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ENTENDA a ODISSEIA de HOMERO

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ENTENDA a ODISSEIA de HOMERO

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Em 20 de março de 1809, Napoleão Bonaparte  estava se preparando para um dos momentos  

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mais importantes da história, a guerra  que formaria a quinta coalizão. Nesse dia,  

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o imperador francês tinha acabado de sair  da Espanha com o objetivo de voltar a Paris.  

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Mas uma das informações mais interessantes que  nós temos é que esses grandes líderes militares,  

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por passarem tanto tempo em viagem se deslocando  da guerra, sempre andavam com uma biblioteca  

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portátil. E aqui, nesse dia 20 de março, surge  uma das cartas mais icônicas de Napoleão,  

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onde ele pede para que seu secretário  pessoal junto do bibliotecário imperial  

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se apressasse para organizar os livros da  próxima campanha e, bem especificamente,  

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para que eles adicionassem "os épicos" de qualquer  jeito. A Fundação Napoleão explicou mais tarde que  

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esses livros que Napoleão chamava de Os Épicos  era, na verdade a Ilíada e a Odisseia de Homero.  

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Esses textos foram preservados por quase 3.000 anos e são considerados algumas das histórias mais  

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importantes já criadas pela humanidade. Até  hoje existem debates se algum homem foi capaz  

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de criar uma história tão marcante e impactante  quanto Homero. E é justamente por isso que eu  

1:32

estou fazendo esse vídeo hoje para vocês, para  que vocês tenham acesso a esse conhecimento que  

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é tão importante. A Odisseia de Homero é um  poema épico que acompanha Odisseu ou Ulisses,  

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como os romanos chamavam, ao longo de 10 anos de  aventuras impossíveis, criaturas sobrenaturais,  

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deuses enciumados e decisões que quase custam  tudo. Mas no fundo a Odisseia é sobre algo muito  

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mais simples e muito mais difícil, o desejo  de voltar para casa. Eu não sei se você tá  

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preparado para o que você vai ver no vídeo de  hoje, porque nós vamos te levar por cada ilha,  

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cada tempestade e cada armadilha que Ulisses  enfrentou. E vamos tentar responder a todas as  

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perguntas. O que essa história significava para  os gregos? Quais dilemas de ensinamentos ela tem  

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a nos oferecer? Bom, já se ajeita na cadeira,  pega o seu lanche e prepara o seu coração,  

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porque nós vamos cruzar o Mar Mediterrâneo junto  de Ulisses em sua Odisseia hoje no Filosofando.

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Oi, eu sou Tinôco, já se inscreve no canal e  lembrando que todo domingo tem vídeo novo para  

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vocês. Então fica esperto e ativa as notificações  aqui embaixo para você não perder nenhum conteúdo  

2:46

desses aqui. E talvez você nem esteja sabendo, mas  tá rolando vídeos exclusivos para os membros aqui  

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do canal. Esses mesmos vídeos que vocês adoram,  que saem aqui, mas agora só para membros, alguns  

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deles. Então, se você quiser se tornar membro, é  só clicar no botão de seja membro aqui embaixo.  

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É graças a vocês que a gente consegue continuar  produzindo esse conteúdo aqui. Enfim, Homero foi  

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provavelmente o maior poeta da antiguidade, mas  muita gente não faz ideia do quão antigo ele é.  

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A odisseia foi escrita em torno do século VIII  antes de Cristo, ou seja, há mais de 2800 anos.  

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Só para você ter uma noção, isso significa que a  Odisseia é mais antiga do que a própria fundação  

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de Roma. Quando o Homero escreveu essas palavras,  não tinha Sócrates, não tinha Platão,  

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não tinha Alexandre Grande, nem Roma. O cristianismo  ainda tava longe de existir e até Buda não tinha  

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nascido ainda. Tanto é que aqui nós precisamos  falar sobre um detalhe que pode mudar tudo.  

3:41

Talvez Homero nem tenha existido da forma como nós  imaginamos. Não existe nenhum registro concreto  

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sobre sua vida. Nós não sabemos onde ele nasceu,  tendo pelo menos aí umas sete cidades gregas que  

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disputam essa honra. Nós também não sabemos como  ele era e também não temos nenhuma informação  

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sobre como ele escreveu esse livro. Tanto é que  existe uma tradição grega inclusive que diz que  

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Homero era cego. E, por incrível que pareça, é até  mesmo possível que ele nem tem existido de fato,  

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né? Alguns estudiosos argumentam que a Ilíada e a  Odisseia não foram escritas por uma única pessoa,  

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mas sim compiladas ao longo de gerações de  poetas que recitavam esses poemas de memória,  

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de cidade em cidade, de geração em geração. E  isso, longe de diminuir a obra, faz dela algo mais  

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impressionante. A Odisseia não é um livro, é uma  tradição viva, é a voz coletiva de um povo inteiro  

4:33

tentando entender o mundo. Não é à toa que ela  é escrita em formato de poema, pensada para ser  

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cantada ou declamada oralmente. E para compreender  por essa história importava tanto para os gregos,  

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nós precisamos entender o contexto. Estamos  falando de um mundo onde os deuses eram reais.  

