeiro grau de processamento, o
que acontece no nosso corpo é que nós
deixamos de precisar tanta energia no
sistema digestivo para digerir,
>> giboiar.
>> E então, exatamente,
>> precisa de jiboiar tantas horas,
>> giboiar. E então o que aconteceu foi que
esse excedente de energia foi usado e
foi reaproveitado em nós para o cérebro.
Então o que fez com que os nossos
cérebros aumentassem foi o cozimento de
alimentos. Isto agora já está, já é uma
teoria amplamente aceita. Eh, começou
com o Richard Gramham, eh, um
primatólogo de Harvard, foi ele que que
sugeriu essa ideia inicialmente e
atualmente sabemos que, de facto, foi o
facto de cozinharmos alimentos que
permitiu que o nosso cérebro aumentasse,
que o nosso sistema alimentar
diminuísse, especialmente os nossa a
nossa parte a parte intestinal e claro
depois cozinhar também permite nós
matamos muitos gêneros, muitos
parasitos.
>> Sim, mas não para a sobrevivência, não
é? para para a diminuição do risco de
doenças, pelas bactérias, pelas
contaminações, tudo isso já faz muita
diferença.
>> Foi enorme. Exatamente. Então, hoje em
dia já sabemos que, OK, isso está um
facto consagrado, eles ficam na
discussão se foi há 500.000 anos, se foi
há 600.000 anos, se foi há 753.
Pronto, mas sabemos que o fogo foi mesmo
um fator incontornável. E depois tem o
valor simbólico, que é, acredita-se,
quando nós simplesmente éramos caçadores
coletores, fazíamos algumas caçadas
coletivas, não é? foram as caçadas que
permitiram a cooperação, o
desenvolvimento das daquelas lanças de
pontas de de pedra. Portanto, isso aí eh
foi estimulado pelas caçadas coletivas,
mas quer dizer, a maior parte do tempo
nós andávamos sozinhos e apanhávamos
dois ou três morangos ali e duas ou três
cenouras lá e íamos comendo. Quer dizer,
>> mas isso depende do sítio onde se onde
se vivia, porque havia sítios em que só
havia mesmo carne.
>> Povos queam milhares de anos em lugares
em que a única coisa que tinham era
carne.
>> Exatamente. E ou peixe, não é? No caso
dos esquimó. Mas o que acontece quando
nós começamos a usar o fogo é que as
refeições começaram a dar-se num lugar e
num momento determinado e portanto os
nossos ancestrais não não saíam sozinhos
para comer uma coisa ou outra aquilo que
apanhassem. Começou-se a criar um
momento dedicado às refeições. Isso foi
muito importante para nos olharmos nos
olhos, começarmos a criar determinadas
regras sociais. Mas eu até diria que
isso vinha antes do fogo no sentido de
vamos consagrou
>> porque as pessoas faziam uma fogueira
comum e sentavam-se à volta de fogo para
comer a comida cozinhada em conjunto.
>> E, portanto, o fogo consagrou, não só o
fogo ajudou-nos não só biologicamente,
mas antropologicamente acabou por nos
domar e começou a domar-nos e a
tornar-nos um bocadinho mais sociáveis.
>> Sim.
>> Então, acho que isso é muito fundamental
dessa altura em que do paleolítico, não
é? é muito emblemático.
>> A ideia que eu tenho é que o o grande
crescimento do nosso cérebro, do tamanho
do nosso cérebro, que existe uma relação
eh com a inteligência, hum, tem a ver
com a linguagem e bate certo com a
linguagem sear ter tido uma necessidade
de evoluir quando passamos a conviver
ainda mais tempo à volta da fogueira,
mas também já lialização, não é?
>> Sim, mas também já li que nós, o nosso
descendente em comum com o Chimpanzé eh
foi há 6 milhões de anos. Mas que só há
2 milhões é que há assim, se fores a ver
o gráfico do tamanho do nosso crénio, só
nos últimos 2 milhões é que disparou.
Então se calhar já estava a disparar e
depois o o fogo fez com que não é
acelerasse ainda mais. Sim, porque o
Homeret já o Homer é que foi antes dos
500.000 já usava eventualmente fogo
também,
>> mas o que sabes
à frente. Ok. Pois, o que sei, mas é
interessante e depois a questão da
linguagem, claro, também foi muito
consagrada por nos sentarmos nos mesmos
espaços, por termos de cooperar cada vez
mais, por termos de fazer caçadas cada
vez mais inteligentes.
>> E a parte da comunidade é essencial para
a evolução, não é? Ou seja, nós não nós
evoluímos também precisamente por nos
agruparmos uns aos outros e nos
ajudarmos uns aos outros,
>> especialmente vivíamos em plena, eh, não
é, durante muito tempo vivemos com uma
com planeta gelado, não é? A nossa
última idade do gelo foi há pouquíssimo
há pouquíssimo tempo, quer dizer, foi há
20.000 anos. Então, quer dizer,
precisamos mesmo de cooperar sozinhos.
Não, não conseguíamos.
>> E a ideia de tu vais gostar disto, acho
que nunca te contei isto, mas há uma
teoria que eu acho que faz todo sentido,
porque é difícil arranjar outra, que é
tu vais haver culturas que evoluíram em
separado um bocado pelo mundo, não é?
Sem contacto umas com as outras e
descobres que quase todas têm algum
elemento de sacrifício na sua prática
espiritual.
E a teoria que
que não sei se é, não quero dizer que é
mais comum, porque não conheço assim
tantas, mas que me faz sentido é que
isso veio da comida, veio de um momento
muito antigo qualquer, em que as pessoas
e lá está, cada uma na sua própria
cultura, se começaram a perceber que se
eu não comer este coelho inteiro e
deixar um bocadinho para amanhã, ou
seja, se eu fizer uma coisa que não me
apetece fazer agora
>> e que me vai custar agora,
>> há Amanhã vai ser melhor. E o amanhã vai
ser melhor é a primeira ideia de Deus.
>> OK?
>> Se eu fizer uma coisa agora que não me
apetece fazer, o cosmos vai- me
recompensar. O amanhã vai ser melhor.
Sim. É de carma. Ou seja, vem vem da
Isso depois transforma-se até em em
segundo esta teoria, em numa tradição
oral das primeiros contos que existiam,
tipo as primeiras fábulas eram coisas
muito simples como homem caçou lebre,
não comeu tudo
>> no dia a seguinte
>> e e vida feliz. Estás a ver? E que isto
é o início do da religião, se quiseres,
ou o início da ideia de
>> da superstição um bocado mais, não é?
Se eu fizer isto acontece isto e de que
é muito humano. Eu acho que é isso. To
toda a gente tem um bocadinho um grau,
por por menos religioso que sejas, há
sempre um grau de é isso de superstição,
não é? Deixar
>> mas que aqui não nasce de superstição,
nasce de ser realmente amanhã tens
comida se conseguires resistir a comer
hoje. Ou seja, hoje em dia é que é quase
instintivo teres um bocado esse essa
visão e acreditas que que vai durar até
amanhã. É engraçado que isso vai de
acordo com uma com algo que eu li de um
antropólogo também há uns tempos.
antropólogo, não, ele é um historiador
que é o Máximo Tanari e ele diz que há
um valor muito bonito nas no fabricar
compotas, porque nós só começamos a
fabricar compotas quando acreditamos que
vamos estar vivos no ano seguinte. Esse
sentimento de acreditar, de de que nós
vamos sobreviver, porque de facto quando
nós eramos, não é, os nossos ancestrais
não tinham essa perceção de futuro.
Bonito, não tinha, eu tinha pensado
nesse por esse aspeito.
>> Sim, a comida é incrível. Está em Tá, tu
sabes melhor que ninguém. Tá em pá todas
as religiões, não é?
>> Sim. No no cristianismo vais à missa
comer pão e be vinho. No islão e no
judaísmo tens toda uma coisa à volta da
comida. Há estas comidas que podes comer
que são sagradas, estas que não podem.
>> E o próprio corpo também é muito assim.
Eu sinto que a a relação com a comida
diz muito sobre o teu estado de
espírito, sobre a forma como tu estás,
ou seja, a tua relação, a relação do teu
humor com o teu apetite é muito próxima.
E há de facto é uma coisa que toda a
gente nota, não é? Quer seja para perder
ou ganhar apetite quando estás ansioso,
sentes algum tem algum impacto na forma
como tu no apetite que tens. Portanto,
há uma coisa aqui muit muito fisiológica
também. Vocês não sentiram? Nós estamos
os três um bocado em fases de sofrer com
não dormir bem por causa das nossas
crianças. Vocês não sentem que quando
dormem mal h fácil cederem à tentação de
muscolato ou assim?
>> Isso, isso faz sentido. Os teus cravings
aumentam, não é? Ou seja, tu queres é
coisas e faz sentido. Tu estás com pouca
energia, tu queres alguma coisa
caloricamente densa, tu não queres uma
fruta que é tem muitas vitaminas e
minerais, mas que também tem muita água
e poucas calorias que programa, não é?
Portanto, tu queres é uma coisa que um
chocolatinho que te dá 400 calorias ali
numa numa trinca quase. Portanto, é é
faz sentido que isso aconteça. E sim, eu
sinto sempre sobrevivência.
>> Aliás, neste momento, o que eu queria
era um chocolatinho.
>> Mas resiste, nós comemos um húngar ao
almoço e tu não
>> porque só por só porque não me apercebi
dessa dessa dinâmica.
>> Dessa dinâmica. Só
>> quando ela viu já só tinha dois hungar.
Quando vi dois e pensei ok pronto
>> porque comprou exatamente dois húngaras,
um para mim e outro para ti. Portanto,
>> matemático, a cabeça de físico, não é?
Mas sim, eu acho que e a parte de
partilhar refeições mesmo mesmo em
consulta, eu acho que se nota muito
isto, que é a alimentação. É, tu não
consegues, diz muito sobre o teu estilo
de vida, sobre o o ho, vives, onde
vives, com quem vives, eh pessoas que
jantam almoçam sozinhas, eh são
diferentes pessoas que que partilham
refeições, eh, a forma como tu comes, o
valor que tu dás à comida, a parte de
cozinhar, não é? Eu acho que cozinhar é
sempre uma coisa que eu estimulo muito
porque de facto é diferente. E cozinhar,
tu estás a ver o que é que estás a
comer, estás a tudo isto, eu acho que
depois tem impacto na forma como tu te
alimentas e e portanto essa parte social
é essencial. Eu acho que nem dá para
separar bem da da alimentação.
>> Sim, já vamos falar só sobre isso.
Richard Grabon diz: "Nós somos macacos
cozinheiros, tipo, que é o que nos
diferencia".
>> Então depois aparece a agricultura
>> e os primeiros alimentos processados,
não é? Exatamente. Faz faz aquela
explicação espetacular de processados
versus ultim,
mas foi quando nos assentamos, começamos
a ficar mais sedentários, começamos a
ter excedentes agrícolas pela primeira
vez. Ou seja, já enquanto nós andávamos
pela natureza e caçávamos e fazíamos
fogueiras e comíamos, o caçador coletor
não tinha excedente alimentar. A partir
do momento em que nós lentamente, também
não foi uma não houve a revolução
neolítica, como se costuma dizer, houve
mais uma transição neolítica para a
agricultura. Nós começamos até pela
primeira vez excedentes e, portanto,
tínhamos de tratar desse excedente e,
portanto, muito do processamento
alimentar vem dessa necessidade de facto
temos lá está, vamos ter de guardar
comida para o dia seguinte e vamos ter
comida para guardar para o dia seguinte.
E, portanto, o processamento e é algo
que realmente é é complicado hoje em
dia, porque muitas pessoas acham o
processamento a algo mau e não é o
processamento alimentar foi fundamental
para a nossa evolução enquanto enquanto
seres humanos, enquanto espécie. E
quando eu digo fundamental, é
fundamental mesmo, porque quando nós
temos o leite puro, dura muito menos do
que um leite que foi pastorizado. O
leite em natura dura muito menos do que
o leite que foi fermentado para ser
usado como um queijo ou como um iogurte.
E quando nós não tínhamos, não é,
métodos de refrigeração, como temos hoje
em dia, processar alimentos em natura
para que eles se tornassem queijo
compotas, eh, em,
>> presunto-me também, carne era preservada
assim. Isso fez com que nós tivéssemos
uma uma maior e diversidade alimentar
que era que durava muito mais tempo e
que era mais segura. Portanto, o
processamento aumentou a durabilidade e
a segurança alimentar. Portanto, foi
sempre benéfico e acho que a margaridade
até pode-me ajudar, mas também
nutricionalmente falando, em muitos
casos também é mais benéfico o
processamento. Por exemplo, um chucrute,
não é? É muito mais rico do que o
repolho em si.
>> A fermentação, o facto de probiótico,
mesmo com o iogurte, não é? Ou seja, o
iogurte tem muito mais probióticos. Mas
sem querer saltar muito para a frente,
eu já ouvi dizer que imagina comeres uma
comeres um três peças de fruta ou um
smoothie com essas três peças de fruta,
que é é preferível comer as três peças
de fruta por causa das fibras ou porque
é que é
>> mas aí porque no fundo é isso, tu estás
a roubar um trabalho, é um bocadinho
aquela lógica que a Franca tinha falado
aí na h bocado, não é? estás a tirar o
trabalho todo de metabolizar aquilo e
digerir aquilo ao teu corpo. Portanto,
de repente, tu tens o açúcar muito mais
puro, tens um índice glicémico mais
alto, porque porque as fibras são
destruídas nesse processo de de de
liquidificação, não é? E, portanto, aí é
completamente diferente. Para além de
que é sacia mais tu comeres três frutas
em, ou seja, o o acto de comeres, de
descascares, estares a comer, é
completamente diferente. Estares a a
comer uma banana e uma laranja e depois
uma maçã ou estes a ver um smoothic em 2
segundos tu beeste aquilo tudo, não é?
O corpo metaboliza muito diferente, mas
a maior parte do processamento não é eh
até porque liquidificar liquidificar
alimentos é algo muito recente.
Precisamos de
>> Sim. Sim, desculpa, foi só uma parte
porque sen não íamos esquecer.
>> Mas é, mas o corpo realmente metaboliza
de forma muito diferente, não é, Marc?
Mastigar vai preparando também o o não é
>> a mastigação é super importante e quando
falamos sobre ultrapressados vai ser
ainda mais importante porque é mesmo
importante mastigarmos mas o que
aconteceu foi que de facto foi benéfico
e são práticas milenares. Nós fazemos
queijo há 8.000 1 anos. Iogurte também
os as temos algumas provas começou ali
na Turquia à volta de há 7000 8000 anos.
O pão, não é? Processarmos a farinha em
pão. É, é, é um milagre isso. Imaginem
as comunidades antigas tinham de comer
aquelas papas secas e de repente alguém
deixa uma papa a fermentar, a papa
põe-se aquela papa fermentada ao forno e
temos o pão. Imaginem a alegria que foi
para aquelas populações comerem o
primeiro pão há 6000 anos no antigo
Egito. Portanto, estamos a falar de
técnicas que foram benéficas. Então, o
processamento é muito benéfico.
>> O problema não é o processamento
alimentar, o problema é o
ultraprocessamento que nós temos hoje em
dia. E eu acho que é aí que entra a
confusão. Mas o processamento foi sempre
muito muito bom para a nossa para a
nossa e ainda é e ainda é e antes nós
tínhamos que fazer tudo em casa e de
repente tivemos uma indústria que nos
ajudou com o processamento, não é? É
assim, eu não quero voltar ao tempo em
que tenho de fazer iogurte e pão e e
tudo sozinho em casa. A a indústria
ajuda-nos a termos mais tempo para
fazermos, não é? estarmos aqui a
gravarmos um podcast e criarmos culturas
e e fazermos várias coisas.
>> Sim, mas isso é lá está, esse
processamento é muito antigo,
>> muito antigo,
>> enquanto que o ultraprocessamento tem
100 anos, não é?
>> Nem isso. Sim, nem isso.
>> É possu processamos coisas durante, se
calhar, 5.000 ou 6.000
>> até começarmos a ultraprocessar.
>> Sim. Acredita-se que os primeiros foram
ali há 8.000 anos, acredita-se que foram
os laticídios, uns dos um eh dos
primeiros, não é? e que na verdade foi
um grande erro. Nós como não tínhamos
nem potes de vidro nem taparoiras na
altura,
>> tínhamos de transportar o leite em
estômagos de animais e acredita-se que
como os estómagos tinham enzimas, houve
ali uma, pronto, uma uma pequena
fermentação e e essas comunidades
decidiram experimentar o resultado desta
>> deixa cá experimentar este leite que
apodreceu dentro de um órgão de um
animal.
>> Exatamente. Imagina.
>> Mas então há muita coisa que comes com
fungos e com aqueles queijos azuis e com
>> Sim, sim, sim. e são deliciosos. E
depois tivemos o pão há 6000 anos,
portanto estamos a falar de
processamentos muito antigos. A carne
era salgada, não é? Portanto, o o facto
de salgarmos a carne também eh também
permitiu aumentar imensa a durabilidade.
O peixe, que era basicamente a base da
nossa dieta mediterrânica, quando a o
consumo de carne era pouquíssimo, nós
consumíamos cereais, hortícolas,
leguminosas e peixe que era salgado.
Portanto, e temos mesmo muitos
benefícios. Eh, e normalmente o
processamento torna o alimento também
mais interessante e até mais palatável,
o que é bom, não é? Eh, pelo menos
>> ultraprocessamento também tenta fazer,
ou seja, na parte da palatibilidade,
>> aliás, eu acho que no fundo é isto, é,
nós descobrimos uma coisa que funciona,
vamos tentar otimizá-la e para lá render
ao máximo até ela ficar péssima e perder
todo o benefício.
