ENTENDA a ODISSEIA de HOMERO
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Em 20 de março de 1809, Napoleão Bonaparte estava se preparando para um dos momentos
mais importantes da história, a guerra que formaria a quinta coalizão. Nesse dia,
o imperador francês tinha acabado de sair da Espanha com o objetivo de voltar a Paris.
Mas uma das informações mais interessantes que nós temos é que esses grandes líderes militares,
por passarem tanto tempo em viagem se deslocando da guerra, sempre andavam com uma biblioteca
portátil. E aqui, nesse dia 20 de março, surge uma das cartas mais icônicas de Napoleão,
onde ele pede para que seu secretário pessoal junto do bibliotecário imperial
se apressasse para organizar os livros da próxima campanha e, bem especificamente,
para que eles adicionassem "os épicos" de qualquer jeito. A Fundação Napoleão explicou mais tarde que
esses livros que Napoleão chamava de Os Épicos era, na verdade a Ilíada e a Odisseia de Homero.
Esses textos foram preservados por quase 3.000 anos e são considerados algumas das histórias mais
importantes já criadas pela humanidade. Até hoje existem debates se algum homem foi capaz
de criar uma história tão marcante e impactante quanto Homero. E é justamente por isso que eu
estou fazendo esse vídeo hoje para vocês, para que vocês tenham acesso a esse conhecimento que
é tão importante. A Odisseia de Homero é um poema épico que acompanha Odisseu ou Ulisses,
como os romanos chamavam, ao longo de 10 anos de aventuras impossíveis, criaturas sobrenaturais,
deuses enciumados e decisões que quase custam tudo. Mas no fundo a Odisseia é sobre algo muito
mais simples e muito mais difícil, o desejo de voltar para casa. Eu não sei se você tá
preparado para o que você vai ver no vídeo de hoje, porque nós vamos te levar por cada ilha,
cada tempestade e cada armadilha que Ulisses enfrentou. E vamos tentar responder a todas as
perguntas. O que essa história significava para os gregos? Quais dilemas de ensinamentos ela tem
a nos oferecer? Bom, já se ajeita na cadeira, pega o seu lanche e prepara o seu coração,
porque nós vamos cruzar o Mar Mediterrâneo junto de Ulisses em sua Odisseia hoje no Filosofando.
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É graças a vocês que a gente consegue continuar produzindo esse conteúdo aqui. Enfim, Homero foi
provavelmente o maior poeta da antiguidade, mas muita gente não faz ideia do quão antigo ele é.
A odisseia foi escrita em torno do século VIII antes de Cristo, ou seja, há mais de 2800 anos.
Só para você ter uma noção, isso significa que a Odisseia é mais antiga do que a própria fundação
de Roma. Quando o Homero escreveu essas palavras, não tinha Sócrates, não tinha Platão,
não tinha Alexandre Grande, nem Roma. O cristianismo ainda tava longe de existir e até Buda não tinha
nascido ainda. Tanto é que aqui nós precisamos falar sobre um detalhe que pode mudar tudo.
Talvez Homero nem tenha existido da forma como nós imaginamos. Não existe nenhum registro concreto
sobre sua vida. Nós não sabemos onde ele nasceu, tendo pelo menos aí umas sete cidades gregas que
disputam essa honra. Nós também não sabemos como ele era e também não temos nenhuma informação
sobre como ele escreveu esse livro. Tanto é que existe uma tradição grega inclusive que diz que
Homero era cego. E, por incrível que pareça, é até mesmo possível que ele nem tem existido de fato,
né? Alguns estudiosos argumentam que a Ilíada e a Odisseia não foram escritas por uma única pessoa,
mas sim compiladas ao longo de gerações de poetas que recitavam esses poemas de memória,
de cidade em cidade, de geração em geração. E isso, longe de diminuir a obra, faz dela algo mais
impressionante. A Odisseia não é um livro, é uma tradição viva, é a voz coletiva de um povo inteiro
tentando entender o mundo. Não é à toa que ela é escrita em formato de poema, pensada para ser
cantada ou declamada oralmente. E para compreender por essa história importava tanto para os gregos,
nós precisamos entender o contexto. Estamos falando de um mundo onde os deuses eram reais.