4:51

Não metáforas, não símbolos, mas forças  ativas que interviam na vida humana a todo  

4:57

momento. O mundo onde a honra era mais importante  do que a vida, onde a hospitalidade era sagrada  

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e onde o mar, o grande mar Mediterrâneo, era ao  mesmo tempo a estrada e o inimigo. E é dentro  

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desse mundo que Odisseu, conhecido como Ulisses,  vive e começa uma das viagens mais longas e mais  

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humanas já contadas. Odisseu era o grande rei de  Itítaca. uma pequena ilha no noroeste da Grécia,  

5:24

mas Ítaka não era nem de longe o maior reino,  muito menos o mais rico. E mesmo assim podemos  

5:29

dizer que Odisseu tinha algo que os outros  reinos não tinham, a sua inteligência. Ele é  

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reconhecido em toda a Grécia, não pelo tamanho  do seu exército, mas sim pela sua astúcia.  

5:40

Enquanto os reis resolviam seus problemas  com força, Ulisses resolvia com palavras,  

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com planos e com a capacidade de ver o que os  outros não viam. Ele tem uma esposa, Penélope,  

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descrita como leal e igualmente inteligente,  e a ama profundamente. E nesse momento,  

5:56

os dois acabaram de ter um filho chamado Telêmaco.  O problema é que em meio a essa linda família,  

6:03

uma guerra começou. Do outro lado do mar  Mediterrâneo estava a fabulosa cidade de Troia.  

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E muita gente tem a dúvida se ela chegou  a existir de verdade. E a resposta é que  

6:13

ninguém sabe. Na verdade, a gente sabe que  a região de Hisarlik, na atual Turquia,  

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é o local mais apontado de onde Troia poderia  ter existido. Mas nós não sabemos se ela foi  

6:24

igual Homero descreve nesse livro. Arqueólogos já  encontraram em Hisarlik várias camadas de ocupação  

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urbana, uma em cima da outra. Isso mostra que ali  existiram diferentes cidades ao longo dos séculos,  

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mas não necessariamente Troia. Enfim, segundo  conta a lenda, nessa época Troia era liderada por  

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Priamo, tendo pares como seu príncipe. Um homem  que acabou tendo um caso com uma das mulheres  

6:47

mais desejadas da época, Helena. O problema é que  Helena era casada com um rei de Esparta, Menelau,  

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que obviamente ficou bolado e aí não teve outra.  Ele convocou todos os reis gregos para recuperar  

7:01

a sua mulher. e destruir Troia. E Ulisses  estava entre esses reis gregos convocados e  

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acabou sendo puxado pro problema, mesmo não tendo  nada a ver. E assim, gente, obviamente eu preciso  

7:12

deixar claro aqui que isso é a versão do  livro do Homero. Não existem comprovações de que  

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essa tenha sido uma real trama da  história. Ulisses até tentou meter o louco ali,  

7:22

dar um Migué para não ter que ir pra  guerra, mas ele foi pego e acabou tendo  

7:26

que ir mesmo assim. Só que isso é um detalhe  importantíssimo na nossa história.  

7:30

Ulisses é o único rei grego que claramente não  quer ir pra guerra, mas ele não tinha  

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escolha. Então o Ulisses é obrigado a deixar sua  esposa e seu filho recém-nascido em casa  

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para lutar na guerra de Troia. O que ele não  sabia é que ele demoraria 20 anos para voltar.

7:51

Bom, aqui a gente vai dar um belo salto temporal  para não perder muito tempo. Nesse momento,  

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a guerra de Troia já durava por volta de 10 anos  e Ulisses não via mais motivos para continuar  

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nesse conflito. E o pior, não foram 10 anos  em um campo de batalha lutando pela sua vida.  

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Foram 10 anos de cerco, onde os gregos basicamente  ficaram do lado de fora de Troia sem conseguir  

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tomar a cidade. E o mais impressionante é  que eles juntos provavelmente formavam o  

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mais preparado exército da época, com Aquiles,  o mais poderoso dos guerreiros, Agamenon,  

8:24

o rei dos reis, Ajax , o  gigante e implacável herói, e Ulisses,  

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o mais inteligente entre  eles. Durante 10 anos, houve mortes,  

8:33

traições e perdas dos dois lados. Até os deuses  se envolveram tomando partido de algum dos dois  

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lados. Com isso, a disputa acabou se equilibrando.  Aquiles, por exemplo, conseguiu matar Heitor,  

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conhecido como o maior guerreiro troiano. Só que  pouco tempo depois, quem morre é Aquiles, atingido  

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no calcanhar por uma flecha. E outra perda do lado  grego foi Ajax, que pôs fim prematuramente a sua  

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própria vida. E assim eles foram perdendo seus  principais [música] nomes e Troia ainda estava  

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de pé. O problema era simples. As muralhas  de Troia eram simplesmente intransponíveis.  