>> Lá está, porque ter um bocadinho mais de
palatabilidade é bom. Quando nós quando
nós descobrimos a a a grande proeza de
fazer compotas, aquilo foi delicioso,
mas o problema é que agora temos uma
indústria que não não quer fazer isso,
quer substituir todas as comidas
tradicionais, mas já lavamos, não é?
Sim. Sim.
>> E como é que se quando é que se começa a
usar esta expressão ultraprocessado?
Olha, na verdade foi cunhada por um
grupo de investigadores de São Paulo há
muito pouco tempo. Estamos a falar aqui
de anos 2000 e e é é na verdade ainda o
grupo pioneiro neste estudo. Eh, e é o é
o quem cunhou foi a equipa do professor
Carlos Monteiro da Universidade de São
Paulo da US.
>> Sim.
>> Que nasceu por eles descobrirem que as
pessoas estavam a consumir menos açúcar,
estavam a ficar mais obesas, mas a a
consumir menos açúcar e
>> estavam a comprar menos açúcar no
supermercado, não é? Sim. Parecia que
estava mal, mas
>> sim, é muito interessante essa história.
Então o professor Carlos Monteiros e a
equipa dele perceberam que estamos a
viver um problema dramático no Brasil,
que é as taxas de obesidade não param de
aumentar. E, portanto, já que nós temos
um aumento muito muito expressivo das
taxas das taxas de obesidade, o problema
não pode estar nos indivíduos, tem de
haver um problema ambiental que explique
isto. Então o que é que eles fizeram
junto com o IBGE, que é o instituto, o
Instituto de Estatística Brasileiro,
eles foram analisar as compras das
famílias. E quando foram analisar as
compras das famílias, descobriram que as
famílias estavam a comprar menos óleo,
açúcar, farinha, ou seja, alimentos que
nós associamos ao a à obesidade.
>> Obesidade.
>> E aquilo foi absolutamente
contraditório, foi paradoxal. Eles não
conseguiam e encontrar uma explicação
para aquilo, mas perceberam que uma
grande parte do orçamento familiar
estava a ser redirecionada para produtos
empacotados. E na altura nós só tínhamos
uma divisão de alimentos em três, os
alimentos minimamente processados, os o
as os produtos alimentares, os produtos
culinários, que é o azeite, o sal, o
óleo e os alimentos processados, que
eram todos os outros, que eram os tais
pautados. E foi que eles perceberam, OK,
acho que nós temos entender melhor quais
são estes alimentos empacotados que as
pessoas estão a começar a comprar. E foi
aí que eles perceberam que havia uma
grande diferença entre comprarmos um
iogurte natural ou estarmos a comer
cereais de pequeno almoço, chipicaus e
etc, etc, etc. E foi aí que surgiu o
termo e foi consagrado e a partir daí
tem sido feita imensa pesquisa, mas
estamos a falar de algo que surgiu nos
anos 2000, pelo menos a percepção do
problema surgiu nessa altura. Há um
livro ótimo que tu até que eu li para o
teu clube de leitura que é Pessoas Ultra
Processadas, que também fala um
bocadinho de onde é que vem esta
necessidade do ultraprocessado, não é?
No fundo, tu cada vez mais crias com
menos fazer mais e portanto como é que
eu posso pegar na quantidade mínima de
ingredientes? Eles até falam muito da
manteiga, por exemplo, falam de algum de
alguns eh produtos alimentares em que de
facto é isto, é eu quero, por exemplo,
as as margarinas vegetais, como é que se
como é que se diz?
Ou seja, basicamente o que eles queriam
é, eu não quero usar produto produtos
animais porque é mais caro, ou seja, não
numa ótica de o que é que é saudável ou
não, mas é mais caro. Portanto, eu quero
um equivalente que me dê uma coisa mais
ou menos com a mesma cremosidade, com a
mesma consistência, mas que seja muito
mais barato produzir. E, portanto, há
uma parte aqui também muito económica e
muito, não é, muito capitalista dos
ultraprocessados, que é que é isto, é
isso de com menos ingredientes,
conseguir produzir mais e e vender mais
também.
>> Sim, sim, sim. E a Margarida, a
margarina na verdade estava-te a dizer
que os ultraprocessados tem têm que é 50
anos, mas quando eu falo de ultra
ultraprocessados
a grande maioria deles, mas de facto a
margarina é ainda anterior, portanto tem
>> po também vem nessa altura de
>> E então a diferença entre processados e
ultrapados tem mais a ver com
acrescentares mais ingredientes. É isso
ou não? Não é toda, é mesmo toda. Então
o que estes investigadores dizem é o
seguinte: uma então um alimento
processado é uma um alimento que passou
por um processamento simples que nós
podemos fazer em casa ou a indústria
pode fazer por nós, mas na verdade é
feita com ingredientes que nós
encontramos na dispensa. Portanto,
qualquer pessoa pode decidir fazer em
casa. Nós vimos na pandemia, toda a
gente fez pão. Portanto,
>> massa, consegues fazer em casa,
>> consegues fazer. Exatamente. São coisas,
o processamento é, consegues fazer em
casa com ingredientes que conheces e que
reconheces, mas pronto, tens uma
indústria que faz por ti, que salva
tempo. Ótimo. O processamento é algo
completamente diferente. O
ultraprocessamento é uma formulação
industrial em que são usados produtos de
base eh baratos. Esses produtos são
decompostos em partes primárias, depois
são usados aditivos para dar cor, para
dar sabor, para dar estrutura, para dar
validade. E o que estes investigadores
trazem, que é muito novo, é que há um
propósito para fazer estes produtos,
como a Margarida tá a dizer, e o
propósito é substituir completamente
todos os ingredientes dos outros três
grupos que eu estava aqui a dizer antes,
não é? Os ingredientes minimamente
processados. Nós estamos habituados e
maximizar os lucros. E, portanto, é é
engraçado que a própria definição de
ultrapado usada por investigadores tem
incluída na definição o propósito.
>> Claro.
>> E este propósito muda tudo porque se até
se até então o propósito industrial, o
propósito, não é, da do do processamento
industrial era facilitar-nos a vida.
Exatamente. Ou seja, era aumentar a
durabilidade, aumentar a segurança
alimentar, eh aumentar até a aibilidade.
>> Agora eu acho que era lucro na mesma,
mas não havia tecnologia para serem
piores pessoas. Ou seja, não eram
moralmente Sim, foi tecnologia,
>> mas o propósito é uma maximização
extrema em detrimento de tudo o resto,
não é?
>> Ou seja, acho que o problema é, OK,
conseguimos uma forma de produzir
alimentos que são
>> precisam de ingredientes muito mais
baratos porque são usadas muitas
commodities. Eh, são ingredientes que
são duram muito mais tempo. Portanto, é
claro que o objetivo sempre foi aumentar
a durabilidade, mas nós aqui não estamos
a falar de aumentar, estamos a falar de
durabilidades longuíssimas e aumentar a
hiper e aumentar muito até 2028, não é?
>> Sim. E aumentar muito a
hiperpelatividade. Nós até podíamos
pensar: "Uau, espetáculo, que maravilha,
conseguimos resolver três problemas de
uma vez só". Mas o problema é que há um
problema muito grave para nos
>> Sim, porque assim, na teoria até seria
uma coisa boa. De repente temos
alimentos que nos fornecem uma boa
quantidade de calorias e que são e ou
seja torna tudo muito mais sustentável e
rentável, não é? Só é que não é assim.
>> E para as guerras foi importante, não é?
Tipo, vamos arranjar maneira de dar. Eu
acho que tem um lugar na sociedade e tem
alguma utilidade, não na forma como os
consumimos hoje em dia, né?
>> Exatamente. Sim. O problema não são o é
o o o problema é termos um padrão
alimentar abundante nestes produtos. por
exemplo, as fórmulas infantises, mas
isso está muito bem documentado. É
engraçado que quando eu ouço críticas
sobre produtos ultraprocessados, eu
digo: "Hum, não leste os artigos?" Pois
não, porque eles explicam isso lá,
sabes, está tão bem dito. Eles dizem: "É
claro que uma fórmula infantil é
absolutamente fundamental e claro que é
que é algo ultraprocessado, não
consegues fazer isso em casa. E é
fundamental alguns produtos também eh
para substituir a carne também podem ser
super importantes nessa transição que
nós temos de fazer. Mas o que o que se o
que o que se tem visto e agora não há
margem para dúvidas, é que uma
alimentação em que estes alimentos sejam
a base da alimentação, eh, traz muitos
problemas para a nossa saúde e não só
para a nossa saúde, também traz muitos
problemas para o nosso ambiente, para a
nossa sociedade, porque eu estava a
explicar há pouco, isto pode ficar
confuso, quando eu estava a dizer que
estes eh os ultrapessados são formações
industriais usar em que se usam
ingredientes baratos que foram
decompostos em partes primárias.
É mesmo isto que acontece. Ou seja, nós
quando fazemos um alimento processado,
nós não destruímos nada. Nós juntamos as
partes e o resultado é quase como algo
maior do que as suas partes, não é? Tipo
é o pão, juntas farinha, água, sal e de
repente tens tipo um pão, que é a coisa
melhor que existe. Quando tu tens e o no
ultraprocessamento,
tu só consegues fazer isto a nível
industrial porque não conseguimos te
compor alimentos em partes primárias em
casa. Ou seja, tu não tens trigo
necessariamente, tu não tens soja
necessariamente, tens partes do trigo,
tens partes da soja. Então é comum nos
rótulos tu leres amido, glicose,
frutose, proteínas,
açúcares invertidos, porque são essas
decomposições primárias. E tens uma
lista muito grande de aditivos químicos,
aditivos, não é?
>> Químicos ou não, não é? Tudo é químico,
mas tens aditivos que também se têm
vindo a provar que não são o pronto, o
ideal para
>> E acima de tudo é isso, voltando àquela
parte de socializar, tens pensar que
quando de repente há uma refeição que tá
pré-feita, tu perdeste todo o momento. E
e eu como faço isso muito com o meu
filho, ou seja, há um momento muito
importante da refeição e de fazer com
que ele goste daquilo que está a comer,
que é ele vir comigo ao supermercado,
ele escolher o alimento, ele estar a
descascálo. É completamente diferente do
que ele de repente vê uma coisa, um
retângulo de uma coisa que ele não faz
ideia o que que é aquilo. Ou seja, na
própria evolução para uma criança é
diferente, não é? Então, mas o que é que
tá aqui? Ou uma sopa. Aparece uma sopa a
cor de laranja. E ele ele pensa que isto
é um líquido laranja. Eu faço não faço
ideia do que é que tá aqui. Hum. E e é
completamente diferente de ah, eu cortei
a cenoura para pôr aqui. Eu vi a minha
mãe a pôr a cenoura, eu vi a minha mãe a
pôr a água, eu vi a minha mãe. E,
portanto, também há esta parte social
que eu acho que se perde um bocadinho
com ultraprocessado, que é de repente
>> tu não sabes o que estás a cozinhar,
porque até podia, imagina que não é que
até a parte dos aromas e dos adosantes
até se descobria que, olha, afinal isso
não faz assim tanto mal. OK, mas há aqui
uma parte de pressa e de corta de de
cortar tempo que eu acho que nos faz mal
como sociedade. E por isso é que eu
gostei desse livro, porque é um
bocadinho isto de sermos pessoas
ultraprocessadas. Ou seja, nós
precisamos tudo aqui e agora e na
maioria das vezes é para ter tempo para
trabalhar, para fazer coisas que não nos
dão verdadeiramente qualidade de vida.
Porque se tu me disseres assim, eu estou
a comer esta barrita para poder ir
brincar, ir ao museu, mas não, eu estou
a comer esta barrita porque eu tenho 5
minutos porque tenho de acabar este
relatório e para ganhar mais ou para
fazer. Portanto, eu acho que também há
esta vertente ultra processada, não é,
que acaba por ser nociva para nós,
porque é isso, a certa altura não sabes
o que é que estás a comer e, portanto,
também não sabes, lá está, perdes aqui
um bocadinho o fio à meada de quanto
açúcar é que isto tem, quanto sal é que
isto tem. Hum.
>> E eu acho que isso também fez com que se
vilasse os mecanismos, não é, de
saciedade do corpo, porque eles são
alimentos feitos para isso. Por isso é
que eu acho interessante que eles tragam
a questão do propósito. Porque é que
estes alimentos estão a ser feitos para
substituir as dietas tradicionais
>> e para maximizar e lucros no fundo?
Porque a verdade é que além de dos
nutrientes, pronto, que não são tão tão
saudáveis que nós estamos a ingerir, o
próprio processamento faz com que estes
alimentos sejam digeridos de forma
diferente pelo nosso corpo. As texturas
são muito macias, a matriz alimentar é
destruída, eh,
>> pensar que já passou por uma fábrica
inteira e, portanto, esta é só mais uma
fábrica, não é? É diferente, um alimento
que já foi processado por uma fábrica do
que uma é isso, uma maçã que tu estás a
comer pela primeira vez e que o teu
corpo vai lá, vai fazer o trabalho dela,
não é? Acaba com não há face de f duro.
>> Não, não
>> é sempre muito mole e muito fácil.
>> Batatas fritas,
>> não é? Se forem boas, são são calcantes
por fora e moles por dentro.
>> Lemb, lembras-te aquele exemplo da
Pringles? Aquilo marcou-me para a vida?
É, nós lemos o mesmo livro por causa do
clube de leitura que é o Sim. Liv e dás
o tempo ah
>> eu ia falar de Pringles também, mas não
sei. Não deve ser mesma coisa. É, é, é
tão engraçado porque é tu vês mesmo como
é que h bem as as próas indústrias se
enterram elas próprias, porque aconteceu
o seguinte, há há toda uma eu falar de
impostos no UK que é toda é muito
complexo, mas eles têm um regime de IVA
diferente do nosso. Então, alguns
produtos têm IVA, outros não têm IVA e
então eh no mundo do dos
ultraprocessados, aquilo é muito
complexo. E o que o autor no escreveu e
investigou no livro é que por alguma
razão os bolos não pagam tanto imposto
como batatas fritas. Então o que é que
as springles conseguiram tentaram provar
que na verdade as springles não são, a
base não é batata.
>> Pois não.
>> Há tantos ingredientes ali envolvidos
que
>> é mais bolo do que batata.
>> É mais bolo do que batata.
>> Tem tanta farinha e tantos tipos de
farinha. empresa, a própria empresa e e
alegou que na verdade tinham de pagar
menos impostos porque eles não eram uma
batata frita, mas eram um bolo frito de
batata.
>> Quer dizer, percebes? Este é o ponto,
não é uma batata frita, aquilo é uma
massa. E e por isso é que mesmo os que
nos parecem duros, na verdade, são
moles, porque eles foram pré-digeridos.
>> Sim. E o que eu ia dizer, por acaso era
h tem a ver com a Guerra Fria. Um há um
episódio do Free Economics Radio, que é
o podcast Free Economic, que é sobre
acho que se chama How the Supermarket W
the Cold War, como é que o supermercado
ganhou a Guerra Fria. E e já vais
perceber o que é que tem a ver com isso,
mas o no fundo a Guerra Fria, nós
normalmente não falamos da Guerra Fria
assim, mas em grande parte eram dois
países, não é? Estados Unidos e a e a
União Soviética. a tentar convencer
muitos pequenos países pelo mundo que ou
estavam a ganhar independência ou geram
independentes, a seguirem o seu sistema,
a unirem-se a um ao outro. Então, como
ainda é hoje, mas hoje ainda mais, era
uma guerra de propaganda. Eles queriam
fazer chegar imagens e conceitos estes
sítios para eles pensarem: "Ah, não,
aqueles é que tão é que estão bem". E
como a comida, lá está, a comida tá em
tudo. É incrível. Uhum.
>> Como a comida é uma coisa que toda a
gente entende em todos os países do
mundo e é uma coisa tão forte e tão
importante, a imagem do supermercado,
que é um lugar com imensa comida de todo
tipo em prateleiras altas, era uma
maneira de ganhar Guerra Fria.
>> OK?
>> Porque fog, quando as pessoas quando
essas pessoas que nenhuma, quase
nenhuma, se calhar foi para a escola,
uma grande parte não foi, só for, não é,
só tiver imagens e vir esta imagem, vai
pensar: "Ah, não, eu quero ir no caminho
deste, quero no caminho". e a comida e
tudo aquilo.
>> Pronto. Então, parte desse jogo foi eles
começarem a o o governo americano
começar a subsidiar imenso e vários
cereais, nomeadamente o milho. Então, o
milho era tão subsidiado que todas estas
pessoas a fazer comida prçada e ultra
ultrapçada para maximizar lucro,
começaram a pôr milho em tudo o que
fazem. E então há ali uma explosão nessa
altura de toda a gente começar a pôr
milho em tudo. Era muito barato.
>> Sim. E muitas vezes a substituir coisas
que se calhar faziam mais sentido. Tipo
com a batata frita, pá, acho que faz
sentido ser batata, estás a ver?
>> Eing açúcar hoje em dia. E nos Estados
Unidos, olha que isso faz mesmo sentido
porque nos Estados Unidos eles usam
xaropes de milho comparado sar, não é? É
o mais interessante faz todo sentido.
>> Exatamente.