Não metáforas, não símbolos, mas forças ativas que interviam na vida humana a todo
momento. O mundo onde a honra era mais importante do que a vida, onde a hospitalidade era sagrada
e onde o mar, o grande mar Mediterrâneo, era ao mesmo tempo a estrada e o inimigo. E é dentro
desse mundo que Odisseu, conhecido como Ulisses, vive e começa uma das viagens mais longas e mais
humanas já contadas. Odisseu era o grande rei de Itítaca. uma pequena ilha no noroeste da Grécia,
mas Ítaka não era nem de longe o maior reino, muito menos o mais rico. E mesmo assim podemos
dizer que Odisseu tinha algo que os outros reinos não tinham, a sua inteligência. Ele é
reconhecido em toda a Grécia, não pelo tamanho do seu exército, mas sim pela sua astúcia.
Enquanto os reis resolviam seus problemas com força, Ulisses resolvia com palavras,
com planos e com a capacidade de ver o que os outros não viam. Ele tem uma esposa, Penélope,
descrita como leal e igualmente inteligente, e a ama profundamente. E nesse momento,
os dois acabaram de ter um filho chamado Telêmaco. O problema é que em meio a essa linda família,
uma guerra começou. Do outro lado do mar Mediterrâneo estava a fabulosa cidade de Troia.
E muita gente tem a dúvida se ela chegou a existir de verdade. E a resposta é que
ninguém sabe. Na verdade, a gente sabe que a região de Hisarlik, na atual Turquia,
é o local mais apontado de onde Troia poderia ter existido. Mas nós não sabemos se ela foi
igual Homero descreve nesse livro. Arqueólogos já encontraram em Hisarlik várias camadas de ocupação
urbana, uma em cima da outra. Isso mostra que ali existiram diferentes cidades ao longo dos séculos,
mas não necessariamente Troia. Enfim, segundo conta a lenda, nessa época Troia era liderada por
Priamo, tendo pares como seu príncipe. Um homem que acabou tendo um caso com uma das mulheres
mais desejadas da época, Helena. O problema é que Helena era casada com um rei de Esparta, Menelau,
que obviamente ficou bolado e aí não teve outra. Ele convocou todos os reis gregos para recuperar
a sua mulher. e destruir Troia. E Ulisses estava entre esses reis gregos convocados e
acabou sendo puxado pro problema, mesmo não tendo nada a ver. E assim, gente, obviamente eu preciso
deixar claro aqui que isso é a versão do livro do Homero. Não existem comprovações de que
essa tenha sido uma real trama da história. Ulisses até tentou meter o louco ali,
dar um Migué para não ter que ir pra guerra, mas ele foi pego e acabou tendo
que ir mesmo assim. Só que isso é um detalhe importantíssimo na nossa história.
Ulisses é o único rei grego que claramente não quer ir pra guerra, mas ele não tinha
escolha. Então o Ulisses é obrigado a deixar sua esposa e seu filho recém-nascido em casa
para lutar na guerra de Troia. O que ele não sabia é que ele demoraria 20 anos para voltar.
Bom, aqui a gente vai dar um belo salto temporal para não perder muito tempo. Nesse momento,
a guerra de Troia já durava por volta de 10 anos e Ulisses não via mais motivos para continuar
nesse conflito. E o pior, não foram 10 anos em um campo de batalha lutando pela sua vida.
Foram 10 anos de cerco, onde os gregos basicamente ficaram do lado de fora de Troia sem conseguir
tomar a cidade. E o mais impressionante é que eles juntos provavelmente formavam o
mais preparado exército da época, com Aquiles, o mais poderoso dos guerreiros, Agamenon,
o rei dos reis, Ajax , o gigante e implacável herói, e Ulisses,
o mais inteligente entre eles. Durante 10 anos, houve mortes,
traições e perdas dos dois lados. Até os deuses se envolveram tomando partido de algum dos dois
lados. Com isso, a disputa acabou se equilibrando. Aquiles, por exemplo, conseguiu matar Heitor,
conhecido como o maior guerreiro troiano. Só que pouco tempo depois, quem morre é Aquiles, atingido
no calcanhar por uma flecha. E outra perda do lado grego foi Ajax, que pôs fim prematuramente a sua
própria vida. E assim eles foram perdendo seus principais [música] nomes e Troia ainda estava
de pé. O problema era simples. As muralhas de Troia eram simplesmente intransponíveis.