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Os gregos poderiam vencer todas as batalhas  no campo aberto e ainda assim perder a guerra,  

9:14

porque a cidade não cairia. E é justamente aqui  que o Listes muda a história da guerra. O plano é  

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tão simples que parece impossível de funcionar. Os  gregos iriam construir um enorme cavalo de madeira  

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e esconderiam dentro dele seus melhores guerreiros  com moles incluído. O resto da tropa partiria em  

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retirada. fingindo uma desistência [música] da  guerra. E assim foi feito. Os troianos, após 10  

9:39

anos de espera, viram seus inimigos indo embora  e ainda encontraram esse presentinho estranho  

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na praia. Obviamente tiveram algumas pessoas que  desconfiaram. Cassandra, por exemplo, profetiza,  

9:51

troiana avisa que o cavalo é uma armadilha, mas  ela carrega a maldição de nunca ser acreditada.  

9:57

Assim, os troianos trazem o cavalo para dentro da  cidade e meia-noite os guerreiros gregos saem do  

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cavalo e abrem os portões para a frota que havia  retornado sobre a escuridão. E foi assim que  

10:10

Troia, que resistiu bravamente por 10 anos, caiu  em uma única noite. E tudo isso graças à ideia  

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de Ulisses, que agora finalmente poderia voltar  [música] para casa. E é nesse momento que começa  

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de fato o livro a Odisseia, narrando as aventuras  ou melhor os problemas que Ulisses enfrentou  

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para voltar para casa. Toda a guerra de Troia é um  enredo para outro livro de Homero, a Ilída. Então,  

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se você tiver pensando em ler os dois, saiba que  a ordem é primeiro a Ilída para narrar a guerra  

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de Troia e depois a Odisseia voltando depois  da guerra. Tecnicamente, a Ileda termina com  

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a morte de Heitor por Aquiles e a Odisseia começa  um pouco mais paraa frente quando Ulisses já está  

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num enrascada, mas eu preferi contar dessa forma  para ficar mais coerente. Só que assim, podemos  

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dizer que os deuses da época não gostaram nem um  pouco do que aconteceu em Troia. Reza a lenda que  

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os gregos, na euforia de vencer a guerra, acabaram  cometendo alguns sacrilégios dentro dos templos  

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troianos, o que acabou desagradando diversos  deuses, principalmente Poseidon, o deus dos mares,  

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que podemos dizer que a vacar completamente  à volta de Ulisses. A primeira parada é na  

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cidade de Sícons, um povo aliado dos troianos  que jamais receberia [música] bem os gregos.  

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E por isso eles tiveram que sair na mão mais uma  vez e mais uma vezes venceu. Mas com a vitória dos  

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gregos eles cometeram um erro clássico, comemorar  até demais. A tropa do Lises resolveu ficar ali na  

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praia bebendo, festejando e enquanto isso, oscones  que restaram convocaram reforços. No dia seguinte,  

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uma força muito maior chegou no campo de  batalha e massacrou parte da tripulação.  

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Alguns gregos escaparam, mas eles tiveram  que deixar homens para trás. E aqui surge a  

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primeira grande lição da Odisseia. A vitória pode  matar tanto quanto a derrota se você não souber  

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comemorar. Depois dos ícon, os gregos enfrentaram  uma tempestade enorme que os jogaram em meio ao  

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passas perdidos e quando finalmente avistam  terra, chegam a um lugar estranho e adormecido,  

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a terra dos lotófagos. Ulisses manda três homens  para explorar a ilha e lá eles encontram a flor  

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de lottos. O que eles não sabiam é que essa flor  causava amnésia permanente. Muitos deles acabam  

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comendo essa planta e instantaneamente perdem  qualquer vontade de voltar para casa. Eles ficam  

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ali sentados, serenos, perdendo completamente  o desejo de voltar de onde vieram, por mais  

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que sua verdadeira identidade ainda estivesse  guardada dentro de cada um ali. Mesmo assim,  

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Ulisses não os deixaria para trás. Ele os arrasta  de volta ao bar com a força e finalmente conseguem  

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partir. O tempo passa e a frota finalmente  encontra uma ilha fértil, coberta de vegetação,  

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com cavalo selvagem espastando livremente. Do  outro lado, ao longe, é possível ver uma ilha  

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ainda maior, onde se ouve barulho de animais e se  vem cavernas enormes nas encostas. Mais uma vez,  