>> E sabes o que é engraçado? Estava,
enfim, nós eu eu põim à Margarida aqui,
vamos falar até amanhã e temos sempre
muita coisa para para completar, mas
acho que eu estava eu estava a tentar
dizer e que é um imposados têm um
impacto para a nossa saúde e acho que já
podemos ir aí porque já temos muita
evidência para falar sobre isso. São um
impacto muito grande para a sociedade,
como a Margarida estava a dizer, e
também são um impacto para o ambiente. E
e muito rapidamente o que estavas a
dizer faz mesmo todo sentido com com o
que estamos a discutir aqui, porque na
verdade cinco alimentos ou cinco
commodities representam 80% dos
ingredientes que são usados em alimentos
ultraprocessados e são é o milho, é
soja, é o trigo, a cana do açúcar e a o
óleo de palma. Então nós vamos ao
supermercado e vemos aquela abundância
toda, mas se formos ver os rótulos dos
alimentos ultraprocessados, não estou a
falar dos frescos, tem vão seridos, vai
tudo dar ao mesmo. Se não é, se não é
óleo de soja, vai ser um um óleo de vai
ser óleo de milho. Se for ou é uma
glicose que vem do milho ou é ou ou vem
do açúcar, mas quer dizer, é tudo a
mesma coisa. E qual é o problema disto?
É que para nós produzirmos comodis
estamos a criar danos ambientais
severos, não é? Porque são estamos nós
só produzimos comodzinho monocultura,
senão não faria sentido. E as
monoculturas já sabemos, temos de pôr a
floresta abaixo para produzir a
monocultura. Depois, eh, ou seja, além
de termos a desfração, também perdemos a
biodiversidade, perdemos os habituras
só funcionam à base de fertilizantes e
pesticidas químicos e, portanto, temos
uma temos a poluição dos solos, temos a
perda de muitos polinizadores, como as
abelhas,
>> impermeiaabilização de solos também que
alterada.
>> Exatamente. E poluição. Portanto, eh,
nós estamos a falar também,
>> dos maiores fatores de risco para
cancro. Eu acho que as pessoas não têm
mais noção que a poluição atmosférica em
si é um grande fator de risco. E lá
está, uma coisa que tu não consegues
evitar, não é? Ou seja, não não
consegues propriamente dizer hoje não
vou respirar o ar na rua, não é?
>> É fugir da cidade para quem tem esse
privilégio, né? Poder, mas que é de
facto um privilégio. Sim. Sim.
>> E sabes que e eu eu morei muito tempo no
Brasil e eu eu estudei essa parte no
bocadinho disso, dessa questão no
Brasil. Fala-se muito pouco de da
incidência de cancro em agricultores no
Brasil, em que se usa o Brasil é o peixe
que usa mais eh pesticidas e
fertilizantes do mundo
>> e e é muito muito preocupante e portanto
é uma coisa que não se fala muito, mas a
incidência de cancro em pessoas que
trabalham na agricultura com esses e não
é com esses compostos é mesmo um
problema muito sério. E no Brasil era
mesmo um problema que já estava a ser
muito estudado. Eu não sei se aqui
estuda muito isso. Eu estudei muito isso
no Brasil. também lá está, porque nós
vivemos agora em meios muito mais
citadinos e, portanto, a típica pessoa
que eu vejo em consulta não é o
agricultor que trabalha com os
pesticidas, não é? Isso já é uma
raridade. E, portanto, hoje em dia falas
muito mais dos outros, lá está, da
poluição atmosférica, dos outros
poluentes ou dos desreguladores
endócrinos, que também são um tema agora
que que é isso porque que percebemos que
e aliás isso até é uma coisa importante
porque às vezes nós temos esta
tendência, não é, e sabemos que 1/3 dos
cancros é eh podia ser prevenido. E às
vezes eu às vezes eu tinha um bocadinho
medo desta conversa porque a última
coisa que eu quero é culpabilizar
alguém. Ou seja, de repente tens um
cancro e pensas: "Ah, podia ter
prevenido". E não é isso quando se diz
que podia ser prevenido, não é tanto de
a pessoa podia, ah, se tivesses forçado,
não tinhas tido cancro, não é nada
disso. É
>> os governos, não é?
>> É sim, é muito mais uma questão de
ambiente e política, porque lá está,
porque temos a poluição e porque também
temos um um ambiente que que promove
muito à doença, ou seja, promove muito
aos comportamentos nocivos e que de
repente se tu nasceste e cresceste
assim, não é? se tu se tu vais para uma
creche e a tua eh o lanche que te dão é
aquele ou se de repente tens um governo
que não dá tempo aos teus pais para
cozinhar e para decidir qual vai ser o
teu almoço, então de certa forma não é
bem uma escolha, não é? Não é bem uma
coisa que tu podias ter de facto tido
uma uma vida diferente.
>> E a poluição do ar também não. A
poluição do quer dizer, se tens que
trabalhar na agricultura e precisas de
usar aqueles produtos, vais ter de usar.
É por isso está tudo tão ali
relacionado. É por isso que acho que nós
conseguimos confortar tantas coisas
porque na verdade eh é um sistema e para
mudar uma parte temos de mudar quase
todas. Eu vejo isso muito como, ou seja,
eu acho que isso é uma coisa tão boa,
porque às vezes as pessoas estão à
procura de soluções em em todo lado,
sabes? E querem ouvir eh eh é isso, o
que é que o que é que diz a a a prita da
sustentabilidade, o que é que diz a
prita da saúde, mas na verdade, na
maioria das vezes, a solução é mais ou
menos a mesma. É tipo, é aqueles, eu
digo sempre, é os champudem um, não é?
Que é quando tu estás a escolher ser
saudável, na maioria das vezes estás a
ser isto quando é saudável a sério, não
é? é o saudável do suplemento e da
medicina antiaging. É o saudável puro, o
saudável a sério, sem banha da cobra,
sem marketing e sem nada. Tu, na maioria
das vezes estás a ser mais sustentável,
estás a trabalhar em comunidade, ou
seja, estás a ajudar o ambiente. Eh, é
aquele conceito de onh, não é? Portanto,
a maioria das vezes é uma coisa boa para
tudo e para todos. E eu acho que isto é
uma maravilha que é então de repente eu
estar aí de bicicleta, estou a fazer
exercício, estou a eh a ajudar o
ambiente, eh estou a ver a natureza e
portanto a minha saúde mental tá a ficar
melhor. Quer dizer, eu acho que isto é
fascinante, que é tipo,
>> Sim, é raro, é raro uma coisa que é que
é boa para ti não ser também boa para o
ambiente ou quando é boa para ambiente
também, não é nada raro, na verdade, a
maioria das recomendações que eu faço em
consulta são boas para tudo. Ou seja, eh
isto isto é um bocadinho é isso eh
cozinhares é bom para ti, para os teus
filhos, os teus filhos vão gostar. É
meia hora que tu estás ali e que tu não
tens que estar a pensar no brinquedo que
tu tens de comprar e, portanto, nem
compras o brinquedo. Eu eu eu tenho
pouquíssimos brinquedos para os meus
filhos porque o que eles gostam é
panelas col de pau, ou seja, são as
coisas que eu uso. E, portanto, estou a
poupar tempo, estou a poupar dinheiro,
estou a poupar aquela dor de cabeça de
ai agora que brincadeira que eu vou
inventar, tipo, eu tenho que cozinhar,
eu preciso ir ao supermercado, ele vem
comigo, ele adora sendo-se crescido,
claro que demora um bocadinho mais
tempo, claro que, mas eu acho que há
esta beleza que é na maioria das vezes
tu estás a fazer aquilo que é melhor
para ti, que é melhor para os teus
filhos e que é melhor para tudo, não é?
Portanto, eu acho que isso é uma coisa
que até é mais tipo, ok, não é assim tão
difícil.
>> Sim, eu adoro usar, desculpa, não sei se
alguma coisa, mas eu adoro usar o
exemplo que também dei até no teu
podcast, que é, por exemplo, quando
decides eh comprar, fazer compras
diretamente aos produtores ou decides
assinar um cabajo de de frutas e
legumes. É o que a Margarida estava a
dizer. Tu compras o cabash e
inicialmente parece que o benefício é só
para ti, porque tu chega-te a casa, um
cabash eh feito, pronto, e cheio de
legumes, cheio de frutas e obriga-te a
três coisas, a cozinhar muito mais,
porque tens de usar aqueles a usar o
cabajo, a diversificar a alimentação,
porque tu não sabes o que vem no cabajo,
vem de acordo com as estações e a usar
muito mais a criatividade, usar as mãos
e portanto há uma série de benefícios e
isto tudo é ótimo para a saúde, não é?
Tudo isto faz bem,
>> mas cará também é um privilégio, se
calhar é mais caro,
>> 100%. Eu acho que isso é uma,
>> sim, mas mas espera aí, mas calma. Sim,
eu sei, mas mas espera, mas ao mesmo
tempo tás a fazer um uma algo super além
de ser muito bom para ti, para a saúde e
para os teus filhos e para brincares com
eles e e para cozinhares, também ao
mesmo tempo tás a a a permitir que um
agricultor continue a fazer o seu
trabalho. Isso hoje em dia, é mesmo
preciso dizer, estamos a ter um declínio
de agricultores na na
>> Mas é um mas é um privilégio. Acho que
aí é que a política, a política e os
governos têm entrado, porque atualmente
tu conseguires assinar um cabaz ou mesmo
tu conseguires mesmo isto que eu digo, e
por isso é que às vezes é preciso ter
algum cuidado e e tenho que ter algum
cuidado na forma como digo, porque mesmo
isto deu-me poder ir ao supermercado com
o meu filho, ir cozinhar, isto é, isto
vem de um lugar de privilégio gigante,
não é? Porque se eu tiver de ter dois
trabalhos, se eu estiver a minha vida
toda em transportes, quer dizer, eu vou
ver o meu filho duas horas por dia, ele
vai estar numa creche onde eu tenho zero
controle, eu nem sabem o que é que
lanche. Portanto, isto é altamente
privilegiado. E eu acho que é aí que, e
é precisamente quem tem este privilégio
que tem de ser vocal por quem não o tem,
não é? Porque quem não o tem não tem
tempo para ser vocal, não tem tempo para
estar a reivindicar os seus direitos. E,
portanto, eu acho que isso é o grande
desafio, que é tu seres, tu teres esse
privilégio e pensares, mas calma, eu
tenho de perceber e tenho que ter
consciência deste meu privilégio e
garantir, até porque as desigualdades
sociais são mais para todos, portanto,
são mais para os privilegiados e para
quem não e para para quem não é
privilegiado. Portanto, nós lutarmos por
estas camadas da população mais
vulneráveis e que se calhar não têm esse
tempo para estar a cozinhar e para estar
pensarmos eh nas escolas, na na nas
cantinas das escolas, lutarmos por isto
tudo é importante para todos. E eu acho
que há muita diferença, porque de facto
é é 100% isso. Às vezes eu eu sinto que
houve uma parte toda da minha carreira
que eu estava super focada em estilos de
vida e temos de fazer exercício e de
repente estou com pessoas à frente. Eu
penso: "É, é uma falta de respeito eu
estar a dizer a esta pessoa: "Ah, vocês
têm de ir, têm de experimentar uma aula
de cycle". Quer dizer, é gozar, é
literalmente gozar com quem trabalha,
não é? E de facto,
>> mas espera aí, desculpa lá, eh, eu é é é
podes dizer que é um privilégio, mas não
há assim tantas pessoas em Portugal que
não têm meia hora para cozinhar com os
filhos.
Hum, a maioria das pessoas mais do
>> até porque as pessoas até porque as
pessoas com menos dinheiro costumam
cozinhar precisamente não mandam vir
comida de fora porque é enganado.
>> Não, eu olho
>> ou comem fast food.
>> Não, comem. Sim, comem coisas. Comem o
quê? Batatas fritas que são mais baratas
e que estão mais caloristas. Isso não é
verdade. Ou seja, quem por caso, se
calhar temos de pesquisar, mas eu acho
que a maioria das pessoas, ou seja, é e
eh
>> não tem, não vai cozinhar, vai ou vai
cozinhar coisas fáceis e rápidas e
calóricas. Vai fazer o a massa com
salsicha e com natas e não vai e não vai
fazer uma uma sopa. vai descascar de
legumes, não vai descascar coisas, vai
comprar uma sopa pré-feita, vai. E,
portanto, eu não acho que é isso. Para
além de que há uma realidade que nós
vemos muito em medicina gerada familiar,
que a maioria dos altos de quem
frequenta muita consulta, lá está, são
não são pessoas são pessoas com
problemas sociais, são pessoas com eh eh
que não sabem eh como é que vão pagar a
renda no próximo mês, que vivem em
contextos de ou violência doméstica ou
de álcool ou de eh muitos consumos e de
muita toxicidade e que não conseguem
sair desses meios. são pessoas com
contratos precários, são pessoas que
recebem eh 700, 800 € por mês ou que nem
têm contrato, eh que depois também não
conseguem sair um bocadinho daí. E,
portanto, nós falamos muito, lá está,
sobre a importância de nutricionistas e
isso é de facto essencial, mas o o que
que realmente anda a consumir muitos
recursos são estas estas doenças que são
muito determinadas pelo
ambiente, não é? uma pessoa não ter é
isso. Tu não podes pedir a alguém que
tente ser saudável se ela nem consegue
assegurar que vai dormir numa casa que
não tem humidade e que não tem que o
teto não tá a cair. E, portanto, há uma
base que tem de ser muito trabalhada e
que aí não depende propriamente da
vontade da pessoa, não é? Depende muito
mais do ambiente de das políticas que
que as protegem. E por isso é que às
vezes é um debate, lá está, de
privilegiados nós estarmos aqui a falar
de eh de desta destas coisas que é
importante e claro que, ou seja, não é
para desvalorizar, eu acho que às vezes
também cai um bocadinho no outro lado,
já nada interessa, nós temos de combater
as desigualdades,
>> não interessa porque podem-se criar
políticas públicas para combater isso.
>> Exatamente. E eu acho que é mesmo, eu
acho que é mesmo isso. E por isso que
acho que importa, importa falar, porque
o caminho que nós estamos a levar não
está não tá não está e não nos está a
levar ao bom porto, porque nós sabemos
que atualmente nos países e com
rendimentos mais altos, quem consome
ultraproçados são as camadas mais baixas
da população. E é muito engraçado que os
países onde se consome mais
ultraproçados é Estados Unidos, Canadá,
Austrália e UK. Isso. E quer dizer,
estamos a falar de consumos que chegam a
60% e da dieta da pessoa e e nesses e em
países de rendimento alto, queem
Portugal também se inclui, né, para não
é high income country, e quem consome
mais ultrapostados são as camadas mais
baixas. Então é mesmo verdade. Eu acho
que por muito que até possamos ter tempo
para cozinhar, é o que a Margarida
estava a dizer,
>> vamos cozinhar conhecimento,
>> o que é for que seja mais calórico e o o
mais rápido porque falta tempo.
>> E é mais barato, é mais barato comprares
um pacote de batatas fritas e umas umas
salsichas do que um cabo e da quinta do
ou seja, infelizmente é mais barato e e
é isso que é isso que dificulta e por
isso é que eu digo que é um ambiente
muito mais virado para a doença do que
para a saúde.
>> Exatamente. E o ambiente o fala-se muito
e a Margarida fala e também falo muito
dessa questão do ambiente. Eu falo mais
em ambiente alimentar, tu falas mais em
ambiente, não sei como é que se chama na
saúde, mas é ambiente, um ambiente
saudável em geral,
>> porque existe um ambiente e enfim,
existe a crença que nós escolhemos
aquilo que vamos comer, mas a verdade é
que a pesquisa mostra-nos que nós não
escolhemos aquilo que vamos comer no
vácuo. Nós escolhemos aquilo que vamos
comer de acordo com o ambiente onde
estamos. E então surgiu este conceito de
ambiente alimentar ou food environment,
que é basicamente o contexto no qual nós
tomamos decisões sobre aquilo que sobre
a nossa alimentação, ou seja, o que é
que vamos comer, como vamos comer, com
quem vamos comer. E isso tá é amplamente
afetado por absolutamente tudo. Desde
tenho supermercados perto de mim, os
supermercados onde eu vou oferecem eh
opções frescas.
>> Tem de ler um livro que se chama Nudge,
que é precisamente sobre isto. É um
bocadinho a arquitetura das escolhas e a
forma como nós de facto somos
influenciados. Por isso é que às vezes
quando vem esta, eu acho que um grande
argumento quando se quando se diz, por
exemplo, não vamos ter hh às vezes houve
aquele debate nas cafetarias, não ter
corações nas cafetarias e ter só comida
saudável, etc. E toda a gente, o
argumento é sempre ah, mas não nos tirem
liberdade, deixem-nos comer o que nós o
que nós queremos. Mas até que ponto é
que também há essa liberdade quando é
isto, todo o sítio para onde tu olhas é
a publicidade, a fast food, a álcool, h,
tu abres as redes sociais e é sempre
estão sempre a tentar vender alguma
coisa ultraprocessada, tu não vês, ou
seja, tu não estás no teu dia- a dia e
tens estímulos para comer fruta. Não,
isso não acontece. bebe bebe água da
torneira, isso não acontece. Mas tu
todos os dias tu pensares desde que
acordas até que adormeces, a quantidade
de estímulos para tu consumires coisas,
consumires aliment alimentos altamente
processados para o sedentarismo, para tu
passares mais tempo sentado, quer dizer,
é gigante. E isto é uma coisa que é isso
mesmo que não seja forma consciente, ou
tu tens um grande grau de litracia e
sabes o que é que te faz bem, o que é
que te faz mal e depois tens que ter
muita motivação, ou então de facto o
ambiente é mesmo a puxar para ficares
doente, não é? Toda a gente, porque
todas essas empresas, tanto as de comida
ultraproçada como as de entretenimento,
que são as que se calhar querem que
fiques mais sedentário, como as Big
Farma, não é? Hum, têm esse este
objetivo de maximizar o lucro e não
tanto nas Big Farmer neste caso, porque
não fazem tanta publicidade, mas eles
sabem criar produtos que eh tão no fundo
a hackear
>> os teus sistemas muito antigos, não é?
muito antigos, mesmo primatas para te
pôr a comprar o que eles têm e a
viciados no que eles estão
>> ol a álcool é um ótimo exemplo porque
sempre que eu falo do álcool as pessoas
ficam muito revoltadas e pensam: "Mas o
álcool é super cultural e nós temos
tantas e vinhas no dor e não nos retirem
este património que é muito português.