Os gregos poderiam vencer todas as batalhas no campo aberto e ainda assim perder a guerra,
porque a cidade não cairia. E é justamente aqui que o Listes muda a história da guerra. O plano é
tão simples que parece impossível de funcionar. Os gregos iriam construir um enorme cavalo de madeira
e esconderiam dentro dele seus melhores guerreiros com moles incluído. O resto da tropa partiria em
retirada. fingindo uma desistência [música] da guerra. E assim foi feito. Os troianos, após 10
anos de espera, viram seus inimigos indo embora e ainda encontraram esse presentinho estranho
na praia. Obviamente tiveram algumas pessoas que desconfiaram. Cassandra, por exemplo, profetiza,
troiana avisa que o cavalo é uma armadilha, mas ela carrega a maldição de nunca ser acreditada.
Assim, os troianos trazem o cavalo para dentro da cidade e meia-noite os guerreiros gregos saem do
cavalo e abrem os portões para a frota que havia retornado sobre a escuridão. E foi assim que
Troia, que resistiu bravamente por 10 anos, caiu em uma única noite. E tudo isso graças à ideia
de Ulisses, que agora finalmente poderia voltar [música] para casa. E é nesse momento que começa
de fato o livro a Odisseia, narrando as aventuras ou melhor os problemas que Ulisses enfrentou
para voltar para casa. Toda a guerra de Troia é um enredo para outro livro de Homero, a Ilída. Então,
se você tiver pensando em ler os dois, saiba que a ordem é primeiro a Ilída para narrar a guerra
de Troia e depois a Odisseia voltando depois da guerra. Tecnicamente, a Ileda termina com
a morte de Heitor por Aquiles e a Odisseia começa um pouco mais paraa frente quando Ulisses já está
num enrascada, mas eu preferi contar dessa forma para ficar mais coerente. Só que assim, podemos
dizer que os deuses da época não gostaram nem um pouco do que aconteceu em Troia. Reza a lenda que
os gregos, na euforia de vencer a guerra, acabaram cometendo alguns sacrilégios dentro dos templos
troianos, o que acabou desagradando diversos deuses, principalmente Poseidon, o deus dos mares,
que podemos dizer que a vacar completamente à volta de Ulisses. A primeira parada é na
cidade de Sícons, um povo aliado dos troianos que jamais receberia [música] bem os gregos.
E por isso eles tiveram que sair na mão mais uma vez e mais uma vezes venceu. Mas com a vitória dos
gregos eles cometeram um erro clássico, comemorar até demais. A tropa do Lises resolveu ficar ali na
praia bebendo, festejando e enquanto isso, oscones que restaram convocaram reforços. No dia seguinte,
uma força muito maior chegou no campo de batalha e massacrou parte da tripulação.
Alguns gregos escaparam, mas eles tiveram que deixar homens para trás. E aqui surge a
primeira grande lição da Odisseia. A vitória pode matar tanto quanto a derrota se você não souber
comemorar. Depois dos ícon, os gregos enfrentaram uma tempestade enorme que os jogaram em meio ao
passas perdidos e quando finalmente avistam terra, chegam a um lugar estranho e adormecido,
a terra dos lotófagos. Ulisses manda três homens para explorar a ilha e lá eles encontram a flor
de lottos. O que eles não sabiam é que essa flor causava amnésia permanente. Muitos deles acabam
comendo essa planta e instantaneamente perdem qualquer vontade de voltar para casa. Eles ficam
ali sentados, serenos, perdendo completamente o desejo de voltar de onde vieram, por mais
que sua verdadeira identidade ainda estivesse guardada dentro de cada um ali. Mesmo assim,
Ulisses não os deixaria para trás. Ele os arrasta de volta ao bar com a força e finalmente conseguem
partir. O tempo passa e a frota finalmente encontra uma ilha fértil, coberta de vegetação,
com cavalo selvagem espastando livremente. Do outro lado, ao longe, é possível ver uma ilha
ainda maior, onde se ouve barulho de animais e se vem cavernas enormes nas encostas. Mais uma vez,
Ulisses decide explorar, levando apenas um navio e 12 homens de seu pelotão. A caverna é enorme,
claramente habitada por alguém muito maior do que um homem comum. Há queijos armazenados, cordeiros
e cabritos em currais separados por idade. Todos querem simplesmente pegar o que dá e fugir,
mas não. Ele quer ver quem mora ali. E não demorou muito para o dono chegar. O nome dele é Polifêmo,
mas você deve conhecer como Ciclope, o gigante de um único olho, filho de Poseiton. Sem perceber a
presença de ninguém ali, ele fecha a entrada da caverna com uma pedra colossal e depois acende
a fogueira. E foi só aí que ele percebeu que tinha alguma coisa diferente. Pequenos homens
estavam se escondendo em sua própria casa. Ele pergunta quem são e de onde eles vieram.