13:13

Ulisses decide explorar, levando apenas um navio  e 12 homens de seu pelotão. A caverna é enorme,  

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claramente habitada por alguém muito maior do que  um homem comum. Há queijos armazenados, cordeiros  

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e cabritos em currais separados por idade. Todos  querem simplesmente pegar o que dá e fugir,  

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mas não. Ele quer ver quem mora ali. E não demorou  muito para o dono chegar. O nome dele é Polifêmo,  

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mas você deve conhecer como Ciclope, o gigante de  um único olho, filho de Poseiton. Sem perceber a  

13:46

presença de ninguém ali, ele fecha a entrada da  caverna com uma pedra colossal e depois acende  

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a fogueira. E foi só aí que ele percebeu que  tinha alguma coisa diferente. Pequenos homens  

13:58

estavam se escondendo em sua própria casa.  Ele pergunta quem são e de onde eles vieram.  

14:04

Ulisses responde com cuidado, mencionando os  Zeus e as leis da hospitalidade que na Grécia  

14:09

antiga eram sagradas. Qualquer viajante deveria  ser recebido com comida e abrigo. Mas Polifemo  

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responde que os ciclopes não se importam com  Zeus. Então ele pega dois dos homens de Ulisses,  

14:21

esmaga suas cabeças contra o chão e os  devora da cruz. Ulisses pega a sua espada,  

14:27

mas ele percebe algo muito mais importante. Matar  o ciclope significava morrer preso em uma caverna.  

14:33

Porque apenas o gigante tem força para mover a  pedra que veda a saída. Assim ele guarda a espada  

14:40

e começa a pensar. Na caverna, Ulisses e seus  homens apontam um grande tronco de madeira como  

14:46

um lápis e o guardam. Na noite seguinte, o ciclope  devora mais dois homens. Então o Lice se aproxima  

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pacificamente, entregando uma grande tigela de  vinho. Essa era a bebida mais forte que o Lices  

14:58

tinha disponível e o ciclope nunca havia provado.  O ciclope adora o vinho e bebe até se cansar.  

15:05

Então ele pergunta a Ulisses o seu nome,  prometendo um presente em troca. E Ulisses,  

15:10

de forma sagaz e totalmente quinta série,  responde que o meu nome é ninguém. O Ciclope ri  

15:16

satisfeito e diz que o presente será devorar  ninguém por último. Então ele desmaia. Assim,  

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Ulisses e seus homens sabem que é a hora certa  de atacar. Eles tiram a estaca da escuridão,  

15:28

aquecem a ponta na brasa da fogueira e a enfiam  no único olho do ciclope. Ele grita desesperado  

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e acaba chamando todos os outros ciclopes da ilha  que lhe perguntam o que houve. E ele responde:  

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"Ninguém me atacou. Ninguém tá querendo me  matar. [ __ ] como que isso funcionou? De manhã,  

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já cego, o Ciclope remove a pedra para soltar seus  carneiros para afastar. Ulisses e seus homens se  

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agarram embaixo deles e conseguem fugir da caverna  correndo e se jogam no navio. E aqui comete um  

16:00

erro que vai custar muito caro. Quando ele estava  a uma distância segura, já com o navio fora  

16:06

do alcance do gigante, ele se levanta na proa e  grita: "Clope, se alguém perguntar quem te segou,  

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pode dizer que foi Ulisses, filho de Laertes de  Itaca". Seus homens ficam desesperados implorando  

16:18

para ele parar e o ciclope já puto começa a  arremessar pedaços da montanha na direção da voz,  

16:25

quase afundando o navio. Mas o Lise seguiu  gritando com ódio até que o Ciclope invocou  

16:30

o seu papai, o Poseidon, e ele pediu que Ulisses  nunca chegasse em sua casa. Aqui Homero faz algo  

16:38

extraordinário. Ele nos mostra que a inteligência  sem humildade [música] é perigosa, que a vaidade  

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pode destruir o que a astúcia construiu. Ulisses  é brilhante, mas ainda não é sábio. [música] E  

16:50

a Odisseia, no fundo, é o relato de como ele  aprende essa diferença. Nas aventuras seguintes,  

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a tripulação chega à ilha de Elulo, Senhor dos  Ventos, que dá a Ulisses um presente, um odre  

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contendo todos os ventos desfavoráveis presos.  Durante dias e nove noites, Ulisses permanece  

17:08

acordado, guiando a embarcação e vigiando  aquele presente precioso que ele sabia que  

17:14

essa era uma oportunidade que não poderia perder e  que o retorno para casa dependia unicamente dele.  

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Finalmente, no 10º dia, ele pode ver Itaca no  horizonte, a costa de [música] sua cidade natal,  

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já ali bem na sua frente. Depois de tantos  anos de guerra, naufrágios, monstros e desvios,  

17:32

o lar [música] estava literalmente diante dos  seus olhos. Foi então que UCE se deixou dormir.  