Mas o o grande problema do álcool não
são as vinhas do dor, não é o consumo
que tu fazes daquele vinho eh que
conheces não sei quem
>> com uma comida e com a tua família.
grande parte da indústria do álcool que
dá dinheiro são aquelas grandes empresas
que tu vês em todo lado. E eu não
percebo como é que um um fator de risco
que é tão grande e não estou só a falar
de cancro, porque eu acho que cancro as
pessoas houja não sensibiliza assim
tanto porque é uma coisa distante, não
é? tu pensas sempre meio que não vai
acontecer, mas estamos a falar de
acidentes nas estradas, estamos a falar
de violência, estamos a falar de
agressividade de uma data de coisas que
acontece de absentismo laboral e que são
associadas a este consumo e ainda assim
tu não há um dia em que tu não vejas uma
publicidade ao álcool em todo o lado.
Quer dizer, os santos populares são
celebrados à volta do álcool. Nós
brindamos ao álcool. É impensável alguém
casar-se e não beber álcool. É
impensável. Quer dizer, há aqui uma
cultura e de facto isto isto é muito e
quem é que beneficia mais com isto, não
é? Um bocadinho a indústria do álcool.
Aliás, eu acho que há um grande medo em
falar sobre isto.
>> Eu também beneficio um bocado indústria
>> do álcool existir.
>> Então
>> eu gosto de vez em quando de ver um
bocado de álcool.
>> Claro, mas tu mas é isso. Mas tu tens
esse consumo consciente e moderado, mas
tens perceber que muita gente não o tem.
E uma coisa é também há pessoas que
gostam de fumar e que fumam, mas estão
conscientes do risco que tem. É, achas
que ia proibir publicidade ao álcool ou
só estás a desabafar?
>> Não, não, não. Eu acho, eu acho que era
uma medida importante. Acho que uma das
medidas importantes era proibir a
publicidade,
especialmente como ela é feita hoje em
dia, que tem campanhas de marketing
brilhantes. E eu penso que me dera poder
trabalhar com estas cabeças, porque de
facto são muito muito boas, não é? estas
campanhas de eh se estás triste, bebe.
Eh, se quer juntar-se com os amigos,
bebe. Sim, imagina, eu sinto mal porque
é isso porque eu às vezes de facto gosto
de ver o meu cópia e gosto de A questão
é isso, é não se pode não se pode
romantizar e não se pode assumir que
isto não tem risco quando isto de facto
tem um peso socioeconómico gigante em
Portugal e é uma coisa que tem que estás
muita despesa, muito malfício. E lá
está, e tu teres esta conversa não é
dizeres manda, vamos vamos anular todo o
álcool, é dizeres: "OK, o álcool existe
da forma que o tabaco existe, as pessoas
são livres de consumir". Mas não vamos
fazer publicidade, não vamos estar a
ensinar às crianças que se estás triste
bebe uma bebe uma cerveja.
>> Acho que eh acho que tanto a questão da
comida de comida e como e do álcool
beneficiavam muito ver as o que
aconteceu com o tobaco. O que aconteceu
com o tobaco foi exatamente isso.
Ninguém tá a proibir al ninguém de
fumar. Quem quiser vai ser livre e vai
fumar, mas é limitarmos o acesso e antes
as campanhas explicitárias de tabaco
eram super cool e quem fumava era
coolendavam, não é?
>> Exato. Era
>> fumavam na consulta.
>> Sim,
>> fumavam na consulta. Eu lembro, mas você
é assim, eu acho que nós fomos da
geração, pelo menos eu lembro-me estar
nos aviões e ter a coisinha de para o
cinzeiro, não é? E e o que aconteceu foi
um limite muito grande à publicidade,
que eu acho que é o primeiro passo,
depois uma tributação muito maior e e de
facto nós percebemos que só estas duas
medidas já contribuíram para diminuir em
muito o o consumo de tabaco e portanto
não é limitar a vida das pessoas, mas é
perceber que termos publicidade
desenfriada tanto de álcool como de
alimentos ultraprocessados nas bombas de
gasolina que sentido é que faz
>> nas bombas onde ou seja tu estás a
conduzir que sentido é que faz teres
venda de álcool em sítios onde
essencialmente tu paras a enquagem
jeito. Às vezes tá estão supermercados
todos fechados e só podes ir comprar uma
litrosa à bomba.
>> Sim, mas isso ou seja essa coisa do D
imenso jeito, lá está, é um ambiente que
favorecevorece.
>> Mas por exemplo, é isso, eu não, eu
estou a falar disto e isto aqui,
>> mas vais limitar a vida de quem bebe
moderado por existirem os que não bebem,
também não tens massas e não te
reclamas. Por exemplo, tu paras numa
estação de serviço e não tens uma massa
para comer. Numa estação de serviço,
não, numa, nas estações de serviço até
já vais começando a ter, mas quando
paras só mesmo para abastecer e vais lá
dentro, tens 30.000 chocolates, 30.000
cervejas e não tens uma banana, uma
maçã. Também estão a limitar a minha
liberdade de escolha de comer uma maçã.
>> Tu fumas? Fumas.
>> Pronto. E e quando e o que é que achas
sobre a coisa de não se poder fumar em
espaços fechados?
>> Hum, acho que faz todo sentido, mas
lembro-me de quando isso saiu, não sei
como é que tá agora, as regras eram
assim muito feitas à preça.
>> Mas é que faz sentido? Porque lá está,
porque é uma estás a estás, no fundo, tu
como fumador estás a impor ao outro que
levar para casa a cheirar a tabaco.
>> Então o álcool estrada e nós sabemos que
a maioria dos acidentes graves e que
matam pessoas são têm muita influência
do álcool. Então como é que porque o
problema de quem conduz bêbado não é só
para quem conduz, não é para quem pode
levar com aquele carro em cima. Ou seja,
até que ponto é que também não é
retirarme alguma liberdade
>> aceitar que num sítio onde circula um
veículo se venda álcool sem sem grande
restrição, não é? Ou seja, isto para mim
também é também ou ou mesmo não é é
isso. Nós sabemos que há mais acidentes,
que há mais violência, que há mais em
que sítios é que lojas é que existem que
não tem uma rua à porta, não é? Não
poderias vender em lado nenhum. Então
>> sim, mas aqui autoestradas é mesmo, ou
seja, é um
>> ah tá a falar específica falar
autostrada, estou a dizer que aí até
ainda ainda mais, não é? Estações de
serviço. É isso que eu queria dizer.
Desculpem, não é? Mas mas aí não é, quer
dizer, é estranho.
>> Pá, não acho que não é estranho. Eu
imagina, tás a tás a ir ter com alguém e
precisas de passar pela autoestrada e
precisas de cerveja e e existe aquele
serviço ali, tu queres comprar, a
empresa quer vender, tu compras. Acho
que publicidade eu percebo, mas não
haver nas bombas,
>> não é nas bombas, é nas autoestradas que
é um lugar,
>> porque eh
>> não é assim tão importante para mim, eu
não bebo muito, não é assim tão
importante para ou seja, eu acho que
seria há muito mais coisas mais úteis,
por exemplo, eh termos eh termos alguma
comida que nos mantenha também possamos
comer alguma coisa ou uma água assim
dizer isso. Eu quero um chocolate na
OMA, não é?
>> Sim, sim, sim. Mas mas a questão é é
mais não é necessário teres ali podes
ter o álcool nos supermercados e nas
lojas e se calhar temos ali um lugar em
que se limita e se calhar uma pessoa que
até e se calhar estamos a falar de casos
em que nós os três que não temos uma
questão com álcool, mas se calhar uma
pessoa que tá a conduzir e tem uma
questão com álcool e vê ali pensa:
"Olha, sabes", mas a maior parte é que
acabou de sair do almoço ou do jantar,
não é porque escolheu na parar na bomba
para ver. Sabem que grande parte do dos
cancros causados pelo álcool não são
pelo consumo excessivo de álcool, são
pelo consumo moderado e comum. Eu acho
que também é um mito. Ou seja, nós
estamos só a assumir que isto só tem
problema para quem tem um problema com o
álcool, não. Mas quem consome
diariamente também aumenta o seu risco
de de várias doas no sentido de ter o o
estímulo de comprar e depois podia ser
complicado, né? Nesse sentido. Portugal
acho que é dos países com mais
alcoólicos funcionais. Não sei
exatamente qualche mais consumo. Acho
que foi isso, mas acho que foi o
primeiro. Desculpa, desculpa, acho que é
quantidade de pessoas que bebem pelo
menos um copo por dia.
>> Acho que é acho que é nisto
>> e na consulta eu vejo isso, ou seja, é
sempre um tema sensível e a pessoa fica
sempre olhar para mim, mas mas qual é o
mal do e na verdade não tem mal. Ou
seja, eu às vezes também eu tenho esta
conversa, mas eu no meu dia- a dia é
indiferente. Ou seja, não, eu acho é que
é importante as pessoas estarem
informadas da mesma forma que fumam e
sabem que estão a fumar. Eu acho que o
álcool isso ainda não acontece muito, lá
está, porque também há muito lobby, há
muito eh o álcool é uma indústria muito
poderosa e, portanto, é isso. Aliás,
isto também acontece com o jogo, tu tens
publicidade ao jogo, que é um problema
gravíssimo em Portugal, tens publicidade
ao jogo em todo o lado. Eu de repente ve
campanhas gigantes a dizer: "Confia
com". Sou mais, isso eu sou mais contra,
por acaso.
>> Pronto, mas é engraçado vê, isto é
cultural, isto é 100% cultural porque o
jogo não é melhor do que o álcool, não é
pior do que o álcool. Pá, é difícil de
comparar porque tu cresceste a dizerem,
ou seja, tu cresceste. O álcool é uma
coisa muito portuguesa, é muito normal.
Ou seja, e eu percebo isso, mas é a
conversa que eu tenho sobre outras
formas de alterar consciência de que,
pá, tu vais a comprar os danos que o
álcool tem no teu cérebro e na sociedade
e na violência e comparas, por exemplo,
com MDMA ou cogomelos mágicos ou outras
coisas que são consideradas drogas
classe A. E o álcool é muito mais
nocivo, imensa coisa. Por isso a
conversa da cultura, eu percebo
perfeitamente,
>> claro.
>> Mas não sei, se calhar é por conhecer
mais histórias de desgraça com com jogo
ou
>> Pois, eu acho que se calhar também por
ser médico de família
>> ou por eu ou por o meu vício ser
adrenalina e e estás a ver, então achar
que aquilo é mais perigoso.
>> Sim, sim. Mas também tive um percurso
pessoal que me fez ter esta coisa com o
álcool. Ou seja seja, claro que isto vem
num lugar também um bocadinho emocional
e esta eh mas de facto depois é isso, é
ao longo do ao longo da da minha
carreira ver tanto isto e perceberem que
há muitas pessoas que estão nesse
percurso de tentar deixar de beber e de
repente é mesmo muito difícil porque o
álcool está em todo o lado, não é mais
do que qualquer outra qualquer outra
droga. É o álcool está muito Sim. Sim.
Queria-te perguntar, já já roçaste, mas
não não disseste exatamente isto. H, tu
falas, imagina, primeira consulta de MGF
com alguém novo, falas sempre de
alimentação,
>> não?
>> Perguntas sempre sobre alimentação,
>> não. Aliás,
>> primeiro nota, ou seja, eu não é sempre
uma pergunta que eu faço,
como é que a pessoa e se alimenta, se
come bem, se faz uma alimentação
variada, mas eu cada vez mais tento
fazer perguntas muito específicas. Por
exemplo, uma pergunta que eu faço sempre
em todas as consultas é se a pessoa come
sopa, porque eu acho que a sopa é de
facto logo um veículo ou legumes, não é?
Mas mas isso é importante, mas não é um
tema que eu toco logo, até porque acho
que ou a pessoa tá para aí virada com
qualquer estilo de vida, ou para ou a
pessoa tá para aí virada, ou então o que
me acontecia muito era est super
motivada a falar sobre alimentação
saudável e estilos de vida e a pessoa
ficar logo i que seca não me apetece que
>> olha tenho que comprar o meu cabaz de
fruta biológica.
>> Não, eu sou incapaz de vender coisas
minhas, nem tenho cabazos, mas
>> não estava a dizer a cena do privilégio.
>> Ah, sim, sim, sim. É, mas é um bocadinho
isso. Ou seja, eu primeiro
>> sabem que também há alternativas, ou
seja, claro que de qualquer forma tens
que ter o privilégio de teres tempo para
cozinhar, saberes cozinhar, porque acho
que é isso que muitas vezes falta. Eh,
não, quer dizer, faltam faltam muitas
coisas em Portugal, nós temos os níveis
de pobreza muito altos, mas eh a questão
de saberes cozinhar saudável não é só eh
há uma série de coisas que têm de
acontecer em conjunto. Tens de saber
onde comprar, tens que ter acesso a
esses lugares onde se compra produtos
saudáveis, depois tens de saber fazer.
Ou seja, é claro que se puseres batatas
fritas e um bife, não há nenhuma criança
que vá chatear-te. Mas agora tem teres
de fazer um ensopado de grandi com arroz
e fazer isso ser saboroso e toda a
família comer e calar, tens que ter
técnica, tens não é só comprar aqueles
produtos que não é só comprar o arroz e
o grandí, tens de comprar legumes e tens
de comprar especiarias e tens de dar
sabor.
>> Depois tens que saber, então tens de
saber uma série de coisas, tens que
saber essa técnica culinária também.
Isso são muitos saberes juntos.
Portanto, não é só o acesso, é teres
acesso a estas todas essas esferiras que
te levam depois no final a comer bem e
são muitas. Uhum. Há aqui outra coisa
que é à medida, ou seja, esse conceito
saudável também tá a ficar cada vez mais
difícil definir, não é? Porque agora com
as redes sociais não tá difícil definir,
mas eu acho que há tanta desinformação
que de repente aquilo que as pessoas
consideram saudável já é muito longe
daquilo que é realmente saudável, não é?
De repente, tu achas que saudável é
pouco calórico ou que saudável é não ter
hidratos. Quando de repente, ou seja,
confundem-se aqui uma data de conceitos,
porque as redes sociais são muito cheias
disto, de é isto, esta estas gomas que
são saudáveis e que te vão dar saúde.
Isso é o maior mito da saúde. A saúde
tornou-se uma indústria em que te vendem
soluções rápidas e que te dizem: "Se tu
queres viver mais e viver mais anos,
então faz esta injeção, toma isto, faz
aquilo". Quer dizer, é o mais longe da
realidade possível. Exatamente.
>> E é tão é tão giro ver a Margarida e eu
adoramos o mesmo estudo que é o estudo,
o estudo das zonas azuis, já deves ter
ouvido falar. São zonas no planeta onde
existem populações que vi que vivem mais
tempo de forma muito sol documentário,
há um livro,
>> mas ouvidos é que esse documentário não
tá assim, não tem muito rigor
científico.
>> Sim.
Ou seja, mas é,
>> pois, não deve haver, não deve haver
muito, não sei se há muito rigor ou não,
mas eu li o livro e o livro é muito
giro, mas isto para dizer que são
coisas, mas de facto a questão é, tens
populações nesses lugares que vivem até
aos 100 anos muito bem e portanto e
populações muito longevas e o que o que
eles na verdade fazem são coisas mesmo
muito simples. E, portanto, quando as
pessoas foram a investigar, achavam que
eles é comiam bem o de cobra. E na
verdade é cozinham, cozinham nem são
populações vegetarianas, são populações
em que em que se comem muitos vegetais,
mas também comemões sociais, tem um peso
muito importante,
>> têm muitas relações sociais, tem muita
relação com a fé, tem uma fé muito
forte, cuidam dos familiares,
especialmente dos mais velhos. Eh, e e
depois outra coisa que eu acho que hoje
em dia se tornou muito difícil é a
questão de do exercício físico e nenhum
deles vai ao ginásio quase cinco vezes
por semana, mas todo em tod em todas
estas comunidades que são mesmo ao longo
do eh são ao redor do globo, não é?
Desde o Japão a a Itália, à Grécia, aos
Estados Unidos, todos eles se movem
naturalmente. E outra coisa que
estávamos a falar sobre o privilégio que
é as próprias cidades não são mais
feitas para as pessoas caminharem, não
é?
e hoje em dia não temos tantos esses
espaços para uma locomoção um bocadinho
mais
nos arredores. Tens
>> sim, onde eu vivo tenho masar tens mais
Lisboa e para ir de bicicleta risco a
minha vida todos os dias para ir
bicicleta as zonas têm em comum. Há um
ambiente que que as faz cozinhar e comer
melhor, que as faz mexerem-se
naturalmente. Algumas fazem agricultura,
outras fazem jardinagem, outras
simplesmente caminham, tipo as de as de
Itália são na Sardanha. Então é é um
piso muito montanhoso, então elas têm de
caminhar bastante, eh têm tempo para ter
relações sociais
e esse ambiente que tá na base termos
umas comunidades saudáveis, não é um
saudável, mas são muitas pessoas
saudáveis juntas e giro. como mais uma
vez. É isso. Eu acho que as pessoas de
facto complicam, gostam de complicar
tudo e há uma parte muito boa da ciência
que é de facto investigar isto tudo, mas
há outra que de repente então o que é
realmente benéfico para a saúde é
fazeres exercício, 45 minutos por dia. E
de repente é tipo, não, eu só quero
saber se esta pessoa anda, olha, vai
passear, anda pela natureza, o que é que
gosta de fazer, o que é que como é que
se mexe, porque eu não preciso que
aquela pessoa vá para o ginásio 45
minutos, eu preciso que ela se mexa, que
ela seja ativa, que ela suba as escadas,
que ela vá às compras a pé. E são estas
coisinhas que fazem de facto diferença e
que são muito mais execuíveis do que eu
estar a dizer: "Olha, então tem aqui uma
tabela, tem de comer três porções de
cinco porções de fruta, 30 g de fibra
por dia." Quer dizer, a pessoa fica
olhar para mim e a pensar não, mas se eu
perguntar, olhe, e sopa consegue
incluir? é uma coisa fácil e temos logo
ali alguma, claro que não é tudo, mas é
uma forma de vamos começar por aqui ou
vamos tentar então, olha, cozinha uma
refeição, consegue cozinhar alguma
refeição e estas coisas eu acho que
fazem muito mais diferença e de facto
são muito mais simples e é isso, de
repente pegas na na pessoa que conheces,
vais andar e e é isso, fazem logo muita
diferença, tem muito impacto. como
portugueses, eh, sopa é das melhores
coisas que nos lotaria social, porque eu
acho mesmo que, pá, olha, ol, eu não
gostava de sopa durante imenso tempo e
agora de facto é isso, como tenho muito
pouco tempo, sinto que é a única forma
de eu assegurar que pelo menos tenho ali
alguns micronutrientes.