Ulisses responde com cuidado, mencionando os Zeus e as leis da hospitalidade que na Grécia
antiga eram sagradas. Qualquer viajante deveria ser recebido com comida e abrigo. Mas Polifemo
responde que os ciclopes não se importam com Zeus. Então ele pega dois dos homens de Ulisses,
esmaga suas cabeças contra o chão e os devora da cruz. Ulisses pega a sua espada,
mas ele percebe algo muito mais importante. Matar o ciclope significava morrer preso em uma caverna.
Porque apenas o gigante tem força para mover a pedra que veda a saída. Assim ele guarda a espada
e começa a pensar. Na caverna, Ulisses e seus homens apontam um grande tronco de madeira como
um lápis e o guardam. Na noite seguinte, o ciclope devora mais dois homens. Então o Lice se aproxima
pacificamente, entregando uma grande tigela de vinho. Essa era a bebida mais forte que o Lices
tinha disponível e o ciclope nunca havia provado. O ciclope adora o vinho e bebe até se cansar.
Então ele pergunta a Ulisses o seu nome, prometendo um presente em troca. E Ulisses,
de forma sagaz e totalmente quinta série, responde que o meu nome é ninguém. O Ciclope ri
satisfeito e diz que o presente será devorar ninguém por último. Então ele desmaia. Assim,
Ulisses e seus homens sabem que é a hora certa de atacar. Eles tiram a estaca da escuridão,
aquecem a ponta na brasa da fogueira e a enfiam no único olho do ciclope. Ele grita desesperado
e acaba chamando todos os outros ciclopes da ilha que lhe perguntam o que houve. E ele responde:
"Ninguém me atacou. Ninguém tá querendo me matar. [ __ ] como que isso funcionou? De manhã,
já cego, o Ciclope remove a pedra para soltar seus carneiros para afastar. Ulisses e seus homens se
agarram embaixo deles e conseguem fugir da caverna correndo e se jogam no navio. E aqui comete um
erro que vai custar muito caro. Quando ele estava a uma distância segura, já com o navio fora
do alcance do gigante, ele se levanta na proa e grita: "Clope, se alguém perguntar quem te segou,
pode dizer que foi Ulisses, filho de Laertes de Itaca". Seus homens ficam desesperados implorando
para ele parar e o ciclope já puto começa a arremessar pedaços da montanha na direção da voz,
quase afundando o navio. Mas o Lise seguiu gritando com ódio até que o Ciclope invocou
o seu papai, o Poseidon, e ele pediu que Ulisses nunca chegasse em sua casa. Aqui Homero faz algo
extraordinário. Ele nos mostra que a inteligência sem humildade [música] é perigosa, que a vaidade
pode destruir o que a astúcia construiu. Ulisses é brilhante, mas ainda não é sábio. [música] E
a Odisseia, no fundo, é o relato de como ele aprende essa diferença. Nas aventuras seguintes,
a tripulação chega à ilha de Elulo, Senhor dos Ventos, que dá a Ulisses um presente, um odre
contendo todos os ventos desfavoráveis presos. Durante dias e nove noites, Ulisses permanece
acordado, guiando a embarcação e vigiando aquele presente precioso que ele sabia que
essa era uma oportunidade que não poderia perder e que o retorno para casa dependia unicamente dele.
Finalmente, no 10º dia, ele pode ver Itaca no horizonte, a costa de [música] sua cidade natal,
já ali bem na sua frente. Depois de tantos anos de guerra, naufrágios, monstros e desvios,
o lar [música] estava literalmente diante dos seus olhos. Foi então que UCE se deixou dormir.