17:39

Nesse momento, entra em cena um [música]  dos traços mais trágicos da Odisseia,  

17:44

a fragilidade dos próprios companheiros. Os homens  começam a coxixar entre si. Eles não entendem por  

17:51

Odiseu guardou aquele saco com tanto cuidado e  passam a suspeitar que ali dentro havia ouro,  

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prata ou algum tesouro que o líder queria  esconder deles. Em vez de confiar em seu capitão,  

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eles se deixam dominar pela inveja e pela  curiosidade. Eles acharam que estavam sendo  

18:08

enganados e que Ulisses receberia riqueza só  para si. Assim, eles abrem o pote, deixando que  

18:15

os ventos desfavoráveis escapem. E dessa forma a  tempestade os leva de volta ao começo da história.  

18:23

Quando Ulisses acorda, agora longe de casa, e  percebe que ele não vê aquela ilha no horizonte,  

18:29

ele deseja não mais viver e se jogar no mar. E  isso também é um ponto incrível da história de  

18:35

Homero. Ele não transforma o Ulisses em um herói  sem [música] sentimentos, muito pelo contrário.  

18:40

Nesse momento, Ulisses pensa em sua mulher, em  seu filho, que já deve ter crescido alguns bons  

18:45

anos, [música] e em sua vontade de viver tudo isso  de novo. Talvez somente por isso, em vez de ceder,  

18:51

ele se contém. Odiseu sofre, se desespera, mas  continua. [música] Ele decide suportar a dor  

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e seguir adiante com os homens que restam. Assim  eles chegam à terra dos canibais lestrigões. Lá  

19:05

Ulisses perde mais alguns homens e navios sendo  brutalmente atacados pelos habitantes da ilha.  

19:10

Tanto é que o único navio que sobreviveu  ao conflito foi o de Ulisses, enquanto  

19:15

todos os outros foram [música] destruídos. Esse  episódio é devastador porque pela primeira vez  

19:20

a perda é quase total. Até então a viagem era  marcada por atrasos, mortes e erros. Mas aqui  

19:27

ocorre uma espécie de colapso da expedição. Odiseu  deixa de ser o comandante de uma frota e passa a  

19:32

ser apenas o líder de um único navio sobrevivente  cercado por poucos homens e ainda mais distante de  

19:39

qualquer sensação de grandeza heróico. A jornada,  a partir desse momento, se torna mais solitária,  

19:44

mais frágil e mais desesperada. [música] É nesse  estado de ruína que eles chegam à ilha de Sir,  

19:50

iniciando o que talvez seja a parte mais  importante de toda [música] essa história.  

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Sir é uma feiticeira poderosa que vive sozinha  em uma ilha coberta de florestas. Quando os  

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homens de Odisseu chegam até sua casa, ela os  recebe comida e bebida e então os transforma  

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em porcos. Ulisses tinha uma erva mágica que  o tornava imune à maldição coincidentemente  

20:13

dessa forma impressionada. Si o reconhece como  o único homem capaz de resistir a ela. E assim  

20:20

ela desfaz o encanto sobre os homens de Ulisse.  Devolve aos companheiros dele a forma humana  

20:26

e mais do que isso, eles voltam rejuvenescidos,  mais fortes e mais belos. Esse episódio já seria  

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marcante só por isso, mas ele não termina aqui,  já que nesse momento Ulisses é tentado a parar e  

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ficar na ilha com aquela deusa encantadora.  Aqui eles têm abrigo, alimento, repouso,  

20:46

prazer e suspensão da dor. É como o paraíso na  Terra. E depois de tanto sofrimento, essa ilha se  

20:52

torna um refúgio. E por isso a tripulação passa  mais de um ano ali. Em um dia qualquer, o Lice  

20:59

sente uma enorme saudade de casa e decide que é  o momento de partir. Circe lhe oferece tudo que  

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tem para ficar, mas o Lice sente [música] que  esse não é o seu lugar. E aqui ele é colocado  

21:10

de frente para a maior lição que a Odisseia  [música] quer passar. Por mais confortável,  

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por mais incrível que algum lugar seja, se isso  não for o que você quer, você nunca vai se sentir  

21:22

plenamente [música] satisfeito. Ulisses ali tinha  tudo, tinha alimento, um bom abrigo, uma deus à  

21:27

sua disposição, mas esse não era o seu lugar. Ele  não se sentia [música] pertencente àquela ilha.  

21:33

E Homemero permite que você faça um paralelo  com sua vida. Hoje você pode estar onde recebe  

21:38

o maior salário, ter a maior casa do mundo ou  estar num relacionamento aparentemente perfeito.  

21:43

Mas se esse não for o lugar onde você quer estar,  ali nunca será o suficiente. Em nenhum momento  

21:50

esse desejo desaparece por completo. Ele pode ser  adiado, entorpecido ou desviado, mas nunca morre.  