Eh, e pronto, claro que não vale, não,
não é tudo, mas é, sabes, um, há um
conforto também, é muito, de facto, é
uma coisa muito portuguesa, muito nossa.
E agora houve um debate gigante sobre a
pirâmide alimentada dos Estados Unidos e
tá toda a gente tão presa h tardes e às
vezes eu penso que é muito mais sobre
aquilo que tu comes do que aquilo que
não podes comer.
>> O que é que tu incluís diariamente? Tu
incluís comida a sério, tu cozinhas, tu
comes e portanto eu também tento muito
que a minha quem consulta seja muito
menos sobre não pode fazer isto, não
pode fazer aquilo. Ou seja, não, muito
mais do que dizer não beba álcool, não
faça isto, não, não fique sedentário, é
olha, isso tentar incluir isto, isso
tentar fazer, porque quando fazes mais
coisas boas também sobra menos espaço
para aquilo que não te faz tão bem, não
é? É isso. Quando socializas mais,
>> Sim, era o que eu ia dizer sobre a sopa.
Imagina, é uma, eu se tivesse, se com os
mesmos gênesos eu tivesse crescido, se
calhar em Inglaterra, não gostaria de
comer só para todas as refeições como
gosto, incluindo no verão. Isso é uma
coisa que
>> e corrijo-me se eu tiver errado.
>> Adoro, adoro, adoro.
Há um dado mesmo importante sobre isso.
Sobre isso não, mas sobre a nossa lá
está, h, uma sopa hidrata e tem legumes
e tudo mais e antes de logo metade do
estômago.
>> Sim. que se se eu não encher o estômago
como metade daquilo vai ser muito mais
arroz. E
>> e mais importante de tudo é
culturalmente aceita, é culturalmente
feita. Há poucas famílias que não a
fazem. E sabem um dado mesmo
interessante? eh estávamos a falar de
alimentos ultrapados e saiu eh agora
mesmo há pouco tempo em novembro um um
estudo muito grande sobre isso no no
Lancet e eh eu fui ver alguns dados
sobre Portugal e fui ver o seja, qual
era a cota de ultraprocessados em
Portugal eh por na dieta e h e e eu
tenho dado 2015 foi o único, foi o mais
recente que eu consegui encontrar, até
porque foi a última vez que fizemos um
inquérito nacional sobre alimentação. Em
Portugal, nós nós temos uma a cota de
ultraprocessados da nossa dieta é de
22%.
Mas o interessante é que este gráfico
relaciona a o o consumo, a cota de
ultraprocessados com o rendimento e
médio bruto, ou seja, em países com o
mesmo rendimento, nó esperava-se que nós
consumíssemos mais, que é o que nós
temos visto nos Estados Unidos, no
Canadá, não é?
essa parte boa da cultura
>> e portanto e não é só Portugal, é
Portugal, é Itália, é Grécia e,
portanto, há aqui uma cultura alimentar
que nos tem protegido eh destes
problemas, mas acho que temos de ver
estes dados com muita calma. Primeiro
porque é 2015, segundo porque sabemos
que infelizmente as camadas é faixa
etária mais baixa que consome mais
ultraprocessados e portanto temos aqui
uma média que se calhar tá a ser
mascarada pelos nossos avós que não
comem este tipo de produtos e e sabemos
que as taxas de obesidade também têm
vindo a aumentar, especialmente nas
faixas etárias mais baixas, mas eh há
aqui um uma cultura que nos protegeu e
eu não tenho dúvida, claro que eles ali
não vão esse detalhe, que é a cultura da
sopa, a cultura do cozinhar, a cultura
de ir buscar o peixe fresco, a cultura
de ir buscar com a padaria. Quer dizer,
há muitos lugares em que as pessoas
comem pão embalado. Isso é normal. E
para nós é impensável, ou seja, um bom
portão que
>> e a família, família domingo, tipo, só o
facto de nos unirmos com a família ao
domingo para cozinhar muitas vezes.
>> Ex. E quais são os outros países que
também estão, ou seja, que supostamente
pelo nível de rendimento que temos
deveríamos comer mais ultrapçados. Não
comemos. Porquê? Porque somos protegidos
por esses fatores culturais todos. E e
quem é que está connosco nesse jogo?
Itália, a Grécia ou Chi? sem os mesmos
as mesmas raízes que nós de ter muito
tempo em família, esse esse hábito de
cozinhar e e aí que eu acho que entra
claro o fator cultural, mas também acho
que os nossos governos podem atuar muito
mais para para que que isso seja ainda
mais eh amplamente aceito. E estávamos a
falar sobre a questão de acesso a
produtos de qualidade. Claro que há
cabaças que são muito caros, mas também
há redes hoje em dia que são muito mais
baratas. Eu acho que é importante também
referir isto para as pessoas saberem que
não há só eh pronto, os cabajados mais
famosos, mas por exemplo o cabajo da
prove é um cabaj que que é ali entre 9 a
10 € e consegue um cabaj com o preço do
cabajo. É OK, este cabaj vaiir que eu
cozinho, vai dizer que eu tenha tempo,
porque senão depois é só comida que se
desperdiça, não é? E por isso é que eu
acho que é um ambiente todo que precisa
de ser, porque o cabaz em si, ou seja,
em termos de contas, hoje em dia tu vais
ao supermercado e gastas uma fortuna a
comprar três ou quatro coisas, não é?
Portanto, não é só por aí, é muito mais
depois o tempo de é isso, quer dizer, tu
precisas de saber cozinhar no outro dia
o que é que vinha, vinha uma coisa
qualquer que eu nunca tinha cozinhado e
de repente, quer dizer, tive de ir
pesquisar a receita. Isto é uma coisa
que, de facto, quem está no meio de uma
correria a tentar ver, não é, a lutar
pela vida e por isso é que eu acho que o
ambiente de facto tem mudar muito mais.
E isto este conceito das determinantes
sociais de saúde e determinantes
comerciais de saúde são importantes de
perceber, porque de facto aquilo que nos
torna doentes na maioria das vezes não
tá no nosso controle. E claro que é
super importante. Eu acho que isto não é
desvalorizar o papel da literacia,
porque mesmo se nós queremos implementar
políticas de saúde que nos vão proteger,
precisamos de compreender e, portanto,
precisamos de perceber, ok, porque é que
vai aumentar a taxa sobre o álcool?
Porque de facto isto faz mal, não é?
Porque senão vamos só, isto aconteceu,
acho que foi na Lituânia que o ministro
de repente proibiu publicidade ao
álcool, aumentou a taxa, não é? Aqui em
Portugal tens litrosas que custam 1,90 2
€ mais baratas do que alguns
algumas bebidas mais saudáveis e que fez
isso e que foi completamente bem, que
teve, não sei, teve de sair do país.
Acho que aquilo foi uma coisa dramática,
o povo virou-se todo contra. E por isso
é que é tão importante começar pela
literacia, porque estas medidas só vão
ser h só v só vão conseguir ser postas
em prática se a população as aceitar se
compreender porque é que elas são para
para nos proteger e não para nos retirar
a liberdade, não é? Porque é isso o que
é que faz com que nós não tenhamos, por
exemplo, no centro de saúde não tinhamos
fruta ou os lanches não sejam todos mais
saudáveis e também é um bocadinho porque
é isso que
>> tem que tem que se operar a nível da
literacia ao mesmo tempo,
>> que é para a geração seguinte já não tem
que a litera é mesmo insuficiente porque
a literacia continua a pôr a
responsabilidade no consumidor e não
pode, nós temos de mudar o ambiente em
geral as campanhas fazem, tem que haver
as duas coisas,
>> por exemplo, isso mesmo é uma narrativa
de de do de das grandes indúrias
dirit agora bebe tu moderação
responsabilidade é tua deste. E isso
isso é que eu acho que é um jogo. Ou
seja, as pessoas falam muito desta parte
da liberdade, mas eu sinto que é
retirar-te completamente a liberdade,
não é? Porque de repente o teu dia é
todo, é infestado de publicidade, a fast
food e a e a e uma data de coisas.
Então, quer dizer, até que ponto é estás
influenciado? É como é aquela coisa que
eu digo sempre muito, teres uma criança
numa sala cheia de chocolates e dizeres:
"Olha, não comas porque o chocolate faz
mal". E quer dizer, ah, tá bem, eu sei
que faz mal, mas é isso. É como havia um
título de um livro que eu nunca li, mas
eu adorava o título, que é motivação não
existe. E que era um bocadinho isto de
realmente o ambiente é muito importante
e na saúde eu acho que isso nota muito e
h
pessoas que estão mais doentes e que
recorrem mais a consulta têm problemas
sociais e que se resolviam com bons
programas de apoio social e com
assistentes sociais. Nós temos uma
assistente social para milhares e
milhares de doutentes. Não faz sentido
nenhum quando a parte social é tão
determinante na saúde. Nós sabemos que o
teu código postal determina a tua
longevidade e e a saúde que tu tens, a
tua qualidade de vida. Nós sabemos
mesmo, há um mapa do metro, acho que até
é o metro em Lisboa, que mostra os
indicadores de de saúde, dependendo do
da zona do metro em que tu vives. Quer
dizer, é isto tem mesmo impacto e e por
isso é que eu acho que é importante, lá
está, que quem tem este acesso a
privilégio e este acesso à informação
toda também lute para que estas
desigualdades se dissipem um bocadinho.
>> Consegues mandar esse link para pôr na
descrição do episódio?
>> Consig consig consig.
>> E eu acho que é mesmo importante
falarmos do sexo e do que os governos
poderiam fazer, não é? por exemplo, eh,
eu acho que em Portugal nós estamos a
afastar-nos muito desse meio mais rural
e e é muito comum aqui fazermos compras
em super em supermercados. Virou muito o
o comum pelo tempo, pela falta de tempo,
etc. Eu morei um tempo em Itália, numa
cidade muito pequenininha e e portanto,
quer dizer, uma cidade de interior e eu
fiquei impressionada com a quantidade de
mercados que existiam ao longo da
semana. Quer dizer, mesmo que eu
quisesse ir ao supermercado, eu quase
que não conseguia chegar ao supermercado
porque havia sempre mercados. Porquê?
que há um incentivo muito grande à à
produção de de hortículas e há um e há e
há uma uma preocupação muito grande em
trazer os meios rurais para o meio
urbano e há uma é quase tão e depois é
mesmo giro porque tu vais ao mercados
são mesmo no meio das ruas, portanto as
as praças são inundadas de de mercados,
eu estou a dizer onde eu morava que era
uma cidade pequena, é
>> a Lisboa também há tens muitos mercados
e tens em compressão tens poucos, mas
nós agora andamos na saga descobrir,
então até hipótes comparação com o que
eu já vi e mesmo no Brasil, no Brasil é
rua assim, rua assim. Então, quase que
tu nem chegas ao supermercado porque tu
sabes que à terça, à quarta, à quinta e
ao sábado, que eram eram quatro mercados
que que eles faziam durante as semanas,
tu tinhas ali um imensos produtos
frescos e depois o que é que acontecia,
que era o que nós estávamos a falar, tu
vias as pessoas irem ao mercado e depois
iam tomar um café juntas e depois
levavam levavam as compras e era ali um
momento de contacto social. Mas é claro
que isto só acontece porque é preciso
que haja a possibilidade de haver um
mercado no meio da rua. Isso em Portugal
nós vemos muito pouco. Mesmo no Porto
nós temos pouquíssimos mercados a seu
aberto. Eh, e no resto do país também.
Isso aproxima às pessoas
>> do alimento. E se calhar a pessoa tem
nem vai ao supermercado e já não compra
os chocolates que se calhar ia comprar.
>> Mas há coisinhas pequenas até que podes
fazer esta coisa, sei lá, eu agora
podem fazer facilmente, ajudar os nossos
produtores a chegarem.
>> Mas isso até podes fazer isso. Até em
grandes supermercados tu podes olhar e
ver de onde é que de onde é que a fruta
que estás a comprar vem, não é? Todo is
está em todo lado. Isto era uma coisa
que eu nunca fazia. E de repente
descobri que nesta altura do ano só há
mirtilos do Marrocos. Não há, tu não
encontras mirtilos portugueses e não
encontras os os frutos silvestres. É
muito difícil encontrares daqui locais e
de repente começas a ver e lá está é
tudo um bocadinho volta à coisa de é um
tudo em um que é tu estás a procurar
sazonal. Normalmente quando é sazonal é
mais barato, é mais sustentável e a
fruta até é melhor, não é? É é
>> tem mais sabor.
>> Sim. Sim. foi colhida mais perto do
ponto onde em que
>> ya esta parte toda de é isso, eu sei de
onde é que não sei eu desde que comecei
a fazer isto e faço lá está faço com o
meu filho e e sinto que é diferente que
é de repente olha de onde é que vem isto
e de onde é que teve de viajar não é
porque repente tu vê as coisas
>> sim mas eu acho que é mesmo sim é mas eu
acho que é mesmo importante nós
tentarmos criar circuitos mais curtos
sabes Margarita porque eu percebo, eu
acho que isso é ótimo, mas acho que nós
precisamos mesmo e os circuitos curtos
também acabam por tornar os produtos
mais baratos. Estamos a comprar
diretamente aos produtos. Eu acho que
nós em Portugal não temos esta cultura.
Acho que não precisar do supermercado no
meio, é isso. Não precisar do midle man.
Exato.
>> Não sei se para os dias de hoje isso é
isso não é demasiado o tópico, não é?
>> Não, não é o tópico. Eu via acontecer em
Itália há dois anos atrás.
Uma cidade pequenina, mas nas grandes é
muito mais. Atenção.
>> Mas achas que aqui no norte, imagina
como como não há grandes terrenos, não
é? Se car em Lisboa seria mais fácil
porque tá ali perto do lentej. Mas uma
cidade do tamanho do grande Porto, achas
que há pequenos produtores suficientes
para alimentar toda a gente dessa forma?
>> Olha, não sei, não te sei responder a
isso. Não tenho esse dado.
E acho que se cria ali um ambiente de
circuito curto em que tu falas com
produtor, em que tu percebes
ser um sábado e eu acho que claro que
não vai resolver. Eu acho que não há uma
ação que resolva.
>> Nem é só isso. A maioria não tem vidas
compatíveis para ir ao supermercado, ou
seja, para ir comprar fruta de três em
três dias. Isso são tudo coisas, a a
alimentação saudável também é muito mais
pressível, não é? Habitualmente são
coisas que duram menos tempo e portanto
e o que eu vejo em consulta são pessoas
que é isso que estão a tentar sobreviver
e querem fazer as suas compras online.
>> Claro, mas isso pode ser
concomitantemente, percebes? Ou seja,
pode haver restrição de de publicidade,
tens toalmente mudar. Ou seja, esta
coisa de e é muito português, não é?
Tens de entrar cedo e sair tarde e às
vezes estás ali só a fazer nada e horas
e horas e horas e não estás a ser mais
produtivo, não é? E nós se calhar até
fugimos à às carreiras típicas porque
temos esta liberdade um bocadinho de
horário, mas a maioria das pessoas entra
num escritório, sai à tarde, às vezes
sai ali tempo a fazer tempo para poder
picar o ponto para poder sair. Isto não
é muito compatível com esta parte toda,
ou seja, estruturalmente as coisas têm
de mudar. E por isso é que
>> Exatamente. Mas eu estou a dizer um país
como Ital que é é muito parecido
connosco e muitas coisas. Ou seja, eu
acho que nós podemos podem haver
políticas públicas que nos ajudam a
caminhar um bocadinho mais para aí. Não
é uma que vai resolver, claro que não,
mas eu acho que várias em conjunto podem
ajudar muito.
>> Sim, eu acho que é difícil porque
depois, por outro lado é esta parte das
determinantes comerciais saúde, não é?
Ou seja, esta indústria tem muito poder
e dá e e mexe muito dinheiro e,
portanto, é uma indústria que de facto
tem muito poder político, tem muito,
aliás, tu vês, há programas das escolas
que são patrocinados por empresas que
produzem papas de fruta ou quer quer que
seja, têm esse apoio.
>> E por um lado isto é difícil porque por
um lado é como as pessoas têm medo da
indústria farmacêutica. Se não fosse
indústria farmacêutica nós não tínhamos
a quantidade de estudos que temos.
