Marco Fernandes Explica se o Irã Tem Poder para Enfrentar os EUA
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Eu acho que a gente tá no na famosa néva
da guerra, né? As informações são muito
difíceis. A gente sabe, né? Aquele velho
ditado, primeira coisa que morre na
guerra é a verdade. Então, cada lado
fala uma coisa. Eh, acho que também tá
cedo ainda. Tem, por exemplo, muitas
análises dizendo: "Olha, o Irã ainda tá
na primeira fase da resistência que é
gastar drones, que eles têm dezenas de
milhares, e gastar mísseis avelharia,
que eles têm de 15, 20 anos."
Isso inclusive, Breno, tá num artigo do
Financial Times, domingo passado, não
sei se você chegou a ver, a nova
estratégia ofensiva do Irã, em que o
Financial Times de vez em quando ainda
faz jornalismo, né? E disseram isso,
olha, calma, porque
>> a burguesia não pode mentir para si
própria. Essa é a lógica do Financial
Times.
>> Exatamente. Exatamente. Exatamente. O
Bloomberg tem um pouco isso nos Estados
Unidos. Eu prefiro ler o Bloomber muitas
vezes do que o New York Times, que o
Bloomber é menos propaganda e mais, né,
avisar a burguesia o que tá acontecendo.
Eh, então tem muita gente dizendo isso,
né, que o Irã ainda não começou a gastar
de fato os seus mísseis, o fatá, os
mísseis hipersônicos e que eles estão
gastando as defesas dos Estados Unidos e
de Israel. E isso também, se a gente eh
ligar isso com outras análises que têm
sido feitas nos Estados Unidos, tem um
tin sionista americano chamado Dinza,
que é Instituto Judeu para Segurança
Nacional da América, que vem escrevendo
já há meses sobre isso. Eles disseram o
seguinte: "Olha, nós gastamos na guerra
dos 12 dias contra Iran, nós gastamos
25% dos nossos sistemas THAD", que é o
sistema mais avançado, né? O Patriot, na
verdade, já não serve para nada. Na na
Ucrânia foi um foi um desastre. O TAD
ainda é um sistema razoável, mas eles
disseram: "Nós gastamos 25% em 12 dias
numa guerra que não foi uma guerra de
alta intensidade, de bombardeios
constantes como tá sendo agora. E para
repor esse estoque, nós vamos gastar 2 3
anos. Isso foi em junho. E aí, Bran, eu
vou levar acho que para uma outra
questão que a gente ainda talvez em todo
esse debate sobre o poderio militar dos
Estados Unidos, a gente precisa começar,
eu acho que a fazer mais pesquisa
sobre uma questão que eu acho que é
fundamental pra gente ter um julgamento
mais concreto, mais realista, e é a
questão da desindustrialização dos
Estados Unidos. Os Estados Unidos hoje
não têm mais a capacidade industrial de
manter guerras de alto nível com
adversários à altura por muito tempo.
Não é à toa a obsessão do Trump por
é em boom out, né, como fizeram na
Venezuela. Aí meteram lá uns
mísseizinhos na na Nigéria,
estão ameaçando fazer isso talvez em
Cuba e queriam fazer isso no Irã.
Inclusive teve também rumores ali no
dias antes da guerra. que eles teriam
procurado de novo o Irã, porque em junho
eles avisaram que eles iam bombardear. E
tem muita gente eh eh dizendo que, na
verdade, grande parte da guerra de junho
e dos 12 dias foi uma coreografia, né?
Ó, vamos bombardear. Ah, tá bom,
bombardeia aí, ó. Vamos bombardear a sua
base no Qatar. Ah, tá bom, bombardeia
aí. Eles tentaram fazer isso de novo e o
Iran falou: "No mor, dessa vez não vai
ter isso não. Se vocês atacarem aí, nós
vamos para cima". Então, eh, eu acho que
os Estados Unidos a gente ainda precisa
ter maior clareza da capacidade dos
Estados Unidos, porque acho que a gente
tá tá todo mundo assustado, né? Nós
estamos vindo de um trauma
latino-americano recente na Venezuela.