21:57

E quando Odisseu finalmente pede para partir,  Circe lhe diz que o caminho de volta passa por  

22:03

um lugar onde nenhum homem vivo deveria visitar.  O reino dos mortos. A descida até Ades é um dos  

22:09

momentos mais poderosos de toda a literatura  ocidental. Odisseu segue as instruções de Circe,  

22:15

faz os rituais [música] e convoca as sombras  dos mortos com sangue de animais sacrificados.  

22:20

Primeiro aparece o espírito de Eupenor, um dos  seus homens que havia morrido recentemente,  

22:26

caindo bêbado de um telhado. Ele pede que  Odisseu [música] volte e enterre seu corpo,  

22:31

um lembrete cruel de que os vivos ainda têm  obrigações com os mortos. Depois vem Tirésias,  

22:37

o profeta cego, que mesmo na morte mantém sua  lucidez e lhe revela que ele chegará em casa, mas  

22:44

terá perdas pelo caminho. E então aparece sua mãe.  Odisseu não [música] sabia que ela havia morrido.  

22:51

Ela morreu de saudade, esperando por ele. E quando  tenta abraçá-la, seus braços passam pelo ar.  

22:57

As sombras não t corpo. Ele tenta três vezes e  três vezes suas mãos [música] encontram apenas  

23:03

o vazio. Esse é um dos momentos mais humanos  de toda a Odisseia. Um homem no fundo do poço  

23:09

tentando abraçar a sua mãe morta. Depois ele  ainda encontra os espíritos de grandes heróis.  

23:15

Aquele, seu antigo companheiro, que lhe diz que  preferia ser o último dos servos entre os vivos  

23:20

do que o rei entre os mortos. Além de relatar um  arrependimento por ter escolhido uma vida curta,  

23:26

mas com glórias, ao invés de uma vida simples  e sem glórias. Ele também encontra a Gamenon,  

23:32

traído e assassinado pela própria esposa ao voltar  de Troia, um espelho sombrio do que pode esperar  

23:38

Odisseu, se não tomar cuidado ao chegar em casa.  Para os gregos, a descida ao mundo dos mortos,  

23:43

a chamada catábase, era o teste máximo dos  heróis, onde pouquíssimos voltavam. E Odisseu  

23:49

não só voltou como voltou com conhecimento.  Ele sabe agora o que o espera e mesmo assim  

23:55

ele decide continuar. De volta ao mundo dos vivos,  ele parte da ilha de Sir com um novo objetivo  

24:01

e com novos perigos pelo caminho. As sereias,  criaturas cujo canto é tão belo que faz qualquer  

24:08

marinheiro se jogar ao mar para alcançá-las. Circe  havia avisado: "Ninguém que as [música] ouve vive  

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para contar". Mas Ulisses queria ouvir a sereia.  Então o Ulisses pediu para que os seus homens  

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amarrassem ele no mastro e depois tampassem  seus ouvidos com cera. Assim ele ouve o canto  

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mais belo que existe e chega ao outro lado com os  ouvidos cheios de uma beleza que ninguém mais no  

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mundo conhece. Há algo profundamente moderno nessa  cena. O desejo de experimentar o que é proibido,  

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mas com uma estrutura de segurança. O homem que  quer sentir tudo, mas que conhece [música] seus  

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próprios limites o suficiente para se amarrar  antes. Depois vem Sila e Caribiddes, dois monstros  

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que guardam um estreito perigoso. Sila é uma  criatura de seis cabeças que devora marinheiros  

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e Caribiddes é um redemoinho gigante que encolhe  navios inteiros. Não há como passar sem perda.  

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E Circe já tinha dado a dica. passa ali mais perto  de Sila, perde alguns homens ali, uns seis mais ou  

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menos e aí você vai conseguir salvar seu navio.  Odisseu obviamente não conta isso pra tripulação,  

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o que é uma das atitudes mais questionáveis dele  na história, digse de passagem. Mas aí quando  

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Sila ataca, ele assiste impotente, enquanto seis  dos seus homens gritam seu nome e são devorados.  

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Depois de tudo isso, os sobreviventes chegam à  ilha de Trinácia. [limpando a garganta] Odisseu  

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havia sido avisado duas vezes: "Não toquem no  gado sagrado de Hélio, o deus do sol". Se tocarem,  

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nenhum deles voltará para casa. Mas os ventos  param, eles ficam presos na ilha por um mês.  