Portanto, grande parte, aliás, eu
próprio no meu, as pessoas dizem sempre,
não é, falam do serviço público e tão
querida, mas grande parte do trabalho
que eu faço e de o tornar sustentável
não podia acontecer se eu não tivesse o
apoio de algumas farmacêuticas, apesar
de momento nenhum eu estar a promover
medicamentos, aliás, até tipo sinto que
tento promover o mínimo de de consumo de
coisas possível, mas é uma realidade,
nós precisamos da indústria e, portanto,
eu acho que o que é difícil é arranjares
um equilíbrio entre ter o apoio da
indústria, porque de facto precisas,
porque a indústria é quem tem, quem te
consegue financiar as ideias e projetos
bons, mas ao mesmo tempo não deixar que
isso eh que isso influencie o teu
caminho, não é?
>> Mas imagina que a indústria em vez de
ser essa, era super b.
>> Sim, sim. É, é.
>> Sabes quem organiza festivais também
diz: "Olha, pá, nós não estamos a dizer
às pessoas para ver, mas dá-nos imenso
jeito que a Superbo nos então não faria
sentido, mas
>> podemos dar música às pessoas. É que no
fundo é isso, nós temos um o governo que
diz: "Eu não tenho dinheiro para apoiar
o festival, mas então o festival é
apoiado pelo pelo álcool e por isso as
pessoas ficam mais doentes." O governo
gasta mais dinheiro com a saúde e com a
e com a com com a doença. E por isso, ou
seja, é um é um ciclo. E por isso é que
eu acho que quando percebermos que
apoiar a cultura, apoiar a habitação,
isto isto é realmente a saúde é um
reflexo das coisas. Nós estamos a
injetar muito dinheiro na saúde e a
achar tipo, nós já pusemos aqui tanto
dinheiro e não resolve. E não é o
problema, não é? eh o dinheiro que está
a injetar no setor no setor da saúde,
não é? É a administração, mas também é o
facto de nós vermos a saúde como uma
coisa isolada e não como um reflexo de
tudo o resto. A saúde é o culminar dos
problemas de habitação, dos problemas de
eh apoio eh à parentalidade. Tudo isto é
reflexí, portanto, às vezes é diz: "OK,
vamos olhar para as outras coisas, para
parte da cultura". Eu sinto que é mesmo,
as pessoas acham que a cultura é e é em
Portugal é um luxo e um privilégio, mas
eu todas as vezes que pergunto a alguém
o que é que lhe dá a qualidade de vida,
eh a a coisa mais frequente é de facto é
isto, é cultura e natureza. São as duas
coisas, é cultura e natureza. São ou é
horta e plantar, ou então é ir ao
cinema, ler, hh e socializar. Acho que
também é assim um um grande, mas quer
dizer, ninguém me responde a a ser
produtivo no trabalho ou não é? Uhum.
>> Portanto, também temos de mudar aqui um
bocadinho.
>> É, é mais h é mais comum ouvirmos falar
de haver pouco dinheiro para a cultura,
>> mas o desporto faz muito muito é que é
muito mais importante para a saúde e até
para a regulação emocional das pessoas
do que a cultura. tem um orçamento ainda
inferior.
>> Sim, mas olha, eu acho que mesmo aí tens
alguns viés, ou seja, eh e e eu acho que
os estilos de vida, claro que o desporto
é super importante, mas eu acho que as
pessoas não têm noção do impacto que a
cultura tem, ou seja, da do da de como a
arte pode ser terapêutica e e ser muito
importante em, olha, em processos de
luto, em processos de eh depressão, em
processos de ansiedade. A arte para além
de que a arte é outra coisa. Eh, eu não
sei. Olha, um dos filmes que mais marcou
é um filme que se chama Suleiman, que é
sobre um refugiado que tenta, pronto,
que no fundo vem lutar por uma uma vida
melhor. E às vezes é isso, é tão mais
tem tão tão mais impacto tu veres um
filme que te transmite uma mensagem do
que teres alguém a dizer-te: "E isto é
importante porque sim, temos de comer
saudável". E, portanto, a cultura tem
muito um aspecto de promoção de
literacia que é essencial. A arte por é
às vezes tu és mais influenciado pelo
filme que tu viste ou pela música que tu
ouviste ou pelo podcast que tu ouviste
do que pela palestra que muito mais
deram na Mas é que a arte também tem
esse papel. Ou seja, a arte é mesmo um
veículo de promoção de saúde. E por isso
é que eu, claro, ou seja, não sei, não
sei comparar com o desporto, mas acho
que temos de os pôr no mesmo saco. O
desporto, a alimentação, o acesso à
cultura são coisas essenciais e que não
podem ser a arte não pode ser um luxo,
nem um privilégio. Acho que é a mesma
coisa, pronto, que eu que eu gostava que
mudasse no sistema de saúde.
>> Sim, mas se calhar neste momento,
puxando aqui a brasa para o desporto,
não, neste momento
>> acho que é mais fácil. hh imagina que os
teus pais nunca foram ao teatro, nunca
consumiram nada, a não ser Big Brother.
>> Hã, se calhar é mais fácil essa criança
entrar no desporto, não é? Vendo mais
dinheiro para o desporto do que na
cultura. Se caro prazo.
>> E fui aqui ver agora e o nem sequer há
um orçamento, tipo, é tudo junto,
desporto e juventude, 0.33%
do do orçamento de estado,
>> ou seja, nem 1%. E pá, quando vês os
benefícios sociais, aprender a a
trabalhar em equipa, aprender a
desiludir a tua equipa, aprender a puxar
pela tua equipa.
>> Lá está, é mais um, é mais tu teres
aulas de ténis ou ires à aula de cycle
ou não sei quê, são, são tudo coisas que
são luxosas. E realmente eu acho que
depois é, é difícil porque só quem é
privilegiado e vai o mal e vê o impacto
que isso tem na sensação, não é? Tu de
repente estás ali num momento neurótico
e vais fazer exercício e ficas, há um
alívio, há uma coisa muito biológica.
>> Sim, sim. Mas mas é isso, é continuar a
ser um luxo, sem dúvida que merecia
mais.
>> Então, políticas públicas que que
funcionam, que vocês conheçam, que
tenham sido feitas noutros países ou
sim, eu sei que em Portugal nós
reduzimos o tamanho do pacote de açúcar
que vem com o café de 5 para 3 g, se não
me engano.
>> Até achava que tinha sido de oito para
quatro para aí.
>> Ah, pronto, se car
>> não sei, não sei, mas tinha ideia que
tinha sido mais. E e tive na Dinamarca
há uns anos e falaram-me do imposto
sobre o açúcar, ou seja, tudo o que tem
açúcar tem um imposto altíssimo. H, que
que outras ideias é que vocês já ouviram
falar que acham que funcionam?
>> Eh, noutros países? Sim, no país ou em
Portugal,
>> eu acho que não, em Portugal temos
algumas, também temos taxação sobre
bebidas aadas que têm resultado, ou
seja, tem havido menos consumo e acho
que alguns países estão a estão a
colocar e taxação sobre beidas aaradas,
não é sobre todos os doces, mas é sobre
as bebidas açucaradas, que é um grande
que é um grande pontapé inicial e nós
aqui temos também o benefício de são
bebidas açucaradas e e também adçadas
também com adantes, ou seja, os
edcurantes também entram nesse nesse
jogo, que é ótimo que assim ainda os
três não podem substituir um por outro e
que ainda mesmo pagar a taxa, Mas eu
queria trazer um exemplo do Chil, que eu
acho que é mesmo muito interessante,
porque eh fala um bocadinho daquilo que
tudo estamos a dizer, que é é preciso
fazer políticas que funcionem, que sejam
mais hh
>> que sejam mais eh eh como é que se diz?
Comprehensive, desculpem. Abrangentes.
>> Abrangentes. Exatamente.
>> E então o Chile h o Chile tem um aliás a
América Latina tá de parabéns no que no
que diz respeito à promoção da
alimentação solar. Olha, parabéns
América Latina.
>> Parabéns América Latina, mas está mesmo
porque não é só o Chile, é o Chile, é o
Brasil, é o México, tipo, há imensos
exemplos, mas o Chile tem um muito
integrado e e que já tá em vigor desde
2016 e por isso que eu acho que é
interessante falar, porque já temos
alguns estudos que comprovam que
realmente tem tem funcionado. Então o
Chill começou por ter selos de
advertência eh nos produtos. Então eles
têm rotulagem de frontal, tel que na
verdade ajuda muito o consumidor a fazer
melhores escolhas e eh na então no Chile
e em vários países da América Latina
produtos que ultrapassam os limares
aceitáveis de nutrientes críticos. Quais
são os nutrientes críticos? São os de
sempre, açúcares, gorduras saturadas,
calorias e sódio. Têm um selo de
advertência mesmo no produto. Então diz
lá alto em açúcar, alto em sale. Pronto,
diz log assim é impossível não ver,
sabem? Tipo, é um celo de advertência,
mas o o a vantagem de sel de advertência
é que, por exemplo, o azeite não leva a
sal de advertência. Porquê? Porque eh
nutricionalmente é suposto o azeite ter
a quantidade de gordura que tem, porque
é uma gordura
é função dele.
>> Nesse sentido é melhor que o nutricorn
depois podemos falar sobre isso.
Deixem-me só acabar o exemplo do chill,
que isso é todo um assunto. Mas no chill
funciona muito bem. Porquê? Primeiro, as
famílias têm reportado que compreendem
os selos e os e os selos têm ajudado as
famílias a fazerem melhores escolhas.
Mas o que é que é tão brilhante nisto é
que estes selos não são só um selo de
advertência num produto. Estes produtos
que têm estes selos não podem ser
publicitados a crianças e não podem ser
vendidos nas escolas. E, portanto, nós
temos aqui uma série de políticas que,
de facto, impactam a vida daquelas
crianças essencialmente, não é? que lá
está, eu acho que neste caso, eh,
especialmente a comida, é muito mais
interessante começar pelas camadas com
as faixas deárias mais baixas, com as
crianças, com os adolescentes, porque eh
eh não é as pessoas mais dificilmente
consegues mudar muitos comportamentos a
partir de uma certa idade. E portanto
nós estamos a falar de um, OK, eles têm
rotulagem frontal, ótimo, mas há uma
série de políticas públicas que vê com
essa rotulagem frontal, além deles
reverterem muito parte dos impostos que
são cobrados, essas empresas que têm os
tais selos para programas de promoção da
de de vida saudável. Portanto, o Chile é
mesmo um exemplo espetacular, mas depois
também o Brasil e o programa escolar,
eles têm um programa escolar espetacular
por si só, porque h percebeu-se que uma
da forma de atrair as crianças no Brasil
para a escola era oferecer e a a merenda
e muitas crianças não podiam ir à escola
porque não tinham dinheiro para para
comer. E portanto o programa de eu digo
merenda porque estavam a ver o nome
brasileiro, mas o programa de almoço e
até pequeno almoço em muitas escolas.
Eh, o programa de alimentação no Brasil
é 100% estatal e atualmente só 10% pode
ser comida ultraproçada, portanto só 10%
é que pode ter o chocolatinho e assim. E
o MIC só saiu o ano passado, portanto
não sabemos como é que isto vai ser, mas
o México lançou mesmo uma campanha
também e a promover hábitos mais
saudáveis em que não só nas cantinas não
pode ser servido nenhum tipo de
ultrapçados, mas nas à volta das escolas
também não. Não pode ser vendido eh nem
nas escolas nem à
>> Ah, já tinha ouvido falar.
>> É espetacular. É um programa. Bem, vamos
ver o que é que vai acontecer. Foi, foi,
>> qual é o rei? Porque se for um raio
demasiado grande, estás também a a
>> Não, não é grande, porque é mesmo nas,
eles chamam-lhe venditas. Eu acredito
que seja algo mesmo dentro das escolas.
Eu nunca fui ao México, mas no Brasil é
muito comum tu teres as venditas. É que
é diferente daqui. Eh,
>> sabes que à porta do colégio alemão aqui
no Porto havia um homem a vender gomas
>> numa tipo numa carrinha ambulante, pá. O
gajo devia ser milionário.
>> Eu também tinha a carrinha de lada à à
porta da
>> são essas. Ou seja, nem sequer tem raio.
Portanto, eles chamam as venditas das
escolas.
>> OK, não fui confirmar esse dado do raio,
mas mas é mesmo dentro das escolas.
>> Mas eu acho que a própria indústria do
fast food procura estar ao pé desses, ou
seja, eles próprios procuram estar aí
porque sabem que
>> claro sim. Ao pé dos bairros fazem isso.
>> Claro, claro. E portanto, estamos a
falar de políticas que são são pensadas
e são muito globais e que envolvem
cantinas escolares. Isto leva-me à à ao
amor da minha vida. A margarida é o
combate ao álcool e a promoção de
cultura e a minha é mudar as cantinas
escolares porque é tão sabes que eu
gosto
>> também isso eu sei mas é que é tão
>> e gostam as duas de despolarização
>> e também gostamos deização não a verdade
é que nós precisamos das mesmas coisas
porque a verdade é que é é já vimos que
é tudo igual tudo associad as cantinas
escolares elas têm um potencial de
mudança tão grande primeiro porque
alimentam milhares de pessoas não é
todos os dias milhares de pessoas comem
não é só não e temos de pensar que não
são só as escolas são as escolas são as
universidades, são as prisões são os
hospitais. Pronto, são muita, são
milhares de pessoas que se alimentam em
cantinas todos os dias. E depois outra
coisa que as cantinas nos fazem é eh
imaginem termos cantinas que são mesmo
saudáveis, com alimentos mesmo bons,
mesmo de qualidade. A verdade é que nós
deixamos de ter a alimentação saudável
deixa de ser um privilégio e passa a ser
de livre acesso. Portanto, ao
conseguimos dar a todos o mesmo tipo de
alimentação, enquanto dentro das casas
as famílias, não é, com mais literacia,
com mais possibilidades, conseguem ter
uma comida mais saudável. Se as cantinas
escolares forem saudáveis, toda a gente
tem acesso. E depois outra coisa que eu
adoro nas cantinas é que se fizeres um
um processo de compras públicas bem
feito, tu consegues mobilizar todo o
sistema alimentar à volta, porque tu
podes dizer: "OK, agora 30% eh dos
alimentos têm que ter proveniência
biológica, que é o que acontece na na
nas cantinas de Torres. Eh, eh, e
portanto tens o os produtores biológicos
têm mais incentivo a produzir assim
porque sabem que têm um mercado fixo.
Podes também
>> tens poder negociar porque vais
encomendar em grandes quantidades, mas
que tem devido aí, não é? Ou seja, é
muito mais fácil assim. Exemplo, podes
pôr, OK, só vamos servir três refeições
vegetarianas completas, não que temos
visto, mas refeições vegetarianas mesmo
boas, com boa comida e assim nós também
temos uma diminuição, não é, da emissão
de gatos com efeitos, estufa, etc, etc.
E, portanto, tu consegues não só
diretamente impactar imensas pessoas e e
especialmente crianças, mas também
consegues impactar o sistema alimentar à
volta. Por isso, eu acho que é tipo é
win win win win win win win. Não há como
história.
>> E realmente poupas mais dinheiro, não é?
Ou seja, tá tudo poupas mais dinheiro
diretamente aí e indiretamente na
prevenção de doenças que é é tipo é aí
que se começa. Ou seja, poupas mesmo. É
mais barato que varrer tudo ultraproçado
de certeza.
>> Eh, então a ultraparens
estás a pensar.
Não, não. O em questão de
ultraprocessados, sim, mas na verdade as
cinas também, OK, embora tenham alguns
ultrapados, também têm comida, comida
normal, mas eu eu sei que há esse mito
que não é possível se não gastamos mais
dinheiro, mas eu trabalhei com isto e eu
fui à Dinamarca ver as cantinas de
Copenhaga e eu conheci a pessoa que
mudou as cantinas de Copenhaga ou
>> e ela não, mas é que eu conhecia e eu
disse mesmo diz-me a verdade, eu preciso
de saber a verdade, Tina. E ela,
Francisca, eu não tinha orçamento extra,
então não estou a dizer que é mais
barato, mas estou a dizer que ela com o
mesmo orçamento conseguiu alterar as
compras públicas que eh que depois não é
eh se se revertem nos alimentos que são
que são consumidos nas escolas. E ela
ela disse: "Eu não tive um cêntimo a
mais e consegui fazer a mudança." E qual
quais são os dois pontos para essa
mudança? é diminuir drasticamente o
desperdício alimentar e optar por dietas
a mais eficientes, no sentido de serem
dietas de com proteínas vegetais, ou
seja, trocarmos muitas vezes a carne e o
peixe por leguminosas, que são ótimas
para nós, são ótimas para para o
ambiente, são muito mais baratas. E,
portanto, ela só com estes com estes
dois fatores conseguiu transformar as
cantinas e da de Copenhaga eh são agora
90% bio. Eh,
a é são plants, não é? Ou seja, são
ricas em plantas, não são vegetarianas,
mas são muito ricas em plantas. Os
alunos são eh são completamente
incluídos no processo de fazer os
alimentos. Então, eles têm mesmo eh a em
Copinhaga as Food School. que são
escolas absolutamente normais, com aulas
normais, escolas públicas, em que os
alunos eh há sempre uma turma que não
vai às aulas e passa-se esse dia a a
cozinhar. Eles aprendem imensas coisas.
Eh,
>> mas agora há projetos escolares. Sim.
>> E temos em Portugal muitos giros. Olha,
em Torres Veedras também temos 30% bio e
temos até eles têm 3.500 alunos
envolvidos nas hortas e eles dão também
imensos workshops dentro das escolas
para os para os miúdos aprenderem a
cozinhar.
>> Isso é o EB23 Torres Vedras ou a escola
pública? Não são todas do do município.