Nesse momento, entra em cena um [música] dos traços mais trágicos da Odisseia,
a fragilidade dos próprios companheiros. Os homens começam a coxixar entre si. Eles não entendem por
Odiseu guardou aquele saco com tanto cuidado e passam a suspeitar que ali dentro havia ouro,
prata ou algum tesouro que o líder queria esconder deles. Em vez de confiar em seu capitão,
eles se deixam dominar pela inveja e pela curiosidade. Eles acharam que estavam sendo
enganados e que Ulisses receberia riqueza só para si. Assim, eles abrem o pote, deixando que
os ventos desfavoráveis escapem. E dessa forma a tempestade os leva de volta ao começo da história.
Quando Ulisses acorda, agora longe de casa, e percebe que ele não vê aquela ilha no horizonte,
ele deseja não mais viver e se jogar no mar. E isso também é um ponto incrível da história de
Homero. Ele não transforma o Ulisses em um herói sem [música] sentimentos, muito pelo contrário.
Nesse momento, Ulisses pensa em sua mulher, em seu filho, que já deve ter crescido alguns bons
anos, [música] e em sua vontade de viver tudo isso de novo. Talvez somente por isso, em vez de ceder,
ele se contém. Odiseu sofre, se desespera, mas continua. [música] Ele decide suportar a dor
e seguir adiante com os homens que restam. Assim eles chegam à terra dos canibais lestrigões. Lá
Ulisses perde mais alguns homens e navios sendo brutalmente atacados pelos habitantes da ilha.
Tanto é que o único navio que sobreviveu ao conflito foi o de Ulisses, enquanto
todos os outros foram [música] destruídos. Esse episódio é devastador porque pela primeira vez
a perda é quase total. Até então a viagem era marcada por atrasos, mortes e erros. Mas aqui
ocorre uma espécie de colapso da expedição. Odiseu deixa de ser o comandante de uma frota e passa a
ser apenas o líder de um único navio sobrevivente cercado por poucos homens e ainda mais distante de
qualquer sensação de grandeza heróico. A jornada, a partir desse momento, se torna mais solitária,
mais frágil e mais desesperada. [música] É nesse estado de ruína que eles chegam à ilha de Sir,
iniciando o que talvez seja a parte mais importante de toda [música] essa história.
Sir é uma feiticeira poderosa que vive sozinha em uma ilha coberta de florestas. Quando os
homens de Odisseu chegam até sua casa, ela os recebe comida e bebida e então os transforma
em porcos. Ulisses tinha uma erva mágica que o tornava imune à maldição coincidentemente
dessa forma impressionada. Si o reconhece como o único homem capaz de resistir a ela. E assim
ela desfaz o encanto sobre os homens de Ulisse. Devolve aos companheiros dele a forma humana
e mais do que isso, eles voltam rejuvenescidos, mais fortes e mais belos. Esse episódio já seria
marcante só por isso, mas ele não termina aqui, já que nesse momento Ulisses é tentado a parar e
ficar na ilha com aquela deusa encantadora. Aqui eles têm abrigo, alimento, repouso,
prazer e suspensão da dor. É como o paraíso na Terra. E depois de tanto sofrimento, essa ilha se
torna um refúgio. E por isso a tripulação passa mais de um ano ali. Em um dia qualquer, o Lice
sente uma enorme saudade de casa e decide que é o momento de partir. Circe lhe oferece tudo que
tem para ficar, mas o Lice sente [música] que esse não é o seu lugar. E aqui ele é colocado
de frente para a maior lição que a Odisseia [música] quer passar. Por mais confortável,
por mais incrível que algum lugar seja, se isso não for o que você quer, você nunca vai se sentir
plenamente [música] satisfeito. Ulisses ali tinha tudo, tinha alimento, um bom abrigo, uma deus à
sua disposição, mas esse não era o seu lugar. Ele não se sentia [música] pertencente àquela ilha.
E Homemero permite que você faça um paralelo com sua vida. Hoje você pode estar onde recebe
o maior salário, ter a maior casa do mundo ou estar num relacionamento aparentemente perfeito.
Mas se esse não for o lugar onde você quer estar, ali nunca será o suficiente. Em nenhum momento
esse desejo desaparece por completo. Ele pode ser adiado, entorpecido ou desviado, mas nunca morre.