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Os mantimentos acabam e os homens, com fome e  desesperados tocam no gado enquanto o Odisseu  

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dorme, selando seu destino para sempre. E  quando eles partem, uma tempestade enviada  

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por Zeus destrói o navio. É nesse momento  que todos morrem. todos, exceto o Odisseu,  

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que se agarra a destroços e passa dias no mar  sozinho. Bom, aqui é um ótimo momento para mostrar  

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como os deuses de fato impactam nessa história,  mas nem sempre pro mal, como é o caso de Atena,  

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que ajuda Ulisses em praticamente toda essa  trajetória. Podemos dizer, inclusive, que sem  

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ela ele jamais conseguiria. Atena intervém várias  vezes disfarçada, manipulando situações a favor do  

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herói. Ele chega a deriva na ilha de Ogíia, onde  vive Calipso, [música] uma ninfa imortal que se  

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apaixona por ele e o mantém como companheiro por  7 anos. E mesmo lhe oferecendo a imortalidade,  

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Ulisses recusa. Esse é talvez o momento mais  revelador de toda a Odisseia. O herói que  

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passou 10 anos tentando sobreviver, que perdeu  todos os seus homens, que sofreu tudo que um ser  

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humano pode sofrer, recusa a imortalidade. Isso  porque Itítaka é real, porque Penélope é real,  

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porque ele quer uma vida com o peso e significado,  mesmo que termine, ele sabe onde é sua casa  

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e apenas deseja voltar a ela. Para os  gregos, isso era a definição de humanidade,  

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escolher a vida ao invés da eternidade vazia.  Ulíes monta uma jangada improvisada e parte mais  

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uma vez em direção ao mar. Posseidon, claro, não  perdoaria facilmente. Então uma tempestade final  

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o pega e joga ao mar. Mas Ulisses nada por dois  dias e duas noites. É ajudado por uma ninfa do mar  

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e chega exausto à costa [música] dos Feácios,  um povo civilizado e bondoso que o acolhe, ouve  

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sua história e finalmente o leva até Ítaka. Após  20 anos fora, 10 na guerra e mais 10 no caminho,  

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Ulisses [música] finalmente chega em casa. Mas  ele não pode simplesmente chegar chegando porque  

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sua casa está tomada. Diversos pretendentes  queriam de todas as formas conquistar sua tão  

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amada esposa. Ele sabia que se revelasse quem ele  era, iriam simplesmente matá-lo. O que se segue  

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é uma das sequências mais tensas e emocionantes  da literatura antiga. Odisseu entra em sua  

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própria casa disfarçado de mendigo e procura  encontrar aqueles que ele realmente confiava,  

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seu criador de porcos, seu ferreiro e telêmaco,  seu filho. Inclusive ele também encontra seu cão.  

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Argos tem inclusive essa pintura que representa  justamente esse momento, o momento em que Ulisses  

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encontra o seu cão já velho e pouco tempo depois  ele morre. Ulisses entra e observa os pretendentes  

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desperdiçando seus bens, [música] humilhando seus  servos, assediando sua esposa. Ele engole a raiva  

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porque um herói de verdade sabe quando agir.  Penope, que há anos resistia, anuncia um concurso.  

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Quem conseguir envergar o arco de Odisseu? e  disparar uma flecha através de 12 eixos alinhados  

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da cabeça do machado. Tipo assim, ia ter 12  cabecinhas de machado alinhado e tinha que passar  

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uma flecha entre eles. Essa pessoa terá a sua mão  e consequentemente o reino de Itítaka. Um por um,  

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os pretendentes tentam. Nenhum consegue sequer  envergar o arco. Então aquele homem estranho  

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pede a sua vez. Ele pega o arco com a  familiaridade de quem o conhece intimamente.  

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Ele o examina, o testa, o encorda com a calma  de um músico afinando o seu instrumento. Então  

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dispara a flecha que passa pelos 12 eixos sem  tocar em nenhum. O que vem depois é a vingança.  

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Uliss se une a Telemaco, seu filho. Eles fecham  as portas e eliminam os pretendentes um a um.  

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A cena é brutal e Homero não só avisa, mas também  não é gratuita. É a restauração de uma ordem que  

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havia sido violada. É a casa sendo devolvida ao  seu dono. Então vem o momento pelo qual todo o  

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poema esperou. Odseu vai ao encontro de Penélope,  mas ela não acredita que é ele. Como poderia,  

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após 20 anos, qualquer pessoa poderia reividicar  ser Ulisses. E aqui Homero faz algo de gênio.  

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Penlope testa o marido. Ela diz para uma serva  mover a cama de Odisseu para fora do quarto,  

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mas Ulisses imediatamente protesta.  É impossível mover aquela cama porque  

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ele mesmo a construiu em torno de uma oliveira  viva que ainda cresce dentro do quarto. Ninguém  

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mais no mundo sabia disso. É um segredo entre  os dois. É o que nenhum impostor poderia saber.  

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E quando Penélope ouve isso, ela finalmente  chora e vai ao encontro do marido.  