>> Sim, são todas. E também em Idanha Nova,
eu não sei se é 30 ou até mais em Idanha
nova de alimentos bio para para haver a
promoção de de produtores biológicos na
zona. E também eles eles também se
preocupam em em
cozinhar comida tradicional. Por
exemplo, achei tão giro. Fui ver uma
apresentação da das cantinas de Idanha
e, por exemplo, e a e a técnica que
estava a desenvolver no carnaval disse:
"Não, vamos fazer um cozido, vamos dar
um cozido às crianças". Quer dizer, elas
vão comer o quê? Hambúrguers. Elas têm
de saber que no dia de carnaval, né, se
come um cozido. Então, fizeram cozido e
e também foi mesmo giro eles eh havia um
grupo para olha ligado quarte um grupo
de música que ia à iranha e eles
prestavam de um lugar para ficar e a
câmara disse: "OK, então vocês eh nós
vamos arranjar um lugar para vocês
ficarem, mas vocês vão tocar na
cantina". Então tinhas uma orquestra a
tocar na cantina para os miúdos.
>> Isso aconteceu na escola do meu filho.
Lindo, percebes? essa associação. E,
portanto, em Portugal estamos a fazer já
coisas e muito muito interessantes. Eu
falo de Copinhaga porque eles fizeram
uma mudança radical sem terem a
possibilidade de gastar mais 1 cêntimo.
>> Para não falar a longo prazo do impacto
que isso tem, não é? Eu acho que é isso.
Grande parte das doenças que consomem
recursos são doenças evitáveis. Tão bom,
eu almocei lá e parecia que eu estava a
almoçar num restaurante, sabes? Esse
valor isso. O impacto que tem na tua
energia, no teu sono, na tua capacidade.
Ou seja, todos nós reconhecemos. Eu
acho, não é? Pelo menos eu acho que
quando não anda a comer bem e quando não
anda a dormir bem. Isto tem imenso
impacto na minha memória, na minha
capacidade de raciocinar. Então, imagina
isso, o impacto que tem numa criança com
o cérebro ainda em desenvolvimento, não
é?
>> E também acho tão giro isso e que estão
fazerem toques novas e que fazem muito
em Copinhaga também de os miúdos serem
incluídos na produção da comida e eles
dizem que fazem mesmo autênticas aulas
de matemática, de química, que lhes
explicam imensas coisas através do há
outra coisa que é que os miúdos muitas
vezes influenciam depois os pais. Ou
seja, a escola também é muito um veículo
de depois de influenciar os pais e de
não por casar,
>> mas é mesmo verdade, os miúdos
influenciam os pais positivamente. É
mesmo. Sim. Ou seja, se eles depende
aprender uma coisa sobre desperdício
alimentar e ah, sabias que podemos usar
os talos dos brócolis? Eles vão para
casa a dizer isso ou perguntar tipo:
"Ah, mas
>> o que é que é este rótulo? É isso? O que
é que é este nutricor? O que é que é o
que é que é uma das coisas?"
>> Para quem nos está a ouvir, só estamos
agora a olhar para uma imagem de da
Nutriscore, que são aquelas aquelas
aquelas letras que aparecem na comida. E
eu não gosto nada deste sistema. E não
gosto nada deste sistema por várias
razões. Primeiro porque h
tem categorias, ou seja, quando vemos,
por exemplo, um a aqui estamos estamos a
olhar para um comida de microondas ou já
pronta e fusília à bolonhese, ainda por
cima deve ser aquela carne picada que é
dos restos que c os restos da vaca que
caem no chão da fábrica.
>> Uma vaca se parecia pergunta, será que
não é buzaa de qualquer diferenha? E
acho que um dos grandes erros é pôrem
isto na nos pacotes. Imagina, vê o fuzil
à bolinhas de micro-ondas com A e vem,
se calhar um iogurte grego aqui no meio
com C ou outra coisa que de outra
categoria com C. E como nunca ninguém
lhes ensinou e como não tá ali escrito
dentro e devia estar escrito, acho que
era a primeira coisa a fazer dentro da
categoria e explicar. Sim,
>> as pessoas se calhar tão num corredor de
supermercado e vem isto com A de um lado
e vem Coca-Cola Z do outro lado, ts a
ver, com B ou vem uma coisa saudável com
n com uma letra pior
>> e pensam ai não é super saudável por
exemplo chocaap tem a porque não serve
ou seja não serve bem para comparar não
é assim que ele é pensado, mas é assim é
um sistema que tem falha sem dúvida
alguma e é isso. Isto é um bom exemplo
de uma das falhas do Nutrice Core. Acho
que é muito difícil arranjar um sistema
perfeito e por isso é que nenhuma destas
medidas pode ser feita sem ser
acompanhada de literacia. Para que é
isso? Quer dizer, tu olhas para aquele
lá e percebes este a não faz muito
sentido, não é? Eh, mas eu acho que
tendo, e aqui a Francisca saberá saberá
melhor, mas eu acho que há muitas coisas
em que de facto pode ajudar e e em que
te pode assinalar, OK, isto mesmo, por
exemplo, comparares entre produtos da
mesma gama, não é? Ou seja, há coisas em
que pode fazer um bocadinho mais
sentido, mas
>> e acho que devia por cima dos legumes e
das frutas haver um a um a mais gigante.
>> Sim. que só isso e é tipo, ah, ok,
>> mas isso é aquela informação fazer
finalmente velocidade aosis, tipo, este
brócolis crocante. Ah, e ah, e outra
coisa que disseste há bocado e se houver
algum supermercado a ouvir-nos, eu passo
a ser vosso cliente se fizerem isto, se
calhar algum já faz, mas como é que não
há nenhum supermercado que eu saiba em
que tu chegues à zona da fruta e tem uma
secção que é isto é da português e da
estação
>> mas eu acho que acho que tem não tem
quando eu em Lisboa lembro continente
também não tem uma uma zona dizia local
o Oxá tinha o o que eu ia em Lisboa eu
agora não vou
>> dizia produtos locais eu lembro-me tinha
uma uma uma partezinha que era produtos
locais, mas só vi uma vez, ou seja, só
vi uma vez quando eu morava ia sempre a
Socha, então sei que nem socha tenho
isso.
>> Eh, mas realmente onde eu vou agora às
compras, porque não é, eu estou a morar
no Porto e portanto agora vou mais ao
Continente e ao Pingo Doce, enfim, não
sei se podemos dizer nomes supermercados
a podes dizer tudo.
>> Eu eu faço compras a pé, eu gosto muito
de ir ao supermercado a pé porque gosto
de levar a minha filha e, portanto, vou
mais ao Continente até ao Pingo Doce. E
de facto acho que lá nunca pelo menos
nunca reparei, mas a verdade é que como
eu recebo um cabaz, não passo muito
rápido, não, não estou a ver tudo.
>> Uhum.
>> Sim. Eu acho que estas coisas são, claro
que são bem intencionadas, mas tem que
vir com mais contexto e mais educação,
porque e é como, olha, como na saúde, é
como é como em intervenções de saúde, às
vezes quando tu és demasiado
paternalista no sentido de o povo não
vai perceber e se eu complicar muito,
>> as pessoas acabam por tomar às vezes
decisões piores ou até deixar de
confiar. Aliás, aconteceu um bocado no
covid com as vacinas, tipo, quando
diziam que não, as as pessoas têm que
ter as vacinas são todas iguais, não
interessa qual vão tomar. E depois
porque achavam que as pessoas não tinham
literacia para perceber que uma era uma
tecnologia nova e outra antiga. E depois
isso acho que só reforçou quantidade,
mas é isso. Eu acho que essa esse
paternalismo nunca é bom, não é? por um
lado, mas por outro há é isso. Há
muitos, há muitas pessoas que procuram
no médico um bocadinho esta confiança e
diga-me o que é que eu tenho de fazer,
porque isso também é mais confortável e
mais rápido, não é? Eu acho que tens de
pensar e perceber as coisas, ainda assim
acho que é um esforço que se deve fazer,
porque de facto em termos de adesão
terapêutica, em termos de é isso, é, eu
tenho a quantidade de doentes que eu
tenho que é diabética e que não sabe o
que é que é diabetes ou que sabe que é a
doença dos açúcares, mas não percebe
bem. E é completamente diferente
perceberes porque é que tomas um
medicamento ou porque é que a forma como
com comes é que um fusí de bolhesa é
diferente de uma o açúcar da fruta, não
é? É completamente diferente. E portanto
aí eu acho mesmo que tem de haver é
isso, de lado do consumidor também. Eu
acho que nós às vezes também temos de
ser responsáveis e o consumidor tem um
poder de mudar a indústria brutal e isso
vê-se muito com os lights e os geros,
não é? Agora tudo diz light ou proteína.
Olha, proteína proteína. Agora é
proteína o light acabou. proteín todo
lado,
>> mas isso vem do consumidor, ou seja, e
mesmo esta agora agora é isso, o
saudável é há um marketing à volta do
saudável e do light e do fit e do não
sei quê. Consumidor já p 20 anos, mas a
proteína é mais recente.
>> Mas ou seja, isto para isto para dizer
que
>> mas está em clíno, tá? Já venho aí uma
nova. Isto vai dizer que nós como
consumidores temos o poder de mudar a
indústria e somos nós acima de tudo. E
por isso é que é importante é isso, ir
falando sobre estas coisas e questionar
os nossos médicos, questionar as pessoas
com quem nos cruzamos e questionar os os
maiores especialistas, mas tentar
perceber porquê. Porque depois nós de
facto temos temos o poder de mudar a
indústria e mudar as políticas de saúde
e mudar mudar tudo isto. Portanto, é bom
questionar, é bom perguntar, é bom
duvidar, é bom perguntar porquê. Eu acho
que o primeiro podcast que eu tinha eh
que eu tive chamava-se a curiosidade
salvou o gato, porque eu acho de facto a
curiosidade é um motor de quase tudo tu
perguntares e queres saber porquê depois
leva-te a imensos caminhos a conheceres
pessoas, a perceberes porquê e eu acho
que isso tem logo tem logo é tipo começa
uma corrente positiva.
>> Uhum.
>> Sim. Não, mas só para finalizar a
questão do Nutricecore, eu acho que é
muito válido nós termos sistemas de
repulagem frontal. ajuda ao consumidor.
Ou seja, atualmente eh a tabela
nutricional é confusa. Muitas pessoas
até eh estou a dizer muitas pessoas até
com muita literacia, sei lá, uma pessoa
se calhar formada em direito não percebe
a tabela nutricional, se calhar é quase
por ser nutricionista para entenderes. E
portanto o que se tem percebido é que
ajuda termos rótulos frontais. Agora, é
claro que, como a Margarida disse, não
há eh padrões perfeitos. O Nutricor
funciona como um algoritmo, não é,
Margarida? Ou seja, há os pontos
positivos e há os pontos negativos. Sim,
é demasiado simplista.
>> E, portanto, há um algoritmo eh eh por
trás e que não e e pronto, há um
algoritmo por trás e, portanto, o o
produto, de acordo com os pontos
negativos e os pontos negativos, recebe
os pontos negativos e positivos recebe o
A, B, C, D.
>> Sim. Mas não inclui, não inclui eh
micronutrientes, não inclui só é só
quantidades de açúcar, eh proteína,
fibra. Eles analisam o produto sempre
globalmente, ou seja, se o alimento é
nutricionalmente equilibrado em si, por
ser é diferente do método chileno em que
não há quase um julgamento se o produto
é saudável ou não, só diz é alto em
açúcares. Pronto, a partir daí lida com
essa informação.
>> E e claro que o Nutrice Core é é é um
dos métodos. Acho que podemos questionar
qual é que funciona melhor e até podemos
ver? Olha, em qual país é que funcionou
melhor e e adotar os que estão a
funcionar melhores. Acho que ainda bem
que estamos globalizados e podemos
conversar com vários investigadores e
perceber, mas o Nutricore é é importante
que as pessoas percebam que ele é um
algoritmo que vai analisar o alimento
globalmente. E, portanto, o o ideal é
que nós tenhamos uma dieta que é
equilibrada com os vários alimentos que
comemos. Nós não podemos esperar que um
alimento só nos dê toda a nutrição. E é
por isso que acho que pode depois gerar
tantas dúvidas, porque é considerado
pequeno almoça a e o azeite é D, como
estavas a mostrar. Não expliquei direito
há bocado, mas e lá está, como isto é
por categoria, imagina é dentro da
comida pronta pôr no microondas que o
fosil era e é dentro da categoria dos o
nutricor é para comparar dentro da
categoria dentro da mesma categoria
categoria e e pronto, isso é muito
perigoso e leva a outra coisa que é o
Exato. É, devia ter esse contexto porque
é muito complexo ao mesmo tempo. É muito
complexo ao mesmo tempo. E depois o
problema do score é que a indústria
consegue muitas vezes dar ali a volta.
Porquê? Porque ela pode adicionar os
pontos positivos, mas manter os
negativos e aquilo fica log.
>> Era o que eu ia dizer, chama-se Nutri
Score Engineering e houve vários cereais
que fizeram isto que é, imagina o fibra
dá-te imensos pontos,
>> não sei se foste só que mas fibra dá-te
imensos pontos. Então o que o que muitos
fizeram é reduziram um bocadinho o
açúcar, mas não podiam reduzir muito
porque tem que dar o shotte de dopamina
para depois ser mal. Não, mas mas
imagina demasiada fibra não depende da
dieta da pessoa, não é demasiada fibra
mau, sabes melhor do que eu.
>> Mas a fibra que acrescentam ainda por
cima é não são as não são fibras
integrais que vêm de coisas boas. É ou
inolina
>> ou polidextros ou assim uma coisa. Deixa
ver aqui o nome.
>> E não sei o nome. H poas fibras. Ok.
>> Sim. são, pá, no fundo, coisas que eles
acrescentam para subir a fibra e subir
no nutricore.
>> E o este que eu li ainda ia mais longe
que era entre a inolina e a
polidexterose,
>> as pessoas que estão a fazer o nutricore
engineing para aumentar a fibra têm
optado mais por inolina porque as
pessoas, as poucas pessoas que vão ler o
rótulo para lidose soa mais químico. Ai,
>> então optam pelo por um que parece mais
acho que cada vez mais a conversa tem de
ser, ou seja, porque a certa altura se
tu consumires estes produtos em pouca
quantidade, há espaço um bocadinho para
tudo, não é? E não tem mal quando tu
comes uma taça de cereais, só critic
porque sabe bem. Por isso é que
exatamente e por isso é que eu adoro os
nuggets.
>> Adoro.
>> Sério?
>> Ah, bem, Mac já me eu acho que
McDonald's já.
>> Sim, mas engraçado. Nuggets em geral,
todos os nuggets como todos. Mas é isso,
quanto mais, quanto mais falares sobre
as coisas boas, e por isso é que eu acho
que eh é um bocadinho como é com as
crianças, há um bocadinho uma forma de
fazer medicina positiva, sabes?
Paraalidade positiva, que é isto de
falar mais sobre as coisas, porque
também é difícil tu chegares a um sítio
e ser só não, não, não. E de repente é
tipo i bem,
>> consegues duas semanas e depois desiste.
E há mesmo espaço com coisas que sabem
bem que há possibilidade.
>> Sim, sim. E mas sabes que há
possibilidade querem introduzir
processamento dentro do algoritmo. Eu
acho que isso ia mudar muita coisa,
porque o processamento da indústria não
pode mentir. Portanto, se há esse eh X e
e Y etapas de processamento, a indústria
não consegue mentir. E, portanto, o
processamento se tirasse pontos ao
produto, nós íamos ter os produtos
minormente. Sim. Será que se estás a
dizer ultraprocessado e processado e não
processado?
>> Tinhas que definir ali a zona cinzenta,
não é? Imagina que acrescenta.
>> Então, mas é esta a regra, não é?
>> Não, mas imagina que descascas um caju,
isso é processar, não é? Simcaris
continua ser minimoado. Tom mais
continua a ser minimo processado.
>> Sim, mas esperem depois pões sal ainda
não é ultrapçado, mas depois pões
glutamato monossódio.
>> É ultrapçado. Não tens glutamato
monossódico em casa?
>> Podes ser. Os chineses muitos têm. Ah,
tá bem. Mas
>> não é por aí. Porque acho que
eu acho que é importante percebermos que
às vezes não é um ingrediente é haver
uma formação industrial que não
consegues explicar em casa. Acho que é
mais por aí. Portanto,
>> eh, não é um ingrediente sozinho, mas
mas a questão é não vai ser perfeito,
mas acho que podemos olhar para os
países em que isto teve impactos na
saúde e percebermos, OK, então isto está
a fazer as pessoas, isto está a ajudar
as pessoas a fazerem melhores escolhas,
então se levamos por aqui. Mas acho que
acho que podemos tentar fazer isso,
olhar e ver o que é que resulta mais,
sabes? E acho que o Nutriscore eu tenho
sempre, eu eu percebo a raiva e atenção,
o Nutriscore e eh ajuda muito a a
indústria alimentar, portanto, eh a
indústria alimentar que que eu não acho
nada interessante, não é? Que é que nós
já discutimos aqui, mas ao mesmo tempo
eu acho que o propósito é bom, sabes? O
propósito do Nutriscore foi muito
positivo. O professor criou o Nutriscore
tinha realmente a vontade de ajudar as
pessoas a escolherem melhor. Portanto,
acho que se calhar se mexermos no
algoritmo, se se houver aqui uma série
de coisas, se calhar pode ser um um
>> um rótulo muito interessante no futuro,
não é? Hoje hoje tenho que tem uma
consulta, ou seja, eu acho que nunca
falei do nutriz cor em consulta.
>> Ninguém te fala sobre isso.
>> Isso não vou falar o que é que eu vou
falar.
>> Não, eles é que podiam dizer ai não, mas
as bolachas são nutricors.