E quando Odisseu finalmente pede para partir, Circe lhe diz que o caminho de volta passa por
um lugar onde nenhum homem vivo deveria visitar. O reino dos mortos. A descida até Ades é um dos
momentos mais poderosos de toda a literatura ocidental. Odisseu segue as instruções de Circe,
faz os rituais [música] e convoca as sombras dos mortos com sangue de animais sacrificados.
Primeiro aparece o espírito de Eupenor, um dos seus homens que havia morrido recentemente,
caindo bêbado de um telhado. Ele pede que Odisseu [música] volte e enterre seu corpo,
um lembrete cruel de que os vivos ainda têm obrigações com os mortos. Depois vem Tirésias,
o profeta cego, que mesmo na morte mantém sua lucidez e lhe revela que ele chegará em casa, mas
terá perdas pelo caminho. E então aparece sua mãe. Odisseu não [música] sabia que ela havia morrido.
Ela morreu de saudade, esperando por ele. E quando tenta abraçá-la, seus braços passam pelo ar.
As sombras não t corpo. Ele tenta três vezes e três vezes suas mãos [música] encontram apenas
o vazio. Esse é um dos momentos mais humanos de toda a Odisseia. Um homem no fundo do poço
tentando abraçar a sua mãe morta. Depois ele ainda encontra os espíritos de grandes heróis.
Aquele, seu antigo companheiro, que lhe diz que preferia ser o último dos servos entre os vivos
do que o rei entre os mortos. Além de relatar um arrependimento por ter escolhido uma vida curta,
mas com glórias, ao invés de uma vida simples e sem glórias. Ele também encontra a Gamenon,
traído e assassinado pela própria esposa ao voltar de Troia, um espelho sombrio do que pode esperar
Odisseu, se não tomar cuidado ao chegar em casa. Para os gregos, a descida ao mundo dos mortos,
a chamada catábase, era o teste máximo dos heróis, onde pouquíssimos voltavam. E Odisseu
não só voltou como voltou com conhecimento. Ele sabe agora o que o espera e mesmo assim
ele decide continuar. De volta ao mundo dos vivos, ele parte da ilha de Sir com um novo objetivo
e com novos perigos pelo caminho. As sereias, criaturas cujo canto é tão belo que faz qualquer
marinheiro se jogar ao mar para alcançá-las. Circe havia avisado: "Ninguém que as [música] ouve vive
para contar". Mas Ulisses queria ouvir a sereia. Então o Ulisses pediu para que os seus homens
amarrassem ele no mastro e depois tampassem seus ouvidos com cera. Assim ele ouve o canto
mais belo que existe e chega ao outro lado com os ouvidos cheios de uma beleza que ninguém mais no
mundo conhece. Há algo profundamente moderno nessa cena. O desejo de experimentar o que é proibido,
mas com uma estrutura de segurança. O homem que quer sentir tudo, mas que conhece [música] seus
próprios limites o suficiente para se amarrar antes. Depois vem Sila e Caribiddes, dois monstros
que guardam um estreito perigoso. Sila é uma criatura de seis cabeças que devora marinheiros
e Caribiddes é um redemoinho gigante que encolhe navios inteiros. Não há como passar sem perda.
E Circe já tinha dado a dica. passa ali mais perto de Sila, perde alguns homens ali, uns seis mais ou
menos e aí você vai conseguir salvar seu navio. Odisseu obviamente não conta isso pra tripulação,
o que é uma das atitudes mais questionáveis dele na história, digse de passagem. Mas aí quando
Sila ataca, ele assiste impotente, enquanto seis dos seus homens gritam seu nome e são devorados.
Depois de tudo isso, os sobreviventes chegam à ilha de Trinácia. [limpando a garganta] Odisseu
havia sido avisado duas vezes: "Não toquem no gado sagrado de Hélio, o deus do sol". Se tocarem,
nenhum deles voltará para casa. Mas os ventos param, eles ficam presos na ilha por um mês.