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Muitos anos depois, Platão na República imaginou  uma cena curiosa. Depois da morte, as almas eram  

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levadas a escolher uma nova vida antes de retornar  ao mundo. Algumas escolhiam vidas de reis,  

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guerreiros, tiranos, atletas famosos ou homens  poderosos. Mas quando chegou a vez de Ulisses,  

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o maior dos heróis viajantes, aquele que havia  enfrentado monstros, deuses, mares e guerras,  

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sua escolha foi completamente diferente. Ulisses  não quis uma coroa, não quis fama, não quis poder,  

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não quis ser lembrado por todos. Depois de  procurar durante muito tempo, ele escolheu a vida  

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de um homem comum, simples, privado, distante das  grandes glórias e dos grandes sofrimentos. E essa  

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imagem é profundamente simbólica, porque parece  revelar o verdadeiro aprendizado da Odisseia.  

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A jornada de Ulisses não é apenas a história de  um homem tentando voltar para casa, é também a  

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história de um homem que depois de conquistar fama  eterna na guerra de Troia, descobre que a glória  

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tem um preço terrível. Ele vence batalhas, engana  monstros, desafia reis e sobrevive a quase tudo,  

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mas perde [música] companheiros, perde anos  de vida, perde a juventude e perde a sua paz.  

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Sua inteligência o salva muitas vezes, mas isso  não o livra da dor. Por isso, a grande moral  

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da Odisseia [música] talvez não esteja apenas na  coragem, na astúcia ou na persistência de Ulisses.  

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Está na descoberta de que o verdadeiro destino  desejado pelo herói não era conquistar o mundo,  

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era simplesmente voltar para casa. Enquanto outros  buscariam a imortalidade da fama, Ulisses busca o  

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retorno com Penélope, com Telêmco, com sua terra e  com sua própria identidade. A casa, nesse sentido,  

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não é só um lugar físico, é aquilo que resta  quando todas as ilusões de grandeza desmoronam.  

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A escolha descrita por Platão parece completar  essa ideia. Depois de viver uma existência  

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marcada por guerra, orgulho, sofrimento e perda,  Ulisses finalmente entende que uma vida pequena  

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aos olhos do mundo pode ser maior do que uma vida  grandiosa aos olhos da história. A simplicidade  

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que antes poderia parecer insignificante para um  herói se torna uma forma de sabedoria. No fim,  

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a odisseia nos encanta porque transforma  o Lícias em uma figura heróica, mas também  

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nos deixa uma pergunta incômoda.  Se ele pudesse escolher de novo,  

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será que escolheria a mesma vida? Será que  toda aquela glória compensou os anos perdidos,  

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os amigos mortos, o sofrimento da família e o peso  de nunca poder descansar? Talvez seja por isso que  

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a história de Ulisses continue tão poderosa,  porque ela não apenas fala sobre a aventura,  

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ela fala sobre o desejo humano de voltar  para aquilo que realmente importa. E depois  

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de toda a grandeza, de todos os perigos e de  todas as lendas, a resposta final da Odisseia  

33:28

parece ser [música] simples. Nenhuma glória vale  mais do que a paz de finalmente estar em casa.  

33:36

Bom, esse foi o vídeo. Eu espero que você tenha  gostado. Deixa o seu like, se inscreve no canal  

33:40

e ative o sininho para não perder nenhum vídeo  que a gente posta. E pelo amor de Deus, se você  

33:43

não se torna membro do canal, o que que você tá  fazendo da sua vida, meu irmão? Se torna membro  

33:47

aqui embaixo, porque tem vídeos exclusivos para  vocês, vídeos iguais. [música] Esses daqui para  

33:52

você assistir só se você for membro, tá baratinho.  Vai lá, irmão, assina isso aí que com certeza você  

33:57

vai gostar. Enfim, se você gostou desse vídeo,  no final tem mais um [música] vídeo para você,  

34:01

o nosso documentário sobre a Grécia antiga. Muito  obrigado pelo seu acesso e até o próximo vídeo.  

34:05

Valeu. Falou, um grande abraço do Tinoko e  lembre-se, a existência é passageira. Ciao

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A  

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odisseia de Omero filosofando parte um de 400.  

34:47

Tô sendo mogado por uma garrafa.  [risadas] Não tá perdendo a Não.  

34:54

Para eles adicion para que eles Ai, mano.  Esse vídeo vai demorar um bilhão de anos.

Interactive Summary

O vídeo explora o épico 'A Odisseia' de Homero, narrando a jornada de Ulisses após a Guerra de Troia em seu longo e difícil retorno para casa em Ítaca. Além do resumo dos desafios e encontros mitológicos de Ulisses, como o Ciclope Polifemo e a feiticeira Circe, o autor reflete sobre os dilemas filosóficos da obra, como a importância da humildade versus a astúcia, o desejo humano de pertencer a um lugar e a busca por uma vida simples em vez da glória eterna.

Suggested questions

4 ready-made prompts