>> Eh,
>> mas aqui não é obrigatório, não é? Não,
eu digo é, mas é isso, eu digo é como
profissional de saúde, não é uma
ferramenta, ou seja, para mim o que é
importante é perceber é isso. Se cará,
eu perco muito mais tempo para explicar
o que é que é um alimento processado e
um ultraprocessado e a importância de
fazer, nem que seja 5 minutos de da
pessoa se pôr a mexer, muito mais do que
estar a dizer, olha, quando vai ao
supermercado, olho para o Nutrice Core e
dentro do Nutrice, tipo, eu não perco
a sua vida não ser algo tipo ah isto é
dentro, isto é fora, o que importa e é
muito interessante isso é o padrão
alimentar e é o que se tem percebido. E
o que é que é o padrão alimentar? aquilo
que nós comemos como um todo. Às vezes
eu recebo pessoas, Francisca, mas este
alimento, este específico, isto torna
alimento, tinha tem um sulfite, torna
alimento ultrapessado. Eu não, não,
>> acabas por viver com medo, não é? Tipo,
percebiste uma coisa que
>> o problema é um padrão alimentar
abundante em determinadas coisas. Não
usarmos a comida para ser demasiado, não
usarmos,
>> não usar esse escrutínio, sabes? Eu
tenho muita dificuldade quando aquilo
que comemos vira um escrutínio
constante.
>> Sim, sim. também não é saudável,
>> não.
>> Eenizas grupos de grupos, tipo, o
açúcar, as pessoas têm todas medo do
açúcar, quer dizer, fazer um bolo que
tenha um bocado de açúcar não é um drama
fazer, quer dizer, há esta coisa quase
dos as resoluções de ano novo, é isso, é
sempre 1000 dias sem açúcar ou 1000 e é
diferente um bolo que tu cozinhaste isso
do que da daquela daquela coisa que tu
estás a comprar que nem sabes bem o que
é que tem lá e é o açúcar invertido, nem
é bem o açúcar. Portanto, é isso. É
>> comida fazos bem e o nosso corpo não é
sabe o que fazer com com com a comida,
não sabe? Ele vai vai fazer as coisas em
condições.
>> Nós devamos ter feito este episódio com
enquanto
>> comos estamosados.
>> Último tema, hum,
crianças e posicionamento estratégico de
gomas e batatas fritas. Pá, não sei se
vocês já repararam, mas no supermercado
às vezes estás no corredor, estás no
corredor da bricolage e aparecem-te lá a
meio uma fila de gomas, que é para eles
terem a certeza que mesmo que o pai
entre com a criança e só vá comprar uma
cena de bricolage, vai ter o filho a
chateá-lo e depois na caixa,
>> depois vai fazer, vai, vai gritar imenso
e tu vais ficar com vergonha, vais
pensar bem, meu Deus, que eu faço
>> isso é estudado ao milímetro, aliás, as
cores do supermercado onde sabes que as
marcas pagam para estar em determinados
lugares no supermercado. Sim, portanto,
isto é estudado milimetricamente, não há
nada num supermercado que seja ali
colocado à toa. O tal tem é mais
avermelhado, a parte fresca é é ali mais
mais verde e nós vemos tudo tudo é meio
verde assim e portanto é tudo muito
muito bem pensado milimetricamente para
e nós comprarmos mais coisas, não é?
>> Portanto, eu acho,
>> sim, isso é que eu digo, às vezes tu
podes fazer tudo muito bem em casa, não
é? Mas depois esse ambiente tem sim
supermercado no outro dia fui a uma uma
bastelaria que era almoço e de repente
havia uma vitrine cheia de chocolates e
e coisas. Quer dizer, eu só pensei
pronto, estou feito, o que é que eu vou
fazer? E realmente a pessoa tá cansada e
quase que desiste e diz leva lá o
chocolate e pronto, é só uma vez. Só
quando todo o ambiente é assim é difícil
porque é só uma vez, muitas vezes. E por
isso é que lá está, por exemplo, eu no
outro dia uma doente falou-me do acho
que é na Suécia ou na Dinamarca, já não
sei, em que eles têm postos em que têm
fruta, eh, frutas tipo no meio da rua ao
pé das paragens, pronto, e as pessoas
tiram e depois podem deixam lá o
dinheiro. Seja, aquilo é uma coisa sem
hó,
tu tiras a fruta que queres, vês quanto
é que aquilo custa e deixas lá o
dinheiro na base da confiança. Pens isto
em Portugal era difícil de fazer, mas
tipo isto teres fruta, porque a mesma
coisa que se faz para o lado mau de
estar a tentar pôr chocolates na quando
estás a ir embora no supermercado
pode-se fazer para o lado bom. Ou seja,
tu podes fazer isto com fruta, podes
fazer isto com água, podes fazer a a
coisa de teres as fontes, por exemplo,
públicas e poderes encher a tua garrafa.
Também também há um lado bom desse
marketing e dessa arquitetura da
escolha, não é, que que dá para fazer.
E, portanto, no fundo é aproveitar isso
que
>> Exato. Eu acho que tem de haver
limitação governamental, senão nós não
vamos conseguir mudar. É impossível
pedirmos às pessoas para ter
responsabilidade como pais e até para
nós próprios. Nós próprios não
conseguimos.
>> Então gomas e escoles só no corredor da
gomas e escolas não pode haver na caixa
nem na bricolagem.
>> A minha claro eu acho que não.
>> Pois pá, eu não estos têm de intervir
porque nós estamos a perceber que
estamos com um problema de saúde pública
tão grande que se não começarmos a
intervir a sério.
>> Mas é aí que eu digo que a indústria tem
um peso grande
bocado do lobby, não é? Eu acho que faz
sentido proibir isso por acaso.
Eu acho que a única razão é isso. Eu
acho que a única razão para isso não
acontecer é o impacto que e o poder que
a indústria tem.
>> Mas se tivermos leis que proíbem, como
já temos em vários países, a
provarem-nos que é possível ir contra e
acreditem que a indústria de
ultraporçados no Brasil há de ser maior
que a indústria de ultrapados em
Portugal, porque a nível de dimensões é
muito maior e eles conseguiram limitar e
no México também conseguiram. Portanto,
nós conseguimos também provocar grande
parte das doenças que adoecem a
população. Ou seja, é,
>> portanto, eu acho que só com limitação e
acho que é preciso haver restrição de
publicidade especialmente para crianças.
Urgente, urgente. Muitos países já estão
a fazer isso. Acho que é preciso. Eh, e
já também nós também já já demos espaços
na direção também, ou seja, porque já há
isso com fast food em Portugal, por
exemplo, mas depois quer dizer, como é
que tu limitas e garantes que só a
criança é que vai ver? Isso aí também é
as crianças hoje em dia têm acesso a
tudo o que os adultos têm, não é?
Mas sabes que nesses e nos países que eu
mencionei e a digital também conta.
>> OK.
>> Sim, tem de contar.
>> Tem de contar, senão não consegues. Não
consegues. Tu Sim, mas como é que tu
garantes que uma criança não tá a ver
aquele anúncio? Não é?
>> Pronto.
Sim, mas pelo menos não não podes
anunciar esse produto a crianças. Ou
seja, os, por exemplo, aqueles infantis
não podem anunciar.
>> Exer. Pois, podes dizer no canal
infantil não pode dar, tal como não pode
passar tabaco
>> ah não, isso tá bem. Mas uma criança tá
casa a brincar e o pai tá a ver.
>> Tá bem, mas isso é a realidade, não é?
>> A maioria das vezes
>> a Margarida quer proibir tudo.
>> Não quero nada, mas eu não quero. Ou
seja, eu tenho imenso medo que passa
essa ilusão. Eu não quero nada. Eu acho
que é bom questionarmos estas coisas, ou
seja, porque mesmo isso depois há sempre
formas de controlar. Eu não acho. E
aliás é isso.
>> Não, mas olha, por exemplo, no Chile é a
nível de horários, ou seja, não pode
passar em horários em que as
supostamente as crianças estão a ver. Eu
acho que tem tem questão eu tenho imensa
dúvida. Eu acho que, aliás, eu até tenho
medo de parecer, há imensa coisa aqui,
se calhar da parte de marketing que eu
não sei, são é dúvidas que eu tenho, não
é? Claro, também tenho mais dúvidas
porque realmente tem impacto na
população,
>> mas por exemplo nos supermercados é uma
coisa relativamente simples, não é? Se o
governo intervisse, por exemplo, a
publicidade, realmente eles podem ver
num telemóvel ou podem ver fora de um
horário, é verdade, mas se nós
proibíssemos, por exemplo, ali nos
caixas, se houvesse uma proibição
determinados produtos, já ajudaria muito
aos pais a não terem estar ali na
manutenção. também é isso, porque
proibir de facto, ou seja, estas
indústrias têm um papel importante e há
imessas indústrias que parece que eu
estou só a falar mal, mas que têm
produtos bons e que são, eu acho é que
tá na altura das indústrias se
reinventarem e fazerem, ou seja, os
produtos que têm tentarem torná-los mais
saudáveis, ou seja, mais do que tentar
eh ver como é que podem vender, é tipo,
ok, bora reinventar um bocadinho a forma
como temos eh como temos feito as coisas
e torná-las mais saudáveis e pensar mais
na população, não tentar só lucrar e
vender na Masholder não vai gostar. Eu
acho que pode ser complicado. Proibido.
Eu acho maravilhoso. Soldar se tornar-se
moda. O que eu acho que não é preciso
proibir o produto, mas pode estar no
lugar certo, assim como nós não temos
carne na porta dos supermercados, não é?
Ou seja, podes ter tens um corredor em
que tens os chocolates, em que tens as
bolachas, e que tens tudo e mais alguma
coisa e quem quiser vai lá buscar porque
cada um é livre, não é? Mas ao mesmo
tempo não tens nos na na parte do caixa
>> não? espalhado por todo o supermercado
que com gomas e batatas fritas
espalhadas em todos os corredores.
>> Portanto, acho que pode haver os lugares
determinados e cada um vai lá comprar,
assim como várias vezes, né? Eu adoro
batatas fritas, adoro chips e não nego.
E vou lá e vou lá. Isso também é uma
coisa que nos une, é o nosso amor por
batatas,
>> não batatas, batatas fritas. Mas eu
adoro chip só é é ultrapassado.
>> Mas é que isso, ou seja, por exemplo, eu
acho que isto isto é que é o verdadeiro,
eu acho que eu sinto-me verdadeiramente
privilegiada por isso, que é eu tenho
acesso à informação, mas eu posso
escolher comer e saber que estou a comer
e que tem riscos. Portanto, eu não quero
que me digam que me tirem as batas, não
me tirem batatas fritas, não me tirem
mesmo fast food frut, não me tirem, não
me tirem. É isso, esse essa sangria de
vez em quando me apetece não me tirem
isso. Mas eu quero que toda a gente
tenha eh esta sorte de mim, esta sorte
que eu tenho que saber o risco que cada
coisa que eu faço tem, não é? E também e
que o ambiente é isso e de que o
ambiente seja também ex. Eu acho que
temos que estar num ambiente em que as
escolhas mais saudáveis e mais
sustentáveis, não entramos aqui no no
mundo da sustentabilidade, mas acho que
é importante, sejam mais fáceis e,
portanto, eu acho só temos de as
facilitar, não é tirar os outros
produtos, mas é ok, os outros produtos
estão na secção deles e nós facilitamos
com maçãs, com ervilhas, com
>> é remover fricção e nudge,
>> mas o nudge às vezes é moralmente
questionável, mas isso pode com Mas o
nudge acontece em todo lado a toda hora.
Sim, sim, mas não deixa de ser moral.
Pode ser bom. O supermercado vai vender
mesmo. Vamos vender maçã. Agora é a
questão, não é? O lucro pode ser
diferente, mas pode ter um termos coisas
boas e e há há barrinhas boas, há
bolachas boas, sei lá, ter as
marinheiras e ter uma série de coisas
ali na saída que se nós esquecemos
compramos, mas acho que os outros
produtos devem estar no lugar deles, até
porque as crianças estão a ser muito
afetadas com isto, não é?
>> As crianças e os adultos é isso, as
crianças são muito um reflexo daquilo
que nós fazemos, não é? Eh, no dia havia
um estudo que dizia que uma das coisas
mais, mas por acaso não li o estudo
todo, portanto nem nem sei bem como é
que era, mas era um bocadinho isto sobre
o o impacto que tem o tempo da ecran dos
pais nos filhos. E nós estamos sempre
muito a falar do tempo da crã dos filhos
e o tempo ai mas de facto tem imenso
impacto. E eu noto isto porque às vezes
eu estou perdida no meu telemóvel e a
pensar realmente ele tá a olhar para mim
e tá a ver tipo um adulto com com um
telemóvel e portanto às vezes nós temos
de olhar para nós primeiro e de facto a
nossa sociedade tá muito doente também.
E isto é importante para as crianças,
mas também para nós, porque tudo isto,
ou seja, as pessoas, há muito absentismo
laboral, muito presentismo também, não
é? Há muita gente doente e depois isto
tem tudo um impacto. Temos todos muito
menos qualidade de vida. A quantidade de
pessoas a quem eu pergunto esta tal
coisa da qualidade de vida e que me diz:
"Não sei, a minha vida é trabalho casa,
trabalho de casa". Isto não é, não é as
pessoas, nós não queremos só viver até
aos 100 anos. Queremos viver,
>> trabalho casa scroll com inveja da vida
dos outros.
>> Sim. É horrível. E contra mim falo que
às vezes estou ali e penso: "Meu Deus, o
que é que eu tive aqui a fazer?" Não é?
Mas é é de facto nós estamos é a coisa
das pessoas ultraprocessadas. Nós
estamos todos tipo a querer fazer mais
em menos tempo e ter tempo e parar é
mesmo uma coisa que dá muita saúde. E
féria.
>> Sim. Sim. falar pensar daqu nada vou
para Lisboa.
>> Mas eu acho bonito pensarmos nisso e
pensarmos que na verdade o que quando eu
pelo menos falo da alimentação porque é
o meu tema, mas quando eu eu trago estas
mudanças do mundo alimentar eu acho que
na verdade estou a pensar em formas de
nós reestruturarmos a sociedade porque
se nós mudarmos a forma como nós
comemos, como nós produzimos, como nós
distribuímos, como nós cozinhamos, como
nós compramos alimentos, nós estamos a
contribuir para uma para uma vida
>> mais mais mais feliz. Eu tenho medo de
dizer isso, porque é que é felicidade,
mas eh mais íntegra, mais calma, eh com
mais contacto humano. E portanto, quando
eu sismo nas feiras e em conhecermos o
produtor, não é só pelo não é só pelo
produto, mas é faz-nos bem olhar nos
olhos da pessoa que que produziu a nossa
cenoura e faz bem a esse produtor estar
na terra e produzir de forma saudável. E
isto é um ciclo de coisas boas que só
que só melhora e, portanto, é entrarmos
nesse ciclo de coisas boas e, portanto,
é uma forma de reorganizar a sociedade
que nós temos hoje em dia, porque a
verdade é que os ultraprocessados, os
problemas ambientais que estamos a
viver, os problemas de sustentabilidade
são reflexos de uma sociedade que está
adcida em muitos aspectos. E, portanto,
se nós conseguimos reorganizar a nossa
sociedade para sermos mais saudáveis em
todos esses aspectos, vai ser mesmo
melhor para todos.
>> Francisca é presidente.
>> Uh, eu voto. Deus me livre. Não, mas
olha a coisa das cantinas podias
implementar, podias tipo trazer para
Portugal o que o que fizeram na
Dinamarca
>> e já estão a começar a fazer aqui, mas
eu trabalho, podem chamar
>> bem, foi eu não precisava mesmo ter
estado aqui, mas tipo uma metrilhadora
de cada lado. Pá, pá, pá, pá, pá. Foi
incrível.
>> E obrigado mais uma vez. Eh, temos, pá,
dava realmente para ficar muito mais
tempo, mas eu tenho de buscar o meu
filho à escola, tu tens de ir a Lisboa
>> e tu tens de tomar conta do teu, dos
teus dois rebentos. os dois reventos,
>> um ainda no forno. E é isso. Gostaram?
>> Muito. Muito.
>> Foi muito bom. Olha, pessoal, obrigado
por terem estado por aí também. Não
fujam já. Se puderem, deixem um like,
comentário, subscrição ou avaliação onde
estiverem a ouvir isto. Se se tiverem a
sentir mais generosos, tornem-se cenas,
que ajuda-me a continuar este projeto e
trazer conversas fixes. Obrigado. É para
a semana, aliás, até daqui duas semanas.
Excelente.
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This video discusses the complex relationship between food, health, environment, and society. It features Francisca Feiteiro, a master's student in food systems and culture, and Margarida Santos, a general practitioner, who engage in a conversation with the host about various aspects of food. They delve into the historical evolution of food consumption, starting from hunter-gatherer societies and the significance of mastering fire for cooking, which is linked to brain development. The conversation highlights the cultural and social impacts of food, touching upon personal anecdotes of growing up with different perspectives on food due to diverse life experiences. A significant portion of the discussion is dedicated to processed and ultra-processed foods, their origins, impact on health (obesity, chronic diseases), and the food industry's role. The speakers critically examine the difference between processing and ultra-processing, the economic drivers behind ultra-processed products, and the challenges in distinguishing between them. They also explore the influence of food environments, public policies, and the cultural context of food consumption in Portugal and other countries. The episode touches upon the role of alcohol and gambling industries, the importance of social determinants of health, and the potential of public policies and initiatives like improving school canteens and promoting local food systems to foster healthier lifestyles. The discussion also highlights the impact of marketing and the food industry's strategies in shaping consumer choices, particularly concerning children. Finally, they emphasize the importance of conscious food choices, cooking from scratch, and the interconnectedness of individual health with societal and environmental well-being.
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