Os mantimentos acabam e os homens, com fome e desesperados tocam no gado enquanto o Odisseu
dorme, selando seu destino para sempre. E quando eles partem, uma tempestade enviada
por Zeus destrói o navio. É nesse momento que todos morrem. todos, exceto o Odisseu,
que se agarra a destroços e passa dias no mar sozinho. Bom, aqui é um ótimo momento para mostrar
como os deuses de fato impactam nessa história, mas nem sempre pro mal, como é o caso de Atena,
que ajuda Ulisses em praticamente toda essa trajetória. Podemos dizer, inclusive, que sem
ela ele jamais conseguiria. Atena intervém várias vezes disfarçada, manipulando situações a favor do
herói. Ele chega a deriva na ilha de Ogíia, onde vive Calipso, [música] uma ninfa imortal que se
apaixona por ele e o mantém como companheiro por 7 anos. E mesmo lhe oferecendo a imortalidade,
Ulisses recusa. Esse é talvez o momento mais revelador de toda a Odisseia. O herói que
passou 10 anos tentando sobreviver, que perdeu todos os seus homens, que sofreu tudo que um ser
humano pode sofrer, recusa a imortalidade. Isso porque Itítaka é real, porque Penélope é real,
porque ele quer uma vida com o peso e significado, mesmo que termine, ele sabe onde é sua casa
e apenas deseja voltar a ela. Para os gregos, isso era a definição de humanidade,
escolher a vida ao invés da eternidade vazia. Ulíes monta uma jangada improvisada e parte mais
uma vez em direção ao mar. Posseidon, claro, não perdoaria facilmente. Então uma tempestade final
o pega e joga ao mar. Mas Ulisses nada por dois dias e duas noites. É ajudado por uma ninfa do mar
e chega exausto à costa [música] dos Feácios, um povo civilizado e bondoso que o acolhe, ouve
sua história e finalmente o leva até Ítaka. Após 20 anos fora, 10 na guerra e mais 10 no caminho,
Ulisses [música] finalmente chega em casa. Mas ele não pode simplesmente chegar chegando porque
sua casa está tomada. Diversos pretendentes queriam de todas as formas conquistar sua tão
amada esposa. Ele sabia que se revelasse quem ele era, iriam simplesmente matá-lo. O que se segue
é uma das sequências mais tensas e emocionantes da literatura antiga. Odisseu entra em sua
própria casa disfarçado de mendigo e procura encontrar aqueles que ele realmente confiava,
seu criador de porcos, seu ferreiro e telêmaco, seu filho. Inclusive ele também encontra seu cão.
Argos tem inclusive essa pintura que representa justamente esse momento, o momento em que Ulisses
encontra o seu cão já velho e pouco tempo depois ele morre. Ulisses entra e observa os pretendentes
desperdiçando seus bens, [música] humilhando seus servos, assediando sua esposa. Ele engole a raiva
porque um herói de verdade sabe quando agir. Penope, que há anos resistia, anuncia um concurso.
Quem conseguir envergar o arco de Odisseu? e disparar uma flecha através de 12 eixos alinhados
da cabeça do machado. Tipo assim, ia ter 12 cabecinhas de machado alinhado e tinha que passar
uma flecha entre eles. Essa pessoa terá a sua mão e consequentemente o reino de Itítaka. Um por um,
os pretendentes tentam. Nenhum consegue sequer envergar o arco. Então aquele homem estranho
pede a sua vez. Ele pega o arco com a familiaridade de quem o conhece intimamente.
Ele o examina, o testa, o encorda com a calma de um músico afinando o seu instrumento. Então
dispara a flecha que passa pelos 12 eixos sem tocar em nenhum. O que vem depois é a vingança.
Uliss se une a Telemaco, seu filho. Eles fecham as portas e eliminam os pretendentes um a um.
A cena é brutal e Homero não só avisa, mas também não é gratuita. É a restauração de uma ordem que
havia sido violada. É a casa sendo devolvida ao seu dono. Então vem o momento pelo qual todo o
poema esperou. Odseu vai ao encontro de Penélope, mas ela não acredita que é ele. Como poderia,
após 20 anos, qualquer pessoa poderia reividicar ser Ulisses. E aqui Homero faz algo de gênio.
Penlope testa o marido. Ela diz para uma serva mover a cama de Odisseu para fora do quarto,
mas Ulisses imediatamente protesta. É impossível mover aquela cama porque
ele mesmo a construiu em torno de uma oliveira viva que ainda cresce dentro do quarto. Ninguém
mais no mundo sabia disso. É um segredo entre os dois. É o que nenhum impostor poderia saber.
E quando Penélope ouve isso, ela finalmente chora e vai ao encontro do marido.