Antes disso, o genocídio em Gasa, porque
aí, bom, aí os Estados Unidos não
entraram tão diretamente, né? Eh, e
agora nós estamos com esse mais esse
trauma, eh, do que tá acontecendo no
Irã. Então, acho que a gente tá
assustado ainda e a gente tá tendendo a
achar que os Estados Unidos são super
poderosos, eles podem tudo. Eu tô
começando a achar que eles não podem
mais tudo. E eu acho que essa guerra do
Irã vai ser a grande medida do poder
real dos Estados Unidos.
>> Você acha que essa guerra contra o Irã
tem como propósito também enviar um
recado estratégico a Rússia e China?
>> Isso não tem dúvida nenhuma. Isso com
certeza. Ao BCKS. Isso é um ataque ao
BRIX. Isso é um ataque à China, é um
ataque à Rússia. É um ataque ao sul
global. Eh,
eu vou exagerar um pouquinho agora nas
tintas aqui, que aí sempre dá um
cortezinho bom e, né, fica legal nas
redes.
>> Só o gosto de corte.
>> Gost de corte. Eu acho que a guerra que
tá acontecendo no Irã hoje é uma
espécie. O Irã, o Irã,
o Irã é a estalingrado do sul global no
século XX.
Essa guerra vai definir grande parte da
geopolítica dos próximos anos. A gente
vem falando muito de multipolaridade. Me
espera um pouquinho só.
>> Vá lá.
>> Stalingrado. Se a União Soviética
tivesse perdido Stalingrado, ela perdia
tudo. Não, não restava mais nada. Da
mesma maneira que se os alemães
perdessem Stalingrado, tudo estava
perdido.
Você acha que a guerra no Irã tem este
papel definitivo? Se cai o Irã, caiu o
sul global, caiu a Rússia, caiu a China,
não tem mais nada depois.
>> Nunca caiu. Tá bom. Boa. Eu não devia
ter falado isso para um para um um
camarada soviético como você, né?
>> [risadas]
>> Não, mas é o seguinte, não caiu tudo.
Obviamente que a China e Rússia vão
continuar eh muito poderosas, mas eu
acho que do ponto de vista eh da
articulação
de uma possível multipolaridade, da
articulação do bricks, né, da
articulação de uma contraheegemonia ao
império, uma derrota no Irã vai ser é
estratégica e vai ser desmoralizante.
>> Vai ser desmoralizante. Primeiro vai
dizer: "Olha, tá vendo, ó? China e
Rússia não podem fazer nada.
>> Tigre, tigres de papel,
>> tigre de papel
>> muda, muda o objeto do discurso.
>> Claro que é diferente um ataque direto a
Rússia. Se sofreu um ataque direto aos
Estados Unidos, aí provavelmente acaba a
humanidade. E se a China sofrer um
ataque direto, provavelmente acaba a
humanidade. E eu acho que nós estamos
caminhando para lá. Isso tá ficando cada
vez mais assustador. Agora você imagina
se o Irã perde essa guerra eh depois do
que aconteceu na Venezuela? Primeiro os
Estados Unidos vão se empoderar, claro,
>> né? Qualquer outro tipo de adversário
possível, de articulação possível, eh,
antiagemônica, vai se desmoralizar. Bom,
se eles até o Irã, que tá há 20 anos se
preparando, tem aliados poderosos, até o
Irã perdeu. Imagina que que o Brasil vai
fazer, o que que a África do Sul vai
fazer, o que que a Colômbia vai fazer.
E do outro lado, se o Irã ganha,
>> se o Irã ganha, aí nós vamos ver que os
Estados Unidos são sim um tigre de papel
e que a desindustrialização
estadunidense mudou as regras da guerra
no mundo.
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O orador analisa a complexa situação da guerra, descrevendo-a como uma "névoa de guerra" onde a verdade é a primeira vítima. Ele argumenta que o Irã está na fase inicial de resistência, utilizando drones e mísseis mais antigos para esgotar as defesas americanas e israelenses, enquanto guarda suas armas hipersônicas avançadas. Uma questão central levantada é a crescente desindustrialização dos Estados Unidos, que tem limitado sua capacidade de sustentar guerras de alta intensidade contra adversários equivalentes por longos períodos. O orador enfatiza que o conflito no Irã é um evento geopolítico crucial, comparando-o à Batalha de Stalingrado para o Sul Global, e que seus resultados determinarão o futuro da multipolaridade e do poder dos EUA. Ele conclui que uma vitória iraniana exporia os EUA como um "tigre de papel", enquanto uma derrota desmoralizaria os esforços de contra-hegemonia global.
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