Muitos anos depois, Platão na República imaginou uma cena curiosa. Depois da morte, as almas eram
levadas a escolher uma nova vida antes de retornar ao mundo. Algumas escolhiam vidas de reis,
guerreiros, tiranos, atletas famosos ou homens poderosos. Mas quando chegou a vez de Ulisses,
o maior dos heróis viajantes, aquele que havia enfrentado monstros, deuses, mares e guerras,
sua escolha foi completamente diferente. Ulisses não quis uma coroa, não quis fama, não quis poder,
não quis ser lembrado por todos. Depois de procurar durante muito tempo, ele escolheu a vida
de um homem comum, simples, privado, distante das grandes glórias e dos grandes sofrimentos. E essa
imagem é profundamente simbólica, porque parece revelar o verdadeiro aprendizado da Odisseia.
A jornada de Ulisses não é apenas a história de um homem tentando voltar para casa, é também a
história de um homem que depois de conquistar fama eterna na guerra de Troia, descobre que a glória
tem um preço terrível. Ele vence batalhas, engana monstros, desafia reis e sobrevive a quase tudo,
mas perde [música] companheiros, perde anos de vida, perde a juventude e perde a sua paz.
Sua inteligência o salva muitas vezes, mas isso não o livra da dor. Por isso, a grande moral
da Odisseia [música] talvez não esteja apenas na coragem, na astúcia ou na persistência de Ulisses.
Está na descoberta de que o verdadeiro destino desejado pelo herói não era conquistar o mundo,
era simplesmente voltar para casa. Enquanto outros buscariam a imortalidade da fama, Ulisses busca o
retorno com Penélope, com Telêmco, com sua terra e com sua própria identidade. A casa, nesse sentido,
não é só um lugar físico, é aquilo que resta quando todas as ilusões de grandeza desmoronam.
A escolha descrita por Platão parece completar essa ideia. Depois de viver uma existência
marcada por guerra, orgulho, sofrimento e perda, Ulisses finalmente entende que uma vida pequena
aos olhos do mundo pode ser maior do que uma vida grandiosa aos olhos da história. A simplicidade
que antes poderia parecer insignificante para um herói se torna uma forma de sabedoria. No fim,
a odisseia nos encanta porque transforma o Lícias em uma figura heróica, mas também
nos deixa uma pergunta incômoda. Se ele pudesse escolher de novo,
será que escolheria a mesma vida? Será que toda aquela glória compensou os anos perdidos,
os amigos mortos, o sofrimento da família e o peso de nunca poder descansar? Talvez seja por isso que
a história de Ulisses continue tão poderosa, porque ela não apenas fala sobre a aventura,
ela fala sobre o desejo humano de voltar para aquilo que realmente importa. E depois
de toda a grandeza, de todos os perigos e de todas as lendas, a resposta final da Odisseia
parece ser [música] simples. Nenhuma glória vale mais do que a paz de finalmente estar em casa.
Bom, esse foi o vídeo. Eu espero que você tenha gostado. Deixa o seu like, se inscreve no canal
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não se torna membro do canal, o que que você tá fazendo da sua vida, meu irmão? Se torna membro
aqui embaixo, porque tem vídeos exclusivos para vocês, vídeos iguais. [música] Esses daqui para
você assistir só se você for membro, tá baratinho. Vai lá, irmão, assina isso aí que com certeza você
vai gostar. Enfim, se você gostou desse vídeo, no final tem mais um [música] vídeo para você,
o nosso documentário sobre a Grécia antiga. Muito obrigado pelo seu acesso e até o próximo vídeo.
Valeu. Falou, um grande abraço do Tinoko e lembre-se, a existência é passageira. Ciao
A
odisseia de Omero filosofando parte um de 400.
Tô sendo mogado por uma garrafa. [risadas] Não tá perdendo a Não.
Para eles adicion para que eles Ai, mano. Esse vídeo vai demorar um bilhão de anos.
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O vídeo explora o épico 'A Odisseia' de Homero, narrando a jornada de Ulisses após a Guerra de Troia em seu longo e difícil retorno para casa em Ítaca. Além do resumo dos desafios e encontros mitológicos de Ulisses, como o Ciclope Polifemo e a feiticeira Circe, o autor reflete sobre os dilemas filosóficos da obra, como a importância da humildade versus a astúcia, o desejo humano de pertencer a um lugar e a busca por uma vida simples em vez da glória eterna.
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